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Gestão escolar e processos de inclusão na educação profissionalizante: um estudo de caso

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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM GESTÃO EDUCACIONAL. GESTÃO ESCOLAR E PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE: UM ESTUDO DE CASO. Monografia de Conclusão de Curso de Especialização. Daniela Fabiane Von Mühlen Sperb . Sapiranga, RS, Brasil  2015.

(2) GESTÃO ESCOLAR E PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE: UM ESTUDO DE CASO. Daniela Fabiane von Mühlen Sperb. Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação a Distância Especialização Latu-Sensu em Gestão Educacional, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do título de  Especialista em Gestão Educacional. Orientadora: Profª. Dra. Liliane Madruga Prestes . Sapiranga, RS, Brasil  2015.

(3) Universidade Federal de Santa Maria Centro de Educação Curso de Pós-Graduação a Distância Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional . A Comissão Examinadora, abaixo assinada, aprova a Monografia de Especialização. GESTÃO ESCOLAR E PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE: UM ESTUDO DE CASO Elaborada por Daniela Fabiane von Mühlen Sperb. Como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Gestão Educacional. COMISSÃO EXAMINADORA:. Liliane Madruga Prestes, Dra. (UFSM)  (Presidente/Orientadora). Débora Teixeira de Mello, Dra. (UFSM) . Natalia Pergher Miranda, Me. (UFSM) . Sapiranga, 27de novembro de 2015..

(4) Dedico este estudo aos alunos do CLAK que me auxiliaram na construção docente e ao meu amado Marido Daniel Schmitt Sperb..

(5) AGRADECIMENTOS. Agradeço primeiramente à Deus pelo dom da Vida e por guiar meus esforços. Este trabalho é fruto da dedicação e comprometimento de muitas pessoas, entre elas, agradeço imensamente à Querida Rosi, tutora presencial do Polo de Sapiranga, por ser amável e gentil, além de facilitar a nossa comunicação com a Universidade, sempre disposta em contribuir para o nosso sucesso. A incrível professora Lili que orientou este trabalho e o corrigiu, me estimulou a buscar novos caminhos para estudo e melhora profissional. Muito obrigada pela atenção e contribuições. Ao meu Marido Daniel Sperb, incansável, companheiro e amigo. Sempre disposto a tornar minha vida mais fácil para que eu possa me concentrar nos estudos e crescer profissionalmente. Agradeço por existir na minha vida e mais uma vez me ajudar a alcançar os meus objetivos. Agradeço aos meus avós, que entendem a minha ausência e fazem de tudo para me auxiliar. Finalmente, agradeço ao Colégio Luterano Arthur Konrath, em especial ao Coordenador do Curso Técnico em Informática, Professor Cristiano Schneider, por apoiar a minha ideia, intervir diversas vezes para que eu pudesse ter êxito na construção desta monografia. Muito obrigada à todos que por diversas maneiras contribuíram para o meu crescimento e para que este trabalho pudesse ser concluído. Que novas etapas se iniciem, e que este estudo e este tema ainda possam ser explorados..

(6) RESUMO. Monografia de Especialização Curso de Pós-Graduação a Distância Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional  Universidade Federal de Santa Maria. GESTÃO ESCOLAR E PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE: UM ESTUDO DE CASO  AUTORA: DANIELA FABIANE VON MÜHLEN SPERB  ORIENTADORA: LILIANE MADRUGA PRESTES  Data e Local da Defesa: Sapiranga, 27 de novembro de 2015. Polo UAB Sapiranga A sociedade brasileira depara-se constantemente com um cenário social que é fortemente marcado pela desigualdade, que se concentra nos grupos minoritários. Entre os grupos destacam-se as pessoas com deficiência que por vezes foram marginalizadas e sofreram os reflexos de uma sociedade excludente. A partir deste cenário evidencia-se o tema central deste estudo que é a Educação Inclusiva no Ensino Profissional. A metodologia utilizada foi inicialmente a pesquisa bibliográfica para o entendimento acerca do tema. Em capítulo específico, discorreu-se sobre as motivações acadêmicas e pessoais para a escrita deste estudo. Por fim, aplicou-se um questionário ao público alvo delimitado para este trabalho, sendo os gestores e professores do segundo ano do Curso Técnico em Informática do Colégio Luterano Arthur Konrath da cidade de Estância Velha (RS). Esta monografia caracteriza-se por estudo de caso. Após a coleta de dados aplicou-se a metodologia de análise de conteúdo para identificar as percepções dos grupos de entrevistados diante da Educação Inclusiva para o Ensino Técnico. A análise demonstra os resultados obtidos e destaca que há divergências de entendimento entre os participantes. Salienta-se a falta de estrutura pedagógica para atendimento do aluno com deficiência no ambiente escolar e o desafio de promover a efetiva inclusão educacional, social e laboral deste grupo minoritário. Finalmente, apresentam-se as considerações finais desta pesquisa e as referências utilizadas. O estudo aponta a necessidade de que as atuais políticas de inclusão ofereçam subsídios, tanto em termos de formação quanto materiais, recursos para que a gestão escolar possa efetivá-la de fato. Outro fator evidenciado é a necessidade de que tais politicas busquem fomentar e intensificar as estratégias já existentes que visam à articulação entre escola e mundo do trabalho a fim de que efetivamente os egressos de tais cursos possam exercer com plenitudade suas potencialidades no âmbito profissional. Palavras-chave: Inclusão. Gestão. Educação. Escolar. Políticas. .

