O presente boletim Commodities analisa o comportamento dos mercados dos combustíveis que influenciam os preços de energia elétrica e de gás natural, com base em informação disponível até 31 de dezembro 2018.
SIGLAS E ABREVIATURAS
bbl - Barril de petróleo
CIF - Cost, Insurance and Freight
CUR - Comercializador de Último Recurso EIA - Energy Information Administration EUAs - European Union Allowances HH – Henry Hub
MIBGAS - Mercado Ibérico do Gás NBP - National Balancing Point
OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo
TTF - Title Transfer Facility
ZEE - Belgian Natural Gas Zeebrugge Beach Todos os meses do ano também são abreviados
REFERÊNCIAS
Plataforma Reuters Banco Central Europeu
U.S. Energy Information Administration Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos
SÍNTESE
As ocorrências de maior relevância nos mercados as tendências de curto e no médio prazo são:
Brent: O preço do Brent observou uma
tendência decrescente, fechando o ano próximo dos 50 USD/bbl, após ter registado o valor máximo de 2018 em outubro, de 85 USD/bbl. A posterior descida do preço do petróleo até ao
final do ano é explicada pelo aumento da oferta acima das expetativas e pela diminuição do
momentum da economia, agravada pelas
tensões comerciais entre os EUA e a China. Carvão: No final de 2018 o preço do carvão fechou em queda, para valores próximos dos 87 USD/ton. A diminuição da procura chinesa e as condições meteorológicas relativamente amenas observadas na Europa e na Ásia do Leste foram alguns dos fatores responsáveis pela queda do preço do carvão no último trimestre 2018.
Gás natural: As cotações nos mercados ZEE, NBP e TTF apresentaram valores ligeiramente acima dos 28 USD/MWh, o que corresponde a uma pequena redução relativamente ao trimestre anterior. O Henry Hub registou uma subida para valores ligeiramente superiores aos
11 USD/MWh, acima dos valores ocorridos no trimestre anterior.
Licenças de emissão de CO2: Desde o início de 2018 que o preço subiu de forma muito significativa, registando um valor acima dos 25 EUR/ton no final de 2018, um aumento superior a 200% face aos valores do início de 2018 em torno dos 8 EUR/ton. Esta evolução reflete a antecipação da escassez de licenças de emissão no mercado, resultado de alterações legislativas europeias, e que originou uma forte pressão de compra no mercado grossista. Quanto ao comportamento futuro destas
commodities, a EIA perspetiva a estabilização do
preço do petróleo no patamar dos 60 USD/bbl em 2019. Para o preço do carvão, perspetiva-se uma diminuição ao longo de 2019 para valores próximos dos 87 USD/ton, face aos 93USD/ton registados no último trimestre 2018.
1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA
As evoluções dos preços das principais
commodities, petróleo, carvão, gás natural e
CO2, são apresentadas, conjuntamente com os acontecimentos que as justificam, nos capítulos seguintes.
1.1
COMBUSTÍVEIS
1.1.1 PETRÓLEO
A evolução do preço do petróleo (USD/bbl) tem sido marcada por uma grande volatilidade, como ilustra o gráfico seguinte para o preço do Brent desde 1987. Após ter atingido um máximo de 141 USD/bbl no início de julho de 2008, o preço do Brent inverteu a sua tendência ascendente, tendo atingido um mínimo de 12 anos, com uma cotação de 27 USD/bbl, em janeiro 2016. Após estes valores mínimos do início de 2016, as cotações do Brent observaram uma tendência de subida, com algumas oscilações, tendo registado um valor máximo de 85 USD/bbl no início de outubro 2018, o que corresponde ao preço mais elevado desde novembro 2014. A partir de outubro 2018 o preço do Brent apresentou uma tendência decrescente, fechando o ano ligeiramente acima dos 50 USD/bbl.
1 OPEP. (2018). Monthly Oil Market Report: 11 October
2018. Viena. Disponível em:
https://www.opec.org/opec_web/static_files_project/me dia/downloads/publications/MOMR%20October%202018
De acordo com a OPEP1, este máximo verificado em outubro 2018 é o resultado da combinação de 3 fatores:
a) Aumento da incerteza relativamente a uma potencial escassez na oferta global de petróleo;
b) Procura robusta;
c) Subida do prémio de risco geopolítico; Posteriormente, observou-se uma descida do preço do petróleo até ao final do ano,
fundamentada, principalmente, pelo aumento da oferta da acima das expectativas, de acordo com a OPEP2. A diminuição do momentum da economia mundial e as tensões comerciais entre os EUA e China também influenciaram o valor do Brent pelo lado da procura.
