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Jardim Das Flores O Livro Do Vegetal

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Academic year: 2021

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Introdução:

Minguarana

A Chave do Jardim das Flores

Ayahuasca, Vegetal, Oaska, Daime, Yagé, Hoasca, Waska... Diversos nomes para um

só Sacramento de Comunhão.

Chá das Recordações, Vinho das Almas, Fogo Liquido, Chicote da Alma, Chá

Misterioso, Liana dos Mortos... Diversos termos para uma só entidade de Luz.

Da união de dois vegetais, o arbusto Chacrona e o cipó Mariri, destila-se o Vegetal.

Curiosamente, não só pelas mãos dos homens esses vegetais são unidos, mas também

na natureza eles sempre são encontrados juntos, como se ensinando a primeira lição aos

homens, uma misteriosa lição que fala sobre a Minguarana, a licença concedida pela

Natureza Divina para se adentrar em seus Mistérios, Saberes e Encantos.

Está união de vegetais que resulta no Chá Misterioso, bebida esta que vêm através das

Eras estando sempre junta à humanidade, vindo unir-se a outra liana, feita de genes,

carne e sonhos que é o ser humano.

Essa liana humana carrega consigo lembranças atávicas de todas as suas existências

em todos os tempos onde está sempre se reunindo ao Mestre Vegetal.

Sabe-se que esse Fogo Liquido, mistura de Sol & Terra, Estrelas & Homens, foi

bebido na Atlântida, levado de lá para onde quer que o povo atlante tenha migrado com

sua cultura e Sabedoria Perene.

Mas foi nos Andes e na Amazônia onde a sabedoria desta união se manifestou

fortemente, entrando em consonância com o espírito planetário que converge para a

América do Sul a Nova Consciência, uma espécie de ultimato e nova chance para ser

humano.

Na fronteira entre a Amazônia e os Andes um homem chamado José Gabriel da Costa

encontrou o termo final da saga que foi sua vida nesta encarnação.

Em vidas passadas, José Gabriel vinha sempre se reencontrando com o Chá

Misterioso. Foi assim em tempos imemoriais, foi assim até onde a força da memória

deste Avatar nos revelou: foi ele um Rei em um reinado antediluviano; um Conselheiro

que atravessou oceanos com Salomão, este que cedeu o nome para batizar o Rio

Solimões; um Xamã andino que nomeou o Império Inca e em nossos tempos moldou-se

a si mesmo, nos diversos níveis de maestria, o homem que nasceu para refundar a União

do Vegetal.

A vida de Mestre Gabriel é a essência dos ensinamentos que ele transmitiu dentro da

Luz do Vegetal: Purificação, Correção da Vida, Retidão, Resignação. Ele mesmo

passou por tudo na vida, e com a mesma simplicidade que aceitou o que lhe veio e

transmutou no caldeirão fervente da alquimia do coração, ele ofereceu à humanidade o

copo cheio que deve ser sorvido sem medo e com imensa resignação e entrega, atos que

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exigem do homem comum uma coragem extrema, a coragem de querer voltar à

comunhão com suas origens.

Esse caminho de aprendizagem proporcionado pelo Vegetal serve para purgar-nos dos

condicionamentos não-naturais, dos agregados inautênticos à nossa personalidade, de

todas as camadas recessivas que são incorporadas por nós que inibem nossa evolução.

O Vegetal porém incorpora em si toda a sabedoria do Universo e da Terra, trazida

pelo cipó, planta mística que faz uma espécie de conexão do céu com a terra, portador

da força, enquanto o arbusto é uma planta essencialmente sorvidora de luz, uma

conexão terra com o céu, portadora da iluminação.

Nesse movimento verde, imiscua-se o contato céu – terra, como diria um filosofo:

“...O carvalho mesmo assegurava que só semelhante crescer significa: abrir-se à amplidão dos céus, mas também deitar raízes na obscuridade da terra; que tudo que é verdadeiro e autêntico somente chega à maturidade se o homem for simultaneamente ambas as coisas:

disponível ao apelo do mais alto céu e abrigado pela proteção da terra que oculta e produz”. (Heidegger, M. in “O Caminho do Campo”)

Ao se beber o Vegetal então inicia-se uma simbiose entre o corpo do homem e o

corpo da Terra.

O Chá desvela os tramites para que o corpo se concentre em um êxtase misterioso

nomeado Burracheira, referência de Mestre Gabriel a labuta de se retirar a essência da

Seringueira, que escorre lenta e sistematicamente pelas feridas arranhadas no tronco da

árvore-homem, aflorando sua seiva, a seiva do ser humano são seus sentimentos e

recordações.

Mas imagine o látex da seringueira escorrendo, impregnando a mão suada do

seringueiro, o toque de um dedo no outro, um toque amaciado, emborrachado, como se

a distância da carne aproximasse da alma...

E vêm as Mirações. Visões do passado, momentos paralisados, estranhos palácios

espirituais, o Astral Superior se abre, cidades incríveis são visitadas, Florestas de Jóias,

Seres Guias... Vêm ao nosso encontro ancestrais, pessoas falecidas, os poderosos

defuntos, e também animais, serpentes, milhares de seres vira-latas que nos aturdem,

brincam conosco, afinam nossa consciência para as lições do Vegetal... enfim, na

Miração nos vêm aquilo tudo de que é composto cada grama de espírito que nos sustém.

Eventualmente vem a Limpeza, e tocamos a terra de um modo inusitado, como a

própria chicotada na alma e nas entranhas. A limpeza é uma espécie de cobrança do

Vegetal para com o individuo que o bebeu... cada um sabe de si para consigo mesmo,

uma relação particular entre o homem e o Vegetal.

Ocorre também a Peia, aí sim uma verdadeira surra do Vegetal naquele que deve de

um modo ou de outro aprender pela dor para evoluir.

Nisto, pode parecer que o vegetal tem muitas maneiras de ensinar, mas ele tem um só

meio, os homens que são diversos em suas necessidades e tendências.

O meio que o Vegetal usa para ensinar é sempre o mesmo, uma misteriosa forma de se

misturar a Luz e a Sombra da Natureza com a nossa própria luz e sombra interior.

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Observando nosso interior, analisando a nós mesmos, descobrindo o quanto nos

desconhecemos, o quanto de nós está imerso nas próprias sombras do esquecimento e

do auto-engano e da ilusão natural da matéria.

Ao comungar o Vegetal, a consciência viva no Chá decide o que nos ensinar e nós

ficamos ―a esperar o que há vir‖, sabendo que daí virá mais uma lição do profundo

Simples da Natureza, para nosso bem, nossa evolução, nosso retorno à essa Natureza da

qual um dia nos distanciamos enquanto raça.

