INCLUSÃO A LUZ DA TEORIA DE PAULO FREIRE

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INCLUSÃO A LUZ DA TEORIA DE PAULO FREIRE

ADRIANA MARIA DE BRITO COUTINHO1 RESUMO: Este artigo tem como proposta trazer algumas considerações acerca da

inclusão escolar, tomando por base as ideias de Paulo Freire. Em que norteamos a inclusão sob a égide de Paulo Freire. Consideramos a importância de uma formação sólida, de uma prática reflexiva e comprometida com a prática educativa que possibilite e contribua com a inclusão.

Palavras-Chave: Inclusão. Paulo Freire. Pessoa com deficiência

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objetivo trazer algumas considerações acerca da inclusão escolar, tomando por base as ideias de Paulo Freire. Ainda que sejam teorias diferenciadas em tempos atuais, suscitamos que haja congruências que precisam ser assinaladas.

Partimos do pressuposto que a educação inclusiva vem, na última década, ganhando relevo nos estudos e pesquisas, e possibilitando que certos paradigmas do passado sejam rompidos, desmitificando algumas teorias sobre as pessoas que são excluídas por inúmeras razões, como por exemplo: algum tipo de deficiência, classe social ou etnia. Essa crescente tendência tem sido fruto da frequente veiculação dessa temática na mídia, nos debates entre os movimentos sociais, agentes governamentais e a crítica acadêmica pautada nos discursos sócio-filosófico-políticos da democratização do acesso à educação e do direito de todos à educação.

Este trabalho nos ajuda a identificar alguns aspectos da normatização da política pública de inclusão educacional, mais especificamente na centralidade das ações para a implementação do direito à educação de qualidade. Tais reflexões terão como ponto de partida os constructos teóricos acerca do que vem a ser inclusão assim como todo percurso tomado pelas Leis de Diretrizes e Bases da Educação, Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição brasileira assim como o aporte teórico de Paulo Freire, os quais nos convidam a confrontar a história, o passado e presente por meio da investigação histórica. Esses recursos nos ajudam a pensar a constituição de uma

1 Psicóloga e Graduanda em Pedagogia,cursando o 5º período na Faculdade Guararapes.

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política pública aberta à diversidade e diferença, refletir sobre as correlações de força e jogos de poder existentes tanto no momento da formulação da legislação quanto no campo da prática e na implementação das ações pelos agentes responsáveis.

Consideramos que, a inclusão não está só sob responsabilidade da legislação vigente, está também, como nossa responsabilidade de fazer acontecer, transformando a sociedade que vem sendo acostumada há décadas a excluir essas pessoas do meio que vivem isolando-a e tratando-a como pessoas sem nenhuma valia, despersonificando assim os sujeitos em nossa sociedade. Anteriormente, essas pessoas não tinham algum direito, eram totalmente oprimidas e excluídas, e até hoje, lutam para conquistarem direitos igualitários na sociedade, e sofrem muitas vezes por viverem privadas do convívio familiar, escolar, social, cultural e esportivo; por não se encaixarem na rotina das demais pessoas e serem obrigadas a viver privadas de ir e vir de vários ambientes devido à falta de acesso adequado para sua circulação ou visitação.

O estudo busca situarmos a inclusão sob a lente de Paulo Freire e por fim, tecemos as considerações finais.

1. A inclusão e Paulo Freire

Tomando por base o pensamento de Paulo Freire, pretendemos tecer algumas considerações sobre a questão da diversidade humana e suas implicações no processo de mudança diante da conjuntura atual. Tais reflexões sugerem que a teoria de Freire, que tem como embasamento uma pedagogia dialógica e política que antecede ao movimento mundial de inclusão, sua filosofia se mostra tão contemporânea que tem o poder de se colocar como um conceito de uma real inclusão, uma referência sobre o tema. Devemos levar em consideração, a singularidade do sujeito, pelo fato de que o esforço de se conceituá-lo representa apenas a busca de traços genéricos que possam favorecer a identificação e caracterização de tão complexa criatura. Observamos que muitas condições sociais têm sido consideradas e tratadas como minorias, fato esses que refletem, nas diversas situações, um julgamento social que se requinta na medida em que as sociedades aprimoram-se tecnologicamente em função de valores e de atitudes culturais específicas, ou seja, na relação de oprimido e opressor.

