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FRANCISCO PEREIRA DE OLIVEIRA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE ESTUDOS COSTEIROS – IECOS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE BRAGANÇA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA AMBIENTAL CURSO DE DOUTORADO EM BIOLOGIA DE ORGANISMOS

DA ZONA COSTEIRA AMAZÔNICA

FRANCISCO PEREIRA DE OLIVEIRA

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS EXTRATIVISTAS ESTUARINO-COSTEIROS SOBRE O ZONEAMENTO DA EXTRAÇÃO DO CARANGUEJO-UÇÁ (Ucides

cordatus) E DA MADEIRA NOS MANGUEZAIS DA RESEX-Marinha

CAETÉ-TAPERAÇU, PARÁ, COSTA AMAZÔNICA BRASILEIRA

BRAGANÇA – PARÁ OUTUBRO – 2015

(2)

FRANCISCO PEREIRA DE OLIVEIRA

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS EXTRATIVISTAS ESTUARINO-COSTEIROS SOBRE O ZONEAMENTO DA EXTRAÇÃO DO CARANGUEJO-UÇÁ (Ucides

cordatus) E DA MADEIRA NOS MANGUEZAIS DA RESEX-Marinha

CAETÉ-TAPERAÇU, PARÁ, COSTA AMAZÔNICA BRASILEIRA

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, Curso de Doutorado em Biologia de Organismos da Zona Costeira Amazônica, do Instituto de Estudos Costeiros, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, como quesito parcial para obtenção do título de Doutor em Biologia Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Marcus Emmanuel B. Fernandes Co-Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina A. Maneschy

BRAGANÇA – PARÁ OUTUBRO – 2015

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3

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE ESTUDOS COSTEIROS – IECOS

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE BRAGANÇA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOLOGIA AMBIENTAL CURSO DE DOUTORADO EM BIOLOGIA DE ORGANISMOS

DA ZONA COSTEIRA AMAZÔNICA

FRANCISCO PEREIRA DE OLIVEIRA

ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DOS EXTRATIVISTAS ESTUARINO-COSTEIROS SOBRE O ZONEAMENTO DA EXTRAÇÃO DO CARANGUEJO-UÇÁ (Ucides

cordatus) E DA MADEIRA NOS MANGUEZAIS DA RESEX-Marinha

CAETÉ-TAPERAÇU, PARÁ, COSTA AMAZÔNICA BRASILEIRA

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, Curso de Doutorado em Biologia de Organismos da Zona Costeira Amazônica, do Instituto de Estudos Costeiros, Campus Universitário de Bragança, Universidade Federal do Pará, como quesito parcial para obtenção do título de Doutor em Biologia Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Marcus Emmanuel B. Fernandes Instituto de Estudos Costeiros – IECOS – UFPA Co-Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina A. Maneschy

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – IFCH – UFPA Examinadores:

Profa. Dra. Cláudia Nunes Santos Profa. Dra. Moirah Paula Machado de Menezes

IECOS – UFPA IECOS – UFPA

Profa. Dra. Bianca Bentes da Silva Profa. Dra. Ida Lenir Maria Pena Gonçalves

IECOS – UFPA IFCH – UFPA

Suplentes:

Profa. Dra. Victória Judith Isaac Nahum Prof. Dr. Darlan de Jesus de Brito Simith

ICB – UFPA IECOS – UFPA

Prof. Dr. Fernando Araújo Abrunhosa IECOS – UFPA

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O que existe nessa estrada?

Que força é essa que nos empurra para longe do conforto daquilo que é familiar, e nos faz enfrentar desafios, mesmo sabendo que a glória do mundo é transitória? Creio que esse impulso se chama: a busca da vida. Por muitos anos procurei nos livros, na arte, na ciência, nos perigosos ou confortáveis caminhos que percorri uma resposta definitiva para esse pergunta. Encontrei muitas, algumas que me convenceram por anos, outras que não resistiram a um só dia de análise; entretanto, nenhuma dela foi suficientemente forte para que agora eu pudesse dizer: o sentido da vida é este.

Hoje estou convencido que tal resposta jamais nos será confiada nesta existência, embora, no final, no momento em que estivermos de novo diante do Criador, compreenderemos cada oportunidade que nos foi oferecida – e então aceita ou rejeitada.

Paulo Coelho (Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras) (...) Os ignorantes olham para baixo e acham que o mundo é do tamanho dos seus passos, os sábios olham para cima e vêem o mundo sem dimensão. Os ignorantes olham para sua tese, a sua cultura, as suas verdades, e acham que são superiores aos outros, os sábios olham por cima do horizonte do seu conhecimento e percebem que sabem tão pouco.

Augusto Cury, 2007 Médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor

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Dedico:

Aos meus pais, Frederico Pereira de Oliveira e Maria do Carmo Oliveira (in memoriam), que por uma vida de dedicação, amor e trabalho sempre possibilitaram a seus filhos a oportunidade de realizar sonhos e conquistas; Aos meus irmãos, Marinês Pereira de Oliveira, Nei Pereira de Oliveira e Nelza Oliveira, exemplos de pessoas, dignidade, bondade e caráter;

Ao meu filhote do coração, José Filipe Monteiro Silva, pelos momentos de bondade, felicidade, harmonia e paz;

Aos meus cunhados, Gilvana Monteiro e Evandro Silva, pessoas que alegram nosso dia e que possuem bondade para com todos;

Aos meus tios, Sebastiana Pereira, Raimundo Oliveira, Alcilene Pereira, José Domingos Oliveira, em especial, Maria Trindade Oliveira Silva.

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AGRADECIMENTOS

Hoje sou agradecido por muitos momentos bons e ruins. Bons, porque tenho um DEUS que me socorre e me carrega nos braços. Tenho uma FAMÍLIA solidária. Tenho AMIGOS e AMIGAS incomparáveis. Ruins, porque meu DEUS se faz presente e me ajuda a ultrapassar as dificuldades e me eleva à vitória. Por isso sou AGRADECIDO:

Ao meu Orientador, Prof. Dr. Marcus Emanuel Barroncas Fernandes, pela simplicidade, porém de uma expressão sábia nas recomendações e singeleza no tratamento ao próximo.

À minha Co-Orientadora, Profa. Dra. Maria Cristina Alves Maneschy, pela paciência e sabedoria dispensadas ao meu trabalho.

À minha Ex-Orientadora, Profa. Dra. Victória Isaac Nahum, pelo encaminhamento e oportunidade oferecida no mundo da ciência, pois foi quem me colocou no caminho da pesquisa.

À minha amiga eterna, Valmira do Socorro Silva, pela contribuição nas fórmulas matemáticas e pelos momentos compartilhados na construção deste trabalho.

À minha colega de Laboratório, Sanae Hayashi, pela enorme contribuição na elaboração dos mapas para as zonas de extração na península de Ajuruteua. Ao meu colega de Laboratório, Diego Novaes Carneiro da Silva, pela contribuição na formatação de parte dos dados estatísticos.

Ao corretor, Prof. Dr. Jair Cecim, pela dedicação e correção da gramática em meu trabalho.

Ao Ex-Prefeito de Bragança, Edson Luiz de Oliveira, pela compreensão nos momentos de ausência em função da pesquisa e pela confiança depositada para o cargo ao qual atribuiu a mim.

À Ex-Secretária de Educação de Bragança, Profa. Eulina Rabelo, pela amizade e apoio incondicional dado a mim em todos os aspectos de minha vida.

Ao meu Irmão e Prefeito de Irituia, José de Anchieta Lima de Oliveira, pelo companheirismo e por acreditar no meu trabalho.

À Minha Tia, Maria Trindade Oliveira Silva (Noilta), por ter zelo, paciência e dedicação a mim do nascimento até os dias de hoje.

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À Minha Mãe de Coração e Conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Pará, Maria de Lourdes Lima de Oliveira, pela dedicação e por ter sido a pessoa que me apoiou desde sempre.