(7) ABSTRACT. Monografia de Especialização Curso de Pós-Graduação a Distância Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional  Universidade Federal de Santa Maria. GESTÃO ESCOLAR E PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONALIZANTE: UM ESTUDO DE CASO  AUTORA: DANIELA FABIANE VON MÜHLEN SPERB  ORIENTADORA: LILIANE AMDRUGA PRESTES Data e Local da Defesa: Sapiranga, 27 de novembro de 2015. Polo UAB Sapiranga. Brazilian society has frequently faced a social scene that is strongly remarked by an inequality, centered in the minority groups. From these groups, it is detached the people with deficiencies who have been put in the edge, suffering, for several times, the reflections of an excluding society. From this scene it is highlighted the central subject of this study, which is the Inclusive Education in the Professional Studies. The methodology initially used in here was the bibliographic research in means of reaching a better comprehension about the subject in work. The academic and personal motivations for this study to be written have been exposed in a specific chapter. For last, a questionnaire was performed among a parcel of a target public lined up for this work, being them the managers and teachers of the second year of the Informatics Technician Course from Colégio Luterano Arthur Konrath of Estância Velha City (RS). This monograph is characterized by a case study. After the data’s collection, the methodoly applied on it was the analysis of content in order to identify the perceptions of the interviewed groups in face of the Inclusive Education in the Professional Studies. The analysis shows the results taken and detaches the divergences of comprehension on the matter from the participants part. It is highlighted the missing of pedagogical structure to support the student with deficiency at school and the challenge of promoting the effective educational inclusion of this minority group. Finally it is shown the final considerations of this research and the references used in it. The study points out to the need of the current policies to offer subsidies, being in terms of knowledge construction or even in materials and resources to have the school managing working for real. Another underlined fact is the necessity that such policies find ways to foment and to intensify the strategies that already exist to make possible the articulation between the school and the Professional world in order to effectively have the students who conclude technician courses able to exercise their potentials in the professional area at their best.  Key-words: Inclusion. Management. Education. School. Policies     .

(8) SUMÁRIO. RESUMO ............................................................................................................. 6 ABSTRACT ......................................................................................................... 7 INTRODUÇÃO ................................................................................................. 10 1 MOTIVAÇÕES PARA A ESCOLHA DO TEMA E PERCURSOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA ............................................................ 13 1. 2 Percursos Metodológicas da Pesquisa............................................................................ 15. 2 PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA................................................................................................... 18 2.1 Políticas públicas de inclusão e Mundo do Trabalho: a Lei das Cotas ....................... 29 2.2 Políticas públicas de Educação Profissional e processos inclusivos no contexto brasileiro: considerações preliminares que embasam o estudo .......................................... 34. 3 CONSIDERAÇÕES ACERCA DA ATUAÇÃO DO GESTOR ESCOLAR NA IMPLEMENTAÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCLUSÃO 40 4. BREVE. CARACTERIZAÇÃO. DO. CONTEXTO. ESCOLAR. PESQUISADO ................................................................................................... 44 4.1 O Aspectos Sociais ............................................................................................................ 47 4.2 Aspectos Pedagógicos ....................................................................................................... 48 4.3 O Curso Técnico em Informática .................................................................................... 49 4.3.1 Da Organização Curricular do Curso Técnico em informática ....................................... 51. 5 POLÍTICAS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS NO CONTEXTO PESQUISADO .............. 53 5.1 Concepções e práticas dos docentes participantes da pesquisa .................................... 57 5.2 Concepções e práticas da equipe diretiva no contexto pesquisado .............................. 64. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 71 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 78 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES ... 84 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS GESTORES ........... 86 APÊNDICE C – CÓPIA DO TERMO DE LIVRE CONSENTIMENTO.

(9) DOS RESPONDENTES ................................................................................... 88.  .

(10) INTRODUÇÃO. O presente estudo foi desenvolvido no decorrer do Curso de Especialização em Gestão Educacional EAD da Universidade Federal de Santa, modalidade a distância, ofertado no Pólo Sapiranga e busca ampliar os conhecimentos teóricos acerca dos processos de educação inclusiva desenvolvidos no âmbito da educação profissional enfocando, em particular, as funções desempenhadas pela gestão escolar na implementação de tais políticas públicas. A escolha de tal temática de pesquisa foi definida a partir dos estudos teóricos e reflexões acerca das práticas pedagógicas no âmbito da escola pública, os quais foram desenvolvidos no decorrer do curso de Especialização em Gestão Educacional. Tais estudos possibilitaram a ampliação dos conhecimentos acerca das atuais políticas públicas em educação e sobre as funções desempenhadas pela gestão escolar, nos enfoques administrativo, social e democrático visando promover o respeito e valorização das diferenças a partir de estratégias que potencializem as aprendizagens tanto individuais quanto coletivas. Cabe destacar que nas atuais políticas públicas vislumbramos avanços significativos no que tange à inclusão de pessoas deficientes no mundo do trabalho. Entre tais políticas, cito a inclusão da Educação Especial enquanto uma das modalidades da Educação Escolar a ser ofertada em todos os níveis da Educação Escolar (Educação Básica e Superior) conforme prevê a Lei 9394/96. Apesar dos avanços legais, na atualidade há um número expressivo de pessoas com algum tipo de deficiência que não estão inseridas em cursos profissionalizantes e pela necessidade de entendimento e adequação dos processos gestão escolar. Ao evidenciar o contexto histórico que se inicia pelos primórdios da sociedade até o presente momento, ressalta-se a construção dos direitos humanos ao tocante às pessoas com deficiência como também a ampliação e aplicação de uma legislação específica a este grupo. Ressalta-se as políticas públicas educacionais e de inclusão que buscam fortalecer a inserção da pessoa com deficiência no ambiente profissional através da educação inclusiva de qualidade. Neste aspecto, evidencia-se a importância da Gestão Escolar como agente administrativo, social e pedagógico, fortalecendo os princípios educacionais inclusivos e possibilitando a efetiva inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar. Em termos de mundo do trabalho, uma dos avanços para a inclusão foi a aprovação da Lei nº 8.213/91 que é conhecida popularmente com a Lei das Cotas e institui a reserva de vagas para deficientes em órgãos da administração pública e empresas privadas. Todavia, na prática, muitos destes trabalhadores acabam sendo alocados em espaços que não oferecem.

