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A escola regular na perspectiva da educação inclusiva: práticas e dizeres na educação infantil

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Academic year: 2021

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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.

QUELI ALINE G. RODRIGUES

A ESCOLA REGULAR NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: PRÁTICAS E DIZERES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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2014

UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.

QUELI ALINE G. RODRIGUES

A ESCOLA REGULAR NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: PRÁTICAS E DIZERES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia apresentada para obtenção do título de graduada em Pedagogia na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

Orientadora:

Ms. Daniela Medeiros

Ijuí

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Com carinho a Deus, aos meus pais, aos meus amigos, aos meus professores, e a todos que torcem pelo meu sucesso.

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“Pensamos demasiadamente. Sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade

Que de máquinas. Mais de bondade e ternura Que de inteligência. Sem isso, A vida se tornará violenta e tudo se perderá.” Charles Chaplin

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AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus, pela fé, pelo amor e esperança que possibilitou, com todo seu amor de Pai, que esse sonho fosse possível.

A minha família, que me acompanhou e me fez ser o que sou, cujo carinho e apoio foram essenciais para vencer mais esta etapa em minha vida.

Ao meu amor, que incontáveis vezes teve paciência com meu mau humor por conta dos estudos, onde foi cúmplice fiel da minha trajetória percorrida, sempre me incentivando e fortalecendo para que eu seguisse em frente, compreensivo e paciente, pela compreensão nos momentos de ausência.

À professora Daniela Medeiros, orientadora desta pesquisa, que sempre esteve presente apoiando, não medindo esforços para me ajudar nessa conquista, apontando a direção e servindo de exemplo na caminhada rumo à inclusão.

Aos colegas professores, funcionários e equipe diretiva, da escola pesquisada, que gentilmente abriram as portas para colaborar com este trabalho realizado possibilitando sua produção, reflexão e contribuição ao processo de inclusão ao qual estamos dispostos a construir.

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RESUMO

O presente trabalho trata sobre o processo de inclusão do aluno com necessidades específicas na escola durante a educação infantil, buscando conhecer as leis que regulamentam tal processo. Assim, é importante considerar que a inclusão no contexto escolar tem como objetivo valorizar a diversidade como forma de ações que garantam o acesso e permanência do aluno com necessidades específicas no ensino regular. Neste contexto, o problema desta pesquisa é: As escolas regulares estão preparadas para receber/trabalhar com os alunos com necessidades específicas? Junto a tal problemática, o objetivo geral buscar entender o processo de inclusão de crianças com necessidades específicas na educação infantil em escolas regulares de ensino. A pesquisa foi desenvolvida com entrevistas estruturadas e semiestruturadas com uma professora da educação infantil de uma escola pública do município de Ijuí/RS. Além disso, este trabalho apresenta uma pesquisa de levantamento bibliográfico para embasar as reflexões sobre a inclusão escolar, caracterizando a metodologia de pesquisa em uma perspectiva qualitativa. Esse trabalho é finalizado ressaltando os resultados obtidos com a pesquisa realizada, através da qual se verificou algumas lacunas ainda existentes neste processo e a necessidade de se ter uma qualidade de ensino para todos, cada qual com seu tempo, atendendo assim as diferenças.

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ABSTRACT

This paper focuses on the process of inclusion of students with special needs in school for early childhood education, seeking to know the laws that regulate this process. Thus, it is important to consider that the inclusion in the school context aims to enhance the diversity as a means of actions that ensure access and retention of students with special needs in mainstream education. In this context, the problem of this research is: Regular schools are prepared to receive / working with students with special needs? Along with this problem, the general objective to seek to understand the process of inclusion of children with special needs in early childhood education teaching in regular schools. The research was conducted with structured and semi-structured interviews with a professor of early childhood education in a public school in the municipality of Ijuí / RS. Furthermore, this paper presents a survey of literature survey to support reflections on school inclusion, featuring research methodology in a qualitative perspective. This work is finalized highlighting the results obtained from the survey, through which there was still some gaps in the process and the need to have a quality education for all, each with their time, attending the differences.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 9

1 O PERCURSO DA PESQUISA E SUAS TRAJETÓRIAS ... 12

2 POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO INCLUSIVA... 15

2.1 Alguns movimentos antes da LDB/96 ... 15

2.2. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 ... 16

2.3 Alguns marcos legais após a LDB/96... 18

3 INCLUSÃO ESCOLAR ... 24 3.1 O cotidiano escolar ... 26 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 33 REFERÊNCIAS ... 35 ANEXOS ... 37 Anexo 1: Entrevista ... 37

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INTRODUÇÃO

Nos últimos anos a educação brasileira vem sofrendo grandes mudanças, uma dessas mudanças é a inclusão de crianças com necessidades específicas1 nas escolas regulares. Assim, a inclusão surge como um direito de todos os alunos estarem em uma mesma sala de aula, estudar e aprender sem nenhum tipo de preconceito.

Neste cenário, vale questionar: As escolas regulares estão preparadas para receber/trabalhar com os alunos com necessidades específicas? Tal problemática orienta as discussões deste trabalho junto ao seu objetivo maior, que é buscar entender o processo de inclusão de crianças com necessidades específicas na educação infantil em escolas regulares de ensino.

A partir dessa busca e junto ao objetivo citado, busco perceber quais são os facilitadores e as barreiras desse processo, além de conhecer as mudanças ocorridas nas escolas para receber alunos com necessidades específicas. Além disso, verificar se os Projetos Políticos Pedagógicos estão se adequando a inclusão escolar, dessa forma compreender de que maneira as políticas públicas têm interferido nas práticas escolares.

Com o presente projeto pretendo realizar uma análise e problematização a respeito das políticas de inclusão. Para isso, abordarei as leis que determinam/constituem o processo de inclusão, farei uma sucinta fala das leis antes da LDB 9.394/1996, e outras após a mesma, como a Resolução nº 2, de 11 de setembro de 2001 e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva/2008, entre outras, levando em conta os paradigmas conceituais e princípios que vem sendo progressivamente defendidos em tais documentos.

No Brasil, o atendimento as pessoas com deficiência teve início na época do Império, há muitos séculos atrás, mas esse assunto só vem sendo divulgado e discutido nos anos atuais. A inclusão é um movimento mundial de luta das pessoas com deficiências e seus familiares na busca dos seus direitos e lugar na sociedade.

A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em

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O trabalho opta pela terminologia necessidades específicas, baseado no art. 2º, §2º do decreto nº 7611/11.

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relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola (BRASIL, 2007, p.1).

Mantoan (2006) afirma que a inclusão é uma inovação que implica um esforço de modernização e reestruturação das condições atuais da maioria de nossas escolas – especialmente as de nível básico –, ao assumirem que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado e de como a aprendizagem é concebida e avaliada.

Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão (BRASIL, 2007, p.1). Contudo, a inclusão coloca inúmeros questionamentos aos professores que atuam nessa área, e as condições das escolas. Por isso é necessário refletir sobre a realidade nas mesmas a fim de compreendermos se elas estão cumprindo (e em que medida) o que descrevem as referidas políticas públicas.

Por tudo isso, para a elaboração deste trabalho será feita uma pesquisa de campo em uma escola da rede municipal da cidade de Ijuí/RS. Ela será analisada no aspecto da inclusão na Educação Infantil. Assim, essa pesquisa será baseada em entrevistas (estruturadas e semiestruturadas) com professores envolvidos neste processo.

Também farei uma pesquisa bibliográfica, através de publicações existentes a respeito do tema “Inclusão Escolar”. Da mesma forma, utilizarei legislações existentes que remetem ao tema, tendo como eixo principal, a LDB 9.394/1996, algumas legislações que a antecedem e sucedem, com ênfase maior às Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica Resolução (CNE/CEB n. 2/2001) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva/2008. .

Vale ressaltar que este projeto não se prende somente á aspectos teóricos sobre a inclusão escolar, mas também á práticas desenvolvidas nas escolas inclusivas. Por isso, no primeiro capítulo (após a metodologia e a justificativa) irei discutir sobre as políticas públicas, tendo como base as citadas acima, para dessa forma conhecermos os diferentes ângulos dos cenários que vamos encontrar na pesquisa.

O segundo capítulo consistirá em recortes de relatos e observações que serão feitas na escola regular, a fim de verificarmos se as mesmas estão preparadas para

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receber/trabalhar com os alunos com necessidades específicas. Entendo que somente dessa maneira poderemos compreender em que sentido estas políticas interferem/definem as práticas escolares inclusivas.

Ainda no mesmo capítulo farei uma breve discussão dos dados acerca do capítulo anterior, sistematizando ideias, conceitos e práticas do movimento de educação inclusiva. Este capítulo busca estabelecer relações e reflexões entre o que foi discutido e o que pode ser feito para melhorar/construir outras possibilidades.

Finalmente, este trabalho monográfico incita-nos a pensar junto a outros já existentes o atual cenário educacional inclusivo, compreendendo, visualizando e problematizando políticas e práticas escolares. Não intenta uma representação nacional deste cenário, mas surge como um recorte na busca por outros olhares e pesquisas.

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1 O PERCURSO DA PESQUISA E SUAS TRAJETÓRIAS

Os pensamentos, concepções e questionamentos que são escritos a seguir surgem do tempo onde comecei a fazer parte de uma escola. O cotidiano da prática pedagógica é algo que sempre me chamou a atenção e me trouxe o interesse e curiosidade de aprender e investigar formas e possibilidades de interagir com as crianças que estão em uma idade onde fatores determinantes servem como seguimento e orientação em seu futuro.

O ser professor é permeado por todo um significado do aprender, por questões emocionais e afetivas, das quais a criança é constituída e está inserida e onde nós, professores, somos responsáveis. Isso significa que é de suma importância o cuidado de todos os aspectos no desenvolvimento integral destes sujeitos.

A minha (in) experiência diante de novas situações, como a falta de compreensão ao definir metodologias didáticas e as atitudes a serem tomadas diante de uma criança que chora, que desafia, daquela que não faz a atividade proposta ou daquela outra que bateu no coleguinha, me fizeram perceber/sentir que não possuía domínio para resolver esses comportamentos/situações que são normais para alguns alunos em sala de aula. Perante essas condições surgiu então o interesse de aprender, estudar e construir uma proposta de trabalho adequada, onde houvesse a possibilidade de proporcionar uma condição válida de interação com as crianças que futuramente eu teria quando assumisse uma turma sozinha.

Quando terminei meu ensino médio me arrependi muito de não ter cursado o magistério, pois quando decidi, pela graduação em Pedagogia percebi que isso me faria muita falta, pois eu não teria um diploma que me proporcionasse uma habilitação a ser auxiliar. Além disso, me faltaria uma visão dos paradigmas que demonstram os espaços educacionais de uma escola e o processo de ações educacionais como um contexto. Porém, percebi que o curso de Pedagogia poderia construir e possibilitar tudo isso e muito mais, se eu me esforçasse e não ficasse só na teoria.

As metodologias utilizadas por alguns professores e as atividades e teorias estudadas me fizeram entender o próprio e real processo educativo modificando assim o meu desempenho em minhas funções. Quando realizei alguns estágios e comecei a trabalhar no que eu gostava foi algo maravilhoso, mas também uma experiência que me

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trouxe questões que até então não haviam sido questionadas e agora surgiam como uma necessidade de uma investigação pedagógica.

Muitos profissionais vivenciam um processo de investigação e ação de suas práticas, buscando respostas nas teorias, cursos e seminários para suas constantes dúvidas. Outros, por sua vez, se acomodam e “param no tempo”, deformando de forma cruel o ensino em nossas escolas e assim trazendo uma preocupação para o setor das políticas públicas para a sociedade, o governo e o próprio sistema.

Ao elaborar alguns relatórios, com o trabalho de leitura e pesquisa sempre considerei que todos os sujeitos que fazem parte de uma escola, sejam “ocultos” ou não, devem estar continuamente se reciclando (no sentido de modificação) em relação ao seu ambiente pedagógico em tempo integral. Isso me abriu um grande espaço para dar continuidade aos meus trabalhos de pesquisa, mas sempre me questionando sobre as práticas pedagógicas que davam sentido ao que se falava sobre a inclusão.

Por esse motivo sempre tive muito interesse em saber se tudo que está no papel estava sendo realizado na prática. Decido e tive um grande interesse sobre a inclusão desde a primeira disciplina que fiz sobre esse assunto, por isso sempre tive certeza que esse seria o tema que escolheria para o meu trabalho de conclusão do curso.

Tal interesse me movimentava a conhecer melhor e saber se tudo que foi escrito (especialmente nas políticas públicas educacionais), está sendo cumprido e realizado no dia-a-dia das escolas. Esta prerrogativa se une a concepção de que devemos pensar e refletir na forma como desempenhamos nosso papel de professor, o modo de ver, pensar, agir e sentir as realidades históricas, culturais e sociais em que o mundo se apresenta, assim como nossos atos, fraquezas e vitórias.

O breve relatório da minha trajetória enquanto acadêmica serve como pano de fundo para projetar e justificar uma linha de busca por algumas respostas que foram tomando forma no decorrer do processo de formação. Assim, junto aos recortes de minha trajetória acadêmica optei por realizar este processo de pesquisa a partir de uma metodologia qualitativa realizada a partir de estudos bibliográficos e de uma entrevista. Segundo Szymanski, “o entrevistado, ao aceitar o convite para participar da pesquisa, está aceitando os interesses de quem está fazendo a pesquisa, ao mesmo tempo em que descobre ser dono de um conhecimento importante para o outro” (2004, p. 13).

