Mestrado em Enfermagem Comunitária
Qualidade de Vida dos Idosos Institucionalizados
Marta Maria de Almeida Correia Matos
agosto | 2013
Escola Superior
de Saúde
Q UA L I D A D E D E V I D A D O S I D O S O S
I N S T I T U C I O N A L I Z A D O S
Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Enfermagem Comunitária
Marta Maria de Almeida Correia Matos
Orientador
Profª Especialista Agostinha Esteves de Melo Corte
Coorientador
Profª Doutora Ermelinda Maria Bernardo G. Marques
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“Algumas pessoas, por mais velhas que sejam, nunca perdem a beleza;apenas a transferem do rosto para o coração”.
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Agradecimentos
Um trabalho é sempre o produto final da conjugação sincrónica de esforços e apoio de vários elementos. Este trabalho de investigação não foge à regra e por isso, quero expressar o meu profundo agradecimento traduzido num “ muito bem-haja”.
À Professora Agostinha Esteves de Melo Corte e à Professora Doutora Ermelinda Maria Bernardo Gonçalves Marques, pela sua indispensável e cuidada orientação, pela disponibilidade e pelo interesse com que acompanharam e incentivaram a execução deste trabalho.
Ao meu marido, Paulo Matos e à nossa princesa Maria, não posso deixar de enaltecer todo o carinho, paciência e amor que sempre manifestaram. O incondicional apoio, disponibilidade e incentivo nas horas mais difíceis, e por terem abdicado da minha companhia e ajuda no tempo em que decorreu a elaboração deste trabalho.
A todos os idosos institucionalizados que se disponibilizaram a colaborar na investigação efetuada.
A todos os que não refiro por esquecimento e que me tenham ajudado neste período de vida, pois foram de certo importantes para que tenha conseguido realizar este trabalho de investigação dentro dos meus limites, mas da melhor maneira possível.
Agradeço também a todas as colegas companheiras de serviço, que sempre estiveram presentes e me ajudaram nos momentos de stresse que apesar de não aparecerem nomeadas, ao lerem este parágrafo se reconhecerão.
4 ABREVIATURAS % – por cento art.º – artigo cit. – citado ed. – edição km² – Kilómetro quadrado nº – Número SIGLAS
CIF – Classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde CRSS – Centros Regionais de Segurança Social
DGS – Direção Geral da Saúde EASY – Elderly Assessment System EUA – Estados Unidos da América INE – Instituto Nacional de Estatistica
IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social
MMSE – Mini Exame do Estado Mental MS – Ministério da Saúde
OE – Ordem dos Enfermeiros
OMS – Organização Mundial de Saúde
PNSPI – Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas QV – Qualidade de Vida
SPSS – Satistical Package for Social Sciences UE – União Europeia
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INDICE DE FIGURAS Folha
Figura 1 – Pirâmide etária da União Europeia, em 1950, 2005 e 2050 (projeções), milhares de habitantes……… 16 Figura 2 – Pirâmide etária de Portugal, em 1950, 2005 e 2050 (projeções),
milhares de habitantes……… 17
Figura 3 – Pirâmide etária da população residente em Portugal entre 2001 e
2011……… 18
Figura 4 – Índice de envelhecimento da população portuguesa em 2011……… 19 Figura 5 – Distribuição percentual dos utentes em Residência e lar de idosos, por escalão etário e género em Portugal Continental, 2011………... 31 Figura 6 – Relação entre a população idosa (≥ 65 anos) e a população total por distrito e por concelho, 2011……….... 32 Figura 7 – Localização geográfica do concelho da Guarda……….. 48 Figura 8 – Estrutura do WHOQOL – Bref: Domínios e facetas………... 53
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INDICE DE QUADROS Folha
Quadro 1 – Teorias do envelhecimento………... 23 Quadro 2 – Principais causas de morte em Portugal………... 26 Quadro 3 – Domínios centrais da qualidade de vida e respetivos indicadores…... 40 Quadro 4 – Teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov-Lilliefors………... 56 Quadro 5 – Valores da consistência interna para a escala WHOQOL – Bref….... 56 Quadro 6 – Valores da consistência interna para o Índice de Barthel………….... 57 Quadro 7 – Distribuição dos idosos segundo as variáveis sociodemográficas e o
género………..……. 60
Quadro 8 – Distribuição dos idosos segundo as variáveis do contexto da
institucionalização………..…….. 63
Quadro 9 – Distribuição dos idosos institucionalizados segundo a situação de
saúde e o género………..…. 64
Quadro 10 – Distribuição dos idosos institucionalizados segundo o nível de
dependência e o género………..…….. 65
Quadro 11 – Distribuição dos idosos institucionalizados segundo a perceção da
QV………..….. 66
Quadro 12 – Distribuição dos idosos institucionalizados segundo a Faceta Geral
da QV………... 66
Quadro 13 – Resultados do estudo da comparação da perceção da qualidade de vida em função das caraterísticas sociodemográficas do idoso…………..………. 69 Quadro 14 – Resultados do estudo da correlação da perceção da qualidade de
vida com a idade do idoso……….. 70
Quadro 15 – Resultados do estudo da comparação da perceção da qualidade de vida em função das variáveis de contexto da institucionalização………..….. 72 Quadro 16 – Resultados do estudo da correlação da perceção da qualidade de vida com o nível de independência do idoso………...………. 73
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RESUMO
O processo de envelhecimento da sociedade a nível mundial apresenta consequências e repercussões em todos os domínios da vida quotidiana. Este envelhecimento tem um impacto direto nas relações no seio familiar, na equidade intergeracional, no estilo de vida, na união familiar e apresenta, cada vez mais, repercussões no plano económico, no plano da saúde e por conseguinte no plano político. A qualidade de vida tem um significado que abrange e reflete o conhecimento, a experiência e os valores que o indivíduo adquire ao longo da sua vida. Na velhice, a qualidade de vida é avaliada de forma multidimensional, relacionada com critérios sociais e normativos, bem com intrapessoais, e que dizem respeito às relações atuais, passadas e prospetivas, entre o idoso, muitas vezes institucionalizado e o meio que o rodeia.
A presente investigação teve como principal objetivo determinar a perceção que os idosos institucionalizados têm da sua qualidade de vida. Trata-se de um estudo de natureza quantitativa, não experimental, transversal e descritivo-correlacional, em que a amostra foi constituída por 90 idosos institucionalizados no concelho da Guarda. Para a recolha dos dados, utilizou-se um formulário de caraterização sociodemográfica, o Índice de Barthel e a Escala WHOQOL – Bref.
Com o presente estudo, pudemos constatar que os idosos percecionam melhor qualidade de vida no Domínio Social, seguindo-se o Domínio Ambiental, o Domínio Psicológico e por último o Domínio Físico. Como fatores determinantes da qualidade de vida dos idosos, identificámos a idade, o género, as habilitações literárias, a iniciativa da institucionalização, o tempo de institucionalização, o facto de receber visitas e o nível de independência que estes apresentam.
Para aumentar a qualidade de vida do idoso institucionalizado é essencial, o bem estar fisico, psicológico e social. Assim, as instituições devem encarar o idoso como ser único, abordando-o de forma individual, permitindo que este se adapte à instituição nos seus timings e assim possa viver com qualidade de vida; a promoção da participação da família nas diferentes fases do processo de adaptação à institucionalização e a criação de programas e atividades para os idosos institucionalizados, de forma a manter a saúde, a independência, a autonomia, a auto-estima e por conseguinte, a qualidade de vida.