Todo esse roteiro de aprendizagem foi desvencilhado por Mestre Gabriel através das

Chamadas, onde reside a contrapartida humana, o espírito de Mestre, que nos orienta

dentro do transe especial da Burracheira.

Essas Chamadas são cânticos, poemas da expressão de um espírito imenso e simples

que nos comunica os saberes para uma melhor interpelação através do efeito do Vegetal.

É como se essas palavras tivessem o poder de nos levar a um mergulho no Oceano de

Vegetal e de lá emergir para ilhas com faróis de observação do Universo, iluminando o

jardim das flores encantadas.

Um mar de Vegetal, um mar de florestas, um mar humano, um mar de reencarnações

e vida de onde fluem as Chamadas, os ensinos, as Histórias... Memórias vivas

reencarnando na união Vegetal – Humanos.

Na Cosmogonia de Mestre Gabriel, desvelado por ele e que é continuada por cada

discípulo ciente que comunga o Vegetal tem ainda muitos mistérios para serem

compreendidos.

Mitos formadores; ensinos incompreendidos; o acróstico ―UDV é OBDC‖; o

portal/arco estelar onde se lê ―Estrela Divina Universal‖... Tudo isso ainda são mistérios

que o Mestre deixou para irmos nos compenetrando, segredos da Natureza Divina, são

pedidos de licença já pedidos pelo Mestre para que seus discípulos também evoluam e

se tornem mestres de si mesmos.

Mas para que serve o Vegetal? Qual sua dádiva à humanidade? Qual a função desse

Chá Misterioso junto a todos os seres humanos e ao Planeta?

No nexo de todas as crenças religiosas instituídas que usam do Vegetal como

Sacramento podemos ver o fio comum de uma Redenção para todos os homens.

O Messianismo do Santo Daime, a introspecção animista da Barquinha, o afloramento

xamânico das diversas denominações independentes, tudo e todos falam só do

reencontro, da volta dos homens ao seio da Mãe Natureza, o respeito e a harmonia para

com todo o Universo, apontam o dedo certeiro para uma expansão de consciência tão

especial dentro do transe ayahuaski que denuncia nosso insuportável vazio espiritual

que destrói o mundo e nós mesmo, mas ao mesmo tempo que fertiliza este espaço para

florar o jardim de nossos sonhos mais cândidos de união universal em irmandade, zelo,

amor e respeito tão intensos que às vezes sequer nos reconhecemos navegando nesse

mar de Luz, Paz e Amor.

Como muito bem o definiu um antropólogo em sua experiência com o DMT, o

principio ativo do Vegetal:

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“A experiência que engolfa todo o nosso ser quando submergimos sob a superfície do êxtase da DMT parece a penetração através de uma membrana. A mente e o Eu se desdobram literalmente diante de nossos

olhos. Há a sensação de sermos renovados, ainda que não modificados, como se fôssemos feitos de ouro e tivéssemos acabado de ser remoldados

na fornalha do nascimento. A respiração é normal, o ritmo cardíaco é estável, a mente é clara e observadora. Mas e o mundo? E os dados

sensórios que recebemos?

Sob a influência da DMT o mundo se torna um labirinto árabe, um palácio, uma jóia marciana mais do que possível, vasta com motivos que enchem

a mente de espanto complexo e sem palavras. A cor e a sensação de um segredo que destranca a realidade permeiam a experiência. Há uma

sensação de outros tempos, de nossa infância, e de espanto, espanto, e mais espanto. É uma audiência com o núncio alienígena. No meio da experiência, aparentemente no fim da história humana, surgem portões de guarda que parecem certamente abrir-se ao turbilhão do vazio indizível entre as

estrelas, é o Éon.

O Éon, como Heráclito observou prescientemente, é uma criança brincando com bolas coloridas. Muitos seres diminutos estão presentes -. os vira-latas, os elfosmáquinas autotransformadores do hiperespaço. Serão eles as crianças

destinadas a serem pais do homem? Temos a impressão de entrar numa ecologia de almas que está além dos portais daquilo que ingenuamente

chamamos de morte. Não sei.

Serão eles a corporificação sinestética de nós mesmos como o Outro, ou do Outro como nós? Será que os elfos estão perdidos para nós desde

que se apagou a luz mágica da infância? Há algo tremendo em vias de ser contado, uma epifania além de nossos sonhos mais loucos. Aqui é o

reino do que é mais estranho do que podemos supor. Aqui é o mistério, vivo, incólume, ainda tão novo para nós como quando nossos ancestrais viveram-no há quinze mil verões. As entidades da triptamina oferecem o dom de uma linguagem nova; eles cantam em vozes de pérola que chovem como pétalas coloridas e fluem pelo ar como metal quente para se tornarem

brinquedos e presentes como os que os deuses dariam aos seus filhos. O senso de conexão emocional é aterrorizante e intenso. Os Mistérios revelados são reais, e se algum dia forem totalmente contados não

deixarão pedra sobre pedra no pequeno mundo em que ficamos tão doentes. (McKenna, T. in “O Alimento dos Deuses”)

Entretanto, dos ensinamentos e do ambiente psíquico estabelecido e herdado de

Mestre Gabriel, temos algo mais para a humanidade, temos um sério convite para nos

redimirmos também, um convite para se aprender a morrer, ou melhor, aprender a viver

e descobrir definitivamente o lugar da Morte na vida de cada um.

Lá nos primórdios, Mestre Gabriel nos conta quando fala da Origem da Hoasca, tanto

a Chacrona quanto o Mariri brotam de uma relação com a morte.

Uma Rainha-Profetiza, um Marechal, dignitários de um Reino, mortos e almas de dois

vegetais, que sob a luz de um sapiente da visão de um Rei da Ciência são unidos e

sorvidos finalmente pelo primeiro Oasqueiro de nossa Era, que ao bebê-lo, beber o

sumo daqueles mortos, consegue enfim a permissão para adentrar nos Encantos da

Natureza Divina.

Rumo à esse Astral Superior, que é habitado por toda a memória de tudo que já

existiu, existe e existirá, que só pode ser habitado ou visitado pelos mortos, ou melhor,

desencarnados da liana dos corpos materiais.

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E de certa forma é isso que o Vegetal faz, nos desencarna. Despe-nos de nossa roupa

carnal e nos lança para uma viagem ao Astral.