A colaboradora desta pesquisa é uma professora que trabalha na Educação Infantil em uma escola municipal no município de Ijuí/RS. Para manter a sua identidade

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enquanto colaboradora desta pesquisa, a professora recebeu o codinome P1. Neste sentido, entendo que a entrevista é uma situação em que a preparação das perguntas facilitará um diálogo de entendimento para uma posterior descrição e análise dos dados coletados ao longo da pesquisa. Segundo Szymanski,

A entrevista face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, em que estão em jogo as percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações para os protagonistas: entrevistador e entrevistado. (2004, p. 12).

Junto a esta entrevista foi feito uma pesquisa bibliográfica acerca da inclusão. A pesquisa bibliográfica, em conjunto com a entrevista, trazem recursos metodológicos, além de serem ferramentas que auxiliam o colaborador na hora de se expressar para o entrevistador. Ela não significa uma conversa neutra, já que é colocada como um meio de coleta de fatos relatados pelos atores.

Após a entrevista realizada, realizei uma cuidadosa análise dos dados, ou seja, estudei as respostas direcionando-as ao problema de pesquisa e objetivos lançados, para assim poder “concluir” o trabalho.

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2 POLÍTICAS PÚBLICAS E EDUCAÇÃO INCLUSIVA 2.1 Alguns movimentos antes da LDB/96

No presente capítulo, busco o entendimento das políticas públicas no que diz respeito á educação inclusiva no Brasil. Parte-se do pressuposto que a inclusão vem sendo pensada e discutida há vários anos, buscando princípios de igualdade entre as pessoas com necessidades específicas com os demais cidadãos. São tentativas de encontrar condições para que as pessoas sejam consideradas como seres humanos, independente do que elas tenham de diferentes entre si, já que todos nós somos diferentes e mesmo assim todos têm direitos a exigir, e cada um tem alguma necessidade a ser preenchida de uma forma ou outra. É o que nos fala Rech (2011).

o princípio da integração escolar – foi a de normalizar, ou seja, fazer com que as pessoas consideradas “diferentes” tivessem a oportunidade de se tornarem parecidas com o modelo ideal de cidadão. Ao contrário do que muitos pensam, a norma não objetiva a exclusão, ela não tem como função excluir ou rejeitar, mas, ao contrario.(p. 25)

No Brasil a Educação Especial começa a ser discutida no século XIX, quando alguns brasileiros inspirados por ações de europeus e norte- americanos se mobilizaram para a implementação de ações, com o objetivo de atenderem pessoas com necessidades físicas, mentais e sensoriais. Mas foi nos anos 80 e 90 que aconteceram vários tratados mundiais para defender a inclusão, oque apresentou um grande avanço, principalmente com a promulgação da Constituição Federal de 1988 que, no capitulo destinado á educação democratiza o processo educacional do governo, dando novos rumos às legislações futuras, ela dispõe:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da Família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I- igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II- liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

Junto a isso, em seu artigo 208, trata da obrigatoriedade, gratuidade e universalização do ensino, além de trazer o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência preferencialmente na rede regular de ensino” (art.208, III).

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A partir desse momento, a educação de pessoas com necessidades específicas, ganha um novo destaque, pois a inclusão de indivíduos falados como diferentes, na escola passa a ser considerada “normal”. Neste contexto, a educação inclusiva consiste numa proposta que acrescenta valores harmônicos com a igualdade, direitos e de oportunidades educacionais.

Em 1989, a lei nº 7.853 prepara sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência. Sua relação social determina crime recusar ou qualquer outra forma de não aceitação a matrícula de um estudante por ser portador de necessidades específicas, em qualquer curso ou nível de ensino, seja ele público ou privado.

Nos anos 90, no Brasil, foram incorporados artigos constitucionais, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA/1990) que tem como objetivo proteger crianças e adolescentes, em seus Art. 53 reafirma a educação e o atendimento educacional na rede regular de ensino; Art. 55 é citado que “os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”.

Em 1994 destaca-se a Declaração de Salamanca, que passa a influenciar as políticas da educação inclusiva, reafirmando o compromisso da Educação para todos que tende informar sobre princípios, políticas e práticas da Educação Especial, dando garantia dos direitos educacionais, sem discriminação. A Declaração de Salamanca nos fala que alunos com necessidades especiais devem ter acesso á escola regular, também proclama que a criança tem direito á educação e o nível certo da aprendizagem, o sistema educacional deveria ser praticado levando em conta a diversidade. Assim, aqueles que possuem necessidades educacionais específicas devem ter acesso a escolar regular.

2.2. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96

De forma mais recente a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº 9.394/962, nos fala que a Educação Especial é “dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualidade para o trabalho (Art.2)”.

2

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Em seguida, no Artigo 3, nos fala que o ensino deverá ser ministrado em alguns princípios como: Igualdade de qualidade para a o ingresso e permanência nas escolas; Liberdade para ensinar, aprender, expor seus pensamentos e demonstrar a sua cultura e seu saber; pluralidade de ideias e de entendimentos pedagógicos; respeito a liberdade e a tolerância; convivência entre as instituições públicas e privadas; direito a ensino público gratuito; Dar valor aos profissionais da educação; ter o direito a uma gestão democrática; garantia de uma educação de qualidade e de padrão; dar valor aos conhecimentos extraescolares; conexão entre a educação escolar, trabalho e as práticas sociais.

No Artigo 4 da LDB, da mesma forma que na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, é exemplo o dever do Estado com a educação, com as pessoas portadoras de necessidades especiais mediante “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades educacionais especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”.

Já no Artigo 12, coloca que os estabelecimentos educacionais, respeitando as normas comuns e as do sistema de ensino, terão a missão de “elaborar e executar sua proposta pedagógica”, o que vai ao encontro da Política de Educação Inclusiva que exige das escolas que realizem modificações estruturais e pedagógicas para atender todos os alunos. Por isso, cabe aos docentes participar da elaboração da proposta pedagógica, e assim cumprir o plano de trabalho estabelecido pela instituição de ensino, dessa forma tornar-se parte do processo inclusivo.

Nesse contexto, temos outros artigos da LDB que reforçam o que foi dito, como o Artigo 58, que nos relembra a preferência ao atendimento das pessoas com necessidades específicas na rede regular de ensino, sendo assim se necessário o encaminhamento do aluno para escolas ou serviços especializados, caso não for possível seu acolhimento nas classes comuns de ensino regular.

Primeiramente pude perceber que a LDB é uma Lei que tem certa flexibilidade, pois uma vez que no art. 58, é usado o termo „preferencialmente‟, isso significa que é possível uma escolha, mas sugere que é melhor a escola regular. Dessa forma podemos entender que não é obrigado por parte dessa, na escolha dos alunos com necessidades específicas. No mesmo artigo, mas no incisivo I, nos fala que “haverá, quando necessário, serviço de apoio especializado...”, acredito que esse contexto não está bem adequado, pois sempre será necessário.

