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Revista RN Econômico - Março de 1978

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V

/ECONÔMICO

* A N O I X - N " 8 8 - M a r ç o / 7 8 - C r $ 2 5 , 0 0

r I

CONSTRUÇÃO CIVIL

PODE PARAR

(2)

0 BÄNDERN, AGORA,

TAMBÉM EM RITMO

DE SAO PAULO

A p a r t i r de a g o r a , você t e m um

r e p r e s e n t a n t e e m São Paulo: é o

Banco do Estado do Rio G r a n d e

do N o r t e S.A.

Em menos de um ano o

BAN-DERN f a c i l i t o u os negócios dos

n o r t e - r i o g r a n d e n s e s nas t r ê s

principais m e t r ó p o l e s do País:

Rio, Brasília e Sâo Paulo.

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Banco do Estado do Rio G r a n d e do N o r t e S.A.

São Paulo: Rua B e n j a m i m Constant, 177 Rio: Rua Buenos A i r e s , 59 Brasília: Ed. Oscar N i e m e y e r , Loja I,

Setor C o m e r c i a l Sul.

i

(3)

RN ECONÔMICO

Revista mensal para homens d * negócio»

Diretores-Editores M a r c o s A u r é l i o de Sá M a r c e l o Fernandes de O l i v e i r a Gerente Administrativo M a u r í c i o Fernandes Redatores Rogério Cadengue José A r i Carlos M o r a i s H é l i o Cavalcanti E d i l s o n Braga Fotografias

Joào Garcia de Lucena

Fotocomposição A n t ó n i o Barbalho V a n d a Fernandes Diagramação F e r n a n d o Fernandes Consultores: A l c i r Véras da Silva, A l v a m a r F u r t a d o , B e n i v a l d o Azevedo, C o r t e z Pereira, Dalton M e l o , D a n t a s Guedes, D o m i n g o s Gom e s de L i Gom a , Epitácio de A n d r a -d e , F e r n a n -d o Paiva, Genário Fonseca, H é l i o A r a ú j o , Joanil-son d e Paula Rego, João W i l s o n M . M e l o , J o m a r A l e c r i m , M a -noel Leão F i l h o , Moacyr D u a r t e , Ney Lopes de Souza, D o m Nival-do M o n t e , O t t o de B r i t o G u e r r a , S e v e r i n o Ramos B r i t o , T ú l i o Fer-n a Fer-n d e s F i l h o , U b i r a t a Fer-n Galvão, D o m A n t o n i o Costa, J a y m e San-ta Rosa, Dep. Paulo Gonçalves, M a r c o A n t o n i o Rocha Cavalcan-t i , J o r g e Ivan Cascudo Rodri-g u e s .

R N / E C O N Ô M I C O — Revista mensal especia-lizada em assuntos econômico-tinanceiros do Rio Grande do Norte, é de propriedade de R N / E C O N Ô M I C O EMPRESA JORNALÍSTICA LTDA. CGC N° 08286320/0001«1 -Endereço: Rua Dr. José Gonçalves, 687 — Natal-RN — Telefone 231-3576. Composição e impressão: EDITORA R N / E C O N Ô M I C O L T D A . CGC N° 08423279/0001-28 - Insc. Est. 20012932-5 — Endereço: Rua Dr. José Gonçalves, 687 — Natal-RN — Telefone 231-1873. Ê proibida a reprodução total ou parcial de matérias. 3 a k o quando seja citada a fonte. Preço do exemplar: C r * 25,00. Preço da assinatura anual: C r i 200,00. Preço de núme-ro atrasado: C r * 30,00.

Reportagens

Rebanho do RN

a caminho do extermínio Como vai o gado limousin Gráficas recorrem

à Justiça contra o ICM O renascimento de um bairro comercial A partir de 78, o fim dos "projetos-caveiras" Cotonicultura: apesar de tudo, existe otimismo Construção civil

revela os seus problemas

O RN precisa de reforma agrária UFRN forma mestres

em administração Exposição dos preços não beneficia o consumidor

8 15 17 19 22 28 30 34 40 44

Secções

Homens & Empresas... Página do Editor Agenda do Empresário. Direito Econômico 4 7 21 46

AOS LEITORES

Em decorrência dos últimos aumentos nos nossos

custos, somos forçados a elevar, a partir desta edição, o

nosso preço de capa para Cr$ 25,00 e o valor da

assina-tura anual para Cr$ 200,00.

Aproveitamos a oportunidade para ainda

comuni-car a mudança dos nossos escritórios e redação para a

sede própria da empresa, à Rua Dr. José Gonçalves,

687, bairro de Boa Sorte, Telefone 231-3576.

(4)

homens Si empresas

. 1 .

' » " V . •

GUARARAPES DUPLICA FÁBRICA DE NATAL Já f o r a m iniciadas as obras de cons-trução de novos galpões industriais das

Confecções Guararapes S / A , em

terre-no anexo às instalações atuais. Haverá a u m e n t o de 24 mil metros quadrados de área construída, o que representa p r a t i c a m e n t e a duplicação da indús-t r i a . Dois mil novos empregos serão criados dentro de no máximo dois anos.

FATURAMENTO DE CR$ 1,5 BILHÃO

Em 1978, as Confecções

Guarara-pes S / A deverão alcançar o expressivo

f a t u r a m e n t o de Cr$ 1,5 Bilhão, segun-do estimativas seguras de Nevalsegun-do

Ro-cha, diretor-presidente da empresa.

Is-to significa um aumenIs-to de 50% nas vendas, com relação ao exercício de 1977. Por outro lado, Guararapes está d i s t r i b u i n d o aos seus acionistas bonifi-cações de 60% e dividendos de 7 % , por conta dos resultados apurados no exercício anterior, quando foi registra-do um lucro superior de Cr$ 250 mi-lhões.

Radir Pereira

A SERTANEJA ELEVA CAPITAL: 16 MILHÕES

Radir Pereira & Cia., empresa que

reúne as 21 lojas de A Sertaneja, ele-vou neste inicio de ano o seu capital so-cial para Cr$ 16.200.000,00, o que re-presenta um aumento percentual de 6 2 % sobre o capital anterior. Depois da apuração do balanço da empresa, o seu d i r e t o r Radir Pereira parte para um giro de 40 dias pela Europa, com esposa e f i l h a , a partir de abril.

Paulo Vasconcelos de Paula REVELAÇÃO

EMPRESARIAL

T e m sido tema de conversação das lideranças empresariais natalenses o e x c e l e n t e desempenho alcançado pelo j o v e m empresário Paulo Vasconcelos

de Paula à frente da tradicional f i r m a Galvão Mesquita Ferragens S / A . Pau-lo, com apenas 26 anos de idade, teve

de a s s u m i r abruptamente a presidên-cia do grupo Galvão Mesquita, diante da m o r t e prematura do seu sogro

Her-mita Cansanção, em um acidente, há

a l g u n s meses. Sem experiência no m u n d o dos negócios, ele teve de se de-d i c a r de-dia e noiteà compreensão de-dos as-s u n t o as-s e doas-s problemaas-s que teria de e n f r e n t a r em sua nova atividade. Lide-r a n d o com habilidade a diLide-retoLide-ria da e m p r e s a e recebendo dos mais antigos as lições da experiência, Paulo

Vascon-celos de Paula soube atravessar todas

as dificuldades com m u i t a segurança e, já a g o r a , se começa a sentir o efeito po-s i t i v o do po-seu trabalho, poipo-s ele de fato c o n s e g u i u dinamizar os negócios d a e m p r e s a , abrindo novas filiais em ou-tros bairros e aumentando substancial-m e n t e o volusubstancial-me d e vendas. Galvão

M e s q u i t a Ferragens S / A , inclusive, já

t e m u m novo slogan: uma tradição que

se renova. Slogan que se justifica.

