Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
A C Ó R D Ã O (8ª Turma) DCJGTS/APPC/
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 93, IX DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 832 DA CLT E 458 DO CPC NÃO CONFIGURADA. As matérias ventiladas foram integral e minuciosamente apreciadas pelo E.
Tribunal Regional, em estrita
observância aos ditames insculpidos nos artigos 93, IX, da Carta Magna, 832 da CLT e 458 do CPC, inexistindo negativa de prestação jurisdicional. 2. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREECHIMENTO DE VAGAS DESTINADAS A PORTADORES DE DEFICIÊNCIA. EMPRESA EXERCENTE DE ATIVIDADES PERIGOSAS. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E 89, 90 E 93 DA LEI 8.213/91 NÃO CONFIGURADA. DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL INESPECÍFICA. A
exigência do artigo 93 da Lei 8.213/91, referente à reserva de cargos para empregados reabilitados ou portadores de deficiência, tem por escopo promover a inclusão social e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Trata-se, portanto, de modalidade de ação afirmativa que, em última análise, visa promover uma sociedade mais justa e solidária, bem como concretizar os
fundamentos constitucionais da
dignidade da pessoa humana, do valor social do trabalho (artigos 1º, III e IV; 3º, IV, da Carta Magna) e da
proibição da discriminação aos
portadores de deficiência (artigo 7º, XXXI, da Constituição Federal). Este C. Tribunal Superior do Trabalho tem
entendido pela possibilidade de
exclusão da obrigação de preenchimento
de cargos com beneficiários
reabilitados ou com pessoas portadoras de deficiência, diante da justificada
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
comprovação da impossibilidade da empresa em contratar empregados nessas condições, o que, segundo se extrai da conclusão do v. acórdão regional, não se verificou na hipótese dos autos. A apreciação das alegações suscitadas pela agravante, calcadas no fato de que demonstrou não ter condições de cumprir o disposto no artigo 93 da Lei 8.213/91, demandaria o reexame de fatos e provas, o que inviabiliza o trânsito do recurso de revista, nos moldes da Súmula 126 do C. Tribunal Superior do Trabalho. Os arestos transcritos não se prestam a demonstrar o dissenso pretoriano invocado, pois inespecíficos (Súmula 296, inciso I, desta Corte). Agravo de Instrumento conhecido e não provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo
de Instrumento em Recurso de Revista n°
TST-AIRR-191100-07.2006.5.15.0094, em que é Agravante COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ e Agravada UNIÃO (PGU).
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, pela decisão de fls. 1.150/1.151, denegou seguimento ao recurso de revista da autora, COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ.
Inconformada, a recorrente interpõe agravo de instrumento às fls. 1.154/1.168, por meio do qual procura desconstituir o fundamento consignado na decisão denegatória do recurso de revista. Foi apresentada contraminuta e contrarrazões às fls. 1.179/1.185 e 1.187/1.193.
Desnecessária a remessa dos autos à Procuradoria Geral do Trabalho (artigo 83 do Regimento Interno do TST).
É o relatório. V O T O
1. CONHECIMENTO
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
O agravo de instrumento é tempestivo (fls. 1.152/1.153), subscrito por advogado habilitado (fl. 817) e devidamente preparado, uma vez que o depósito recursal atingiu o valor da condenação (fl. 608), razão pela qual dele conheço.
2. MÉRITO
2.1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 93, IX DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 832 DA CLT E 458 DO CPC.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em exame primeiro de admissibilidade, assim se manifestou quanto à arguição de nulidade do v. acórdão regional, por negativa de prestação jurisdicional:
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO/Atos Processuais/Nulidade/Negativa de prestação jurisdicional.
O v. acórdão expressou os fundamentos adotados para a entrega da prestação jurisdicional, adotando tese explícita a respeito das matérias abordadas no presente recurso, em cuja hipótese é desnecessário acrescentar menção expressa à dispositivo legal, para efetivo prequestionamento, conforme orientação jurispudencial 118 da SDI1 do C. TST. Não se impõe ao julgador a exaustão de todos os motivos que levam ao mesmo fim, senão aquilo que se mostrar suficiente ao regular adequado deslinde da causa, o que não implica em cerceamento de defesa.