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No art. 58 pude notar que é feita uma proposta realista quando não submerge generalizadamente a inclusão de pessoas com necessidades específicas na rede regular de ensino, pois alguns alunos apresentam condições particulares de escolas especiais.

Para ressaltar isso vem o Artigo 59, que assegura os educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicas para atender as suas necessidades. É o que nos mostra o Artigo 60 da LBD/96.

Art. 60º. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. Isso nos exibe que o direito a educação para as pessoas com necessidades específicas é para todos e dever do Estado fazer com que essa Lei seja cumprida, mas abre espaço para a manutenção do atendimento especializado.

Na pesquisa que fiz para elaborar o presente projeto percebi que muitas crianças não conseguem adaptar-se ao ambiente de uma escola regular. Essa falta de adaptação pode conter uma significativa influência em seu aprendizado, pois, a extensão do meio em que vivem e estão expostos podem fazer uma grande diferença e afetar consideravelmente o seu potencial de aprendizagem.

2.3 Alguns marcos legais após a LDB/96

Procurando especificar e acrescentar as normas constitucionais da nova LDB o governo federal elaborou a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, em 1999, através do Decreto de n. 3.298. Nela se coloca o “conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência” (Art.1). Esclarece, também, o direito a educação encarregando “ás entidades do Poder Público assegurar à pessoa portadora de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde” (Art.2).

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Da mesma forma, no Artigo 6 inciso III é falado que: incluir a pessoa portadora de deficiência, respeitadas as suas peculiaridades, em todas as iniciativas governamentais relacionadas à educação, à saúde, ao trabalho, à edificação pública, à previdência social, à assistência social, ao transporte, à habitação, à cultura, ao esporte e ao lazer.

No artigo 24, da Política Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência, algumas medidas que regulamentam o ingresso de pessoas com necessidades específicas na rede regular são citadas:

Art. 24. Os órgãos e as entidades da Administração Pública Federal direta e indireta responsáveis pela educação dispensarão tratamento prioritário e adequado aos assuntos objeto deste Decreto, viabilizando, sem prejuízo de outras, as seguintes medidas:

I - a matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrar na rede regular de ensino;

II - a inclusão, no sistema educacional, da educação especial como modalidade de educação escolar que permeia transversalmente todos os níveis e as modalidades de ensino;

III - a inserção, no sistema educacional, das escolas ou instituições especializadas públicas e privadas;

IV - a oferta, obrigatória e gratuita, da educação especial em estabelecimentos públicos de ensino;

V - o oferecimento obrigatório dos serviços de educação especial ao educando portador de deficiência em unidades hospitalares e congêneres nas quais esteja internado por prazo igual ou superior a um ano; e

VI - o acesso de aluno portador de deficiência aos benefícios conferidos aos demais educandos, inclusive material escolar, transporte, merenda escolar e bolsas de estudo.

A Educação Especial é entendida como modalidade de ensino oferecida preferencialmente nas escolas regulares, para alunos “portadores de deficiência”, onde seus serviços possam ser:

Ofertados nas instituições de ensino público ou privado do sistema de educação geral, de forma transitória ou permanente, mediante programas de apoio para o aluno que está integrado no sistema regular de ensino, ou em escolas especializadas exclusivamente quando a educação das escolas comuns não puderem satisfazer as necessidades ao bem-estar do educando (BRASIL, 1999, p.205-206).

Em 2001 as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica Resolução (CNE/CEB n. 2/2001) impõe para escola o desafio de ajustar-se para que possa atender à diversidade de seus alunos, através da elaboração de um projeto

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pedagógico que inclua os educandos com necessidades educacionais especiais, seguindo as mesmas diretrizes já traçadas pelo Conselho Nacional de Educação.

Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Nacionais para a educação de alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, na Educação Básica, em todas as suas etapas e modalidades. Parágrafo único. O atendimento escolar desses alunos terá início na educação infantil, nas creches e pré-escolas, assegurando-lhes os serviços de educação especial sempre que se evidencie, mediante avaliação e interação com a família e a comunidade, a necessidade de atendimento educacional especializado.

Art 2º Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.

Parágrafo único. Os sistemas de ensino devem conhecer a demanda real de atendimento a alunos com necessidades educacionais especiais, mediante a criação de sistemas de informação e o estabelecimento de interface com os órgãos governamentais responsáveis pelo Censo Escolar e pelo Censo Demográfico, para atender a todas as variáveis implícitas à qualidade do processo formativo desses alunos.

Pode-se notar que a legislação é sabia ao completar os diversos interesses das instituições de ensino, com a finalidade de assegurar a lógica de todo o processo escolar na garantia do direito a educação de qualidade para as pessoas com necessidades específicas. Tal legislação traz como inspiração a superação das limitações do sistema regular de ensino no processo de transição, onde os avanços são desejados.

O artigo 3º traz que a Educação Especial, como uma modalidade da educação escolar, é entendida como um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns. De modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica.

Também prevendo que o ensino deve constituir e fazer funcionar um setor responsável pela Educação Especial, o qual precisa estar dotado de recursos humanos, financeiros e materiais que viabilizem e deem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva. Essa mesma Resolução CNE/CEB n. 2/2001 nos fala que as escolas deveriam gerar:

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Art. 8o As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns:

I - professores das classes comuns e da educação especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos;

III – flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola, respeitada a frequência obrigatória; V – serviços de apoio pedagógico especializado em salas de recursos, nas quais o professor especializado em educação especial realize a complementação ou suplementação curricular, utilizando procedimentos, equipamentos e materiais específicos;

VIII – temporalidade flexível do ano letivo, para atender às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência mental ou com graves deficiências múltiplas, de forma que possam concluir em tempo maior o currículo previsto para a série/etapa escolar, principalmente nos anos finais do ensino fundamental, conforme estabelecido por normas dos sistemas de ensino, procurando-se evitar grande defasagem idade/série;

Considerando todos os setores pedagógicos para a inclusão escolar dos alunos com necessidades específicas, a Resolução CNE/CEB n. 2/2001 estabelece como uma das suas prioridades a formação de recursos humanos especializados para atender adequadamente os educadores, disponibilizando maior apoio pedagógico. Percebe-se que existe um complemento entre as bases legais, na medida em que cada uma convém a uma abordagem particular direcionada para as pessoas com necessidades específicas. No Plano Nacional de Educação (PNE, Lei n. 10.172/01), na meta nº 1, estratégia 1.9, é bastante claro o objetivo de

fomentar o acesso à creche e à pré-escola e a oferta do atendimento educacional especializado complementar aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, assegurando a transversalidade da educação especial na educação infantil. (p.4)

Em 2007 foi lançado pelo MEC, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), tendo como principal função a formação de professores para a Educação Especial e a implantação de salas de recursos multifuncionais. Ele tem como foco tentar superar a aversão entre educação regular e Educação Especial, prevendo o cumprimento

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da inclusão, da igualdade de condições, do acesso e permanência na escola e comunidade.

