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Avaliação emergética e indicadores socioambientais de Brasil, Estados Unidos e México nas últimas sete décadas

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Academic year: 2021

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ANA BEATRIZ GUIMARÃES FERREIRA DOS SANTOS

AVALIAÇÃO EMERGÉTICA E INDICADORES

SOCIOAMBIENTAIS DE BRASIL, ESTADOS UNIDOS E

MÉXICO NAS ÚLTIMAS SETE DÉCADAS

CAMPINAS 2020

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE ENGENHARIA DE ALIMENTOS

(2)

ANA BEATRIZ GUIMARÃES FERREIRA DOS SANTOS

AVALIAÇÃO EMERGÉTICA E INDICADORES

SOCIOAMBIENTAIS DE BRASIL, ESTADOS UNIDOS E

MÉXICO NAS ÚLTIMAS SETE DÉCADAS

Dissertação apresentada à Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas como parte dos Requisitos exigidos para a obtenção do título de Mestra em Engenharia de Alimentos

Orientador: Prof. Dr. Enrique Ortega Rodriguez ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DE DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELA ALUNA ANA BEATRIZ GUIMARÃES FERREIRA DOS SANTOS E ORIENTADA PELO PROF. DR. ENRIQUE ORTEGA RODRIGUEZ.

CAMPINAS 2020

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Claudia Aparecida Romano - CRB 8/5816

Santos, Ana Beatriz Guimarães Ferreira dos,

Sa59a SanAvaliação emergética e indicadores socioambientais de Brasil, Estados Unidos e México nas últimas sete décadas / Ana Beatriz Guimarães Ferreira dos Santos. – Campinas, SP : [s.n.], 2020.

SanOrientador: Enrique Ortega Rodriguez.

SanDissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia de Alimentos.

San1. Soberania alimentar. 2. Bem-estar. 3. Contabilidade ambiental. I. Ortega Rodriguez, Enrique. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia de Alimentos. III. Título.

Informações para Biblioteca Digital

Título em outro idioma: Emergy assessment and socio-environmental indicators in Brazil,

the United States and Mexico in the last seven decades

Palavras-chave em inglês:

Food sovereignty Wellbeing

Environmental accounting

Área de concentração: Engenharia de Alimentos Titulação: Mestra em Engenharia de Alimentos Banca examinadora:

Enrique Ortega Rodriguez [Orientador] Jose Maria Gusman Ferraz

Miguel Juan Bacic

Data de defesa: 17-02-2020

Programa de Pós-Graduação: Engenharia de Alimentos

Identificação e informações acadêmicas do(a) aluno(a)

- ORCID do autor: https://orcid.org/0000-0001-9661-5955 - Currículo Lattes do autor: http://lattes.cnpq.br/4579210821540774

(4)

Prof. Dr. Enrique Ortega Rodriguez (ORIENTADOR) – DEA/FEA/UNICAMP

Prof. Dr. Jose Maria Gusman Ferraz (MEMBRO) – DEA/FEA/UNICAMP

Prof. Dr. Miguel Juan Bacic

(MEMBRO) Instituto de Economia / UNICAMP

Ata da Defesa, assinada pelos membros da Comissão

Examinadora, consta no SIGA/Sistema de Fluxo de Dissertação/Tese e na Secretaria de Pós-Graduação da Faculdade de Engenharia de Alimentos.

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais Kátia Maria Munduruca Guimarães Santos e Edelson Ferreira dos Santos por todo o amor e suporte oferecido, e também à Deus. Meus pais são a

minha fonte de inspiração ética, fundamentais para a construção do meu caráter e visão de mundo. Sem eles, não conseguiria concretizar meus sonhos e objetivos.

(6)

AGRADECIMENTOS

Agradeço à Deus por me guiar, orientar meu caminho e permitir que a vida se encaminhe sempre da melhor maneira possível.

Ao meu orientador, Enrique Ortega Rodriguez, pela oportunidade de realizar essa pesquisa, toda ajuda e orientação que permitiram que esse projeto fosse realizado.

Aos professores Miguel Bacic e Jose Maria pelas discussões, sugestões, orientações e apoio técnico-científico dadas ao decorrer desse trabalho.

Às alunas de iniciação científica, Ana Luísa e Natálie, que colaboram na obtenção de dados para essa pesquisa. E também aos alunos, Luís, Maurício e Giovanna. Sem um esforço conjunto, a conclusão desse trabalho não seria possível.

Ao programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pelo apoio. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

À toda a minha família, em especial meus pais, minhas irmãs, Barbara e Iana, ao meu irmão Nícolas, que sempre acreditaram em mim e com a convivência, conversas e discussões despretensiosas, mas valiosas, me inspiraram e me levaram a refletir sobre a vida e minha função no mundo.

Aos meus amigos e colegas, de vida e de mestrado por todo apoio e companheirismo, sempre me ouvindo e me incentivando nessa jornada.

(7)

RESUMO

Nas últimas décadas, o modelo industrial de produção e consumo se espalhou por todo o mundo, afetando negativamente o bem-estar da maioria das pessoas e dos ecossistemas. As políticas públicas devem ser revistas para atender as metas da Organização das Nações Unidas (ONU) relativas ao desenvolvimento sustentável e aos direitos humanos. A Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é um órgão da ONU que elabora propostas de políticas para a produção de alimentos visando a eliminação da fome e má nutrição. Em 1974, a FAO lançou a Política de Segurança Alimentar influenciada pelo agronegócio internacional. O exame crítico da Política de Segurança Alimentar mostrou a degradação dos métodos produção de alimentos de alta sustentabilidade ecológica, a fome no campo e migrações rurais. Essa crítica foi feita pelo movimento camponês “La Via Campesina”, que é composto de organizações de trabalhadores rurais, camponeses, indígenas e cientistas, que apresentou como alternativa, a Política da Soberania Alimentar, para valorizar as práticas produtivas dos pequenos agricultores que realizam preservação ambiental. Assim, em termos de produção de alimentos, existem duas políticas em conflito. A avaliação das opções políticas requer uma abordagem sistêmica quantitativa, como a metodologia emergética (H.T. Odum, 1924-2002) que mede todas forças que atuam nos sistemas usando como unidade comum, a emergia (exergia solar equivalente). Os indicadores da avaliação emergética permitem fazer inferências sobre os efeitos das políticas públicas sobre os recursos e a economia do país. Para aprimorar a metodologia, esta pesquisa incluiu indicadores sobre a situação dos ecossistemas e ao bem-estar da população, tais como: áreas preservadas de cada bioma, saúde da população, emprego, educação e desigualdade da renda. Foi elaborado o perfil emergético do Brasil, Estados Unidos e México durante sete décadas para observar as tendências dos índices emergéticos e as mudanças nos biomas, na economia e na sociedade. A análise dos resultados obtidos revelou que o crescimento econômico causou benefícios concentrados e grandes impactos nos biomas e na população. A discussão dos resultados permite fazer inferências sobre as políticas públicas adequadas para este século: (a) reforma agrária ecológica que conte com serviços públicos adequados, (b) descentralização e redução da escala das atividades de produção-consumo-transformação e reciclagem de acordo com as caraterísticas de cada região, (c) uso dos recursos dos ecossistemas conforme sua capacidade de recuperação, (d) educação universal com enfoque sistêmico, crítico e propositivo, (e) discussão ampla das políticas públicas necessárias para cada etapa da transição ao desenvolvimento ecológico socialmente sustentável.

(8)

ABSTRACT

In the last decades, the industrial food model has spread all over the world. It has affected the health of people and ecosystems. Public policies should be reviewed in order to meet sustainable development goals and human rights.The United Nations Food and Agriculture Organization (FAO), an agency of the United Nations (UN), developed several food policy proposals aimed at eliminating hunger and malnutrition. In 1974, FAO launched the Food Security Policy influenced by international agribusiness.A critical examination of the effects of Food Security Policy in peripherical countries revealed the degradation of small farmers ecological economies and undesired lateral effects as unemployment, hunger and rural exodus. The critic came from the peasant movement "La Via Campesina", which is an organization of small farmers, indigenous people and rural workers from all over the world, and also researchers committed to their cause. They presented, as an alternative, the Food Sovereignty Policy, to rescue ecological-traditional practices that value the small farming ecological production and environmental preservation. Alternative food and health policies requires a quantitative systemic approach and scenarios modelling, which can be offered by the emergy methodology. This environmental accounting approach measures and compares the driving forces acting on ecosystems using a common unit called emergy (equivalent solar exergy). The emergy assessment indices allow inferences about the effects of public policies on the country's resources and economy aspects. However, in order to enhance the methodology, it is proposed to parameters related to general well-being, such as: ecosystem preserved areas, population´s health, employment, education, and income inequality. The emergy profile of Brazil, the United States, and Mexico was analyzed to correlate changes in biomes and the economy.The economic growth politic has caused concentrated benefits and impacts on biomes and the population. The results allow us to infer that the new public policies to meet the global priorities of this century should include: (a) agroecological land reform with adequate public services, (b) decentralization and scaling down of production-consumption-processing and recycling activities taking into account regional characteristics, (c) ecosystem restoration, (d) education for all people with a systemic, critical and purposeful focus, (e) public policies that consider the transition to an ecologicaland socially sustainable development.