No decorrer da história, podemos constatar que a sociedade quase sempre se apresentou preconceituosa e com práticas discriminatórias em uma gama de relações, em que o tratamento dispensado as pessoas com deficiência constitui um dos maiores de

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todos os exemplos. A problemática vivida pelas referidas pessoas demonstra que os conceitos e as práticas vivenciadas nessa sociedade são determinados pela ideologia que domina, acarretando um esvaziamento de possibilidades, como se essas pessoas não fossem capazes de fazer suas escolhas e respectivas tomadas de decisões, em suma, condenadas à exclusão e sujeitas ao olhar piedoso da sociedade.

Associada a tal premissa da sociedade volta-se para a ideia de corpo saudável e produtivo. Um corpo tido com deficiência é considerado um corpo doente e improdutivo, sobre o qual as relações de poder têm alcance imediato. O investimento nesse corpo encontra-se muito mais focado no seu aspecto econômico. Pensar assim é desacreditar na capacidade do homem de manifestar-se como ser no mundo. É negar-lhe, como acredita Freire, a condição de sujeito, de participar da dinâmica da sociedade. É colocar a pessoa com deficiência como um ser incapaz, de tratá-lo como animal, negando-lhe sua própria subjetividade. Freire (2002) afirma que os homens são seres da práxis. São seres do que fazer diferentes, por isso mesmo, dos animais, seres do puro fazer. Os animais não “admiram o mundo”. Apenas fazem parte dele. Os homens, pelo contrário, como seres do que fazer emergem dele e, objetivando-o, podem conhecê-lo e transformá-lo com seu trabalho.

Diante dessas questões, a educação dialógica proposta pelo autor, em sua práxis libertadora traz a gênese da educação inclusiva, que não aceita a homogeneização dos educandos frutos do sistema escolar tradicional, subordinado aos interesses do capitalismo ocorrido em algumas sociedades, ser negro, ser velho, ser mulher, ser criança, pessoa com deficiência, enfim o fato de ser diferente representa uma condição de inferioridade de direitos e desempenho de funções sociais. E nesse contexto das relações sociais que se manifestam, nas diversas formas de controle, discriminação e opressão, atitudes contra as quais Paulo Freire sempre se posicionou de forma enfática.

Aceitar e respeitar a diferença é uma dessas virtudes sem o que a escuta não se pode dar. Se discrimino o menino ou a menina pobre, a menina ou o menino negro, o menino índio, a menina rica; se discrimino a mulher, a camponesa, a operária, não posso evidentemente escutá-las e se não as escuto, não posso falar com eles, mas a eles, de cima para baixo. Sobretudo, me proíbo entendê-los. Se me sinto superior ao diferente, não importa quem seja, recuso-me escutá-lo ou escutá-la.O diferente não é o outro a merecer respeito, é um isto ou aquilo, destratável ou desprezível. (FREIRE, 1996, 29).

Defendendo uma educação para todos, sem discriminações de qualquer natureza. A filosofia educacional política e dialógica proposta por Paulo Freire, defende uma

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educação inclusiva, em que não se delimita aos alunos com deficiência, mas que constitui-se como uma autêntica pedagogia da inclusão, fundamentada no princípio da dialogicidade2, tanto na escola e no mundo, reconstrói a alteridade entre homens e

mulheres, ao reconhecer as diferenças de desenvolvimento físicas, sensoriais e intelectuais, como tantas outras diferenças que constituem e os homens, e os caracterizam como humanos.

Sabemos que o homem tem a capacidade de ir além das fronteiras que surgem, sendo uma das grandes vantagens dos seres humanos. E qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é fundamental, por mais que se reconheça a força das subordinações a serem encaradas. Freire (1996) reitera que devemos respeitar a autonomia, à dignidade e à identidade e, na prática, procurar a coerência com este saber, que nos leva mesmo sem apelar a criação de algumas virtudes ou qualidades sem as quais aquele saber virá inautêntico, palavreado vazio e inoperante.