Sucintamente deslocado da carne, nos lançamos ao Astral e temos as mirações que o

Vegetal quer que tenhamos; vagamos de uma forma que a linguagem não pode definir

pelas sendas de conhecimentos registrados no Grande Arquivo Universal, que é

chamado de Akasha e que o Rei Salomão abriu com Minguarana, a palavra perdida

novamente nos entregue.

O Vegetal é, pois esse Mestre incrivelmente sapiente, pois todo saber reside em seus

caminhos, os quais a palavra mágica nos abre.

A lição que o Vegetal nos concede a respeito da morte é uma misteriosa ciranda de

Mirações, Peia e Entendimento, sempre acrescidos com muita Luz, mesmo que pouco a

percebamos, isso é uma deficiência nossa; com muita Paz, mesmo que tudo fique como

uma tempestade, ela também faz parte do Todo e tudo que é grande está em meio a

tempestade, seu lugar natural; e muito Amor, porque por mais terrível ou espantosas que

sejam as mirações, no fundo sempre sentimos a dádiva cálida do Vegetal nessa

admiração a nos temperar, uma pequena amostra da experiência do morrer... e

renascer... e morrer...

Essa é a lição maior do Vegetal. Paralelamente ele vai nos admoestando sobre todos

os fatores para a correção de nossas vidas.

Como um amigo sincero, o Vegetal quer que paremos de errar e miremos certo no

alvo e lá acertemos em cheio.

E que alvo é esse? Ora, o próprio alvo da Vida, tão somente em viver a vida em toda

sua profundidade, até que tenhamos que viver a vida de outra forma, procurando nos

reencantar com tudo e que possamos ser completos, aqui fora no mundo e dentro dos

Encantes da Natureza.

As Maestrias do Vegetal

A União do Vegetal sempre ressurge através dos tempos e ela está sempre presente

entre os homens através de suas Maestrias. Os Mestres são o principal veículo que o

espírito da hoasca usa para se fazer presença no mundo.

De épocas imemoriais nada sabemos, não faz sequer diferença alguma saber ou não

desses distantes mestres.

Mestre Gabriel começa a nos contar sobre a União localizando-a em uma época

antediluviana, o que nos remete a cerca de 10 mil anos atrás. Na gênese da União do

Vegetal temos como percussores a Mestra Hoasca, uma sabia vidente de um reino

nativo de uma terra cujo nome se perdeu.

Hoasca servia ao Rei Inca. Ambos e o Marechal Tihuaco são os Mestres do

Reencontro, aqueles seres que reviveram a origem ontológica e espiritual da União do

Vegetal naquele final de Éon.

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Então um salto de cerca de 7 mil anos, o que nos leva à uns 3 mil anos atrás,

encontramos os Mestres da Fundação: Rei Salomão e Caiano. Salomão funda em nosso

Éon a União do Vegetal, dando a Caiano a Chave para se adentrar nos Encantos da

Natureza, fazendo deste o primeiro oasqueiro, tendo a missão de sempre retornar à este

plano de existência para não deixar a União desaparecer.

Depois disso, a 2 mil anos atrás vêm Mestre Iagora, encarnado nos Andes para

continuar, como Mestre do Retorno, a missão de Caiano. Mestre Iagora refunda a União

entre os povos indígenas daquela época, e graças aos seus ensinamentos ele dá partida e

nome ao grande Império Inca dos Andes nas terras de Biru.

Nessa época também se dá a ascensão dos Mestres da Curiosidade, discípulos

dissidentes do próprio Mestre Iagora.

Os Mestres da Curiosidade então por dois milênios perpetuam sua tradição

ayahuasqueira nos Andes e na Amazônia.

Depois desse tempo retorna então finalmente a tradição dos mestres da União ao

mundo, dessa vez já no Séc. XX de nossa era com o ―destacamento Gabriel‖. O mestre

é sempre o Mestre e Mestre Gabriel depois de reencontrar e comungar a ayahuasca

junto aos Mestres da Curiosidade que atuavam na floresta amazônica relembra sua

eterna missão.

Analisando suas vidas pregressas através dos êxtases da ayahuasca por um período de

três anos, ele então refunda novamente a União do Vegetal em Rondônia.

E durante dez anos Mestre Gabriel doutrina seus discípulos diretos para a continuação

de sua missão. À esses dá o nome de Mestres da Recordação os quais começam

efetivamente a atuar depois que Mestre Gabriel desencarnou em 1971 d.C.

Os Mestres da Recordação atuam então no cenário onde se desenvolvem e se

popularizam outras diversas tradições ayahuasqueiras antigas e recentes, xamânicas e

sincréticas. Há os prolongamentos dos Mestres da Curiosidade através do Mestres

Vegetalistas onde encontramos as religiões ayahuasqueiras da Amazônia brasileira

assim como os xamãs diversos dos Andes.

Temos então além dos mestres da UDV, a União do Vegetal de Mestre Joaquim José,

os Vegetalistas urbanos acadêmicos, pesquisadores e literatos formadores de opinião

como William Burroughs e Allen Ginsberg, Daniel Pinchbeck, tais que podem ser tidos

como mestres de uma tradição contemporânea estrangeira que visam a expansão da

consciência também.

A tradição dos Mestres da Recordação da União do Vegetal se vê na encruzilhada da

evolução, de buscar novamente uma maestria que contundentemente desvele o porquê

da União no mundo junto à humanidade.

Formada toda uma outra geração de mestre e discípulos resignados dentro do âmbito

da União, fortalecendo-a como foi a vontade de Mestre Gabriel, têm que ouvir agora a

voz dos tempos e definitivamente assumir o lugar de protagonistas na cena

ayahuasqueira, precipitando assim o adventos dos Mestres do Reencanto.

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Esses têm a missão de dar às pessoas o ensinamento capaz de restaurar a integridade

da existência humana, fazendo com que os homens retornem ao seio da Natureza. Uma

tarefa espiritual e também sócio-filosófica é a missão desses Mestres do Reencanto,

restaurar a ligação dos homens com a natureza via a mística do Vegetal.

Nesse sentido a Maestria é algo essencial. O Mestre do Reencanto é todo aquele que

consegue reascender em seu coração e em sua vida a chama encantada que um dia

esteve disponível aos homens e ele perdeu por culpa de sua negligência e dos fatores

históricos que ele mesmo colocou em marcha e perdeu o controle.

E o Reencanto propõe também uma nova forma de presença maestra no mundo, que é o

de as mulheres assumirem definitivamente seu lugar como Mestres da União, revivendo

a divina assunção de Mestra Hoasca.