HENCIL VAI CONSTRUIR 300 APARTAMENTOS A H E N C I L — Hollanda

Engenha-ria, Comércio e Indústria Ltda. ganhou

concorrência para construir sete edifí-cios para o INOCOOP-RN, que forma-rão u m conjunto de 300 apartamentos. A o b r a está orçada em Cr$ 60 milhões. A localização desses prédios será no b a i r r o de M o r r o Branco, nas proximi-d a proximi-d e s proximi-da Escola Técnica Feproximi-deral.

ETAPA CONSTRUIRÁ CENTRO DE CONVENÇÕES

O secretário da Indústria, Comércio e T u r i s m o do Estado, Benivaldo

Aze-vedo, entregou à ETAPA — Assessoria de Engenharia Ltda., empresa

desco-n h e c i d a desco-no Rio Gradesco-nde do Norte, a ela-boração do projeto arquitetônico d o

Centro de Convenções de Natal. A

ati-t u d e foi adoati-tada em razão do boicoati-te que os arquitetos locais fizeram, não apresentando propostas ao edital que a b r i u a concorrência pública para es-c o l h e r o melhor projeto para a obra.

Benivaldo Azevedo justificou a escolha

dessa empresa por ter sido ela a autora do projeto do Centro de Convenções do

Piauí. Acredita o secretário que esta

o b r a será construída ainda no atual go-v e r n o .

NOVOS INCENTIVOS PARA A POUPANÇA

Jorge Ivan Cascudo Rodrigues,

di-r i g e n t e dos pdi-rogdi-ramas habitacionais do grupo BANORTE, anuncia uma sé-rie de medidas que a partir de abril da-rão novo impulso ao mercado da pou-pança. A c r e d i t a ele que, em tempo, as autoridades da área da economia ob-servaram a necessidade de estimular os depositantes da caderneta de pou-pança, oferecendo vantagens reais, sob pena desses investidores buscarem outras áreas do mercado de capitais. Diz Jorge que, só o fato de se ter fixa-do em 8 , 7 5 % o rendimento da caderne-ta neste p r i m e i r o trimestre do ano, já p e r m i t i u uma reação positiva da capta-ção de depósitos.

U N I M E D FIRMA PRIMEIRO CONTRATO A Cooperativa dos Médicos de

Na-tal — U N I M E D — acaba de f i r m a r o

seu p r i m e i r o contrato de assistência médica com uma empresa. Coube ao g r u p o Casas Porcino a iniciativa de confiar à U N I M E D toda a assistência aos seus dirigentes e empregados, con-f o r m e anuncia o presidente da Coope-rativa, Gley Nogueira Fernandes. Já são ligados à U N I M E D mais de 200 médicos do Estado, de todas as espe-cialidades, o que dá aos associados condições de escolha mais ampla. Com o detalhe de que os beneficiários são atendidos nos próprios consultórios, como clientes particulares, sem filas e sem perda de tempo.

(5)

homens & empresas

FRUTAL PODE

FUNCIONAR LOGO

Alberto Benhayon, Benivaldo Aze-vedo e Jomar Alecrim, dirigentes da

e m p r e s a FRUTAL — Frutas Tropicais

S / A , estão acelerando a implantação

dessa indústria que objetiva beneficiar e e x p o r t a r castanha de caju. No ano passado, eles conseguiram junto ao Banco do Brasil financiamentos no va-lor de Cr$ 15 milhões de cruzeiros e j u n t o à COBEC — Companhia

Brasilei-ra de Entrepostos Comerciais um

em-p r é s t i m o de Cr$ 10 milhões, em-para caem-pi- capi-tal de giro. Não será por falta de di-n h e i r o que este projeto da SUDENE d e m o r a r á a ser concluído.

GRUPO PORCINO TERÁ REVENDA FIAT E M MOSSORÒ

Os irmãos que f o r m a m o grupo

Por-cino já constituíram a empresa que

se-rá a concessionária dos automóveis

Fiat, em Mossoró. Trata-se da POVEL — Porcino Veículos Ltda., que já

ad-q u i r i u prédio com 2.000 metros ad- qua-d r a qua-d o s qua-de área coberta, na praça U l r i k G r a f h , em pleno centro comercial da m a i o r cidade do Estado. João Costa e

Anchieta Costa, que comandam o

em-p r e e n d i m e n t o , a f i r m a m que a POVEL t e r á loja para vendas, secção de peças e o f i c i n a s de manutenção com mecâni-cos treinados na própria fábrica Fiat.

SANTÕRRES T E M PLANO DE EXPANSÃO

Santôrres Comércio S / A ,

revende-d o r Mercerevende-des-Benz na região Serirevende-dó do Rio Grande do Norte, encerrou o seu balanço de 1977 com o lucro líquido de C r $ 3.126.239,43. A grande meta da e m p r e s a para este ano é a construção de novas instalações na cidade de Pa-tos (PB), onde Santôrres também atua no r a m o automobilístico.

VOLSKAWAGEN LIDERA PREFERÊNCIA NO RN A s estatísticas apontam que os aut o m ó v e i s da linha Volkswagen são l i -d e r e s absolutos -de ven-da em Natal, - do-m i n a n d o exatado-mente 5 5 % do do-mercado.

Gilson dos Santos Lima, diretor de M a r p a s S / A (principal revenda Volks-w a g e n do Estado) dá essa informação

com entusiasmo, a f i r m a n d o que essa p r e f e r ê n c i a vem atestar a boa qualida-d e qualida-dos veículos qualida-dessa marca e o alto ín-d i c e ín-de satisfação ín-dos seus consumiín-do- consumido-res através dos anos.

RN PODERÁ SER AUTO-SUFICIENTE EM AÇÚCAR EM 78 Se se confirmar realmente um bom i n v e r n o este ano, o Rio Grande do Nor-te t e r á uma excelenNor-te safra de cana-de-a ç ú c cana-de-a r , por contcana-de-a do substcana-de-ancicana-de-al cana-de- au-m e n t o das áreas cultivadas. Para a pró-x i m a safra de açúcar, a previsão das usinas é produzir em torno de 1,5 mi-lhão de sacos, cabendo à Usina Esti-vas 2 / 3 dessa produção. Como o consu-mo anual do Estado não atinge um mi-lhão e meio de sacos, seremos a partir de 1978 auto-suficientes em açúcar.

TRANSAÇUCAREIRA VENDE AÇÚCAR DE ESTIVAS

A Usina Estivas SI A entregou a sua r e v e n d a de açúcar para o Norte do país à f i r m a Transaçucareira Ltda., d i r i g i d a por Lélio dantas. Os maiores clientes em Belém, São Luís e Teresina têm si-do as indústrias de refrigerantes, gra-ças ao elevado grau de pureza do açú-car de Estivas. A direção da Coca-Cola no Brasil reconhece este açúcar como u m dos melhores do país e recomenda o seu uso em todas as concessionárias desse refrigerante.

DANTAS GUEDES PRESENTE A REUNIÃO DA FAO

Francisco Dantas -Guedes, diretor

da C I S A F — Comércio e Indústria de

Fibras S / A , participou no início deste

m ê s , em Roma, de mais uma reunião p r o m o v i d a pela FAO (organismo vin-c u l a d o à ONU) vin-com representantes de países produtores de sisal. O encontro iniciou-se dia 6, indo até o dia 10, q u a n d o então Dantas Guedes viajou aos Estados Unidos, para manter con-tatos com importadores americanos de sisal e baler twine, visando entabular novos negócios para a CISAF.

