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DIREITO DO TRABALHO TERCEIRIZAÇÃO. Prof. Antero Arantes Martins

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Academic year: 2021

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DIREITO DO TRABALHO

TERCEIRIZAÇÃO

(2)

Terceirização

• Terceirização é um neologismo da palavra “terceiro”, aqui compreendido como intermediário.

• Segundo Godinho: “é o fenômeno pelo qual se dissocia a relação econômica de trabalho da relação justrabalhista que lhe seria correspondente”.

• Em outras palavras, a relação de emprego não está diretamente relacionada com a relação econômica onde o trabalho está inserido.

• É um fenômeno típico do final do século XX, com a alteração da economia e da forma de atuação do Estado nas relações privadas. • Passou a ser regulamentada por Lei no Brasil pela Lei

13.429/2017 e já sofreu alteração pela reforma.

• A lei não utiliza esta expressão. A Lei trata de empresa prestadora de serviços a terceiros (também a denomina de contratada) e empresa contratante.

(3)

Terceirização

Empresa prestadora de serviços ou contratada

Empregado Empresa Contratante

Relação de emprego

(4)

Terceirização.

Redação anterior Nova redação

(L. 6019/74): Art. 4º-A.

Empresa prestadora de

serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado

destinada a prestar à contratante serviços determinados e específicos. X (L. 6019/74): Art. 4o -A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a

transferência feita pela

contratante da execução de quaisquer de suas atividades,

inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços

que possua capacidade econômica compatível com a sua execução.

(5)

Terceirização

• O legislador optou por inserir a terceirização na Lei de Trabalho temporário (Lei 6.019/74) ao invés de fazer uma Lei própria.

• A Lei 13.429/2017 tinha mantido o pudor de dizer que a empresa contratada prestaria serviços determinados e específicos e não explicitou a possibilidade de terceirização da atividade principal. Havia aqui algum espaço para interpretação.

• Isto porque a Súmula 331, III do C. TST, ao permitir a terceirização em atividade-meio, tratava claramente de serviços específicos. Poderíamos então entender que se a Lei tratava de serviços específicos, não caberia a terceirização na atividade-fim. • Verificando este risco, a Lei 13.467 declarou expressamente a

possibilidade de transferência da atividade principal e eliminou a expressão relativa aos serviços determinados e específicos.

• Deixou, entretanto, claro que a empresa contratada deve ter idoneidade financeira compatível com a execução do contrato.

(6)

Terceirização

• O malefício da terceirização é pulverizar a atuação sindical. Sindicatos diferentes, direitos diferentes.

• Cria o emprego precário, pois conviverão na mesma bancada trabalhadores diretos e terceirizados, com salários e direitos diferentes.

• Retira a razão existencial da empresa contratante, cuja única justificativa é a obtenção do lucro, eliminando o sentido dos dispositivos constitucionais que se referem ao valor social da livre iniciativa.

• Coloca em risco os trabalhadores e demais usuários e consumidores. Ex: Motorista de ônibus terceirizado.

• Para o empresário também é ruim. Não há vínculo do trabalhador com a empresa contratante, afastando a noção de dever de fidelidade e colaboração com o empreendimento (“vestir a camisa”) que é inerente ao contrato de emprego.

(7)

Terceirização.

Redação anterior Nova

redação § 1o A empresa prestadora de serviços contrata,

remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços.

X IDEM

Comentário: A empresa contratada é a responsável pela

subordinação ou, ainda, pode “quarteirizar” o contrato para outras empresas.

Conclusões: Se a subordinação estiver com a contratante, é possível o vínculo direto;

A subcontratação é uma nova terceirização, de modo que a empresa subcontratada é que deverá ter o poder de direção e as condições econômicas compatíveis para o exercício do contrato.

(8)

Terceirização.

Redação anterior Nova

redação

§ 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.

X IDEM

Comentário: Desde que cumpridos os requisitos da terceirização,

quais sejam, que a subordinação jurídica esteja com a empresa contratada e esta empresa tenha idoneidade econômica compatível com o contrato executado.

(9)

Terceirização.

Redação

anterior

Nova redação

Nihil X (L. 6019/74): Art. 4o-C. São asseguradas aos empregados da empresa prestadora de

serviços a que se refere o art. 4o-A desta Lei, quando e enquanto os serviços, que podem ser de qualquer uma das atividades da contratante, forem executados nas dependências da tomadora, as mesmas condições:

I - relativas a:

a) alimentação garantida aos empregados da contratante, quando oferecida em refeitórios;

b) direito de utilizar os serviços de transporte;

c) atendimento médico ou ambulatorial existente nas dependências da contratante ou local por ela designado;

d) treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando a atividade o exigir.