(9)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Diagrama de sistemas de um país ... 28

Figura 2: Diagrama de fluxos agregados ... 30

Figura 3: Variação dos fluxos agregados de emergia no período entre 1950 e 2018 ... 38

Figura 4: Emergia Usada Total no Brasil ... 39

Figura 5: Renovabilidade do sistema ... 39

Figura 6: Emergia dos Biomas preservados ... 40

Figura 7: Fluxos de emergia dos recursos não renováveis ... 40

Figura 8: Razão de Rendimento e Razão de Intercâmbio Emergético ... 41

Figura 9: Taxa de Investimento Emergético e Taxa de Carga Ambiental... 41

Figura 10: Balanço de Serviços) ... 42

Figura 11:Estimativa da Emergia per dólar do Brasil.. ... 42

Figura 12: Estimativa da emergia per capita.. ... 43

Figura 13: Estimativa da área remanescente dos biomas brasileiros. ... 43

Figura 14:Redução da área florestal do Brasil ao longo do tempo ... 44

Figura 15: Emissões de CO2 equivalente pelo Brasil ... 44

Figura 16: Emissões de gás carbônico por setor no Brasil ... 45

Figura 17:Produção agrícola de cereais no Brasil ... 45

Figura 18: Consumo de fertilizantes no Brasil ... 46

Figura 19: Uso de agrotóxicos no Brasil por ano ... 46

Figura 20: Migração da zona rural para zona urbana ... 47

Figura 21: Variação do coeficiente de Gini nas últimas 7 décadas. ... 47

Figura 22: Oscilações no desemprego nas últimas duas décadas ... 48

Figura 23: Saldo da Balança Comercial Brasileira ... 49

Figura 24: Taxa de Mortalidade Infantil e Expectativa de Vida ... 49

Figura 25: População em extrema pobreza ... 50

Figura 26: Porcentagem da população com 18 anos ou mais obesa no Brasil ... 50

Figura 27: Porcentagem da população analfabeta nas áreas urbana e rural ... 51

Figura 28: Número de anos de estudo de adultos com 25 anos ou mais ... 51

Figura 29: A figura mostra o número crescente de homicídios no país ... 52

Figura 30: O gráfico mostra o crescente de suicídios no Brasil ... 52

Figura 31: Variação nos fluxos agregados de emergia no período entre 1950 e 2018 nos Estados Unidos ... 59 Figura 32: Variação entre os fluxos de emergia agregados no período entre 1950 e 2018 no México 66

(10)

Figura 33: Emergia Usada Total nos Estados Unidos ... 67

Figura 34: Emergia Total Usada no México.) ... 67

Figura 35: Renovabilidade nos Estados Unidos ... 68

Figura 36:Renovabilidade no México ... 68

Figura 37: Emergia dos Biomas Preservados nos Estados Unidos ... 69

Figura 38: Emergia dos Biomas Preservados no México ... 69

Figura 39: Fluxos de Recursos Não Renováveis nos Estados Unidos ... 70

Figura 40: Fluxos de Recursos Não Renováveis nos México ... 70

Figura 41: Razão de Rendimento e Razão de Intercâmbio Emergético nos EUA ... 71

Figura 42: Razão de Rendimento e Razão de Intercâmbio Emergético no México ... 71

Figura 43: Taxa de Investimento Emergético e Taxa de Carga Ambiental nos EUA ... 72

Figura 44: Taxa de Investimento Emergético e Taxa de Carga Ambiental no México ... 72

Figura 45: Balanço de Serviços nos Estados Unidos ... 73

Figura 46: Balanço de Serviços no México ... 73

Figura 47: Estimativa da Emergia per dólar dos EUA ... 74

Figura 48: Estimativa da Emergia per dólar dos EUA ... 74

Figura 49: Estimativa da emergia per capita nos EUA.) ... 75

Figura 50: Estimativa da emergia per capita no México ... 75

Figura 51: Área florestal nos Estados Unidos ... 76

Figura 52: Área florestal no México ... 76

Figura 53: Emissões de gases de efeito estufa nos Estados Unidos ... 77

Figura 54: Emissões de gases de efeito estufa no México ... 77

Figura 55: Área agrícola dos Estados Unidos ... 78

Figura 56: Área agrícola do México... 78

Figura 57: Uso de Agrotóxicos nos Estados Unidos ... 79

Figura 58: Uso de Agrotóxicos nos Estados Unidos ... 79

Figura 59: Taxa de aplicação de fertilizantes nos Estados Unidos ... 80

Figura 60: Taxa de aplicação de fertilizantes no México ... 80

Figura 61: Perfil da produção de cereais nos Estados Unidos ... 81

Figura 62: Perfil da produção de cereais no México ... 81

Figura 63: Número de pessoas nas zonas rural e urbana, nos Estados Unidos. ...82

Figura 64: Número de pessoas nas zonas rural e urbana, no México. Dados: World Bank (2019). ... 82

Figura 65: Variação do coeficiente de Gini nas últimas décadas nos Estados Unidos ... 83

Figura 66: Variação do coeficiente de Gini no México (World Bank & Lacea, 2019)... 83

(11)

Figura 68: Oscilações no desemprego nas últimas três décadas no México ... 84

Figura 69: Saldo da balança comercial dos Estados Unidos. ... 85

Figura 70: Saldo da balança comercial do México. ... 85

Figura 71: Expectativa de Vida nos Estados Unidos... 86

Figura 72: Expectativa de Vida México ... 86

Figura 73: Extrema pobreza nos Estados Unidos ... 87

Figura 74: Extrema pobreza no México ... 87

Figura 75: População Adulta Obesa nos Estados Unidos ... 88

Figura 76: População Adulta Obesa no México ... 88

Figura 77: Taxa de Alfabetização nos Estados Unidos ... 89

Figura 78: Taxa de Alfabetização no México ... 89

Figura 79: Taxa de suicídios nos Estados Unidos ... 90

Figura 80: Taxa de suicídios no México... 90

Figura 81: Número de homicídios intencionais por 100000 habitantes nos Estados Unidos ... 91

(12)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Comparação entre as políticas de Segurança e Soberania Alimentar em 1996 ... 25

Tabela 2: Problemas gerados pela política de Segurança Alimentar da FAO (1996) ... 25

Tabela 3 : Comparação entre as políticas de Segurança e Soberania Alimentar (2017). ... 26

Tabela 4: Primeira lista de variáveis relacionada com as políticas de alimentação... 27

Tabela 5: Avaliação Emergética do Brasil ... 34

Tabela 6: Fluxos de Emergia Agregados para o ano 2018 ... 36

Tabela 7:Índices usando emergia para uma visão geral do Brasil (2018) ... 37

Tabela 8: Avaliação Emergética dos Estados Unidos ... 56

Tabela 9: Fluxos de Emergia Agregados para o ano 2018 ... 58

Tabela 10:Índices usando emergia para uma visão geral dos Estados Unidos (2018) ... 58