No mesmo ano foi publicado o Decreto n. 6.094/2007, que dá a garantia no acesso e permanência dos alunos com necessidades especiais, no ensino regular e o atendimento a tais necessidades, fortalecendo seu acesso nas escolas públicas.

Como as leis vão se adequando/renovando com os passar dos anos, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que ocorreu no ano de 2008, teve como objetivo o acesso, aprendizagem e participação do aluno com necessidades especiais. Tais objetivos intentam garantir a transversalidade da Educação Especial, atendimento especializado, continuidade da escolarização, a formação para professores para a inclusão, além de outros, como transporte, equipamentos, comunicação e demais. Junto a isso, a Política esclarece que:

O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não diferenciam-sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (BRASIL, 2008, p.10).

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva nos ressalta também que:

Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos (BRASIL, 2008, p.9).

Essa Política tem como objetivo a elevação global do nível de escolaridade da população, a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis, a redução da desigualdade e democratização da gestão do ensino público, nos estabelecimentos oficiais, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na

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elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares.

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva não se trata de uma política emergencial, mas sim de propostas, que a partir do processo de redemocratização vem ocupando seu espaço junto as discussões educacionais. Na perspectiva de garantia de direitos educacionais de pessoas com necessidades específicas, por abranger não somente a esfera educacional, mas por implicar também no setor social dos referidos sujeitos na medida em que são reconhecidos como cidadãos de direitos, parte integrante das relações sociais, incluídos por meio da educação no espaço social.

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3 INCLUSÃO ESCOLAR

Algumas concepções de educação (mais tradicionais) tem como pensamento um lugar/ambiente escolar onde os alunos realizam as mesmas tarefas, da mesma forma e ao mesmo tempo. No entanto, isso não acontece em nenhuma turma, seja ela com crianças inclusas ou não, pois nós seres humanos somos uns diferentes dos outros, e aprendemos cada uma de acordo com nossas particularidades.

A inclusão trata-se de um processo desafiador, já que não se trata de somente “colocar” os alunos nas salas de aula, mas propor alternativas, adequações, uma proposta de ensino que considere as diferenças. Enfim, é preciso conhecer/aproximar-se para romper paradigmas, mudar velhos conceitos, rever nossas práticas pedagógicas e recriar novas formas de ensinar e avaliar. É preciso investir na formação dos educadores e em um projeto político pedagógico atento as diferenças.

Neste sentido, podemos entender que a inclusão não quer dizer que devemos nos especializar para atender só os alunos que apresentam necessidades específicas. A educação inclusiva nos convoca a olhar e trabalhar com todos os alunos, independente de suas diferenças, deficiências ou dificuldades. Segundo Lopes (2007)

o processo de inclusão pressupõe que as diferenças tenham espaço dentro do currículo escolar, que as diferentes vozes possam dizer de si. Todavia, os processos de inclusão fomentados no país falam de adaptações curriculares e de formação rápida de docentes (quando existem). Diante de tanta pressão para a inclusão, os professores sentem-se pressionados e desencorajados a dizer que não sabem desencadear tal processo. (p. 27).

Isso quer dizer, que a educação e os educadores devem pensar e se adequar para que se possa realizar um novo modelo educacional, assim, poder receber e incluir os alunos de forma adequada. Entender que não podemos ficar somente utilizando os recursos didáticos que estamos acostumados a utilizar, mas devemos ter clareza que temos a responsabilidade de sermos bons educadores, que tenhamos a capacidade de acolher de uma forma mais ampla as diferenças educacionais existentes nas escolas. A inclusão é um processo de renovação no âmbito educativo, que pode oferecer a todos o direito de vivenciar uma educação de boa qualidade, seja essa criança especial ou não.

Devemos pensar que não basta termos uma legislação, que obrigue a matrícula de todos, mas que garanta um planejar e executar uma proposta que efetive uma

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educação para todos e um ensino de ótima qualidade. O professor, neste cenário, precisa se perceber como investigador, conhecer seus alunos, aprender com eles e estar em processo de formação junto com a escola.

Para que aconteça realmente uma inclusão, é necessário um apoio de todos da sociedade, pois as escolas devem acolher a todos sem distinção de qualquer deficiência, devendo considerar o tempo e as dificuldades de cada um. Para que este processo ocorra com êxito é muito importante a colaboração e o diálogo entre todos os profissionais da educação e da comunidade.

A inclusão causa uma mudança na perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa.

A exclusão é algo que existe em todo mundo, ocorre de várias maneiras, além de atingir as crianças em diferentes situações, isso faz com que a inclusão fique cada vez mais difícil de acontecer. Bozzetto (1998) afirma que

A inclusão das crianças com necessidades especiais na escola regular decorre de uma nova compreensão sobre os fatores responsáveis pela exclusão escolar, que se estende também para a exclusão da sociedade. É importante, no entanto, destacar que essa exclusão não ocorre só com as crianças deficientes, mas também com as crianças negras, as crianças pobres, as crianças cegas, as crianças com dificuldades de aprendizagem, as crianças indígenas, entre outras. (p. 41).

O sucesso da inclusão de alunos com necessidades específicas na escola regular ocorre das possibilidades de se conseguir progressos significativos desses alunos na escolaridade, por meio da adequação e flexibilidade das práticas pedagógicas à diversidade das formas de ensinar. E esse sucesso só é atingido, quando a escola regular assume as dificuldades de alguns alunos, e também que essas dificuldades não são apenas deles, mas, em grande parte, do modo como o ensino é percebido.

A inclusão destes sujeitos parece ainda acontecer de forma isolada. Integrar não significa simplesmente colocar a criança numa escola regular, significa uma mudança de postura da escola, na forma de perceber este aluno e na formação continuada do professor.

O Projeto Político Pedagógico, neste contexto, precisa ser obra do estudo de professores, pesquisadores e instituições, pois guiará suas práticas, buscando as

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melhorias da qualidade de ensino. O Projeto Político Pedagógico é a chave da gestão escolar porque ele está ligado diretamente aos objetivos que a instituição de ensino busca, tanto no processo didático-pedagógico, quanto no que se refere ao bom andamento escolar, articulando as atividades num contexto social e dinâmico.

Observando a realidade das escolas em confronto com as políticas públicas e a ampliação do acesso da população á educação básica, é necessária uma reflexão acerca das complexidades desse processo.

