UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA ANIMAL

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Texto

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Características de Adaptabilidade em Bovinos de Corte MAURY DORTA DE SOUZA JUNIOR

Revisão de literatura apresentada como parte das exigências da disciplina Seminário I do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal.

CAMPO GRANDE - MS MAIO - 2009

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Características de Adaptabilidade em Bovinos de Corte MAURY DORTA DE SOUZA JUNIOR

Médico Veterinário

Orientador: Prof. Dr. ROBERTO

AUGUSTO DE ALMEIDA TORRES

JUNIOR

Revisão de literatura apresentada como parte das exigências da disciplina Seminário I do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal.

CAMPO GRANDE - MS MAIO - 2009

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Características de Adaptabilidade em Bovinos de Corte

RESUMO – Buscou-se descrever os fatores que influenciam o nível de adaptação dos bovinos às condições tropicais, mostrar o impacto destas características na produtividade e os trabalhos desenvolvidos com algumas raças taurinas consideradas adaptadas a esse clima. É necessário que a pecuária de corte tropical busque o desenvolvimento e a seleção das características de adaptabilidade em animais de origem taurina, adequando o genótipo destes às condições de produção. A produtividade é afetada por fatores diretos de temperatura e umidade e indiretos, relacionados ao estresse térmico, como maior susceptibilidade a doenças, como endo e ectoparasitoses. Menor termogênese, associada a maior capacidade de termólise permite que os animais Bos indicus tenham melhor termorregulação e, portanto, sofram menos estresse térmico. Verifica-se uma correlação de –0,616 entre comprimento de pêlo e crescimento em clima tropical. No Brasil, o tamanho e a densidade do pelame exercem um efeito negativo no peso à desmama e no ganho pós-desmama, sendo as correlações fenotípicas de –0,17 e –0,30 do tipo de pelame para estas duas características. A seleção para adaptabilidade por meio de escores visuais de tipo de pelagem é eficiente, resultando em ganho genético para produtividade. Deve-se estimular a utilização das raças taurinas adaptadas em sistemas de cruzamento em clima tropical.

PALAVRAS-CHAVE: bioclimatologia, comprimento do pêlo, estresse térmico, pecuária de corte, taurinos adaptados

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Adaptability Characteristics in Beef Cattle

SUMMARY – This revision have tried to describe the factors that influence the adaptation level of cattle to tropical conditions, showing the impact of these characteristics on productivity and report some publications with considered tropically adapted taurine breeds as appropriate to this climate. It is necessary for tropical livestock seek the development and selection of the characteristics of adaptability of Bos taurus cattle, adjusting the genotype to the climate conditions. Productivity is affected by direct and indirect factors of temperature and humidity, and greater susceptibility to diseases such as endo and ectoparasits infestations, related to heat stress. A lower metabolic heat production, coupled with better ability to dissipate it the environment allows the Bos indicus animals a better thermoregulation, and therefore suffer less thermal stress. There is a correlation of -0.616 between hair score and growth rates in tropical climate. In Brazil the type of coat exerts a negative effect on weaning weight and post-weaning gain, and the phenotypic correlations of the coat type with these two characteristics are -0.17 and -0.30. Selection for adaptability by visual scores of coat type is efficient, resulting in genetic gain for productivity. It needs to stimulate the use of adapted taurine breeds in crossbreeding systems in tropical climate.

KEYWORDS: beef cattle, bioclimatology, hair length, heat stress, tropically adapted taurine breeds

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1. INTRODUÇÃO

Adaptação, em pecuária, é um termo utilizado para descrever a habilidade de um determinado genótipo em ajustar-se às condições do ambiente, com o menor comprometimento das características produtivas (Turner, 1980). Fatores ambientais exercem efeitos diretos e indiretos em todas as fases da produção animal, podendo acarretar redução na produtividade, com conseqüentes prejuízos econômicos (Morrison, 1983). A adaptação de uma espécie animal a um dado ambiente está relacionada com mudanças estruturais, funcionais ou comportamentais observadas nos indivíduos desta espécie, objetivando a sobrevivência, reprodução e produção neste determinado ambiente.