Tabela 11:Avaliação Emergética do México ... 63

Tabela 12:Fluxos de Emergia Agregados para o ano 2018 (México) ... 65

(13)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 16

2.OBJETIVO ... 21

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 22

3.1 A avaliação emergética estática e dinâmica de um país: ... 23

3.2 As limitações da metodologia emergética e uma proposta para superá-las ... 23

3.3 Estudo da evolução dos critérios de segurança alimentar e soberania alimentar ... 25

3.4 A proposta da agroecologia ... 27

4 MATERIAL E MÉTODOS ... 28

4.1 Contabilidade Emergética ... 28

4.2 Diagrama sistêmico de um país ... 28

4.4 Inclusão de novos parâmetros ... 31

4.5 Fontes de dados ... 31

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 32

5.1 BRASIL ... 32

5.1.1 Análise Emergética do Brasil ... 34

5.1.2 Valores agregados de emergia ... 36

5.1.3 Contabilidade Emergética nas últimas sete décadas ... 39

5.1.3.1 Fluxos Totais de Emergia no Brasil ... 39

5.1.3.2 Renovabilidade ... 39

5.1.3.3 Fluxos de Recursos Não Renováveis ... 40

5.1.3.4 Taxa de Rendimento Emergético e Taxa de Intercâmbio Emergético ... 41

5.1.3.5 Taxa de Investimento Emergético e Taxa de Carga Ambiental ... 41

5.1.3.6 Balanço de Serviços ... 42

5.1.3.7 Razão Emergia por dinheiro (EMR) ... 42

5.1.3.8 Emergia per capita ... 43

5.1.4 Os indicadores sociais e ambientais incluídos ... 43

5.1.4.1 Saúde dos Ecossistemas ... 43

5.1.4.2 Produção de alimentos ... 45

5.1.4.3 Emprego, renda e desigualdade social ... 46

5.1.4.4 Saúde e Bem-estar ... 49

(14)

5.1.4.6 Problemas sociais graves ... 52

5.2 RESULTADOS: ESTADOS UNIDOS ... 53

5.2.1 Análise Emergética dos Estados Unidos ... 56

5.2.2 Valores agregados de emergia dos Estados Unidos ... 58

5.3 RESULTADOS: MÉXICO ... 60

5.3.1 Análise Emergética do México ... 63

5.3.2 Valores agregados de emergia do México ... 65

5.4 COMPARAÇÃO DOS INDICADORES DOS ESTADOS UNIDOS E DO MÉXICO ... 67

5.4.1 Comparação dos Indicadores de Emergia dos Estados Unidos e México ... 67

5.4.1.1 Emergia Total Usada ... 67

5.4.1.2 Renovabilidade ... 68

5.4.1.3 Emergia dos Biomas Preservados ... 69

5.4.1.4 Fluxos de Recursos Não Renováveis (N0, N1, N2) ... 70

5.4.1.5 Taxa de Rendimento Emergético e Taxa de Intercâmbio Emergético ... 71

5.4.1.6 Taxa de Investimento Emergético e Taxa de Carga Ambiental ... 72

5.4.1.7 Balanço de Serviços ... 73

5.4.1.8 Emergia por dólar ... 74

5.4.1.9 Emergia per capita ... 75

5.4.2 Indicadores socioambientais ... 76 5.4.2.2 Emissões de CO2 ... 77 5.4.2.3 Área agrícola ... 78 5.4.2.4 Uso de agrotóxicos ... 79 5.4.2.5 Fertilizantes ... 80 5.4.2.6 Produção de Cereais ... 81 5.4.2.7 População ... 82 5.4.2.8 Desigualdade Social ... 83 5.4.2.9 Desemprego ... 84

5.4.2.10 Saldo da Balança Comercial ... 85

5.4.2.11 Expectativa de Vida ... 86

5.4.2.12 Extrema Pobreza ... 87

5.4.2.13 Obesidade ... 88

5.4.2.14 Educação ... 89

(15)

5.4.2.16 Homicídios Intencionais ... 91

5.5 DISCUSSÃO: Conclusões sobre as interações entre Estados Unidos e México ... 92

6 CONCLUSÃO ... 94

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 98

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 99

APÊNDICE A ... 107

(16)

1 INTRODUÇÃO

Estão surgindo novas questões críticas para a humanidade: (a) Necessidade de mudar uma economia política baseada no crescimento, pois gera problemas maiores dos que resolve. (b) O bem-estar da população e da economia dependem da capacidade do meio ambiente de prover recursos e serviços naturais; (c) A redução das áreas preservadas e o aumento dos resíduos tóxicos ameaça o funcionamento da biosfera. (SWINBURN et al, 2019; ARNETH et al, 2019; FAO, 2019). Em vista do anterior, é necessário: (a) Conciliar desenvolvimento humano e preservação do ambiente (MEADOWS et.al., 2005); (b) Identificar a quem se destina a riqueza produzida (PIKETTY, 2014); (c) Modelar e simular cenários de futuro que incluam a recuperação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos (ARNETH et al., 2019); (d) Promover a produção ecológica de alimentos assim como preservar a diversidade genética dos cultivos alimentares (FAO, 2019).

Howard Thomas Odum (1924-2002) acreditava que a modelagem e simulação de sistemas facilitariam a compreensão dos sistemas complexos, a partir de conceitos unificados que permitiriam à sociedade uma tomada de ações correta. A metodologia emergética, proposta por ele, mede os recursos renováveis e não renováveis utilizados para produzir e consumir e permite discutir a interação entre os sistemas humanos e os naturais. Além disso, fornece informações sobre o desempenho de um sistema: saldo emergético, renovabilidade, taxa de investimento, taxa de carga ambiental, taxa de intercâmbio de emergia, preço justo; e discutir a capacidade de suporte renovável, a resiliência ecológica, a taxa de geração de emprego, a perda de serviços ecossistêmicos, o valor das externalidades negativas etc.

A metodologia emergética avalia os ecossistemas por meio de análise emergéticas e índices termodinâmicos que avaliam o desempenho termodinâmico ao longo do tempo. Ela mede as contribuições da natureza e da economia, em termos de energia solar agregada, ou simplesmente emergia (ORTEGA et.al., 2008). A perspectiva histórica é importante para avaliar os parâmetros que revelam a qualidade da interface entre o meio ambiente e a sociedade. A avaliação dos indicadores emergéticos deve considerar o maior período possível, porém as estatísticas oficiais cobrem basicamente um período de apenas sete décadas. O diagnóstico obtido em uma análise emergética -bem fundamentada- pode ser útil na elaboração de políticas públicas e na gestão de um ecossistema.

(17)

1.1 A produção de alimentos, as mudanças climáticas e os problemas sociais.

A segurança alimentar está relacionada com a situação em que se encontram os ecossistemas, pois eles fornecem os recursos para manutenção da vida (alimentos, água, recursos genéticos), e são fundamentais para o bom funcionamento dos mecanismos de regulação climática (CAMPBELL et al., 2016). Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (ARNETH, 2019), as alterações existentes e as previstas colocam em risco o funcionamento da biosfera, a preservação da biodiversidade, a infraestrutura econômica e os sistemas de produção de alimentos. O nível do risco envolvido nas mudanças climáticas depende da velocidade das respostas dos movimentos sociais, das instituições de ciência e da tecnologia e da percepção e comunicação humana em relação às novas necessidades.

As populações mais pobres e as marginalizadas são as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Esta situação pode gerar graves conflitos (OPPENHEIMER et al., 2014), pois o número de pessoas famintas voltou a crescer, mesmo com um aumento na produção de alimentos. A ineficácia da política de segurança alimentar se observa no fato de o aumento da produtividade agrícola não ter gerado maior acesso aos alimentos (GARIBALDI et al., 2017). E junto a isso, uma crise financeira global aumentou a instabilidade dos preços dos alimentos o que aumenta o risco da fome e da turbulência social (SCHANBACHER, 2015).

Além disso, as mudanças climáticas também podem afetar a saúde mental da população. Segundo Palinkas (2020), as mudanças climáticas podem gerar queda do ingresso, diminuição das oportunidades de emprego, redução na produtividade na agricultura, na pesca e nas atividades industriais, ameaças ao bem-estar por lesões e mortes, disseminação de doenças respiratórias por vetores e doenças devidas ao aumento da temperatura, deslocamento populacional e conflitos sociais. É importante destacar que o uso de agrotóxicos afeta a saúde mental, pois aumenta o suicídio, responsável por 20% das mortes no mundo (Pedersen, 2017; Razwiedani, 2017). Para superar a crise, a Organização das Nações Unidas lançou o programa dos 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável (ODS/ONU) para orientar ações nos países associados para diminuir a pobreza, promover o bem-estar, proteger o meio ambiente e enfrentar as mudanças climáticas. As propostas implicam na organização das comunidades e suas regiões para o combate à desertificação, à degradação do solo e a segurança alimentar (ARNETH, 2019).