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ABSTRACT
The process of aging in modern societies all over the world presents consequences and repercussions in all plans of everyday life. Aging has a direct impact in relationships within families, in intergenerational equity, in the way of life, in familiar ties. It also has more and more reflections on economical, health and political fields. The quality in ways of living has a meaning which reflects the knowledge, the experience and the values acquired along a life time. In old age, wellbeing is evaluated in a multidimensional way related to social, normative and interpersonal criteria, concerning present, past and prospective relationships between the old person – commonly institutionalized – and his/her background.
The main target of this work is to determine the perception institutionalized elderly have of their own quality of life. It conveys a quantitative non-experimental transversal and descriptive correlational study, within a sample of 90 institutionalized old people in the region of Guarda. It was used a formulary of socio demographic characteristics – Barthel indices and WHOQOL scale - BREF.
So, it was showed that old people have a better perception of their wellbeing in the social domain, followed by the background, the psychological and finally the physical one. As determinant factors of wellbeing, they were identified age, gender, academic degree, initiative and time of institutionalization, visitors and independency level.
To increase quality of life among institutionalized old people, physical, psychological and social wellbeing is needed. Thus, institutions should face each old person as a unique being, approaching him/her in an individual way, allowing him/her to adapt the institution in his/her own timing, so that each of them could live with the desired quality of life. In the same way, promoting families´ participation in the different steps of adaptation to the institution as well as the creation of programmes and activities for institutionalized elderly should be achieved to keep their health, independence, autonomy, self-esteem and, therefore, quality of life.
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ÍNDICE Folha
INTRODUÇÃO……….. 11
CAPITULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO 1 – ENVELHECIMENTO DEMOGRAFICO……… 15
1.1 – A SITUAÇÃO DEMOGRAFICA EM PORTUGAL E NA REGIÃO CENTRO………. 17
2 – CARATERIZAÇÃO DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO…... 21
2.1 – AS TEORIAS DO ENVELHECIMENTO………. 22
2.2 – O ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO, PSICOLÓGICO E SOCIAL NO IDOSO……….. 25
2.3 – A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO IDOSO………... 28
3 – A QUALIDADE DE VIDA……….……… 35
3.1 – QUALIDADE DE VIDA: ANÁLISE CONCEPTUAL………. 35
3.2 – A QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO………….………... 38
CAPITULO II – ESTUDO EMPÍRICO 1 – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO………. 46
1.1 – DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA E OBJETIVOS DO ESTUDO…….. 46
1.2 – POPULAÇÃO E AMOSTRA……… 47
1.3 – VARIÁVEIS EM ESTUDO………... 50
1.4 – INSTRUMENTOS DE COLHEITA DE DADOS………. 50
1.5 – PRÉ-TESTE……… 53
1.6 – PROCEDIMENTOS FORMAIS E ÉTICOS PARA A COLHEITA DE DADOS……… 54
1.7 – PROCEDIMENTO PARA A ANÁLISE DOS DADOS……… 55
2 – APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS. 58 CONCLUSÕES E SUGESTÕES………. 74
BIBLIOGRAFIA………... 77
APÊNDICES……….. 86
APÊNDICE I: Instrumento de colheita de dados………..………. 87 APÊNDICE II: Pedido de autorização à equipa que validou o WHOQOL –
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Bref em Portugal……….. 88 APÊNDICE III: Pedido de autorização às instituições para aplicação dos instrumentos de colheita de dados e respetivas autorizações……….. 89 APÊNDICE IV: Consentimento Informado………... 90 ANEXOS………. 91 ANEXO I: Autorização formal para a aplicação do WHOQOL – Bref………. 92 ANEXO II: Autorização formal do Centro Social Paroquial de Nossa Senhora da Conceição, para a aplicação dos instrumentos de colheita de dados………... 93
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INTRODUÇÃO
A situação sociodemográfica em Portugal, de acordo com o Census 2011, apresenta um quadro de envelhecimento bastante acentuado, verificando-se a população idosa (com idade superior a 65 anos) em maior número que a população jovem (com idades inferiores a 14 anos), numa proporção de 19,1% para 14,8%.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), caracterizou o idoso como sendo um individuo com mais de 65 anos, independentemente do seu género ou estado de saúde.
Sendo o envelhecimento um processo natural, torna-se imperativo compreender a sua dimensão e a sua problemática, de forma a podermos programar melhor o futuro. Ferreira (2009:16), relata-nos que “…o envelhecimento é um processo lento e gradual e ocorre em diferentes ritmos de indivíduo para indivíduo e com consequências múltiplas, diversas e difusas”.
De facto, o envelhecimento assume-se, cada vez mais, como uma temática fundamental na preservação do futuro das populações.
Em Portugal, o envelhecimento demográfico é uma realidade, que acarreta consequências sociais, económicas e políticas, colocando em risco as gerações futuras, mas ainda assim é possível viver-se com qualidade de vida.
O conceito de qualidade de vida é altamente complexo, amplo e ambíguo. Este pode variar de cultura para cultura, de época para época e de pessoa para pessoa. A qualidade de vida está relacionada com a noção e com a perceção que cada um tem de si, dos outros e do ambiente que o rodeia. Quando avaliada, deve ser sempre numa perspetiva multidimensional. O WHOQOL Group, em 1995, definiu o termo qualidade de vida, dizendo que esta surgia como a “…percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações”. Assim, o grupo defendia que a qualidade de vida era algo de muito abrangente, influenciada de forma complexa pelas condições de saúde, pelo estado psicológico, níveis de independência, relações sociais, crenças pessoais e com o meio envolvente onde o individuo está inserido.
A qualidade de vida não depende apenas da saúde, da posse ou não de bens materiais, do ambiente que rodeia a pessoa, da sua realização pessoal, mas também do otimismo, do conseguir ultrapassar obstáculos na vida, e da capacidade de superar esses mesmos obstáculos, envolvendo-se com os outros que o rodeiam.
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No fenómeno do envelhecimento, a qualidade de vida percecionada pelos idosos é determinada por diversos fatores, tais como as suas condições de saúde, as relações sociais que estabelecem, o seu grau de escolaridade, a ocupação dos seus tempos livres, a sua capacidade económica e o seu bem estar psicológico. Assim, podemos considerar que a qualidade de vida na velhice poderá ser definida como uma avaliação multidimensional, guiada por critérios sociais, normativos e pessoais, relacionando o individuo idoso e o seu meio ambiente. A qualidade de vida percecionada pelos idosos irá incidir na avaliação da sua própria vida, sendo esta influenciada pelos valores que adquiriram, pelas expetativas pessoais e sociais que foram construindo ao longo da vida. Esta qualidade de vida percebida pelo idoso, e tendo em conta o ambiente que o rodeia, estará também relacionada com o local onde reside, seja em habitação própria, com familiares ou numa instituição como residências ou lares de idosos.
Ao longo do processo de envelhecimento, a admissão do idoso numa instituição é um momento que o marca. Ferreira (2002:393) diz-nos que “…a institucionalização significa, por um lado, o acto ou efeito de institucionalizar, e, por outro, os efeitos observados nos idosos que são integrados na instituição”. A institucionalização de um idoso, e no que concerne à sua familia, é quase sempre um processo difícil, normalmente utilizado quando se esgotam todas as possibilidades desse idoso ficar no seio da família. Por norma, as familias são “obrigadas” a institucionalizar os seus idosos quando não têm condições fisicas, financeiras ou psicológicas para poder cuidar destes. Assim, o “…acolhimento dos mais velhos, na residência dos filhos ou dos parentes, tem vindo progressivamente a ser substituído pela institucionalização do idoso em estabelecimentos vocacionados para o efeito.”.(INE, 2011:64).
