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As causas da interrupção precoce do aleitamento materno no Brasil

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BRUNA BENETTI BECKER

AS CAUSAS DA INTERRUPÇÃO PRECOCE DO ALEITAMENTO

MATERNO NO BRASIL

Ijuí/RS 2012

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BRUNA BENETTI BECKER

AS CAUSAS DA INTERRUPÇÃO PRECOCE DO ALEITAMENTO

MATERNO NO BRASIL

Artigo de revisão bibliográfica apresentado ao Departamento de Ciências da Vida da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul - UNIJUÍ - como exigência para obtenção de título de Pós Graduado em Nutrição Clínica.

Ijuí/RS 2012

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INTRODUÇÃO

Indiscutivelmente, nas palavras de Euclydes (2000, p. 259), o leite humano é o alimento ideal para o lactente, particularmente nos primeiros seis meses de vida, devido aos seus benefícios em termos nutricional e imunológico, sem contar o efeito psicossocial positivo da amamentação sobre o binômio mãe-filho.

O leite materno representa incontestavelmente o melhor alimento nos primeiros meses de vida. Vários estudos enfatizam as vantagens do aleitamento materno na promoção da saúde infantil (...). Contudo, a prática de amamentar, que era natural no início do século, hoje é resultado de uma opção materna que envolve uma complexa interação de fatores (CALDEIRA e GOULART, 2000).

Apesar de inúmeras vantagens e benefícios oferecidos pelo aleitamento materno, há algum tempo percebemos que essa prática não é mais tão comum como antigamente, embora alguns estudos demonstrem que esse quadro vem apresentando melhora.

A amamentação não é totalmente instintiva no ser humano, muitas vezes deve ser aprendida para ser prolongada com êxito, considerando-se que a maioria das nutrizes precisa de esforço e apoio constantes. Nesse sentido, as mulheres, ao se depararem pela primeira vez com o aleitamento materno, requerem que lhes sejam apresentados modelos ou guias práticos de como devem conduzir-se nesse processo, que na maioria das vezes tem como primeira referência o meio familiar, as amizades e vizinhança nos quais estão inseridas (ARAÚJO et al., 2008, p. 489).

Estudos nacionais recentes apontam para uma melhora nos índices de amamentação em relação aos anos anteriores. Caldeira e Goulart (2000) explicam

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que esse fato reflete uma tendência mundial e tem expressiva repercussão para a saúde das crianças brasileiras de modo geral.

A interrupção precoce do aleitamento materno e a conseqüente introdução de alimentos à dieta da criança faz com que ela fique mais exposta a agentes infecciosos, já que há contato com proteínas e substâncias estranhas. O leite materno é fator importante na formação da defesa orgânica do lactente, sem ele, a criança tem sua imunidade afetada e se expõe a um grande número de doenças.

O ato de amamentar deve ser cultivado de mãe para os filhos, ou seja, culturalmente, dentro de bases sólidas concebidas no seio familiar, social, por meio dos meios de comunicação e do sucesso atingido por outras mulheres que passaram por tal experiência, devendo alicerçar-se em um instrumental teórico e sistematizado de campanhas direcionadas não só à mulher, mas para toda a comunidade, com efetiva participação das mulheres e dos agentes de enfermagem, de outros profissionais assessorados pela mídia, alertando da necessidade de assegurar à puérpera a tranqüilidade de vivenciar o período pós-parto (ICHISATO e SHIMO, 2002, p. 583).

Pretende-se estudar quais as principais causas da interrupção precoce do aleitamento materno, analisando também a composição do leite materno e a importância do aleitamento nos primeiros meses de vida do lactente.

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2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica. Foram selecionados artigos publicados entre 2000 a 2011 nas bases de dados Lilacs, MEDLINE, SciELO, BIREME e Cochrane Library. Utilizaram-se as palavras-chave amamentação e saúde da mulher (e suas versões em inglês).