(11) 11   oportunidades de crescimento e desenvolvimento social e laboral. Outra situação enfrentada por um expressivo número de indivíduos deficientes é que acabam sendo encaminhados a determinadas vagas de trabalho, para as quais se exigem pré-requisitos muito aquém de suas potencialidades. Frente ao acima exposto, enquanto educadora e atuando numa escola de educação profissionalizante, ao deparar-me com tais situações busquei aprofundar meus estudos acerca de como a gestão escolar atua a fim de implementar as políticas de inclusão. Visando articular os estudos teóricos com o contexto no qual atuo, busquei investigar: Qual a percepção da gestão escolar sobre a inclusão dos alunos com deficiência no curso técnico em informática no Colégio Luterano Arthur Konrath de Estância Velha? Para atendimento da pergunta problema estabelecida neste estudo, evidencia-se o objetivo geral: “Perceber de que forma a Gestão Escolar organiza-se na inclusão de alunos com deficiência no curso técnico em informática no Colégio Luterano Arthur Konrath”, determinou-se os objetivos específicos que transcendem inicialmente à caracterização da Lei de Cotas e legislações adjacentes que promovem a inserção da pessoa com deficiência na sociedade e no meio laboral, destacar as políticas públicas da educação profissional e educação inclusiva, e por fim, ressaltar a importância da gestão escolar nos processos de implementação das políticas públicas de inclusão, em uma instituição de ensino particular no ensino técnico. Este estudo justifica-se também, pela trajetória acadêmica e profissional da pesquisadora, pois está em constante contato com alunos com deficiência no âmbito da educação de inserção produtiva e cursos técnicos. Ao longo do exercício da docência, foi possível compactuar com o desenvolvimento social e laboral dos alunos deficientes, identificando as necessidades do processo de inclusão efetiva e da possibilidade de melhor acolher este indivíduo. Portanto, o trabalho alinha-se com a construção acadêmica e profissional. Quanto à oportunidade do estudo, identifica-se inicialmente pela construção histórica de políticas públicas educacionais e de aspecto inclusivo, possibilitando a inserção de pessoas com deficiência no ambiente escolar. Observa-se também a constante atuação do Ministério do Trabalho e Emprego na fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas. E as mudanças nas políticas governamentais que ao longo do tempo constituiu e reformulou a legislação brasileira a fim de promover além da educação inclusiva, a inclusão laboral e social. E a viabilidade deste trabalho destaca-se pelo acesso às informações secundárias e primárias..

(12) 12   Em síntese, a justificativa deste estudo inicia-se pelos saberes desenvolvidos no decorrer do Curso de Especialização em Gestão Escolar, subsidiado pela necessidade pessoal e profissional de compreender a aplicabilidade do ensino inclusivo no curso técnico e por fim, do entendimento do papel da Gestão Escolar na administração deste processo. Verifica-se que há um extenso campo para explanação e desenvolvimento de práticas na área da Gestão Educacional que possibilita a inclusão de pessoas com deficiência nas formações profissionais. Com base no acima exposto, saliento que o foco deste estudo foi analisar quais as estratégias e as dificuldades enfrentadas pela equipe gestora da escola para implementar e potencializar os processos de inclusão no âmbito da educação profissional, em particular, a partir do estudo realizado com educandos do Curso Técnico em Informática ofertado no contexto pesquisado. A pesquisa está estruturada em cinco capítulos, sendo que inicialmente apresenta-se a contextualização da escolha do tema e os métodos de pesquisa utilizados. Na sequência, uma breve revisão de literatura sobre educação profissional, o trabalho e a educação profissional, a educação inclusiva e os reflexos da nova legislação acerca da pessoa com deficiência, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, evidenciou-se a Lei de Cotas, a aplicabilidade da educação inclusiva, o papel do docente e a Gestão escolar e educacional. Após a construção teórica, caracterizou-se a escola onde o estudo de caso único fora realizado, posteriormente as análises realizadas a partir do questionário e finalmente as considerações finais acerca deste estudo..

(13) 1 MOTIVAÇÕES PARA A ESCOLHA DO TEMA E PERCURSOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA. O presente estudo foi realizado no decorrer do Curso de Especialização em Gestão Educacional no processo de conclusão, porém nasceu muito antes da própria formação e necessidade da escrita. Durante minha infância, eu convivi com uma Tia que era uma pessoa com deficiência física. Cresci atenta aos cuidados que minha Avó dispunha sobre aquela frágil mulher. Minha Tia chamava-se Anita Schmidt, era natural da cidade de Rolante e faleceu em novembro de 2003. Durante dez anos morou com a minha Avó, sua irmã, e ficou sob seus cuidados. Minha Tia morava no porão de nossa casa, em um espaço designado e organizado para ela. Apesar de todos os movimentos da família, sentia que minha Tia estava isolada de todos, pois ela não trabalhava como os demais integrantes da casa e passava horas sentada à frente da televisão preto e branco do seu pequeno quarto. Surgiu então a oportunidade de participar de uma Associação para pessoas com deficiência física, denominada ADEFI situada na cidade de Novo Hamburgo (RS). Todos os dias o ônibus da ADEFI, buscava-a em frente à nossa casa pela manhã e no final tarde, retornava. Por vezes, eu queria saber o que ela fazia lá, se estava trabalhando ou o quê. Ela me contava que faziam trabalhos manuais, conversavam, tomavam café, enfim um processo de socialização. Os anos passaram e minha Tia precisou de mais cuidados, deste modo, ela passou a ser assistida por um espaço especializado. Nas oportunidades de visitas, me deparava com uma nova realidade. Uma casa abarrotada de pessoas com deficiências, todos os tipos de deficiência: física, sensorial, intelectual e múltiplas. O meu interesse não estava em descobrir como as deficiências surgiram na vida daquelas pessoas e sim entender como elas compreendiam e davam conta de suas vidas a partir da deficiência. No ano de 2011, iniciava a construção do meu trabalho de conclusão do curso superior em Administração. Muitas ideias surgiram na ocasião, mas eu tinha um desejo de construir um estudo sob os pilares do direito do trabalho. Naquele período, estava em voga a discussão sobre a Lei de Cotas, Lei de número 8.213/91, pois completavam-se vinte anos da existência e exigibilidade. Nas próximas seções será explicado a Lei de Cotas e seus reflexos para o ambiente profissional. Muitas empresas na época estavam sendo notificadas, autuadas e multadas em virtude do não cumprimento da referida Lei. Diante deste cenário, optei em discutir este tema no âmbito da educação, ou seja, a inclusão de pessoas com deficiência nas escolas da Rede Sinodal de Educação. A pesquisa estendeu-se até 2012, neste período.