O foco atual então do contato dos seres humanos com os Encantos da Natureza

através da Minguarana é manter aberto constantemente esse portal para os encantos. É

isso que o Vegetal vem sempre trabalhando nos seres que o comungam, o que

poderíamos caracterizar como a busca de um estado de constante Burracheira, um

estado de percepção iluminada da realidade onde se perceba e se expresse um novo

modo de presença humana que modifique assim toda a realidade material também.

O Vegetal traz aos seus discípulos então a linha direta entre eles e os Encantos da

Natureza, através da Minguarana, a essência da própria União do Vegetal, que é em si a

própria Abertura dos Encantos, para que a humanidade assim se reencante com a

Natureza e com a Existência, que tenham mais beleza em suas vidas e transformem todo

o mundo possível no Jardim das Flores.

Eduardo Moura Tronconi

Uberlândia, Outono de 2009.

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Mitos & Lendas

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A História da Hoasca

Conforme Contado na União do Vegetal

Existiu a milhares e milhares de anos, antes do dilúvio universal, um Rei de nome Inca. Este Rei tinha uma conselheira que se chamava Hoasca.

Era uma mulher misteriosa que tinha o poder de adivinhar tudo que viria a acontecer, qualquer dificuldade que o Rei tinha, ia aconselhar-se com sua conselheira e ela orientava-o norientava-o que era necessáriorientava-o, e assim orientava-o reinadorientava-o prorientava-osperava.

Tudo Hoasca dirigia.

Mas um dia Hoasca morreu.

O Rei ficou triste com o acontecimento, mas não teve outra coisa a fazer a não ser cavar uma sepultura e sepultar Hoasca. E assim fez...

Ficou assim o Rei Inca zelando por aquela sepultura e vinham sempre em visita.

Uma dia vêm o Rei em visita à sepultura de Hoasca e viu nascido no centro da sepultura um pé de árvore.

O Rei olhou, examinou e viu que aquela árvore era diferente de todas as árvores e não tinha nome. Então diz o Rei: “-Essa árvore nasceu na sepultura de Hoasca, essa árvore é Hoasca”. Nome dado pelo Rei Inca.

Nesses tempos nasce no mesmo reinado um menino de nome Tihuaco.

Este menino, inteligente, cresceu e chegou a ser Marechal de confiança do Rei Inca. Marechal Tihuaco já conhecia a história da mulher misteriosa contada pelo Rei.

Um dia vem o Rei em visita à sepultura da Hoasca acompanhado de seu Marechal Tihuaco.

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árvore... quem sabe nós não poderíamos conversar com o espírito de Hoasca para descobrirmos seus segredos e mistérios... Vamos experimentar!”

Tirou então algumas folhar, preparou um chá e disse: “-Tihuaco, bebe esse chá e veja se pode falar com o espírito da Hoasca para descobrir seus segredos e mistérios”.

Tihuaco bebeu e a Força de Hoasca veio crescendo e crescendo, veio circundando-o e crescendo, chegando ao ponto de Tihuaco não suportar e morrer dentro da Força.

O Rei ficou desorientado pelo acontecimento, mas não teve nada a fazer a não ser cavar outra sepultura e sepultar Tihuaco. E assim o fez...

Cavou uma sepultura e sepultou Tihuaco, e ficou assim o Rei zelando por aquelas duas sepulturas.

Um dia veio o Rei em visita à sepultura da Hoasca e à sepultura de Tihuaco e viu nascido no centro da sepultura de Tihuaco um pé de cipó diferente de todos os cipós e não tinha nome.

Então diz o Rei: “-Esse cipó nasceu na sepultura de Tihuaco, então esse cipó é Tihuaco”.

Algum tempo depois o Rei Inca também veio a morrer. Contudo mesmo ao morrer tinha o pensamento preso em Hoasca, porque queria descobrir os segredos e mistérios dela.

Passa-se o tempo...

Muitos e muitos anos depois nasceu um menino que recebeu o nome de Salomão. Este menino era todo dotado de Ciência e de Sabedoria. Sendo sábio, até hoje combate a curiosidade.

Salomão estudou de si e tornou-se o rei da Ciência. O Rei Salomão. E a história da mulher misteriosa circulava o mundo.

Um dia, chegou aos ouvidos de Salomão a história da mulher misteriosa. E só ele mesmo, como Rei da Ciência, poderia descobrir os mistérios e segredos de Hoasca sendo ele o conhecedor de toda Ciência.

Um dia vem então o Rei Salomão acompanhado de seu vassalo Caiano na procura da descoberta dos mistérios.

Chegando naquele antigo reinado já transformado em tapera, Salomão encontrou a sepultura de Hoasca e a sepultura de Tihuaco.

Chegando na sepultura de Hoasca, diz Salomão tocando na árvore: “-Desta árvore, que tiraram as folhas e fizeram um chá e deram a Tihuaco beber, Tihuaco bebeu e morreu dentro da Força, venho a denominar Chacrona, que quer dizer Chá Temeroso, para aqueles que não o respeitam...”

Em seguida dirigiu-se à sepultura de Tiuaco e, encontrando ali um cipó, tocando-o confiou que nele existia o Marechal. Salomão então diz: “-Tihuaco é Mariri, Tihuaco é Marechal...”

Declara então Salomão: “-Eu venho fazer a união do vegetal, do Mariri com a Chacrona...”

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“É O MARIRI COM A CHACRONA EM UNIÃO É QUEM NOS CONDUZ

É O MARIRI COM A CHACRONA OS DOIS UNIDOS É QUEM NOS CONDUZ

O MARIRI NOS DÁ A FORÇA E A CHACRONA NOS DÁ A LUZ É O MARIRI COM A CHACRONA EM UNIÃO É QUEM NOS CONDUZ

É O MARIRI COM A CHACRONA OS DOIS UNIDOS É QUE NOS CONDUZ

O MARIRI NOS DÁ A FORÇA E A CHACRONA NOS DÁ A LUZ

O MARIRI ESBLANDE FORÇA E A CHACRONA ESPLANDECENDO EM LUZ

AO MARIRI EU PEÇO FORÇA E À CHACRONA EU PEÇO LUZ. DO MARIRI RECEBEMOS FORÇA E DA CHACRONA RECEBEMOS LUZ

É O MARIRI COM A CHACRONA EM UNIÃO É QUEM NOS CONDUZ

É O MARIRI COM A CHACRONA OS DOIS UNIDOS É QUEM NOS CONDUZ

O MARIRI É O REI DA FORÇA E A CHACRONA RAINHA DA LUZ

O MARIRI TRANSMITE FORÇA E A CHACRONA CLAREANDO EM LUZ

CAI, CAIA SERENO, SERENO DE LUZ CAIA, CAIA SERENO, SERENO É A LUZ CAIA, CAIA SERENO, SOBRE TODA LUZ CAIA, CAIA SERENO, MESTRE QUER TODOS NA LUZ

A UNIÃO QUEM NOS CONDUZ LUZ, LUZ

DIVINA LUZ”

Então Salomão tirou alguns pedaços do cipó e algumas folhas da árvore, uniu esses mistérios e preparou um chá e chamou seu vassalo Caiano e disse com palavras firmes: “-Caiano, beba esse Chá, receba a Comunhão do Vegetal e siga firme para receber todo o Poder de Hoasca, todo Poder do Vegetal, todos os segredos e mistérios da Hoasca... Toda vez que a Força vier crescendo e você ver que não suporta, lembre-se que Tihuaco é Mariri e que ele morreu dentro da Força, ele é o Rei da Força...”