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3 Revisão da Literatura

3.1 IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO

Sabe-se que o leite materno é o alimento mais completo para o lactente nos seus primeiros meses de vida. A sua composição, de acordo com Euclydes (2000, p. 259), pode variar consideravelmente entre mulheres e grupos étnicos e também em amostras obtidas do leite de uma mesma mulher. “Dentre os macronutrientes, a gordura é o mais variável e a lactose parece ser o mais estável. O conteúdo de vitaminas varia em função da dieta materna, enquanto a maioria dos minerais sofre oscilações menos intensas.” (EUCLYDES, 2000, p. 259)

O leite materno contém vitaminas e água suficientes; propriedades antiinfecciosas e fatores de crescimento; proteínas e minerais em quantidades adequadas e de fácil digestão; quanto aos lipídios, é suficiente em ácidos graxos essenciais, lipase para digestão; ferro em pouca quantidade e de boa absorção (PARIZOTTO e ZORZI, 2008, p. 467).

O colostro é o primeiro produto da secreção láctea e permanece, em média, até o 4º ou 7º dia após o parto. A diferença entre o colostro e o leite maduro é quanto a sua composição e características físicas. Do 7º ao 21º dia pós-parto, as alterações na sua composição continuam ocorrendo e nessa fase o leite é chamado “leite de transição”. Depois do 21º dia, sua composição torna-se relativamente mais estável, passando a ser caracterizado como leite maduro. (EUCLYDES, 2000, p. 261)

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O aleitamento materno é de suma importância para que o lactente cresça com saúde. Aliado aos bons cuidados dispensados a criança, o leite materno protege inegavelmente contra doenças infecciosas, reações alérgicas e doenças crônicas, fazendo com que a incidência dessas doenças seja reduzida.

O colostro é rico em anticorpos e atua como uma vacina, protegendo o recém- nascido contra infecções. Além dessa vantagem, ele tem a propriedade de facilitar o estabelecimento de uma flora intestinal predominantemente bífida e com efeito laxativo, ajudando na eliminação do mecônio (EUCLYDES, 2000, p. 261).

O leite materno, conforme Euclydes (2000, p. 273), supre quase que completamente as necessidades nutricionais do lactente durante os seus seis primeiros meses de vida, com exceção das vitaminas K e D. A deficiência de vitamina K é solucionada com sua administração em uma única dose via intramuscular logo após o nascimento do lactente. Já a vitamina D, pode ser reposta pela exposição da criança ao sol ou por meio de suplementação.

Tendo em mente o fato de que o desmame precoce traz conseqüências no desenvolvimento motor-oral, na oclusão, na respiração e nos aspectos motores-orais da criança, ressalta-se a importância do aleitamento materno. O incentivo a essa prática e o adequado padrão de sucção é a base para a prevenção de alterações fonoaudiológicas no que se refere ao sistema motor-oral (SILVA et al., 2011).

Outros benefícios do aleitamento materno são a estimulação do vínculo afetivo entre mãe e filho, o desenvolvimento cognitivo da criança e sua saúde bucal. De acordo com Euclydes (2000, p. 285), a amamentação desempenha papel importante no processo de amadurecimento da função oral, estimulando a tonicidade muscular e o desenvolvimento da ATM (articulação temporomandibular) durante o período em que os dentes ainda não erupcionaram.

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Além de ajudar na recuperação do peso anterior a gestação, o aleitamento favorece a ligação entre a mãe e o bebê, além de sua total praticidade, sendo que o alimento está pronto, sem necessidade de preparo e esterilização, bastando apenas dar o peito.

O ato de sucção do bebê aliviará a mãe do desconforto dos seios cheios e pesados, e promove no organismo da mãe a secreção de um hormônio chamado prolactina que é responsável pela produção de leite e, também, pela inibição da ovulação, o que pode até servir como um método anticoncepcional, retardando o risco de uma nova gravidez. A amamentação reduz riscos de câncer de mama, ovário e útero e protege a mulher contra osteoporose (NOGUEIRA, 2011).

Durante o aleitamento materno há a produção da ocitocina, hormônio responsável pela contração dos alvéolos onde o leite é produzido, além de gerar as contrações que diminuirão o volume do útero ajudando a expulsar a placenta, conforme Andrade (2011). As mães que amamentam ficam protegidas contra a anemia, já que demoram mais tempo para menstruar, evitando assim perder o seu "estoque de ferro" com o sangramento mensal.