DISTRIBUIDORA SERIDÓ CONSTRÓI INSTALAÇÕES

José Pinto Freire, diretor da Distri-buidora de Automóveis Seridó S / A

(concessionária Volkswagen), anuncia o i n í c i o , em abril, da construção de suas instalações definitivas, em terre-no s i t u a d o à rua Jaguarari, terre-no bairro de Lagoa Nova. O projeto da obra já foi d e v i d a m e n t e aprovado pela direção da

Volkswagen do Brasil.

Moacir Maia

CICOL T E M OBRAS IMPORTANTES EM NATAL

No momento, a CICOL realiza duas obras fundamentais para o progresso de Natal: a avenida beira-canal com o v i a d u t o do Baldo, e as adutoras de Ji-q u i com dois gigantescos reservatórios d ' á g u a . A primeira obra, melhorará o tráfego de veículos nos setores mais congestionados atualmente. A segun-da, significará um acréscimo de 40% na oferta de água à cidade. Moacir

M a i a , diretor-presidente da CICOL.

in-f o r m a que estes trabalhos deverão es-tar concluídos no máximo até o inicio do p r ó x i m o ano. As duas obras têm, respectivamente, os valores de Cr$ 48 milhões e Cr$ 38 milhões.

CICOL PROCURA ENGENHEIROS

A Companhia de Investimentos e

Construções Ltda — CICOL — tem

co-locado anúncios nos maiores jornais do país à procura de engenheiros com experiência que aceitem ir trabalhar na Á f r i c a . M e s m o oferecendo salários na faixa de Cr$ 40 mil mensais, mais casa e transporte, está sendo muito difícil recrutar o pessoal necessário para ace-lerar o r i t m o das muitas obras que esta empresa está construindo na Tanzânia e na Nigéria. Atualmente, a CICOL possui na Á f r i c a um volume de contra-tos bem maior do que os que tem no Brasil.

BANORTE FINANCIA ATÉ 2.250 UPC's

O teto para financiamentos de casa p r ó p r i a com menos de 180 dias de construída foi elevado, na BANORTE

Crédito Imobiliário S / A , de 1.000 para

2.250 U P C ' s (Unidade Padrão de Capi-tal). Dessa forma, agora podem ser concedidos empréstimos de até Cr$ 536 m i l , para pagamento em 15 anos.

(6)

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PÁGINA DO EDITOR

Por quê boicotar

oINOCOOP?

N

i atai tem um deficit anual de 4 mil moradias, de acordo com levantamentos realizados por uma entidade vinculada ao BNH. Enquanto surgem em torno de 7 mil famílias novas, o número de casas construídas na cidade não vai além de 3 mil por ano. Como decorrência natural, proliferam os ca-sebres, multiplicam-se os barracos nas numerosas favelas dos subúrbios natalenses, pois a precarie-dade econômica da população marginal não permi-te outra alpermi-ternativa. E assim, gradativamenpermi-te, au-mentam os focos de miséria, pois a sub-moradia é sinônimo de doenças, falta de higiene, inseguran-ça, instabilidade e insatisfação social.

S o m o s dos que compreendem que é da com-petência do poder público criar infra-estrutura e coordenar o crescimento organizado das cidades, planejando e legislando com a finalidade de pro-mover conforto, saúde, segurança e educação para todos. Às vezes por falta de recursos e, em alguns casos, por falta de vontade, o poder público em Natal tem se relaxado no cumprimento desse de-ver, a ponto do Plano Diretor da cidade ser apenas um documento sem validade, inútil, enfurnado nas gavetas de alguma secretaria municipal. Nun-ca oficializado nem posto em prátiNun-ca, sendo con-sultado algumas vezes somente para satisfazer vaidades e caprichos de tecnocratas inseguros, o

Plano Diretor não foi até hoje encarado como uma

prioridade. Por esse documento, poderia a Prefei-tura dar início a um trabalho de prevenção contra o agravamento dos tantos males que decorrem do agrupamento irregular e irrefreável de milhares de pessoas nas áreas urbanas desprovidas dos ins-trumentos mínimos necessários ao bem-estar e à ordem social.

A fuga da população rural do Rio Grande do

Norte para a Capital é uma realidade. Desprepara-da, sem posses, essa população chega a Natal dis-posta a enfrentar o ritmo de vida da cidade grande a qualquer custo, aceitando como natural a sub-moradia, a sub-alimentação, o sub-emprego e

tan-tas outras causas e conseqüências do subdesenvol-vimento. Por isso, Natal está incluída na relação das cidades que crescem sempre mais do que pre-vêem as estatísticas. De uns anos para cá, têm surgido novas indústrias, novos negócios e fontes de renda para o povo. Mas, em compensação, as favelas têm se multiplicado em todas as dire-ções. Bairros inteiros existem que não possuem um posto de saúde, uma delegacia de polícia, uma rua pavimentada.

U i a n t e de tantos problemas tão sérios, o que não entendemos e não aceitamos é que o poder pú-blico — sem possibilidade de resolvê-los — se dis-ponha a colocar pedras no caminho de quem está disposto a mudar para melhor a situação. É o caso específico do INOCOOP-RN (Instituto Nacional de

Orientação às Cooperativas Habitacionais). Este

órgão, nos últimos anos, carreou para Natal al-guns bilhões de cruzeiros que foram integralmen-te investidos na construção de conjuntos residen-ciais modernos, dotados de condições para satis-fazer às necessidades de conforto, saúde e segu-rança de dezenas de milhares de natalenses. Es-sas construções geraram empregos, circulação de capital, impostos, riqueza para o Estado. Agora, ou seja, de uns meses para cá, este órgão está so-frendo o boicote irracional de uns poucos tecnocra-tas do município. O seu plano de construir mais 6 mil casas em Natal está parado, embora para tanto já existam terrenos adquiridos e recursos assegu-rados pelo BNH.

IZ preciso que uma força maior, a força da

ra-zão, fale mais alto, para que Natal venha a ter, com urgência, mais 6 mil casas de verdade em vez de continuar ganhando mais barracos e case-bres, e para que 6 mil famílias possam viver com dignidade, fora do submundo das favelas que, cer-tamente, os tecnocratas miúdos nem conhecem de perto.

M a r c o s A u r é l i o d e Sá

(8)

PECUÁRIA

REBANHO BOVINO

A CAMINHO DO EXTERMÍNIO

— Vale a pena criar gado para

en-gorda no Rio Grande do Norte?

Esta pergunta foi feita a

pecuaris-tas, negociantes de gado, técnicos e

pes-soas ligadas ao assunto. E as respostas

foram unânimes: não.

A pecuária de corte atravessa uma

crise sem precedentes em nosso Estado

e, se as coisas não tomarem outro rumo,

fatalmente os nossos rebanhos bovinos

marcharão para o extermínio puro e

sim-ples, dentro de um prazo não muito

lon-go. Já estão mandando para o abate até

mesmo vacas às vésperas de ter bezerro.

Diariamente, dezenas de vacas gestantes estão sendo abatidas em Natal. "Não está mais compensando a

criação de gado de corte no Rio Grande do Norte. O trabalho que te-mos e as despesas para a manuten-ção dos rebanhos não estão sendo compensados na hora da venda". Esta é a declaração inicial do criador Sílvio Cardoso. E ele prossegue:

"O nosso gado, geralmente, é de pequeno porte. Em razão das difi-culdades para dar a ele uma ração capaz de torná-lo mais desenvolvido

em tamanho e peso, este gado quase nunca passa das onze arrobas por cabeça na hora de ir para o matadou-ro. Enquanto isso, o gado que vem de fora sempre pesa de 18 arrobas para cima. 0 rendimento com a pe-cuária é medido em função do porte de cada animal, pois quanto maior o seu peso, mais lucro ele está propor-cionando. E nós aqui no Estado fica-mos muito longe da média do peso do gado de outras regiões''.