Aos meus amigos-irmãos, Valdeir Salomão, Marco Antonio Oliveira, Jaime Pantoja, Jerffeson Galvão, Wagner Tadeu Vieira Carneiro, José Carlos Oliveira, Ivancleison Lima, José de Moraes Souza, Klayton Campelo, Luís Augusto Santa Brígida, Andreilton Pinheiro, Gilmarques Silva, Antônio José, Marcos Alexandre Monteiro e Gilberto Oliveira, por terem demonstrado honradez e companheirismo nos momentos difíceis.

Às minhas amigas-irmãs, Leila Rotterdan Ollêto, Sara Silva, Elisângela Silva, Zenaide Silva, Terezinha Elias, Ivete Garcia, Roseane Guimarães, Edna Brito, Carla Sabrina Nascimento Silva, Ana Maria Mendonça, Ivana Corrêa, Nádia Rocha, Deusa Castro, Natália Rodilha, Ivanete Reis, Ana Maria Tavares, Estela Bastos e Neide Lobão por terem suportado minha companhia nos momentos de angústia.

Ás professoras e técnicas da Secretaria de Educação de Irituia, Edna Leite, Rosângela Santos, Irlaine Caldeira, Iraides Ferreira, Maria Aparecida e Jousi Polón, por serem simplesmente companheiras e competentes.

Aos companheiros de campo, Valdir Silva e Roberto Silva, pela paciência, pelos momentos de risos no manguezal, pelos momentos compartilhados de trabalho, sem medirem dificuldades.

Aos Extrativistas Estuarino-Costeiros por permitirem e ajudarem na realização da pesquisa de pesquisa. Sei o quão é valioso os vossos trabalhos nessa empreitada da vida nos manguezais da Península de Ajuruteua, Bragança, Pará, Brasil.

Por tudo e por todas, deixo a reflexão de Frejat:

"Eu te desejo muitos amigos Mas que em um você possa confiar E que tenha até inimigos Pra você não deixar de duvidar Quando você ficar triste Que seja por um dia, e não o ano inteiro E que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero Desejo que você tenha quem amar E quando estiver bem cansado Ainda, exista amor pra recomeçar Pra recomeçar"

(8)

APOIO FINANCEIRO E LOGÍSTICO

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FICHA CATALOGRÁFICA

Elaborada Pelo Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação Universidade Federal do Pará

Campus Universitário de Bragança Oliveira, Francisco Pereira de

Código XX

Análise do extrativismo do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e da madeira dos manguezais, com ênfase na sua intensificação e políticas públicas: o caso da Península de Ajuruteua, Bragança, Pará, Brasil. / Francisco Pereira de Oliveira. – Bragança, Pará, Brasil, 2015.

Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Pará, Instituto de Estudos Costeiro, Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental - Curso de Doutorado em Biologia de Organismos da Zona Costeira Amazônica.

Orientador: Prof. Dr. Marcus Emanuel Barroncas Fernandes Co-Orientadora: Profa. Dra. Maria Cristina Alves Maneschy 1. Xxx. 2. Xxx. 3. Xxx. 4.

(10)

SUMÁRIO RESUMO GERAL... 13 ABSTRACT... 14 ESCOPO DA TESE... 20 CAPÍTULO 1... 22 1. INTRODUÇÃO GERAL... 23

1.1. Os recursos naturais e as práticas produtivas: elementos iniciais de entendimento socioambiental do ecossistema de manguezal... 23 1.2. A área de estudo: o ambiente estuarino-costeiro e povos da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 31 1.3. O problema e os objetivos: elemento de busca no campo da pesquisa... 34

1.4. Hipóteses... 35

2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 37

CAPÍTULO 2... 43

A PERCEPÇÃO DOS EXTRATIVISTAS ESTUARINO-COSTEIROS SOBRE Ucides cordatus E MADEIRA DE MANGUE NOS MANGUEZAIS DA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA CAETÉ-TAPERAÇU, PARÁ, COSTA AMAZÔNICA BRASILEIRA... 44 RESUMO... 44 ABSTRACT... 45 1. INTRODUÇÃO... 45 2. PROCEDIMENTO METODOLOGICO... 48 2.1. Área de Estudo... 48 2.2. Procedimento de Campo... 50 2.3. Coleta de Dados... 50 2.4. A Amostragem... 52 2.5. Análise de Dados... 52 3. RESULTADOS DA PESQUISA... 53

3.1. Os extrativistas estuarino-costeiros e suas práticas produtivas no ecossistema de manguezal: um pouco de seu perfil... 53

3.2. Percepções dos extrativistas estuarino-costeiros com relação aos recursos ambientais do sistema manguezal... 60

4. DISCUSSÃO... 63

5. CONCLUSÃO... 72

(11)

CAPÍTULO 3... 82

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS ZONAS DE EXTRATIVISMO DO CARANGUEJO-UÇÁ, Ucides cordatus, NA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA CAETÉ-TAPERAÇU, COSTA AMAZÔNICA BRASILEIRA... 83 RESUMO... 83 ABSTRACT... 84 1. INTRODUÇÃO... 88 2. PROCEDIMENTO METODOLOGICO... 87 2.1. Área de Estudo... 87 2.2. Procedimento... 90

2.3. Perfil socioeconômico e percepção ambiental dos extrativistas estuarino-costeiros 91 2.4. Desenho experimental para o estudo do caranguejo-uçá... 91

2.5. Análise dos Dados... 93

3. RESULTADOS... 96

3.1. Acessibilidade às zonas de extração... 96

3.2. Técnicas e instrumentos usados na extração do caranguejo-uçá... 98

3.3. Amostragem populacional e biometria do caranguejo-uçá... 100

4. DISCUSSÃO... 103

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS... 107

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 109

CAPÍTULO 4... 115

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DAS ZONAS DE EXPLORAÇÃO MADEIREIRA NOS MANGUEZAIS DA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA CAETÉ-TAPERAÇU, BRAGANÇA, PARÁ... 116 RESUMO... 116 ABSTRACT... 117 1. INTRODUÇÃO... 117 2. PROCEDIMENTO METODOLOGICO... 120 2.1. Área de Estudo... 120 2.2. Coleta de Dados... 122

2.3. Tratamento dos Dados... 124

2.4. Análise dos Dados... 125

3. RESULTADOS... 126

3.1. Apropriação das espécies arbóreas de mangue... 126

(12)

3.3. Zonas de intensificação do corte da madeira de mangue... 134

3.3.1. Atributos estruturais zonas de corte da madeira de mangue... 136

3.3.2. Impacto do corte da madeira de mangue... 140

4. DISCUSSÃO... 145

5. CONCLUSÃO... 149

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 150

CAPÍTULO 5... 158

(13)

RESUMO GERAL

A pesquisa “Análise da percepção dos extrativistas estuarino-costeiros sobre o zoneamento da extração do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e da madeira nos manguezais da RESEX-Marinha Caeté-Taperaçu, Pará, costa amazônica brasileira” ocorreu no período de março de 2012 a março de 2015. O objetivo foi compreender as formas de apropriação e uso desses dois recursos dos manguezais da referida costa, assim como zonear suas principais áreas intensificadas pela exploração. A coleta foi realizada a partir da percepção dos extrativistas estuarino-costeiros (n=80), com idade acima de 18 anos. A partir de então, foram realizadas entrevistas por meio do instrumento questionário, com perguntas (semi)estruturadas para traçar o perfil de apropriação e uso desses recursos como atividades produtivas. Pôde-se identificar que existem cerca de 700 pessoas que praticam a pesca do caranguejo-uçá como a principal atividade produtiva nos manguezais da RESEX-Mar. Identificou-se também que os extrativistas estuarino-costeiros são especializados em mais de uma atividade produtiva. A escolaridade desses atores sociais foi considerada baixa e suas atividades produtivas ligadas ao ecossistema de manguezal ocorrem o ano todo, com exceção no período do defeso do caranguejo-uçá, e, parte da produção é destinada à comercialização. Os mesmos percebem alguns impactos negativos com relação ao extrativismo nos manguezais da referida RESEX-Mar. Todavia, inferem indicativos de recuperação como replantio das áreas degradadas e coleta sistemática dos resíduos sólidos. Porém, fatores como a falta de oportunidades formais de emprego e a baixa escolaridade, fazem com que

