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Analise Experimental do Comportamento

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DENISE AMORIM RODRIGUES

DENISE AMORIM RODRIGUES

1ª edição 1ª edição SESES SESES rio

rio de de janeiro janeiro 20172017

ANÁLISE EXPERIMENTAL

ANÁLISE EXPERIMENTAL

DO COMPORTAMENTO

(4)

Conselho editorial

Conselho editorial roberto paes e luciana vargaroberto paes e luciana varga

Autora do original

Autora do original denise amorim rodriguesdenise amorim rodrigues

Projeto editorial

Projeto editorial roberto paesroberto paes

Coordenação de produção

Coordenação de produção luciana vargluciana varga , paula a , paula r. de a. r. de a. machado e aline karinamachado e aline karina rabello

rabello

Projeto gráfico

Projeto gráfico paulo vitor bastospaulo vitor bastos

Diagramação

Diagramação bfs mediabfs media

Revisão linguística

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Revisão de conteúdo fernanda gonçalves da silvafernanda gonçalves da silva

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qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyrightseses, 2017.seses, 2017.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação Dados Internacionais de Catalogação na Publicação(cip)(cip) R696a

R696a Rodrigues, Rodrigues, Denise Denise AmorimAmorim

Análise

Análise experimental experimental do do comportamento. comportamento. / / Denise Denise Amorim Amorim Rodrigues.Rodrigues. Rio

Rio de de Janeiro: Janeiro: SESESESES, S, 2017.2017.

80 p: il. 80 p: il.

isbn: 978-85-5548-461-2 isbn: 978-85-5548-461-2

1.

1. Comportamento. Comportamento. 2. 2. Análise. Análise. I. I. SESESESES. S. II. II. Estácio.Estácio...

cdd 150 cdd 150

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento Rua do Bispo,

Rua do Bispo,8383, bloco, bloco FF, Campus João Uchôa, Campus João Uchôa Rio Comprido — Rio de Janeiro —

(5)

Sumário

Sumário

Prefácio

7

Prefácio

7

1.

1.

Um

Um

modelo

modelo

científico

científico

do

do

comportamen

comportamen

to

to

7

7

Pressupostos

Pressupostos e e Metodologia Metodologia Científica Científica 88

O

O Nascimento Nascimento da da Psicologia Psicologia como como disciplina disciplina científica científica 1111 O

O Behaviorismo Behaviorismo Metodológico Metodológico 1414 O

O Behaviorismo Behaviorismo Radical Radical 1515

2.

2.

Análise

Análise

experimental

experimental

do

do

comportamento

comportamento

21

21

Definição

Definição de de análise análise experimental experimental do do comportamento comportamento 2222

Eventos

Eventos ambientais ambientais e e eventos eventos comportamentais comportamentais 2626

A

A análise análise funcional funcional do do comportamento comportamento 3030 Exemplo

Exemplo de de análise análise funcional: funcional: análise análise funcional funcional da da fobia fobia social social 3232

Aspectos

Aspectos éticos éticos da da análise análise experimental experimental do do comportamento comportamento 3434

3.

3.

A

A

realização

realização

de

de

experimentos

experimentos

em

em

Psicologia

Psicologia

41

41

Realização

Realização de de experimentos experimentos básicos básicos 4242

As

As etapas etapas de de um um experimento experimento 4343

Delineamento

Delineamento experimental experimental 4343

Delineamentos

Delineamentos entre entre grupos grupos e e delineamentos delineamentos de de sujeito sujeito único único 4444

A

A experimentação experimentação animal animal 4646

Comissões

Comissões de de ética ética no no uso uso de de animais animais 4646

O

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4. Aplicações práticas da análise do

comportamento

55

Contextos de aplicação da análise comportamental 56 A análise do comportamento na Educação 57 A análise do comportamento nas Organizações 61 A análise do comportamento na Clínica 64

O papel das pesquisas na produção e desenvolvimento do

(7)

Prefácio

 A metodologia científica é o estudo de como os pesquisadores realizam seus estudos utilizando o método científico. A Psicologia foi se transformando, ao lon-go do tempo, em uma ciência.

Neste sentido, o objeto de estudo da análise experimental é o comportamento, sendo este compreendido como resultante das interações entre o indivíduo e seu entorno. Nos seres humanos, considera-se nesta análise não apenas a experiência pública, os comportamentos observáveis, mas também o mundo privado do sujei-to, o qual é acessado apenas pelo indivíduo (suas emoções, desejos e preocupações) e relatado ao mundo externo por diversos meios, da fala sistemática à arte. O mundo privado é entendido, por alguns, como a subjetividade humana.

Para a análise do comportamento, explicar significa estabelecer relações entre eventos. Assim, o comportamento visível e os eventos psicológicos não- observá-veis devem ser compreendidos através de suas relações com os eventos externos.

Como método de estudo, a experimentação é fundamental para produzir co-nhecimento e ela tem três objetivos: estabelecimento de relações causais, com-preensão de fenômenos e promoção de aplicações práticas. Assim sendo, o obje-tivo essencial de um experimento é estabelecer relações causais entre eventos. A realização de um experimento é um processo complexo no qual o experimentador percorre várias etapas relacionadas. Estas etapas não devem ser entendidas como uma sequência rígida de passos, mas como um conjunto flexível de ações.

O objetivo essencial de um experimento é estabelecer relações entre eventos, de forma que se possa prever o surgimento dos mesmos no futuro. Na experimen-tação pode-se utilizar tanto sujeitos humanos como animais para criar modelos teóricos de compreensão do comportamento.

Para os psicólogos, analistas do comportamento, independentemente de onde desenvolvam sua atividade e de qual seja ela (ensino, pesquisa, administração, prática clínica, etc.), todo comportamento possui uma função e a busca da com-preensão desta função seria a principal finalidade da análise funcional do compor-tamento. A análise do comportamento pode ser utilizada em diversas áreas, em especial a educação, as organizações e a clínica.

(8)

 Ao longo deste material didático, os capítulos que se seguem terão como ob- jetivos: situar historicamente o surgimento da análise experimental do comporta-mento, bem como suas bases teóricas principais. Em seguida serão estabelecidas as diretrizes básicas de uma pesquisa experimental em Psicologia. E, finalmente, serão estabelecidas possíveis áreas de aplicação deste tipo de pesquisa.

(9)

Um modelo

científico do

comportamento

(10)

Um modelo científico do comportamento

O presente capítulo objetiva incitar a curiosidade sobre o tema proposto, or-ganizar o assunto a ser tratado e orientar a aprendizagem. Funciona também como um pequeno resumo do que será estudado, ressaltando os pontos mais importan-tes da aula.

OBJETIVOS

• Estabelecer o contexto presente na época do surgimento da ciência e do método científico; • Enumerar algumas das fontes filosóficas que influenciaram o surgimento da visão

científi-ca nos tempos modernos;

• Expor sucintamente o cenário presente na época do surgimento da ciência da Psicologia; • Enumerar os teóricos da Psicologia que deram início à tradição científica na Psicologia.

Pressupostos e Metodologia Científica

Podemos inicialmente definir a Metodologia Científica como um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento, de uma maneira sistemática.

O conhecimento científico surgiu no século XVII no ocidente. A separa-ção, tão comum hoje, entre filosofia e ciência não existia antes deste momento. Entretanto, podemos afirmar que existem algumas características que, de uma maneira geral, delimitam o campo da ciência.