Quanto mais se estabelece ao homem uma condição passiva, ao invés de transformar-se, tende a adaptar-se ao mundo. Na medida em que isso ocorre sua visão anula o poder de criação humana ou minimiza, instigando sua ingenuidade e não seu papel crítico, com isso atenderá aos interesses dos opressores, que, para estes, o fundamental não é o desnudamento do mundo, sua transformação, pois o seu humanitarismo, e não-humanismo, está em preservar a situação de que a generosidade a que se refere por isso mesmo é que reage, até instintivamente,contra qualquer tentativa de um pensar autêntico que não se deixa emaranhar pelas visões parciais da realidade, buscando sempre os nexos que prendem um ponto ao outro ou um problema a outro, (Freire, 1996).

Ao pensarmos os homens como seres em constantes mudanças e não como prontos e conclusos, ainda que sob o olhar de inferioridade e mesmo deficientes, além de estigmatizados como limitados em relação à sua capacidade de aprendizagem e de se posicionar diante de si mesmo, do outro e da própria vida. No tocante à educação, a teoria freiriana traz uma abordagem estruturada numa relação horizontalizada que permeiam a interação entre professores e alunos e a construção de conhecimentos, em direção oposta à visão tradicional, com relação à prática autoritária presente no modelo de educação bancária, ressaltando a patologização do desvio como uma das práticas

2 Dialogicidade é um dos eixos principais e fundantes de toda a teoria freiriana, o diálogo, nascido na

prática da liberdade, enraizado na existência, comprometido com a vida, que se historiciza no seu contexto. A dialogicidade é a essência da educação como prática da liberdade. O diálogo é tratado como um fenômeno humano em Paulo Freire.

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utilizadas pela ideologia dominante na tentativa de preservação do poder pelas classes opressoras, modelo resultante da ideologia neoliberal predominante nas esferas educacionais e políticas da sociedade contemporânea, implicando na mercantilização da educação. Freire (2002) ao se referir as referidas práticas mercantis traz em suas considerações acerca da concepção e prática “bancárias” da educação, a que juntam toda uma ação social de caráter paternalista, em que os oprimidos recebem a denominação de “assistidos”. Sendo tais casos individuais, meros “marginalizados”, que divergem do quadro geral da sociedade, em que os oprimidos, como casos individuais, são patologia da sociedade sã, que precisa, por isto mesmo, ajustá-lo a ela, mudando-lhes a mentalidade de homens incapazes e preguiçosos.

Partindo-se desse ser inacabado, que são as pessoas, eis que surge a educação como processo permanente, em que mulheres e homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram diante da sua inconclusão, diante dessa consciência, não foi a educação que fez mulheres e homens educáveis, mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade. É também nessa incompletude que nos tornamos consciente e que nos insere no movimento permanente de procura que se alicerça a esperança. Diante disso, a consciência do inacabamento, a busca de uma condição melhor é a principal característica do homem. Estando em constante processo de transformação, de seu fazer-se homem. Em momento algum de seu legado, Freire deixa de fora a condição humana de sujeito histórico. O autor em questão(1996) traz em sua reflexão, que nos remete ao conceito freiriano de inconclusão. A consciência do homem de seu inacabamento é que o distingue dos demais seres vivos, sendo, portanto uma condição inerente do ser humano.

Com relação à deficiência, a concepção do autor em questão em meio ainda ao inacabamento do ser desloca o sentido da incapacidade para o de promoção do ser humano engajado como sujeito histórico, independente de sua condição física, mental ou sensorial. “Ser inacabado” não pode, à luz do pensamento de Paulo Freire, ser entendido como “ser deficiente”. Faz-se necessário reconhecer o homem como sujeito histórico, capaz de inserir-se na realidade histórica de forma crítica, atuando no mundo e com o mundo, de forma a criar e recriar a sua existência, baseando-se no seu cotidiano. Para Freire, o homem só se conscientiza quando encontra-se inserido em ser e estar no mundo, quando toma como sua a responsabilidade de participação e sua coparticipação com os outros. É nessa condição que o homem torna-se homem, que atua no cotidiano da história, que se constrói junto ao outro, de forma coletiva. Freire (2001)

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aborda que a conscientização está evidentemente ligada à utopia, implica em utopia. Quanto mais conscientizados nos tornamos, mais capacitados estamos para sermos anunciadores e denunciadores, graças ao compromisso de transformação que assumimos. Tal conscientização é concebida como um ato de conhecimento, compreensão do mundo real que cerca o homem. Por ela, o homem adentra as causas profundas dos acontecimentos da realidade social, e, por conhecê-las, tende a comprometer-se com a realidade, sinalizando o tipo de sociedade e de mundo que se acha comprometido a construir. Assim, os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo- se, na práxis, com a sua transformação. A realidade, ao ser modificada, passa a ser uma realidade dos homens em processo de permanente libertação, tanto dos oprimidos quanto dos opressores. Isso acarretará uma ação profunda através da qual se enfrentará a cultura da dominação, que acontecerá num primeiro momento por meio da mudança da percepção do mundo opressor por parte dos oprimidos e num segundo momento pela expulsão dos mitos criados e desenvolvidos na estrutura opressora e que se preservam como espectros míticos, na estrutura nova que surge da transformação revolucionária.