Como futura Enfermeira Especialista na área de Enfermagem Comunitária, e tendo como principal área de intervenção os cuidados de saúde primários, é recorrente a interação e o contacto diário com idosos. Uma das áreas de envolvimento do Enfermeiro Especialista, considerando a faixa etária dos idosos, é o envelhecimento saudável e com qualidade de vida. Sendo a zona Centro do país uma região envelhecida (concelho da Guarda), consideramos ser pertinentevaliar a perceção que os idosos apresentam da sua qualidade de vida. Sendo certo que existem cada vez mais instituições que promovem o acolhimento de pessoas nesta faixa etária e, com o crescente aumento do número de idosos a frequentar estas instituições, julgámos importante direcionar essa avaliação aos idosos que se encontram institucionalizados.
Assim, e como ponto de partida para este estudo, surgiu a seguinte questão “Qual a perceção que os idosos institucionalizados têm da sua qualidade de vida?”
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Propôs-se, como objetivos gerais, avaliar a perceção que os idosos institucionalizados têm da sua qualidade de vida e identificar e analisar quais os fatores determinantes que a influenciam.
Este estudo é caraterizado como descritivo, analítico e transversal. Dos 704 idosos institucionalizados no concelho da Guarda, fizeram parte da amostra deste estudos 90 idosos.
Para o desenvolvimento desta investigação recorremos a vários instrumentos de colheita de dados, nomeadamente o Mini Exame do Estado Mental (MMSE), o questionário de caracterização sociodemográfica, o Índice de Barthel e a escala WHOQOL – bref.
O presente trabalho está dividido em duas partes, contendo cada uma diversos capítulos. A primeira parte visa enquadrar teoricamente o problema de pesquisa, através de uma identificação dos temas mais relevantes para o enquadramento da temática abordada. O primeiro capítulo aborda a questão do envelhecimento demográfico, no qual se faz referencia aos aspetos demográficos do envelhecimento e ao envelhecimento demográfico na União Europeia (UE), Portugal e na Região Centro.
No segundo capítulo contextualiza-se o tema com a caraterização do envelhecimento humano, onde se realizam algumas considerações às teorias de envelhecimento, ao envelhecimento biológico, psicológico e social e algumas considerações ao idoso institucionalizado. No terceiro capítulo, abordamos a qualidade de vida, no sentido amplo da expressão, realiza-se uma análise concetual da qualidade de vida seguindo-se vários estudos efetuados na área onde se salientam algumas das variáveis que interferem na qualidade de vida do idoso.
Na segunda parte do trabalho, procedemos à conceptualização do estudo empírico. O primeiro capítulo centra-se no enquadramento dos objetivos do estudo, passando-se de seguida à estratégia metodológica, onde se descreve a amostra, as variáveis do estudo, os instrumentos e os procedimentos de recolha de dados. No segundo capítulo, apresentamos os dados obtidos, assim como a análise e interpretação dos resultados da investigação (através de técnicas da estatística descritiva e da estatística inferencial). No terceiro capítulo relacionamos os resultados da investigação com os pressupostos teóricos, onde exploramos os resultados mais evidentes, as principais conclusões e algumas sugestões /implicações para a prática de cuidados que se julgam pertinentes e adequadas e que visam o incremento da qualidade de vida dos idosos.
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CAPITULO I
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– ENVELHECIMENTO DEMOGRAFICOA preocupação com o envelhecimento acompanha o Homem desde os primórdios, há tanto tempo quanto é possível verificar historicamente, através de testemunhos deixados pela existência humana.
Um dos acontecimentos mais importantes desde meados do século XX até aos dias de hoje é o processo do envelhecimento da sociedade a nível mundial, que apresenta consequências e repercussões em todos os domínios da vida quotidiana. Terá impacto direto nas relações no seio familiar, na equidade intergeracional, no estilo de vida, na união familiar e apresentará cada vez mais repercussões no plano económico, no plano da saúde e por conseguinte no plano político (Osório e Pinto, 2007).
“O envelhecimento demográfico (…) define-se pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total. Esse aumento consegue-se em detrimento da população jovem, e/ou em detrimento da população em idade ativa” (INE, 2002:188).
De acordo com dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2012), a percentagem de pessoas com 60 ou mais anos tem vindo a crescer drasticamente, o que não se verifica nas outras faixas etárias.
Imaginário (2008), descreve o envelhecimento da população mundial como um facto incontornável que se tem vindo a verificar, tanto nos países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento.
O envelhecimento demográfico é hoje uma característica dos países desenvolvidos, sobretudo na Europa que, futuramente tenderá a estender-se a todas as sociedades. Deste modo a demografia do envelhecimento pode ser definida em duas dimensões: não só a população total está a envelhecer como a própria população idosa está igualmente a envelhecer. As pessoas com 80 anos ou mais, designadas por “idosos muito velhos”, constituem hoje uma pequena parte da população, mas são o segmento que apresenta um crescimento mais rápido (Figueiredo e OMS, 2002).
Ferreira et al. (2006) e Oliveira (2010), descrevem o envelhecimento em duas dimensões: na base da pirâmide, quando a percentagem de jovens começa a diminuir demonstrando consequências a longo prazo ou seja, nas futuras populações ativas e no próprio dinamismo do mercado de trabalho. E no topo da pirâmide, quando a percentagem de idosos aumenta, com repercussões a curto prazo e dependendo o seu grau da maior ou menor longevidade da população.
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O INE (2011) refere que nos países desenvolvidos, em apenas um século, a percentagem de idosos ultrapassou a dos mais jovens. Os jovens passaram dos 45% para os 15%, enquanto que os idosos com mais de 65 anos, passaram de 5% para os 20%. Em 2050, a situação aumenta ainda mais na Europa, verificando-se uma percentagem de menos de 15% na população jovem contrastando com 25% na população idosa.
Como podemos observar na figura 1, a tendência na União Europeia, revela uma modificação da estrutura demográfica, onde se destaca um aumento significativo da população idosa com mais de 65 anos e uma redução da população com menos de 40 anos.
Figura 1 – Pirâmide etária da União Europeia em 1950, 2005 e 2050 (projeções), milhares de habitantes
Fonte:www.apdemografia.pt
Martins (2002), associa o declínio da taxa de natalidade a vários fenómenos, tais como a redução da nupcialidade, o casamento tardio, a emancipação da mulher, a sua maior participação no mercado de trabalho , a generalização dos métodos contracetivos e os encargos sociais acrescidos. Na mesma linha de pensamento, Martins (2004), também refere que o aumento da esperança de vida, que resulta da melhoria das condições sociais, tecnológicas e dos progressos da medicina contribuem neste sentido.
Assim, quando se fala em esperança média de vida podemos falar numa esperança média de vida à nascença ou pode-se falar numa esperança média de vida em qualquer idade.
Para Paúl e Ribeiro (2012:185), o envelhecimento da população é o “resultado do declínio da fecundidade e do aumento do índice de longevidade, tributário do aumento da esperança média de vida”.
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Segundo o INE (2011), deparamo-nos com um aumento da esperança média de vida entre 2001 e 2011, no caso das mulheres de aproximadamente dois anos e no caso dos homens aproximadamente de seis anos. Observamos ainda que as mulheres têm uma maior esperança média de vida, situada aproximadamente nos 82 anos e, no que diz respeito aos homens, a sua esperança média de vida está situada, aproximadamente, nos 76 anos.
1.1 – A SITUAÇÃO DEMOGRAFICA EM PORTUGAL E NA REGIÃO CENTRO
A modificação da estrutura demográfica observada na União Europeia, verifica-se igualmente na pirâmide etária de Portugal, como mostra a figura 2.
Figura 2 – Pirâmide etária de Portugal em 1950, 2005 e 2050 (projeções), milhares de habitantes
Fonte:www.apdemografia.pt
Uma das conquistas nos últimos anos foi o aumento da esperança média de vida, consequentemente, o aumento da população idosa, o que nos leva a concluir que Portugal é cada vez mais um país envelhecido.