A amamentação está relacionada com a diminuição do risco de osteoporose na vida madura. (...) Dentre as mães diabéticas, que necessitam uso de insulina, constatou-se que no pós parto as que amamentam têm uma redução significante no uso de doses de insulina em relação às mães que dão mamadeira. (...) A amamentação estabiliza o progresso da endometriose materna. Não amamentar aumenta o risco de câncer de ovário e câncer endometrial (ANDRADE, 2011).

Alguns estudos verificaram que devido ao tipo de parto realizado, algumas mães têm o risco aumentado de não iniciar ou interromper precocemente a lactação. Esse risco tem sido associado principalmente com as cesarianas.

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Em alguns casos, embora a mãe tenha decidido amamentar, em razão de obstáculos que independem de sua vontade, como doenças físicas e/ou psicológicas, isso se torna inviável. Um bom exemplo dessa inviabilidade é o caso das mães portadoras do vírus HIV, que quando não transmitem o vírus na gestação ou no parto, não devem amamentar seu filho, recorrendo aos Bancos de Leite ou permitir que outra mulher, via de regra a avó da criança, amamente seu filho. Deve-se distinguir, porém, doenças em que não há o menor problema em amamentar, por exemplo, mães com anemia são beneficiadas com a não menstruação no início do aleitamento. Essas alterações devem ser avaliadas pelo médico que orientará se a mãe deve ou não amamentar. Andrade (2011) explica ainda que, biologicamente, as mamas de qualquer mulher estão sempre prontas para produzir leite quando há estímulo, uma mostra disso são as mães adotivas que produzem leite quando oferecem o peito e decidem amamentar o filho adotivo.

A produção do leite se dá por um reflexo neuro-hormonal e quanto mais o lactente mama, mais leite é produzido. O problema pode ser proveniente de ordem social, onde ansiedades, tensões, dúvidas, estresse e inseguranças inibem a produção do leite pela mãe.

Conforme Parizotto e Zorzi (2008, p. 466-467), desde 1990, o Ministério da Saúde intensifica o incentivo à amamentação e o aumento de investimentos nessa área. No País, existem projetos, legislação, campanhas e órgãos que promovem o aleitamento materno. O Banco de Leite Humano é um exemplo e consiste num centro especializado obrigatoriamente vinculado a um hospital materno ou infantil, responsável pela promoção do aleitamento materno e execução das atividades de

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coleta, processamento e controle de qualidade de colostro, leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição, sob prescrição do médico ou da nutricionista. É um estabelecimento sem fins lucrativos, cujos produtos não podem ser adquiridos ou distribuídos.

3.2 INTERRUPÇÃO PRECOCE DO ALEITAMENTO MATERNO

A prática de introduzir prematuramente alimentos, como sucos e chás, entre as mamadas é uma prática muito comum na sociedade. Isso interfere no aleitamento materno, fazendo com que seja deixado de lado antes do tempo indicado.

Em relação à amamentação exclusiva (AME), observou-se que essa já não é uma prática universal logo após o nascimento. Ao final do primeiro mês de vida apenas 48% das crianças recebem exclusivamente o leite materno. Nos meses seguintes, há um contínuo declínio: ao final do segundo mês de vida, apenas 28% das crianças permanecem em aleitamento materno exclusivo e aos quatro meses essa proporção é de aproximadamente 8%. A duração mediana da amamentação exclusiva, idade em que metade das crianças encontra-se em uso apenas do leite materno, foi inferior a um mês (27 dias) (CALDEIRA e GOULART, 2000, p. 3).

A ignorância quanto à importância da condição nutricional do lactente também leva as mães a deixarem de amamentar logo cedo. Outro fator que interfere é a crença de que os sucos e chás dados às crianças diminuem a incidências de cólicas.

Conforme Escobar (2002), a relação entre a escolaridade materna e o tempo de amamentação é um tema complexo na literatura. Embora alguns estudos não tenham evidenciado associação entre esses fatores, a maioria demonstra que há influência.

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O desmame também pode ser justificado, de acordo com Frota et al. (2009), por alguma deficiência orgânica da mãe, algum problema com o bebê, atribuição de responsabilidades à mãe, mudanças na estrutura familiar, nível socioeconômico, grau de escolaridade, idade, trabalho materno, urbanização, condições de parto, incentivo do cônjuge e de parentes e a intenção da mãe de amamentar, demonstrando uma associação entre fatores maternos, do recém-nascido e o contexto no qual se encontram.