Em primeiro lugar, a ciência não é imediatista, não se contenta com infor-mações superficiais sobre um aspecto da realidade, mesmo que esta informação seja útil de alguma maneira. A ciência pretende ser crítica, busca julgar a corre-ção de suas próprias produções. O conhecimento científico se caracteriza como uma procura das possíveis causas de um acontecimento. Busca compreender ou explicar a realidade apresentando os fatores que determinam a existência de um evento. Uma vez obtido este conhecimento, deve-se garantir sua capacidade de ser generalizado, sua validade, em outras situações. A divulgação dos resultados tam-bém é uma marca fundamental da ciência moderna. Trata-se da garantia de que o conhecimento está sendo colocado em discussão e que qualquer outro cientista

(11)

capítulo 1

 •

9

 A ciência moderna não se pretende dogmática. Ao relatar seus resultados, o cientista deve também contar como chegou a eles, qual caminho seguiu para al-cançá-los. Trata-se, pois, da apresentação do que se chama de método científico. O método, em ciência, não se reduz a uma apresentação dos passos de uma pesquisa. Não é, portanto, apenas a descrição dos procedimentos, dos caminhos traçados pelo pesquisador para a obtenção de determinados resultados. Quando se fala em método, busca-se explicitar quais são os motivos pelos quais o pesquisador escolheu determinados caminhos e não outros. São estes motivos que determinam a escolha de certa forma de fazer ciência. Neste sentido, a questão do método é teórica, uma vez que se refere aos pressupostos que fundamentam o modo de pesquisar, pressupostos estes que, como o próprio termo sugere, são anteriores à coleta de informações na realidade.

Existem, genericamente, dois termos envolvidos na produção do conhecimen-to: o homem (que se propõe a conhecer algo) e o aspecto da realidade a ser co-nhecido. A discussão do papel do sujeito é central para se compreender a ciência, uma vez que se refere à forma como o cientista deve se comportar para produzir conhecimento, e, assim, revela pressupostos subjacentes a toda pesquisa.

Na história da epistemologia (disciplina que toma as ciências como objeto de investigação) surgiram três perspectivas a respeito da relação entre cientista e seu objeto de estudo. A primeira - chamada de empirismo – supõe a primazia do objeto em relação ao sujeito, isto é, o conhecimento deve ser produzido a partir da forma como a realidade se apresenta ao cientista. Neste quadro, o papel do sujeito é passivo, dado que a fonte principal do conhecimento está no objeto. A segunda perspectiva – chamada de racionalismo – aponta a primazia do sujeito em rela-ção ao objeto, uma vez que toma a razão, isto é, a capacidade humana de pensar, avaliar e estabelecer relações entre determinados elementos, como fonte principal do conhecimento. Assim, por exemplo, a ideia de causa estaria situada na razão e seria a partir dela que se poderia produzir um conhecimento seguro da realidade.  A terceira posição sobre o papel do pesquisador na produção do conheci-mento – o interacionismo – afirma que o conheciconheci-mento é produzido na inte-ração entre sujeito e objeto. Nesta perspectiva, os produtos da ciência seriam os resultados das inter-relações que mantemos com a realidade, a partir de nossas práticas sociais. Sendo a ciência uma prática social, seus produtos não estariam destituídos de pressupostos dados, sobretudo pela cultura ou ideologia predomi-nante num determinado período histórico. As verdades da ciência seriam, pois, fundamentalmente históricas e, portanto, nunca neutras. Nesta posição, quando se fala na impossibilidade de um conhecimento independente do sujeito, não se

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está pressupondo ou afirmando a inexistência de uma realidade a ser conhecida. O que se coloca em questão é o pressuposto de que seu acesso possa (e deva) ser feito independentemente das condições biológicas, culturais, sociais, e até econômicas, que constituem seu produtor, isto é, o cientista. Assim, a ideia de neutralidade científica, por exemplo, não se enquadra na perspectiva interacionista, uma vez que pressupõe um cientista purificado das condições que determinam a sua pró-pria existência como homem e pesquisador.

 A ciência é determinada pelas condições históricas das quais faz parte. Não é por acaso que o produtor do conhecimento é tomado, desde o início da epistemologia, como um sujeito racional e livre, capaz de, por si só, elaborar pressupostos para a ciência, inclusive os metafísicos (para Kant, apud Japiassú e Marcondes,1990, é metafísico aquilo que se oculta por trás da natureza, e a torna possível). Tal sujeito, com a sua pretensão de autonomia, é uma das maiores invenções da moderni-dade, contexto no qual surge a ciência. Por sua vez, o conhecimento científico e seus produtos determinam mudanças na vida social de forma tal que, atrelados a determinações socioeconômicas, passam a constituir novas formas de vida e de relações entre os homens. A chamada revolução tecnológica – a microinformática – dos nossos dias é um bom exemplo desse poder de interferência da ciência nos assuntos humanos.

Um outro aspecto importante da ciência é o princípio da falseabilidade Karl Popper, que se refere à possibilidade de uma teoria poder ser refutada. Isto quer dizer que o fato de uma teoria não poder ser submetida a testes que a refutem não é uma prova de sua veracidade. Ao contrário, a testagem de uma teoria deve implicar em condições similares de se poder confirmá-la ou refutá-la, ou, podemos correr o risco de estar falando de dogmas e não de teorias. Assim, os testes em-píricos de uma teoria devem ser uma tentativa genuína de refutá-la. Sobre Kant, vemos, em Japiassú e Marcondes (1990) que:

Sua principal contribuição consiste na formulação da noção de falseabilidade como critério fundamental para a caracterização das teorias científicas [...] Assim, para Popper, é a possibilidade de falsificar uma hipótese científica que permite a correção e o desenvolvimento das teorias científicas, e em última análise o progresso da ciência, embora nenhuma teoria possa jamais ser fundamentada de forma conclusiva.

Evidentemente existem teorias que são mais passíveis de serem refutadas do que outras, e esta pode ser considerada uma característica negativa destas últimas que devemos nos esforçar para superarmos. Um exemplo deste último tipo de

(13)

capítulo 1

 •

11

suas conclusões é explicado pela própria teoria e utilizado como justificativa que confirma a sua própria existência.

Figura 1.1 – Karl Popper. Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-DApyfw3GYdc/ UzVtHG6JG1I/AAAAAAAAEkg/QcEpIgWQd2E/s72-c/pooper+e+a+certesa+-de+cisnes+negros.jpg>.

FALSEABILIDADE

FALSIFICABILIDADE

Falseabilidade é a tentativa de refutar as teorias propostas. Remete ao aspecto mais marcante de sua epistemologia: o princípio de falsificabilidade como critério de demarcação.

Falsificabilidade é o critério metodológico de cientificabilidade. Para objetivar resul-tados, se constrói uma teoria em que se tenta falsificar o que possa ser refutada. É o verdadeiro critério que divide o científi-co do não científicientífi-co.

Figura 1.2 – Falseabilidade e falsificabilidade. Disponível em: <http://image.slide- sharecdn.com/karlrpopper-130604114914-phpapp01/95/epistemologia-de-po-pper-27-638.jpg?cb=1370360783>.

O Nascimento da Psicologia como disciplina científica

Costuma-se afirmar que o nascimento da Psicologia como ciência deveu-se ao trabalho de Wilhelm Wundt (1832-1920), visto na figura 1.3, que criou o primei-ro pprimei-rojeto de Psicologia como ciência independente, além de fundar o primeiprimei-ro Laboratório de Psicologia. Segundo ele, o objeto de estudo da Psicologia deveria

(14)

ser a experiência subjetiva imediata, ou a experiência tal como o sujeito a vive an-tes de se pôr a pensar sobre ela, anan-tes de comunicá-la, anan-tes de conhecê-la. E para abordar este objeto, o melhor método deveria ser o método experimental, cujo objetivo seria exatamente o de pesquisar os processos elementares da vida mental; os elementos da experiência imediata. Segundo Wundt, para se entender a subje-tividade precisaríamos nos aproximar das ciências naturais e as ciências culturais. Neste sentido, ele lançou mão do método introspectivo que seria, na essência, a auto-observação realizada pelo sujeito de pesquisa (figura 1.4).

Figura 1.3 – Disponível em: <http://cdn.slidesharecdn.com/ss_thumbnails/wilhelm-maximilian-wundt-150902011036-lva1-app6891-thumbnail-4.jpg?cb=1441156383>.