Os animais Bos indicus são reconhecidamente mais tolerantes ao clima tropical, especialmente quanto ao calor (Turner, 1980), apresentando também maior resistência à endo e ectoparasitos quando comparados aos bovinos Bos taurus. Entretanto, as características de produtividade dos animais zebuínos, como ganho de peso pré e pós-desmama, fertilidade e habilidade materna são consideradas inferiores em relação aos animais taurinos, sobretudo os de origem britânica. Além disso, apresentam qualidade de carne e carcaça inferiores aos animais Bos taurus, especialmente quanto à maciez, considerada a principal característica organoléptica relacionada à qualidade deste produto (O`Connor, 1997).

Dado o exposto, torna-se necessário que a pecuária de corte, praticada em regiões de clima tropical, busque o desenvolvimento e a seleção das características de adaptabilidade em animais de origem taurina, em raças puras ou compostas, adequando o genótipo destes às condições de produção nos trópicos, sem comprometimento das funções produtivas e de qualidade de produto. Para isto, diversos estudos tem sido

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conduzidos em todo o mundo, buscando caracterizar aspectos fenotípicos que correspondam a maior ou menor nível de adaptação, permitindo-se uma correta avaliação dos animais quanto à sua capacidade de produção em clima tropical.

Neste trabalho, buscou-se uma breve descrição dos fatores genéticos e biológicos que influenciam na adaptabilidade dos bovinos de corte às condições tropicais, mostrar as publicações que evidenciam o impacto de algumas destas características na produtividade e também os estudos desenvolvidos com algumas raças taurinas consideradas adaptadas à produção nos trópicos.

2. ADAPTAÇÃO AO CALOR E UMIDADE

Bovinos são animais homeotérmicos, ou seja, mantém a temperatura corpórea relativamente constante independente das variações ambientais. Para que isto ocorra, é necessário que haja equilíbrio entre a produção (termogênese) ou absorção e as perdas de calor (termólise), conseguido por alterações fisiológicas, metabólicas e comportamentais, de modo a sustentar a homeostase orgânica e minimizar as conseqüências adversas da hipo ou hipertermia, dependendo da circunstância. Neste processo de ajuste, entretanto, as funções menos vitais ao organismo, como o desempenho (produção e reprodução) e o bem-estar podem ser atingidas quando a intensidade e a duração dos estressores ambientais excedem a capacidade compensatória dos animais, geneticamente determinada (Bertipaglia et al. 2007).

Para tentar manter o conforto térmico, os bovinos podem adotar certos comportamentos como procurar a sombra, aumentar o consumo de água, reduzir o consumo de alimento, permanecer em pé, ao invés de se deitar, a não ser que chão esteja

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molhado, aumentar a freqüência respiratória, produzir saliva em excesso, aumentar a sudorese e a vasodilatação periférica.

A temperatura ambiente e a umidade do ar afetam a produção dos bovinos, sendo que quanto mais elevadas, menor é a ingestão de alimento pelo animal, diminuindo a produção de carne e leite, inclusive com diminuição da capacidade de conversão alimentar, conforme o observado por Morrison (1983) (Tabela 1), apesar da ausência de um teste estatístico para comparar as diferenças dentro e entre os grupos genéticos estudados. Ainda, a produtividade é afetada por fatores indiretos relacionados ao bem-estar pobre em decorrência do estresse por calor, como maior susceptibilidade a doenças, como endo e ectoparasitoses.