A causa dessa desigualdade resi-de exatamente na falta resi-de pastagens abundantes, nas dificuldades de cré-dito para os pecuaristas, na falta de estrutura das propriedades rurais para o criatório, como também nos altos preços das rações especiais, dos produtos veterinários, etc.

DESESPERO — O desestímulo à pecuária é tão acentuado que mui-tos criadores tradicionais estão

(9)

PECUÁRIA

Salomão Borges revela que 85% do gado abatido aqui, vêm de fora. abandonando a atividade e

venden-do para o corte até mesmo novilhas de raças selecionadas e vacas às vésperas de parir. No FRIGONOR-TE — empresa ligada à Prefeitura de Natal que cuida do abate do gado, do beneficiamento e da distribui-ção da carne à cidade — tornou-se fato comum a matança de excelentes vacas enxertadas. Em alguns casos, já aconteceu dos magarefes fazerem cesarianas nesses animais para sal-varem bezerros que chegam a se criar sem maiores problemas.

' Somente o verdadeiro desespe-ro pode levar um criador a vender suas rezes nessa condição" — se-gundo opinião unânime dos que se dedicam ao comércio de gado.

Salomão Borges, diretor-presi-dente do FRIGONORTE, falando so-bre pecuária no Rio Grande do Nor-te, com base na sua já longa expe-riência no mercado, diz que o pro-blema mais sério a impedir maior rentabilidade para os pecuaristas é o pequeno porte do gado potiguar, problema que é aliado às dificulda-des de obtenção de recursos para formar melhores pastagens e para melhorar o rebanho pelo cruzamento com outras raças.

PASTAGENS — Prossegue Salo-mão Borges suas apreciações sobre a pecuária no RN, afirmando:

"Comparando com outros Esta-dos onde a pastagem é abundante, nosso Estado realmente não apre-senta condições favoráveis para a criação de grandes rebanhos para corte. Nossas pastagens são fracas e a vegetação rasteira predomina em nossas terras por causa do clima quente e do solo seco. Esses fatores impedem o desenvolvimento de uma pecuária em larga escala. Mas, ape-sar de tudo, existem aqueles que conseguem superar esses obstáculos e fazer da pecuária uma atividade relativamente rentável".

Para se ter uma idéia da diferen-ça entre as condições do Rio Grande do Norte e dos Estados da Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Alagoas, por exemplo, basta atentar para as

comparações de Salomão Borges. Diz ele:

' 'A maior parte do gado abatido em Natal procede dos citados Esta-dos. Enquanto uma rêz oriunda da Bahia ou de Minas pesa de 18 a 22 arrobas, as do Rio Grande do Norte ficam em torno de 10 a 12 arrobas, embora tenham mais ou menos a mesma idade. Além disso, o abaste-cimento de carne é feito em cerca de 85% com gado procedente de ou-tras regiões. Com isso, bem se pode notar a fragilidade da pecuária entre nós''.

ÁREAS ÓTIMAS — Edinor Tei-xeira, outro pecuarista, concorda com tudo o que foi dito até agora. No entanto, faz uma observação impor-tante. Para ele, algumas áreas do Rio Grande do Norte são ótimas para a pecuária, pois têm todas as carac-terísticas favoráveis a isso. Essas áreas são o vale do Açu e o vale do Ceará-Mirim, onde se pode obter água com facilidade e os pastos po-dem se desenvolver mais

rapida-mente. Para ele, "criar em locais inadequados é prejuízo na certa, é trabalhar em vão''.

A respeito de pastagens, um em-pregado do FRIGONORTE informa um fato interessante e curioso. O ga-do que vem da Bahia para ser abati-do no RN, além abati-do seu grande porte, apresenta uma outra particularida-de: não abaixa a cabeça para pastar, como sempre faz o gado daqui. E ex-plica o empregado:

' 'Acontece que na Bahia as pas-tagens são altas e o gado que vive solto come tranqüilamente de cabe-ça erguida; enquanto que o gado do Rio Grande do Norte é acostumado à vegetação rasteira, vive de cabeça abaixada à procura do alimento. Se colocarmos todo o gado para comer em cocheiras, logo saberemos qual é o gado baiano e qual é o nosso, pois o outro reluta em não baixar a cabe-ça".

PREÇO É BOM? — Salomão Borges, embora não fale em nome da classe dos pecuaristas, afirma

(10)

PECUÁRIA

que o preço da carne é compensa-dor, tendo inclusive havido recente-mente um aumento da ordem de 20% para a arroba do produto. Diz ele que, efetivamente, não existe um preço certo para a venda do gado pa-ra abate, pois a SUNAB não tabela essas operações. Os preços são dita-dos pelo mercado. Quando ele é mais vendedor, o preço baixa. Quan-do existe pouco gaQuan-do à venda, ele sobe. No entender de Salomão, se houvesse um tabelamento na fonte, talvez fosse solucionado o problema da variação.

Sílvio Cardoso e Edinor Teixeira também concordam que preço não é exatamente um grande problema, pois sempre encontram boas condi-ções para a venda do gado que tra-zem para o abate. Apenas não con-seguem melhor rendimento porque a diferença de peso do nosso gado para o que vem de fora é muito acen-tuada.

O boiadeiro João Patrício, res-pondendo por que o preço da carne está sempre subindo, explica:

' 'Não podemos vender barato um produto que adquirimos por preços altos. Quando trago gado de Alagoas ou da Bahia, como atualmente, com-pro na fonte a CrS 21,00 o quilo do boi em pé. E estou vendendo aqui a CrS 24,00. Essa diferença não é tão lucrativa, se considerarmos que o preço do transporte de lá para cá fica em torno de CrS 700,00, por

ca-beça, e ainda há perda de peso du-rante a viagem. Algumas rezes che-gam, às vezes, machucadas e até mortas. Por esses e mais alguns ou-tros problemas, acho que os preços não estão tão altos como se pensa".

Salomão Borges salienta que o FR 1GONORTE nada tem a ver com o problema do preço, embora muitas pessoas pensem o contrário. O que a empresa de abate faz é, exclusiva-mente, prestar um serviço, cobrando por ele uma taxa. Hoje, a taxa de abate é de Cr$ 1.800,00, incluindo-se aio incluindo-serviço de transporte, em car-ro próprio, da carne para o local de venda indicado.

)

È

José Celestino diz que o gado do RN não tem qualidade. QUALIDADE — A qualidade do nosso gado não é realmente a me-lhor para o abate. É o que afirma o ex-prefeito do município de Tanga-rá. José Celestino Soares, homem já

Secretário da Agricultura:

' 'A SITUAÇÃO É MUITO DIFÍCIL DE CONTORNAR''

O secretário da Agricultura do Estado, Moacyr Duarte, não demonstrou nenhuma surpresa quando o repórter lhe revelou a informação colhida no FRIGO-NORTE, acerca do elevado índi-ce de matança de vacas em vés-pera de dar cria. Ele não se sur-preendeu porque já tinha conhe-cimento detalhado do problema.

Disse ele que, infelizmente, na-da poderia ser feito pela secre-taria que dirige, no sentido de impedir a continuidade dessa aberração.