Fundamentou o v. acórdão que, conforme se vê do art. 93 da Lei 8213/91, não existe nenhuma distinção relativa à atividade perigosa ou que exija plena aptidão física do trabalhador. Ao juiz cumpre o dever de interpretar as leis de acordo com o que o caso concreto lhe é posto.
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior A própria reclamada, por meio dos termos de compromisso 228/2004 e 305/2005, firmado perante a Subdelegacia do Trabalho de Campinas, comprometeu-se a preencher 5% de seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados e pessoas portadoras de deficiência habilitadas, ou, ainda, as que estejam capacitadas para o exercício da função. Ao firmar referidos compromissos, não ressalvou nenhum tipo de função perigosa ou que não pudesse ser cumprida por deficientes físicos, tendo, na verdade, considerado para tal efeito, todos os cargos da empresa. Quanto à nulidade do julgado por negativa de prestação jurisdicional e por ofensa ao princípio da razoabilidade, não há como receber o recurso, porque o Tribunal manifestou-se explicitamente a respeito da questão suscitada, não se verificando violação aos arts. 37, e 93, inciso IX da Constituição Federal, 832 da CLT e 458 do CPC. Além disso, não se admite o recurso por ofensa aos demais dispositivos constitucionais e legais apontados, na esteira do entendimento traçado na Orientação Jurisprudencial 115 da SDI-I do C. TST.
Por outro lado, inviável a análise dos arestos colacionados, pois a nulidade invocada não pode ser aferida por divergência jurisprudencial, uma vez que não há teses a serem confrontadas.
CONCLUSÃO
DENEGO seguimento ao recurso de revista.
Pretende a agravante, assim, a modificação do r. despacho agravado, com o consequente processamento do recurso de revista, ao argumento de que o v. acórdão regional violou os artigos 93, IX, da Constituição Federal, 832 da CLT e 456 do CPC, na medida em que não se manifestou quanto aos argumentos apontados em sede de recurso ordinário, atinentes à aplicação do princípio da razoabilidade aos casos de cumprimento do disposto no artigo 93 da Lei 8.213/91 por empresa que exerce atividades de risco, bem como as esforços empreendidos pela
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
agravante para o preenchimento da cota legal, sobretudo com a manutenção de programas sociais.
Sem razão a agravante.
O exame do v. acórdão regional, que manteve, no particular, a r. decisão primígena, não deixa dúvidas de que os temas levantados pela agravante foram integral e minuciosamente apreciados, em estrita observância aos ditames insculpidos nos artigos 93, IX, da Constituição Federal, 832 da CLT e 458 do CPC. Eis os seus termos:
Trata-se a presente de ação anulatória de auto de infração expedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
A requerente, ora primeira recorrente, foi autuada pela fiscalização do trabalho da Subdelegacia de Campinas sob o fundamento de que deixou de preencher a cota legal mínima de deficientes físicos (5%) no seu quadro de funcionários, nos termos do artigo 93 da Lei 8.213/91.
Paralelamente à referida demanda, propôs a requerente ação de consignação em pagamento – em apenso – em que foi deferido o depósito do valor relativo à multa administrativa, suspendendo-se a sua exigibilidade até o julgamento da presente ação. À fl. 340, foi deferida a transferência do depósito ao tesouro nacional conforme requerido pela União às fls. 310/311.
Pois bem.
A requerente utiliza-se das alegações de que, como empresa do ramo elétrico, tem em seus quadros cargos que exigem plena aptidão física dos trabalhadores, sob pena de risco de acidentes do trabalho. Aduz que o exercício de tais funções é periculoso, nos termos do art. 193 da CLT, razão pela qual deficientes físicos não teriam aptidão para exercê-las. Logo, argumenta que, para o cálculo da porcentagem de deficientes físicos a serem empregados,
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior deve-se considerar tão-somente aqueles cargos que não exigem aptidão física plena.