Tabela 1. Efeito da temperatura do ambiente sobre a ingestão de alimentos e o ganho médio diário nas raças Friesian, Brahman e em seus cruzamentos

Item Friesian Brahman X Friesian Brahman

Temperatura do ar (0C) 17 38 17 38 17 38

Ingestão diária de alimento

(kg/100 kg peso vivo) 2,92 2,50 2,87 2,83 2,43 2,17

Ganho médio diário (kg) 1,18 0,59 1,06 1,10 0,96 0,67

Fonte: Adaptado de Morrison (1983)

Segundo Nienaber & Hahn (2007), o monitoramento das condições climáticas tem um papel fundamental na gestão da pecuária, tanto em climas quentes como em climas frios. Quanto à criação de bovinos não adaptados em clima tropical, os autores apresentaram uma tabela considerando um índice que associa temperatura do ambiente e umidade relativa do ar para estimar o limiar de estresse destes animais, denominado Índice de Temperatura e Umidade (THI, do termo Temperature Humidity Index) (Tabela 2).

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Tabela 2. Índice de temperatura e umidade (THI)* relacionado aos limites críticos de frequência respiratória em bovinos Bos taurus

Limiar de Atenção THI Frequência respiratória

Normal < 74 <90

Alerta >74 e < 79 90 - 100

Perigo >79 e < 84 110 - 130

Emergência >84 >130

Fonte: Adaptado de Nienaber & Hahn (2007) * THI=0,8tdb + RH (tdb –14,4) + 46,4

Onde tdb = temperatura do ar (°C) e RH = umidade relativa do ar na forma decimal

Apenas como exemplo, tomando-se uma temperatura ambiente de 30oC e umidade relativa do ar de 75% (passíveis de serem observadas por todo o ano no Brasil Central – Figura 1), têm-se um THI de 82, que já é considerado crítico.

Figura 1. Médias mensais de temperatura máxima do ar (Ta) e umidade relativa (RH) para os anos de 2003 e 2004 da região de Dourados, MS (Fonte: Bertipaglia et al., 2008)

Existem outros índices que consideram as condições ambientais para estimar os níveis de estresse térmico aos quais os animais de produção são expostos, como o desenvolvido por Yamamoto et al. (1994), que considera a radiação solar além da

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temperatura e o índice desenvolvido por Baeta et al. (1987), que une as características de temperatura, umidade e a movimentação do ar.

A adaptabilidade dos animais de origem zebuína ao clima tropical está relacionada a menor produção de calor metabólico, associada a melhor capacidade de termólise. Combinadas, essas características facilitam a termorregulação nos animais Bos indicus contribuindo para que sofram menos estresse térmico. Contudo, menor taxa metabólica tem implicância negativa nos índices de produtividade de carne e leite destes animais (Hansen, 2004).

O estresse térmico causa alteração nas secreções de vários hormônios importantes para o metabolismo animal, com diminuição nas secreções do hormônio de crescimento, tiroxina e triiodotironina, com conseqüente declínio na produtividade. Assim, entre as mudanças endócrinas importantes por ocasião do estresse, pode-se destacar a diminuição na atividade do eixo hipotálamo-hipófise-tireóide, com redução das concentrações de hormônios tireoideanos, possivelmente associada à necessidade de diminuição na taxa metabólica (Morais et al. 2008). Segundo Pereira et al. (2007), os níveis de triiodotironina decrescem de 15% a 24% nas raças taurinas não adaptadas sob condições de estresse térmico.

Os mecanismos de troca de calor pelos animais envolvem processos físicos como a condução, convecção e radiação e biológicos, que incluem a perda de calor por evaporação de água pela respiração e sudação. Se a umidade relativa do ar estiver elevada, as perdas de calor por evaporação são prejudicadas, podendo ocasionar um elevado estresse calórico.

Propriedades da pele e dos pêlos dos animais Bos indicus explicam muito da sua tolerância ao calor. Essas propriedades incluem número, distribuição e diâmetro das

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glândulas sudoríparas, espessura da capa de pêlos, diâmetro, comprimento, pigmentação e inclinação dos pêlos, espessura e pigmentação da pele.