2 OPEP. (2018). Monthly Oil Market Report: 12 December
2018. Viena. Disponível em:
https://www.opec.org/opec_web/en/publications/338.ht m
Figura 1-1 Principais eventos que marcaram a evolução do preço do petróleo Brent
Fonte: ERSE, Reuters, EIA
A EIA3 reviu as suas previsões para o preço do
Brent, apontando para um valor médio petróleo
de aproximadamente 61 USD/bbl em 2019, o que representa uma diminuição de 11 USD/bbl relativamente às anteriores previsões. A recente queda do preço do petróleo, em conjunto com os cortes na produção da OPEP, permitirão, de acordo com a EIA, manter o equilíbrio entre a procura e oferta e, consequentemente, manter
3 EIA. (2018). Short-term Energy Outlook: December 2018.
Disponível em:
https://www.eia.gov/outlooks/steo/pdf/steo_full.pdf
o preço do petróleo próximo dos níveis observados atualmente.
Em termos de oferta, verifica-se um aumento da produção mundial em 2018, principalmente impulsionado pela produção não-OPEP (ver Figura 1-2) proveniente dos EUA.
A EIA prevê que a produção doméstica de crude americano atinja os 10,9 milhões de barris por dia em 2018, um aumento significativo
relativamente aos 9,4 milhões barris por dia em 2017, e antevê, para 2019, um aumento para valores na ordem dos 12,1 milhões de barris por dia.
Figura 1-2 Evolução da produção de petróleo OPEP e não-OPEP
Fonte: ERSE, EIA
A OPEP, com o objetivo de aumentar a quota de mercado, decidiu manter os níveis de produção elevados nos primeiros nove meses de 2016, pressionando em baixo o preço do petróleo, tendo a respetiva quota de mercado
0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0 20 40 60 80 100 120 140 160 USD /b bl Brent (USD/bbl) 20 40 60 80 100 120 140 de z. 20 12 ju n. 20 13 de z. 20 13 ju n. 20 14 de z. 20 14 ju n. 20 15 de z. 20 15 ju n. 20 16 de z. 20 16 ju n. 20 17 de z. 20 17 ju n. 20 18 de z. 20 18 US D/ bbl 90 95 100 105 110 115 120 125 130 1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T1T2T3T4T 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Ín di ce (j an . 2009= 100)
Produção não-OPEP (Jan. 2009 =100) Produção OPEP (Jan. 2009 =100)
4 Méd. móv. per. (Produção não-OPEP (Jan. 2009 =100)) 4 Méd. móv. per. (Produção OPEP (Jan. 2009 =100))
recuperado, superando os 40% no final do terceiro trimestre 2016 (ver Figura 1-3). No entanto, verificou-se uma diminuição da quota de mercado da OPEP a partir de 2017, nomeadamente por efeito dos cortes na produção por maior parte dos países pertencentes à organização, e o respetivo aumento da quota de produção não-OPEP, que atingiu os 61,4% no final de 2018, o que
corresponde a um máximo desde 20094, devido principalmente ao aumento de produção dos EUA, em particular do shale oil.
A tendência do aumento do output americano e, por conseguinte, da produção não OPEP, foi refletida na revisão em alta da produção de crude dos EUA nas últimas estimativas da EIA para 2019. Deste modo, e em conjunto com a perspetiva de cortes na produção OPEP, prevê-se que a quota de produção não-OPEP atinja os 62,4% no final do segundo trimestre 2019.
Figura 1-3 Evolução da quota de produção de petróleo OPEP e não-OPEP
Fonte: ERSE, EIA
Como se pode constatar na Figura 1-4, nos dois primeiros trimestres. 2018, observa-se que a produção e o consumo mundial apresentam
4 No horizonte de análise
valores semelhantes, enquanto no último semestre 2018, verifica-se uma situação excedentária de produção relativamente ao consumo, o que corresponde a uma inversão da tendência verificada ao longo de 2017. Este contexto é evidente principalmente no último trimestre e permitiu uma redução da pressão sobre o preço do petróleo no final do ano.