percebam como a única alternativa de renda, a prática do extrativismo nos manguezais. Importante achado foi o zoneamento de 32 áreas de pesca intensiva do caranguejo-uçá e, 20 áreas de corte da madeira de mangue nos manguezais da RESEX-Mar. As zonas de exploração do caranguejo-uçá (n=32) foram georreferenciadas e plotadas no Programa ArcGis e gerados mapas, assim como a caracterização das áreas por meio dos fatores fácil e difícil acesso. Nessas áreas, abria-se uma parcela de 100m x 25m, depois a dividia em quatro parcelas (25 x 25m) e realiza-se a contagem das galerias. Em seguida, os espécimes pescados para a comercialização eram medidos (largura da carapaça), num total de 150 indivíduos por área, o que totalizaram 4.800 indivíduos. Os resultados apresentaram que as áreas de fácil acesso (FA) são as que possuem o menor caranguejo-uçá (> 6,0 cm e < 7,3 cm), e, portanto as mais intensificadas na exploração, enquanto que as áreas de difícil acesso (DA) possuem o maior caranguejo-uçá (≥7,3 cm). Analisado esse resultado pela Regressão Logística, demonstrou-se ser bastante significativo, onde existe a probabilidade de aproximadamente 92% de ocorrer o caranguejo-uçá grande nas zonas de DA e 25% nas zonas de FA. No geral, o tamanho médio do caranguejo-uçá na península é de 7,3 cm de largura da carapaça. Os extrativistas estuarino-costeiros identificaram as 20 principais zonas de corte da madeira de mangue, o que foi possível georreferenciá-las, a considerar as três principais espécies de mangue da península de Ajuruteua Rhizophora mangle, Avicennia germinans e Laguncularia racemosa. Em cada zona de corte, abria-se uma parcela de 10m x 10m, para retirar as medidas dos atributos estruturais dos bosques de mangue, tanto das árvores vivas quanto dos troncos cortados. A partir de então, foi possível determinar a intensidade de corte para cada uma das três espécies de mangue, assim como gerar um índice de corte (Ic) para os manguezais da RESEX-Mar de Bragança, com a identificação do grau de impacto (baixo, médio e alto) desse corte. Nesse sentido, a espécie arbórea com maior audiência de corte foi a Laguncularia racemosa, seguida pela Avicennia germinans e a Rhizophora mangle, justificada o uso como as espécies preferidas para a confecção de currais de pesca. O Ic revelou que os manguezais da RESEX-Mar Caeté-Taperaçu está submetido ao médio impacto, com predição ao alto se continuar o corte com a mesma audiência encontrada por este estudo. Por fim, os resultados e discussão permitiram a inferência de que alguns indicadores de conservação e manejo capazes de minimizar a pressão que ora passa esses manguezais dessa RESEX-Mar. Esses indicadores versam para a oferta de oportunidades de alternativa de renda, reconhecimento e regulamentação por parte dos órgãos governamentais da categoria pescador do caranguejo-uçá para acesso aos direitos previdenciários, à saúde, à aposentadoria e à escolarização específica para os extrativistas estuarino-costeiros, a considerar o ciclo sazonal de suas atividades produtivas.

(14)
(15)

LISTA DE FUGURAS E TABELAS

CAPÍTULO 1

Figura 1. Localização da Costa Pará; Zona Costeira do nordeste paraense e limites

da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu com as comunidades dentro e

no seu entorno, costa amazônica brasileira... 32 CAPÍTULO 2

Figura 1. Localização da Costa Pará; Zona Costeira do nordeste paraense e limites da

Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu com as comunidades dentro e no

seu entorno, costa amazônica brasileira... 49

Tabela 1. Caracterização das classes etárias e estado civil dos extrativista-costeiros

(n=80) de caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, costa amazônica brasileira, Bragança, costa

amazônica brasileira. n=número de respondentes... 56

Tabela 2. Caracterização da escolaridade e da atividade econômica complementar

dos extrativistas estuarino-costeiros (n=80) de caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança,

costa amazônica brasileira. n=número de respondentes... 57

Tabela 3. Descrição das atividades praticadas dos extrativista-costeiros (n=80) de

caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira. n=número de

respondentes... 57

Tabela 4. Períodos, dentro do ciclo anual, em que são realizadas as atividades

produtivas dos extrativistas estuarino-costeiros de caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança,

costa amazônica brasileira. n=número de respondentes... 58

Tabela 5. Recursos extraídos pelos extrativistas estuarino-costeiros (n=80) de

caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira. n=número de

respondentes... 58

Tabela 6. Destino da produção de caranguejo-uçá e madeira extraída pelos

extrativistas estuarino-costeiros (n=80) de madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira. n=número de respondentes... 59

Tabela 7. Fatores que afetam as atividades de produção dos recursos extraídos pelos

extrativistas estuarino-costeiros (n=80) de caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança,

costa amazônica brasileira. n=número de respondentes... 59

Tabela 8. Fatores que levaram a profissionalização dos extrativistas

estuarino-costeiros (n=80) de caranguejo-uçá e madeira nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira.

n=número de respondentes... 60

Tabela 9. Percepção dos extrativistas estuarino-costeiros sobre o ecossistema

(16)

amazônica brasileira. n=número de respondentes...

Tabela 10. Percepção dos extrativistas estuarino-costeiros sobre os problemas

ambientais dos manguezais na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira. n=número de

respondentes... 61

Tabela 11. Percepção ambiental dos extrativistas estuarino-costeiros sobre possíveis

medidas de recuperação e responsabilidades pela conservação no manguezal da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira. n=número de respondentes... 62 CAPÍTULO 3

Figura 1. Localização geográfica da região de Integração do rio Caeté e da cidade de

Bragança na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança,

Estado do Pará, costa amazônica brasileira... 88

Figura 2. Mapa de localização da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu na

península de Ajuruteua no litoral do nordeste paraense, Bragança, Estado

do Pará, costa amazônica brasileira... 89

Figura 3. Representação esquemática do desenho experimental utilizado para

realizar a amostragem populacional de Ucides cordatus na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira... 92

Figura 4. Representação das diferentes categorias de galeria para a realização do

método de amostragem via Captura de Indivíduos (CI). FEC= Fechada (1), AAB=Aberta com Atividade Biogênica (2), ADA=Aberta com Dupla

Abertura (3) e ABA=Abandonada (4)... 92

Figura 5. Identificação do sexo e instrumentos utilizados para medir da largura da

carapaça (LC) do caranguejo-uçá, Ucides cordatus, nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira. A – abdômen da fêmea, B - abdômen do macho, C - medida da largura da carapaça (LC), D - paquímetro e E - Global Positioning System

(GPS)... 93

Figura 6. Mapa mostrando o gradiente de intensidade do tamanho do

caranguejo-uçá, Ucides cordatus, extraído para comercialização (> 6,0 cm) nas 32 zonas de extração, ressaltando os parâmetros Fácil Acesso e Difícil Acesso, ao longo da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu,

Bragança, costa amazônica brasileira.... 96

Figura 7. Uso do braceamento (A e B), gancho (uso: C e D / confecção (E e F) e uso

do pé (G e H) para a extração de Ucides cordatus na Reserva Extrativista

Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 99

Figura 8. Instrumentos confeccionados (A=luva, B=sapato e C=repelente) para

proteção do corpo na extração de Ucides cordatus na Reserva Extrativista

Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 99

Figura 9. Média de tamanho da largura da carapaça (LC; cm) de Ucides cordatus nas

zonas de Difícil Acesso (DA; n=12) na Reserva Extrativista Marinha

(17)