WUNDT

Objeto de estudo: consciência Sensações Sentimentos Método de estudo: método introspectivo

Objetivo: dar um estatuto de ciência à psicologia

(15)

capítulo 1

 •

13

Defendendo um ponto de vista diferente, o behaviorismo argumenta que a vida mental é vivida uma invenção. Segundo Skinner (2006), visto na figura 1.5, pensar é comportar-se. O equívoco consiste em localizar o comportamento na mente. Porque os estados mentais não são possíveis de serem observados, devemos nos concentrar na observação do comportamento. Sobre isso, Skinner (2006) nos diz que “[...] não podemos medir sensações e percepções enquanto tais, mas pode-mos medir a capacidade que uma pessoa tem de discriminar estímulos; assim, po-de-se reduzir o conceito de sensação ou de percepção à operação de discriminação.” O conhecimento não é estático na mente do ser; o meio permite e estimula a rememoração daquilo que viveu e aprendeu por repetição e treinamento. A mente é produto das relações do sujeito no mundo físico.

O behaviorismo caracteriza-se por ser uma teoria que evita tratar conceitos relacionados aos estados mentais, desde uma perspectiva introspectiva ou subjeti-vista. Segundo essa doutrina, os estados mentais são construções lógicas formadas por disposições comportamentais. Por adotar essa postura empírica, o behavio-rismo pôde ser associado ao positivismo lógico, corrente filosófica para a qual os acontecimentos mentais não deveriam ser alvo de uma ciência natural, por serem fatos "inobserváveis", do ponto de vista científico. Todavia, esses pioneiros admitiam a existência de fatos mentais, apesar de não os considerarem em suas pesquisas, o que proporcionava a especulação sobre um dualismo mente-corpo.

O behaviorismo propõe restaurar a introspecção dentro dos limites daquilo que pode ser observado dentro da pele humana. Nesse sentido, busca observar o corpo e sua interação com o meio ambiente, equilibrando os acontecimentos externos antecedentes e os ocorridos no mundo privado, interno de cada um.  A influência cultural é assim admitida como um dos aspectos importantes da interpretação comportamental e todos os termos mentalistas são traduzidos na linguagem behaviorista. O vocabulário mental é considerado algo que pode ser superado com o esclarecimento do papel do meio ambiente, devendo ser admitido apenas como uma linguagem popular a ser superada com a divulgação adequada das conclusões científicas. O vocabulário técnico não deve ser esquecido quando a discussão assume ares mais precisos e a transição da psicologia popular para o behaviorismo é uma mudança histórica a ser efetuada.

 Apesar de se apresentar como uma oposição às correntes dominantes na psi-cologia, o behaviorismo foi criado com base em muitas das posições defendidas por aquelas mesmas correntes que, de uma certa forma, criaram as condições fa-voráveis para o seu desenvolvimento. Assim, o comportamento, para Watson, é interpretado em termos físicos, determinados a priori. Ele se opunha à ideia de

(16)

que as pessoas são responsáveis por suas ações. Ele acreditava que a ciência, como o behaviorismo, deveria preparar as pessoas para compreenderem os princípios que regem seu comportamento. Por outro lado, Watson acreditava que o meio exercia um papel fundamental na formação do comportamento, apesar de não negar a importância das características herdadas, que, para ele, seriam universais e semelhantes. Porém, acreditava que o meio atuava sobre estas estruturas herdadas geneticamente. Com esta visão, ele enfatizou e deu base à compreensão da grande variedade de comportamentos humanos.

O Behaviorismo Metodológico

 Watson propôs que o behaviorismo, tal como ele o via, deveria seguir os se-guintes postulados:

• O comportamento é composto por elementos, ou respostas, e pode ser

ana-lisado por métodos científicos, naturais e objetivos;

• O comportamento é composto por secreções glandulares e

movimen-tos musculares;

• Todo estímulo físico elicia uma resposta. Assim, todo comportamento

se-gue um determinismo causa-efeito;

• Os processos conscientes se existem, não podem ser estudados

cientifica-mente e, portanto, devem ser ignorados.

Com relação a processos cognitivos, como o pensamento, Watson alega que este consistiria em tendências a movimentos musculares e secreções glandulares que não poderiam ser observados diretamente, que foram sendo inibidos, mas que ainda se mantêm de forma implícita.

Segundo Matos (1999), a posição de Watson inclui:

• Estudar o comportamento por si mesmo;

• Opor-se ao Mentalismo e ignorar fenômenos, como consciência,

sentimen-tos e estados mentais;

•  Aderir ao evolucionismo biológico e estudar tanto o comportamento

hu-mano quanto o animal, considerando este último mais fundamental;

•  Adotar o determinismo materialístico;

• Usar procedimentos objetivos na coleta de dados, rejeitando a introspecção; • Realizar experimentação controlada;

(17)

capítulo 1

 •

15

• Evitar a tentação de recorrer ao sistema nervoso para explicar o

comporta-mento, mas estudar atentamente a ação dos órgãos periféricos, dos órgãos senso-riais, dos músculos e das glândulas.

 Watson, em seu manifesto sobre o behaviorismo, definiu sua posição como se vê em Marx e Hillis (1974):

A psicologia, tal como o behaviorista a vê, é um ramo puramente objetivo e experi-mental da ciência natural. A sua finalidade teórica é a previsão e o controle do com-portamento. A introspecção não constitui uma parte essencial dos seus métodos [...]. Em seus esforços para obter um esquema unitário da resposta animal, o behaviorista não reconhece a existência de qualquer linha divisória entre o homem e o bruto. O comportamento do homem, com todo seu refinamento e complexidade, forma apenas uma parte do esquema total de investigação do behaviorista.... Parece ter chegado o momento em que a psicologia terá de se descartar de toda e qualquer referência à consciência; em que já não necessita iludir-se a si própria, acreditando que o seu objeto de observação são os estados mentais.

Portanto, para o behaviorismo, o seu objeto de estudo primordial é o compor-tamento porque o mesmo é observável, e, então, pode ser medido de maneira ob- jetiva e com a utilização do método científico (semelhante às outras ciências) pelos estudiosos do comportamento. Esta é a essência do Behaviorismo Metodológico.

O Behaviorismo Radical

O behaviorismo radical pode ser considerado um caso especial da filosofia da ciência, a filosofia da ciência do comportamento humano, que busca com-preender questões humanas, como comportamento, cultura, e outros, dentro do modelo de aprendizagem por consequências, e rejeitando o uso de variáveis não físicas. Um behaviorista radical defende que as diferentes explicações sobre o comportamento humano deveriam ser estabelecidas com base em evidências refutáveis, e não em especulações abstratas. O behaviorismo radical foi concebido em experimentos realizados sob o rigor da produção de conhecimento científico. Desenvolvido dentro de um laboratório, em condições controladas, é um método passível de reaplicação.

Parafraseando Matos (1999), observemos as frases abaixo:

1. Eu estou digitando um texto. 2. Eu estou com sono.

(18)

Para os behavioristas, em suas vertentes metodológica e radical, as frases 1 e 3 referem-se a comportamentos observáveis, sendo por isto passíveis de serem medidos cientificamente, seja em sua frequência, intensidade, ou alguma outra

dimensão. Já a frase 2 se refere a um conteúdo interno, não observável, não

po-dendo ser medido, a menos que ele possa ser transformado em comportamentos observáveis, como: vou me deitar e fechar os olhos. Assim sendo, esta frase não implica num comportamento passível de ser objeto de estudo científico.

De acordo com o próprio Skinner (1978, p.45):

A objeção aos estados interiores não é a de que eles não existem, mas de que não são relevantes para uma análise funcional. Não é possível dar conta do comportamento de nenhum sistema enquanto permanecermos inteiramente dentro dele; finalmente será preciso buscar forças que operam sobre o organismo agindo de fora.

   ©    S    I    L    L    Y    R    A    B    B    I    T     |   W    I    K    I    M    E    D    I    A .    O    R    G

Figura 1.5 – Burrhus Frederic Skinner.

Para Skinner, o Behaviorismo Radical seria a filosofia de sua Ciência do Comportamento e perguntas como “Seria tal ciência possível e necessária?”, “Poderia tratar de todos os aspectos da natureza humana?”, “Como descrever a origem e a natureza dos eventos psicológicos?” e semelhantes seriam respondidas por essa filosofia (Carvalho Neto, 2002).