O calor conduzido através das fibras é maior do que o conduzido pelo ar, assim, quanto maior o número de fibras por unidade de área e quanto mais grossas forem essas fibras, maior será a quantidade de energia conduzida através da capa. Por outro lado, fibras mais finas, compridas e menos numerosas, formando uma trama mais fechada, resultam em passagem mais limitada de calor devido à maior resistência térmica das fibras. A posição inclinada das fibras resulta em contato mais freqüente entre elas, reduzindo o volume de ar no interior da capa e sua espessura, aumentando a condução térmica. Finalmente, a resistência térmica pode ser aumentada pela presença de fibras finas e lanosas entremeadas com as mais grossas e compridas. Diversos estudos mostram as diferenças destas características entre animais Bos taurus e Bos indicus (Turner, 1980; Silva et al. 2001; Maia et al. 2003), que favorecem os animais zebuínos em ambiente tropical.

Silva et al. (2001), estudando a transmissão da radiação ultravioleta através do pelame e da epiderme de bovinos das raças Holandesa e Nelore concluíram que em um ambiente caracterizado por altos níveis de radiação ultravioleta (UV), a combinação mais adequada é um pelame de cor branca, sobre uma epiderme de cor negra, e que na impossibilidade desta combinação, um pelame de cor negra é a alternativa mais desejável com relação à penetração pela radiação UV. Entretanto, um pelame negro constitui uma superfície de grande absorvidade da radiação térmica, de modo que a temperatura da superfície cutânea nestes animais é mais elevada que naqueles com pelame branco.

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Nesse mesmo trabalho, com observações de 20 vacas Holandesas expostas à radiação solar por 3 horas (11-14 h) em 10 dias no verão, os autores verificaram que a temperatura da pele nas malhas negras foi de 44,10 ± 0,34ºC e 37,73 ± 0,23ºC nas malhas brancas, evidenciando que embora um animal totalmente negro possa apresentar uma proteção mais adequada contra a radiação UV do que um animal branco, ele absorve mais energia térmica na capa de pelame, o que limita sua capacidade de eliminar o calor corporal e contribui para o estresse térmico.

Para caracterizar as diferentes respostas fisiológicas e histológicas entre raças adaptadas e não adaptadas submetidas a estresse térmico, Carvalho et al. (1995) conduziram um experimento no Brasil comparando duas linhagens de bovinos Simental, importada e criada no Brasil a partir de cruzamento absorvente com zebuínos, com bovinos Bos indicus (Tabela 3). Neste experimento, os animais Simental de origem importada não foram capazes de completar o experimento, que exigia uma caminhada de 7 quilômetros a 37oC com 65% de umidade relativa do ar, apresentando taquipnéia (frequência respiratória elevada) e hipertermia. Mesmo os animais Simental de origem nativa apresentaram temperatura retal e freqüência respiratória muito maiores que os animais Bos indicus após o exercício, com sinais evidentes de estresse térmico. A conclusão deste estudo é que animais Bos taurus de raças não adaptadas certamente apresentarão problemas quando expostos às condições de produção extensivas neste clima, mesmo tendo nascido neste ambiente.

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Tabela 3. Efeitos do estresse térmico na temperatura retal e freqüência respiratória em animais Bos indicus e Simental de origem importada e nativa

Variável Simental importado Simental nativo Bos indicus Temperatura retal em

repouso (oC) 40,52 ± 0,04

a

38,92 ± 0,04b 38,90 ± 0,04c Temperatura retal após

exercício (oC) _ d 39,87 ± 0,05a 39,46 ± 0,05b Freqüência respiratória em repouso 64,3 ± 0,6 a 35,0 ± 0,6b 15,0 ± 0,2c Freqüência respiratória após exercício 95,8 ± 0,8 a 56,8 ± 0,8b 33,2 ± 0,8c a b c