A educação proposta por Freire é considerada utópica, pelo fato de propor a reinvenção do mundo sobre os princípios da democracia que não se restringem ao direito de alguns em contrapartida à exclusão de outros,ao contrário passa pela construção de uma nova conjuntura sócio político-cultural, na qual todos os educandos possam desenvolver seu processo educativo juntos, na mesma escola, permeados pela igualdade de oportunidades e pelo direito de acesso e permanência com sucesso a uma educação de qualidade para todos independentemente de suas características pessoais, onde não caibam mais discriminações ou preconceitos aos educandos especificamente com condições físicas, mentais ou sensoriais diferentes dos demais alunos.

A partir do momento em que se tem a educação bancária tida como verticalizada, a partir da qual se adota um modelo de padrão de eficácia e eficiência, que anteriormente definiu o padrão de normalidade e, ainda prevalecem na intitulada escola inclusiva, como as metas que todos devem atingir. Para tanto, não é necessário elaborar reflexões sobre o ato educativo ou seus significados, basta apenas adquirir as competências e requisitos compatíveis com a ética de mercado.

Para Freire (2005), a relação sujeito-sujeito e sujeito-mundo são indissociáveis. Como ele afirma, “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, interligados pelo mundo”. Dessa forma, o diálogo se impõe como

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caminho pelo qual os homens ganham significação como homens. É uma exigência existencial, é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado. É uma junção que o pensar seja verdadeiro para que se tenha um diálogo também verdadeiro e crítico, objetivando superar, assim, a contradição que se instaura entre opressor-oprimido.

Diz Freire (1996), no que concerne a função do educador o dever de assumir, de motivar, de desafiar quem escuta, no sentido de que o ouvinte interaja. Admitindo intolerância quando o educador autoritário considera coerente comportar-se como proprietário da verdade de que se apossa e do tempo para pensar sobre ela. Para ele, quem escuta sequer tem tempo próprio pois o tempo de quem escuta é o seu, o tempo de sua fala. Sua fala, por isso mesmo, se dá num espaço silenciado e não num espaço com ou em silêncio. Ao contrário, o espaço do educador democrático, que aprende a falar escutando, é cortado pelo silêncio intermitente de quem, falando, cala para escutar a quem, silencioso, não silenciado, fala.

As considerações por vezes tecidas acerca do pensamento de Paulo Freire nos permite reverberar que o referido educador brasileiro posicionou-se no ideal de inclusão, valendo salientar que se tratava de ideias bem a frente do seu tempo, uma vez que todo o seu discurso reflete uma postura antidiscriminatória e a favor do reconhecimento e do respeito pela diferença, enfatizando mais uma vez a necessidade de ruptura da relação opressor e oprimido.

A crença numa sociedade mais justa, mais humana e mais igualitária significa estar inserido na luta pela superação da relação supracitada, luta esta que, por uma questão de princípio, ninguém pode estar de fora. Não se trata de algo impossível, mas de uma proposta prática de superação dos aspectos opressores percebidos na realidade.

Tal obstinação foi, para Paulo Freire, uma atitude necessária para a ruptura com as práticas discriminatórias e segregadoras utilizadas pelos opressores na manutenção do paradigma da exclusão, em que se afirma a necessidade que tenhamos na resistência que nos preserva vivos,na compreensão do futuro como problema e na vocação para o ser mais como expressão da natureza humana em processo de estar sendo,fundamentos para a nossa rebeldia e não para a nossa resignação em face das ofensas que nos destroem o ser. Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos.