(18)

1.2 Descrição e histórico dos conceitos de segurança alimentar e soberania alimentar: Uma questão que se discute há séculos é assegurar que a produção de alimentos atenda a demanda da população, pois é um fator essencial para a sobrevivência das nações. Em 1778, Thomas Robert Malthus teorizou que o crescimento populacional na Inglaterra teria se tornado muito maior do que a capacidade de produção de alimentos, o que poderia causar fome e miséria. Sua teoria incentivou a introdução de muitas transformações no setor agrícola (ALENCAR, 2001). Porém, não previu os fatores que solucionaram a crise: a emigração de população da Grão Bretanha e Irlanda a outros continentes, o uso de novos insumos na agricultura (guano e salitre), e a importação de alimentos. Malthus identificou como fatores limitantes: a área agrícola, a produtividade da terra e o crescimento da população, mas não a origem ética e política do problema observado. Deve-se reconhecer que ele estava sinceramente preocupado com os perigos que ameaçavam a população local (PEREIRA, 2013).

Após a Primeira Guerra Mundial, com a quebra da economia de muitos países, a fome começou a ser discutida pela Liga das Nações, criada em 1919. Porém, em decorrência de sua incapacidade de evitar a Segunda Guerra Mundial (BRAGA, 2016) ela deixou de existir. Depois da segunda guerra foi criada a Organização das Nações Unidas para cuidar dos problemas do mundo, junto com seu órgão denominado Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO), cuja missão é elaborar estratégias contra a fome (SILVA, 2014)

Desde 1947, a FAO publica o relatório anual “The State of Food and Agriculture” que discute os aspectos relacionados à segurança alimentar e seu vínculo com a agricultura ao redor do mundo. Era uma época de transformação do modo de produzir alimentos e ainda havia fome em alguns países. Nesse período, a falta de alimentos foi discutida com viés exclusivamente econômico. A FAO (1947) considerava como uma estratégia adequada a “modernização” da produção de alimentos usando fertilizantes químicos, agrotóxicos, maquinaria, irrigação e também o acesso dos países com déficit alimentar ao mercado mundial de alimentos. Na década dos anos setenta, a FAO, passou ter novos objetivos: a estabilização dos preços dos alimentos, a criação de estoques reguladores e a industrialização da agricultura, ainda em um cenário de escassez de alimentos (FAO, 1975). O conceito “Segurança Alimentar” foi lançado na Conferência Mundial de Alimentação, em 1974, e foi definido como: “a disponibilidade de alimentos básicos para sustentar a expansão do consumo de alimentos e compensar as flutuações na produção e nos preços”. E em 1983, o

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conceito de Segurança Alimentar mudou e passou a assumir que era necessário “o acesso às commodities alimentares” e “garantir que todas as pessoas tivessem acesso físico e econômico aos alimentos básicos de que precisam” (FAO, 2006).

Em 1996, a FAO, na Declaração de Roma sobre a Segurança Alimentar Mundial reforçou-se a questão do acesso, uso e disponibilidade, visto que, mesmo com o aumento da produção agrícola, as famílias tinham dificuldade de adquirir alimentos e o fenômeno da instabilidade na oferta e na procura impediam que a segurança alimentar fosse alcançada. A Declaração de Roma disse: “existe segurança alimentar quando as pessoas têm, a todo momento, acesso físico e econômico a alimentos seguros, nutritivos e suficientes para satisfazer suas necessidades dietéticas e suas preferências alimentares, a fim de levarem uma vida ativa e saudável”. Também, indicou-se a existência de problemas ambientais, como fator que podia impedir que as necessidades básicas fossem satisfeitas. Em vista disso, era necessária a adoção de políticas públicas com estratégias em nível regional e internacional, em uma coordenação de esforços das instituições, sociedades e economias (FAO, 1996).

Nesse mesmo ano, o movimento mundial de trabalhadores rurais, camponeses e indígenas chamado “La Via Campesina” criticou o conceito de segurança alimentar da FAO, que os excluía e os prejudicava e sugeriu a soberania alimentar, enfatizando o direito das populações dos territórios rurais de definir das políticas de produção de alimentos (La Via Campesina, 1996). Essa organização definiu a soberania alimentar como “o direito de cada nação de manter e desenvolver sua capacidade de produzir a alimentação básica, respeitando a diversidade cultural e produtiva”. A soberania alimentar seria a precondição para a segurança alimentar genuína. Alguns anos depois, a La Via Campesina acrescentou ao definição a necessidade de criar políticas públicas baseadas nos princípios de controle democrático dos recursos, sustentabilidade ecológica, equidade, cooperação e medidas para se precaver de eventos que causam danos e falências (LA VIA CAMPESINA, 2001)

Em 2014, no Simpósio Internacional de Agroecologia para Segurança Alimentar, realizado em Roma, a FAO, redefine o conceito de “desempenho agrícola” para reconhecer a realidade dos pequenos agricultores familiares, considerando a redução do uso de energia fóssil para diminuir os impactos negativos no meio. Reconhece o valor da agroecologia, a necessidade de evitar a destruição dos recursos ambientais e a biodiversidade e o pagamento dos serviços ambientais. Considera a “biodiversidade” como um componente essencial para

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resiliência do sistema rural que deve ser mantida, sem onerar os pequenos produtores, como um capital biológico que facilite a adaptação a um futuro sem petróleo e com fortes mudanças climáticas. A posse de terras e a autonomia para o manejo das sementes também são destacados como fatores essenciais para a transição a um desenvolvimento realmente sustentável (FAO, 2015). Em publicações recentes, a FAO coloca que o alcance de seus objetivos para a segurança alimentar depende do progresso nas áreas rurais, com fortalecimento da economia local, de forma inclusiva e sustentável. Para alcançar os resultados desejados recomenda levar em consideração o potencial não explorado dos sistemas alimentares para o desenvolvimento agroindustrial e medidas para apoiar os produtores rurais de pequena escala. A meta da organização, na Agenda 2030, é acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover agricultura sustentável (FAO, IFAD, UNICEF, 2017).

Diversas organizações mundiais estimam que 815 milhões de pessoas ao redor do mundo sofrem de desnutrição crônica, sendo que 75% deles são pequenos camponeses, o que indica que ainda há muito a ser discutido e feito para que haja qualidade de vida, prosperidade e paz (FAO, IFAD, UNICEF, 2017). Percebe-se que o conceito de segurança alimentar mudou nas últimas de décadas para se adequar ao novo contexto social e político, aproximando-se cada vez mais das políticas de direitos humanos. Porém, a solução básica considerada pelas organizações mundiais ainda é o aumento da produção de alimentos usando a perspectiva do agronegócio. Por outro lado, a FAO (2018) reconhece a importância da agroecologia como fator que pode permitir atingir as metas propostas na Agenda 2030. A abordagem agroecológica indica as reais causas dos problemas da fome e que a solução é manter atuantes as comunidades rurais existentes e criar novas, em um caminho que integra todas as dimensões da sustentabilidade -social, econômica e ambiental–. A solução agroecológica surge dos produtores familiares, dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, pescadores ribeirinhos, mulheres rurais e dos jovens. A junção do conhecimento científico com sabedoria popular pode contribuir para construir o cenário ideal que atenda às necessidades futuras.

A soberania alimentar defendida pela Via Campesina, sugere respeito à capacidade produtiva natural e à diversidade cultural de cada nação, e rejeita a intromissão do capital internacional. E defende que as práticas agrícolas baseadas na agroecologia e nos

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conhecimentos ancestrais em harmonia com a natureza são capazes de alimentar o mundo, e que podem ser construídas alianças equitativas entre pessoas, organizações e movimentos do campo e da cidade (LA VIA CAMPESINA, 2017). A soberania alimentar enfatiza a importância do estudo das relações internas e externas geradas pelo capitalismo, dos impactos causados no meio ambiente, e do controle autônomo e democrático da terra, da água e do manejo ecológico (JAROSZ, 2014).