(14) 14   entrevistei gestores, profissionais com deficiência e seus respectivos colegas de trabalho sem deficiência, para entender da interação entre as pessoas com deficiência e seus colegas e supervisores. Durante as entrevistas, percebi que por vezes as pessoas com deficiência estavam incluídas em espaços profissionais, porém sofriam da exclusão laboral, por conta da falta de conhecimento técnico e específico para o trabalho. No ano seguinte a minha formatura em Administração, ingressei no curso de Formação Pedagógica Docente, na Universidade FEEVALE em Novo Hamburgo (RS). Durante o período do curso, fui convidada a participar do Encontro Latino Americano de Educação, na ocasião, decidi escrever um artigo vinculando a Lei de Cotas e a Educação Inclusiva da cidade de Novo Hamburgo (RS). Entrevistei o senhor Darwin Kraemer, Coordenador das Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência da cidade de Novo Hamburgo (RS), para compreender como a cidade se mobiliza e organiza as políticas públicas educacionais para este público em específico. No artigo, abordei a Educação Inclusiva como uma ferramenta inicial para a inserção e inclusão de pessoas com deficiência no espaço profissional, pois promove o conhecimento e apropriação de competências para o ambiente de trabalho. Com o curso de Formação Pedagógica Docente, comecei a atuar como professora em escolas técnicas, entre elas, o Colégio Luterano Arthur Konrath, escola localizada na cidade de Estância Velha (RS). O curso técnico disponível na instituição é o curso de Informática, ele ocorre na modalidade sequencial ao ensino médio, sendo que a instituição recebe alunos de escolas estaduais e alunos que já concluíram o ensino médio. Ao ingressar como docente nesta instituição, deparei-me com estudantes com deficiências. Deficiências cognitivas e sensoriais. Sem um diagnóstico preciso, os professores desdobravam-se em métodos pedagógicos para conseguir dar conta dos alunos e promover um espaço de aprendizagem significativa. Cabe ressaltar que os professores do ensino técnico, normalmente, são profissionais em suas áreas e apesar da didática oportunizada nos cursos de Formação Pedagógica Docente, não há um entendimento pleno sobre a figura do educando e suas necessidades de aprendizado. Por vezes, reportamos aos alunos, os conhecimentos recebidos na graduação de forma sintetizada. Quando surgiu a oportunidade de cursar a especialização em Gestão Educacional, considerei pertinente dar sequência a este tema, verificando a percepção da Gestão Escolar na inclusão de alunos com deficiência no Curso Técnico em Informática, bem como, ouvir os demais professores, sobre a sua percepção. E a Gestão Educacional, no entendimento quanto às políticas públicas para educação inclusiva e inclusão de pessoas com deficiência. A ideia consolidou-se no decorrer do curso e principalmente após realizar algumas disciplinas, entre.

(15) 15   elas: Políticas Públicas e Gestão Educacional, pois pelos estudos realizados nesta disciplina, foi possível compreender as dimensões educacionais no tocante à oferta e promoção de igualdade social por meio da educação, além do atendimento aos grupos minoritários (PCDs, mulheres, negros, entre outros); disciplina de Gestão Escolar e Organização Curricular, que proporcionou um entendimento amplo sobre as esferas da administração vinculadas ao ambiente escolar, dos princípios da gestão democrática e da estruturação pedagógica curricular para atendimento das necessidades da comunidade em que a escola está inserida. A disciplina de Desenvolvimento Humanos em Diferentes Abordagens corroborou com a compreensão sobre o desenvolvimento das pessoas, dos alunos e dos profissionais nos diversos espaços que pertencem e como o meio ambiente poderá influenciar substancialmente o desenvolvimento deste indivíduo. E, a disciplina de Construção do PPP, proporcionou um entendimento acerca da constituição de um documento institucional, exigível com vistas à realidade escolar, um documento que deverá servir de apoio às ações e processos da escola, bem como auxiliar os profissionais na condução de suas tarefas. Finalmente, a disciplina de Enfoques de Pesquisa, proporcionou a operacionalização do projeto de pesquisa, vinculando aos saberes reconhecidos nos diferentes estudos e constituindo um estudo de meu interesse pessoal e profissional. As disciplinas relacionadas propuseram uma reflexão acerca do tema e a verificação da viabilidade do estudo, motivando ainda mais a escrita sobre educação inclusiva para o ensino técnico e a Lei de Cotas. Este estudo procura identificar esta relação, salientando o papel da Gestão Escolar na operacionalização de métodos e processos para atendimento das pessoas com deficiência e da Gestão Educacional, a fim de verificar as Políticas Públicas estabelecidas para este contexto, garantindo o direito inconstitucional de acesso à educação, da liberdade e da cidadania”.. 1. 2 Percursos Metodológicas da Pesquisa. Inicialmente, é importante conceituar o termo de metodologia científica que segundo Prodanov (2009, p. 19) significa:. […] preconiza uma série de regras através das quais o conhecimento deve ser obtido. Essas regras atribuem à produção científica um alto grau de confiabilidade na medida em que permitem apresentar a comprovação daquilo que afirmam. Não.

(16) 16   são, portanto, conjunturas, suposições, mas conclusões baseadas em dados da realidade. As regras ditadas pela Metodologia Científica, naturalmente, são gerais. Elas atuam no plano formal do Trabalho, ou seja, no modo de obter dados, de testalos e de apresenta-los. (PRODANOV, 2009, p. 19).. Conforme destacado por Gil (2008, p. 41) “pesquisa é o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos”. A metodologia utilizada para o desenvolvimento desta pesquisa apoia-se nos seguintes pilares: abordagem qualitativa, pesquisa exploratória através de levantamento bibliográfico em bases secundárias e aplicação de questionário em bases primárias, sendo estudo de caso único. Gil (2008) destaca que a pesquisa exploratória tem como objetivo principal o aprimoramento de ideias e proporcionar uma familiaridade com o problema de pesquisa. A pesquisa exploratória envolve o levantamento bibliográfico, os questionários com indivíduos que possuem conhecimento acerca do tema ou tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e por fim a análise de exemplos que forneçam uma compreensão. Segundo o autor, na maioria dos casos assume a forma de pesquisa bibliográfica ou de estudo de caso (GIL, 2008). As entrevistas em profundidade em fontes primárias caracterizam-se de um método para a obtenção de dados qualitativos (MALHOTRA, 2006). Esta pesquisa exploratória será dividida em dois momentos, inicialmente a pesquisa bibliográfica afim de coletar informações em dados secundários que subsidiará a continuidade do estudo. Destaca-se que a pesquisa bibliográfica é constituída com base especialmente em livros e artigos científicos elaborados por diversos autores. “A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 2008, p.45). A partir deste conceito acerca da pesquisa bibliográfica considera-se a fonte como um dado secundário, pois de acordo com Malhotra (2006, p. 124) “são dados que já foram coletados para objetivos que não os do problema em pauta”. São dados de fácil acesso que auxiliam na identificação e desenvolvimento do problema, além de auxiliar na interpretação dos dados primários coletados. Portanto, foram consultados autores relevantes em suas áreas de atuação para a composição do referencial teórico exposto no segundo capítulo desta pesquisa. Para uma ampliação dos assuntos pesquisados utilizou-se também sites de pesquisa amplamente difundidos. A coleta de dados ocorreu através de um questionário com perguntas abertas. O questionário foi encaminhado aos Gestores Escolares, sendo quarto gestores e docentes do.