De acordo com o Censos 2011, a população residente em Portugal é de 10 562 178 indivíduos, dos quais 5 046 600 são homens e 5 515 578 são mulheres (INE, 2012).
Comparando a população residente em 2011, com a dos Censos de 2001, verificamos uma redução do peso dos jovens (com menos de 15 anos de idade) de 16,0% para 14,9% , um aumento do peso de idosos (com 65 anos ou mais anos) de 16,4% para 19,1% e uma redução de cerca de 66,7% para 66,0 % da chamada população ativa (dos 15 aos 64 anos de idade).
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Analisando a figura 3 verifica-se que em 2001, 15.1% da população tinha entre 0- 14 anos e em 2011 apenas 13,7%. O grupo etário com 65 ou mais anos representava em 2001 cerca de 19,4% que em 2011 atingiu os 22,4%. Não existem sinais que o envelhecimento da população deva abrandar, pelo contrário, o INE (2012:20) conclui que “…a população mais envelhecida passou a ter maior importância (…) de sublinhar o acréscimo verificado na população com 70 ou mais anos que, em 2011 era de 16,6% da população, enquanto em 2001 era apenas de 13,6%”.
Figura 3 – Pirâmide etária da população residente em Portugal, 2001 e 2011
Fonte: INE, Estatisticas demográficas 2011 (2013:21)
Em Portugal o índice de envelhecimento passou de cerca de 102, em 2001, para 128 em 2011. O aumento do envelhecimento da população deixou de ser um fenómeno circunscrito ao interior do país, mas que tem vindo a ocorrer de forma generalizada em todo o território, como se verifica na representação cartográfica (figura 4).
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Figura 4 – Índice de envelhecimento da população portuguesa em 2011
Fonte: INE, Estatísticas demográficas 2011 (2013:35)
No que diz respeito ao índice de longevidade em Portugal, verificamos que existiu um aumento (embora, menos significativo) de cerca de 6,44% nos anos em estudo (41,42% em 2001 e 47,86% em 2011).
Em 2001 o índice de renovação da população em idade ativa em Portugal, era de cerca de 142,6%, comparando com os 103,2% em 2011.
Perista (2012:33), faz referência ao INE (2011) onde refere que “apesar da evolução significativa verificada nas últimas décadas, no que aos níveis de escolaridade diz respeito, esta é uma dimensão onde o País continua a revelar fragilidades notórias”.
Assim, verificamos que a situação concreta da população idosa, tende a tornar-se mais evidente, quando comparada com os baixos níveis de escolaridade que caraterizam a população em geral. De acordo com o INE (2011), o mesmo autor, faz alusão à percentagem de mulheres idosas sem qualquer nível de escolaridade completo que praticamente duplica quando se compara com o género masculino.
Na região Centro, e segundo o Censos 2011 a população residente é de 2 327 755 indivíduos, dos quais 1 111 263 são homens e 1 216 492 são mulheres (INE, 2012).
O índice de envelhecimento na região Centro agravou-se para 163 (130 em 2001), o que significa que por cada 100 jovens existem 163 idosos. Relativamente ao índice de longevidade, verifica-se um aumentou significativo, passando de 43,3% em 2001 para 49,9% em 2011 INE (2012).
A região Centro, apresentava um índice de renovação da população em idade ativa em 2001 de 126% que diminuiu em 2011 para 86%. Esta diminuição de cerca de 32%, significa
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que o número de pessoas a entrar no mercado de trabalho era significativamente menor ao número de pessoas que saíam (INE, 2012).
A taxa de analfabetismo na região Centro, em 2011 entre a população feminina era cerca do dobro da população masculina, respetivamente 26,70% e 51,80% (INE, 2011).
Como pudémos verificar, a região Centro de Portugal carateriza-se por ser uma região cada vez mais envelhecida. Abordaremos, no capítulo seguinte, como este envelhecimento populacional pode ser prejudicial no futuro desta região, abordando a temática do processo de envelhecimento.
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2 – CARATERIZAÇÃO DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO
O envelhecimento humano pode ser definido como um processo dinâmico e progressivo, onde há modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, consequência da ação do tempo. É um processo contínuo, complexo, universal e irreversível (Carvalho e Alencar, 1998).
Moniz (2003), afirma que a pessoa é um ser que comporta diferentes dimensões, a biológica, a psicológica, a sociológica, a cultural e a espiritual, e interage com o seu ambiente.
De acordo com Figueiredo (2007), apesar do processo de envelhecimento ser extremamente complexo e poder trazer inúmeros desafios ao indivíduo e às sociedades, deve ser perspetivado como um processo normal, universal, gradual e irreversível de mudanças e transformações que ocorrem com a passagem do tempo.
O envelhecimento é de acordo com Gonçalves (2009:8):
um estado em que se encontram as pessoas que, por razões ligadas à falta ou perda de autonomia física, psíquica ou intelectual, têm necessidade de uma assistência e/ou de ajudas importantes a fim de realizar os atos correntes da vida ou atividades de vida diária.
Oliveira (2010:9), aborda o envelhecimento como uma:
revolução, que apesar de muitas mazelas e perdas inevitáveis em todos os campos (…) tem também características positivas, como a sabedoria, a maturidade emocional, a capacidade de usar estratégias pró-ativas capazes de dar maior significado à vida.
Usualmente, a palavra “velho”, tem uma conotação negativa ou até mesmo depreciativa, razão pela qual se opte pela palavra idoso.
Sequeira (2010:7), afirma que “este facto está em grande parte associado à falta de consenso quanto à semântica e uso das palavras “idoso” e “velho”.
A OMS (2001:10), classifica cronologicamente a pessoa idosa como (…)” a pessoa com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento”.
Apesar de ser frequentemente utilizado, o critério da idade (65 anos), deixou de constituir um indicador exato para o início da velhice, beneficiando-se a existência de múltiplas idades passíveis de transição entre a idade adulta e a velhice (Sequeira, 2010).
A adoção deste critério prende-se com a dificuldade em definir a idade biológica uma vez que nem todas as pessoas envelhecem do mesmo modo nem ao mesmo ritmo.
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Morato (1986) citado por Carvalho (2011:164), refere que:
os conceitos ligados às palavras velho, envelhecer, velhice e envelhecimento são muito complexas. O adjetivo velho, no grau positivo, significa deteriorado e aplica-se a coisas, pessoas ou animais; como substantivo refere-aplica-se exclusivamente a pessoas de idade avançada; já como adjetivo no grau comparativo tem apenas um significado cronológico.
Robert (1994), citado por Oliveira (2010:26), descreve o envelhecimento como uma “perda progressiva e irreversível da capacidade de adaptação do organismo às condições mutáveis do meio ambiente”.
Fernandes (2000) citado por Moniz (2003: 49) refere que:
a idade é apenas um marcador da passagem do tempo e, enquanto variável explicativa do processo de envelhecimento (idade cronológica) não produz, em si, mudanças que, a acontecerem, têm por base uma complexa interação de vária ordem: biológica, psicológica e social.
O envelhecimento não depede de um só fator, mas sim de vários, assim, o desafio consiste em permitir que as pessoas vivam o mais tempo possível e nas melhores condições. As teorias do envelhecimento, surgem para tentar explicar o processo em si. Neste sentido, apresentamos de seguida algumas dessas teorias que ao longo do último século tentaram explicar o processo do envelhecimento.
2.1 – AS TEORIAS DO ENVELHECIMENTO
O envelhecimento é concetualizado segundo Netto (2002:10) como:
um processo dinâmico e progressivo, com modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam perda da capacidade de adaptação do individuo ao meio ambiente ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte.
Na tentativa de explicar este fenómeno, foram surgindo ao longo do século XX várias teorias explicativas.