Valores seguidos de letras diferentes na mesma linha diferem estatisticamente (P < 0,001)

d Devido ao severo estresse térmico, os animais desse grupo não completaram o percurso

Com relação aos fatores genéticos que determinam o tipo de pelame em bovinos, Olson et al. (2003) concluíram que há evidências de que um gene de herança dominante controle a manifestação de um pêlo liso e curto, observado nas raças Senepol e Crioula, chamado slick hair gene, o que contribui para a tolerância ao calor apresentada por estas raças. Em estudo conduzido na Flórida, EUA, e no estado de Lara, Venezuela, estes autores concluíram sobre a dominância deste gene, bem como sobre os efeitos positivos da manifestação fenotípica do slick hair gene sobre índices de produtividade onde o clima quente tem maior predominância.

Em estudo realizado com animais cruzados Hereford e Shorthorn, Schleger & Turner (1960) observaram que estes animais apresentavam melhores escores de pelame do que animais Hereford ou Shorthorn puros, concluindo que o tipo de pelame é uma característica influenciada pelo vigor híbrido e não determinada apenas pelo efeito aditivo das raças maternas e paternas.

3. RESISTÊNCIA A ENDO E ECTOPARASITAS

A associação da adaptabilidade dos bovinos ao clima tropical com resistência a endo e ectoparasitos baseia-se no maior desafio ao qual estes animais são expostos

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nestas regiões do que o encontrado em regiões de clima temperado ou sub-tropical. Por isso, para que sejam mantidos níveis de produtividade e longevidade economicamente viáveis, torna-se fundamental que os bovinos apresentem resistência a estes agentes.

Segundo Morris (2007), as taxas de crescimento são geralmente maiores em Bos taurus do que em Bos indicus quando os fatores causadores de estresse são removidos, e o oposto se aplica quando as condições climáticas ou os parasitos não são controlados. Em animais cruzados Hereford e Shorthorn e selecionados para maiores taxas de crescimento pós-desmame nos trópicos, Frisch (1981) concluiu que estes são capazes de resistir melhor a um desafio parasitário. Uma resposta direta a um desafio artificial foi alcançado por Utech et al. (1978) em uma geração de animais da raça Shorthorn, fornecendo uma estimativa de herdabilidade de 0,39. A revisão de Davis (1993) mostrou uma média de estimativas de herdabilidade de 0,34 ± 0,06 para todas as raças, e um valor de 0,30 para Bos taurus para contagem de carrapatos. Estes valores de herdabilidade são suficientes para garantir evolução na resistência a carrapatos caso esta característica venha a ser medida e transformada em DEP’s (Diferença Esperada na Progênie) para ser aplicada nos programas de melhoramento genético animal.

Jonsson (2006) avaliou qual o efeito que cada carrapato exerce em perda de peso nos bovinos, chegando ao valor de 1,37 ± 0,25 gramas para Bos taurus e 1,18 ± 0,21 gramas para animais cruzados, não havendo diferença significativa entre estes. Contudo, constatou que os animais Bos indicus carregavam apenas 10 a 20% do total de carrapatos que os animais Bos taurus, e, portanto, as perdas por infestação de carrapatos em zebuínos seriam 5 a 10 vezes menores do que em taurinos.

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4. INDICADORES DE ADAPTABILIDADE CORRELACIONADOS À PRODUÇÃO

De maneira geral, considera-se que a combinação de pêlos mais curtos, assentados sobre a pele e com alta densidade é a ideal para criação de bovinos nos trópicos, pois favorece as trocas de temperatura do animal com o ambiente. No entanto, se de um lado atribui-se aos pêlos mais curtos e lisos influência nas taxas de crescimento em função do menor estresse térmico sofrido por esses animais, por outro sabe-se que fatores nutricionais e patológicos tem um forte impacto sobre a qualidade da pelagem, sendo esta um indicador de saúde mesmo em climas frios. Provavelmente, exista uma dependência destes mecanismos, com interações nos dois sentidos (Figura 2) (Schleger & Turner, 1959).