A qualidade de ensino nas escolas deveria ocorrer em todos os aspectos políticos e legais da educação, uma divulgação de qualidade, é qualidade de ensino a todos no espaço e aprendizado, cada qual com seu tempo, atendendo assim as diferenças. Na perspectiva de uma educação inclusiva não se espera mais que as pessoas com deficiência se integrem por si mesma, mas que a sociedade, os ambientes, inclusive o espaço educacional, se transformem para possibilitar sua inserção, que estejam devidamente preparados para receber todas as pessoas, indistintamente. Para que isso aconteça é necessário adequar e se transformar pensando nas particularidades de cada um.

As escolas precisariam estar cientes que o planejamento e a organização de recursos e serviços para promoção de acessibilidade arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, materiais didáticos e pedagógicos, devem ser disponibilizados em seus processos contínuos e no desenvolvimento de todas as atividades. Para que a inclusão enquanto prática pedagógica ocorra é necessário melhorar as condições de ensino e espaço nas escolas, universalizando o acesso e democratizando a educação.

3.1 O cotidiano escolar

Para buscar subsídios e (possíveis) respostas sobre a inclusão na escola regular realizei uma entrevista com uma professora de uma escola municipal do município de Ijuí (RS) que tem matriculados alunos com necessidades específicas. A ideia inicial era fazer entrevistas com três professores da Educação Infantil, mas não tive abertura e nem oportunidade de mostrar minha entrevista para duas professoras, por isso vou analisar a entrevista da única professora que me deu abertura e oportunidade de realizar a mesma, mostrando-se colaboradora neste processo. Para preservar a identidade da professora, nominarei a mesma com a sigla P1.

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Junto à entrevista realizada com esta colaboradora procurei analisar, brevemente, alguns dados do Projeto Político Pedagógico da Escola. Segundo o referido documento, a missão da mesma é “propiciar as condições necessárias para o desenvolvimento da educação de sujeitos com capacidade de pensar e atuar de forma critica e criativa, com identidade e dignidade, capazes de agir e interagir na sociedade, atendendo as exigências desta através da pesquisa, da produção exercendo a cidadania”.

Por se tratar de uma escola de muitos anos de existência, que teve início no ano de 1943, várias adaptações foram realizadas para facilitar o acesso dos alunos. Neste sentido, foram construídas rampas, banheiros ampliados, sinalização, corrimão, e muitas melhorias estão sendo efetuadas, levando em conta que a escola conta com o apoio dos pais e comunidade em geral.

O estudo do PPP escolar se deu com a intenção de entender e analisar a dinâmica curricular de uma escola no que se refere aos processos de inclusão de alunos com necessidades específicas na educação infantil. Junto com isso compreender como está acontecendo a inclusão escolar. Para isso foram formuladas algumas questões aos professores, por entender que são eles os grandes responsáveis pelo processo de adaptação das crianças.

Para início de conversa comecei com uma pergunta simples, baseada na legislação: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cedendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP. 2001).” A partir desse contexto, como você percebe a procura por matrícula para alunos com necessidades específicas?

Observo que a procura por matrículas de alunos com necessidades especiais tem aumentado gradativamente, principalmente pelo fato das leis atuais favorecem a propiciarem o acesso a escola por parte destes educandos. Todavia, ainda percebo por parte das famílias insegurança em relação ao processo de inclusão, por acreditarem que a escola comum não está preparada, da mesma forma a escola, por mais que a lei “obrigue”, também se mostra insegura, e algumas, por vezes, indiretamente, orientam os pais a procurar escolas e/ou entidades mais experientes e especializadas (Fala da professora P1).

A fala da professora nos mostra que a procura por matrículas de alunos com necessidades específicas tem aumentado cada vez mais (oque parece acompanhar um movimento político), da mesma forma a insegurança continua, pois a população acredita

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que os professores não estão preparados de forma adequada para atender as necessidades dos alunos da educação especial. Muitas vezes a própria escola percebe que o aluno não será incluído ou não terá um bom desenvolvimento e tenta fazer com que a família procure uma entidade onde ele terá mais possibilidades de desenvolvimento. A fala da professora nos permite perceber as mudanças na dinâmica escolar, acompanhada de insegurança e incertezas, tanto por parte da escola quanto por parte das famílias.

Você percebeu que a partir dos últimos anos ocorreu uma procura maior pela matrícula de alunos com necessidades específicas na sua escola? A partir de que período? Você tem ideia a que se devem essas mudanças?

Sim. A escola que atuo tem em sua trajetória a inserção inclusão de alunos com necessidades especiais há muitos anos, iniciando suas ações de inclusão com pessoas com deficiência visual. Porém, a partir de 10 anos para cá, a procura tem aumentado, de modo que tem em seu grupo de alunos, a inclusão de vários tipos de deficiência e TGDS. Tal mudança e obrigatoriedade da lei, logo pelos profissionais de educação estar gradativamente estudando sobre o assunto, e também por uma mudança de paradigma, que se transforma de segregação para inclusão (Fala da professora P1).

Conforme as perguntas respondidas acima, a inclusão tem algo que aprofunda o olhar para as diferenças e que pode representar a oportunidade de um aprendizado com qualidade. Inclusão trata-se de oportunizar e aceitar a todos com igualdade e sem discriminação, cada um com suas particularidades.

Para isso, a escola precisa estar em pleno entrosamento com a proposta inclusiva e adaptar-se adequadamente a proposta de ensino com finalidade de uma educação de qualidade para todos. Esse movimento não só deve ser vivenciado nas escolas, como ter o propósito de um aumento educacional e um desenvolvimento na formação contínua dos educadores.

Você sabe se o PPP da sua escola contempla a inclusão de alunos com necessidades específicas? De que forma?

Sim, a escola contempla em seu PPP a inclusão de NEES. Através de ações pedagógicas que favoreçam a aprendizagem desses alunos, planos de estudos e AEE, formação continuada para a comunidade escolar (Fala da professora P1).

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A partir da resposta da professora, juntamente com os meus olhares sobre o PPP desta escola fica claro que a mesma busca de uma forma ampla potencializar a educação dos alunos inclusos, dando total atenção para os documentos que orientam suas práticas, da mesma forma que aos planos de estudos específicos. Além disso, busca, de alguma forma, facilitar a formação continuada dos professores. Essas são ações consideradas (por mim) importantes e necessárias para a construção de uma educação inclusiva.

Entendo que não basta a escola dizer que inclui o aluno com necessidades específicas, mas sim tem que ser ciente de que o Projeto Político Pedagógico (PPP) não é apenas um mero documento exigido pela lei e pela administração da escola, mas sim um plano para uma ação em todo processo ocorrido no dia a dia das escolas. As funções do PPP estão expressas na LDBEN-Lei nº9394/96 no artigo 12, “[...] elaborar e executar sua proposta pedagógica”, deixando claro que ela precisa necessariamente saber o que vai ser colocado em execução, não ficando nas promessas ou nas intenções expostas no papel.