" A fiscalização do abate de rezes é de competência exclusi-va do Ministério da Agricultura. Somente uma fiscalização

fede-ral seria capaz de coibir a práti-ca desses abusos. Nós, de ma-neira alguma, temos compe-tência para isso". Estas foram

as palavras do secretário, ao responder à pergunta sobre o que fazer para corrigir o erro.

Moacyr Duarte passou então a comentar a situação em que se encontra a pecuária do Rio Grande do Norte. Em 1977, o Estado teve condições de ofertar ao mercado de consumo 75.967 rezes, representando 11.775 to-neladas de carne, o suficiente para cobrir apenas 45% da de-manda. Esta situação é muito di-fícil de contornar, pelo menos a

curto prazo. Afirma o secre-tário que, mantendo-se a atual tendência, no ano de 1980 o déficit de gado para o abate no RN será da ordem de 87.690 cabeças, representando 13.592 toneladas de carne. O restante do gado para atender ao merca-do continuará vinmerca-do de fora.

Em termos de grande Natal, o problema ainda é mais sério, pois o gado abatido pelo FRIGO-NORTE (único estabelecimento oficial de abate de gado no Esta-do), nada menos de 90% pro-vêm de outros Estados, sendo somente 10% originários do Rio Grande do Norte.

(11)

PECUÁRIA

acostumado à pecuária. Para ele, em qualidade, não estamos em condi-ções de competir com ninguém. Além das desvantagens do clima e da falta de boa pastagem, a maioria do nosso gado é do tipo mestiço, en-quanto que nos outros Estados se es-tá criando gado próprio para abate, como o nelore, o indu-brasil, etc.

Premidos por tantos problemas, nossos criadores se sentem desesti-mulados. Prova disso é que está au-mentando o número de matrizes en-viadas ao matadouro. São muitas va-cas , inclusive muitas em dias de pa-rir. Olhando o livro de "Controle Es-tatístico de Matança de Bovinos", Salomão Borges fala de números:

"No mês de dezembro de 1977, foram abatidas no FRIGONORTE 3.732 rezes, das quais 2.589 machos e 1.143fêmeas, num índice muito al-to de matança de fêmeas. E o que é pior: a maioria das vacas que aqui chegam está prenha. E o que é de espantar: em dias de ter bezerro''.

E prossegue:

' 0 problema não fica aí. Diaria-mente ocorre aqui no FRIGONORTE um caso que eu considero um verda-deiro absurdo: após o abate das re-zes, temos que colocar no nosso di-gestor cerca de 30 bezerros extraí-dos do ventre das vacas, muitos já totalmente encabelados e encasca-dos, e já tem acontecido até casos em que empregados encarregados do abate fazem autênticas cesaria-nas para resgatar bezerros, muitos dos quais sobrevivem e são criados por eles'

COMEÇO DO FIM — Após essa explanação de Salomão Borges, uma pergunta imediata lhe foi lançada pelo repórter: ' 'por que não se proí-be a matança de vacas, pelo menos das prenhas?". E ele responde, no mesmo tom:

"0 FRIGONORTE nada pode fa-zer a esse respeito. Nós não temos autoridade legal para tanto. Cuida-mos apenas do abate, sem contudo interferir na vontade dos pecuaris-tas, dos boiadeiros, nem dos mar-chantes".

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(13)

PECUÁRIA

' E a quem cabe cuidar do pro-blema?" — pergunta novamente a reportagem. Salomão Borges decla-ra:

"Creio que ao Ministério da Agricultura, através do GEIPOA. A

esse respeito, já tomei a iniciativa de comunicar o fato ao dirigente do GEIPOA em Natal, que simplesmen-te afirmou nada poder fazer, em

vir-tude da não existência de uma ins-peção federal no setor pecuário, com relação ao abate de gado''.

Enfatiza ainda o diretor do FRIGONORTE que "infelizmente, da maneira como as coisas estão acontecendo, com o abate indiscri-minado e em grande número de fêmeas prenhas, na sua maior parte proveniente do próprio Rio Grande

do Norte, fatalmente, dentro de um prazo muito curto, teremos pratica-mente o fim dos nossos rebanhos bo-vinos. Mas, acredito que alguma coi-sa poscoi-sa ser feita por quem de direi-to, para que seja evitado o extermí-nio do nosso gado de corte, fato que traria um imenso prejuízo para a economia do Estado''.

ACABOU 0 CRÉDITO — Para

Chefe do GEIPOA:

' 'NADA PODEMOS FAZER..."

m

J o s é Morais de Aquino culpa a inexistência de bons matadouros.

Atuando no setor da fiscali-zação da Delegacia do Minis-tério da Agricultura no Rio Grande do Norte, o GEIPOA (Grupo Executivo de Inspeção de Produtos de Origem Animal) tem conhecimento pleno do pro-blema do abate de vacas em avançado estado de gestação. José Morais de Aquino, chefe do órgão, presta as seguintes decla-rações:

"Existem regulamentos dis-ciplinando todos os trabalhos que o GEIPOA deve executar. A respeito do abate de fêmeas, há restrições rigorosas, desde que elas estejam com mais de seis meses de gestação. Os regula-mentos ainda dizem que somen-te depois de um mês de parida é que a vaca — se não for consta-tada nenhuma doença — poderá ser abatida".

Diz o chefe do GEIPOA que já tentou por duas vezes, conse-guir aprovação para uma inspe-ção ao abate de gado no Rio Grande do Norte, mas não teve êxito junto às autoridades do

Ministério da Agricultura. Ele revela:

" H á cerca de quatro meses, fiz a segunda tentativa junto ao órgão superior, em Brasília, le-vando inclusive uma planta com-pleta das instalações do único matadouro oficial do Estado, co-mo também um relatório sobre o problema da constante matança

de vacas prenhas, com mais de seis meses de gestação. Tudo foi examinado minunciosamente. Porém, a resposta à minha su-gestão foi negativa".

O repórter pergunta o por-quê da negação. E José Morais de Aquino explica:

" É fácil dizer porque. O Mi-nistério da Agricultura, para ter um órgão de fiscalização do aba-te de gado em qualquer Estado, estabelece que exista um mata-douro oficial atendendo a um pa-drão técnico que cabe ao próprio Ministério determinar. É o cha-mado "Padrão Técnico Nacio-n a l " , com um fluxograma espe-cialmente detalhado do mata-douro, com seções especiais pa-ra facilitar o tpa-rabalho de fisca-lização na hora do abate e tam-bém evitar o trânsito de pessoas

em todas as dependências sec-cionadas para uso exclusivo na operação de abate. Só quando o Rio Grande do Norte possuir ma-tadouro construído dentro das normas do Ministério da Agri-cultura é que poderemos exercer um serviço perfeito de fiscali-zação".

Declara ainda o chefe do GEIPOA ter conhecimento de que já existe um projeto do go-verno do Estado para construir em Natal um moderno matadou-ro. É provável que dentro de dois anos ele esteja construído. Então, a partir daí, começará a haver fiscalização. Até lá, conti-nuará a ser perpetrado o crime do abate sem controle, capaz de eliminar todo o trabalho do go-verno em favor da pecuária do RN.

(14)

PECUÁRIA

finalizar, a palavra de um pequeno pecuarista que entende muito bem porque os criadores do RN estão ma-tando suas matrizes. O repórter per-guntou a João Vicente de Medeiros, lá mesmo no FRIGONORTE, a razão de tudo. E ele respondeu com pre-cisão surpreendente:

"O pequeno pecuarista não vai poder sobreviver por muito tempo. O crédito no Banco do Brasil e no Banco do Nordeste — os únicos esta-belecimentos que possuem carteiras de crédito rural — está praticamente fechado. As dificuldades aumentam. As pastagens ficam cada dia piores e não temos condições de sustentar o gado à base de ração balanceada, que custa caro demais. 0 abate de vacas é um absurdo, mas eu afirmo com toda franqueza que muitos ami-gos meus são obrigados a vender suas matrizes em dia de dar cria, pot lhes faltar dinheiro até para a subsistência. Por essa razão, eu nãc me escandalizo com o que vejo, nem me surpreenderei com o que vier de-pois ''.