Caiano bebeu e a Força do Vegetal veio crescendo e crescendo, Caiano vendo que não ia suportar, lembrou-se da voz do Mestre Salomão e chamou:

“TIHUACO É MARIRI TIHUACO É MARECHAL TIHUACO É O GRANDE REI

NO SALÃO DO VEGETAL TIHUACO É MARIRI MARIRI É MARECHAL O MARECHAL É O GRANDE REI

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Caiano então diz ao Mestre Salomão: “-Mestre, eu vi tudo, entrei nos encantos da Natureza e vi tudo”.

Salomão repreende Caiano: “-Caiano, como é que tu viu tudo? Se os encantos são de Natureza Divina? Vivem fechados e para se penetrar deve-se pedir licença à Natureza Divina, que na minha língua é Minguarana...”

“...OH! MINGUARANA TU ABRIREI O TEU ENCANTOS E TRAREI... TRAREI OS TEUS ENCANTOS...”

Continua Salomão: “-Os encantos então estão abertos, temos que pedir porém, para a Natureza Divina nos levar...”

“...Ô MINGUARANA TU CLAREI O TEU ENCANTE E CLAREI CLAREI OS TEUS ENCANTOS

EU VIM ABRIR MEU ORATÓRIO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO

Ô MINGUARANA TU ABRE O TEU ENCANTE E CLAREI CLAREI OS TEUS ENCANTOS

EU VOU ABRIR MEU ORATÓRIO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO Ô MINGUARANA TU NOS LEVAREI

AO TEU ENCANTE E TRAREI TRAREI O TEU ENCANTE EU ABRI MEU ORATÓRIO AO DIVINO ESPÍRITO SANTO

LUZ, LUZ DIVINA LUZ...”

Então se revelou assim Caiano como o primeiro oasqueiro, e quando precisamos, chamamos:

“...CAIANO MESTRE CAIANO É O PRIMEIRO OASQUEIRO

EU CHAMO CAIANO CHAMO BURRACHEIRA EU CHAMO CAIANO CHAMO BURRACHEIRA

CAIANO MESTRE CAIANO É OASQUEIRO SEM FIM EU CHAMO O REI OASQUEIRO CLAREIA OS SEUS CAIANINHOS

EU CHAMO O REI OASQUEIRO CLAREIA OS SEUS CAIANINHOS

CAIANO MESTRE CAIANO É QUEM É A LUZ DO CAMINHO

É A ESTRADA DO VEGETAL OS DEGRAUS É SEUS CAIANINHOS

CAIANO MESTRE CAIANO VEM PELA LUZ VERDADEIRA CLAREIA AOS SEUS CAIANINHOS

TODOS PEDE BURRACHEIRA CLAREIA OS SEUS CAIANINHOS TODOS PEDE BURRACHEIRA...”

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Caiano continuou fazendo e distribuindo o Vegetal para as pessoas, mostrando o que esse Vegetal podia fazer-lhes, ensinando a caminhada de ser direito na vida. Equilibrando, firmando o pensamento de cada um...

Chegou finalmente o dia em que Caiano teve que deixar também este plano de existência, ficando o Vegetal esquecido por muito tempo.

Um dia no Astral, Caiano recebe Ordem Superior para restaurar o Vegetal na Terra e pergunta: “-Quando?”. A resposta: “-Ir agora!”.

Com essa palavra dita, Caiano reencarnou com o nome I-agora, no meio dos nativos das montanhas dos Andes onde hoje é o Peru, ensinando essa mesma história contada acima e pedindo sempre por Força.

O Mestre I-agora então é muitas vezes lembrado e chamado com essa expressão de seu nome, pedindo orientação que sempre vêm chegando.

Por relembrar a história do Rei Inca junto aos nativos deste lugar, eles começaram a chamar Mestre I-agora de Rei Inca, vindo a emprestar o nome de sua antiga encarnação ao Império Inca do Andes.

Veio também Mestre I-agora a desencarnar, degolado por um de seus próprios discípulos. E então seus discípulos todos se dispersaram pelos Andes e Alto-Amazônas, e vieram a ser conhecidos posteriormente esses homens como os Mestres da Curiosidade. Mas o Mestre é sempre o Mestre, e lá onde estava, sentiu a necessidade de recriar a União do Vegetal, voltando a encarnar.

Nasceu no Brasil chamando-se José Gabriel da Costa, sendo este, o mesmo Rei Inca, sendo o mesmo Mestre Caiano, sendo o mesmo Mestre I-agora, esse é o Mestre Gabriel em uma só Força e em uma só Luz, mostrando, ensinando, equilibrando, colocando todos dentro de um caminho Firme.

José Gabriel, sempre guiado por uma Força Superior serviu à esse Reino Astral de diversas formas, até que encaminhou-se para a Floresta Amazônica onde trabalhou como seringueiro e lá recebeu o Sacramento do Vegetal novamente.

Relembrando suas encarnações passadas adentrou nas matas à procura dos Mestres da Curiosidade para com eles receber não sabedoria, mas decepção... Aos os encontrar constatou que eles mesmo não sabiam nada. O que lá viu e reaprendeu é um segredo particular, mas como Avatar nos traz também sua luz...

A mulher misteriosa, Hoasca, que sempre estivera em seu pensamento desde os primórdios de sua existência neste mundo, foi reencontrada enfim, adentrando em seus segredos e mistérios através deste chá misteriosos enfim.

A viagem ao coração perdido da floresta não havia sido em vão. Fora uma viagem iniciática de qualquer forma e dela voltando, Mestre Gabriel refunda a União do Vegetal para o benefício de toda a humanidade, para trazer aos homens a perene sabedoria da união entre os Homens e a Natureza, possibilitando sempre haver de agora em diante, disponível, Luz, Paz & Amor para que todos reencontrem seu caminho ao Divino.