Figura 1-4 Evolução do consumo e da produção mundial de petróleo
Fonte: ERSE, EIA
Com as expetativas de crescimento económico mundial em 2018 e 2019 relativamente
inalteradas em comparação com os valores reais de 2017, prevê-se um crescimento do consumo mundial de petróleo relativamente estável. De modo a avaliar o impacto da evolução do preço do petróleo nos custos da energia em Portugal, torna-se também relevante analisar a recente evolução da cotação do EUR/USD. Na Figura 1-5 pode se observar que, após uma ligeira tendência de subida em 2017, com ligeiras oscilações, a cotação EUR/USD registou um máximo local no início de 2018. No último
semestre do corrente ano a cotação do EUR/USD estabilizou em torno dos 1,15 EUR/USD.
Figura 1-5 Evolução da taxa de câmbio EUR/USD e preço do Brent em USD vs EUR
Fonte: ERSE, Reuters
1.1.2 CARVÃO
A evolução do preço do carvão nos mercados do noroeste da Europa (mercado OTC a um mês) é apresentada na Figura 1-6. Após uma
valorização registada entre 2009 e 2011, o preço do carvão inicia um processo de desvalorização, atingindo durante o mês de fevereiro 2016 cotações mínimas de 12 anos, de 43,4 USD/ton. Após estes valores mínimos do primeiro
trimestre 2016, a cotação do carvão observou uma inversão da tendência de queda dos últimos anos, com registo de uma subida muito acentuada a partir do final de 2016, que se prolongou até janeiro 2017. Este aumento refletiu a reação do mercado às perturbações climáticas que afetaram a oferta e à decisão da China em cortar a produção do carvão com o objetivo de remover o excesso de capacidade da indústria.
No final de julho 2018, após um período de robusta procura chinesa para alimentar o seu
crescimento económico, o carvão atingiu o valor de 100,7 USD/ton, valor máximo observado desde janeiro 2012, tendo registado uma queda no final de 2018. A evolução do preço do carvão tem registado, desde 2017, uma tendência crescente em torno de uma volatilidade cíclica de amplitude considerável. A diminuição da procura chinesa, nomeadamente por pressão da parte do Governo chinês no final do ano para que o valor total das importações em 2018 fossem inferiores ao ocorrido em 2017, e as condições meteorológicas relativamente
amenas observadas na Europa e na Ásia do Leste foram alguns dos fatores responsáveis pela queda do preço do carvão no último trimestre 2018.
Figura 1-6 Evolução do Preço do Carvão (CIF NWE)
Fonte: ERSE, Reuters
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 0 20 40 60 80 100 120 140 2013 2014 2015 2016 2017 2018 EUR/ US D US D/ bb l; E UR /b bl EUR/USD (RHS) Brent (USD/bbl, LHS) Brent (EUR/bbl, LHS) 0 50 100 150 200 250 US D/ to n 35 45 55 65 75 85 95 105 US D/ to n
1.1.3 GÁS
NATURAL
Para analisar a evolução do preço do gás natural nos mercados internacionais foram selecionados quatro mercados internacionais de referência, o
Zeebrugge (ZEE), o National Balancing Point
(NBP), o Title Transfer Facility (TTF) e o Henry
Hub (HH). O Zeebrugge, o NBP e o TTF são hubs
virtuais de compra e venda de gás natural localizados na Bélgica, Reino Unido e Holanda, respetivamente, e constituem uma referência no mercado europeu de compra e venda de gás natural. O HH é um hub de referência para contratos de futuros de gás natural, nos Estados Unidos.
A Figura 1-7 apresenta a evolução do preço do gás natural nos mercados internacionais para os quatro produtos de referência selecionados,
Zeebrugge, NBP, TTF e HH.
Como se pode verificar, todos os produtos apresentam um comportamento semelhante à exceção do HH americano, que a partir do 2.º trimestre 2010 se descola do preço dos restantes produtos não acompanhando o seu processo de valorização. Este facto deveu-se sobretudo à produção de shale gas nos Estados Unidos.
No 4.º trimestre 2018 verifica-se que as cotações nos mercados ZEE, NBP e TTF
apresentaram valores ligeiramente acima dos 28 USD/MWh, o que corresponde a uma pequena redução relativamente ao trimestre anterior. O
Henry Hub registou uma subida para valores
ligeiramente superiores aos 11 USD/MWh,
5 Devido à descontinuidade das séries disponíveis,
anteriormente a essa data.
acima dos valores ocorridos no trimestre anterior.
Figura 1-7 Evolução do preço do gás natural nos mercados internacionais
Fonte: ERSE, Reuters
A Figura 1-8 apresenta a evolução dos preços do GNL nos mercados internacionais, desagregados nos gráficos 1 e 2. O primeiro gráfico apresenta a análise para o período com início em
janeiro 2010, tendo para o efeito sido escolhidos os seguintes mercados
representativos de consumo de GNL: na América do Norte, o Canadá e os EUA (Lake Charles), na América do Sul, o Brasil, na Europa, o Reino Unido e na Ásia, o Japão e a China. O segundo gráfico da figura apresenta a mesma análise em base 100, com referência ao início de
julho 20115.