Oliveira (2010) refere que Schroots (1996) classifica as teorias do envelhecimento em três períodos ( período clássico, moderno e recente) como se pode observar no quadro 1.
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Quadro 1 – Teorias do envelhecimento
Período clássico (dos anos 40 a 70 do século passado)
Teoria das tarefas de desenvolvimento
(Havighurst, 1953).
A realização de tarefas sucessivas, quando bem sucedidas, levam a um desenvolvimento com sucesso. As tarefas têm uma dimensão biológica, psicológica e cultural.
Teoria psicossocial do desenvolvimento da personalidade (Erikson, 1950, 1982).
Descrita em oito estádios de desenvolvimento. Para Erikson, a maturidade era vista como uma conquista do apogeu profissional e a velhice como o processo de autoaceitação.
Teoria da “reprodução” (counterpart theory)
(Birren, 1961).
O desenvolvimento presente reproduz o passado, sendo influenciado por ele. Para Birren, na velhice assiste-se a uma seleção do que houve de melhor nas fases anteriores.
Teoria do “desinvestimento”(disengagement theory) (Cumming e Henry, 1961)
O idoso centra-se mais no “eu” e envolve-se menos social e emocionalmente. Esta teoria foi reformulada nos anos 90 com o modelo da gerotranscendência.
Teoria da personalidade, da idade e do envelhecimento (Neugarten, 1968, 1996).
O idoso mantém a continuidade nos seus hábitos de vida.
Teoria cognitiva da personalidade e do envelhecimento (Thomae, 1970).
Integra os domínios bio-cognitivo-afetivo-social, privilegiando a perceção que o sujeito tem da sua situação e do próprio self.
Período moderno (dos anos 70 a 90)
Teoria do desenvolvimento e do
envelhecimento (Baltes, 1987; Baltes e Baltes,
1990).
Este processo permite envelhecer de um modo mais positivo, selecionando o mais importante, otimizando-o e usando eventuais compensações.
Teoria dos recursos reduzidos de
processamento (Salthouse, 1988, 1990).
Explica o declínio cognitivo associado ao envelhecimento (redução dos recursos, capacidade de atenção, memória de trabalho, velocidade de processamento.
Teorias da personalidade e do
envelhecimento segundo os modelos de estádios (Erikson, 1982,1986; Levinson et al.,
1978).
Erikson, explora mais a idade adulta e a velhice. Levinson, estuda a vida adulta.
Teoria da personalidade e do envelhecimento segundo os traços (Costa e McCrae, 1988,
1992).
Assiste-se a uma invariância estrutural fundamental da personalidade ou das disposições/traços básicos ao longo do tempo, e mais particular na segunda metade da vida.
Período recente (iniciando nos anos 80)
Teoria da gerotranscendência (Tornstam,
1996).
Na velhice a visão materialista da vida vai cedendo lugar a uma visão mais transcendente que traz consigo uma maior satisfação com a vida.
Teoria gerodinâmica ou teoria da bifurcação
(Schroots, 1996).
Concebe o comportamento ramificado ao nível de funcionamento biológico, psicológico e social; qualquer um destes níveis pode dirigir-se para estruturas superiores (benéficas) ou inferiores (degenerativas).
Fonte: Elaboração prória, baseado em Oliveira (2010)
Berger e Mailloux-Poirier (1995:103) descreve as teorias gerais do envelhecimento biológico como sendo as: teoria imunitária, teoria genética, teoria do erro da síntese proteica, teoria do desgaste, teoria dos radicais livres e a teoria neuro-endócrina. As teorias do
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envelhecimento psicossocial, como sendo as: teoria da atividade, teoria da desinserção e a teoria da continuidade.
Oliveira (2010) citando Fernández- Ballesteros (2000:43-50), organiza as teorias explicativas do envelhecimento em teorias biológicas (genéticas, celulares, sistémicas, teorias dos eventos vitais biológicos e outras teorias, como a do desgaste), teorias psicológicas (teorias do desenvolvimento, teoria da atividade, teoria da continuidade) e teorias sociológicas (teoria da desvinculação, da subcultura, da modernização e outras teorias).
Das teorias acima referidas aquela que destacamos é a teoria da atividade. Esta teoria defende que a suspensão das atividades físicas e mentais (associadas à reforma), são um fator determinante para o aparecimento das doenças psicológicas e da retração social. Torna-se assim vantajoso, que o idoso mantenha os mesmos níveis de atividade que possuía enquanto membro ativo da sociedade e que substituam os papéis sociais perdidos com o processo de envelhecimento por novos papéis, de modo a que o bem-estar na velhice seja o resultado do desenvolvimento de atividades relacionadas a esses novos papéis sociais.
É neste contexto que surge o conceito de “Envelhecimento ativo” em 2002 pela OMS como “o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem” (OMS, 2002:12).
Os fatores/determinantes que segundo a OMS (2002), podem determinar um envelhecimento ativo, são: os pessoais (biológicos e psicológicos), sociais (apoio social, prevenção de violência, educação e alfabetização), comportamentais (estilos de vida saudáveis e participação ativa no cuidado da própria saúde), económicos (rendimentos, proteção social e oportunidades de trabalho digno), relativos ao ambiente físico (serviços de transporte público de fácil acesso, habitação e vizinhanças seguras e adequadas, água limpa, ar puro e segurança alimentar), aos serviços sociais e de saúde (direcionados para a promoção da saúde e prevenção da doença, de acesso equitativo e de qualidade).
O género e a cultura, são os fatores que influenciam o processo de envelhecimento, pois apresentam influencia sobre todos os determinantes.
Estes fatores devem ser utilizados de acordo com a perspetiva do ciclo vital, que reconhece que as pessoas não são um grupo homogéneo e que a multiplicidade individual aumenta com a idade.
O envelhecimento ativo pode significar para os idosos a oportunidade de continuarem a trabalhar e partilharem as suas experiências, desempenhando um papel ativo na sociedade e de viverem as suas vidas de maneira saudável e independente .
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Assim, para Perista (2012:7):
o envelhecimento ativo permite às pessoas reconhecerem o seu potencial para um bem-estar físico, social e mental durante todo o seu ciclo de vida, bem como promover a sua participação na sociedade através da garantia da necessária proteção, segurança e prestação de cuidados. Nesse sentido, a promoção do envelhecimento ativo exige uma abordagem multidimensional e a responsabilização e apoio permanente entre as gerações.
O ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações (2012), teve como objetivo a criação de uma cultura de envelhecimento ativo, que se baseia numa sociedade para todas as idades onde se apela à criação de ações políticas em domínios como o emprego, proteção social, educação e formação, saúde e serviços sociais, alojamento e infra-estruturas públicas. Portugal assumiu o compromisso de desenvolver várias iniciativas para promover a discussão, o intercâmbio de boas práticas e a sensibilização da população para a mudança cultural Direção Geral de Saúde (2013).
2.2 – O ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO, PSICOLÓGICO E SOCIAL NO IDOSO As alterações biológicas que se desenvolvem no decurso do envelhecimento resultam de interações complexas entre fatores intrínsecos e extrínsecos. Segundo Berger e Poirier (1995:126) “As alterações anatómicas e fisiológicas ligadas à velhice (…) começam a manifestar-se progressivamente a partir dos quarenta anos e continuam até à morte, isto é, até que o organismo se deixe de poder adaptar”. São estas mudanças estruturais e funcionais que fazem parte do processo de envelhecimento. As alterações estruturais observam-se nas células e tecidos, na composição global do corpo e peso corporal, nos músculos, ossos e articulações, pele e tecido subcutâneo e nos tegumentos. Por outro lado, as alterações funcionais estão diretamente relacionadas com todos os sistemas que compõem o organismo: sistema cardiovascular, respiratório, renal e urinário, gastrointestinal, nervoso e sensorial, endócrino e metabólico, reprodutor e imunitário e por último mas não menos importante, os ritmos biológicos e sono (Berger e Poirier, 1995).
