II ENCUENTRO HACIA UNA PEDAGOGÍA

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DIRECTORESDELAPUBLICACIÓN:

PABLO FRISCH NATALIA STOPPANI

Publicación Anual - Nº 2 ISSN: 2347-016X

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Título de la publicación: II Encuentro hacia una pedagogía emancipatoria en Nuestra América

Directores de la publicación: Pablo Frisch y Natalia Stoppani

Título del artículo: “O gênero textual como prática pedagógica libertadora: um movimento dialético no ensino-aprendizagem”.

Autor/es del artículo: Clívia Martins de Oliveira Cainelli

Director del Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini: Prof. Juan Carlos Junio Subdirector: Ing. Horacio López

Director Artístico: Juano Villafañe

Secretario de Ediciones y Biblioteca: Jorge C. Testero Secretario de Investigaciones: Pablo Imen

Secretario de Comunicaciones: Luis Pablo Giniger

Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini

Av. Corrientes 1543 (C1042AAB) - Ciudad de Buenos Aires - [011]-5077-8000 -

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O GÊNERO TEXTUAL COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA LIBERTADORA: UM MOVIMENTO DIALÉTICO NO ENSINO-APRENDIZAGEM

Clívia Martins de Oliveira Cainelli1

RESUMO

O objetivo deste trabalho é o de apresentar algumas práticas didático-pedagógicas, em que os gêneros textuais tiveram um importante papel no ensino-aprendizagem da leitura e da produção escrita e, principalmente, na formação cidadã e libertadora dos alunos. A obra de Bakhtin (1992) Estética

da Criação verbal e de Paulo Freire (2011) Pedagogia da Autonomia Saberes Necessários à prática Educativa, a princípio, devem embasar e justificar a

importância do tema escolhido, já que os gêneros textuais, hoje, permeiam e perpassam as várias esferas sociais do cotidiano e nos permitem ler, reler, escrever, reescrever e dialogar consigo mesmo e com o outro, em um mundo global, em constante transformação. A metodologia adotada é de caráter qualitativo, já que pretendo apresentar e analisar as etapas de dois projetos escolares, em que o estudo dos gêneros textuais em diálogo com os livros didáticos e paradidáticos (leitura extra-classe) na disciplina de português, foram fundamentais para o desenvolvimento e aprimoramento de competências da linguagem dos alunos. Destaco ainda que uma das surpresas dos projetos de leitura e produção de textos foi a do interesse, alegria e empenho de adolescentes e jovens, ao criarem poesias em prosa e em versos, que refletiram suas preocupações e afinidades com o mundo, resultando na edição de um livro, Escrevendo o Futuro.

Palavras-chave: Gênero textual, prática pedagógica libertadora, movimento dialético.

RESUMEN

1Professora de português e espanhol, em escolas particulares, para o Ensino Fundamental

II e, atualmente, professora de português e espanhol nos cursos técnicos de Administração, Finanças e Integrado de Informática, na Escola Técnica do Estado de São Paulo. Mestranda do Programa de Gestão e Práticas Educacionais da Universidade Nove de Julho, em São Paulo. Orientadora: Pro.ª Dr.ª Rosiley Aparecida Teixeira.

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Este trabajo objetiva presentar algunas prácticas didácticas y pedagógicas, en que los géneros textuales han tenido un papel importante en la ensenãnza y el aprendizaje de la lectura, la escritura y la producción, en vista de una educación para la ciudadanía y libertadora de los estudiantes. La obra de Bakhtin (1992) Estética de la creación verbal y Paulo Freire (2011)

Pedagogía de la autonomía Saberes necesarios a la práctica educativa, al

principio, van sustentar y justificar la importancia del tema elejido, ya que, hoy, los géneros textuales se encuentran presentes en las diversas esferas sociales de la vida cotidiana y permiten a nosotros leer, re-leer, escribir, reescribir y establecer un diálogo con uno mismo y con los demás, en un mundo global, en constante transformación. La metodología es cualitativa y así, deseo presentar y analizar los pasos de dos proyectos escolares, en que el estudio de los géneros textuales, en diálogo con los libros didácticos y los libros fuera del aula (paradidáticos), en la asignatura de portugués, fueron fundamentales para el desarrollo de competencias del lenguaje de los alumnos. Subrayo también la sorpresa en compartir de la alegría, interés y compromiso de los jóvenes para crear poesías en prosa y en verso, reflejando sus preocupaciones y afinidades con el mundo, lo que resultó en la emisión de un libro, Escribiendo el Futuro.

Palabras-clave. Género textual, práctica pedagógica libertadora, movimiento dialéctico.

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Afinal, o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente “lido”, “interpretado”, “escrito” e “reescrito”. (Paulo Freire, em Pedagogia da Autonomia).