Para o Behaviorismo Radical, o ser humano é parte do mundo natural, como os elementos da natureza e, portanto, interage no ambiente, em vez de sobre este, sen-do parte interativa sen-do ambiente, como afirma Chiesa (1994) apud de-Farias (2010).

(19)

capítulo 1

 •

17

É muito importante notar que Skinner, com o Behaviorismo Radical, resolve o antigo problema mente-corpo, pois, de seu ponto de vista, as leis que descrevem o comportamento público do homem são as mesmas que descrevem seus compor-tamentos privados, como pensar, sentir, imaginar, sonhar, fantasiar ou raciocinar (de-Farias, 2010).

O próprio Skinner apresenta uma visão abrangente e bastante explicativa do Behaviorismo Radical (Skinner, 1974 apud de-Farias, 2010):

A afirmação de que os behavioristas negam a existência de sentimentos, sensações, ideias e outros traços da vida mental precisa ser bem esclarecida. O behavioris-mo metodológico (de Watson) e algumas versões do positivisbehavioris-mo lógico excluíam os acontecimentos privados porque não era possível um acordo público acerca de sua validade. A introspecção não podia ser aceita como uma prática científica, e a psico-logia de gente como Wilhelm Wundt e Edward B. Titchener era atacada por isso. O behaviorismo radical, todavia, adota uma linha diferente. Não nega a possibilidade da auto-observação ou do autoconhecimento ou sua possível utilidade, mas questiona a natureza daquilo que é sentido ou observado e, portanto, conhecido. Restaura a introspecção, mas não aquilo que os filósofos e os psicólogos introspectivos acredi-tavam "esperar", e suscita o problema de quanto do nosso corpo podemos realmente observar (...). O mentalismo, ao fornecer uma aparente explicação alternativa, man-tinha a atenção afastada dos acontecimentos externos antecedentes que poderiam explicar o comportamento. O Behaviorismo Metodológico fez exatamente o contrá-rio: com haver-se exclusivamente com os acontecimentos externos antecedentes, desviou a atenção da auto-observação e do autoconhecimento. O Behaviorismo Ra-dical restabelece um certo tipo de equilíbrio. Não insiste na verdade por consenso e pode; por isso, considerar os acontecimentos ocorridos no mundo privado dentro da pele. Não considera tais acontecimentos inobserváveis e não os descarta como subjetivos. Simplesmente questiona a natureza do objeto observado e a fidedignida-de das observações.

RESUMO

A metodologia científica é o estudo de como os pesquisadores realizam seus trabalhos utilizando o método científico ao abordarem os diversos temas das ciências. A Psicologia foi se transformando, ao longo do tempo, em uma ciência e, neste sentido, vários psicólogos, considerados clássicos, tentaram estabelecer qual deveria ser o objeto de estudo da Psico-logia e qual o método que a mesma deveria utilizar.

(20)

No quadro a seguir reproduzimos as considerações de Oliveira (2003, p. 37-41) e Galliano (1986, p. 18-20), sobre as formas de conhecimento:

CONHECIMENTO

VULGAR OU POPULAR

É utilizado por meio do senso comum, geralmente passado de geração em geração, disseminado pela cultura baseada na imitação e experiência pessoal; é empregado pela experiência pessoal do dia-a-dia, sem crítica.

CONHECIMENTO

FILOSÓFICO

Não é passível de observações sensoriais, utiliza o método racional, no qual prevalece o método deduti-vo antecedendo a experiência; não exige comparação experimental, mas coerência lógica, a fim de procurar conclusões sobre o universo e as indagações do es-pírito humano.

CONHECIMENTO

RELIGIOSO OU

TEOLÓGICO

É incontestável em suas verdades, por tratar de re-velações divinas; não é colocado à prova e nem pode ser verificado.

CONHECIMENTO

CIENTÍFICO

Por meio da ciência, busca um conhecimento sistema-tizado dos fenômenos, obtido segundo determinado método, que aponta a verdade dos fatos experimenta-dos e sua aplicação prática.

O conhecimento científico pode ser: contingente (hi-póteses traduzem resultado através da experimenta-ção); sistemático (procedimento ordenado forma um sistema encadeado de ideias); verificável (afirmações podem ser comprovadas); falível (novas proposições podem mudar as teorias existentes).

ATIVIDADES

Leia os textos abaixo com atenção e após a leitura de cada um, indique seu grau de concordância com o mesmo, usando uma escala de 0 a 2. Use: 2 para indicar concordância plena; 1 para concordância parcial; 0 para desacordo total. Justifique o grau atribuído.

Texto 1- Normalmente os cientistas não estão muito preocupados em negar uma teoria,

mas sim em comprovar as teorias existentes. Se o resultado aparecer depressa, ótimo. Caso contrário, o cientista lutará com os seus instrumentos e as suas equações até que, se for pos-sível, obtenha resultados conformes com a teoria adotada pela comunidade científica a que

(21)

capítulo 1

 •

19

pertence. A comunidade científica é conservadora. Somente em casos muito especiais uma teoria aceita por longo tempo é abandonada e substituída por outra. Em geral, as novidades que não se enquadram nas teorias vigentes tendem a ser rejeitadas pelos cientistas. Só é considerado como ciência aquilo que os cientistas aceitam por consenso.

Texto 2 - A necessidade de uma experiência científica é identificada pela teoria antes de

ser descoberta pela observação. Ou seja, a experimentação depende de uma elaboração teó-rica anterior. Deste modo, o pensamento científico é, ao mesmo tempo, racionalista e realista, pois a prova científica se afirma tanto no raciocínio como na experiência. O cientista deve desconfiar das experiências imediatas, refletir sobre os conceitos iniciais, contestar as ideias evidentes. Ou seja, o conhecimento científico se estabelece a partir de uma ruptura com o senso comum. E o progresso das ciências exige ruptura com os conhecimentos anteriores.

Texto 3 - A ciência possui valor, não porque a experiência demonstre as ideias

científi-cas, mas porque fatos experimentais podem falsear proposições científicas. As ideias cientí-ficas não podem ser provadas por fatos experimentais, mas estes fatos podem mostrar que as proposições científicas estão erradas. Esta é a característica de todo o conhecimento científico: nunca se pode provar que ele é verdadeiro, mas às vezes, podemos provar que ele não é verdadeiro. Sempre existe a possibilidade de se provar que uma teoria estabelecida está errada, mas nunca podemos provar que ela é correta. Assim, a ciência evolui através de refutações. À medida que se vai provando que algumas ideias são falsas, obtém-se uma nova teoria, ou a antiga é aperfeiçoada.

Referência: Borges (1996, p. 75)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORGES, R.M.R.Em Debate: Cientificidade e Educação em Ciências. Porto Alegre: SE/CECIRS,

1996.

CARVALHO NETO, M. B. Análise do comportamento: behaviorismo radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento. Interação em

Psicologia, Belém do Pará, 6 (1), p.13-18, jan./jun. 2002.

Farias, A. K.C. R. & colaboradores. Análise comportamental clínica: aspectos teóricos e estudos de

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Análise

experimental do

comportamento

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Análise experimental do comportamento

O presente capítulo objetiva incitar a curiosidade sobre o tema proposto, organizar o assunto a ser tratado e orientar a aprendizagem. Funciona também como um pequeno resumo do que será estudado, ressaltando os pontos mais importantes da aula.

OBJETIVOS

• Expor uma definição de Análise Experimental do Comportamento;

• Diferenciar Análise Experimental e Análise Funcional do Comportamento; • Discutir os aspectos éticos envolvidos nas pesquisas em Psicologia.