17

Figura 10. Média de tamanho da largura da carapaça (LC; cm) de Ucides cordatus

nas zonas de Fácil Acesso (FA; n=20) na Reserva Extrativista Marinha

Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 102

Tabela 1. Amostragem populacional por contagem de galerias (CG), apresentando a

média, desvio padrão (DP), mínimo (Min) e máximo (Máx) de galerias de

Ucides cordatus nas zonas de Fácil Acesso (FA) e Difícil Acesso (DA), na

Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira... 101

Tabela 2. Probabilidade de variação no tamanho (TAM) do Ucides cordatus em

função do fator acesso (FA e DA) nos sítios estudados na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, Pará. TAM=Tamanho

(m); p=probabilidade de ocorrência... 103 CAPÍTULO 4

Figura 1. Mapa de localização da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu no

litoral do Estado do Pará, costa amazônica brasileira... 121

Figura 2. Fotografia de um ponto amostral onde houve corte de madeira de mangue

na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa

amazônica brasileira... 124

Figura 3. Curral (A) e Fuzarca (B) encontrados no rio Caeté, Bragança, costa

amazônica brasileira... 127

Figura 4. Curral para criação de suíno, com destaque para o uso de duas das espécies

da madeira de mangue, comunidade de Caratateua, Bragança, costa

amazônica brasileira... 128

Figura 5. Atividade de fabricação de farinha, destacando a casa e a atividade de

torrar no forno aquecido pela madeira de mangue, comunidade de

Taperaçu-Campo, Bragança, costa amazônica brasileira... 129

Figura 6. Atividade de fabricação do carvão vegetal com uso da madeira de mangue,

Bragança, costa amazônica brasileira... 130

Figura 7. Atividade de corte da casca da árvore de Rhizophora mangue para retirada

do tanino e posterior tingimento de redes de pesca, Bragança, costa

amazônica brasileira... 130

Figura 8. Zona de corte, como madeira empilhada (A) e, troncos de árvores da

espécie Rhizophora mangle (B) na Reserva Extrativista Marinha

Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 132

Figura 9. Mapa mostrando o gradiente de intensidade do corte para as três espécies

arbóreas de mangue juntas nas 20 principais zonas de corte, ao longo da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa

amazônica brasileira.... 136

Figura 10. Impacto, com base no Índice de Corte (ic), sobre Rhizophora mangle,

Avicennia germinans e Laguncularia racemosa na Reserva Extrativista

Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 140

Figura 11. Mapa mostrando o gradiente de intensidade do corte para Laguncularia racemosa nas 20 principais zonas de corte, ao longo da Reserva

(18)

brasileira ...

Figura 12. Mapa mostrando o gradiente de intensidade do corte para Rhizophora mangle nas 20 principais zonas de corte, ao longo da Reserva Extrativista

Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira.... 142

Figura 13. Mapa mostrando o gradiente de intensidade do corte para Avicennia germinans nas 20 principais zonas de corte, ao longo da Reserva

Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira... 143

Figura 14. Fotografia que registra madeira cortada de origem de mangue (A) e uso

do solo para cultivo de arroz de várzea (B) na Reserva Extrativista

Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica brasileira... 144

Tabela 1. Espécie e uso da madeira pelos extrativistas estuarino-costeiros na Reserva

Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Bragança, costa amazônica

brasileira... 133

Tabela 2. Zonas de corte com valores médios dos atributos estruturais das espécies

arbóreas (Rh=R. mangle, Av=A. germinans, Lg=L. racemosa) dos bosques de mangue da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, costa amazônica brasileira. DAP=Diâmetro Altura Peitoral; Alt/m=Altura em metro; F=Frequência; FR=Frequência Relativa; De=Densidade; DeR=Densidade Relativa; Do=Dominância;

DoR=Dominância Relativa; VI=Valor de Importância... 138

Tabela 3. Zonas de corte com valores médios dos atributos estruturais das espécies

arbóreas (Rh=R. mangle, Av=A. germinans, Lg=L. racemosa) dos bosques de mangue da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, costa amazônica brasileira. DAP=Diâmetro Altura Peitoral; F=Frequência; FR=Frequência Relativa; De=Densidade; DeR=Densidade Relativa; Do=Dominância; DoR=Dominância Relativa; VI=Valor de

(19)
(20)

O presente trabalho está dividido em cinco capítulos:

Capítulo 1 – Introdução Geral: são apresentados argumentos sobre a importância de

se estudar o ecossistema de manguezal e sua relação com os usuários, numa interação baseada na disponibilidade dos recursos desse ecossistema na península de Ajuruteua, em Bragança, Pará. Traz ainda o direcionamento maior da pesquisa através de sua hipótese e seu objetivo geral, sendo os métodos explicitados de acordo com a abordagem particular de cada capítulo.

Capítulo 2 – Os Extrativistas Estuarino-Costeiros de Caranguejo-Uçá, Ucides

cordatus, e Madeira dos Manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu,

Pará, Costa Amazônica Brasileira: enfoca as formas de extrativismo praticadas nos

manguezais da península de Ajuruteua, Bragança (PA), com recorte a dois principais recursos:

Ucides cordatus e a madeira de mangue, numa perspectiva de percepção dos extrativistas

estuarino-costeiros. A temática procura traçar o perfil, as práticas produtivas, os principais produtos e o exercício laboral desses usuários na península. Esses elementos permitiram acessar e correlacionar às percepções (saberes) locais às formas extrativas praticadas no manguezal, com ênfase na linha socioambiental.

Para tanto, foram levantados os questionamentos: 1) Quais são as percepções dos

agentes sociais (extrativistas estuarino-costeiros) sobre as formas e as condições de extrativismo praticadas nos manguezais da península de Ajuruteua, relacionadas ao Ucides cordatus e à madeira de mangue?

Os mecanismos para a caracterização das formas de extrativismo se concentraram nas percepções desses usuários, denominados, nesta pesquisa, como usuários e/ou extrativista estuarino-costeiros, que são agentes sociais residentes ou não nas comunidades costeiro-estuarinas da península de Ajuruteua. Adicionalmente, as memórias1 desses usuários foram acessadas para descreverem, nas suas linguagens, a percepção sobre os principais recursos e atividades produtivas na apropriação e uso do recurso caranguejo-uçá e madeira de mangue no manguezal da referida Península.

Nesse sentido, o presente capítulo traz resultados sobre a categorização dos extrativistas estuarino-costeiros; questões socioeconômicas (classe etária, estado civil,

1 Os indivíduos são apenas testemunhas de suas recordações, recordações que necessitam de socialização para serem recontadas. Percebe-se que cada indivíduo apreendeu o compasso social do tempo, o “seu tempo”, de forma peculiar. Cada narrador descreveu um ponto de vista sobre acontecimentos coletivizados ou que perpassaram as suas gerações. As lembranças da família se desenrolaram a ponto de grupos externos, como os vizinhos, também serem associados a esse berço. A casa, objetos, locais de sociabilidade, sons; todos esses elementos são apontados como espaços de lembrança por esses narradores vitais. As lembranças políticas não deixaram de ter seu espaço (BOSI, 1994).

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escolaridade, atividade ou renda complementar); principais atividades produtivas (pesca, marisco, agricultura e etc.); exercício laboral e os usos dos recursos ambientais noutras atividades produtivas, por ex. currais de pesca e fabricação de carvão. Importante ressaltar que foram realizadas perguntas e as respostas transcritas parcial ou totalmente, respeitando o vocabulário nativo.