Após uma tendência de descida do preço do GNL entre 2014 e 2016, observou-se uma tendência global de subida do preço do GNL
durante os anos de 2015 a 2018, com as oscilações sazonais próprias desta commodity. No final do ano de 2018 observou-se uma diminuição do preço do GNL nos mercados do Japão, do Reino Unido, do Brasil e da China. Em sentido contrário registou-se um aumento do preço do GNL nos EUA (Lake Charles) nos últimos dias do ano.
Figura 1-8 Evolução do preço do GNL nos mercados internacionais
Nota: No segundo gráfico não foi incluído o Canadá face aos picos de preço que ocorrem neste país nos meses de inverno e que inviabilizam a correta perceção dos efeitos de variação nos restantes países analisados.
Fonte: ERSE, Reuters, MIBGAS
Nos mercados asiáticos, os preços de GNL registaram no final de dezembro 2018 valores cerca de 37% inferiores no caso do Japão, e no caso da China, 35% inferiores aos valores observados em julho de 2011, enquanto nos
6 Os preços MIBGAS correspondem aos preços médios
ponderados para todas as transações organizadas para o dia em causa nas sessões já concluídas.
EUA se regista um valor apenas 2% abaixo desse mesmo referencial. O mercado do Reino Unido apresentava um valor 5% abaixo face a esse mesmo mês, enquanto os preços de GNL no Brasil encontravam-se novamente abaixo dos registados em julho 2011, em cerca de 9%. Para além destes mercados internacionais de referência é também apresentada na Figura 1-9 uma análise da evolução do Mercado Ibérico do Gás (MIBGAS), o hub de gás na Península Ibérica, que iniciou a negociação de produtos de gás natural em 16 de dezembro 2015.
A comparação dos preços do custo do gás subjacente ao gás natural adquirido pelos CUR com os preços no MIBGAS permite observar que estes últimos registam uma maior volatilidade. Tal é evidenciado no gráfico seguinte, que apresenta a evolução dos volumes
transacionados de gás natural e o índice de preços no MIBGAS6, bem como o custo do gás natural real à entrada em Portugal.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 03 -01 -20 10 03 -04 -20 10 03 -07 -20 10 03 -10 -20 10 03 -01 -20 11 03 -04 -20 11 03 -07 -20 11 03 -10 -20 11 03 -01 -20 12 03 -04 -20 12 03 -07 -20 12 03 -10 -20 12 03 -01 -20 13 03 -04 -20 13 03 -07 -20 13 03 -10 -20 13 03 -01 -20 14 03 -04 -20 14 03 -07 -20 14 03 -10 -20 14 03 -01 -20 15 03 -04 -20 15 03 -07 -20 15 03 -10 -20 15 03 -01 -20 16 03 -04 -20 16 03 -07 -20 16 03 -10 -20 16 03 -01 -20 17 03 -04 -20 17 03 -07 -20 17 03 -10 -20 17 03 -01 -20 18 03 -04 -20 18 03 -07 -20 18 03 -10 -20 18 USD /M W h
USA - Lake Charles UK Japão Brasil China Canada 0 50 100 150 200 250 03- 07-2011 11- 09-2011 20- 11-2011 29- 01-2012 08- 04-2012 17- 06-2012 26- 08-2012 04- 11-2012 13- 01-2013 24- 03-2013 02- 06-2013 11- 08-2013 20- 10-2013 29- 12-2013 09- 03-2014 18- 05-2014 27- 07-2014 05- 10-2014 14- 12-2014 22- 02-2015 03- 05-2015 12- 07-2015 20- 09-2015 29- 11-2015 07- 02-2016 17- 04-2016 26- 06-2016 04- 09-2016 13- 11-2016 22- 01-2017 02- 04-2017 11- 06-2017 20- 08-2017 29- 10-2017 07- 01-2018 18- 03-2018 27- 05-2018 05- 08-2018 14- 10-2018 23- 12-2018 ín di ce (j ul .2011 = 100)
USA - Lake Charles UK Japão Brasil China
Figura 1-9 Evolução do volume e preço do gás natural no MIBGAS e em Portugal
Fonte: ERSE, MIBGAS
O preço no MIBGAS foi, em média, ligeiramente mais baixo do que o preço do gás subjacente ao gás natural adquirido pelos CUR até maio 2016. A partir de setembro desse ano os preços no MIBGAS cresceram significativamente mais do que em Portugal, registando um período de divergência destes preços até fevereiro 2017. Entre março e agosto 2017, os preços do gás natural no MIBGAS voltaram a registar valores inferiores aos do custo do gás em Portugal. A partir de agosto 2017 verifica-se uma inversão desta tendência, que se manteve até final de 2018. Durante o ano de 2018 observou-se um diferencial mínimo no mês de junho, de cerca de 1,5 EUR/MWh e um diferencial máximo no mês de setembro, de cerca de 7,6 EUR/MWh. O preço médio mensal no MIBGAS em 2018 ultrapassou em quase 4 EUR/MWh os custos subjacentes do gás natural adquirido pelos CUR.