Definição de análise experimental do comportamento

 A análise experimental do comportamento busca a explicação do comporta-mento de um sujeito (ou organismo) com base na descrição das relações que tal comportamento mantém com outros comportamentos, presentes ou passados. O que define a análise do comportamento é essa investigação dos efeitos (conse-quências) cumulativos (dimensão histórica) de contingências ou interações (an-tecedentes passados ou atuais) sobre o desempenho atual do organismo. Vejamos exemplos dos efeitos de contingências sobre o comportamento de uma pessoa e as consequências do comportamento:

• Se decido deixar meu guarda-chuva em casa em um dia chuvoso

(contin-gência), então talvez tome chuva (consequência). Ver figura 2.1.

• Se sempre estou no ponto do ônibus antes de sua chegada (contingência),

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capítulo 2  •

23

   ©    D    M    E    D    I    N    A     |   M    O    R    G    U    E    F    I    L    E .    C    O    M Figura 2.1 –    ©    P    I    X    A    B    A    Y .    C    O    M Figura 2.2 –

O objeto de estudo da análise experimental do comportamento é o compor-tamento de organismos, sendo este o produto das interações entre o organismo e seu meio. No caso de seres humanos, considera-se não somente o mundo público, formado por comportamentos observáveis por todos, mas também o mundo pri-vado do sujeito, o qual é vivenciado apenas pelo indivíduo (como suas emoções, desejos e preocupações) e relatado ao mundo externo por diversos meios, da fala sistemática à arte. O mundo privado é entendido, por alguns, como a subjetivi-dade humana.

 A análise científica do comportamento começa pelo isolamento das partes simples de um evento complexo, de modo que essas partes possam ser melhor compreendidas, com o auxílio de experimentos. Os resultados dos experimen-tos podem ser verificados independentemente, repetidos por outros analistas, e suas conclusões podem ser confrontadas com os dados registrados, para confir-mação de sua validade. Assim, fazer análise do comportamento é determinar as

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características/dimensões da ocasião em que o comportamento ocorre, identificar as propriedades públicas e privadas da ação e definir as mudanças produzidas pela emissão das respostas (no ambiente, no organismo). A essa tríade chama-se con-tingência tríplice, a unidade funcional da análise do comportamento (figura 2.3).

SITUAÇÃO

RESPOSTAS

 

CONSEQUÊNCIAS

Figura 2.3 – Contingência Tríplice.

Sendo mais técnicos, diríamos que a análise experimental do comportamento se baseia na identificação de relações funcionais, na identificação e descrição do efeito comportamental, na busca de relações ordenadas entre variáveis ambientais e a ação de um organismo, na formulação de predições confiáveis baseadas nas descrições dessas relações e na produção controlada de efeitos previsíveis (Galvão e Barros, 2001).

Como se vê em Todorov (2007):

A análise experimental do comportamento utiliza-se de contingências e de relações funcionais como instrumentos para o estudo de interações organismo-ambiente. O experimentador manipula contingências em busca de relações funcionais e das condi-ções (variáveis de contexto) nas quais podem ser observadas. Um sistema de relacondi-ções funcionais constituirá uma teoria útil se vier acompanhado de especificações de onde e quando, no ambiente externo, as variáveis de contexto devem ser encontradas.

Frente à variedade de teorias psicológicas sobre o comportamento humano, como comprovar a validade de uma teoria? A resposta que dão Moreira e Medeiros (2007) é que o modo de comprovar a "veracidade" de uma teoria é testando-a em laboratório, onde há controle das situações criadas para avaliar as teorias, apre-sentaremos várias atividades que podem ser desenvolvidas em laboratório para o estudo da análise experimental do comportamento.

O objeto de estudo da análise do comportamento é o comportamento, sendo este o produto da relação entre o organismo e seu meio. Considera-se também o mundo privado do sujeito, e não somente o público, este último, aquele ob-servável por todos. O mundo privado, sentido apenas pelo indivíduo e relatado ao mundo externo pelos mais diversos meios, da fala sistemática à arte, pode ser entendido, por outras abordagens, como a subjetividade humana.

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capítulo 2

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Os analistas do comportamento procuram explicar a ocorrência dos eventos comportamentais verificando que relações esses eventos mantêm com as altera-ções nos eventos ambientais com os quais o organismo em questão mantém in-tercâmbio. Nesse contexto: 1) uma parte da atividade que é tida em outras áreas como atividade mental, para os analistas do comportamento pode ser considerada enquanto processamento cerebral, fisiológico, e, portanto, deve ser estudado pela neuropsicologia; 2) outra parte pode ser analisada enquanto eventos encobertos (acessíveis apenas para o sujeito “onde” eles ocorrem). Quando faço um cálculo “de cabeça” ou “mentalmente”, estou me comportando tanto quanto se tivesse feito esse cálculo de maneira aberta a outros observadores, usando papel e caneta. Isso quer dizer que, mesmo quando pensamos algo ou cantarolamos uma música de maneira inaudível para os outros, estamos nos comportando e este comporta-mento não tem uma natureza diferente de outros comportacomporta-mentos observáveis para os outros, eles diferem apenas em relação à possibilidade de acesso a observa-ção. Neste caso, enquanto comportamento, os fenômenos psicológicos encobertos não explicam o comportamento visível, mas precisam também ser explicados.

Sobre essa questão, De Rose (1999) afirmou que:

Infelizmente, em nossa cultura, inventou-se, para explicar a ocorrência de comporta-mentos encobertos, uma entidade imaterial denominada mente. Esta noção nos levou a perder de vista o fato de que comportamentos encobertos são operantes (ou seja, são explicáveis como parte de um conjunto de ações que alteram o ambiente e tam-bém podem ser entendidos como eventos comportamentais que mantêm intercâmbio com eventos ambientais) do mesmo modo que os comportamentos visíveis. Esta enti-dade inventada, que denominamos mente, passou a ser tomada como explicação dos comportamentos visíveis e, deste modo, as causas reais destes comportamentos têm passado desapercebidas.

Para os analistas do comportamento, explicar significa estabelecer relações en-tre eventos. Assim, tanto o comportamento visível quanto os eventos psicológicos não observáveis devem ser compreendidos através de suas relações com os eventos ambientais. Por falar nisso, por que será que você está lendo este texto agora? Se você se empenhar um pouco em responder a essa pergunta provavelmente poderá identificar algumas relações entre o que você está fazendo e eventos ambientais an-tecedentes e consequentes. Em outras palavras, você estará iniciando uma análise de seu próprio comportamento.

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 Analisar o comportamento é, portanto, selecionar um desempenho de um organismo em particular e procurar suas relações com o ambiente imediato (físico e social), levando em consideração variáveis históricas, como por exemplo a “expe-riência” que o organismo já teve com aquele tipo de situação em particular e com situações similares. Ao analisarmos o comportamento é, portanto, fundamental identificar as interações que ocorrem, num determinado período de tempo, entre um organismo e seu ambiente. A palavra  interação é muito importante aqui por-que estamos falando de uma dupla influência: mudanças no ambiente produzindo mudanças de comportamento e o comportamento dos organismos produzindo mudanças no ambiente que podem repercutir sobre o comportamento. Assim, o comportamento de um organismo não só é afetado por alterações que ocorrem nesse ambiente, mas também altera as condições do ambiente.

Eventos ambientais e eventos comportamentais

 As duas classes mais amplas de eventos de interesse da análise do comporta-mento são a classe dos eventos ambientais e a classe dos eventos comportamen-tais. Os eventos ambientais são as alterações que ocorrem no ambiente. O escu-recimento ou iluminação de uma sala, som de uma campainha, o cheiro de uma flor, pessoas trabalhando, uma dor de cabeça são exemplos de eventos ambientais. Eles antecedem e/ou seguem os eventos comportamentais no tempo e no espaço. Os eventos comportamentais são as ações promovidas pelo organismo cujo com-portamento estamos analisando/observando; são os eventos comportamentais que nós queremos explicar.