Curb et al. (1990), cit. por Rendas (2001), enumeram as alterações que se verificam a nível dos vários sistemas em quatro grupos: perda total da função, diminuição da função (por perda de unidades anatómicas, sendo as unidades restantes capazes de desempenhar esta mesma função de forma satisfatória), incapacidade de manter a função (mesmo que as unidades anatómicas perdidas sejam em pequeno número), utilização de mecanismos de adaptação diferentes dos habituais. Neste sentido, todas as alterações decorrentes do processo
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de envelhecimento podem causar efeitos adversos, quer a nível da sua imagem corporal, quer no que diz respeito ao aparecimento de processos patológicos (Almeida, 2008).
Garcia (1994), citado por Miranda (2012:27), afirma que o processo de envelhecimento origina uma diminuição da capacidade de adaptação e de resposta às diversas necessidades do idoso, o que levará a uma consequente instabilidade do equilíbrio homeostático que por sua vez conduz a uma maior facilidade em adoecer levando muitas vezes a dependerem dos outros.
“As doenças não transmissíveis e de evolução prolongada, fruto das suas características insidiosas, incapacitantes e tendentes para a cronicidade, tornam-se as principais causas de morbilidade e mortalidade das pessoas idosas” (PNSPI, 2004:11).
De acordo com o PNSPI (2004) e o INE (2013) entre 2001 e 2011, as principais causas de morte entre os idosos portugueses foram as doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos (neoplasias).
Em 2011, estas duas causas de morte (doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos) foram responsáveis, respetivamente por 30,7% e 24,8% dos óbitos em Portugal. As doenças do aparelho respiratório surgiram em terceiro lugar com 11,6%.
Analisando o quadro 2, verificamos que em Portugal entre 2001 e 2011, as doenças do aparelho circulatório apresentaram um decréscimo, enquanto que a proporção de óbitos por tumores malignos e doenças do aparelho respiratório aumentou.
A mortalidade por doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, representavam em 2011 cerca de 5,4% das causas de morte.
Quadro 2 – Principais causas de morte em Portugal Principais causas de morte em Portugal
2001 (%)
2011 (%)
Doenças do aparelho circulatório 38,6 30,7
Tumores malignos (neoplasias) 20,8 24,8
Doenças do aparelho respiratório 8,5 11,6
Doenças do aparelho digestivo 4,2 4,4
Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas 4,2 5,4
Lesões e envenenamento 4,8 3,9
Suicídio 0,7 1,0
Tuberculose 0,3 0,2
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A importância das causas de morte varia com a idade e o género. As doenças do aparelho circulatório, com particular incidência a partir dos 65 anos de idade, foram em 2011 a principal causa de morte no género feminino apresentando uma maior proporção com 7 640 óbitos, comparativamente com o género masculino (7 590).
Em relação aos tumores malignos verificamos o oposto. A partir dos 65 anos de idade, foram em 2011 a principal causa de morte no género masculino apresentando uma maior proporção com 8 878 óbitos, comparativamente com o género feminino (5 830).
As alterações psicológicas ocorrem durante a velhice provocadas pelas mudanças que os idosos sofrem no seu quotidiano e que os obriga a desempenhar novos papéis, bem como a enfrentar novos desafios.
Costa (2003:12), enumera as alterações psicológicas que podem acompanhar o envelhecimento como sendo as seguintes:
lentidão de pensamento, enfraquecimento moderado e não progressivo da memória, diminuição do ritmo das capacidades vitais e de empreendimento, acentuação da prudência, alteração do ritmo do sono, relativa troca libidinal da genitalidade para o plano alimentar e para o interior do corpo.
O PNSPI (2004), aborda outros fatores psicológicos que são adquiridos ao longo do curso da vida e que têm uma grande influência no modo como as pessoas envelhecem. É o exemplo da auto-eficiência (a crença na capacidade de exercer controle sobre a sua própria vida) e está relacionada com as escolhas pessoais de comportamento durante o processo de envelhecimento. O saber superar adversidades determina o nível de adaptação a mudanças e a crises do processo de envelhecimento.
Importa também referir, que com o passar dos anos os idosos possuem uma imagem de si próprios “manipulada” pela estrutura social em que se encontram inseridos, estabelecendo limites para si próprios, que podem ou não corresponder às suas reais capacidades, podendo desencadear ou originar ilusões ou frustrações (Almeida, 2008).
Almeida (2008) e Fernández-Ballesteros (2009), salientam o facto que as alterações psicológicas ligadas à velhice devem ser combatidas com uma vida mais saudável, que englobe uma preparação prévia e atempada, assim como, se necessário, através da orientação sobre as consequências que daí podem advir, de modo a que o envelhecimento seja o mais natural possível apesar dos limites inerentes.
As alterações sociais, de acordo com Kane (1987), cit. por Mazo et al. (2001), devem ter em conta as relações sociais, as atividades sociais, os recursos sociais, o suporte social e a sobrecarga familiar.
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Relativamente às relações sociais, o aspeto a ter em conta diz respeito à reforma, que na maior parte dos casos faz com que a pessoa se afaste de uma atividade profissional, o que pode conduzir a um processo de perda de personalidade, bem como a uma marginalização social. Nas atividades sociais, o idoso é influenciado pela maneira como encara a vida (mais ou menos positiva) consoante o sucesso que essa pessoa teve no passado e na forma como ela viveu todas as outras fases da sua vida (morte do conjugue, por exemplo). Os recursos sociais, dizem respeito ao apoio familiar, aos serviços de apoio domiciliário e aos lares. Já o suporte social, baseia-se fundamentalmente na estrutura familiar que foi sofrendo alterações ao longo do tempo, provocados pelos comportamentos individuais e familiares associados aos processos demográficos.
Almeida (2008:66) menciona que não é fácil para as pessoas idosas viver com qualidade nesta sociedade, o que faz com que, do ponto de vista social, novos modelos de “atuação tenham que ser consideradas para impedir o isolamento e promover a sua completa integração”.
2.3 – A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO IDOSO
No final do século XV, a assistência prestada à população portuguesa de acordo com Jacob (2002) dividia-se em quatro tipos: albergarias, hospitais, gafarias ou leprosarias (instituições onde se acolhiam os incuráveis), mercearias (instituições que praticavam o bem pela alma ou saúde de alguém). Nos dias de hoje, apenas os hospitais subsistem, prestando cuidados de saúde à população (Almeida, 2008).
No século XVII, a mesma assistência à população deixou de ser marcada pela religiosidade para dar lugar a uma responsabilização do estado e respetiva sociedade civil (Almeida, 2008). Foi nesta linha de acontecimentos que no final do século XVIII, surge a Casa Pia, o primeiro marco de referência da assistência social pública/estatal em Portugal.
As Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), surgem pela primeira vez com a Constituição de 1976 (artigo nº 63) e posteriormente no artigo nº 1 do Decreto- lei nº119/83 de 25 de Fevereiro, onde são definidas como instituições constituídas por “iniciativa de particulares, sem finalidade lucrativa, com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, que não sejam administradas pelo Estado (…)” IPSS (2012).
Por conseguinte, surgiram os serviços estatais de segurança social e de organismos de poder local criados para servir os idosos, como os serviços de apoio domiciliário, centros de
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convívio, centros de dia, centros de noite, acolhimento familiar para pessoas idosas, residências e lares para idosos, os quais passamos a definir.
Serviço de apoio domiciliário – Resposta social, desenvolvida a partir de um equipamento, que consiste na prestação de cuidados individualizados e personalizados, no domicílio, a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou permanentemente, a satisfação das necessidades básicas e/ou as atividades da vida diária.