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Lendas e Mitos da Ayahuasca

No Acre, ouvi várias lendas relatando a origem do cipó jagube e da folha chacrona. Selecionei três, sem que fosse possível, no entanto, localizar a fonte histórica de todas; tal conhecimento vem da transmissão oral dos antepassados do povo amazônico. (...)

(...) Existia um rei que tinha vários nomes, e o mais conhecido era Ayu Ambrazil. Era um sábio que conhecia a astronomia, a medicina, a fauna e a flora, tinha contato direto com as plantas e os animais o amavam. Além disso, era músico, pintor e grande poeta, o seu trabalho era luz aos lugares escuros do planeta, pois era filho do sol. Tinha como companheira uma valorosa rainha guerreira, e os dois saiam para iluminar os espaços negros.

Uma noite, a rainha foi ferida de morte pela escuridão e foi enterrada na floresta. O rei entristeceu-se e cantava dia e noite ao lado da sepultura da esposa. O povo chorava, pois o rei não mais comia nem bebia, só cantava. Os súditos não entendiam o que ele cantava, mas o rei Brazil cantava para o mundo, pois sabia que uma desgraça estava por chegar. Os dias se passaram e o rei foi ficando mais fraco, mas não parava de cantar, até que se agarrou a uma árvore, deu seu último suspiro e morreu. A árvore à qual ele se agarrou jorrou sangue na hora de sua morte, toda a mata se entristeceu. O povo tentou em vão desagarrar o corpo do rei Brazil da árvore, mas sem resultado. Tempos depois, quando retornaram ao local, encontraram no lugar do corpo do rei um cipó diferente dos que eles conheciam, e na sepultura da rainha, um arbusto de folhas brilhantes, também desconhecido. Então os súditos disseram: ―- O rei se transformou em cipó, a árvore em que ele se agarrou jorrou seu sangue, e a rainha se transformou neste arbusto‖. A partir desse dia, passaram a chamar a árvore que jorrou o sangue de ―sangue de Ambrazil‖.

Curiosamente, encontrei história semelhante no livro ―Histórias Inéditas do Brasil‖, de Roselis von Sas. Ela conta que o escrivão Pero Vaz de Caminha descreve em sua carta à Portugal o seguinte ritual indígena: os selvagens entravam na floresta e retiravam algumas ervas. Depois retiravam a seiva vermelha de uma árvore e colocavam o líquido em um

caldeirão. Dançavam em ritmo monótono em volta do caldeirão, invocando várias vezes o nome de Ambrazil.

Segundo a autora, essa árvore de seiva vermelha é a mesma que os portugueses

chamaram de Pau-Brasil; por não entenderem o ―Am‖ de Ambrazil, denominaram só de Brasil. ===

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Na mitologia dos índios Cachinawá do Rio Jordão, Estado do Acre, a origem do cipó tem um destaque especial, sua narrativa é rica em detalhes, onde os animais se transformam em gente e vice-versa.

―A Invenção do Cipó‖ foi publicada no livro ―Estórias de Hoje e Antigamente dos Índios do Acre‖, organizado pela Profa. Nieta, traduzida e adaptada do livro ―A Verdadeira Estória dos Cachinawá‖, de André M. D‘Ans. Infelizmente não foi possível saber o nome dos cachinawá que contaram a história.

Yo buié Nawa Tarani, nosso antepassado, foi à mata um dia procurar genipapo para pintar o corpo de seu filho recém-nascido.

Na beira do lago, ele encontrou um genipapeiro coberto de frutas. Subiu na árvore carregada e começou a sacudir para fazer cair as frutas.

De repente, ele ouviu um barulho debaixo dele. Viu então uma anta a roer as frutas do chão. Divertindo-se, ele ficou quietinho em cima da árvore, só olhando.

Ora, tudo começou a ficar estranho quando a anta, após ter roído algumas frutas, começou a jogar elas no meio do lago, gritando:

- Toma aqui esses genipapos do meu roçado!

Após alguns minutos, uma jovem saiu do fundo d‘água, carregando um tibungo cheio de caiçuma de banana. A anta estava escondida atrás do tronco de uma árvore.a jovem mulher se aproximou, tomou pé na terra e chamou:

- Amigo, onde está você? Aonde se escondeu? Saindo do seu esconderijo, a anta disse:

- To aqui! E então bebeu da bebida que a mulher ofereceu.

Em seguida, a linda mulher se deu mà anta e eles se amaram. Do seu esconderijo, nosso antepassado não podia acreditar no que via.

A mulher voltou para o fundo do lago e a anta para a mata. Yo Buié Tarani desceu da árvore, juntou ainda algumas frutas caídas e voltou para sua aldeia. Chegando em casa, deu as frutas para sua mulher, sem contar nada. Não quis comer a comida oferecida por ela. Em seguida, deitou em sua rede, onde ficou por muito tempo com os olhos abertos e perdidos. Ele não podia esquecer o que havia visto no lago. Como se estivesse enfeitiçado. Sua mulher ficou preocupada, mas ele disse estar um pouco doente.

No dia seguinte bem cedo, Yo Buié juntou suas armas como se fosse caçar, e saiu na direção do lago. Passando debaixo do genipapeiro, ele juntou algumas frutas, roeu elas com os dentes e jogou no lago dizendo:

- Toma aqui os genipapos do meu roçado!

Depois correu e se escondeu atrás de uma árvore. E aconteceu que a linda mulher apareceu, como na véspera, com seu tibungo de caiçuma. Saiu fora d‘água, colocou o tibungo na terra e chamou:

- Amigo, onde está você? Aonde se esconde?

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se defendeu e eles rolaram pela terra até derrubarem a bebida.

De repente, a mulher se transformou numa cobra e enrolou-se no corpo dele. Mas ele não se deixou pegar. Ela tentou ainda escapar de Yo Buié, transformando-se num cipó espinhoso. Mas ele não a soltava de jeito nenhum. Então ela se transformou em aranha, serpente, fogo, mas sem nenhum resultado. Yo Buié não largava dela. E na confusão dessas mudanças, a cabeça da mulher reapareceu e perguntou:

- Quem é você? E o que deseja de mim?

Mas ele não respondeu, pois estava segurando a presa com os dentes.

A mulher então voltou a sua forma humana até os peitos, mas continuou sem ter a resposta de Yo Buié. Resolveu então tomar forma inteiramente humana, da cabeça aos pés. - Bem, disse. Agora diga-me o que quer de mim. Por que não me solta para

conversarmos feito gente?