A questão merece pontual análise. O art. 93 da Lei 8.213/91 assim dispõe acerca da porcentagem de cargos a serem ocupados por deficientes físicos, in verbis:
Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:
I - até 200 empregados...2%;
II - de 201 a 500...3%;
III - de 501 a 1.000...4%;
IV - de 1.001 em diante...5%.
§ 1º A dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente habilitado ao final de contrato por prazo determinado de mais de 90 (noventa) dias, e a imotivada, no contrato por prazo indeterminado, só poderá ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante.
§ 2º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social deverá gerar estatísticas sobre o total de empregados e as vagas preenchidas por reabilitados e deficientes habilitados, fornecendo-as, quando solicitadas, aos sindicatos ou entidades representativas dos empregados.
Conforme se vê do referido dispositivo que regula a matéria, não existe nenhuma distinção relativa à atividade perigosa ou que exija plena aptidão física do trabalhador. De outro lado, como é cediço, ao Juiz cumpre o dever de interpretar as leis de acordo com o que o caso concreto lhe é posto. Contudo, de acordo com o brocardo jurídico, onde o legislador não distingue, não cabe ao magistrado fazê-lo, muito menos para adotar tese que prejudique aquele a quem o preceito visa a proteger.
Cumpre pontuar, outrossim, que a própria reclamada, por meio dos termos de compromisso nº 228/2004 e 305/2005,
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior firmado perante a Subdelegacia do Trabalho de Campinas, comprometeu-se a preencher 5% dos seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados e pessoas portadoras de deficiência habilitadas ou, ainda, as que estejam capacitadas para o exercício da função. Ao firmar referidos compromissos, não ressalvou nenhum tipo de função perigosa ou que não pudesse ser cumprida por deficientes físicos, tendo, na verdade, considerado para tal efeito, todos os cargos da empresa.
Sendo assim, deve-se deixar claro que existem vários graus e tipos de deficiência. De fato, existem algumas funções que determinada pessoa, portadora de necessidades especiais, não está apta a exercer. Isso não quer dizer, contudo, que um outro indivíduo, também enquadrado na definição de deficiente físico, não possa exercê-la. Na verdade, tais circunstâncias ocorrem mesmo quando está a se falar de pessoas que não possuem nenhum tipo de deficiência.
Por fim, para afastar qualquer dúvida acerca da possibilidade do cumprimento da norma, tal qual prevista no art. 93 da Lei 8.213/91, vale registrar as informações prestadas pelo Ministério Público do Trabalho, por meio da Dra. Renata Coelho Vieira, que assim certificou à fl. 388, in verbis:
Tanto que nos últimos anos, após o processo aqui em debate, vem sendo fiscalizada e tem demonstrado cumprir a totalidade da cota, segundo dados e informações obtidos por essa Procuradora recentemente com a fiscalização do trabalho em Campinas (anexo). Contratou, inclusive, na função de eletricista de alta-tensão, na evidência de que não só é legal como é possível tal contratação.
Destarte, improcedente o pleito recursal no sentido de que o Ministério do Trabalho e Emprego de Campinas se abstenha de proceder a novas autuações em face da recorrente em razão de descumprimento da cota legal mínima na contratação de
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior deficientes físicos, assim como seja suspensa a exigibilidade das multas aplicadas.
Mantenho.
Da atenta leitura das razões de decidir acima transcritas, chega-se à conclusão de que as alegações da agravante, no sentido de que o E. Tribunal de origem teria deixado de se manifestar quanto aos argumentos tecidos no bojo do recurso ordinário não dizem respeito à ausência de fundamentação, mas sim à irresignação da recorrente quanto ao resultado imprimido à lide, que foi antagônico às suas pretensões. Frise-se, aqui, que cabe ao Magistrado apreciar livremente os elementos constantes dos autos, mediante a indicação dos motivos que lhe formaram o convencimento (artigo 131 do CPC).