Figura 2. Cadeia de causa e efeito entre tipo de pelame, características de produtividade e temperatura corporal em clima tropical (Fonte: Adaptado de Schleger & Turner, 1959)

Várias características do tipo de pelame em bovinos de corte foram descritas na literatura, como as diferenças entre as diversas raças, herdabilidade e correlações entre avaliação subjetiva, temperatura de pele e taxa de crescimento. Em experimento conduzido na Austrália, Schleger & Turner (1960) estudaram as características de pelame em bovinos e verificaram a influência da sazonalidade e da nutrição nestas características para as raças Hereford e Shorthorn. Aplicaram uma classificação subjetiva de pelame numa escala que variava de 1 a 7, onde 1 significava um pêlo muito curto e assentado sobre a pele e 7 um pêlo extremamente longo. Verificaram que a

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cobertura de pêlos apresentou-se mais longa e farta em animais criados a pasto no período mais frio do ano. Não observaram influência da prenhez ou lactação nos escores de pelagem e constataram uma correlação de –0,616 entre estes e crescimento em clima tropical.

Diversas raças de origem taurina apresentam pêlos mais longos no inverno, que caem no início das estações mais quentes e dão lugar a pêlos menores e mais assentados, sendo isto mais comum em animais jovens. Assim, os animais que realizam essa troca com mais eficiência sofrem menos estresse térmico do que animais que mantém os pêlos longos por mais tempo. Em um experimento envolvendo animais Limousin criados nos EUA e no Brasil, Williams et al. (2006) estimaram a herdabilidade dos escores de pelame e sua correlação com crescimento. Aplicaram um escore de classificação numa escala de 1 a 5, do pêlo mais curto para o mais longo, que considerava também a precocidade com que os animais realizavam a muda do pelame de inverno para o de verão. Os resultados obtidos por esses autores mostraram que no Brasil o tipo de pelame exerce um efeito negativo no peso à desmama e no ganho pós-desmama, sendo as correlações fenotípicas do tipo de pelame para estas duas características de –0,17 e -0,30, respectivamente. Concluíram que é possível calcular DEP’s para touros criados nos EUA a partir de informações de tamanho e troca do pelame de inverno, obtendo-se a indicação de animais que seriam mais adequados ao cruzamento em clima tropical.

Uma alternativa para otimizar a produtividade com introdução de maior proporção de genes taurinos é a utilização de raças compostas ou sintéticas, como as raças Canchim, Braford e Brangus, formadas com aproximadamente 5/8 de sangue taurino e 3/8 de sangue zebuíno, mantendo uma adaptabilidade mínima necessária para

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produzir com eficiência em clima tropical (Alencar, 1997). Um experimento com vacas Braford no Brasil (Bertipaglia et al., 2008) constatou que animais com menor capacidade de sudação apresentavam maior número de dias para o parto. Ainda, o intervalo de partos e o número de dias ao parto de vacas com menor proporção de Hereford foram menores. As estimativas das correlações genéticas entre as características adaptativas do pelame e da taxa de sudação foram favoráveis à seleção conjunta para melhor eficiência reprodutiva e tolerância ao calor, nos quais a seleção para pêlos mais curtos resultou em menores intervalos entre partos.

Como em clima tropical a cobertura de pêlos exerce forte influência no desempenho dos animais, alguns autores procuraram identificar se essa relação se mantinha em condições inversas, ou seja, se em clima muito frio animais com maior cobertura de pêlos teriam melhor desempenho. Com o objetivo de avaliar esta suposição, Gilbert & Bailey (1991) analisaram as características do pelame de animais Hereford e Angus (Figura 3) em confinamento no período de inverno no Canadá. Eles concluíram que não houve associação das características de pelame com ganho pós-desmama, apesar de terem observado uma grande variabilidade destas características entre as duas raças. As herdabilidades para tipo de pelame foram suficientes para sugerir que a seleção seria eficaz, mas a correlação genética com ganho foi muito baixa para justificar a seleção indireta.