Os casos de desmame precoce, de acordo com Araújo et al. (2008, p. 491), talvez se devam também ao fato de a mulher atual ter uma vivência mais ansiosa e tensa e, possivelmente, à falta de um suporte cultural que havia nas sociedades tradicionais, nas quais as avós transmitiam às mães informações e um treinamento das mesmas em relação ao aleitamento, incentivando-as para tal.

Ao longo deste século, a mulher vem, de forma gradativa, afastando-se da função de amamentar seus filhos. Principalmente o novo papel da mulher na sociedade, o cuidado com o corpo e a crença de que a amamentação torna as mamas flácidas, a família nuclear constituída de mãe, pai e filho, dificultando a transmissão natural dos costumes antigos, a invenção da mamadeira, a refrigeração e a pasteurização contribuíram para o decréscimo do aleitamento materno e o apogeu do aleitamento artificial (ICHISATO e SHIMO, 2002, p. 582).

Um fator observado em alguns estudos ressalta que a influência rural nas cidades tem diminuído a incidência do desmame precoce. Caldeira e Goulart (2000, p. 6) explicam que as comunidades rurais têm hábitos mais tradicionais: frequentemente iniciam a amamentação e a mantêm por mais tempo, porém introduzem outros alimentos muito precocemente.

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Três variáveis foram associadas com a duração do aleitamento materno, relatam Silveira e Lamounier (2006, p. 76): risco de interrupção precoce 1,59 vez maior se a escolaridade paterna for maior ou igual ao segundo grau completo; 1,52 vez maior quando o pai não reside com a criança e 3,07 vezes maior quando as crianças usaram chupeta. Assim sendo, maior escolaridade paterna, uso de chupeta pela criança e o fato de o pai não residir com a criança foram os fatores associados com menor duração do aleitamento materno.

De acordo com Maria Helena Hasselmann (apud ALCÂNTARA, 2008), os sintomas de depressão no pós-parto imediato podem levar à interrupção precoce do

aleitamento materno em virtude de sentimentos de baixa auto-estima e

autoconfiança, o que pode gerar na mãe uma percepção exagerada das dificuldades para amamentar. Essas mães perdem a confiança em seu papel materno, deixando de perceber os benefícios da amamentação.

Os fatores relacionados com o desmame precoce encontrados foram: uso da chupeta, hospitalização da criança, escolaridade materna e paterna, sintomas depressivos da mãe, influência das avós, intercorrências nas mamas no puerpério, crenças e valores das mães, entre outros (SALES e SEIXAS, 2008).

Conforme Volpini e Moura (2005), em estudo realizado no distrito noroeste de Campinas/SP, os motivos alegados para o desmame precoce foram: o fato de o leite ter secado, a rejeição do leite materno pelo bebê, trabalho materno, doença materna, dores ao amamentar, problemas na mama e doença da criança.

Estudo relatado por Caldeira e Goulart (2000, p. 6) dispõe que o principal motivo apontado pelas mães para introdução precoce de outros alimentos aos seus

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filhos é a crença de que o leite materno não era suficiente como fonte de alimentação para o lactente. A segunda razão apresentada pelas mães para o desmame precoce foi de que o leite havia secado, por uso de medicação, questões emocionais, físicas e demais fatores. Outros motivos apresentados para o desmame precoce foram indicação médica, volta ao trabalho e desinteresse pela criança.

Embora o aleitamento denote grande importância e apresente uma enormidade de vantagens, explica Araújo et al. (2008, p. 491), existem situações que exigem a necessidade de inibir ou suprimir a produção do leite materno. Uma dessas necessidades está atrelada à presença de certas doenças na mulher, o que contra-indica a amamentação e requer inibição da produção do leite, denominada de “prevenção da lactação”.

Contudo, são raras as enfermidades maternas com contra-indicação absoluta à amamentação natural: tuberculose ativa, hanseníase, portadores de vírus HIV, herpes, vírus simples nas mamas, moléstias debilitantes graves, desnutrição materna, necessidade de ingestão de medicamentos nocivos à criança por tempo prolongado e níveis elevados e contaminantes maternos (mercúrio ou fungicida) (ARAÚJO et al., 2008, p. 491).