Esta comunicação tem como objetivo apresentar dois projetos de leitura e produção escrita, organizados com base no recurso do gênero textual, em seu caráter mediador e organizador de uma língua, por meio de uma ação conjunta entre professora, alunos e familiares, resultando na criação dos Facebook’s Literários e no livro de poesias Escrevendo o Futuro. As atividades foram vivenciadas com alunos de 6º ao 9º ano, do Ensino Fundamental II, em uma escola particular da cidade de São Paulo, que recebe famílias da classe trabalhadora e oferece bolsas de estudo para jogadores de futsal, estudantes de escolas públicas, incentivando e valorizando talentosos esportistas, há 73 anos. Este diferencial solidário e a existência de uma gestão aberta a propostas e sugestões podem justificar a realização das atividades decorrentes do estudo dos gêneros textuais, resultando em dois projetos escolares, a seguir relatados.

Os principais referenciais teóricos a sustentarem as ideias a seguir desenvolvidas, quanto aos gêneros textuais, como prática libertadora no ensino-aprendizagem são Bakhtin (1992), Estética da Criação Verbal e Freire (2011), com a Pedagogia da Autonomia Saberes Necessários à Prática

Educativa, já que estes autores, cada um a seu modo, dialogam com o leitor

sobre a importância de uma prática docente que valorize o aluno como sujeito de sua própria história.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (1997) também serão importantes referências para embasamento das propostas aqui pensadas, principalmente, ao realçarem que é pela linguagem que as

pessoas se comunicam, têm acesso à informação, defendem pontos de vista, compartilham visões de mundo e produzem cultura.

Os três itens a configurarem esta comunicação ficam assim definidos: 1. Trabalhando com gêneros textuais: oralidade e escrita.

2. A ficção e um entrecruzar de gêneros: Facebook Literário. 3. O gênero poético: o projeto Escrevendo o Futuro.

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As atividades de leitura e produção escrita desenvolvidas em sala de aula e nas dependências da escola (sala de vídeo, sala de informática, pátio e corredores), na disciplina de Português, com os alunos de 6.º ao 9.º ano, vêm de um trabalho conjunto entre direção, coordenação, professores, alunos e familiares, com respaldo das orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, refletidas no Plano Político Pedagógico escolar e na escolha do livro didático.

Um dos princípios do Ensino Fundamental, segundo os PCN, é antes de tudo, ensinar a língua portuguesa com ênfase no processo social da língua, visando o desenvolvimento e práticas de linguagem oral e escrita. O aluno deve desenvolver as competências discursivas, com prioridade do estudo do texto escrito (leitura e produção), valendo-se também dos conhecimentos já adquiridos, antes de sua chegada à escola.

Pensando assim, estudar os diferentes textos que embasam conteúdos e objetivos escolares, no livro didático, é ir além da sua estrutura fixa e de seus elementos gramaticais, de forma a atingir uma aprendizagem prazerosa, criativa, interpessoal com a possibilidade de plena participação social.

Os projetos Escrevendo o Futuro e Facebook Literário foram desenvolvidos a partir da mediação do professor entre o livro didático (organizado com base nos gêneros textuais) e o aluno, momentos em que foram ressaltados conhecimentos e informações, sempre em vista das competências e habilidades que os alunos precisam dominar, de forma consciente e autônoma, em uma sociedade letrada.

As leituras, releituras, escritas e reescritas nasceram de uma organização dos conteúdos em unidades que vão desde a apresentação de uma multiplicidade de gêneros textuais, sua estrutura e composição discursiva, até a gramática aplicada ao texto, a fim de que o aluno possa compreender o conceito de gênero e os diferentes processos de circulação e formas de linguagem que os caracterizam.

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O nome de Facebook Literário, uma página social no caderno, com o rosto e o jeito de cada um, foi criado pelos alunos e professora para registro das leituras, releituras e reescritas das obras literárias (gêneros de ficção).

O Facebook Literário substituiu as provas bimestrais dos livros paradidáticos (leituras extra-classe) e passou a ser um recurso em que o aluno teria autonomia para criar, recriar e reescrever a história, de acordo com a sua visão e a realidade de seu mundo pessoal, familiar e social.

Estes livros escolhidos, no início do ano letivo, sempre por meio do consenso, visavam o desenvolvimento de habilidades leitoras e de escrita. Definia-se, também, um roteiro de leitura com o objetivo de incentivar o aluno à pesquisa e à reflexão sobre os diversos gêneros estudados no livro didático: vida do autor (biografia); passagens do livro e personagens que mais se aproximavam à realidade do aluno-leitor (história de vida e memórias); vocabulário, linguagem (formal, informal, os elementos gramaticais) e a relevância da mensagem passada pelo autor, em relação ao mundo de cada aluno.

Adquiridos os livros, em pequenos grupos, os alunos tinham duas aulas semanais para uma leitura compartilhada, onde socializavam impressões e dúvidas, que traziam de suas casas, após conversas com os pais, familiares ou amigos, a respeito da obra.

Diferentes talentos e habilidades iam se revelando em cronistas, contistas, desenhistas, jornalistas, fotógrafos e, surpreendentemente, alunos-poetas, sendo possível a organização de um livro de poesias.

É neste sentido que as palavras de Bakthin (1992) acerca dos gêneros do discurso (hoje, gêneros textuais) reafirmam e compartilham as preocupações de Freire (2011) quanto diz que o professor precisa se convencer definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas

criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.

Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana, o que não contradiz a unidade

nacional de uma língua. (BAKTHIN, p. 279). 3. O GÊNERO POÉTICO: PROJETO ESCREVENDO O FUTURO

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Segundo Bakthin (1992), os gêneros literários são os únicos que dentre todos os outros, estão aptos para refletir a individualidade na língua

do enunciado, ou seja, nem todos são propícios ao estilo individual. Neste

sentido é que o Projeto Escrevendo o Futuro foi organizado com textos em que o sentimento e a emoção de cada aluno concretizavam-se em cada verso e estrofe, a refletirem preocupações, necessidades e expectativas frente a diversos aspectos do mundo pessoal, familiar e universal.

É muito interessante e surpreendente conviver e descobrir que este aluno-adolescente de um mundo informatizado e global se encontra aberto e sensível para cuidar da vida, a partir das mais belas emoções estéticas. O aluno-poeta aprende a fazer uma leitura subjetiva do mundo, ao conhecer alguns recursos da linguagem poética e a refletir o valor estético da poesia, pensados nos objetivos escolares (livro didático) e acrescidos das impressões e conhecimentos dos alunos a respeito deste gênero textual.

Os alunos, reunidos em pequenos grupos, iam compondo suas poesias e, entre eles mesmos, escolhendo a que deveria fazer parte do livro editado pela Editora Futurama (2011).

A correção gramatical e a organização estética também eram realizadas durante a produção, momento em que a professora conversava e verificava com os alunos, a melhor forma de apresentação final do livro. Estes movimentos de autoavaliação e socialização do conhecimento durante o processo desses projetos foram e são imprescindíveis para um ensino-aprendizagem comprometido com uma educação moderna e cidadã, sustentada pela prática docente reflexiva, conforme palavras de Freire (2011), na Pedagogia da Autonomia Saberes Necessários à Prática

Educativa:

Sou tão melhor professor, então, quanto mais

eficazmente consiga provocar o educando no sentido de que prepare ou refine sua curiosidade, que deve trabalhar com minha ajuda, com vistas a que produza sua inteligência do objeto ou do conteúdo de que falo. (FREIRE, p. 116).

Os temas das poesias a revelarem o estado lírico e a preocupação com a realidade, à volta de cada aluno, refletiram-se nas seguintes palavras:

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a amizade, o meio ambiente, o amor, os animais, o caderno de poesia, a felicidade, a vida, o futebol, a música,o medo, a morte, a paz, a realidade, a discriminação, a praia, o trabalho, o suor, a humildade, a honestidade, o esporte, a chuva, as emoções, a felicidade, o respeito e as pessoas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os projetos Facebook Literário e Escrevendo o Futuro, aqui relatados, são apenas dois pequenos exemplos do que o ensino da língua oral e escrita, por meio dos gêneros textuais, em sua diversidade social, podem realizar em prol de uma aprendizagem autônoma e cidadã. Com isto, é possível dizer que o ensino dos gêneros é um avanço no currículo da educação escolar moderna, principalmente, no ensino Fundamental (anos iniciais). Neste sentido, vale considerar que esta prática docente reconhece o aluno como um ser autônomo e construtor de seu conhecimento como usuário da língua em seu processo de aprendizagem.

Independente do nome criado para os projetos de leitura, releitura, escrita e reescrita de textos, em suas variedades de gêneros, em qualquer nível e espaço escolar, o mais importante é que o professor saiba fazer deste recurso um caminho, pelo qual os alunos consigam percorrer, em buscas de novos conhecimentos (objetivos escolares), a partir do que ele já tem aprendido (vida em família e sociedade), por intermédio do trabalho em grupo, onde o respeito, a alegria e a solidariedade sejam as bases de sustentação de uma educação mediada pela liderança democrática docente.

A fim de exemplificar concretamente os resultados dos dois projetos, objetivos deste trabalho, serão apresentados um exemplar do livro

Escrevendo, com os textos em prosa e em versos dos alunos do Ensino

Fundamental I e II e os Facebooks Literários, com as releituras e reescritas das obras literárias lidas (os gêneros literários), criados por dois alunos, quando estavam nos 7.º, 8.º e 9.º anos, e guardados até hoje, sendo que já se encontram no 3.ª ano do Ensino Médio.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. São Paulo: Editora Martins Fontes, 1992.

CÂNDIDO, Antonio. Literatura e Sociedade. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

COUTINHO, Afrânio. Notas de Teoria Literária. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2008.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia Saberes Necessários à Prática

Educativa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2011.

KARWOSKI, Acir Mário; GAYDECZKA, Beatriz; BRITO, Karim Siebeneicher (Org.). Gêneros Textuais Reflexão e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.

MAGNANI, Maria do Rosário Mortatti. Leitura, Literatura e Escola. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2011.

PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – PCN - Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Introdução aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Ministério da Educação e do Desporto – Secretaria de Educação Fundamental, 1998.

SANTOS, Carmi Ferraz; MENDONÇA, Márcia; CAVALCANTE, Marianne C.B. (Org.). Diversidade textual os Gêneros na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

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