Na sua formação inicial teve alguma(s) disciplina(s) voltada aos estudos da Educação Especial? Caso sua resposta seja sim, como avalia esta(s) disciplinas(s) na sua formação profissional?

Sim, em relação às disciplinas no magistério e graduação, os estudos foram muito superficiais. Na especialização tive informações mais específicas e pontuais, que ampliaram meus conhecimentos acerca da área de educação especial (Fala da professora P1).

Essa fala nos mostra a fragilidade das disciplinas oferecidas no magistério e na graduação, onde essa professora teve que procurar mais recursos em uma especialização. Isso é importante e faz a diferença para práticas mais inclusivas, mas entendo que somente a teoria não basta para que se possa lidar com as diferenças em sala de aula. Não adianta uma professora ter várias especializações se não tiver paciência, dedicação e apoio da escola para realizar seus projetos. Formação (inicial e continuada) faz parte do processo inclusivo, mas também depende de outros sujeitos e práticas.

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Em sua opinião, de que forma estas disciplinas poderiam auxiliar verdadeiramente os docentes em formação?

Acredito que na ementa dessas disciplinas, para além de práticas teóricas contemplem-se práticas de atuação, estudos de caso, pesquisas diretas com a realidade da inclusão (Fala da professora P1). Nesse ponto concordo com a fala da professora. Nós não podemos ficar nos baseando só em teorias. Precisamos buscar, aliado a estas teorias, mais vivências nas práticas, nas pesquisas de campo, visitando e conhecendo lugares que trabalham e tem crianças incluídas.

Os professores constroem a soberania popular no cotidiano escolar através de detalhes na forma de organizar as práticas pedagógicas, pensando neste sentido isso vai fazer a diferença na vida daqueles envolventes. Mas, muitas vezes, não basta ter grandes ideias de trabalho e sofrer com a falta de materiais e infraestrutura, isso acaba se tornando uma grande barreira em seu desenvolvimento educacional, Embora a Constituição, estatutos, legislação, políticas educacionais e decretos exijam que ocorram novas alternativas para o melhoramento do ensino nas escolas.

Quando soube que iria ter uma criança incluída na sua turma qual foi o seu primeiro pensamento? Qual a sua reação?

Como tenho experiência na área de Educação Especial primeiramente sempre me remeto primeiramente quais serão as necessidades dos meus alunos e de que forma posso contribuir para seu desenvolvimento e aprendizagem. Após saber quem é sempre procuro de mais informações sobre o aluno, com outros colegas e a família destes (Fala da professora P1).

Penso que se a maioria dos professores fizessem como a professora entrevistada faz, muitos alunos não ficariam “perdidos” nas salas de aula (ou em um longo período de adaptação). Pesquisar e conhecer antes são ações importantes, mas não o suficiente. Pesquisa-se sobre a deficiência e por vezes sobre o histórico e experiências escolares deste aluno. Isso, no entanto, não é determinante, pois acredito que não podemos reduzi-lo ao seu diagnostico e também não podemos acreditar que ele se comportará em todos os lugares da mesma forma. Esta pesquisa/sondagem inicial é de suma importância, pois mostra interesse e comprometimento do professor, a questão é o

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que ele fará com estas informações (isso sim pode variar muito entre os diferentes profissionais).

Em sua opinião, que dificuldades, ou mesmo quais as barreiras enfrentadas pelos professores e auxiliares, para que haja a inclusão?

Compreendo que as maiores barreiras a serem enfrentadas, são a acessibilidade, a interlocução entre a escola e a família, e o trabalho com o AEE, que na minha escola percebo que se dá de forma isolada do contexto da sala de aula (Fala da professora P1).

Isso nos mostra que nem sempre o que está escrito nas leis é cumprido, pois a intenção da inclusão é ter um ensino adequado e articulado para a criança, onde os diferentes professores e demais profissionais envolvidos conversam e façam um trabalho em conjunto, coisa que a professora nos relata que não acontece.

Uma das metas dos professores capacitados e especialistas devia ser a realização de um trabalho em equipe sem isolar os demais, a aceitação deles, o preparo e, acima de tudo, estar sempre desafiando a si mesmo. Sentir medo e receio pode ser algo bom, se olharmos na perspectiva de que a partir disso se vá atrás de resultados, mas, ser covarde perante as dificuldades é algo inaceitável para um profissional, pois dessa forma acaba atingindo a família e a torna insegura e desmotivada a enfrentar esse desafio.

O AEE tem como função complementar a formação do aluno através de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que suprimam as barreiras para a participação na sociedade e desenvolvimento da aprendizagem. Isso está acontecendo de uma certa forma na escola onde foi feito a pesquisa, mas não está sendo aprimorada em conjunto com o contexto dos conteúdos da sala de aula.

O AEE pode ser realizado, na sala de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra escola de ensino regular, no turno inverso da escolarização, pode ser realizado, em centro de Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições comunitárias, conveniadas com a Secretaria de Educação ou órgão equivalente dos Estados, Distrito Federal ou dos Municípios. (Art. 5, 4CNE/CEB)

A escola onde fiz minha pesquisa tem seu objetivo muito bem focado e uma perspectiva de inclusão baseada em propósito de expansão. No entanto, as falas da

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professora evidenciam algumas práticas ainda frágeis necessitadas de maior reflexão e interlocução entre os diferentes profissionais envolvidos neste processo.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo como base o trabalho bibliográfico e a pesquisa de campo que norteou este estudo considero que, paralelamente à construção da nova imagem de Inclusão educacional, deve haver uma mudança de postura das pessoas que fazem parte desse processo.

O termo inclusão pressupõe que há (ou houve) algum tipo de exclusão. Muitas vezes até mesmo a própria família, consciente ou inconscientemente, colabora para que o agravamento da exclusão aconteça e isso se dá, principalmente, por desconhecimento dos direitos da pessoa com necessidades específicas, pelo sentimento de impotência gerado pela situação familiar.

A partir da reflexão acerca da educação das pessoas com necessidades específicas ao longo da historia até a implementação de políticas específicas nos dias atuais, posso afirmar a percepção de uma significativa evolução na maneira como a sociedade vem tratando e reconhecendo esses indivíduos.

A lei prevê inclusão de pessoas com necessidades específicas nas classes regulares, mas, o que ficou mais evidente com esse trabalho, foi à sensação de insegurança por parte de escolas e familiares e também a fragmentação nos atendimentos oferecidos a estes alunos.

As pessoas com necessidades específicas, já conquistaram direitos, mas precisamos incorporar as diferenças como propriedades naturais de todos os seres humanos para reconhecer e afirmar esses direitos, assimilando valores, princípios e metas a serem alcançadas. O investimento na formação dos professores e a disposição de recursos materiais são algumas formas de se potencializar um movimento para conseguir reverter o processo de exclusão e assim transformar essa realidade.