O Capítulo 3 – Distribuição espacial das zonas de exploração do Ucides cordatus

nos manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Pará, Costa Amazônica Brasileira: fez uma leitura do cenário ambiental (manguezal) com relação à

pesca do caranguejo-uçá (Ucides cordatus), que objetivou determinar as principais zonas intensificadas e exploradas nessa pesca. Para tanto, as zonas foram identificadas por meio da percepção e indicação dos extrativistas estuarino-costeiros, que conduziam o pesquisador às principais áreas de exploração para georreferenciá-las e mensurá-las com a contagem das galerias e biometria do U. cordatus pescado naquela zona. Assim, foi possível determinar as principais zonas de extração do caranguejo-uçá, com a discussão que permite aferir a biometria e densidade do estoque. Adicionalmente, são apresentadas as zonas mais exploradas, correlacionadas ao fator fácil e difícil acesso na península, por meio de hotspot criado a partir da percepção dos extrativistas estuarino-costeiros.

No Capítulo 4 - Distribuição espacial das zonas de exploração madeireira nos

manguezais da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Pará, Costa Amazônica Brasileira: são trazidos elementos concernentes ao corte da madeira de mangue, com a

identificação das principais zonas, as quais são submetidas à análise dos atributos estruturais da vegetação. As referidas zonas foram identificadas a partir da percepção dos usuários, em que foi possível, também, identificar os diferentes processos empregados na extração. Assim como os usos da madeira cortada e sua relação com as práticas produtivas dos extrativistas estuarino-costeiros por meio de suas impressões ambientais.

Por fim, apresenta-se o Capítulo 5 - Conclusão Geral com elementos indicadores do cenário da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, no que concerne à exploração dos recursos U. cordatus e da madeira de mangue, com abrangência aos usuários da área estuarina e costeira. Esses indicadores estão dispostos na ideia de conservação e co-manejo, com recomendações às instituições gerenciadoras do ambiente manguezal, como por ex., ao comitê da Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, ICMBio, Secretarias Estadual e Municipal de Meio Ambiente e às Cooperativas e Associações.

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Capítulo 1

INTRODUÇÃO GERAL

Seguidas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) 2011, disponíveis para consulta gratuitamente no endereço eletrônico:

http://www.ufpa.br/bc/site/index.php?option=com_content&view=article&id=94:disponibiliz acao-de-normas-da-abnt&catid=4:paginas-dinamicas&Itemid=24

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CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO GERAL

O

presente capítulo traz considerações iniciais sobre as questões ambientais e sociais ligadas ao ecossistema de manguezal, com recorte no recurso caranguejo-uçá (Ucides

cordatus) e na madeira de mangue, por meio de referenciais teóricos pertinentes à temática.

São teóricos com resultados de pesquisa em diferentes cenários ambientais do Brasil, assim como literatura originada no ambiente de pesquisa. Adicionalmente, apresenta-se uma justificativa do por quê e qual a importância do presente trabalho intitulado “Análise da percepção dos extrativistas estuarino-costeiros sobre o zoneamento da extração do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e da madeira nos manguezais da RESEX-Marinha Caeté-Taperaçu, Pará, costa amazônica brasileira”. Nessa justificativa são realizadas descrições dos objetivos e das hipóteses que, originalmente, constituem os indicadores da pesquisa aqui apresentada.

1.1. Os recursos naturais e as práticas produtivas: elementos iniciais de entendimento socioambiental do ecossistema de manguezal

Dentre as inúmeras razões para se estudar a economia de épocas passadas, está à busca do conhecimento de práticas produtivas, tecnológicas e saberes outrora empregados na produção de matérias-primas e de alimentos, bens extraídos diretamente do meio natural. Diante da crise ambiental de nosso tempo, esse interesse adquire caráter de urgência. Assim, conforme Maia (2003, p. 64), “... o passado é para o economista um laboratório de experiências bem e malsucedidas. Seu estudo permitirá não repetirmos os erros já cometidos”. Segundo Barre (1956, p. 2), “... a atividade econômica chega a confundir-se com a história da existência humana”, no sentido de produção dos meios necessários para a vida material e social. O que entendemos hoje por atividade econômica, ligada com a idéia de crescimento e expansão, é relativamente recente, mais precisamente desde a Revolução Industrial, ou desde a grande associação filosófica e política, entre crescimento econômico e progresso social.

Noutro olhar mais aguçado, com relação à idéia de progresso, destaca-se uma analogia elaborada séculos atrás por Francis Bacon, no livro Novum organum (1620). Segundo Bacon (1620), seria razoável imaginar que um homem idoso tivesse mais

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conhecimentos que um homem jovem e, por comparação, seria igualmente razoável supor que a era presente – a então nascente Era Moderna, considerada avançada no tempo e, portanto, mais “idosa” – também detivesse acúmulos maiores de conhecimentos em relação à Era Antiga.

Historicamente, com o advento do capitalismo moderno, o Estado tem assumido papel de participante ativo na promoção do processo de desenvolvimento das sociedades, sendo o definidor dos impostos a serem pagos, da legislação do trabalho e dos regimes aduaneiros (BARRE, 1956, p. 132). Todavia, as principais teses ou implicações da noção de progresso, de acordo com Abbagnano (1999), eram as seguintes: “(i) o curso dos eventos naturais e históricos constitui uma série unilinear; (ii) cada termo da série é necessário, no sentido de não poder ser diferente do que é; (iii) cada termo da série realiza um incremento de valor em relação ao precedente; e (iv) qualquer regressão é apenas aparente e constitui condição de um progresso maior”.

Quando se considera a argumentação acima, evidencia-se uma análise histórica quando permite dizer que o Estado, ao longo do tempo, tem assumido duas diferentes formas de atuação, no que diz respeito à sua interação com a sociedade: Estado protecionista2 e Estado liberal/neoliberal3. Nessa abordagem, e no contexto da realidade brasileira, cabe

refletir sobre como são desenvolvidas as políticas públicas4, principalmente as locais, e que

relação estabelecem com a condição de vida dos cidadãos. Acredita-se que as ações e os serviços precisam ser planejados e programados concomitantemente com as necessidades da população e de acordo com as condições de vida da realidade local na qual estão sendo

2 Para Maia (2003, p. 109), o protecionismo caracteriza-se pela intervenção do Estado nas definições econômicas do país, tais como política comercial externa e interna e controle das importações e exportações.

3 De acordo com Stewart Jr. (1995, p. 69), liberalismo é uma doutrina política cujo pressuposto é o de que a maioria das pessoas prefere a abundância à pobreza, sendo que ela está voltada à melhoria das condições de vida da população, por meio da liberdade que garante a inexistência de coerção de indivíduos sobre indivíduos. Os primeiros pensadores acerca do ideário liberal foram Davi Hume, Adam Smith, Jeremy Bentham e David Ricardo, os quais não foram suficientemente entendidos, o que ocasionou os seus pensamentos “embrionários” do pensamento liberal moderno, quando se assumiu o termo “neoliberalismo” em lugar de liberalismo.

4 Entre os estudiosos, o termo política encerra várias acepções claramente diferenciáveis e retratadas em distintas obras de referência, como Dicionário de política, de Norberto Bobbio (1986), ou no livro Understandiing public policy, de Thomas R. Dye (2005), entre tantas outras. Ainda, neste trabalho, a visão histórica empregada permite dizer que política pública é desdobrar esta noção geral em suas partes constitutivas, pois o cientista político C. O. Jones (1977, p. 4), por exemplo, propõe que se considere a distinção entre as várias propostas de políticas “meios especificados para atingir as metas”, os programas “meios autorizados para atingir as metas”, as decisões “ações especificas assumidas para implementar as metas” e os efeitos “os impactos mensuráveis dos programas”. O Estado é responsável pelo bem-estar da população, e o governo por gerenciar o alcance desses objetivos por meio da elaboração de políticas públicas ou macroeconômicas. Para isso, ele planeja, pesquisa, identifica, formula e reformula políticas, programas e projetos. Entretanto, todos são responsáveis pela condição de desenvolvimento, e, partindo-se disso, justifica-se também a participação do setor privado na contribuição para a formulação de políticas que tenham finalidade igual (SIMÃO, SILVA, et al., 2010).

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desenvolvidas.