COMPARAÇÃO DA EVOLUÇÃO DOS PREÇOS DESTAS COMMODITIES
De seguida, efetua-se uma comparação dos preços do carvão (mercado OTC a um mês) e do
gás natural, com a evolução observada no preço do petróleo Brent (vide Figura 1-10). Após as reduções verificadas no último trimestre 2018, observa-se que o petróleo e o carvão se
afastaram de forma mais significativa dos preços que se verificavam no início de 2011. No caso do gás natural, observa-se no final de 2018 um preço inferior em 9% relativamente ao início de 2011, depois de ter registado na última semana de setembro 2018 valores superiores aos verificados no início de 2011, o que não se verificava deste 2014.
Figura 1-10 Comparação dos preços do carvão (API2 CIF), do petróleo (Brent) e do gás natural (NBP) nos mercados spot (base 100=Jan/2011)
Fontes: ERSE, EIA, Reuters
1.2
ANÁLISE
DO
COMPORTAMENTO
DO
GÁS
EM
RELAÇÃO
AO
PETRÓLEO
Neste capítulo, pretende-se ilustrar a relação entre a evolução do preço de petróleo e o preço do gás natural, quer para os produtos de
referência, quer para o gás natural em Portugal. A Figura 1-11 apresenta uma análise semelhante à da Figura 1-7, mas considerando, também, o preço do petróleo (USD/bbl). Verifica-se, a partir de meados de 2015, um ligeiro aumento da correlação dos preços do petróleo e do gás,
0 500 1 000 1 500 2 000 2 500 0 5 10 15 20 25 30 35 40 GW h EU R/ M W h
Volume mensal MIBGAS [GWh, escala da direita]
Preço médio mensal ponderado MIBGAS [EUR/MWh, escala da esquerda] Custo do gás subjacente ao gás natural adquirido pelos comercializadores de último recurso. [EUR/MWh, escala da esquerda]
E 0 20 40 60 80 100 120 140 160 jan.
20112011jun.nov.20112012abr.2012set.2013fev.2013jul.2013dez.mai.20142014out.mar.20152015ago.2016jan.2016jun.2016nov.2017abr.2017set.2018fev.2018jul. 2018dez.
ín di ce (j an .2011 = 100, b as e em USD )
havendo, no entanto, uma tendência para uma maior volatilidade do preço do petróleo face aos preços do gás natural.
Figura 1-11 Evolução do preço do gás natural e do preço do petróleo nos mercados
internacionais
Fonte: ERSE, EIA, Reuters
No entanto, se a análise considerar um desfasamento entre o preço do petróleo e o preço do gás natural, e dados médios com uma periocidade trimestral, as conclusões são bastante diferentes.
7As análises efetuadas mostram que há um desfasamento
temporal entre a evolução do preço do petróleo e a evolução do custo do gás natural, verificando-se que as
A Figura 1-12 apresenta a evolução dos preços do Zeebrugge, do NBP, do MIGBAS, do gás natural e do petróleo Brent, em base trimestral, considerando um desfasamento temporal de 6 meses entre o preço do petróleo e os preços dos restantes produtos, sendo também
apresentadas as respetivas correlações7. A correlação do preço do gás natural em
Portugal com o petróleo desfasado 6 meses é de 95%, com dados até ao último trimestre 20188.
Figura 1-12 Evolução dos preços do gás natural e correlação com o preço do petróleo com
desfasamento de 6 meses
Nota: Não é apresentada a correlação com o MIBGAS por ter um número reduzido de observações, sendo que a correlação obtida com estes dados não foi significativa.