Um mesmo evento pode ser considerado ambiental ou comportamental, de-pendendo de qual organismo (sujeito) está sob análise. Para que fique mais claro, considere o seguinte exemplo. “Um grupo de colegas de classe estava reunido em frente ao Laboratório de Psicologia. Pedro contou uma piada. Todos riram ruidosamente.” Se estivermos analisando o comportamento de Pedro, podemos dizer que o grupo reunido é um evento ambiental (antecedente) ao evento com-portamental “contar uma piada”, e que os risos são um evento ambiental (conse-quente) ao evento comportamental promovido por Pedro. Se resolvermos analisar o comportamento de outro membro do grupo, a piada contada por Pedro passa a ser um evento ambiental antecedente ao evento comportamental “rir”, promovido por todos os membros do grupo.

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Perceba, contudo, que há uma parte dos eventos ambientais que afetam o comportamento do sujeito que estamos analisando e outra parte que não afeta. Por exemplo, este texto é provavelmente o evento ambiental que mais está afetan-do o seu comportamento agora. Neste momento, entretanto, o sinal de trânsito da esquina da sua casa está vermelho. Esse evento ambiental não está tendo qualquer efeito sobre o seu comportamento. Aos eventos ambientais que efetivamente estão mantendo intercâmbio com o comportamento do sujeito sob análise damos o nome de “estímulos”. Não há eventos ambientais visuais que afetem o comporta-mento de um cego, por exemplo. Podemos dizer que o comportacomporta-mento do cego não é afetado por estímulos visuais. Contudo, há uma diversidade muito grande de eventos ambientais auditivos, táteis, olfativos e gustativos que podem funcionar como estímulo para ele.

Para a análise científica do comportamento os eventos podem ser classificados em função da sua localização, em função da sua disponibilidade à observação ou, quanto à sua natureza. Quanto à sua localização, os eventos podem ser exter-nos ou interexter-nos, conforme ocorram dentro ou fora do corpo do indivíduo cujo comportamento está em estudo. É possível que um exemplo seja esclarecedor. “Considere o comportamento de Mariana.” Ela está tomando remédios para gas-trite, de acordo com uma receita médica. Às cinco horas da tarde, o despertador tocou (evento ambiental antecedente externo). Ela, então, tomou um compri-mido (evento comportamental) e sua mãe a elogiou pelo autocuidado (evento ambiental consequente externo).Juliana também está fazendo um tratamento para gastrite, mas frequentemente deixa de tomar os remédios na hora certa. Um dia, ela estava assistindo a um filme na TV quando de alguma maneira detectou exces-so de acidez no seu estômago (evento ambiental antecedente interno). Ela tomou o remédio (evento comportamental) e a acidez começou a diminuir e finalmente acabou (evento ambiental consequente interno). Observe, contudo que, apesar da acidez estomacal ser um evento interno ela é acessível a outros observadores atra-vés de uma endoscopia, por exemplo. Esse detalhe é importante para compreender o próximo item deste texto.

Quanto ao acesso à observação, os eventos podem ser públicos, quando mais de um observador pode ter acesso a eles, ou privados, quando não podem ser observados por outros. Apesar do dentista poder observar o nervo inflamado no dente de Maria, apenas Maria pode experimentar a dor decorrente da inflama-ção. A dor de dente de Maria é, portanto, um evento ambiental privado. Eventos comportamentais podem ser públicos e privados também. Podemos, por exemplo,

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falar em silêncio de tal maneira que ninguém possa ter acesso a essa nossa ação (evento comportamental privado). É possível que mais um exemplo seja útil. “Dona Maria experimentou um conjunto de reações emocionais que podemos resumir sob o nome de ansiedade quando o barco em que viajava para Macapá balançou intensamente (evento ambiental).” Esse evento ambiental, o balançar do barco, provocou um conjunto de eventos comportamentais do qual uma parte eram privados, as respostas de ansiedade, as quais, por sua vez, também tinham propriedades de estímulo (uma vez que Dona Maria podia interagir com esse evento, a ansiedade). E assim o fez. Ela rezou em silêncio (evento comportamen-tal privado). Aos poucos a ansiedade foi passando (evento ambiencomportamen-tal privado). Vale ressaltar que, de acordo com essas definições que você acaba de conhecer, “público” não corresponde a “externo” e nem “privado” corresponde a “interno”. Existem eventos internos que sãopublicamente observáveis e eventos externos que dificilmente podem ser observados. Uma alteração na taxa cardíaca, apesar de ser normalmente sentida apenas pelo indivíduo no qual ela ocorreu, pode ser obser-vada por outro indivíduo, através do ouvido encostado no tórax, ou colocando o polegar sobre o pulso (retorne também ao exemplo da acidez estomacal, acima apresentado). Hoje existem técnicas de registro da atividade cerebral que permi-tem a observação de que partes do cérebro ficam mais ativas quando certas ativi-dades são executadas. Dessa forma, mesmo o pensamento, nossa atividade mais privativa, já pode, de certa forma, ser acompanhado, apesar de ainda não poder ser considerada um evento público. É evidente que o que se observa é a atividade de certas partes do cérebro, não o pensamento propriamente dito, da mesma for-ma que ocorre com a dor de dentes, que ela mesfor-ma não pode ser vista, for-mas sim a inflamação correspondente.

Quanto à natureza, os eventos podem ser físicos ou sociais. Assim, a função dos eventos sobre o comportamento pode decorrer estritamente de suas caracterís-ticas físicas ou pode decorrer de aspectos sociais e culturais envolvidos no evento em questão. Se um golpe atinge alguém, a reação imediata resulta das caracterís-ticas físicas do golpe: se for uma rasteira a pessoa pode levar um tombo, se for um murro na barriga a pessoa pode se curvar para a frente e perder a respiração por algum tempo. Assim, às vezes nos interessa a relação das propriedades físicas intrínsecas dos eventos ambientais com o comportamento. Um outro exemplo de evento cujo efeito sobre o comportamento pode decorrer de suas características físicas é o escurecimento ou iluminação da sala de aula, quando estamos interes-sados em evidenciar a função da luminosidade, intrínseca da energia luminosa,

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fechando a pupila). O som da campainha de um telefone pode, também, afetar o comportamento em função de suas características físicas, quando, por exemplo, nos ajuda a nos orientar no escuro. O ruído de um motor, um relâmpago, o perfu-me de uma flor são também eventos cujas características físicas afetam, ou podem afetar, o comportamento.

Mas também é possível que o efeito dos eventos sobre o comportamento re-sulte não apenas de suas propriedades físicas, mas também do “significado” que esse evento tem num contexto histórico e cultural, ou seja, alguns eventos podem exercer funções sociais. Os eventos sociais são uma categoria de eventos físicos que são produzidos pelo comportamento de outras pessoas (que não o sujeito sob análise) e cujo efeito sobre o comportamento do sujeito não resulta apenas de suas propriedades físicas, mas de convenções estabelecidas pelos grupos sociais. Uma luz de sinal de trânsito, vermelha, não impede os carros de prosseguirem por sua intensidade (ou por qualquer outra propriedade física intrínseca), mas por convenção social. Assim, não é qualquer propriedade física da luz vermelha que impede os carros numa esquina sinalizada, mas sim as contingências socialmente estabelecidas. Apesar da luz ser um evento físico como qualquer outro, o que faz os motoristas pararem seus carros na presença desse evento é um conjunto de con-venções que compõem as regras de trânsito. Veja outro exemplo: uma professora se aproxima de um grupo de crianças e diz: "Quem quer ouvir uma história?". As crianças saem pulando e gritando: "Eu! Eu! Eu!". Podemos considerar que o efeito do “ruído vocal” da professora sobre o comportamento das crianças (elas pula-ram e gritapula-ram) resultou do significado que aquele ruído assumiu num contexto linguístico convencionado pela sociedade. A energia despendida pela professora para emitir a frase foi ínfima, e não explica, sozinha, o fato das crianças saírem pulando e gritando. A função do evento "Quem quer ouvir uma história?" decorre da história de interação dos indivíduos na sociedade em que vivem, e não apenas da energia intrínseca desse evento. Os eventos sociais são, portanto, um tipo es-pecial de eventos físicos. Para encerrar, vamos a mais dois exemplos: a incidência de raios solares sobre a pele das pessoas pode ser um evento ambiental que tem efeito sobre o comportamento das pessoas que estão à espera de um ônibus em um ponto de parada. Esse evento ambiental pode determinar que algumas pessoas se abriguem. Os aspectos estritamente físicos da incidência dos raios solares sobre a pele das pessoas são suficientes para explicar porque elas se abrigam. Estamos fa-lando de um evento físico simplesmente. Consideremos agora o comportamento do motorista do ônibus. Ele está conduzindo o veículo por uma via, quando um pedestre, parado em um ponto de ônibus, estende o braço horizontalmente e faz

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sinal em direção ao ônibus. O motorista para o ônibus. Neste caso, o sinal feito pelo pedestre é que foi o evento antecedente que determinou que o motorista parasse o ônibus. Entretanto, os aspectos estritamente físicos do gesto do pedestre não explicam porque o motorista parou o ônibus. Se você não considerasse que “por trás” daquele gesto do pedestre há uma convenção social jamais seria possível explicar porque o motorista parou o ônibus. O sinal do pedestre é um evento físico social para o motorista.