A perspectiva desta abordagem propicia contribuir para um planejamento e uma execução de políticas públicas locais que utilizam os recursos naturais existentes sem prejudicar o ambiente de vida, criando condições de saúde e evitando problemas ecológicos, muitas vezes, irreversíveis. Esta pesquisa traz o enfoque socioambiental, sem desprezar a história (passado), essencial à reflexão do processo extrativista no ecossistema de manguezal [caranguejo e madeira de mangue] na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu (RESEX-Mar)5 que, a princípio, é alvo de políticas públicas de (co)manejo para a sustentabilidade. Todavia, a priori não é proposta deste trabalho mergulhar na discussão dessa política, mas tratar o estudo sem perder de vista a importância e a interferência político-organizacional, socioambiental e bioecológica do ecossistema em que se encontra entre os limites estabelecidos pelo Decreto-Lei6 da RESEX-Mar.

Neste ponto, cabe definir previamente o sentido de manejo e co-manejo, que norteia as ações de política pública a partir da RESEX-Mar. Entende-se, no presente trabalho, que manejo implica em elaborar e compreender o conjunto de ações necessárias para a gestão e uso sustentável dos recursos naturais em qualquer atividade no interior e em áreas do entorno de uma reserva ou de uma unidade de conservação. De modo a conciliar, de maneira adequada e em espaços apropriados, os diferentes tipos de usos com a conservação da biodiversidade (BENATTI; McGRATH; OLIVEIRA, 2003). Co-manejo se caracteriza por ser uma forma colaborativa e participativa de tomada de decisões relacionadas a recursos naturais de uso comum. Significa que as instâncias governamentais (municipais, estaduais, nacionais e internacionais), organizações não-governamentais, órgãos de pesquisas e outros, juntamente com a comunidade local, são envolvidos com a regulação da exploração de um determinado

5

Criada pelo Decreto de 20 de maio de 2005. Dispõe sobre a criação da Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, no Município de Bragança, no Estado do Pará, e dá outras providências.

6 Parágrafo único. Ficam excluídas do polígono descrito no caput deste artigo: I - uma área de aproximadamente duzentos

e sessenta e dois hectares e setecentos e oitenta centiares, com o seguinte memorial descritivo: partindo do Ponto A1, de coordenadas geográficas aproximadas 46°37’19,05" WGr e 0°49’13,64" S, localizado na margem direita do Furo da Estiva, segue a montante pelo Furo da Estiva, por uma distância aproximada de 3.151 metros, até o Ponto A2, de coordenadas geográficas aproximadas 46º36’41.50" WGr e 0º50’16.95" S, na confluência do Furo da Estiva com o Furo do Maguari; deste, segue pela margem esquerda do Furo Maguari, no sentido jusante, por uma distancia aproximada de 1.991 metros, até a sua foz no Oceano Atlântico, Ponto A3, de coordenadas geográficas aproximadas 46º35’58.51" WGr e 0º50’25.69" S; deste, segue pelo limite da preamar máxima, por uma distância aproximada de 3.575 metros, ao longo da costa da localidade Ajuruteua, até o Ponto A4, de coordenadas geográficas aproximadas 46º36’53.33" WGr, 0º48’46.21" S; deste, segue a montante, pela margem direita do Furo do Chavascal, por uma distancia aproximada de 1.574 metros, até o Ponto A1, início desta descritiva, perfazendo um perímetro de aproximadamente dez mil, duzentos e noventa metros e setenta e cinco centímetros; e II - a Rodovia PA 458, que interliga a sede do Município de Bragança à localidade Ajuruteua, no Estado do Pará. Art. 2O A Reserva Extrativista ora criada tem por objetivo proteger os meios de vida e garantir a utilização e a conservação dos recursos naturais renováveis, tradicionalmente utilizados pela população extrativista residente na área de sua abrangência (BRASIL, 2005).

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recurso, criam mecanismos de exploração sustentável com regras determinadas e acordadas com a participação de todos os atores envolvidos. A partir do momento em que o co-manejo é estabelecido, ele vai sendo adaptado à medida do surgimento de novas necessidades legais e da população local, daí ele ser uma gestão adaptativa. Para Ostrom et al. (1994), os recursos naturais comuns são aqueles que podem ser utilizados ao longo do tempo, e isso leva à ideia de exclusão daqueles grupos de pessoas que não poderão fazer uso desse recurso natural e também de custo, importante para fiscalizar e garantir que essa exclusão seja alcançada de maneira satisfatória e que a exploração aconteça de forma sustentável.

A sustentabilidade é um meio de vida ou uma forma de viver que, devido à sua complexidade, não permite uma descrição por completo. Trata-se de um modo de pensar e de agir para as pessoas, sociedades e comunidades do presente e do futuro. Ela pressupõe também uma série de considerações acerca do pensamento – que é complexo – e pode estar presente nos indicadores e nas políticas públicas (SIMÃO, SILVA, et al., 2010). Complementarmente, Capra (2005) argumenta que o conceito de sustentabilidade surgiu no início da década de 1980, com Lester Brown, fundador do Wordwatch Institute, que definiu a sociedade sustentável como aquela capaz de satisfazer sem comprometer as chances de sobrevivência das gerações futuras. Obviamente, a sustentabilidade é um campo que necessariamente careceria maior discussão, todavia, o presente trabalho não tem a pretensão de adentrar na história ou mesmo nas amplas e importantes teorias apresentadas em diversas áreas do conhecimento.

Evidentemente a crise ambiental deve ser situada e analisada como oriunda de um modelo de civilização e de progresso. Mas quem, ou o que, deverá ser sustentável? E ainda, se qualifica como uma crise na regulação das relações sociais de toda a humanidade, exigindo, para sua superação, que um novo contrato social seja construído, e desse modo a sociedade humana possa continuar a se reproduzir como tal (SOSA, 1996). Ou seja, sem a pretensão de emitir fórmulas ou mesmo estabelecer resposta, salienta-se que deve ser sustentável o comportamento das pessoas e das organizações, ensino, atividade econômica, cultura, política, democracia, uso do meio ambiente e do espaço e as diversas outras variáveis, além de todas as relações e integrações.

A crise de sustentabilidade no uso dos recursos naturais quer em escala nacional, quer no plano mundial, não se encontra isolada. Na realidade, é parte constituinte da crise ambiental que se exacerbou, principalmente, a partir de meados do século passado (SACHS, 2000). Por outro lado, pode-se inferir que os esforços despendidos em busca do uso

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sustentável pressupõem o acompanhamento e a mensuração para que as políticas e as ações sejam estabelecidas e adequadas de acordo com os objetivos identificados e para que as reformulações e os novos objetivos-meio sejam propostos. O uso de indicadores permite definir qual é à distância, ou o quanto se caminhou, para a sustentabilidade, além de apontar se alguém está agindo ou não de modo denominado de “sustentável” (SIMÃO; SILVA; et al., 2010).

Os recursos naturais são visualizados do ponto de vista geral como conjunto de bens que não são produzíveis pelo ser humano. São recursos, habitualmente, tidos a partir de uma dupla decomposição: aqueles recursos esgotáveis, os quais o estoque se encontra em terra (ex. o carvão, o petróleo, a platina), e em recursos renováveis, considerados aqueles capazes de se regenerar sobre um horizonte economicamente significativo dada à sua condição biofísica (deles fazem parte as florestas ou os recursos pesqueiros). Logo, essa regeneração ocorre independentemente de qualquer intervenção humana. E, por outro lado, em recursos mercantis (aqueles que servem de processo produtivo ou mercadológico) e em recursos livres (este é o caso do ar ou, ainda, do solo sob a forma de receptáculo de desperdícios).

Estes são recursos gratuitos que se utiliza sem procurar saber se são raros ou não do ponto de vista ecológico (FAUCHEUX & NOËL, 1995). Teoricamente, Portugal (1992) descreve que “... a palavra recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa”. Para esse autor, o ser humano recorre aos recursos naturais, isto é, aqueles que estão na Natureza, para satisfazer suas necessidades. Para Art (1998) recurso pode ser: a) componente do ambiente (relacionado com freqüência à energia) que é utilizado por um organismo e b) qualquer coisa obtida do ambiente vivo e não-vivo para preencher as necessidades e desejos humanos.