Enfim, desejamos trazer a tona uma das questões centrais com que temos de lidar é a promoção de posturas revolucionárias que nos engajam no processo radical de

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transformação do mundo. Ser contrário a alguns ideais denota ser um ponto de partida indispensável, mas não suficiente, caso não seja posto em prática, sendo assim que Freire construiu todo o seu legado e que podemos nos apropriar de modo satisfatório para os dias atuais condizente com a temática da inclusão. Esse movimento de ruptura pode ser traduzido a partir da crença na transformação do mundo pelos caminhos freirianos, da comunhão, do diálogo, da conscientização e da libertação, é acreditar na capacidade de todos os seres humanos alimentarem juntos o ideal utópico da mudança, no qual a inclusão é, nos nossos dias, um dos maiores de todos os sonhos: uma realidade em que opressores e oprimidos se façam, de fato, livres dos elos aprisionantes do preconceito, da discriminação e da injustiça.

Para ser apropriada toda educação, toda ação educativa deve necessariamente estar precedida de uma reflexão sobre o homem e de uma análise do meio de vida concreto do homem a quem queremos educar, passando a dominar a realidade, como afirma Freire (2011), ou seja, o homem chega a ser sujeito por uma reflexão sobre sua situação, sobre seu ambiente concreto. Na medida em que o homem, integrado em seu contexto, reflete sobre este contexto e se compromete, constrói a si mesmo e chega a ser sujeito, tornando-o autor da sua história e criador da sua cultura.

O sentido de exigir uma formação permanente crítico- reflexiva, de modo que as ações de formação deveriam se organizar em função do esforço de manter viva a esperança, torna-se indispensável ascensão da escola em seus mais diversos âmbitos, onde os educadores deveriam analisar sempre as idas e vindas da realidade social.

Freire (1996) indica em sua obra que a partir do momento em que ensinar exige as mais diversas nuances como o fato de não transferir conhecimentos, mas disseminar possibilidades para a construção, sendo assim tal autonomia tende a viabilizar a o ensino assim como tirar a pessoa com deficiência dessa relação opressora e oprimida.

Considerações finais

Sabemos o quão importante é a inclusão de estudantes com deficiência nas instituições de ensino, fazendo-os usufruir da educação que é para todos sem nenhuma distinção; e fazendo entender não só para os outros estudantes e também para os educadores que existe sim outras maneiras distintas de aprender e ensinar. E, dessa maneira incluindo essas pessoas na sociedade através do convívio escolar, ajudando-os

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a desenvolver o seu potencial e assim o tornando capaz de desenvolver as suas habilidades.

Percebemos que para o educador é um grande desafio a seguir, pois alguns não recebem o preparo adequado na sua formação acadêmica para assim atender as necessidades e incluir esses estudantes nas suas salas de aula, pois muitos ainda carregam sobre si, a bagagem cultural de que uma pessoa com deficiência é incapaz de conviver socialmente com outros indivíduos. Hoje, com muitos esforços, várias barreiras têm sido derrubadas, não só nas comunidades escolares, como também em nossa sociedade, que devido às informações passadas pelos mais diversos meios de comunicação, tem começado a olhar de forma igualitária para essas pessoas.

Temos ainda um longo caminho a percorrer e uma longa batalha para a inclusão dessas pessoas sem nenhum tipo de preconceito e exclusão; porém o primeiro passo já foi dado, só em observar quantas crianças com algum tipo de deficiências já estão frequentando salas de aula sem nenhuma distinção; quantos jovens já estão começando seu futuro profissional em universidades e sendo integradas ao mercado de trabalho, provando que é um profissional tão bom quanto uma pessoa sem deficiência, só assim vamos conseguir a verdadeira inclusão e uma escola realmente onde a educação seja para todos sem nenhuma distinção de cor, raça, cultura, religião e deficiências.

Então, em meio a esse apanhado bibliográfico, identificamos no autor em evidência que suas obras fundam-se acerca da importância de uma formação sólida, permeada com base numa prática reflexiva e comprometida com a prática educativa, em que visa estabelecer critérios para a atuação do educador e a formação deste tende a ser correlacionada com a sua prática, o que colabora com o exercício da inclusão.

REFERÊNCIAS

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FREIRE,P.Educação como prática da liberdade.14. ed.Rio de Janeiro:Paz e Terra,2011.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 5ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, P. Política e educação. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.

FREIRE, P.. Pedagogia do Oprimido. 32ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

FREIRE,P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido.8. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

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