 As medidas feitas no laboratório nos permitem detectar, em condições con-troladas, processos comportamentais, ou seja, relações entre variáveis ambientais especificadas e os comportamentos dos organismos. Entretanto, em condições normais, essas relações são mais complexas, com muitas variáveis e processos in-teragindo simultaneamente, de forma que o conhecimento dos processos básicos (muitas vezes obtido em estudos feitos em laboratório) é importante para a inter-pretação das situações complexas da vida comum, apesar deste grau de imprecisão.

 A análise funcional do comportamento

CINCO PASSOS BÁSICOS PARA A REALIZAÇÃO DE UMA ANÁLISE

FUNCIONAL DO COMPORTAMENTO.

1. Definir precisamente o comportamento de interesse. 2. Identificar e descrever o efeito comportamental.

3. Identificar relações ordenadas entre variáveis ambientais e o comportamento de

interesse. Identificar relações entre o comportamento interesse e outros comportamen-tos existentes.

4. Formular predições sobre os efeitos de manipulações dessas variáveis e desses

outros comportamentos sobre o comportamento de interesse.

5. Testar essas predicações.

Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext& pid=S0103-166X1999000300002>.

 A análise funcional do comportamento, diferentemente da análise experimen-tal do comportamento, ocorre em situações do cotidiano, onde o comportamento do indivíduo em questão não está submetido a procedimentos experimentais para fins de pesquisa. Em geral, a análise funcional do comportamento tem como ob- jetivo propor estratégias de mudanças do comportamento alvo, visando diminuir

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análise funcional do comportamento como “a identificação de relações relevantes, controláveis, causais e funcionais aplicáveis a um conjunto específico de compor-tamentos-alvo para um cliente individual” (p.654).

 Assim, embora um problema possa ser relatado por um indivíduo, um grupo ou uma organização, em qualquer destes casos, é possível realizar uma análise fun-cional do comportamento, e o procedimento é o mesmo: decidir qual informação coletar, delinear o problema, decidir que ações proceder e avaliar as mudanças.

Identificar um comportamento significa compreender sua função, que pode variar de um indivíduo para outro, entre situações e no tempo. De forma geral, as funções dizem respeito à obtenção de estímulos prazerosos ou à evitação de estímulos aversivos. Em relação à análise funcional, podem ser destacadas as se-guintes características:

a) são mais probabilísticas que deterministas;

b) são transitórias e podem variar com o tempo (por exemplo, as variáveis relacionadas ao início de um problema podem não ser aquelas relacionadas a seu desenvolvimento posterior ou manutenção atual);

c) são não excludentes, ou seja, a relação entre duas variáveis não impede a relação entre essas e outras variáveis;

d) podem ser de nível macro (como etnia ou classe social) ou de nível micro (como frequência de criticismo social);

e) requerem que as variáveis causais sempre precedam o evento causado; esta é uma condição necessária, mas não suficiente para causalidade;

f ) eventos privados podem entrar na análise funcional em diferentes vias: podem ser o comportamento-alvo, podem ser antecedentes ou podem ser consequentes;

g) identificar as variáveis que atualmente causam um problema clínico pode ser muito difícil, já que no ambiente natural há muitas outras variá-veis que estão correlacionadas com a causa verdadeira;

h) podem ter limites; uma importante limitação é que relações funcionais são difíceis de serem comprovadas.

Gresswell e Hollin (1992) fazem distinção entre análise funcional idiográfica (a análise de casos individuais) e nomotética (análise funcional de uma categoria diagnóstica, como a exemplo análise funcional da depressão). A essas duas catego-rias, podemos adicionar outras duas: análise funcional de processos psicológicos (como imitação, desenvolvimento infantil, entre outros) e análise funcional de sistemas complexos (como organizações, ambiente terapêutico, prisões).

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Quando se vai proceder à analise funcional de um comportamento, de todas as informações que se tem sobre a vida atual e passada do indivíduo, tem-se que selecionar aquelas variáveis que parecem ter relação causal com o comportamento analisado e, na verdade, somente se tem certeza da escolha das variáveis corretas após sua manipulação. Num primeiro momento as relações estabelecidas são me-ramente hipotéticas.

 Além de especificar o comportamento-alvo, uma análise funcional adequa-da deve:

a) especificar os comportamentos substitutos, ou seja, os comportamen-tos adaptativos que podem ser efetivos em servir àquela mesma função; b) especificar em termos funcionais as consequências que mantêm o com-portamento-alvo (podem incluir tanto reforço positivo como negativo); c) especificar as contingências que têm falhado em manter a resposta adaptativa (pode ser que a pessoa nunca tenha aprendido comportamento apropriado; que o comportamento apropriado tenha uma frágil história de aprendizagem; ou que atualmente haja pouco reforço ou haja punição para a resposta adaptativa).

Exemplo de análise funcional: análise funcional da fobia social

Definição de Fobia Social de acordo com o DSM-V (p.242): “Medo ou ansiedade acentuados acerca de uma ou mais situações sociais em que o indivíduo é exposto a possível avaliação por outras pessoas. Exemplos incluem interações sociais (p. ex., manter uma conversa, encontrar pessoas que não são familiares), ser observado (p. ex., comendo ou bebendo) e situações de desempenho diante de outros (p. ex., proferir palestras). ”

 Análise Funcional: “As variáveis externas, das quais o comportamento é função, dão margem ao que pode ser chamado de análise causal ou funcional. Tentamos prever e controlar o comportamento de um organismo individual. Esta é a nossa ‘variável dependente’ - o efeito para o qual procuramos causa. Nossas ‘va-riáveis independentes’ - as causas do comportamento - são as condições externas das quais o comportamento é função. Relações entre as duas - as ‘relações de causa e efeito’ no comportamento - são as leis de uma ciência. ” (Skinner, 1994)

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capítulo 2

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Esquema SD  R  SR , onde:

SD (situação social, percepção dos sinais de ansiedade), R  (evitação/ fuga) e

SR  (diminuição temporária da ansiedade).

Contingências que favorecem o surgimento da fobia social:

a) restrições de oportunidades de experiências em diferentes grupos cul-turais devido à pobreza (Luthar & Zigler, 1991) ou a normas e valores da subcultura grupal (grupos fechados) que dificultam os contatos sociais). b) Relações familiares empobrecidas, com pais agressivos ou pouco empá-ticos que fornecem modelos inapropriados de interações (Eisenberg et al., 1991);

c) Dificuldades para resolver problemas (Arón & Milicic, 1994);

d) Práticas parentais que premiam dependência e obediência e que punem ou restringem iniciativas de contato social pela criança (Del Prette & Del Prette, 2001).

e) Presença de dificuldades nas habilidades sociais. Contingências punitivas:

Quais foram os eventos punitivos na história de vida familiar e social do meu cliente?

SD  R  SR 

- As situações sociais se tornaram SD (antecedentes) para SR- (consequências) críticas, humilhação, julgamento, retaliação, etc.