Em verdade, a mencionada omissão, longe de significar que a tutela jurisdicional foi prestada de modo incompleto, novamente demonstra a mera irresignação da autora quanto ao desfecho da demanda, o qual lhe foi desfavorável. Nessa medida, denota-se que a r. aresto enfrentou todos os aspectos das matérias em análise, com fundamentação jurídica suficiente a embasar o entendimento adotado.
Irreparável, portanto, o r. despacho agravado, razão pela qual nego provimento ao agravo de instrumento, no particular.
2.2. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREECHIMENTO DE VAGAS DESTINADAS A PORTADORES DE DEFICIÊNCIA. EMPRESA EXERCENTE DE ATIVIDADES PERIGOSAS. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E 89, 90 E 93 DA LEI 8.213/91. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
De saída, cumpre salientar que, muito embora a E. Corte Regional, em exame primeiro de admissibilidade, tenha denegado seguimento ao recurso de revista interposto pelos fundamentos já acima transcritos, atrelados à negativa de prestação jurisdicional, sem tecer
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
qualquer consideração sobre o tópico relativo à nulidade do auto de infração, bem como à violação aos artigos 37, caput, da Constituição Federal e 89, 90 e 93 da Lei 8.213/91, é certo que tal fato não obsta a análise de todos os demais pressupostos intrínsecos do recurso por este C. Tribunal Superior do Trabalho, dada a duplicidade dos juízos de admissibilidade, distintos e independentes (Súmula 285 do C. TST).
Irresignada, insurge-se a recorrente, ao argumento de que o v. acórdão regional atentou contra a literalidade dos artigos 37, caput, da Carta da República e 89, 90 e 93 da Lei 8.213/91. Sustenta, em síntese, que a composição de seus quadros de empregados pode ser dividida em cargos operacionais e administrativos, sendo que os primeiros demandam execução das atividades em campo, enquanto os demais referem-se às atividades de gestão. Aduz que o maior número de trabalhadores exerce a função de eletricista e executa atividades de risco, que demandam
qualificação profissional específica. Nessa medida, afirma que pessoas com deficiência não devem exercer o referido cargo, sobretudo porque cabe
à empresa preservar a incolumidade física e psicológica dos
trabalhadores. Em arremate, aduz que o exercício dos demais cargos - técnicos, engenheiros, advogados, gerentes, especialistas, arquitetos, assistentes e auxiliares administrativos – requer formação e
qualificação profissional. Por derradeiro, alega que em virtude da
predominância de cargos operacionais expostos à atividade de risco, da exigência de formação técnica ou profissional e da escolaridade mínima exigida, encontra dificuldades na contratação de pessoas com deficiência, razão pela qual busca a anulação do auto de infração. Aponta,
outrossim, divergência jurisprudencial com vistas a destrancar o apelo. Entretanto, razão não lhe assiste.
A exigência do artigo 93 da Lei 8.213/91, referente à reserva de cargos para empregados reabilitados ou portadores de deficiência, tem por escopo promover a inclusão social e a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Trata-se, portanto, de modalidade de ação afirmativa que, em última análise, visa promover uma sociedade
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
mais justa e solidária, bem como concretizar os fundamentos constitucionais da dignidade da pessoa humana, do valor social do trabalho (artigos 1º, III e IV; 3º, IV, da Carta Magna) e da proibição da discriminação aos portadores de deficiência (artigo 7º, XXXI, da Constituição Federal).