Centro de convívio – Resposta social, desenvolvida em equipamento, de apoio a atividades sócio recreativas e culturais, organizadas e dinamizadas com participação ativa das pessoas idosas de uma comunidade.
Centro de dia – Resposta social, desenvolvida em equipamento, que presta um conjunto de serviços que contribuem para a manutenção das pessoas idosas no seu meio sociofamiliar.
Centro de noite – Resposta social, desenvolvida em equipamento, que tem por finalidade o acolhimento noturno, prioritariamente para pessoas idosas com autonomia que, por vivenciarem situações de solidão, isolamento ou insegurança necessitam de suporte de acompanhamento durante a noite.
Acolhimento familiar para pessoas idosas – Resposta social que consiste em integrar, temporária ou permanentemente, em famílias consideradas idóneas, pessoas idosas quando, por ausência ou falta de condições de familiares e/ou inexistência ou insuficiência de respostas sociais, não possam permanecer no seu domicílio. Resposta comum à prevista para a população adulta com deficiência.
Residência – Resposta social, desenvolvida em equipamento, constituída por um conjunto de apartamentos com espaços e/ou serviços de utilização comum, para pessoas idosas, ou outras, com autonomia total ou parcial.
Lar de idosos – Resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada a alojamento coletivo, de utilização temporária ou permanente, para pessoas idosas ou outras em situação de maior risco de perda de independência e/ou de autonomia.
A definição de lares de idosos encontra-se no Decreto-lei nº 30/89 de 24 de Janeiro, nº 1 do art.º 6, que os descreve como sendo os “estabelecimentos de alojamento e prestação de serviços destinados a pessoas idosas”.
Osório e Pinto (2007), fazem referencia ao Despacho Normativo nº 12/98 de 25 de Fevereiro que adota uma definição muito mais ampla, referindo que lar de idosos “é o estabelecimento em que sejam desenvolvidas actividades de apoio social a pessoas idosas através do
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alojamento colectivo (…),fornecimento de alimentação, cuidados de saúde, higiene e conforto, fomentando o convívio e propiciando aanimação social e a ocupação dos tempos livres dos utentes”.
As atividades de apoio social a pessoas idosas referidas anteriormente devem ser desenvolvidas nos estabelecimentos aprovados pela Segurança social (2012), nomeadamente os seguintes:
1. Estabelecimentos de instituições particulares de solidariedade social (IPSS) – Instituições constituídas por iniciativa de particulares, sem finalidade lucrativa, com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de solidariedade e de justiça entre os indivíduos, que não sejam administradas pelo Estado ou por um corpo autárquico.
2. Estabelecimentos oficiais geridos por organismos da administração pública, central, regional e local – Centros regionais de segurança social (CRSS), onde a gestão pode ser exercida diretamente pelo próprio centro ou com acordo de gestão, por instituições de solidariedade social;
3. Estabelecimentos pertencentes a pessoas singulares ou coletivas que não se enquadrem nos dois tipos mencionados – diz respeito a todos os estabelecimentos, em que sejam exercidas atividades de apoio no ambito da segurança social (estando sujeitos a regime de licenciamento e de fiscalização da prestação de serviços e dos estabelecimentos).
Cardão (2009:16), descreve a institucionalização como sendo “ sempre um momento difícil, mais para uns do que para outros, pois o sentimento de perda é variável em função do sujeito da sua história de vida e da sua capacidade de fazer face ao luto.
A institucionalização do idoso é uma realidade para todas as famílias que por vários motivos se vêem obrigadas a recorrer a este tipo de serviços. Nesta perspetiva, a institucionalização quer seja solicitada pelo próprio ou por sugestão da família pode/deve ser vista como um ganho Pimentel (2001), Martins (2004) , Almeida (2008), Vaz (2009) e Ferreira (2011).
Considera-se idoso institucionalizado quando, a permanência deste se prolonga pelas 24 horas numa determinada instituição (Jacob, 2002).
Em 2011, em Portugal, as respostas dirigidas aos utentes idosos apresentaram um aumento de cerca de 43%, relativamente ao ano 2000, representando assim um aumento de cerca de 2 000 respostas sociais.
Ao nível de género e como podemos observar na figura 5, os utentes do género feminino, com uma esperança média de vida mais elevada, constituem a maioria dos utentes em lares de idosos, acentuando-se o seu peso com o aumento da idade (Carta Social, 2011: 31).
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Figura 5 – Distribuição percentual dos utentes em Residência e lar de idosos, por escalão etário e género em Portugal Continental, 2011
Fonte: Carta Social (2011:31) – Rede de serviços e equipamentos. Relatório.
Do total de utentes em Residência e Lar de Idosos, cerca de 83,8 % dizia respeito a pessoas com 75 ou mais anos, dos quais 44,9 % tinham 85 ou mais anos, o que confirma o peso significativo deste grupo etário. “Guarda, Castelo Branco e Faro constituem os distritos que apresentam um peso mais elevado de utentes com 85 ou mais anos, por oposição a Braga e Porto” (Carta Social, 2011:30).
Analisando a figura 6, verifica-se um notório contraste na distribuição territorial da população idosa entre os distritos/concelhos do interior do país, com maiores percentagens de pessoas idosas (22,9% a 44,4%) e os distritos/concelhos que compõem as zonas metropolitanas de Lisboa e Porto que apresentam populações mais jovens (15,5% a 17,9%) (Carta Social, 2011).
O distrito e o concelho da Guarda apresentam “uma percentagem de população idosa igual ou superior a 20,3%, sendo a média nacional de 19,7% (...) a relação entre o peso da população idosa na população total e a oferta de serviços no território continental apresenta um saldo positivo na maioria dos distritos a favor da oferta” (Carta Social, 2011:28).
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Figura 6 – Relação entre a população idosa (≥ 65 anos) e a população total por distrito e por concelho 2011
Fonte: Carta Social (2011:27) – Rede de serviços e equipamentos. Relatório.
A família assume extrema importância na prestação de cuidados ao idoso, mas, são vários os fatores que modificam esta situação, nomeadamente as alterações demográficas já referidas anteriormente, transformações familiares (diminuição de casamentos e nascimentos, casamentos e nascimentos tardios, aumento de divórcios) e a entrada da mulher no mundo do trabalho (Paúl e Fonseca, 2005).
O suporte social é um importante determinante para o envelhecimento saudável. Visitas frequentes à família, ter contatos pessoais e participar em atividades de grupo são fundamentais para uma velhice de qualidade Ramos (2001), Martins (2004), Almeida (2008), Carvalho e Dias (2011).
As causas da institucionalização são diversas. Pimentel (2005:82) enumera-as como sendo:
• o progressivo envelhecimento da população;
• a mobilidade geográfica, aliado às condições da estrutura familiar; • a morte do cônjuge;
• a habituação de viver sozinho;
• o receio que lhe aconteça algo e que não esteja ninguém por perto para o socorrer;
• a degradação e a vulnerabilidade das condições de habitação do idoso; • a desadaptação das casas às necessidades dos idosos;
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• o facto dos serviços alternativos de proximidade serem insuficientes para garantir a manutenção dos idosos no seu domicílio.
O processo de envelhecimento facilita o desenvolvimento de limitações funcionais a nível físico e sensorial, o que dificulta a autonomia nas atividades de vida diária levando à dependência nos idosos Bowling (1994), WHOQOL Group (1995), Silva (2003), Guimarães et al. (2004), Paúl e Fonseca et al. (2005), Paschoal (2006) e Miranda (2012).
As razões podem ser económicas, ou pela dificuldade de realizar sozinho as atividades de vida diária necessárias à sobrevivência e à manutenção das relações sociais (Miranda, 2012).
O Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS, 2009:8) descreve dependência como:
um estado em que se encontram as pessoas que, por razões ligadas à falta ou perda de autonomia física, psíquica ou intelectual, tem necessidade de uma assistência e/ou de ajudas importantes a fim de realizar os atos correntes da vida ou atividades de vida diária.
Fernandes (2000), Lemos (2005) e Lobo (2012), partilham da opinião que quanto maior o tempo de institucionalização, maior a debilidade do idoso, uma vez que a institucionalização promove o isolamento social e a inatividade física.
Lau & McKenna (2001), citado por Miranda (2012:25), evidencia que “a perda de autonomia nas atividades básicas da vida diária correlaciona-se fortemente com a capacidade funcional. Depender de outros no auto-cuidado, designadamente no vestir, alimentar-se e tomar banho, encontra-se associado a uma diminuição da qualidade de vida” e propícia a institucionalização.
Kane (1987), cit. por Born e Boechat (2006), após analisar doze estudos realizados nos EUA, concluiu que as principais causas para a institucionalização seriam: a idade, o diagnóstico de saúde, a limitação nas atividades de vida diária, morar só, estado civil, situação mental, etnia, ausência de suportes sociais e pobreza.
O mesmo autor refere que, por mais qualidade que a instituição possua, vai existir sempre uma interrupção com as vivências anteriores, passando a existir um certo afastamento do convívio social e familiar que obrigará o idoso a “familiarizar-se” com um conjunto de situações completamente novas tais como: novo espaço, novas rotinas, pessoas que não conhece e com quem vai ter que partilhar a sua vida.
Este novo facto pode, por isso, originar reações de angústia, medo, revolta e insegurança Boechat (2006).
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Como refere Paúl et al. (2005), o motivo de institucionalização de um idoso está relacionado com vários fatores, tais como as características sóciodemogáficas dos idosos, a congruência entre a personalidade, o ambiente e os padrões comportamentais, assim como a avaliação que fazem do meio, os recursos pessoais, a avaliação dos processos de mudança e os respetivos recursos para lidar com a situação.
Se esta interação de fatores não for bem sucedida, o processo de institucionalização desempenhará uma influência negativa no bem-estar do idoso. Assim sendo, Almeida (2008) refere que é fulcral que os idosos se tornem cada vez mais atores principais de todo o processo, pela mudança de mentalidades dos responsáveis pelas instituições, reconhecendo os idosos como seus parceiros e, em suma, encará-los como clientes que possuem os seus desejos e as suas ambições.
Neste sentido, é essencial que todos os idosos institucionalizados encarem o seu envelhecimento como uma continuidade da vida, não quebrando os laços com o passado, nem perspetivando um vazio para o futuro.
A institucionalização dos idosos, e a forma como esta é vivida e experienciada, não está desligada da qualidade de vida que os mesmos percecionam. Um idoso institucionalizado, mas que esteja adaptado ao meio evolvente, junto daqueles que são importantes na sua vida, terá certamente uma perceção de qualidade de vida diferente do idoso que foi obrigado a ir para um “lar”, que não o considera como sua residência, e que não se consegue adaptar a essa nova realidade.
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3 – A QUALIDADE DE VIDA
Um dos maiores desafios que a sociedade moderna atravessa e propõe aos indivíduos prende-se com o conseguir uma sobrevida cada vez maior, com uma qualidade de vida melhor, de forma a que os anos que sejam vividos numa idade mais avançada, sejam vividos com dignidade e plenos de significado. Sabemos à partida que o aumento da idade aumenta também a ocorrência de patologias e de perda das funções físicas, psíquicas e sociais, podendo mesmo significar anos de sofrimento para a pessoa e família, com sequelas, declínio funcional, aumento da dependência, perda da autonomia, isolamento do resto da sociedade e depressão marcada (Paschoal, 2006).
Mesmo com as condições sociais adversas em que o país se encontra e atravessa, em que a velhice é vista como uma época de tristeza, luto, perda de capacidades, impotência e dependência, conseguimos encontrar idosos que se sentem felizes e que se dizem contentes com a sua vida, referindo apresentar níveis elevados de qualidade de vida.
No sentido de melhor compreender este fenómeno, aborda-se de seguida a qualidade de vida no geral, a qualidade de vida relacionada com a saúde e mais especificamente a qualidade de vida do idoso.
3.1 – QUALIDADE DE VIDA: ANÁLISE CONCEPTUAL
O conceito de qualidade é difícil de definir, uma vez que o seu significado difere de pessoa para pessoa, é relacionado com padrões e graus de excelência. Quase todas as pessoas têm opinião própria acerca do que é a qualidade, confundindo-a muitas vezes com o “caro”, o “excelente”, o ser algo de “prestígio” ou simplesmente de “bom” (Garrido, 2004 cit. por Matos, 2006).
De acordo com Ribeiro (2002:2), a qualidade não é um conceito que seja de clara e inequívoca definição, uma vez que o termo é, sem duvida, subjetivo. Esta subjetividade reflete-se sobretudo quando o termo é aplicado em diferentes situações ou contextos: ”políticos (pretende-se a satisfação da população), gestores (preocupação com os gastos económicos), prestadores de cuidados (boas condições de trabalho onde se incluem recursos humanos e materiais suficientes) ou utentes (acessibilidade aos cuidados, relações interpessoais gratificantes, etc.)”
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O termo qualidade de vida, tem um significado que abrange e reflete o conhecimento, a experiência e os valores do indivíduo. Logo, não se torna fácil definir o que é, de fato, a qualidade de vida.
As definições de qualidade de vida são muitas, divergindo em diversos aspectos, de acordo com o autor que a elabora.
Em consonância com o WHOQOL Group (1995) e Schmidt (2004:58):
apesar de não haver uma definição consensual de qualidade de vida, existe uma concordância razoável entre os pesquisadores acerca deste construto, cujas características são a subjetividade, multidimensionalidade e bipolaridade.
Sempre que existirem fatores externos que afetem o meio ambiente, as condições de vida ou de trabalho das pessoas irá existir subjetividade na definição de qualidade de vida das mesmas. Multidimensionalidade, porque engloba a parte física, psicológica e social das pessoas. E bipolaridade pois a própria expressão possui dimensões positivas e negativas (Schmidt,2004).
Depois da chegada a este consenso, onde se definiram as carateristicas da qualidade de vida, seguiu-se a definição do termo qualidade de vida, sendo esta a “percepção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações" (WHOQOL GROUP, 1994).
Esta definição, conseguida através do trabalho da OMS pelo WHOQOL Group, acompanha a perspetiva de que a qualidade de vida refere-se a uma avaliação subjetiva, que tem incorporado o contexto cultural, social e ambiental. Desta forma, o conceito qualidade de vida é amplo e tem em conta não só a saúde física do indivíduo, mas também o seu estado psicológico, o seu nível de independência, as suas relações sociais, as crenças pessoais e as suas relações com o ambiente em que o sujeito vive (WHOQOL Group, 1995, cit. por Canavarro, Simões, Pereira e Pintassilgo, 2005).
Martins (2006:41) conclui que apesar de existirem diferentes abordagens no que respeita ao termo “qualidade de vida”, existem alguns consensos quanto aos aspetos de conceção do termo:
a) Integra domínios relacionados com o bem-estar, sejam eles avaliados em termos de satisfação, felicidade, bem-estar físico, velhice bem sucedida, relações interpessoais ou desenvolvimento pessoal;
b) Contém mais do que uma dimensão ou categoria, podendo haver inter-relação entre eles, ou seja, um indivíduo com diminuição da mobilidade pode ter reflexos na sua atividade social, que por sua vez afetará a sua satisfação para com a vida (Bowling, 1994);