9 Intervenções:

• Treino de Habilidades Sociais (THS): • Reformulação de conceito;

• Relaxamento progressivo; • Dessensibilização sistemática; • Ensaio comportamental.

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Disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/como-ajudar-seu-filho-pequeno-lidar-timidez-743072.shtml>.

Aspectos éticos da análise experimental do comportamento

No Brasil, os aspectos éticos envolvidos em atividades de pesquisa que envol-vam seres humanos são regulados pelas Diretrizes e Normas de Pesquisa em Seres Humanos, através da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, estabe-lecida em outubro de 1996. Entretanto, novas resoluções estão sendo elaboradas para tratar de áreas temáticas especiais. O objetivo maior da avaliação ética de projetos de pesquisa é garantir os seguintes princípios básicos:

PRINCÍPIO DA NÃO

MALEFICIÊNCIA

O pesquisador tem o dever de não causar mal e/ou danosao indivíduo.

PRINCÍPIO DA

BENEFICÊNCIA

o pesquisador deve contribuir para o bem-estar dos indi-víduos, avaliando a utilidade de seus atos, e pesando os riscos e custos.

PRINCÍPIO DO

RESPEITO À

AUTONOMIA

O pesquisador deve atuar no sentido de preservar os direi-tos fundamentais do homem, principalmente seu direito a ter seus pontos de vista, opiniões e convicções.

PRINCÍPIO DA

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Na defesa destes princípios devem ser incluídas todas as pessoas que possam vir a ter alguma relação com a pesquisa, seja o participante da pesquisa, o pesqui-sador, o trabalhador das áreas onde a mesma se desenvolve e, em última análise, a sociedade como um todo. A avaliação ética de um projeto de pesquisa na área da saúde baseia-se, pelo menos, em quatro pontos fundamentais: na qualificação da equipe de pesquisadores e do próprio projeto; na avaliação da relação risco-bene-fício; no consentimento informado e na avaliação prévia por um Comitê de Ética.  A qualificação da equipe de pesquisadores deve avaliar a competência dos seus membros para planejar, executar e divulgar adequadamente um projeto de pesqui-sa. A adequação metodológica do projeto de pesquisa é fundamental. Um projeto inadequado acarreta riscos e custos sem que seus resultados possam ser utilizados, devido a deficiências no método. Devem ser esgotadas todas as possibilidades de obter dados por outros meios, utilizando simulações, animais, culturas de células, antes de utilizar seres humanos. Os pesquisadores devem dar garantias de que os dados serão utilizados apenas para fins científicos, preservando a privacidade e a confidencialidade.

Na avaliação da relação risco benefício entram em jogo tanto o princípio da não maleficência como o da beneficência. O dano irreparável ou a possibilidade de morte, decorrente do projeto, impedem a realização do mesmo. Caso o risco real exceder ao previsto o projeto deve ser interrompido e revisto. Os projetos podem ser caracterizados tanto pelo risco quanto pelo benefício. A classificação pode ba-sear-se na não maleficência, utilizando o risco associado aos procedimentos (risco mínimo e risco maior que o mínimo). O critério da beneficência, quando utiliza-do, avalia se o indivíduo terá ou não ganhos terapêuticos com o estudo (projetos clínicos ou não clínicos).

O mais adequado, desde ponto de vista moral, seria permitir que as pesquisas fossem realizadas apenas quando houvesse indiferença por parte do pesquisador frente às alternativas a serem oferecidas aos participantes. A indiferença moral pos-sibilita a realização de uma ação, mas não é nem obrigatória (Bem) nem proibida (Mal). Resumindo, em estudos comparativos, sempre que uma das alternativas tiver um benefício maior que as demais, ela deve se tornar obrigatória. Da mesma forma, sempre que um procedimento tiver comprovadamente um risco maior que o outro, ele fica proibido de ser mantido neste projeto de pesquisa.

 A obtenção de consentimento informado de todos os indivíduos pesquisados é um dever moral do pesquisador. O consentimento informado é um meio de garantir a voluntariedade dos participantes, isto é, busca preservar a autonomia de todos os participantes. Desta forma, o consentimento informado deve ser livre

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e voluntário, pressupondo-se que o indivíduo esteja plenamente capaz para exer-cer a sua vontade. A existência de uma relação de dependência pode invalidar o consentimento, neste grupo incluem-se os alunos, os militares, os funcionários de hospitais, membros de congregações religiosas e os presidiários. Nestes casos deve haver um cuidado especial para evitar a possibilidade de coerção. O processo de consentimento informado deve fornecer informações completas, incluindo os ris-cos e desconfortos, os benefícios e os procedimentos que serão executados. A sua redação deve ser adequada ao nível de compreensão dos indivíduos. É sempre re-gistrado em um documento por escrito, denominado de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com a Resolução 196/96, que deve ter sua redação aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa. O fundamental é manter a caracte-rística do consentimento informado ser um processo, e não apenas um evento, uma assinatura de um documento. O consentimento informado deve ser visto como uma garantia de que a participação é efetivamente voluntária. Se ela aceitar deve ser merecedora de elogios, mas se negar a sua participação não é passível de qualquer censura ou desaprovação.

O último ponto fundamental é a avaliação prévia por um Comitê de Ética em Pesquisa independente. Neste Comitê devem participar pesquisadores de reco-nhecida competência, além de representantes da comunidade. Deve ser garantida a participação de homens e mulheres. O Comitê deve avaliar os aspectos éticos do projeto de pesquisa assim como a integridade e a qualificação da equipe de pesquisadores.

LEITURA

Termo de consentimento livre e esclarecido

Sua colaboração é importante e necessária para o desenvolvimento da pesquisa, porém sua participação é voluntária.

Título do Projeto de Pesquisa

Declaração de Idade: Eu declaro que tenho mais que 18 anos e que participarei por livre vontade do projeto de pesquisa conduzido pelo (a) pesquisador (a) ...

Objetivo (s) do Projeto de Pesquisa Procedimentos:

Riscos e benefícios: Riscos da pesquisa segundo a Res. 466/2012 - II. 22 – “Possibilida-de “Possibilida-de danos à dimensão física, psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual do ser

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humano, em qualquer pesquisa e dela decorrente;” Benefícios da pesquisa II. 4 – “Proveito direto ou indireto, imediato ou posterior, auferido pelo participante e/ou sua comunidade em decorrência de sua participação na pesquisa;”

5) Considerando os riscos apontados acima, tomamos os seguintes cuidados para sua minimização: a) Será garantido o anonimato e o sigilo das informações, além da utilização dos resultados exclusivamente para fins científicos; b) Você poderá solicitar informações ou esclarecimentos sobre o andamento da pesquisa em qualquer momento com o pesquisador responsável; c) Sua participação não é obrigatória, podendo retirar-se do estudo ou não permitir a utilização dos dados em qualquer momento da pesquisa; d) Sendo um participante voluntário, você não terá nenhum pagamento e/ou despesa referente à sua participação no estudo; e) Os materiais utilizados para coleta de dados serão armazenados por 5 (cinco) anos, após descartados, conforme preconizado pela Resolução CNS nº. 466 de 12 de de-zembro de 2012

Eu, ... , como voluntário da pesquisa, afirmo que fui devidamente informado e esclarecido sobre a finalidade e objetivos desta pesquisa, bem como sobre a utilização das informações exclusivamente para fins científicos. Meu nome não será divulgado de forma nenhuma e terei a opção de retirar meu consentimento a qualquer momento. E declaro também, ter recebido uma cópia do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Local, data.

Assinatura do participante da pesquisa Identificação dos responsáveis pelo estudo

RESUMO

A análise experimental refere-se à análise de comportamentos emitidos em situações de pesquisas experimentais. Já a análise funcional do comportamento refere-se à análise de comportamentos que ocorrem na vida cotidiana. Em ambas o ponto de vista teórico utilizado é o defendido por Skinner.

Em qualquer tipo de pesquisa científica, é importante que uma série de aspectos éti-cos sejam levados em consideração. Estes aspectos já se encontram definidos em resolu-ções específicas.

Referências

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