Nada obstante, a interpretação teleológica e razoável da referida lei não autoriza a conclusão de que os percentuais nela previsto são destinados a qualquer portador de deficiência. Em verdade, as vagas são destinadas àqueles trabalhadores reabilitados que ainda possuam capacidade para o exercício de alguma atividade laborativa ou aos que sejam portadores de deficiência compatível com a função a ser desempenhada. Tanto é assim que o artigo 36, § 5º, do Decreto 3.298/99 estabelece ser atribuição do Ministério do Trabalho e Emprego estabelecer a sistemática de fiscalização, avaliação e controle das empresas, bem como instituir procedimentos e formulários que propiciem estatísticas sobre o número de empregados portadores de deficiência e de vagas preenchidas.
No caso dos autos, a E. Corte Regional, soberana na análise do conjunto fático-probatório, consignou, ao manter a improcedência decretada pela origem, que a autora, por meio dos termos
de compromisso n.º 228/2004 e 305/2005, firmados perante a Subdelegacia do Trabalho de Campinas, comprometeu-se a preencher 5% dos seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados e pessoas portadoras de deficiência habilitadas ou, ainda, as que estejam capacitadas para o exercício da função, não ressalvando, contudo, nenhum tipo de função perigosa ou que não pudesse ser cumprida por deficientes físicos, tendo, na verdade, considerado para tal efeito, todos os cargos da empresa.
Também concluiu o E. Tribunal, ao analisar as informações prestadas pelo Ministério Público do Trabalho, que a recorrente já contratou portadores de deficiência para o exercício do cargo de eletricista, justamente porque, embora essa atividade seja
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
considerada perigosa, há deficiências compatíveis com o exercício de tais funções.
É certo que este C. Tribunal Superior do Trabalho tem entendido pela possibilidade de exclusão da obrigação de preenchimento de cargos com beneficiários reabilitados ou com pessoas portadoras de deficiência, diante da justificada comprovação da impossibilidade da empresa em contratar empregados nessas condições. Em outras palavras, a empregadora, para se eximir de cumprir a exigência legal, deve demonstrar que buscou, embora sem êxito, preencher a cota prevista no artigo 93 da Lei 8.213/91. Eis os precedentes:
(...) AUTO DE INFRAÇÃO Nº 016397550. ART. 93 DA LEI Nº 8.213/91. PERCENTUAL DE VAGAS PREVISTAS PARA BENEFICIÁRIOS REABILITADOS OU PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA. EMPRESA QUE PROCUROU DAR CUMPRIMENTO À NORMA. Não se pode penalizar a empresa que buscou, embora sem êxito, preencher a cota prevista no art. 93 da Lei nº 8.213/91, enviando, inclusive, mensagens eletrônicas ao serviço de recrutamento de pessoal de Chapecó/SC e ofício ao INSS, oferecendo oportunidades de emprego. A aplicação do dispositivo não pode se distanciar do princípio da razoabilidade, notadamente quando demonstrada a dificuldade de se encontrar profissionais deficientes e habilitados para o preenchimento do cargo. Demonstrada a boa fé da empresa e seus esforços em inserir deficiente físico em seu quadro, impõe-se a declaração de nulidade do auto de infração. Recurso de revista conhecido e provido. (...)
(TST - RR: 3993-30.2010.5.12.0038, Relator: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento: 04/09/2013, 6ª Turma, Data de Publicação: DEJT 20/09/2013)
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior JURISDICIONAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se divisa a nulidade do acórdão proferido pelo Regional por negativa de prestação jurisdicional, haja vista que o julgador se manifestou com fundamentos jurídicos pertinentes, a respeito das questões postas ao seu exame, de modo a concluir pela subsistência do auto de infração impugnado, no qual a autora foi autuada pelo descumprimento do disposto no artigo 93 da Lei nº 8.213/91. Intactos os arts. 93, IX, da CF, 832 da CLT e 458 do CPC. 2. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ADMINISTRATIVA. COTAS DESTINADAS A PESSOAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAIS. DESCUMPRIMENTO DO ART. 93 DA LEI Nº 8.213/91. O Regional manteve a validade do auto de infração e, por conseguinte, a multa imposta à recorrente, em razão do descumprimento do disposto no art. 93 da Lei nº 8.213/91, consignando que a autora, efetivamente, não solicitou a realização de nenhuma prova ou instruiu o processo com documentos que entendia pertinentes e cabíveis à comprovação de suas alegações, e, com isso, pudesse afastar a exigibilidade da multa aplicada. A corte de origem esclareceu, ainda, que a recorrente destinou apenas 5% das vagas dos concursos públicos realizados, a partir de janeiro de 2000, a portadores de necessidades especiais e reabilitados, inexistindo provas de que, antes dessa data, tenha destinado vagas a beneficiários da Previdência Social reabilitados ou deficientes. Diante desse quadro, não se vislumbra afronta aos dispositivos invocados pela recorrente em seu recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e não provido.