Fonte: ERSE, Reuters
1.3 LICENÇAS
DE
EMISSÃO
DE
CO
2Para além dos preços das commodities analisados nos pontos anteriores, o preço de energia elétrica transacionada nos mercados
correlações apresentam valores superiores para um desfasamento de 6 meses.
8 Com dados até março 2015 era apenas de 87%.
0 20 40 60 80 100 120 140 160 0 20 40 60 80 100 120 140 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 $/ bb l USD /M W h
ZEE TTF HH NBP Brent (USD/bbl)
0 20 40 60 80 100 120 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 $/ bb l USD /M W h
ZEE TTF HH NBP Brent (USD/bbl)
0 20 40 60 80 100 120 140 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 US D/b bl USD /M W h NBP (USD/MWh) ZEE (USD/MWh) GN Portugal (USD/MWh) Preço médio trimestral MIBGAS (USD/MWh) Brent (diferido 6m, USD/bbl) Correlações: Brent/Zee = Brent/NBP= Brent/GN PT = 78% 77% 95%
grossistas é igualmente influenciado pelo preço das licenças de emissão de emissão de CO2, EUAs (European Union Allowances),definido a nível europeu através do CELE – Comércio Europeu de Licenças de Emissão de CO29. O CELE
é um mercado criado por iniciativa da Comissão Europeia para cumprir com as metas definidas no Protocolo de Quioto. O preço dessas licenças reflete-se na estrutura de custos das centrais térmicas, com maior impacte nas centrais a carvão.
A Figura 1-13 mostra o aumento significativo do preço das licenças de emissão de CO2 desde o início de 2018, tendo superado os 25 EUR/ton no final deste ano, um aumento superior a 200% face aos valores do início de 2018 em torno dos 8 EUR/ton. Esta evolução decorre, em grande parte, da publicação da nova Diretiva do CELE10,
bem como da discussão que a antecedeu, que para o período pós 2020 veio definir novas regras11 que permitem antecipar uma previsível
escassez das licenças de emissão no mercado, o que criou, em antecipação a este efeito, uma forte pressão de compra no mercado grossista.
A evolução dos preços das EUAs reflete igualmente a maior dinâmica da economia europeia.
9 Também conhecido por EU Emission Trading System (EU
ETS)
10 Diretiva 2018/410 de 14 de março
Figura 1-13 Evolução do preço das EUAs
Fonte: Reuters
11 Como seja a diminuição dos limites de emissão de CO2 e
diminuição dos excedentes de licenças de emissão
0 5 10 15 20 25 30 2013 2014 2015 2016 2017 2018 EU R/ to n
2 PREVISÕES
2.1
COMBUSTÍVEIS
2.1.1 PETRÓLEO
2.1.1.1 PREVISÕES
PARA
O
CONSUMO
E
PARA
AS
RESERVAS
A evolução do preço do petróleo reflete a evolução do consumo, bem como da sua relação com a oferta, que se materializa na evolução das reservas de petróleo.
De acordo com os dados da EIA, (vide Figura 2-1) estima-se que até 2019 a produção e o consumo apresentarão ritmos de crescimento
semelhantes. De acordo com a EIA, as reservas globais de petróleo e outros combustíveis a partir de 2013 estabilizaram em torno dos 1650 mil milhões de barris, pese embora tenha existindo uma ligeira diminuição a partir de 2015. A previsão relativamente estável da EIA dos inventários para 2019 e a perspetiva do equilíbrio entre procura e oferta contribuem para a previsão de estabilização do preço do petróleo no patamar dos 60 USD/bbl.
Figura 2-1 Relação entre o consumo, oferta e reservas de petróleo
Fonte: ERSE, EIA, Reuters; Valores de produção de 2018 e de consumo a partir de 2016 obtidos com base nos dados mensais da EIA.
A Figura 2-2 apresenta as expectativas da EIA relativas ao consumo e à produção de petróleo referentes ao ano de 2019. Observa-se que esta instituição perspetiva ritmos de crescimento semelhantes entre a produção e o consumo ao longo de todo o ano. A verificarem-se estas previsões, é expectável que o preço do petróleo se mantenha estável.
Figura 2-2 Relação entre o consumo e oferta mundial de petróleo
Fonte: ERSE, EIA
A análise do mercado de futuros apresenta-se como relevante, na medida em que contém informação sobre as expectativas dos
investidores quanto à evolução dos preços dos combustíveis. Para além da expectativa quanto à evolução do preço das mercadorias, o mercado de futuros reflete ainda os custos com o armazenamento do produto, com os seguros, com o transporte e com os custos de
financiamento.