II - sanitárias, de medidas de proteção à saúde e de segurança no trabalho e de instalações adequadas à prestação do serviço.

§ 1o Contratante e contratada poderão estabelecer, se assim entenderem, que os empregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos empregados da contratante, além de outros direitos não previstos neste artigo.

§ 2o Nos contratos que impliquem mobilização de empregados da contratada em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) dos empregados da contratante, esta poderá disponibilizar aos empregados da contratada os serviços de alimentação e atendimento ambulatorial em outros locais apropriados e com igual padrão de atendimento, com vistas a manter o pleno funcionamento dos serviços existentes.

(10)

Terceirização

• Questão relevante a destacar, num rol claro de

direitos assegurados, é a questão relativa à

proteção de saúde do trabalhador e meio

ambiente de trabalho, na medida em que o país

tem elevado número de acidentes de trabalho e

doenças ocupacionais.

• Atualmente, 80% (oitenta por cento) das mortes

em acidente de trabalho ocorre com trabalhadores

terceirizados.

(11)

Terceirização.

Redação anterior Nova redação

(L. 6019/74): Art. 5º-A. Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços determinados e específicos.

X (L. 6019/74): Art. 5o-A. Contratante é

a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços relacionados a quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal.

§ 1o É vedada à contratante a

utilização dos trabalhadores em

atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com a empresa prestadora de serviços.

X IDEM

§ 2o Os serviços contratados

poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em outro local, de comum acordo entre as partes.

(12)

Terceirização

• O caput deixou clara a possibilidade de terceirizar a

atividade principal (atividade-fim);

• O parágrafo primeiro veda a designação de trabalhador

para a atividade diversa daquela para a qual foi

contratada. Na redação original do caput este parágrafo

tinha por finalidade evitar que um trabalhador fosse

contratado para atividade-meio e fosse designado para a

atividade-fim. Com a atual redação, não faz muito

sentido. Entretanto, foi mantido.

• Possibilidade de reconhecer vínculo de emprego

diretamente com a contratante na sua inobservância?

• O parágrafo segundo é auto-explicativo. Serve apenas

para dizer que o trabalho executado nas dependências da

contratante não é elemento para invalidar o contrato.

(13)

Terceirização.

Redação anterior Nova

redação § 3o É responsabilidade da contratante garantir as

condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato.

X IDEM

§ 4o A contratante poderá estender ao trabalhador da

empresa de prestação de serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado.

X IDEM

§ 5o A empresa contratante é subsidiariamente responsável

pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.

(14)

Terceirização

• Os parágrafos 3º e 4º quase que repetem o art.

4º-C introduzido pela reforma.

• Entretanto, o parágrafo 3º explicita que a

responsabilidade pelo meio ambiente de trabalho

é da contratante em qualquer ambiente.

• Já o parágrafo 4º reafirma faculdades. Parece que

a idéia é não caracterizar o vínculo de emprego

caso a contratante forneça tais benesses.

(15)

Terceirização

• O parágrafo 5º consagra a responsabilidade

subsidiária

do tomador.

• Consagra a teoria da responsabilidade contratual, ou

seja, não há necessidade de culpa, mas, sim, do mero

inadimplemento.

• Entretanto, não é aplicável à administração pública, que

tem lei específica (art. 71, L. 8666/93) e, para a qual, é

necessária a prova (ADC 16) da culpa e, ao que parece,

esta prova deve estar robustamente provada pelo

trabalhador, segundo se extrai de notícia de julgamento

recentemente

proferido

pelo

E.

STF,

cujo

teor,

(16)

Terceirização.

Redação anterior

Nova

redação

“Art. 5º-B.

O contrato de prestação de

serviços conterá:

I - qualificação das partes;

II - especificação do serviço a ser prestado;

III - prazo para realização do serviço, quando

for o caso;

IV - valor.”

X IDEM

(17)

Terceirização.

Redaçã o anterio r Nova redação

Nihil X (L. 6019/74): Art. 5o-C. Não pode figurar como contratada, nos termos

do art. 4o-A desta Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios

tenham, nos últimos dezoito meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios forem aposentados.

Comentário: Institui a quarentena com o objetivo de evitar a fraude de dispensar

empregados para que estes formem empresa para prestar serviços como contratada Nihil X (L. 6019/74): Art. 5o-D. O empregado que for demitido não poderá

prestar serviços para esta mesma empresa na qualidade de empregado de empresa prestadora de serviços antes do decurso de prazo de dezoito meses, contados a partir da demissão do empregado.

Comentário: Institui a quarentena com o objetivo de evitar a fraude de dispensar

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