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PECUÁRIA

COMO VAI O GADO LIMOUSIN?

Há cerca de três anos, precedido de

grande cobertura jornalística, chegava ao

aeroporto de Parnamirim um avião

car-gueiro da Air France transportando uma

carga incomum e inusitada para o Rio

Grande do Norte: 100 vacas e 8 touros da

raça limousin. A esperar o gado

originá-rio da França estava o próporiginá-rio

governa-dor Tarcísio Maia, idealizagoverna-dor de um

pro-jeto que visa encontrar a raça ideal de

bo-vinos para criação neste Estado onde a

pecuária é tão precária.

Passados esses anos, o que se pode

dizer acerca do chamado projeto

limou-sin? Ele abre algum novo caminho para o

nosso criador?

O secretário da Agricultura do Estado, Moacyr Torres Duarte, in-f o r m a que o projeto limousin se constitui numa tentativa de obter a solução para o grave problema da falta de gado adequado para a pe-cuária de corte no RN. Fazendo a im-portação do gado francês, dava-se o primeiro passo para testar, na prá-tica, algo que na teoria já podia ser considerado certo: aquele era um ti-po de gado adaptável ao nosso solo e clima, capaz de suprir as deficiên-cias verificadas no rebanho existen-te aqui.

AS FASES DO PROJEl O — Tão

logo chegaram ao Estado, os repro-dutores e as matrizes limousin foram levados para o Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, onde duran-te alguns meses permaneceram re-cebendo pré-imunização contra al-g u m a s doenças comuns nos reba-nhos locais, como a babesiose e a anaplasmose. Esse trabalho foi to-t a l m e n to-t e supervisionado por to- técni-cos e professores da Universidade Rural de Pernambuco. Após esse confinamento para adaptação às nossas condições, o gado foi trans-ferido para a Fazenda Felipe Cama-rão e, em janeiro de 1977, entrou em trabalho de cobertura por monta, di-vidido em quatro lotes de 25 matri-zes e dois reprodutores.

Até agora, ou seja, em pouco mais de um ano e três meses, o reba-nho limousin já foi acrescido de 82 crias P. O. (puras de origem), fato que indica um alto índice de

natali-Moacyr Duarte diz o que é o ' 'projeto limousin''.

d a d e , comprovando — segundo Moacyr Duarte — a teoria acerca de sua alta fertilidade.

"Além do trabalho de multipli-cação do rebanho — prossegue o

se-cretário — também está sendo

de-senvolvido, simultaneamente, um programa de miscigenação dessa ra-ça européia com as twssas rara-ças ze-buínas, notadamente com matrizes nelore, gyr e guzerá ".

OS RECURSOS — Até agora,

to-do o trabalho de pesquisa com o ga-do limousin tem siga-do custeaga-do com recursos do próprio governo

esta-dual. Todavia, já houve a elaboração de um projeto de expansão da pes-quisa, que pela sua complexidade e o seu porte, não poderá continuar sendo financiada exclusivamente com recursos locais. Por isso mes-mo, o secretário Moacyr Duarte já iniciou negociações com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien-tífico e Tecnológico de Pesquisas — CNPQ, tentando conseguir partici-pação financeira. O projeto já se en-contra em análise na Comissão Re-gional do CNPQ, em Recife.

Através desse novo projeto, o principal objetivo da Secretaria da

(16)

PECUÁRIA

'

• 1 Ü

O g a d o limousin ainda está sendo pesquisado como alternativa para a pecuária do RN. Agricultura é se aprofundar em

ex-periências genéticas com o rebanho limousin P. O., fazendo uma crite-riosa seleção de grupos e de indiví-duos, partindo-se dos resultados de tal seleção para a fixação de caracte-res que signifiquem bons níveis de produção e produtividade.

0 PROJETO — Detalhando ain-da mais a informação, Moacyr Duar-te explica as finalidades do projeto:

a) estabelecimento de taxas de fecundidade (por diagnóstico de ges-tação), de fertilidade (número de be-zerros machos) e fertilidade real (be-zerros nascidos versus be(be-zerros des-mamados);

b) mensuração da capacidade fe-cundante dos touros, com rodízios entre os diversos lotes de fêmeas, para que possíveis diferenças de fe-cundidade entre machos e entre os grupos de vacas não mascarem os resultados finais;

c) levantamento das possíveis distâncias e associação de touros (peso ao nascer) ou vacas

(proble-mas anatômicos, fisiológicos, talvez hereditários), que possam influir na facilidade ou não da parição;

d) mensuração da incidência de problemas decorrentes da parição

e) levantamento das repetições de cio das fêmeas, como tentativa de se chegar ao núméro de cobrições necessárias para que se processe a fecundação;

f) estudo do comportamento do rebanho em regime de pasto, verifi-cando hora do pastejo, do sono e da ruminação, da procura de água e re-pouso ao sol ou na sombra, quando o animal rumina;

g) mensuração da oscilação de peso (medindo inclusive o peso por parto), para se saber quanto a fêmea perde por parição;

h) mensuração da capacidade materna pela performance da vaca e do bezerro;

i) mensuração da vida útil no que se refere ao bezerro em particular;

j) mensuração da morbidez; 1) determinação da época de des-mama, com rigoroso acompanha-mento do peso;

m) acompanhamento do desen-volvimento, com pesagens a cada 28 dias, para conhecimento da reação à mudança do regime alimentar;

n) estabelecimento, para os parâ-metros especiais, de notas que pos-sibilitem uma comparação rigorosa entre os diversos grupos;

o) realização de testes de tolerân-cia ao calor;

p) verificação do ganho de peso obtido.

Pelo exposto, se trata de um pro-jeto de teor técnico muito apurado. A se julgar pela demora com que se desenrola a etapa inicial do progra-ma, quando ainda não se penetrou em problemas de ordem científica, é de se acreditar que passará um de-cênio antes de qualquer conclusão. Isto se os próximos governos prosse-guirem a pesquisa.

Enquanto isso, o nosso pecuaris-ta continua amargando uma crise sem precedentes, mandando para o matadouro até mesmo suas vacas enxertadas. Para se evitar esse de-sastre, ainda não foi elaborado ne-nhum projeto.

(17)

POLITICA FISCAL

GRÁFICAS RECORREM

A JUSTIÇA CONTRA O ICM

Quatorze empresas do ramo agráfico

impetraram mandado de segurança

con-tra o coordenador de adminiscon-tração

tri-butária da Secretaria da Fazenda do

Es-tado do Rio Grande do Norte, tentando

obter, pela via judicial, a suspensão da

cobrança do Imposto sobre Circulação de

Mercadorias nas suas operações.

Fundamentados na decisão

unâni-me do Supremo Tribunal Federal que

de-finiu a atividade de impressão como

ser-viço, sujeitando-se unicamente ao ISS, os

advogados Diógenes da Cunha Lima e

Marcos Aurélio de Sá solicitam,

inclusi-ve, a concessão de medida liminar contra

o pagamento do ICM.