Em vários países, conforme relato de Frota et al. (2009), a má nutrição de recém-nascidos e lactentes, problemas de crescimento, desenvolvimento e mortalidade estão associados ao desmame precoce e às práticas inadequadas de complementação alimentar. Isso se explica porque frequentemente ocorre a introdução precoce de alimentos não nutritivos (nos países desenvolvidos e em desenvolvimento) ou muito tardia (nos países em desenvolvimento). É correto afirmar que a maior ameaça às crianças, em termos nutricionais, ocorre durante o período entre os 6 e os 24 meses de idade, quando ocorre a transição da

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amamentação exclusiva para o consumo da dieta familiar e quando as taxas de doenças infecciosas, como diarréia, são mais altas.

Percebemos, em nosso cotidiano, que crianças desmamadas precocemente apresentam maior índice de internação hospitalar por infecções respiratórias, gastrointestinais e não comumente a alergia ao leite de vaca, incluindo, ainda, sensibilização a outros alimentos (soja, milho, feijão, tomate, laranja, ovo, etc.) (ICHISATO e SHIMO, 2002, p. 580).

Para que possamos solucionar o problema da interrupção precoce do aleitamento materno, é preciso identificar quais as causas exatas dessa ocorrência. Elas podem variar conforme a situação financeira da família do lactente, das condições físicas e psicológicas da mãe, de acordo com as crenças e costumes de cada região e ainda por demais fatores.

Verificou-se que a população de risco para o desmame precoce são as mulheres que apresentam estado marital não definido, moradoras em casas maiores que 5 cômodos e que não planejam a gestação. Entre as causas de desmame estão a prematuridade, trabalho profissional e ou estudo. A principal causa (64,7 por cento), porém, são os conceitos inadequados sobre o leite materno. Desta forma é necessária uma maior conscientização do grupo de risco (UCHIMURA et al, 2001).

Entretanto, Frota et al. (2009) afirma que, buscando melhora nesse quadro de desmame precoce e considerando-o um problema de saúde pública, deve-se exigir dos enfermeiros, nos diversos níveis de atendimento, o estabelecimento de práticas de educação em saúde direcionadas à amamentação, de acordo com as especificidades individuais, a fim de intervir no desmame precoce, apesar do reconhecimento das vantagens do aleitamento materno sobre o artificial.

Inseridas num contexto que exige, por parte dos profissionais da área de saúde, o descobrir e o assumir a responsabilidade de ser elemento de

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transformação, Mota (apud SILVA et al., 2011) ressalta que se fazem necessárias mudanças enriquecidas com orientações, incentivos, gestos de apoio e carinho, deixando de lado a visão romântica do aleitamento materno, enfatizado, muitas vezes, como um ato de amor, pois, mesmo não amamentando ao seio, a mãe é capaz de desenvolver o amor materno.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Indiscutivelmente o leite materno é o melhor alimento que pode ser oferecido às crianças nos seus primeiros tempos de vida. Ele preenche todas as necessidades nutricionais do lactente até os seis meses de vida e, além disso, possui anticorpos capazes de proteger as crianças de diversas doenças, diminuindo, inclusive, o risco de diarréia e desidratação.

Normalmente o desmame se dá de forma gradual, com a oferta de novos alimentos à criança, a partir do sexto mês de vida. Porém, como vimos neste estudo, por motivos de falta de conhecimento e orientação da mãe, crendices, escolaridade materna, falta de suporte cultural da família, entre outras causas, a amamentação é precocemente interrompida, deixando o lactente exposto as mais variadas doenças.

Por esses e outros motivos é que o aleitamento materno é incentivado por meio dos profissionais de saúde e das campanhas publicitárias. Ele é fundamental para o crescimento saudável das crianças além de oferecer inúmeros benefícios àquela que amamenta. Os nutricionistas exercem papel muito importante nesse incentivo e orientação, não apenas durante o aleitamento materno exclusivo, mas também na introdução dos alimentos após o sexto mês associado ao aleitamento materno complementar.

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REFERÊNCIAS

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precoce do aleitamento materno exclusivo nos dois primeiros meses de vida.

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