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Figura 3. Bovinos da raça Angus sob condições climáticas semelhantes às do inverno Norte Americano (Crédito: www.eagleviewangus.com.au)

5. RAÇAS TAURINAS ADAPTADAS À PECUÁRIA TROPICAL

As raças taurinas adaptadas com maior representatividade comercial no Brasil são as raças Caracu, Senepol e Bonsmara (Figura 4), que juntas detém 5,7% do sêmen taurino e 2,3% de todo o sêmen comercializado no Brasil (ASBIA, 2008). Existem outras raças, hoje consideradas nativas, que são oriundas dos animais trazidos no período colonial e desenvolveram-se em regiões delimitadas, onde a seleção natural ao longo dos séculos resultou em animais muito rústicos e com elevado nível de adaptação ao clima e condições do ambiente em que se desenvolveram. São exemplos as raças Crioulo Lageano, Junqueira, Pantaneira e Curraleiro.

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Figura 4. Touros das raças Caracu (A), Senepol (B) e Bonsmara (C) (Crédito: Catálogo Virtual de touros CRV Lagoa, www.lagoa.com.br)

Bianchini et al. (2006) avaliaram as características de tolerância ao calor das raças Mocho Nacional, Crioulo Lageano, Pantaneira, Curraleiro e Junqueira e concluíram que as duas últimas eram mais adaptadas ao calor, equiparando-se a animais da raça Nelore (Tabela 4).

Tabela 4. Médias dos componentes da capa externa relativas às raças estudadas(1)

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Médias com letras diferentes, na coluna, diferem estatisticamente entre si com p<0,05. (2)CL: Crioulo Lageano; CURR: Curraleiro; HOL: Holandesa; JUN: Junqueira; MN: Mocho Nacional; NEL: Nelore; PAN: Pantaneira. Adaptado de Bianchini et al. (2006)

Com o objetivo de comparar as raças Pantaneira e Nelore, Santos et al. (2005) avaliaram a temperatura corporal e da pele de vacas e bezerros destas raças durante um ano de extrema seca na região da Nhecolândia, Pantanal Sul Mato-grossense.

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Constataram que as vacas Pantaneiras e Nelore mantiveram a temperatura corporal dentro do normal nas condições ambientais estudadas. No caso dos bezerros, os animais Pantaneiros apresentaram valores de temperatura corporal menores do que os animais da raça Nelore, concluindo que estão perfeitamente adaptados àquelas condições climáticas.

Nicolau et al. (2004) pesquisaram as características de pelame de 349 vacas Caracu e constataram que a pigmentação epidérmica e a coloração do pelame foi bastante variável, entre marrom e branco sujo, havendo uma correlação alta e positiva entre essas características. Perceberam também que o grau de pigmentação da epiderme e do pelame variavam conforme a estação do ano, sendo mais claras durante o inverno e mais escuras no verão, indicando uma reação de proteção contra a maior radiação solar neste período. Os pêlos eram bem assentados, de modo que a espessura da capa do pelame não ultrapassou 5 mm, e no verão foi ainda menor (3,23 mm em média), indicando boa adequação do pelame para o ambiente tropical. Quanto à resistência a infestação por carrapatos, Fraga et al. (2003) encontraram que a espessura do pelame do animal é um fator importante na infestação, sendo tanto maior a infestação quanto maior a espessura. Estes autores concluíram também que existe variação genética aditiva para o grau de infestação por carrapatos suficiente na raça Caracu para se obter progresso genético para resistência, pela seleção de animais menos infestados.