(17) 17   Curso Técnico em Informática do Colégio Luterano Arthur Konrath, dois professores. O envio do questionário será pelo e-mail institucional da pesquisadora. Salienta-se a utilização do termo de livre consentimento na aplicabilidade da entrevista. Após a coleta de dados aplicou-se o método de análise de conteúdo, uma vez que,. […] propósito da análise de conteúdo é possibilitar ao pesquisador o entendimento através da perspectiva apresentada pelo respondente, por isso “as questões não apresentam uma categorização prévia de alternativas para a resposta. A qualidade das respostas depende, sobretudo, da habilidade de redação da pessoa em responder ao questionário”. (ROESCH, 2005, p. 169).. Finalmente, após a coleta e consolidação dos dados serão apresentados os resultados auferidos e as considerações acerca do estudo. A seguir apresentam-se os referenciais teóricos que embasam o presente estudo..

(18) 2 PROCESSOS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO: REVISÃO DE LITERATURA. No decorrer da história da humanidade as pessoas com deficiência conviveram com momentos de segregação, isolados, afastados e abandonados da sociedade. Posteriormente passaram pelo período de assistencialismo caracterizado pela prestação gratuita de serviços aos necessitados, promovidos inicialmente por instituições religiosas e, posteriormente os Estados Modernos assumem a partir da segunda metade do século XIX. Segundo Beghin (2005), o assistencialismo relaciona-se com à Igreja Católica. De acordo com Bahia (2006), na Idade Antiga cada tribo ou sociedade estabelecia distintos métodos para tratar as pessoas com deficiência. Muitos destes indivíduos eram abandonados para morrer, pois a deficiência caracterizava-se como um “castigo divino”. Durante a Idade Média, após o século XIII, as pessoas com deficiência eram amparadas pelas casas de assistência, dirigidas por estabelecimentos religiosos. A partir do ano de 1789, na Idade Moderna, surgiram ferramentas de apoio às pessoas com deficiência, algumas invenções criadas foram à cadeira de rodas, bengalas e as próteses. Destaca-se a criação do código Braille, desenvolvido pelo francês Louis Braille, esta ferramenta possibilitou as pessoas com deficiência visual o acesso à comunicação escrita (PIOVESAN; CARVALHO, 2010). Villatore (2009) contribuiu que somente com o aparecimento da Revolução Industrial surge uma nova estratégia sobre o corpo humano, não haveria mais a exposição para a mutilação, mas sim para aprimorá-lo, recuperá-lo e adestrá-lo. Houve um expressivo número de mutilados que surgiram decorrentes de acidentes de trabalho, desta forma, novas deficiências surgiram. “Fato que impulsionou a criação de programas assistencialistas: a previdência social e o atendimento a saúde” (PIOVESAN; CARVALHO, 2010, p. 170). De acordo com Villatore (2009), em 1975 a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Declaração de Direitos das Pessoas Deficientes e a proclamação do ano de 1981 como o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, cujo lema foi: “Participação Plena e Igualdade”. Do ano de 1983 a 1992 caracterizou-se a década da Pessoa Portadora de Deficiência. No ano de 2006, a Organização das Nações Unidas aprovou a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, apresentando um instrumento de inclusão e a necessidade de maior atenção a este tema. Segundo a Convenção, destacado pelo autor Villatore (2009, p. 455):.

(19) 19   Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas. (VILLATORE, 2009, p. 455).. No entanto, a inclusão efetiva no mundo do trabalho demanda de políticas públicas que garantam o acesso e também a formação de tais trabalhadores. Após muitas mobilizações globais, finalmente a sociedade reconhece os grupos minoritários como cidadãos, com direitos e deveres, inclusive no tocante as Políticas Públicas para Educação e a Justiça do Trabalho.. A Política Educacional (assim, em maiúsculas) é uma, é a Ciência Política em sua aplicação ao caso concreto da educação, porém as políticas educacionais (agora no plural e em minúsculas) são múltiplas, diversas e alternativas. A Política Educacional é, portanto, a reflexão teórica sobre as políticas educacionais (…) se há de considerar a Política Educacional como uma aplicação da Ciência Política ao estudo do setor educacional e, por sua parte, as políticas educacionais como políticas públicas que se dirigem a resolver questões educacionais (PEDRO; PUIG, 1998, apud, VIEIRA, 2007, pp. 55-56).. Ainda, segundo Vieira (2007), a Política refere-se à reflexão teórica sobre as políticas sociais, educacionais, públicas, entre outras. A Política reflete na constituição das ideias, ações governamentais e seus desdobramentos de atuação. As políticas contribuem para reproduzir uma “ordem estabelecida”, para transformá-la e alterá-la. As políticas executam, estão no extremo da atuação. A partir deste entendimento, busca-se compreender as políticas vinculadas à educação inclusiva. Ao resgatar o conceito histórico acerca da educação inclusiva, verifica-se inicialmente o Artigo 205º da Constituição Federal da República Brasileira (1988), que dispõem sobre o direito à educação.. Artigo 205: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1988).1. Ainda, de acordo com a Constituição Federal de 1988, destaca-se o Artigo 208 que trata do “direito ao atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência”.. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I.                                                         1 BRASIL, 1988. Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm> Acesso em: 22 set. 2015..