Pensando localmente o uso dos recursos, as ideias aqui enfocadas estão sintonizadas num conjunto que abrange as dimensões da recuperação, conservação e gestão ambiental. Entende-se que a restauração envolve um conjunto de concepções e conceitos em diversas áreas do conhecimento, em especial, quando há o emprego de termos como sinônimos, por ex., recuperação, reabilitação e restauração. A recuperação pode ser entendida como aquele ou aquilo capaz de possuir condições mínimas no estabelecimento de um novo equilíbrio dinâmico, com a possibilidade de desenvolver um novo solo e uma nova paisagem (Decreto Federal Nº 97.632/89). Paradoxalmente, a reabilitação tem o significado de retornar a um estado biológico apropriado de uma dada área degradada, porém haverá restrições no uso dessa área para fins exploratórios rentáveis monetariamente, mesmo em longo prazo.

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Todavia, esse retorno traz benefícios extraordinários com o papel na restauração ecológica como fonte de sementes e organismos para colonizar as áreas restauradas, contribuindo na ampliação da biodiversidade regional e, consequentemente, para a viabilidade biológica nessas áreas (CHAZDON, 2008; REY BENAYAS et al., 2009).

O termo restauração se refere, obrigatoriamente, o retorno ao estado original da área, antes da degradação, ou seja, é preservada a mesma característica de topografia, vegetação, fauna, solo, etc.. Por assim compreender, a restauração ecológica tende ser muito mais do que a aplicação de um simples pacote de técnicas silviculturais, acreditando-se que a diversidade biológica e os processos ecológicos serão restabelecidos por si só, em situações que já ultrapassaram o nível crítico da resiliência. Nesse contexto, a restauração ecológica deve assumir a difícil responsabilidade de restabelecer os processos ecológicos e as espécies que auxiliam no estabelecimento de florestas biologicamente viáveis, que favoreçam a persistência da biodiversidade mesmo em paisagens antrópicas tropicais (RODRIGUES et al., 2009; TABARELLI et al., 2010).

Complementarmente, diz-se que as políticas públicas ambientais, tomadas em sentido macro, implicam no conjunto de regras sociais que governam a apropriação e os usos que diferentes atores sociais fazem da base de recursos naturais e do ambiente em contextos históricos específicos (FAUCHEUX & NOËL, 1995; HEIDEMAN & SALM, 2009). O que, após definições e tomando por base as políticas ambientais, o presente trabalho adotará o termo recuperação de áreas.

Nesta perspectiva, as políticas públicas devem ser entendidas como parâmetros para análises das formas pelas quais o ser humano age no seu grupo social e nas suas atividades laborais e econômicas. Por isso, as políticas públicas devem ser consideradas interdisciplinares devido à sua diversidade e aos seus objetivos variados, que podem ou não estar em dimensões diferentes do desenvolvimento sustentável.

Ao compreender o agir e o pensar dessas políticas, deve-se entender que os indicadores precisam refletir seus objetivos, para saber se estes estão sendo alcançados ou não, como o amadurecimento ou a condição de desenvolvimento, tanto dos agentes e das relações políticas quanto das dimensões da sustentabilidade. Contudo, devem-se utilizar indicadores para medir o estado de amadurecimento sustentável: os impactos positivos e negativos desta ou daquela zona, sistema, recurso e ambiente.

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dos extrativistas estuarino-costeiros sobre o zoneamento da extração do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e da madeira nos manguezais da RESEX-Mar Caeté-Taperaçu, Pará, costa amazônica brasileira”. Relacionando-o às políticas públicas, à sustentabilidade, à economia local, ao processo de organização social e ambiental e à apropriação e uso dos recursos naturais será levada em consideração o percurso que diferentes agentes sociais7 fizeram ou fazem do uso dos recursos naturais dos manguezais da RESEX-Mar, em Bragança, Pará.

O termo zoneamento possui diversas aplicações e diretrizes nas mais distintas áreas do conhecimento e tem adquirido destaque para a formulação, espacialização e implementação de uma série de políticas. Todavia, utilizou-se, no presente trabalho, zoneamento referindo à divisão de certo território em zonas que se distingue pelo uso do sistema manguezal e dos recursos naturais do num determinado território (NITSCH, 1994).

Compreende-se território como espaço em que um certo grupo possibilita aos seus membros direitos estáveis de acesso, de uso e controle sobre os recursos e sua disponibilidade no tempo. E, ainda, a territorialidade serve para obtenção de recursos para a sustentabilidade social e econômica dos vários produtores como: pescadores, coletores, agricultores, extratores, pecuaristas, artesãos e outros (CASTRO, 1997).

Na análise do extrativismo, toma-se o conceito de sustentabilidade econômica e ambiental/espacial, mediante uma visão sistêmica com a integração dos conhecimentos locais. Assim, pode-se inferir que o pluralismo econômico, a combinação entre distintas fontes de sobrevivência e diferentes agentes sociais, tem geralmente como base um conjunto de saberes sobre os ambientes, saberes estes que contemplam percepções sobre a natureza e as propriedades das diferentes espécies, seus ciclos e interações (HOMMA, 2011).

Conceitualmente, extrativismo é entendido no presente trabalho como as ações do extrativista sobre os recursos dos manguezais e as relações sociais em que se baseiam tais ações. As diversas formas de extrativismo serão consideradas segundo a dimensão social, política e econômica.

Certamente, fechar um conceito para extrativismo deixá-lo-ia rigidamente definido sem compreendê-lo do ponto de vista holístico. Assim, entende-se, do ponto de vista social, apropriação dos recursos dos manguezais com ênfase em dois principais recursos (definidos

7 Neste sentido, a priori, não se quer atribuir “culpas” deste ou daquele agente social, mas, este trabalho, possui o entendimento expresso

por Coase (1960), pois se entende que a questão é comumente posta nos seguintes termos: “A inflige um dano a B e deve decidir-se como restringir as atividades de A. Porém, isto é errôneo. Na realidade, somos confrontados com um problema de natureza recíproca. Evitar lesar B lesará A. A verdadeira questão a colocar é a de saber se deve permitir a A lesar B ou B a lesar A”. Ou seja, tem-se a condição de não atribuir elementos que não sejam de natureza ao agente, mas de entender o processo em que se constituiu ou se constitui historicamente no elemento em estudo (FAUCHEUX & NOEL, 1995, p. 221).

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por sua importância como fonte de alimentos e de renda para os povos das comunidades locais): caranguejo-uçá e madeira. Nesse sentido, o extrativismo é considerado num conjunto de dimensões:

1) Perfil dos usuários dos manguezais, ou seja, quem são essas pessoas que se apropriam e usam os recursos dos manguezais. E, ainda, como esses agentes sociais, trabalhadores que atuam nesse extrativismo, desenvolvem suas relações de trabalho. Em que medida se articulam para o estabelecimento de acordos e regras de uso dos recursos dos manguezais; 2) Processos utilizados para acessar os recursos, ou seja, as técnicas, a tecnologia, desde a

captura, o processamento, a conservação, o meio de transporte, os saberes, as práticas, a acessibilidade, as zonas exploradas e a formação de territórios, definidos pelos usuários dos manguezais. Nesse cenário, as zonas dizem respeito aos espaços, distâncias percorridas e tempos; e os territórios já dizem respeito à forma social de apropriação dos espaços implicando em regras, eventualmente conflitos, ritos e formas de respeito;

3) Organização social, ou seja, com quem realizam o extrativismo (desde a ida ao manguezal, equipes de trabalho), o destino dos produtos, a inserção no mercado, os acordos com os comerciantes, os compradores/financiadores, eventualmente, financiamentos bancários. Ainda, considera-se, nesta dimensão, o sentido de trabalho para gerar renda e como combinam com outras atividades econômicas ou não, ou seja, sua pluriatividade e sua especialização com relação aos recursos. Certamente, elementos considerados da organização política, reguladores e regulamentadores, por ex., a Reserva Extrativista Marinha (RESEX-Mar), as políticas previdenciárias, as organizações dos pescadores (Colônia de Pescadores), o defeso e a profissionalização dos extrativistas.