O pensar pedagógico diante da educação específica e sobretudo da inclusão está como base desse estudo. Este pensamento gerou diversos questionamentos a respeito das necessidades educacionais dos alunos e também sobre a formação do professor no que diz respeito ao suporte necessário à ação pedagógica e ainda de que forma o currículo tem se caracterizado como inclusivo.

O aluno com necessidades específicas que é matriculado em uma escola regular tem potencial e qualidade que muitas vezes não são consideradas por conta de pensamentos reproduzidos pela sociedade e pela própria escola.

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Ao falar em educação inclusiva, deve-se levar em consideração suas definições, propostas de acordo com nossa legislação, que estabelecem limites e possibilidades. Isso, no entanto, não significa afirmar que trabalhar com pessoas que tenham necessidades específicas seja tarefa fácil, mas que com a abertura de espaços, mudança de visão e de comportamento em relação aos alunos e aos profissionais, isso pode se tornar mais simples e possível.

Para que a escola torne-se realmente inclusiva o começo de tudo é desenvolver uma pedagogia capaz de educar e incluir, fornecendo recursos didáticos, sala de atendimento educacional especializado, adaptações físicas entre outras coisas. Além do processo de formação continuada dos professores que é algo muito necessário, pois é por meio deste processo que se chegará à “verdadeira” inclusão.

Pode-se afirmar, a partir das leituras feitas no decorrer dessa pesquisa, que todos ganham e aprendem com a inclusão na sala de aula regular: aprende-se com as diferenças a ser solidário, a ajudar o próximo, entre outros valores escassos na sociedade atual.

A escola necessita de apoio, acompanhamento e formação para que, efetivamente, seja desenvolvido um trabalho de qualidade e com intervenções pedagógicas eficazes a fim de passarmos de uma simples integração para uma verdadeira educação inclusiva desde a Educação Infantil.

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REFERÊNCIAS

BAPTISTA, Claudio Roberto. Avanços em políticas de inclusão: O contexto da educação especial no Brasil em outros países. Porto Alegre: Ed. Mediação, 2009.

BOZZETTO, Ingride Mundstock. A formação de professores para as séries iniciais do Ensino Fundamental – uma visão unitária. Ijuí: Ed. Unijuí, 1998, p. 122 (Coleção trabalhos acadêmico-científicos. Dissertação de Mestrado).

BRASIL. Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica. MEC SEESP, 2001.

______. Constituição Federativa do Brasil. 1988.

______. Lei n° 7.853, 24 de outubro de 1989. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Ijuí. Ed. Unijuí, 2006. (Cadernos Unijuí).

_______. Lei n° 10.172/01. Dispõe sobre o Plano Nacional de Educação. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 04 junho 2014.

______. Lei n° 9.394/96. Dispõe sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 04 julho 2014.

______. Lei nº9. 394/96. 24 de outubro de 1989. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Ijuí. Ed. Unijuí, 2006. (Cadernos Unijuí).

______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Secretaria de Educação. Brasília: Ed. Secretaria de Educação Especial, 2010.

LOPES, Maura Corcini; DAL‟IGNA, Maria Cláudia (orgs.). In/exclusão: Nas Tramas da Escola. Canoas: Ed. ULBRA, 2007.

Principais dispositivos, por ordem cronológica. Disponível em: http://inclusaoja.com.br/legislacao/. Acessado em: 04 junho 2014

SZYMANKI, Heloisa. A entrevista na pesquisa em educação: A prática reflexiva. Brasília: Ed. Serie Pesquisa em Educação, 2004.

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THOMA, Adriana da Silva; HILLESHEIM, Betina (orgs.). Políticas de inclusão: Gerenciando riscos e governando as diferenças. Santa Cruz do Sul: Ed. Edunisc, 2011.

UNESCO. Declaração de Salamanca e Linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais. Brasília: CORDE, 1994.

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ANEXOS

Anexo 1: Entrevista

Professora:_____________________________________________________________ 1. “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas

organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001).” A partir desse contexto, como você percebe a procura por matricula para alunos com necessidades específicas?

2. Você percebeu que a partir dos últimos anos ocorreu uma procura maior pela matrícula de alunos com necessidades específicas na sua escola? A partir de que período? Você tem ideia a que se devem essas mudanças?

3. Os alunos que estão na escola necessitam de alguma adaptação específica? a. ( ) SIM ( ) NÃO

b. De que tipo?

c. ( ) Adaptações no ambiente (rampas, banheiros adaptados, etc.) d. ( ) Adaptações de mobiliário

e. ( ) Adaptações curriculares (com a inserção, retirada ou substituição de conteúdos curriculares e avaliações diferenciadas)

f. ( ) Adaptações em recursos humanos (contratação de outros profissionais) g. ( ) Outras:____________________________________________________

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4. Na sua formação inicial teve alguma(s) disciplina(s) voltada aos estudos da educação especial?

( ) SIM ( ) NÃO

Caso sua resposta seja sim, como avalia esta(s) disciplina(s) na sua formação profissional?

a. ( ) Esta(s) disciplina(s) foi/foram de grande importância em minha atuação docente, já que a partir dela(s) sou capaz de compreender melhor algumas questões que definem o contexto escolar.

b. ( ) Estas disciplinas não conseguiram produzir grandes modificações em minha Formação docente.

c. ( ) Totalmente insignificantes.

5. Na sua opinião, de que forma estas disciplinas poderiam auxiliar verdadeiramente os discentes em formação?

6. Você sabe se o PPP da sua escola contempla o inclusão de alunos com NEES? De que forma?

7. Quando soube que iria ter uma criança incluída na sua turma qual foi o seu primeiro pensamento? Qual a sua reação?

8. Em sua opinião, que dificuldades, ou mesmo quais as barreiras enfrentadas pelos professores e auxiliares, para que haja a inclusão?

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9. Como tem se dado o processo de inclusão desse/a aluno/a na escola e na sala de aula? a. ( )Possui amigos na sala

b. ( ) Bom relacionamento com os demais c. ( )Apresenta dificuldades de interação

d. ( ) Apresenta-se com postura dependente dos demais

e. ( ) Relaciona-se de forma tranquila, mas sem grandes aproximações ou amizades f. ( ) Relaciona-se mais com a professora e/ou auxiliar da sala

10. .A partir da sua experiência e das suas observações, o que você tem a dizer sobre a inclusão de crianças com necessidades específicas na Educação Infantil? Qual o seu posicionamento?

a. ( )Não acredito no sucesso deste processo. Entendo que a escolarização destes sujeitos precisa se dar em escolas especiais.

b. ( )Acredito totalmente. A escola inclusiva é o melhor espaço para o desenvolvimento destes sujeitos.

c. ( )Acredito parcialmente, pois entendo que ainda precisamos de mudanças já que os desafios são grandes.

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