(20) 20   - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009). II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996). III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - educação infantil, em creche e préescola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola. (BRASIL, 1988).. Apesar da previsão constitucional de 1967, somente com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 que a inclusão socioeconômica das pessoas com deficiência, inclusive por meio laboral, tornou-se efetiva, além de apresentar um leque de garantias que asseguram a inserção econômica e social da pessoa com deficiência. Este grupo minoritário e desprivilegiado, que se depara com expressivas dificuldades para ingressar no mercado de trabalho (PIOVESAN; CARVALHO, 2010). Em 1988 a Constituição da República Federativa do Brasil representou juridicamente um marco histórico no tocante aos direitos humanos do país. A transição do regime autoritário militar instalado em 1964 abre espaço para o regime democrático pós-ditadura. A Constituição resgata o Estado de Direito e também a “universalidade dos direitos humanos, na medida em que. consagra. o. valor. da. dignidade. humana,. como. princípio. fundamental. do. constitucionalismo inaugurado em 1988” (PIOVESAN; CARVALHO, 2010, p. 27). O texto constitucional em seus artigos fundamenta os direitos à luz do princípio da dignidade humana, além de dispor especificamente os direitos acerca das pessoas com deficiência. O Artigo 1º, inciso IV retrata dos valores sociais e do trabalho. O Artigo 7º faz alusão à discriminação no ato da contratação e à remuneração do trabalhador com deficiência. A saúde e a assistência pública garantida às pessoas com deficiência são dispostas no Artigo 23º. O Artigo 203º expressa a garantia de subsistência às pessoas com deficiência, garantindolhe um beneficio mensal de um salário mínimo nacional. A proteção e a integração social dos cidadãos com deficiência, disposto no Artigo 24º. O Artigo 37º expressa a reserva de cargos e empregos públicos. A habilitação e a reabilitação das pessoas com deficiência estão subscritas no Artigo 203º, inciso IV. Finalmente, o Artigo 227º dispõe sobre a criação de programas de.

(21) 21   prevenção e atendimento especializado, além de promover a integração social das pessoas com deficiência. De acordo com a Organização das Nações Unidas, (ONU, 2006 apud SILVA; PLETSCH, 2010), apesar de todas as diferenças culturais, religiosas, raças, etnias idiomas, “[...] todas as pessoas têm em comum um atributo simples: são seres humanos, nada mais, nada menos” (ONU, 2006, apud SILVA; PLETSCH, 2010, p.1). Segundo esta perspectiva, destaca-se a “Declaração Mundial sobre Educação para Todos”. Durante os dias 5 a 9 de março do ano de 1990, em Jomtien na Tailândia, realizou-se “a Conferência Mundial sobre Educação para Todos”, que objetivou-se na identificação e contemplação das necessidades básicas de aprendizagem. Destaca-se para esta declaração, que a educação é um direito fundamental de todo o ser humano. Determinaram-se objetivos que fundamentalmente, recorrem as necessidades de promover uma educação de qualidade, acessível e possível a todos em qualquer lugar do mundo. (UNESCO, 1990).2 Ainda de acordo com Unesco (1990), o conceito de “Educação Básica para todos” discutida na Conferência reproduz as necessidades básicas de aprendizagem, destaca-se as setes frentes necessárias para que o indivíduo possa articular e suprir suas demandas:. (i) sobrevivência; (ii) o desenvolvimento pleno de suas capacidades; (iii) a conquista de uma vida e de um trabalho digno; (iv) uma participação plena no desenvolvimento; (v) a melhoria da qualidade de vida; (vi) a tomada de decisões conscientes; (vii) a possibilidade de continuar aprendendo. O entendimento da Educação Básica definida na Conferência perpassa o conceito de educação primária, pois dispõem da necessidade de aprimorar a aprendizagem além do espaço escolar, na família, nos centros de ensino-aprendizagem e na comunidade. As estratégias definidas na Conferência foram, entre eles destaca-se: c) Corrigir as desigualdades educativas garantindo o acesso dos grupos minoritários entre eles as pessoas com deficiência. (UNESCO, 1990).. Evidencia-se a existência da Declaração dos Direitos Humanos (UNESCO, 1948)3 e a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes (1975). Neste entendimento, destaca-se que as pessoas com deficiência e educação inclusiva passam a ser considerada substancialmente, a partir dos anos de 1990. A UNESCO, em 1994, organizou a Declaração de Salamanca4, que dispõem sobre as Políticas, Princípios e Práticas pertencentes à área das Necessidades                                                         2 UNESCO, 1990. Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0008/000862/086291por.pdf>. Acesso em 07 de nov. 2015. 3 UNESCO, 1948. Declaração dos Direitos Humanos. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001394/139423por.pdf>. Acesso em 07 de nov. 2015. 4 UNESCO, 1994. Declaração de Salamanca. Disponível em: < http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001393/139394por.pdf> Acesso em 07 de nov. 2015. .

(22) 22   Especiais de cunho educativo, no sentido de explorar as implicações da educação inclusiva. (VIOTO; VITALIANO, 2012). De acordo com o autor, a partir da Declaração de Salamanca, o Brasil iniciou seus movimentos na consolidação de Políticas Públicas para a educação inclusiva, possibilitando a inserção dos alunos com ou sem deficiência nos espaços educacionais. (VIOTO; VITALIANO, 2012).. [...] as principais legislações que fomentaram os processos Educacionais Inclusivos foram: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96; as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº2/2001, na qual destacam em seu artigo 2º a inclusão de todos os alunos nos sistemas regulares de ensino, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento de todos os educandos, independentemente, de suas NEE. Em 2008 a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, fortalece o processo de inclusão, visto que tem como objetivo assegurar a inclusão de todos os alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, nas classes regulares de ensino, tendo à escola a responsabilidade de adaptar-se em relação às NEE de seus alunos (MENDES, 2006). Neste documento os espaços segregados, escolas e salas especiais devem se transformar em espaços de apoio ao processo de inclusão, passando a se constituir em Centro de Atendimento Especializado e Salas de Recursos respectivamente. (VIOTO; VITALIANO, 2012, pp. 3-4).. Nesta perspectiva a responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso escolar do educando, passa a assumir o viés solidário, ou seja, todos os integrantes da comunidade escolar compactuam deste objetivo (SILVA; PLETSCH, 2010). O capítulo quinto da LDB (1996)5 dispõe sobre a “Educação Especial”, oportunizando o entendimento acerca da aplicabilidade da educação especial, preferencialmente na rede de ensino regular. Dispõe sobre as necessidades e demandas que devem estar asseguradas pelo sistema de ensino, partindo dos procedimentos pedagógicos à socialização e oportunidade de acesso e permanência do aluno com deficiência ou necessidade especial. Verifica-se:. Art. 58º: Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. Art. 59º. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade,.                                                         5. LDB, 1996. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em 07 nov. 2015..