(TST - AIRR: 14314820115030140 1431-48.2011.5.03.0140, Relator: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 12/06/2013, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 14/06/2013) RECURSO DE REVISTA. CONTRATAÇÃO DE PORTADORES DE DEFICIÊNCIA. RESERVA LEGAL. IMPOSSIBILIDADE TOTAL DE
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior CUMPRIMENTO DO ART. 93 DA LEI N.º 8.213/91 NÃO DEMONSTRADA. CONDUTA DISCRIMINATÓRIA CONFIGURADA. Eventual exclusão da obrigação de preenchimento de cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência só se justificaria ante à impossibilidade total da empresa em contratar empregados que se enquadrem como reabilitados ou portadores de deficiência. O que não restou demonstrado, já que a diminuição no número de deficientes contratados e o estabelecimento de exigências mínimas para contratação de deficientes demonstra conduta discriminatória da empresa. Recurso de Revista conhecido e provido.
(TST - RR: 344700-80.2009.5.09.0071, Relator: Sebastião Geraldo de Oliveira, Data de Julgamento: 21/09/2011, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/09/2011)
Entretanto, o v. acórdão não traz nenhum elemento no sentido de ter a agravante diligenciado para selecionar empregados portadores de deficiência e, assim, atender ao disposto no artigo 93 da Lei 8.213/91. Ao contrário, as razões recursais vão exatamente em sentido oposto, quando a agravante enfatiza que a dificuldade que entendeu existir decorre exclusivamente das atividades que ela desempenha como objetivo social central – fornecimento de energia elétrica -. Frise-se que, diversamente do sustentado pela recorrente, a adoção de programas sociais, embora louváveis, não atingem, por si só, a exigência legal. Assim, denota-se que a apreciação das alegações suscitadas pela agravante, calcadas no fato de que demonstrou não ter condições de cumprir o disposto no artigo 93 da Lei 8.213/91, demandaria o reexame de fatos e provas, circunstância esta impossível perante esta Instância Extraordinária, nos moldes da Súmula 126 do C. Tribunal Superior do Trabalho.
De conseguinte, violação aos artigos 37, caput, da Constituição Federal e 89, 90 e 93 da Lei 8.213/91 não houve, porquanto a E. Corte Regional, após detido e criterioso exame dos elementos
Firmado por assinatura eletrônica em 13/08/2014 pelo Sistema de Informações Judiciárias do Tribunal Superior
hospedados nos autos, bem assim ancorado nos princípios e regras que norteiam a produção probatória, tão somente consignou que não havia razão para anular o auto de infração, confeccionado de acordo com o disposto no artigo 93 da Lei 8.213/91.
Por derradeiro, os arestos transcritos não demonstram o dissenso pretoriano invocado, pois inespecíficos, extraídos de contextos fáticos distintos, não se prestando, assim, para o confronto de teses (Súmula 296, inciso I, desta Corte).
Nego provimento. ISTO POSTO
ACORDAM os Ministros da 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, conhecer e, no mérito, negar provimento ao agravo de instrumento.
Brasília, 13 de agosto de 2014.
Firmado por Assinatura Eletrônica (Lei nº 11.419/2006)
JANE GRANZOTO TORRES DA SILVA
Desembargadora Convocada Relatora