1.3 A necessidade de comparar segurança alimentar e soberania alimentar

A comparação das políticas de segurança e soberania alimentar de forma sistêmica, com uma perspectiva dinâmica, pode permitir uma análise crítica multifatorial. É necessário uma visão holística para identificar os parâmetros importantes e as variáveis que podem ser usadas na modelagem e a simulação dessas duas políticas, para investigar o desempenho do fenômeno da produção e consumo de alimentos e da reciclagem dos nutrientes, seus impactos no meio ambiente e na sociedade, para embasar decisões técnicas e políticas públicas. Para contribuir na discussão de políticas públicas eficazes e coerentes com a realidade deve-se usar a abordagem sistêmica crítica e formas de comunicar a população os problemas que ameaçam a humanidade para superar o efeito de divulgação de notícias falsas e a inércia das instituições acadêmicas. Assim, se estuda a evolução de três nações visando obter indicadores emergéticos e socioambientais. Os países escolhidos foram o Brasil, México e Estados Unidos. O Brasil foi escolhido para servir de modelo no estudo das outras nações, pela disponibilidade de informações dos estudos anteriores elaborados no Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada. A escolha dos outros países visou a análise da interação entre um país agroexportador e um agroimportador e seus efeitos no bem-estar social e ambiental.

2.OBJETIVO

A pesquisa visa comparar os efeitos das políticas públicas no bem-estar dos ecossistemas e da população em Brasil, Estados Unidos e México por meio de balanços nacionais de emergia e de indicadores socioambientais. Além dos indicadores emergéticos se incluem: área de vegetação nativa preservada, emissões de gases de efeito estufa, área agrícola, produção de cereais, população urbana e rural, desigualdade social, desemprego,

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saldo da balança comercial, expectativa de vida, extrema pobreza, obesidade, taxa de alfabetização, suicídio e homicídios intencionais.

Foi elaborado o perfil emergético de três países com dados de 1950 a 2018 para oferecer uma base de dados ao estudo da interação entre os indicadores emergéticos e os indicadores de bem-estar. A análise desses indicadores deverá ser feita em outros estudos, pois a exigência de tempo para essa tarefa supera a disponibilidade de tempo de pesquisa de uma dissertação.

O estudo do Brasil visou a revisão e atualização da metodologia emergética a ser utilizada. A escolha dos outros dois países, Estados Unidos e México, teve como objetivo dar início ao estudo do processo histórico de interação entre um país agroexportador e um país agroimportador visando a aplicação da modelagem e simulação emergética, tarefa da maior importância que poderá ser feita a partir dos dados obtidos nesta pesquisa.

2.1 Objetivos específicos

1) Avaliar os perfis emergéticos dos três países 2) Avaliar o perfil socioambiental dos três países

3) Avaliar a interação entre países dependentes, no caso Estados Unidos e México. 4) Subsidiar futuros estudos sobre vínculos entre índices emergéticos e socioambientais

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A capacidade de sustentação biológica da Terra é limitada. A redução das áreas preservadas está causando a extinção de muitas espécies, e, consequentemente, a redução dos serviços ecossistêmicos de regulação climática. Isso afeta todas as espécies, inclusive a humana, a qual, devido a sua capacidade cognitiva, poderia escolher opções melhores para preservar o bom funcionamento da biosfera e o bem-estar humano. Deve-se fazer autocrítica para não comprometer o futuro das próximas gerações (WILJKMAN; ROCKSTROM, 2012).

Muitos trabalhos científicos apontam que a biosfera está no limite de suporte de tensão. Os sistemas de produção e consumo atuais causam um impacto no ambiente, que já afeta o equilíbrio climático. Essas questões colocam o desenvolvimento futuro e prosperidade em risco (WILJKMAN; ROCKSTROM, 2012). Apesar destes estudos, a maioria da população que

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vive em cidades, não sabe como se produzem os alimentos, nem como o modelo econômico afeta os ecossistemas e a biosfera. E, isso dificulta as mudanças de comportamento.

A humanidade já passou por situações de escassez durante sua história, e, na maioria das vezes, esses problemas foram resolvidos através de tecnologias ou migrações em larga escala. Porém, a questão é difícil de ser resolvida pois os países industrializados estabeleceram uma dependência das matérias-primas de outros países. E por isso, considera-se que a criconsidera-se ambiental aparecerá da mesma forma que a criconsidera-se econômica, de repente e com grande impacto, caso não haja mudanças estruturais. A combinação de mudança climática, escassez de energia e água e o colapso ambiental será uma carga muito grande para as populações do mundo. No início, algumas regiões irão sofrer mais do que outras, mas com o tempo, todos sofrerão as consequências negativas (WILJKMAN; ROCKSTROM, 2012).

A ideia que o “crescimento econômico” é a única opção na busca do bem-estar é falsa, é necessário mudar esse paradigma. A transição do crescimento para o decrescimento é indispensável para reconstruir a sociedade e o capital natural, e reverter o impacto negativo na biosfera. Esse processo é difícil e inclui a reorganização das economias, a cooperação internacional, a realocação dos recursos, a mudança dos modelos de produção-consumo-reciclagem e a união para mitigar as mudanças climáticas (WILJKMAN; ROCKSTROM, 2012).

3.1 A avaliação emergética estática e dinâmica de um país:

Howard Thomas Odum (1924-2002) acreditava que o uso da modelagem e a simulação de sistemas facilitaria o estudo e a compreensão dos sistemas complexos, a partir de conceitos que incentivam o pensamento sistêmico. Na modelagem emergética são usados conceitos da termodinâmica dos sistemas abertos, de cinética química e de circuitos elétricos para representar a evolução dos sistemas ecológicos e socioeconômicos com indicadores quantitativos e qualitativos (ONCKEN, 2017, ODUM 1972).

3.2 As limitações da metodologia emergética e uma proposta para superá-las

Existem várias análises do desempenho energético-ambiental do Brasil (BROWN; COHEN; SWEENEY, 2009; PEREIRA, 2012; FARIA, 2017). Porém, ao revisar estes trabalhos foram descobertas diferenças nos procedimentos de cálculo. Por outro lado, Brown & Ulgiati (2016a) propuseram um novo modo de contabilizar as entradas de emergia de um país que

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modifica substancialmente a avaliação emergética porém sem justificar as mudanças. Um estudo posterior de Brown ignora as novas propostas (HAITAO e BROWN, 2017).

Para resolver o dilema colocado pelas pesquisas citadas antes, em relação ao cálculo do balanço emergético de um país foi realizada uma discussão entre especialistas (ORTEGA, 2019) que levou a adotar as seguintes bases para o cálculo emergético de um país:

1. Levar em consideração a renovabilidade de cada entrada (ORTEGA; ANAMI; DINIZ, 2002). 2. As energias primárias devem ser contabilizadas abrangendo todo o território de estudo

considerando apenas a maior delas.

3. Todas as energias secundárias e terciárias provenientes de áreas externas devem ser contabilizadas, porém considerando apenas as áreas onde elas atuam na região estudada. 4. As energias quaternárias são fundamentais para as manutenções da vida no planeta. Sua

contabilidade é complexa e isso deve ser discutido posteriormente.

5. Os fluxos internos que não cruzam as fronteiras nacionais não devem ser contabilizados, para evitar dupla contagem. Porém, se parte desses fluxos sai dos sistemas, como recursos ambientais, eles devem ser contabilizados como produtos do sistema.

6. Parte das energias primárias recebidas na região é usada nas áreas preservadas. Esses ativos biológicos (diversidade, organização, estrutura) são fundamentais para a transformação de fontes primárias em fontes secundárias. A adição de ativos biológicos depende da evolução dos ativos internos; se eles não estiverem maduros, a transformação de entradas de fontes primárias será ineficiente ou essas entradas podem causar uma degradação do sistema. O surgimento de ativos biológicos é essencial para o desempenho do sistema, mas não deve ser adicionado para evitar a dupla contagem. 7. Os recursos derivados de combustíveis, minerais e bens de consumo importados não são

fontes independentes. O processo de transformação adiciona apenas uma pequena quantidade de material local e serviços. No caso da produção agroquímica, os estudos revelam que 80% das entradas são derivados de recursos não renováveis importados, assim sendo, apenas 20% da emergia produzida teria que ser contabilizada.

8. Até agora, a qualidade dos ativos populacionais não é considerada no balanço monetário e emergético. É necessário usar indicadores que avaliem a qualidade de vida, por exemplo: (a) consumo de alimentos e água. (b) emprego, (c) renda, (d) habitação, (e) saúde, (f) educação, (g) saúde dos ecossistemas, (h) segurança pública (ou criminalidade).

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3.3 Estudo da evolução dos critérios de segurança alimentar e soberania alimentar As tabelas 1, 2 e 3 listam os critérios das políticas de segurança e soberania alimentar.