Há alguns meses, as gráficas na-talenses começaram a se preocupar com um assunto que desde junho de 1976 movimenta as empresas desse ramo no Sul do país. Naquela época, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, estabele-ceu que composição gráfica é a mes-ma coisa de feitura e impressão de notas fiscais, fichas, talões, cartões, etc., e, como tal, é serviço, estando sujeito, apenas, ao ISS (Imposto so-bre Serviços de Qualquer Natureza). Depois disso, inúmeras tipografias nos Estados de São Paulo, Rio de Ja-neiro, Goiás, Santa Catarina, Paraná e Pernambuco se valeram de ações judiciais para deixar de recolher ICM, sempre alcançando esse obje-tivo, pois os Tribunais e os Juízes, em geral, têm confirmado o que o STF já decidiu, ou seja, que as grá-ficas devem pagar ISS.

Essa situação traz uma grande vantagem para o ramo, pois enquan-to o ICM é calculado à base de 15% sobre o valor da venda do produto, o ISS é de apenas 4%. Como a redu-ção da carga tributária permite re-dução de preços, as gráficas de Na-tal despertaram de verdade para o problema na hora em que as suas concorrentes de Recife começaram a participar das licitações e tomadas de preços no Rio Grande do Norte, sempre conseguindo levar vantagem

e carrear para Pernambuco a maior parte dos serviços das grandes re-partições públicas, como o INPS e a Secretaria de Administração do Es-tado (que centraliza todas as com-pras de impressos do governo esta-dual). O que dava margem às em-presas de Recife a apresentarem menores preços era exatamente o fa-to de que muitas delas já não pagam mais o ICM, enquanto todas as grá-ficas natalenses continuam sujeitas a este imposto. Assim, pagando 11% a mais de obrigações tributá-rias do que as gráficas de fora, as fir-mas locais estavam perdendo o po-der de concorrência.

COBRANÇA DO ISS — Temen-do se envolver numa disputa com o fisco, por terem consciência da gra-vidade dessa atitude, os empresá-rios gráficos — mesmo falando sem-pre no assunto — iam adiando a de-cisão de recorrer à justiça, talvez à espera de uma solução administrati-va para o impasse. O diretor da Ti-pografia Santo Antônio Ltda., Dinar-te Bezerra de Andrade, tomou a ini-ciativa de fazer consultas à Receita Federal e à Fazenda Estadual, mas em ambos os casos as autoridades arrecadadoras apresentaram pare-cer contrário ao pagamento do ISS, com base na legislação que

regula-Gráfica é empresa prestadora de serviços.

RN/ECONÓMICO — Março/78

(18)

POLÍTICA FISCAL

menta a cobrança de IPI e ICM, que consideram impressão algo diferen-te de composição gráfica.

Pelo artigo 24 da Constituição Federal, regulamentado pelos de-cretos-leis n° 406, de 31.12.68, e n° 834, de 8.9.69, cabe aos municípios instituir imposto sobre os serviços de composição gráfica. Quando o Su-premo Tribunal Federal, julgando recurso apresentado pela Secretaria da Fazenda de São Paulo, definiu que composição gráfica é um termo abrangente, que engloba todas as f a s e s da atividade gráfica, desde a preparação das chapas até a impres-são e a feitura de qualquer servi-ço, desapareceu por completo a dú-vida sobre a competência tributária. Com base nisso, vários municí-pios passaram a tributar as tipogra-fias. Em Natal, a Secretaria de Fi-nanças da Prefeitura também iniciou a cobrança do ISS das empresas prestadoras de serviços gráficos, o que foi estabelecido através de Por-taria publicada no Diário Oficial de 25.1.78.

0 QUE FAZER? — Diante do ve-xame de estar pagando ICM e IPI e ainda ter de pagar ISS, os empresá-rios não tiveram outro caminho se-não buscar a orientação de advoga-dos. Ademais, perdendo o poder de concorrência com as gráficas de Re-cife que já vinham pagando apenas o ISS, as empresas locais estavam agora sofrendo os efeitos negativos da redução do seu volume de enco-mendas, e muitas, neste começo de ano, haviam mesmo diminuído o seu número de empregados como uma maneira de atravessar a crise.

Examinando a situação, os advo-gados Diógenes da Cunha Lima e Marcos Aurélio de Sá se depararam com dezenas de decisões favoráveis ao pagamento de ISS pelas gráficas, decisões partidas de Juízes e Tribu-nais de vários Estados, e finalmente ratificadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Acerca da questão, decidiu o STF, em 18.6.76:

"EMENTA — Serviços de com-posição gráfica. (Feitura e

impres-D i ó g e n e s d a C u n h a Lima

são de notas fiscais, fichas, talões, cartões, etc.).

I — Sujeição, apenas, ao ISS. Aplicação da Constituição, art. 24, II, c. c. os arts. 8o§ Io do

Decre-to-Lei n° 406/68, com as altera-ções introduzidas pelo Decreto-Lei n°834/69, Tabela, itensXaXXI".

Assim, embora os técnicos da Se-cretaria da Fazenda do Estado des-sem parecer favorável à incidência do ICM, não tiveram dúvidas os ad-vogados em recomendar o mandado de segurança contra a cobrança des-se tributo.

O MANDADO — Numa petição de nove laudas, enriquecida com cerca de trinta documentos anexos

em que os advogados reproduzem decisões judiciais de vários Estados acerca do assunto, além de parece-res jurídicos e matérias publicadas na imprensa de todo o país, quatorze gráficas requerem ao Juiz da Vara da Fazenda Pública do Rio Grande do Norte a concessão de medida li-minar contra a cobrança do ICM, co-mo também a expedição de manda-do de segurança declaranmanda-do o direito líquido e certo dos impetrantes de recolherem somente o ISS, com o afastamento do ICM, por constituir lesão irreparável de direito.

Participam da ação das seguintes empresas: Editora RN-ECONÔMI-CO Ltda., Tipografia Santo Antônio Ltda., Tipografia Galhardo, F. Nu nes, Indústria Gráfica União, Nor-deste Gráfica Ltda., Grafiex Ltda., Tipografia Expressa, Tipografia São Luiz, Tipografia Reis Magos, Gráfi-ca Offset, Ivanaldo Henrique Bezer-ra, Severina do Nascimento Gurgel e Alfa Gráfica e Editora Ltda.

Resta esperar o julgamento da causa. Só depois disso, a atividade gráfica no Rio Grande do Norte sa-berá exatamente como agir na ques-tão dos impostos. Se a decisão for fa-vorável, as empresas locais poderão enfrentar a concorrência de Recife. Se for contrária, salve-se quem pu-der!

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(19)

COMÉRCIO

O RENASCIMENTO DE UM BAIRRO COMERCIAL

Na década de 40 e até meados dos anos 50, a mais fina flor da so-ciedade natalense tinha no bairro da Ribeira o ponto de encontro das ati-vidades sociais e comerciais da cida-de. Na Ribeira estavam as lojas mais sofisticadas da época, como Nova Aurora, Paris em Natal, A Chilenita, Casa Reis, Casa Gomes, Armazém do

Norte, o popular Armazém Potiguar, e as Lojas 4 e 400. Depois, começou o declínio. Muitos comerciantes abandonaram o bairro e a cidade via morrer o seu berço de crescimento.

Repetidamente os jornais vêm anunciando o "fim da Ribeira" e o natalense já acreditava que a cidade velha estava virando museu. Até a vida noturna, onde havia o encontro dos boêmios, estava chegando ao fim, com o advento dos motéis de al-ta-rotatividade.