(23) 23   inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora. (BRASIL, 1996). O Decreto de Número 6.094 de vinte e quatro de abril de 20076, destaca:. Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, e a participação das famílias e da comunidade, mediante programas e ações de assistência técnica e financeira, visando a mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica. (BRASIL, 2007).. Entre os compromissos e metas, pautados neste documento, destaca-se para este estudo o Art.º 2, inciso nono, que evidencia a garantia de acesso e permanência de alunos com deficiência e necessidades especiais de aprendizado nas classes comuns, possibilitando a inclusão educacional nas escolas públicas (BRASIL, 2007). Em síntese, verifica-se que a implementação da Política Nacional da Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, faz parte das Diretrizes do Plano de Metas e Compromisso Todos pela Educação. O Decreto Legislativo de número 186/20087 e Decreto Executivo de número 6.949/2009 organiza o compromisso de “assegurar às pessoas com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis de ensino”. A Nota técnica de número 4 de 23 de janeiro de 2014 caracteriza o aluno com deficiência como sendo o indivíduo com “transtornos globais de desenvolvimento/altas habilidades como superdotação, portador de deficiência de natureza física, intelectual, mental ou sensorial”. Salienta-se a necessidade de promover o desenvolvimento acadêmico e social oportunizando pela educação especial a acessibilidade, serviços de apoio pedagógico especializado com recursos multifuncionais para suporte permanente aos estudantes, de acordo com o Decreto 7.611/2011. Por fim, a Nota de número 4/2014, destaca: “[...] o direito inconstitucional e inalienável das pessoas com deficiência à educação, promovendo estratégias pedagógicas e de acessibilidade que possam ser adotadas pela escola, favorecendo as condições de participação e de aprendizagem”.                                                         6. Decreto de Número 6.094/2007. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6094.htm>. Acesso em 07 nov. 2015. 7 Decreto Legislativo 186/2008. Disponível em: <http://www.turismo.gov.br/turismo/o_ministerio/publicacoes/downloads_publicacoes/Convencao__Pessoas_com_Deficiencia.pdf>. Página 16. Acesso em 07 nov. 2015..

(24) 24   Destaca-se para este estudo o Decreto de número 6.9498 aprovado em vinte e cinco de agosto de 2009, chamado de “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, que dispõe sobre os princípios inclusivos:. (a) O respeito pela dignidade inerente, independência da pessoa, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, e autonomia individual; (b) A nãodiscriminação; (c) A plena e efetiva participação e inclusão na sociedade; (d) O respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade; (e) A igualdade de oportunidades; A acessibilidade; (f) A igualdade entre o homem e a mulher; e (h) O respeito pelas capacidades em desenvolvimento de crianças com deficiência e respeito pelo seu direito a preservar sua identidade.. De acordo com o exposto, evidencia-se a existência jurídica de meios para a promoção da educação inclusiva garantindo e preservando os direitos das pessoas com deficiência, possibilitando o acesso à educação de qualidade e adequada. De acordo com o Relatório Técnico do Censo Escolar do ano de 2013, “a política de educação especial adotada pelo Ministério da Educação estabelece que a educação inclusiva seja prioridade” (BRASIL, 2013, p. 25). No ano de 2013 foram atendidos 843.342 alunos com deficiência, sendo que 78,8% estavam inseridos na rede pública de ensino e apenas 21,2% na rede particular. Estes dados revelam os avanços da educação inclusiva nos sistemas públicos de ensino, fortalecendo as políticas públicas e fomentando o acesso e permanência do aluno com deficiência no ambiente escolar. Salienta-se para este estudo o número de alunos com deficiência matriculados no ensino profissional em “Classes Especial e Escolas Exclusivas” e Classes Comuns (alunos incluídos). De acordo com o Resumo Técnico no ano de 2013 registrou-se número de 353 alunos com deficiência atendidos em Classes Especiais e 2.004 estudantes nas Classes Comuns. Este número revela o crescimento da inserção de alunos com deficiência em classes comuns (alunos incluídos), destaca-se o percentual de 20,8% de ampliação, se comparado ao ano anterior, 2012. (BRASIL, 2013).. [...] assim, o direito à educação, o direito ao trabalho, só faz sentido para o cidadão portador de deficiência se acoplado a outras normas de direito como: a obrigatoriedade do ensino em braile, a obrigatoriedade de remoção das barreiras arquitetônicas, a educação especial, etc. (ASSIS, 1992, p. 63)..                                                         8. Decreto 6.949/2009. Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm>. Acesso em 07 nov. 2015..

(25) 25   A inserção da pessoa com deficiência no mundo do trabalho têm seus impasses e suas batalhas. A principal delas é o vencer o desafio do preconceito e a discriminação, que tem sido o principal obstáculo para que a pessoa com deficiência usufrua os mesmos direitos e conquiste o mesmo espaço que qualquer cidadão (DARCANCHY, 2006). Bahia (2006) afirma que com o governo Getúlio Vargas, cujo primeiro mandato ocorreu entre os anos de 1930 e 1945, iniciou-se uma reflexão de uma participação mais efetiva das pessoas com deficiência no contexto social, inserindo o pensamento de uma sociedade inclusiva, no tocante aos acessos à educação, profissionalização e inserção laboral. No governo de Juscelino Kubitschek (1956 – 1961), o país viveu um período de desenvolvimento pleno, marcado pela chegada das multinacionais e pela implantação da indústria automotiva e também pela construção da nova capital brasileira, Brasília (inaugurada em 1960), fatores que geraram as oportunidades de colocação no mundo do trabalho. Alguns dos dispositivos constitucionais não possuem direta relação com o Direito do Trabalho ou a proteção do trabalhador com deficiência, porém são fundamentais para a inclusão. O poder público procura estabelecer reais condições de inserção laboral, social e econômica as pessoas com deficiência através da legislação infraconstitucional. A Lei 7.853 de 1989 foi o marco deste processo, pois institui a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, que posteriormente foi regulamentada pelo Decreto 3.298 de 1999. Considera-se o primeiro instrumento de proteção efetiva dos direitos da pessoa com deficiência a partir da Lei 7.853/89 que a legislação ordinária passou a se ocupar efetivamente com este grupo de pessoas (BAHIA, 2006).. Durante muito tempo, as pessoas com deficiência foram vistas como objeto de caridade e filantropia. Por ignorância, preconceito e medo, as sociedades evitaram o contato e bloqueavam o seu trabalho. Mas, ainda hoje, a persistência de desinformação e a inadequação das condições de arquitetura, transporte e comunicação contribuem para que muitas pessoas talentosas e produtivas ainda sejam afastadas do mercado de trabalho. (BAHIA, 2006, p. 23).. Sequencialmente, apresenta-se o Estatuto da Pessoa com Deficiência, aprovado no ano de 2015, que dá providências ao processo de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, garantindo e preservando os direitos destes cidadãos..