A Figura 2-3 ilustra a evolução dos preços do petróleo no mercado spot e no mercado de futuros. As expectativas do mercado
relativamente à evolução do preço do Brent são internalizadas nas transações dos futuros. Da observação desta figura, verifica-se que, desde a segunda metade de 2014 até meados de agosto 2017, a cotação dos futuros a 3 e 9 meses registou valores sistematicamente acima dos
1 018 1 030 1 033 1 2141 266 1 278 1 289 1 320 1 329 1 336 1 357 1 475 1 523 1 644 1 651 1 658 1 651 1 646 1 657 0 200 400 600 800 1 000 1 200 1 400 1 600 1 800 70 000 75 000 80 000 85 000 90 000 95 000 100 000 105 000 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 M il m ilh õe s d e b ar ris M ilha re s de ba rr is po r di a Reservas Consumo Produção (RHS) 80 85 90 95 100 105 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 1T 2T 3T 4T 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 M ilh õe s d e ba rr is po r d ia Produção Mundial Consumo Mundial Tendência Produção Mundial Tendência Consumo Mundial
preços do Brent no mercado spot, tendo os spreads entre as cotações registado um estreitamento.
No final de 2018 observa-se que a cotação dos futuros a 3 e 9 meses são ligeiramente
superiores aos valores do petróleo no mercado
spot, sinalizando uma expectativa de aumento
do preço desta commodity nos próximos meses.
Figura 2-3 Evolução dos preços do Brent
spot e futuros
Fonte: ERSE, Reuters
Em complemento à análise supra, na Figura 2-4 detalham-se as diferenças entre os preços dos futuros e do Brent no mercado spot no dia de compra de ambos, a partir de 2014. Pese embora, em 2018, a média da cotação dos futuros a 3 meses tenha sido superior em 0,22USD/bbl e a dos futuros a 9 meses tenha sido inferior em 1,28USD/bbl relativamente ao preço no mercado spot, é possível observar comportamentos distintos ao longo do ano. Observa-se que no primeiro trimestre do ano ambos os contratos apresentam diferencial negativo, esta situação inverte-se no início do terceiro trimestre e, após um período em que o diferencial retoma a valor negativo para ambos, a cotação dos futuros termina o ano com um diferencial positivo, 1,9USD/bbl e 2,5USD/bbl nos futuros a 3 e 9 meses, respetivamente.
Figura 2-4 Diferencial de preços do Brent futuros e spot – desde 2014
Fonte: ERSE, Reuters
A Figura 2-5 apresenta as tendências de longo prazo depois de retirado o efeito da
sazonalidade. É possível observar a inversão da tendência de diminuição do preço do petróleo que tinha sido iniciada em 2013-2014, reflexo da subida do preço médio mensal na última metade de 2016 e início de 2017, bem como a queda verificada no último trimestre 2018.
Figura 2-5 Análise da sazonalidade do petróleo Brent
Fonte: ERSE, Reuters
2.1.2 CARVÃO
Analisando o comportamento dos futuros sobre o API#2, observa-se que o mercado perspetiva uma redução do preço desta commodity ao longo dos próximos trimestres. Após um máximo
30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 01 -0 1-20 14 01 -0 3-20 14 01 -0 5-20 14 01 -0 7-20 14 01 -0 9-20 14 01 -1 1-20 14 01 -0 1-20 15 01 -0 3-20 15 01 -0 5-20 15 01 -0 7-20 15 01 -0 9-20 15 01 -1 1-20 15 01 -0 1-20 16 01 -0 3-20 16 01 -0 5-20 16 01 -0 7-20 16 01 -0 9-20 16 01 -1 1-20 16 01 -0 1-20 17 01 -0 3-20 17 01 -0 5-20 17 01 -0 7-20 17 01 -0 9-20 17 01 -1 1-20 17 01 -0 1-20 18 01 -0 3-20 18 01 -0 5-20 18 01 -0 7-20 18 01 -0 9-20 18 01 -1 1-20 18 US D/ bb l
Futuros Brent 3 meses (USD) Futuros Brent 9 meses (USD) Brent Spot (USD)