Com relação a raça Senepol, esta foi formada a partir de duas raças taurinas, a Red Poll (de origem britânica) e a N’Dama (origem africana) e introduzida recentemente no Brasil. Segundo Mattioli et al. (2000), a raça N'Dama possui uma resistência natural a infestação por carrapatos, tripanosomíase e às infecções por nematódeos gastrintestinais. Percebe-se, portanto, que a adaptabilidade ao clima tropical

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atribuída à raça Senepol é produto da contribuição da raça N’Dama durante sua formação.

Ribeiro et al. (2008), buscando avaliar as características do pelame de bovinos Nelore puros e cruzados com Aberdeen Angus e Senepol, verificaram que os animais cruzados Angus X Nelore apresentavam características de pelame menos adaptadas para condições tropicais do que os animais Nelore e cruzados Senepol X Nelore (Tabela 5). Tabela 5 - Médias estimadas das características comprimento dos pêlos (CP), espessura do

pelame (EP), número de pêlos/cm2 (NP), ângulo de inclinação dos pêlos (INCL) e densidade de massa dos pêlos (DM) nos grupo genéticos estudados

a,b Médias com letras distintas, na coluna, diferem estatisticamente pelo teste t (P<0,05)

Hammond et al. (1998), conduziram um experimento na Flórida, EUA, comparando as raças Tuli (grupo Sanga), Senepol e Brahman em cruzamentos com a raça Angus, e observaram que a tolerância ao calor em animais produtos dos cruzamentos de raças taurinas adaptadas (Tuli, Senepol, Brahman) com uma raça não adaptada (Angus) são semelhantes às raças puras tropicais (Senepol, Brahman).

Em outro experimento, Hammond et al. (1996) compararam a temperatura retal, a taxa de respiração, os índices de tolerância ao calor e o temperamento de raças taurinas britânicas (Angus e Hereford), zebuínos (Brahman), taurinos adaptados (Senepol e Romosinuano), e dos cruzamentos de Hereford e Senepol, concluindo que esta última é a que possui tolerância ao calor mais próxima da raça Brahman, além de um temperamento muito mais dócil. A partir dos dados dos dois experimentos, os autores sugeriram que as raças Senepol e Tuli sejam utilizadas em programas de

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cruzamento como uma alternativa às raças zebuínas, sendo que o Senepol também pode contribuir com um temperamento mais dócil em relação aos zebuínos.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante a adequação dos genótipos ao ambiente de criação, sob os aspectos econômico e de bem estar animal, em que a manutenção de bovinos em constante estresse térmico acarreta prejuízos por menores índices de produtividade.

Existe muita variabilidade entre e dentro das raças puras ou compostas de origem taurina que possibilita a seleção de genótipos mais tolerantes ao clima tropical.

A seleção para adaptabilidade por meio de escores visuais de tipo de pelame é eficiente em raças que apresentam variabilidade fenotípica para esta característica, resultando em ganho genético para produtividade pela correlação do pelame com conforto térmico e características de crescimento e reprodutivas.

Deve-se estimular a utilização das raças taurinas adaptadas em sistemas de cruzamento com zebuínos sob condições tropicais como forma de garantir o incremento produtivo e de qualidade buscado nestes sistemas sem perda de adaptabilidade nos produtos.

7. REFERÊNCIAS

Alencar, m.m. Formação de novas raças em bovinos de corte. Intensificação da bovinocultura de corte: Estratégias de melhoramento genético. n. 25, p. 30 - 40, 1997.

ASBIA. Associação Brasileira de Inseminação Artificial. Relatório Estatístico de Produção e comercialização de Sêmen - 2008. Disponível em: <http://www.asbia.com.br> 2008.

BAETA, F.C.; MEADOR, N.F.; SHANKLIN, M.D.; JOHNSON,H.D. Equivalent temperature index at temperatures above the thermoneutral for lactating dairy cows. Summer Meeting of American Society of Agricultural Engineers. p. 2-19, 1987.

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