Tabela 1: Comparação entre as políticas de Segurança e Soberania Alimentar em 1996

Segurança alimentar (FAO 1996) Soberania alimentar (La Via Campesina 1996)

Sugere a compra de commodities

alimentares “baratas” para acabar com a fome da população. A abertura dos mercados é promovida por instituições multilaterais e pelo capital especulativo que favorece os grandes produtores que usavam insumos industriais

Defende que cada nação deve desenvolver sua capacidade produtiva respeitando a diversidade cultural e protegendo os recursos naturais. Rejeita as políticas econômicas que destroem a capacidade produtiva dos

pequenos produtores. Considera um direito humano básico o acesso à boa alimentação culturalmente adequada. Defende a Reforma Agrária para os sem-terra e o território para os indígenas, encoraja a permanência dos jovens e das mulheres no campo.

Na prática, as políticas de segurança alimentar (FAO, 1996) prejudicaram os pequenos produtores que tiveram que competir com os produtos subsidiados das grandes empresas de commodities. Os pequenos produtores entraram em crise e começaram a falir, a abandonar seus sistemas produtivos e a sofrer fome (pobreza), como mostra Tabela 2.

Tabela 2: Problemas gerados pela política de Segurança Alimentar da FAO (1996).

Propostas da FAO de 1996 Problemas gerados

Acesso a alimentos baratos (commodities) produzidos em grande escala, pelos países com agricultura orientada a exportação.

Desbalanço nas contas da economia local, regional e nacional. Concentração da riqueza nos países centrais. Criação de pobreza pela perda da economicidade das atividades agrícolas tradicionais. Abandono do campo das famílias para se deslocar a periferia das cidades.

Induzir uma mudança no setor agrícola mundial visando obter maior produção mediante o uso de sementes híbridas adaptadas a insumos químicos e

agrotóxicos e maior uso de maquinário.

A compra das propriedades dos pequenos agricultores pelos donos de propriedades extensas gera concentração de riqueza no campo devido a política da segurança alimentar sugerida pela FAO e pela modernização rural.

Estabilizar a oferta de alimentos mediante a criação de estoques reguladores. Gerar empregos no setor agroindustrial.

Criação de armazéns para estocar alimentos. Estabelecimento de grandes

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Tabela 3: Comparação entre as políticas de Segurança e Soberania Alimentar (2017).

FAO (2017) – Segurança Alimentar Via Campesina (2017) - Soberania Alimentar Atividades rurais estão diminuindo a

pobreza. Muitas pessoas estão saindo da pobreza sem sair das áreas rurais.

Controle dos bens comuns, essenciais à vida das pessoas e da natureza, para não serem apropriados por alguns poucos que têm fácil acesso ao capital, com efeitos desastrosos. A urbanização ajuda a reduzir a pobreza

nas áreas rurais através de conexões econômicas.

A crise ambiental, econômica e nutricional mostra a necessidade de mudar o modelo agrícola e o modelo alimentar.

A criação de empregos nas pequenas e grandes cidades pode ter papel

importante no desenvolvimento rural e para aliviar a pobreza.

Promover a troca de experiências entre os atores dos movimentos sociais para fortalecer as lutas, analisar de forma profunda as políticas públicas para desenvolver novas propostas. Visualizar o sistema alimentar com uma

perspectiva territorial pensando na formação de pequenas cidades.

Desenvolver o conhecimento coletivo para mudar os métodos produtivos. Democratizar o acesso aos recursos. Defesa dos territórios. Dar condições para que o

desenvolvimento rural seja

economicamente viável, provendo

rendimentos adequados e boas condições de vida para agricultores, trabalhadores e famílias.

Ação popular na construção de alternativas democráticas, luta contra a concentração de terras, as monoculturas e as plantações com sementes geneticamente modificadas.

Oferecer informações para melhorar a produtividade, acesso ao transporte, obter empréstimos e desenvolver novas

habilidades.

Tornar visíveis as opções tecnológicas e organizacionais através da comunicação dos resultados das pesquisas agroecológicas.

Manter os pequenos produtores competitivos no mercado doméstico através de políticas públicas e melhorias na infraestrutura.

Promover debates internacionais e nacionais. A Via Campesina trabalha com a FAO, mas rejeita os critérios usados pelo World Bank, WTO, IMF.

Gerar empregos não agrícolas na zona rural, no setor agroindustrial ou em outras manufaturas.

Proteger os direitos coletivos dos

campesinos, os direitos à terra, à água, às sementes etc.

Conectar os pequenos produtores com fontes de conhecimento, insumos e crédito.

Incentivar o “Bem Viver”, que faz parte dos conhecimentos ancestrais, para possibilitar a harmonia entre os seres humanos e a

natureza. A transformação rural deve ser

ambientalmente sustentável.

Uso da Agroecologia para alimentar o mundo.

Reduzir os custos de transação;

desenvolver crédito, suporte técnico e seguro rural; infraestrutura, pesquisa, informação e capacitação; e mecanismos de mitigação de risco.

Construir uma forte aliança entre pessoas, organizações e movimentos do campo e da cidade.

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3.4 A proposta da agroecologia

A agricultura atual fornece alimentos para os mercados globais, porém não oferece bem-estar. Essa agricultura baseia-se em insumos não renováveis, desmatamento, geram escassez de água, perda da biodiversidade, esgotamento do solo e gases de efeito estufa. É necessário um modelo sustentável de produção de alimentos de boa qualidade, com equidade social e econômica, conservação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. Um terço da população do mundo sofre deficiência de nutrientes, sobrepeso, obesidade e doenças crônicas relacionados a alimentos de má qualidade. Os agricultores que sofrem pobreza devem ser colocados no centro dos esforços de inovação, combinando conhecimentos científicos e tradicionais que se complementam. Essa ciência aborda as causas dos problemas da pobreza e fornece soluções holísticas e de longo prazo baseadas em um conhecimento ancestral e multidisciplinar (FAO, 2018). A agroecologia está sendo percebida como uma resposta eficaz às mudanças climáticas e encontra ressonância nos processos sociais de base de muitos países. Por meio de ações coordenadas, cada parceiro pode fazer sua melhor contribuição. A agroecologia atende aos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), do Acordo Climático de Paris, da Convenção sobre Diversidade Biológica e da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (FAO, 2018).

A partir dos elementos colocados acima foi preparada uma lista de variáveis a serem consideradas no estudo de políticas de alimentação, como mostra a Tabela 4.

Tabela 4: Primeira lista de variáveis relacionada com as políticas de alimentação.

1 Área agrícola e distribuição de terras 2 Obras hídricas e área irrigada

3 Qualidade do solo agrícola

4 Taxa de geração de emprego rural e urbano

5 Produtividade com recursos locais e recursos externos 6 Área preservada no espaço rural (resiliência ecológica) 7 Taxa de acúmulo de recursos monetários para uso social

8 Variação do índice de preço dos alimentos e dos insumos agrícolas 9 Políticas de preservação do meio ambiente degradado

10 Subsídios e impostos aos diversos setores econômicos nas diversas regiões 11 Mitigação e adaptação aos impactos das mudanças climáticas

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4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Contabilidade Emergética

Foi feita a análise emergética de três países tendo como objetivo o estudo dos efeitos das políticas públicas. Foi usado o livro Environmental Accounting: (ODUM, 1996), artigos (BROWN; ULGIATI, 2016b; CAMPBELL, 2016) e planilhas de cálculo (BROWN; COHEN; SWEENEY, 2009; PEREIRA, 2012; FARIA, 2017) que foram revisadas, ampliadas e atualizadas.