-8,0 -6,0 -4,0 -2,0 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 01 -0 1-20 14 01 -0 3-20 14 01 -0 5-20 14 01 -0 7-20 14 01 -0 9-20 14 01 -1 1-20 14 01 -0 1-20 15 01 -0 3-20 15 01 -0 5-20 15 01 -0 7-20 15 01 -0 9-20 15 01 -1 1-20 15 01 -0 1-20 16 01 -0 3-20 16 01 -0 5-20 16 01 -0 7-20 16 01 -0 9-20 16 01 -1 1-20 16 01 -0 1-20 17 01 -0 3-20 17 01 -0 5-20 17 01 -0 7-20 17 01 -0 9-20 17 01 -1 1-20 17 01 -0 1-20 18 01 -0 3-20 18 01 -0 5-20 18 01 -0 7-20 18 01 -0 9-20 18 01 -1 1-20 18 US D/ bb l
Diferença futuros 3 meses face a Spot Diferença Futuros 9 meses face a Spot
0 20 40 60 80 100 120 140 ja n. 2 00 9 ab r. 2 00 9 ju l. 2 00 9 ou t. 2 00 9 ja n. 2 01 0 ab r. 2 01 0 ju l. 2 01 0 ou t. 2 01 0 ja n. 2 01 1 ab r. 2 01 1 ju l. 2 01 1 ou t. 2 01 1 ja n. 2 01 2 ab r. 2 01 2 ju l. 2 01 2 ou t. 2 01 2 ja n. 2 01 3 ab r. 2 01 3 ju l. 2 01 3 ou t. 2 01 3 ja n. 2 01 4 ab r. 2 01 4 ju l. 2 01 4 ou t. 2 01 4 ja n. 2 01 5 ab r. 2 01 5 ju l. 2 01 5 ou t. 2 01 5 ja n. 2 01 6 ab r. 2 01 6 ju l. 2 01 6 ou t. 2 01 6 ja n. 2 01 7 ab r. 2 01 7 ju l. 2 01 7 ou t. 2 01 7 ja n. 2 01 8 ab r. 2 01 8 ju l. 2 01 8 ou t. 2 01 8 US D/ bb l
Média mensal ajustada pela sazonalidade Tendência longo prazo
de aproximadamente 100 USD/ton no terceiro trimestre 2018, o mercado perspetiva uma redução, contínua ao longo do período, atingindo um valor a rondar os 87 USD/ton no último trimestre 2019.
Figura 2-6 Futuros e spot sobre o API#2 para
diferentes maturidades12
Fonte: Reuters, ERSE
2.1.3 GÁS
NATURAL
Analisando o comportamento dos futuros NBP percebe-se que a expectativa do mercado relativa ao preço desta commodity é de uma tendência de redução durante o ano de 2019, com um ligeiro aumento no final desse ano, refletindo o típico comportamento sazonal da
commodity.
12 As maturidades dizem respeito a entregas mensais com
um desfasamento até 3 meses e a entregas trimestrais com um desfasamento até 4 Trimestres.
No período em análise na Figura 2-7, a média dos contratos para entregas no primeiro trimestre 2019 é de cerca de 28,7 USD/MWh e de 26,2 USD/MWh nos restantes trimestres 2019.
Figura 2-7 Futuros e spot NBP com entregas em
diferentes prazos
Fonte: Reuters, ERSE
2.2
LICENÇAS
DE
EMISSÃO
DE
CO
2A Figura 2-8 mostra a evolução até 2020 dos preços de futuros das EUAs, que reflete as perspetivas de mercado referidas
anteriormente. 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 US D/ to n 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 USD /M W h
Figura 2-8 Futuros e spot sobre as EUAs
Fonte: Reuters, ERSE
2.3
TAXA
DE
CÂMBIO
A taxa de câmbio EUR/USD tem sofrido algumas oscilações, tendo-se registado uma forte desvalorização do euro face ao dólar a partir da segunda metade de 2014 que se prolongou até ao primeiro trimestre 2017, com ligeiras oscilações. No último trimestre 2018, a relação EUR/USD encontrava-se em torno dos 1,14 EUR/USD, uma desvalorização do euro face ao dólar de 7% relativamente ao início de 2018 e uma desvalorização do euro face ao dólar de 18% relativamente ao máximo anterior de 1,39
EUR/USD, atingido em março 2014. Segundo os valores dos contratos forward da Reuters, os valores de negociação destes contratos registem um ligeiro aumento em 2019, para um patamar próximo dos 1,17 EUR/USD, refletindo as perspetivas de política monetária da Reserva Federal dos Estados Unidos e do Banco Central Europeu. A figura seguinte apresenta a evolução dos contratos forward da taxa de câmbio EUR/USD.
Figura 2-9 Taxa de câmbio (EUR/USD) verificada e
contratos forward
Fonte: Reuters, ERSE
1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25 1,30 1,35 1,40 1,45 1,50 EUR /US D Futuros EUR/USD