Yo Buié explicou então que tinha visto ela e a anta fazendo amor e que a partir daí passou a querer ela para mulher.

- Por que pegou-me pela força em vez de falar claro comigo? Olhe, você me fez derramar toda a caiçuma.

Então ela pegou o que restava dentro do tibungo e fez ele beber, enquanto

carinhosamente livrava-se dele. Depois eles repousaram um pouco e acariciando Yo, a mulher perguntou:

- Quem é você? Tem mulher e filhos? - Não, mentiu ele. Não tenho família.

- Então, por que você não fica comigo? Eu serei sua mulher e teremos muitos filhos. Levarei você comigo para minha casa.

Ela colheu em seguida todos os tipos de ervas e fez delas um suco. Depois derramou nos olhos, orelhas e em todas as juntas do corpo de Yo.

Então a mulher disse: - Segure nos meus cabelos!

E os dois mergulharam no lago. Chegando lá no fundo, encontraram uma roça de bananeiras e uma casa onde a mulher vivia com seus parentes. Eram as cobras e serpentes, habitantes do lago.

Porém, antes de entrar na aldeia, a mulher disse a Yo Buié:

- Esconda-se aqui e espere-me, que eu vou prevenir meus parentes de sua chegada e explicar a eles que você é meu marido. Não tenho medo que voltarei logo.

O homem ficou só, ouvindo os barulhos estranhos e assustadores que saíam das águas do lago. Eram as cobras gigantes agitando-se ao redor da mulher. Rapidamente ela apareceu, tomou Yo Buié pela mão e apresentou-o como seu marido na grande casa dos habitantes do lago. E deste dia em diante Yo Buié e a mulher-cobra passaram a viver juntos como marido e mulher. Algum tempo depois, as cobras e serpentes do lago resolveram tomar cipó. Yo Buié perguntou a sua mulher se ela também iria tomar cipó.

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- É claro, disse ela. - E eu, poderei também?

- Não, por que você terá muito medo. Você verá cobras e serpentes e pensará que elas querem te devorar. Então você gritará como um louco. Não se meta com isso. São nossos costumes e não os seus.

Mas Yo Buié insistiu tanto que terminaram por aceitar ele no círculo de cobras para tomar o cipó.

Logo nas primeiras mirações, Yo Buié se pôs a gritar – Socorro, as cobras querem me engolir!

Na mesma hora sua mulher se transformou em cobra, enrolou-se carinhosamente nele, aproximou a cabeça de sua orelha direita e cantou docemente. A sua sogra aproximou-se e fez o mesmo, cantando em sua orelha esquerda. Enfim, seu sogro se enrolou nos três e, balançando seu rosto na frente de Yo Buié, acompanhou também a canção.

Um dia quando eles repousavam em suas redes, as frutas do genipapo roídas começaram a cair dentro do lago – a anta estava de volta.

Como a jovem mulher não respondeu a seus apelos, a anta entrou n‘água, mergulhou e permaneceu debaixo d‘água muito tempo, como aliás faz até hoje. Assim mergulhada, a anta chegou bem perto da roça. A sogra de Yo Buié foi então a seu encontro explicar que sua filha não era mais livre. Pediu para a anta parar de procurar sua filha, e a anta não insistiu mais. A vida seguiu muito feliz debaixo das águas. Os esposos tiveram quatro filhos: dois meninos e duas meninas.

Neste mesmo lago vivia Iskin, um pequeno peixe encouraçado. Um dia, Iskin foi

nadando até um igarapé formado pelas águas do lago e encontrou na margem a antiga mulher de Yo Buié. Esta acreditava estar viúva e não parava de reclamar a falta de seu marido. Com tantos filhos para criar, ela sobrevivia com a ajuda de seus parentes e amigos da aldeia.

Nesse dia ela tinha ido ao igarapé para tentar pegar algum peixe com as mãos, como fazem as mulheres. E enquanto pescava, chorava alto, contando detalhe por detalhe de sua desgraça. Nisso, ela quase pegou Iskin pela barbatana de couro que protege sua cabeça. Ah! gritou Iskin, jogando seu corpo para trás. E se ele conseguiu escapar da mulher, foi com o preço de deixar sua barbatana presa entre os dedos dela.

Quando ela se afastou, Iskin voltou ao lago. Ele não estava nada satisfeito com o que tinha ouvido. Foi direto onde estava Yo Buié para jogar sua raiva sobre ele.

- O que é que você está fazendo aqui no lago? gritou Iskin. Você nunca nos falou de sua outra família que está morrendo de fome na terra. Eu encontrei sua mulher. E foi ela quem arrancou minha barbatana! E talvez você nem saiba, mas ela e seus filhos da terra estão todos morrendo de fome, vivendo com a ajuda dos amigos. E você aqui, dando de comer às pessoas que não são nem da sua espécie.

Yo Buié então abaixou a cabeça e compreendeu todo o mal que tinha feito à sua família da terra.

Mas como farei para sair daqui? Suspirou ele. Se eu não posso nem mais viver ao ar livre?

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- Eu vou te ajudar, disse Iskin. Mas prometa para mim que não dirá nada a ninguém. - Prometo, disse Yobuié.

Então Iskin colheu muitas ervas e jogou suco nas orelhas, olhos e em todas as juntas do corpo de Yobuié. Depois, levou ele até as margens do lago. Em seguida, Iskin abandonou o lago e foi viver no leito de um rio.

Quando Yobuié chegou à sua aldeia, foi logo recebido com espanto de alegria por todos. – Eu pensava que você estava morto há muito tempo! Disse sua mulher.

- Não, eu não estava morto. Foram as cobras que me raptaram e me prenderam entre elas. Hoje é que consegui fugir. Esconda-me porque tenho medo delas virem me buscar. Yobuié pendurou sua rede no ponto mais alto da casa e foi dormir meio assustado. Então as águas do lago começaram a se agitar e transbordaram em ondas que iam uma a uma inundando a aldeia.

As cobras apareceram na superfície para chamar Yobuié. Como ele não aparecia, sua família do lago terminou por voltar para o fundo das águas que por fim baixaram ao nível normal.

Era a família das cobras que desta vez estava triste e com dificuldades, sentindo a falta de Yobuié.

Depois de algum tempo escondido lá em cima em sua rede, Yobuié resolveu ir caçar para ajudar a sua família da terra, que sentia fome. Pegou seu arco e flecha e se arrumou para sair. Sua mulher, com medo, fez todo o esforço para ele desistir da idéia.