4.2 Diagrama sistêmico de um país

Energia fóssil e Minerais Bens de consumo Serviços Área da produção agroecológica Eletricidade, industrias, transporte, comercio Não renováveis:

energias fósseis, minerais, água além da extração

sustentável Energia solar, Calor interno da Terra, Força gravitacional x x Bens econômicos $ $ Distribuição do ingresso e da renda Estoques biofísicos e sociais, bem-estar Área da produção agroquímica N0 S2 N2 N1 Bacias hidrográficas externas

Emprego, moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, cultura, participação social

Área preservada com flora e fauna

S1

Sistema

oceânico-atmosférico Chuva, vento, ondas, marés correntes marinas Rios, córregos, aquíferos e correntes de núvens

Recursos ecossistêmicos renováveis

Energia recebida diretamente dos fluxos que incidem na biosfera R1 Produtos renováveis Produtos agrícolas não sustentáveis Importações e exportações NR erosão Mercado Serviços ecossistêmicos N2 Serviços humanos Produtos processados Materias-primas sem valor agregado Trabalho humano $ Energias fósseis Biocombustíveis Energia elétrica Minerais e metais Produtos agrícolas Produção animal Produtos da pesca Madeira Plásticos e látex Produtos químicos Maquinaria Carros e caminhões Bens refinados R2 Serviços Importados A1 A2 A3 Dívida interna Resíduos tóxicos Externalidades negativas F F G G B P2I3 I3 P2I I Emergia Dólares E P1E P1E3 Exportações

Ai área que recebe recursos

Ri recursos renováveis

N0 produção não renovável rural

N1 recursos não renováveis usados no país

N2 recursos não renováveis exportados sem processamento

PiRazão Emergia/PIB (sej/USD)

Ii, F, G, Ei fluxos monetários (USD/ano)

B emergia dos produtos exportados

Áreas dos deltas, estuários e costas

A4 RN

Água percolada, ar puro, carbono sequestrado, manutenção

da biodiversidade. Ação das marés, das ondas e do vento marinho CH4 CO2 Trabalho humano N0 R2 Para exportação Governo e setor financeiro PIB Estoques biofísicos e sociais, bem-estar

Minerais, petróleo e matérias primas sem processamento Para uso local Estoques biofísicos e sociais, bem-estar $ Estoques biofísicos e sociais, bem-estar RN Produtos químicos, maquinaria, subsídios para a agricultura industrial Dívida externa S3 Emergia Dólares Recursos biofísicos

RN estoque de recursos naturais

Nomenclatura

R3

Feedback interno não renovável

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As fontes renováveis consideradas foram as fontes primárias (radiação solar, calor interno e força gravitacional), as fontes secundárias (ventos, chuva, marés e ondas marinhas) e fontes terciárias (correntes de águas com energia geopotencial e química, e correntes marinhas). As correntes de nuvens não foram incluídas. No caso das fontes primárias, foi considerada apenas a fonte com maior valor para evitar dupla contagem. No caso das fontes secundárias e terciárias, dado que provém do trabalho realizado em áreas de sistemas externos, todas foram consideradas. No caso das fontes internas (“fontes quaternárias”) foram feitas três considerações: (a) a produção agroecológica destinada ao consumo interno usa recursos locais renováveis e por causa disso dever ser contabilizada, (b) as principais contribuições dos sistemas preservados são os serviços ecossistêmicos, e assume-se que 50% deles é usado dentro das fronteiras nacionais e 50% sai do país, (c) as contribuições dos sistemas agroquímicos provém da retroalimentação da economia industrial urbana que repassa recursos obtidos a partir de energia fóssil e minerais importados, que já foram contabilizados. Mas, parte dessa produção rural é constituída por commodities para exportação e devem ser considerados como um produto de exportação sem beneficiamento local (S3 exportado).

4.3 A análise emergética e os indicadores propostos

Os cálculos usam como dados primários os valores das entradas de energia, materiais e dinheiro ao país, os recursos internos e as saídas. Foram feitas tabelas com dados para um ano das últimas sete décadas (1950–2018). As transformidades usadas tem como referência o “emergy baseline” (valor da emergia que entra na biosfera) calculado por (ODUM, BROWN, BRANDT-WILLIAM, 2000). Foram utilizados os valores de Lucas Pereira (2012), exceto para o caso das correntes marinhas, nos cálculos para Estados Unidos e México, foi usada a transformidade da planilha preparada pelo Center for Environmental Policy da Universidade da Flórida. A figura 2 mostra o diagrama de fluxos agregados do Brasil. Este diagrama mostra as principais características da economia biofísica e monetária. Cada fluxo de energia dentro da economia deve contar com um fluxo de dinheiro na direção oposta. As principais fontes de energia renovável são energia solar, calor interno, força gravitacional, bacias hidrográficas de outros países, sistema oceânico-atmosféricos e recursos biofísicos. Na parte inferior esquerda, estão representados os recursos renováveis usados internamente. Na parte superior esquerda, estão representados os fluxos de recursos não renováveis com e sem uso interno.

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Energia fóssil e minerais Bens de consumo Serviços Não renováveis:

energia fóssil, minerais, água extraída acima de seu

valor de recarga Energia solar, Calor interno da Terra, Força gravitacional da Lua Ativos econômicos $ $ Estoques biofísicos e sociais, bem-estar N0 N2 N1 R3 Bacias hidrográficas externas

Emprego, moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, cultura, participação política

Sistema oceânico-atmosférico

Energia direta proveniente dos fluxos que a biosfera recebe

R1 NR erosão Mercado Serviços ecossistêmicos N2 Serviços Produtos Matérias primas sem valor agregado $ R2 Serviços importados Dívida interna Externalidades negativas F G B P2I3 I3 P2I I Emergia Dólares E P1E P1E3 Ri recursos renováveis

N0 produção rural não renovável

N1 recurso não renováveis usados no país

N2 recursos não renováveis sem uso no país

PiRazão emergia/PIB (sej/USD)

Ii, F, G, Ei fluxos monetários (USD/ano)

B emergia dos produtos exportados

Água percolada no solo, ar puro, carbono sequestrado, biodiversidade

N0 Para exportação Governo e setor financeiro PIB Estoques biofísicos e sociais, bem-estar

Materias primas sem processamento no país Para uso no país Recursos biofísicos Dívida externa Emergia Dólares Recursos biofísicos CH4 CO2 resíduos tóxicos Estoques biofísicos e sociais, bem-estar

Figura 2: Diagrama de fluxos agregados (elaboração de E.Ortega com base em Odum, 1996) Os indicadores emergéticos são importantes para avaliar o desempenho do país, evidenciar a dependência em recursos renováveis e não renováveis, o impacto no meio ambiente, na economia do país e na população. Os índices calculados foram descritos em vários trabalhos (PEREIRA, 2012):

Transformidades dos recursos utilizados (Tr): é a relação entre emergia e energia do recurso

produzido. Mede a emergia por unidade de energia do produto.

Transformidade do dinheiro, em dólares, que circula na economia (EMR): é definida como a

emergia contida na unidade monetária escolhida. Calcula-se dividindo o total de emergia usada pelo país pelo Produto Interno Bruto (PIB, em dólares) considerando valores nominais ou de Paridade do Poder de Compra (Purchasing Power Parity, PPP).

Renovabilidade (REN): indica o porcentual de emergia renovável usada em relação a emergia

total. Quanto maior o valor maior a sustentabilidade.

Razão de rendimento emergético (EYR): indica a habilidade de aproveitar recursos potenciais

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Razão de investimento emergético (EIR): quociente da emergia externa e a emergia dos

recursos locais. Avalia a capacidade de competir com outros sistemas na região.

Razão de Carga Ambiental (ELR): representa a razão entre a emergia não renovável e a

emergia renovável local. Quanto maior, maior o impacto ambiental.

Razão de intercâmbio emergético (EER): A razão de intercâmbio de emergia indica quem

perde e quem ganha em uma relação de compra e venda. É a razão entre a emergia recebida pelo comprador (U) e a emergia que ele dá em troca (a emergia do dinheiro da compra). Índices superiores a 1 indicam uma vantagem para o comprador enquanto que razões inferiores a 1 indicam uma desvantagem para o comprador.

4.4 Inclusão de novos parâmetros

A análise emergética fornece informações biofísicas importantes e pode ser usada para avaliar diversos tipos de problemas e fornecer uma perspectiva das condições econômicas (HAITAO & BROWN, 2017). Porém, outros parâmetros importantes não são usados nesse cálculo, como ativos relativos aos bem-estar dos ecossistemas e das populações humanas. O objetivo deste estudo é dar bases para o estudo da correlação entre os indicadores da análise emergética e os parâmetros de bem-estar humano e dos ecossistemas. Com esse objetivo incluímos uma perspectiva do tamanho das áreas preservadas, da desigualdade social, da educação, da saúde, da desnutrição, da expectativa de vida, do emprego, das externalidades negativas (emissões de gás carbônico, uso de agrotóxicos e fertilizantes, taxa de homicídios e suicídios). Trata-se de um primeiro passo para identificar e avaliar variáveis importantes que podem ser usadas na modelagem e simulação do comportamento de economias nacionais. No futuro, espera-se incluir esses parâmetros na modelagem emergética.