O RENASCIMENTO — Mas a certeza de que a Ribeira sempre se-ria uma mola propulsora na econo-mia da cidade fez com que firmas tradicionais ali permanecessem e in-centivassem o surgimento de con-correntes, para que a Ribeira conti-nuasse a ser uma opção comercial. E os resultados estão aparecendo ago-ra, quando o bairro e o comércio es-tão se revigorando e os que ali fica-ram acreditam que está para vir a fase do renascimento.

Hoje, os aluguéis estão se valori-zando, as transações imobiliárias também, e quase não se encontra prédios para alugar ou comprar. A maioria das firmas comerciais está ampliando suas instalações ou cons-truindo no bairro, demonstrando que acredita no soerguimento do co-mércio.

VELHOS TEMPOS — O comer-ciante José Rezende Filho, um piauiense, mas natalense por ado-ção e cidadania, chegou ao Estado e acreditou na Ribeira, instalando a sua loja de móveis e artigos domés-ticos " J . Resende". Apesar de toda a crise da Ribeira, a sua firma tem grande movimento, o que lhe permi-tiu abrir uma filial no centro da Cida-de. E José Resende presta seu de-poimento:

' 'A Ribeira está se recuperando. As firmas que vêm de fora estão aqui no bairro. Agora mesmo, uma firma de Recife comprou prédio e vai

iniciar suas atividades. Também o comerciante natalense acredita nes-ta recuperação, pois Limarujo com-prou o prédio de Natal Veículos, na Praça Augusto Severo, e faz uma grande remodelação. Galvão Mes-quita também reestrutura suas ins-talações. A Ribeira vai reconquistar e ocupar seu lugar de destaque, co-mo nos velhos tempos''.

fator de ser o bairro o primeiro a re-ceber os comerciantes do interior do Estado, que vinham fazer suas com-pras na capital.

Também as repartições públicas e os bancos começaram a se instalar fora da Ribeira; o movimento do por-to de Natal entrava na fase de deca-dência; e o grande movimento de trens na velha Estação Sampaio Cor-reia estava praticamente nulo. As lo-jas cediam seus lugares para depósi-tos e as oficinas de conserdepósi-tos come-çaram a proliferar.

Ninguém tinha mais interesses em investir na Ribeira, ou abrir uma casa comercial. Enquanto os terre-nos começavam a se desvalorizar, os prédios eram alugados a preços irri-sórios.

NÓS ACREDITAMOS — O co-merciante Ezequiel Fonseca, um dos diretores da firma "Pinheiro Cha-c o n " , é outro que diz que a Ribeira vive uma nova fase:

José Resende diz que a Ribeira está se recuperando. ' 'E o fato dessa recuperação — acrescenta José Resende — é em grande parte da permanência das grandes firmas na Ribeira, respon-sáveis por uma maior movimentação nas vendas. Agora mesmo, vamos marcar um ponto decisivo para o bairro, com a eliminação do estacio-namento na rua Dr. Barata. E um fa-to interessante é que os próprios co-merciantes fizeram este pleito ao DETRAN. Acreditamos que as mo-dificações no trânsito vão ajudar m uito ao nosso comércio''.

POR QUE O DECUNIO? — Nin-guém acreditava que a Ribeira per-deria a sua hegemonia no comércio, mesmo com o surgimento das lojas da Cidade-Alta e o comércio inci-piente do Alecrim, que cresceu como

Ezequiel Fonseca acredita no futuro do bairro. ' A maior prova de que nós acre-ditamos na Ribeira, é o investimen-to que a Pinheiro Chacon está fazen-do, construindo um prédio de dois pavimentos, de linhas arquitetônicas modernas, na esquina da Avenida Duque de Caxias, com a Explanada Silva Jardim, que está orçado em

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COMÉRCIO

dois milhões de cruzeiros e com con-clusão prevista para março. Aliás, é bom ressaltar que todos os imóveis da firma estão localizados na Ribeira e não pretendemos mudar a nossa matriz, que será sempre no bairro, mesmo que nos instalemos em ou-tras áreas da cidade''.

' 'A recuperação da Ribeira se de-ve à tradição, aliada à facilidade de estacionamento que existe, em com-paração tom o comércio do Centro e do Alecrim, totalmente congestiona-dos. Já se fala num estacionamento rotativo para as praças Augusto Se-vero e José da Penha e num melhor escoamento da rua Almino Afonso para a Rio Branco. Enfim, acredita-mos muito no comércio da Ribeira''.

ESTAÇÃO RODOVIÁRIA — Há quase vinte anos a Prefeitura do Na-tal destruía a metade da tradicional Praça Augusto Severo e com ela o velho "Tabuleiro da Baiana", e em seu lugar construía a Estação Rodo-viária, um prédio de dois pavimen-tos, com um pequeno centro comer-cial, e que muitos acreditavam seria a redenção do bairro, que começava a atravessar sua fase de declínio.

Ninguém hoje se interessou em estudar a importância da Rodoviária para a Ribeira, mas é bem provável que tenha sido uma das responsá-veis pela permanência de firmas ali, durante tanto tempo.

UM GRANDE ERRO — Para o comerciante Manoel Maria da Cos-ta, da firma MM CosCos-ta, é um grande erro tirar a Rodoviária de onde está. Do balcão de sua loja ele vê todo o

Manoel Maria contra a saída da estação rodoviária. movimento de embarque e desem-barque e já se habitou com a voz pausada e interiorana do locutor que anuncia as saídas dos coletivos da Estação Rodoviária Presidente Ken-nedy.

Mas apesar de tudo, ele acredita no bairro da Ribeira:

' 'Na rua Dr. Barata todos os pré-dios estão ocupados. As casas que estão fechadas, estão em restaura-ção. 0 comércio está se recuperando e a movimentação em nossa loja sempre tem aumentado gradativa-mente. É um comércio distinto da ci-dade, dedicado mais a material de construção e casas de ferragens, de automóveis e de peças. Os aluguéis de alguns prédios estavam em torno de Cr$ 1 mil, mas agora ultrapassam aos CrS 5 mil".

SOLIDIFICAÇÃO — Na Ribeira, além de Pinheiro Chacon, estão

am-pliando e modernizando suas insta-lações as firmas Galvão Mesquita, Limarujo, Rádio Cabugi e Tribuna do Norte, gráfica e livraria Clima.. As empresas de pesca estão ocupan-do a rua Chile, enquanto o DETRAN anuncia um novo plano de trânsito, para beneficiar o bairro, e a Prefei-tura começou a atacar um dos crôni-cos problemas da Ribeira: o alaga-mento de suas ruas e praças, duran-te o inverno. Para isso, está cons-truindo uma rede de galerias plu-viais.

TRADIÇÃO RENOVADA — A firma Galvão Mesquita, que durante muito tempo só operava na Ribeira e que agora já tem filiais no Alecrim, no Barro Vermelho e brevemente es-tará na Salgado Filho, é uma das tra-dições da Ribeira e que sempre acre-ditou no bairro. E o que se deduz das declarações do seu novo diretor-pre-sidente, Paulo Vasconcelos de Pau-la, que mesmo sem ter conhecido a velha Ribeira, sugere que se renove a tradição e que a moda seja fazer compras como antigamente, no co-mércio da Ribeira.

' Eu acredito que o comércio es-tá se recuperando. O nosso negócio por exemplo — afirma Paulo — está m uito bom e não deixa a desejar da movimentação de nossas filiais.

Com o estacionamento rotativo, ain-da vai aumentar muito mais. Vamos esperar para que as pessoas venham à Ribeira, mas para tanto será pre-ciso o apoio e a iniciativa dos comer-ciantes, decorando as vitrines como nos anos de ouro. Tudo é cíclico e a Ribeira tem que ser revalorizada''.

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Referências

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