O manguezal é reconhecido como um dos mais importantes ecossistemas da costa brasileira, constituído de recursos como: madeira, componentes da fauna e da flora considerados como remédios, tinturas, peixes, crustáceos e moluscos (CANESTRI & RIUZ, 1973; PANNIER & PANNIER, 1980). Certamente, por possuir abundância em alimento, grupamentos humanos foram atraídos, em especial, os que vivem no entorno e próximo ao litoral. Segundo Simões (1981), os primeiros habitantes do litoral se aproximaram dessas zonas por serem ricas em alimentos, e os recursos mais buscados por esses povos originais eram: ostras, mexilhões, siris, caranguejos, peixes, além de répteis, mamíferos e aves. Sanoja & Vargas (1974, p. 35-41 apud SIMÕES, 1981, p. 19) descrevem que esses povos possuíam

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um modo de produção de coletores marinhos especializados, não excluindo, porém, a

possível coleta de frutos, sementes e raízes como suplemento alimentar.

Para os povos das comunidades costeiro-estuarinas que vivem no entorno dos manguezais, os caranguejos representam um dos grupos de maior relevância econômica, em especial, o caranguejo-uçá, uma vez que é a espécie mais extraída e de maior peso para a economia doméstica dessas comunidades (DIELE, 2000; VALE, 2003; GLASER, 2005). Paralelamente, o uso da madeira de mangue também revela ser um recurso de extraordinária importância econômica nas atividades produtivas dos povos dessa área costeira, como bem descrita por Glaser, Berger e Macedo (2005).

Todavia, há que se reconhecer a inexistência de informações a respeito das zonas principais de extração desses dois recursos na RESEX-Mar Caeté-Taperaçu, e, nesse sentido, é que a se propôs o estudo de acessar a memória, por meio da percepção, dos usuários do ecossistema manguezal para o zoneamento das principais áreas de extração.

Assim, a percepção dos extrativistas estuarino-costeiros com relação às zonas de extração contribuirá para o melhor entendimento das práticas produtivas, da apropriação e do uso dos recursos ambientais e dos principais produtos extraídos dos manguezais.

1.2. A área de estudo: o ambiente estuarino-costeiro e povos da península de Ajuruteua, Bragança-PA, costa amazônica brasileira.

A área de estudo da presente pesquisa está localizada na península de Bragança, nordeste do Estado do Pará (Fig. 1). A particularidade da área de estudo no âmbito da Zona Costeira Amazônica (ZCA) diz respeito, em primeiro lugar, ao caráter de transição e contato entre dois contextos morfológicos (relevo) e fisiográficos distintos: os tabuleiros, rios e planícies aluviais da Zona Bragantina e as planícies costeiras do litoral do Nordeste Paraense, diretamente influenciadas pelo oceano Atlântico (BARBOSA, RENNÓ, FRANCO, 1974; FRANZINELLI, 1976; AB’SÁBER, 1996). Segundo Souza Filho (2005) a zona costeira Bragantina está inserida na ZCA e é considera a mais bem preservada como ambiente tropical úmido do planeta, principalmente ao longo da costa de manguezais do nordeste do estado do Pará.

A Zona Costeira do Estado do Pará (Fig. 1) está dividida, de acordo com sua fisiografia e geomorfologia, em dois grandes compartimentos, separados entre si pela ponta conhecida como Taipu, que se localiza no limite superior direito da desembocadura da baía de

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Marajó. São eles: o Golfão Marajoara, a oeste, que se caracteriza por uma situação estuarina amplamente inclusa área de várzea e igapó ligada à foz dos rios Amazonas, Tocantins e outros. Ao leste daquela ponta, o litoral atlântico do Nordeste Paraense, que forma uma costa bastante irregular, em uma sucessão de reentrâncias (estuários ou baías) com extensas praias e planícies de maré lamosas recobertas por mangue (FRANZINELLI, 1992; SOUZA FILHO et

al., 2005a).

Figura 1. Localização da Costa do Pará (A); Zona Costeira do nordeste paraense (B);

RESEX-Mar Caeté-Taperaçu e comunidades do entorno (C), costa amazônica brasileira.

Ainda Sousa Filho (2005) descreve que esta costa de manguezal é caracterizada como irregular e recortada, por inúmeras baías e estuários, com cerca de 7.500 Km2. Essa

caracterização se acentua em função de um sistema de macromaré semidiurna, com variações médias de 4 a 5m (GUALBERTO & SOUZA FILHO, 2007). Morais et al. (2005) caracteriza os manguezais dessa região como desenvolvidos em um clima equatorial quente e úmido, com estação chuvosa e seca demasiadamente definidas, e, precipitação média anual em torno de 2.550 mm.

Sabe-se que os povos das comunidades costeiras, sobretudo os que residem em vilas e povoados no entorno dos manguezais, empreendem atividades diferentes para viver. Por

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exemplo, coletam e beneficiam caranguejos e mexilhões, extraem madeiras, pescam diferentes espécies de peixes e camarões, praticam a agricultura de subsistência e, mais recentemente, praticam a apicultura (ISAAC, et al. 1999; OLIVEIRA, 2000; BLANDTT, 2002; GLASER & KRAUSE, 2003; MANESCHY, 2005; OLIVEIRA, 2006). Adicionalmente, essas comunidades tendem a se especializar em uma ou duas atividades como forma de suprir suas necessidades econômicas e interagir com o mercado local (OLIVEIRA, 2006).

O presente trabalho centrou-se em zonas selecionadas ao longo dos limites internos da RESEX-Mar Caeté-Taperaçu, direcionando-se à análise do pluralismo econômico dos povos que utilizam esses dois conjuntos de recursos: i) caranguejo-uçá (Ucides cordatus) e ii) madeira do mangue (principalmente Rhizophora mangle L. – mangue vermelho, Avicennia

germinans (L.) L. – mangue preto e Laguncularia racemosa (L.) C. F. Gaertn. – mangue

branco, dada a ocorrência de A. schaueriana Stapf & Leechm. ex Moldenke).

Será considerado o termo comunidade estuarino-costeira pelas condições geofísicas apresentadas na área de estudo, pois a diversidade de unidades de relevo se apresenta como um dos elementos da transição entre terras e águas marinhas, fluviais e estuarinas que caracteriza as zonas costeiras. Estas últimas são ambientes em que há interações peculiares entre sistemas marinhos e continentais, inclusa as estruturas geológicas, feições de relevo, solos, formações vegetais, forças atmosféricas, condições de drenagem, além, é claro, atividades produtivas e padrões de ocupação humana que se apropriam e usam os atributos físicos, ecológicos e paisagísticos relacionados às zonas costeiras (SILVA, GOBITSCH NETO, 1993; BRASIL, 1997; UNESCO, 1997; MORAES, 1999; SOUZA FILHO et al., 2005a).

As comunidades localizadas no entorno dos manguezais da península de Ajuruteua (Fig. 1) abrigam povos que mantém uma ligação estreita e produtiva com o manguezal dessa região (GLASER, 2005). Essa ligação se deve no sentido econômico da apropriação e do uso dos recursos ambientais e/ou na relação direta socioambiental que particulariza a cultura e o seu modo de vida nesse ambiente (GLASER & DIELE, 2004).

A escolha da área de estudo se justificou, em princípio, pelo fato ser uma área estuarina costeira pouco estudada no campo socioambiental, com a amplitude e o tratamento metodológico dado como no presente trabalho, ou seja, uma análise gerada a partir das relações estabelecidas entre os povos e os recursos ambientais costeiros. Num segundo

Referências

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