(26) 26   Em recente movimento, aprovou-se a Lei 13.146 de seis de julho de 20159 que institui a Lei Brasileira da Pessoa com Deficiência, ou seja, o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Em seu primeiro artigo, destaca e avaliza as legislações anteriores que promulgam a liberdade e o direito à igualdade, viabilizando a inclusão social destes indivíduos.. Art.1º. É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, em conformidade com o procedimento previsto no § 3o do art. 5o da Constituição da República Federativa do Brasil, em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo Decreto no 6.949, de 25 de agosto de 2009, data de início de sua vigência no plano interno. (BRASIL, 2015).. Ainda de acordo com a referida Lei, pode-se afirmar, em síntese, que este preceito dispõe sobre as adaptações tecnológicas, comunicativas, atitudinais, transportes, entre outros, com o objetivo de promover espaços acessíveis que permitam a inserção e integração das pessoas com deficiência na sociedade. O Capítulo II destaca os pilares da igualdade e não discriminação, possibilitando que os indivíduos com deficiência tenham oportunidades como as demais pessoas. Neste capítulo, reforça-se o papel do Estado, por meio das Políticas Públicas, em reforçar e fazer prevalecer os seguintes direitos:. Art. 8º. É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa com deficiência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização, ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico. (BRASIL, 2015).. Destaca-se ainda para este estudo, o Capítulo IV, do segundo Título, que dispõe sobre a Educação. Evidencia-se o direito à educação em todos os níveis de aprendizado, possibilitando o máximo em desenvolvimento deste indivíduo. Além disto, o Artigo 28.                                                         9. Lei 13.146/2015. Estatuto da Pessoa com Deficiência. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13146.htm>. Acesso em 07 nov. 2015..

(27) 27   destaca o compromisso do poder público em criar, acompanhar e avaliar as diretrizes dispostas nesta legislação.. Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar: I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida; II aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena; III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; […] e usabilidade pedagógica de recursos de tecnologia assistiva; VIII participação dos estudantes com deficiência e de suas famílias nas diversas instâncias de atuação da comunidade escolar; […] XIII - acesso à educação superior e à educação profissional e tecnológica em igualdade de oportunidades e condições com as demais pessoas; XIV - inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior e de educação profissional técnica e tecnológica, de temas relacionados à pessoa com deficiência nos respectivos campos de conhecimento; […] XVIII - articulação intersetorial na implementação de políticas públicas. (BRASIL, 2015).. O capítulo sexto do referido Estatuto, dispõe sobre o Direito do Trabalho, da habilitação e reabilitação profissional e da inclusão da pessoa com deficiência no mundo do trabalho. Destaca-se, que em complemento a esta legislação está a Lei de Cotas, Lei de número 8.213/199110, que será explanada em sessão especifica deste estudo. Destaca-se para este texto a garantia de acesso aos trabalhadores com deficiência, em espaços laborais adequados de forma estrutural, física, humana e tecnológica, dispondo de todos os recursos necessários para o bem estar e desenvolvimento profissional deste indivíduo. Verifica-se no Artigo 35 o eminente objetivo das políticas públicas de trabalho e emprego na proteção dos trabalhadores com deficiência, observando além do acesso a permanência no mundo do trabalho. Neste contexto, explora-se o uso da tecnologia assistida para os processos de recrutamento e seleção, avaliação de desempenho e inclusão da pessoa com deficiência no ambiente laboral, com vistas as demais políticas públicas de apoio a inclusão e acessibilidade. De acordo com o relato histórico apresentado, identificamos que nas últimas décadas, foi evidente o esforço do poder legislativo brasileiro e mundial no combate ao preconceito e a discriminação das pessoas com deficiência.. Além do constante empenho na inserção. educacional, social e laboral. O Estatuto da Pessoa com Deficiência, apresentado                                                         10. LEI DE COTAS – LEI 8.213/1991. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm> Acesso em: 07 nov. 2015..

(28) 28   sinteticamente para este estudo, dispõem de estratégias para maximizar a inclusão social, perpassando todos os aspectos de vida do indivíduo. A Corte Brasileira perante o Poder Legislativo, atribuiu através das normas de direito de abrangência geral que regulam o Estado, a determinação das leis nacionais. E, as fazem cumprir a partir da sua aplicação e a fiscalização. Neste context, surgem as políticas públicas que determinam e organizam a exigibilidade da legislação em níveis municipais, estaduais e federais. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 em seu artigo 5º prevê: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, igualdade, segurança e à propriedade”. (BRASIL, 1988). Embora exista uma legislação que assegure cada brasileiro de seus direitos, fazemos parte de uma sociedade excludente, principalmente no tocante aos grupos minoritários. Em complemento, de acordo com a Lei 13.146/2015, a avaliação da deficiência perpassa o atendimento “biopsicossocial” promovido por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, que irá considerar:. I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo; II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais; III - a limitação no desempenho de atividades; e IV - a restrição de participação. § 2º. O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da deficiência. (BRASIL, 2015). Em decorrência da incapacidade plena laboral, as pessoas com deficiência não possuem reais possibilidades de inserção no mundo do trabalho. A sociedade brasileira supera o conceito assistencialista e previdenciário, alternando para uma sociedade de inclusão efetiva, porém esta caminhada ainda é longa e ela necessita de suporte, apoio e entendimento da sociedade, do Estado e dos empregadores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)11, cerca de 24,6 milhões de pessoas que possuem pelo menos alguma deficiência física, auditiva, visual, mental ou múltipla, apenas nove milhões de indivíduos com deficiência estão inseridos no mundo do trabalho. Montoan (1997) comenta que necessita-se refletir sobre uma sociedade que reconheça as diferenças, por mais acentuadas que sejam, ela representa apenas uma perspectiva de sociedade heterogenia em que vivemos. A vida em sociedade caracteriza-se pela amplitude                                                         11. IBGE. DDisponível em: < http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-censo-2010-pessoas-comdeficienciareduzido.pdf> Acesso em 07 nov. 2015. .

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