4.5 Fontes de dados

Usaram-se anuários estatísticos e compilações de organismos internacionais, disponíveis na Internet. Entre elas: o Anuário Estatístico do Brasil (IBGE 1950-2018), Instituto Nacional de Estadística y Geografía (INEGI, 2019), U.S. Department of Agriculture (USDA, 2019), CIA Fact Book (CIA, 2019), Organização para Alimentação e Agricultura (FAOSTAT, 2019),Internacional Energy Agency (IEA, 2019), Balanço Energético Nacional (BRASIL 2003-2015) , base de dados do World Bank (World Bank, 2019) , Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 2019), The Observatory of Economic Complexity (OEC, 2019).

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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 BRASIL

A história humana do Brasil começa com a ocupação indígena dos diversos espaços geográficos. Seu modo de vida dependia do uso de recursos naturais com manejo ecológico, constituíram sistemas sustentáveis de baixa capacidade de suporte de população humana. Em 1500, os portugueses, a caminho das Índias, desviam seu trajeto e atracam seus navios em Porto Seguro. Em viagens posteriores, o destino deles passa a ser o Brasil visando identificar riquezas para serem exploradas. O primeiro objetivo da metrópole portuguesa foi estabelecer postos de controle para desenvolver e monopolizar o lucrativo comércio do pau-brasil, a madeira usada para fabricar corante vermelho. Com o tempo, o interesse mudou e passou a ser o estabelecimento de plantações de açúcar e, para isso, tentaram escravizar os índios. Mas, eles fugiam ou morriam esgotados pelas longas jornadas de trabalho a que eram submetidos e também pelas doenças trazidas pelos europeus. Então, os portugueses trouxeram escravos da África em navios negreiros. Eles tinham uma grande capacidade de trabalho físico, mas não eram remunerados e isso permitiu grandes lucros com o açúcar exportado. A abolição da escravatura aconteceu em 1888 e seu trabalho nas fazendas foi assumido por imigrantes europeus. A monarquia enfrentou muitas revoltas em vários lugares do país e atacou países vizinhos para ocupar seus territórios.

Em 1889, a monarquia foi substituída pela república federal que ficou sob controle dos interesses da cafeicultura. Em 1902, O Brasil produziu cerca de 65% do café do mundo. Durante várias décadas, o Brasil consolidou o governo de um grande território, e enfrentou vários conflitos regionais e comprou da Bolívia o território do Acre. Foi um período de criação de infraestrutura e indústrias para converter as matérias-primas em produtos de consumo. A economia do país foi afetada pela crise dos anos 30 e pelas guerras mundiais. A entrada do país como combatente na segunda guerra mundial permitiu a construção da primeira siderúrgica no país, um fator chave para a autonomia industrial.

Em 1930, um conflito regional gerou uma revolta que colocou Getúlio Vargas no governo. Em 1937, Vargas lidera um golpe e governa como ditador com apoio militar. Seu governo estabeleceu diretrizes para a economia e acordos com os setores populares. Em 1945, Vargas foi deposto por um golpe militar. Em 1951, foi reeleito presidente, sob forte

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oposição militar, e cometeu um suicídio em 1954. Entre 1956 e 1961, o presidente Juscelino Kubitschek promoveu um rápido crescimento econômico e mudou a capital para Brasília. Em 1960, Jânio Quadros foi eleito presidente, mas sua renúncia mergulhou o país em uma crise. Foi substituído pelo vice-presidente João Goulart que tentou implantar reformas estruturais para melhorar o funcionamento da economia e fortalecer a economia camponesa para acabar com a fome endêmica. Ele foi deposto em 1964, em um golpe militar e se exilou. De 1964 a 1985, houve uma ditadura que reprimiu as iniciativas democráticas, mas ao mesmo tempo promoveu o crescimento econômico com industrias estatais e obras de infraestrutura em regiões e setores estratégicos.

Em 1985, Tancredo Neves é eleito como primeiro presidente civil, mas morre antes de tomar posse. Seu vice-presidente, José Sarney, se torna presidente e enfrenta uma grande inflação. Em 1988, uma nova constituição reduz o poder do executivo e reforça os outros poderes. Em 1989, Fernando Collor de Mello torna-se o primeiro presidente eleito diretamente desde 1960. Ele introduziu reformas econômicas neoliberais, sem sucesso e a inflação ficou fora de controle. No seu mandato, o pagamento da dívida externa foi suspenso. Em 1992, Collor sofreu um impeachment e foi substituído por Itamar Franco que conseguiu em dois anos administrar a inflação e pacificar o país. Em 1994, Fernando Henrique Cardoso foi eleito após colaborar no controle da inflação. Seu governo durou 8 anos e foi marcado por privatizações e a adoção de algumas políticas de cunho social. Em 2002, Lula foi eleito com uma proposta de centro-esquerda. Destacou-se pela estabilidade econômica, a retomada do crescimento e a redução da desigualdade social. Em 2010, o país elegeu Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente. Em 2013, aconteceu uma onda de protestos. As pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades para criticar o aumento das passagens do transporte público e depois sobre qualquer assunto, com ou sem razão. Mesmo assim, em 2014, Dilma foi reeleita. Em 2015, um escândalo sobre a corrupção na Petrobrás levou centenas de milhares às ruas em protesto contra a presidente. Em 2016, Dilma foi destituída do cargo sem causa justificada e o vice-presidente, Michel Temer, que dá início a uma série de medidas contra os interesses da população, entre elas o congelamento dos gastos do governo por 20 anos, a peça central de suas reformas. Em 2019, Jair Bolsonaro assume a presidência e dá continuidade à adoção de medidas contra os interesses do povo e da natureza afetando as populações indígenas

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remanescentes. Seu governo afrouxa as políticas ambientais e aumenta o desmatamento, especialmente em áreas de conservação e territórios indígenas (KRÖGER,2019).

O conhecimento da história política e econômica é essencial para entender as modificações ocorridas. Porém, há muita dificuldade para obter dados dos períodos mais remotos, pois os dados da estatística oficial cobrem um período de 70 anos, que é caracterizado por um grande crescimento e destruição dos recursos naturais. Para mostrar a evolução completa do espaço estudado, seria necessário obter dados de um período maior, o que exige um trabalho de pesquisa histórica e ecológica que exige tempo e especialização.

5.1.1 Análise Emergética do Brasil

A Tabela 6 mostra a contabilidade emergética do Brasil em 2018. Os itens se organizam conforme o tipo de recurso para facilitar as somas de emergia: entradas (Renováveis, Não-renováveis, Combustíveis e Minerais, Bens), saídas (Produtos, Recursos Brutos), balanço de serviços (P2I, P1E, T1, T2, D). Com estes valores se calculam os índices emergéticos para fazer o diagnóstico do sistema. A planilha completa está disponível no link: http://www.unicamp.br/fea/ortega/emergy/brazil.xlsx .

Tabela 5: Avaliação Emergética do Brasil

Item Fluxos de energia UEV (sej/J or sej/g) Emergia Solar (sej)

R Fontes renováveis 5,20E+24

R1 Fontes primárias 9,22E+23

1) Radiação solar 3,80E+22 J 1,00E+00 3,80E+22

2) Calor interno 1,59E+19 J 5,80E+04 9,22E+23

3) Força gravitacional lunar 1,10E+19 J 7,40E+04 8,14E+23

R2 Fontes secundárias 2,85E+24

4) Ventos 1,20E+19 J 2,50E+03 3,00E+22

5) Ondas 2,42E+18 J 5,08E+04 1,23E+23

6) Chuva 8,56E+19 J 3,15E+04 2,70E+24

R3 Fontes terciárias 1,42E+24

7) Correntes de água, energia geopotencial 3,25E+19 J 8,89E+03 2,89E+23 8) Correntes de água, energia química 1,09E+19 J 4,10E+04 4,46E+23 9) Correntes marinhas 3,70E+16 J 1,85E+07 6,86E+23 S1+S2 Fontes renováveis locais (f. quaternárias) 8,01E+24 10) Hidroeletricidade 1,36E+18 J 1,02E+05 1,39E+23 11) Produção agrícola agroecológica 1,66E+13 g variável 4,55E+22

Referências

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