- Não tenha medo, dizia Yobuié.

E ele partiu para caçar. A primeira caça que avistou foi um pássaro de crista vermelha. Atirou uma flecha, mas o pássaro voou. A flecha foi então cair na água a dois metros da margem do lago. E Yobuié resolveu ir buscar de qualquer maneira.

Logo que pôs os pés n‘água, deu de cara com uma de suas filhas cobras – Você aqui? Mas sua filha não respondeu. E com muita raiva perguntou – por que você abandonou minha mãe, meus outros irmãos, meus avós e eu?

E como seu pai, de cabeça baixa, não deu resposta, ela gritou: - Já que é assim, nós vamos comer você todinho, papai.

E a filha cobra atacou o pé de Yobuié, mas como era muito pequena ainda, não conseguiu comer mais que o dedão. Seu pai ficou paralisado de dor. Ela então chamou seus irmãos para ajudar a comer seu pai.

E ferozmente eles tentaram comer Yobuié, mas não conseguiram nem mesmo engolir metade de seu pé com suas gargantas pequeninas de filhotes.

Chegou então sua mulher, que conseguiu, cheia de raiva, devorar Yobuié até a metade das pernas.

Então deu lugar à sua sogra, cobra gigante, que num só bote devorou seu genro até a cintura.

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Quando o sogro chegou, antes de começar a comer seu genro, fez as devidas reprovações ao gesto de Yobuié. Este não conseguiu responder e, envergonhado, ficou de cabeça baixa. Foi então que chegaram seus parentes da terra, preocupados com sua demora. Como fazer para livrar Yobuié? Pensaram eles. Se atirarmos flechas nas cobras, acabaremos por matar ele também.

- Ah, já sei, disse um deles. Vamos esmagar o rabo da cobra, ela acabará por abandonar Yobuié.

E assim foi feito. A cobra ferida fugiu e os homens puderam ainda salvar Yobuié e levar ele para a aldeia. Mas daquele dia em diante, ele ficou paralítico dos ombros para baixo. Pouco tempo depois, sentindo-se enfraquecido e próximo da morte, Yobuié reuniu em redor seus parentes e amigos.

- Enquanto eu estava debaixo das águas, as cobras me ensinaram a preparar e tomar esta bebida que é o cipó. Eu não quero morrer sem passar para vocês o meu segredo:

- Corram à mata e juntem todos os cipós que encontrarem.

E todos partiram, e quando voltaram, vinham carregados de muitas espécies de cipós. Yobuié examinou cada cipó, dizendo – Não é este! Até que por fim ele gritou – É esse aqui! Por sorte haviam encontrado um pedaço do verdadeiro cipó.

Yobuié disse ainda: - Isto não é suficiente. Tragam-me agora as folhas de todas as árvores pequenas que vocês encontrarem na mata.

E a busca recomeçou. O doente examinava com muita paciência todas as folhas que eram trazidas e suspirava: - Não, ainda não é esta!

Até que um dia ele gritou: É esta aqui! E ele mostrou a folha do arbusto que chamamos Cauá (ou chacrona).

Nosso antepassado amassou então os talos do cipó, meteu-os numa panela com água e juntou as folhas e pôs os dois para ferver.

Após o cozimento, era coado e posto para esfriar. À noite,eles se reuniram todos, beberam a bebida e tiveram muitas mirações!

Ao saírem daquele estado provocado pela bebida, Yobuié disse: - Eu tive a miração da minha morte bem próxima.

E três dias depois Yobuié morreu.

E foi depois desse dia que todos nós passamos a beber cipó em grupo. Pois é pelo poder do canto que mantemos distância de nós mesmos, de maneira que podemos ver na miração todas as coisas do presente, passado e futuro e do além, que não podemos ver com nossos olhos da carne.

O cipó é fonte de todo saber que existe além de nós. (...) ===

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Os índios tukano do território Uaupés, no nordeste amazônica e na Colômbia, iniciam a cerimônia do yajé (cipó) contando a origem da humanidade:

Tudo começou na primavera, ao meio-dia, quando os rais de sol, princípio masculino fertilizador, marcou os pontos sagrados e fertilizou a Terra. Por este raio desceram gotas de sêmen e surgiram os primeiros homens, que embarcaram numa grande anaconda (serpente) que lhes servia de canoa. A grande canoa-anaconda simboliza a dispersão da humanidade ao longo dos rios. No trajeto dessa longa viagem, a divindade que guiava a canoa ia criando os elementos culturais e estabelecendo seu código moral e social.

De acordo com os índios Desana, num determinado ponto do rio, apareceu uma mulher chamada ―Ghapí Mahsó‖, a Mulher-Yajé, que foi fertilizada através do olho. Os homens estão dentro da casa tomando uma bebida fermentada de milho (chicha) e do lado de fora da casa a mulher estava parindo uma criatura, que era o cipó de yajé ‖... a criança tinha a forma de luz, era humana, porém era luz, era yajé. Ao ver a criança, os homens ficaram aturdidos porque... a mulher os afogou com visões‖. A mulher perguntou:

- ―Quem é o pai desta criança?‖

E um homem arrancou o braço direito da criança e disse: - ―Sou eu.‖

E assim, cada homem arrancou uma parte, despedaçando a criança. Um dos homens, no entanto, não se atirou sobre o menino para despedaçá-lo, ―colheu o primeiro ramo do yajé‖. Os outros se apoderaram do ―seu yajé‖, de acordo com sua posição social. Assim cada tribo adquiriu suas tradições, ritos e cantos; todos descendiam de um grande cipó.

O Menino-Yajé cresceu e se tornou um velho que zelava pelo segredo da ação

alucinógena. Desse velho formaram o sêmen, pois foi o possuidor do yajé.O desejo de possuir o pênis levou à criação do sêmen. O velho era dono do yajé, quer dizer, o dono do ato sexual. Eles são os filhos e ele, o pai.

Para os Tukano do Uaupés, o sentido de tomar o yajé é retornar ao útero, pois lá a pessoa ―vê‖ as divindades tribais, a criação do universo, o primeiro casal, a criação dos animais, a ordem social e a morte. Ao voltar ao estado de transe, a pessoa vê confirmada a verdade do seu universo religioso, porque viu com os próprios olhos as divindades e o mundo mítico; o dono sobrenatural dos animais e das águas, a origem da planta e da vida, os princípios do mal; os jaguares e as cobras, os representantes das doenças e dos espíritos da floresta que perseguem o caçador, os ancestrais dançando ao amanhecer da criação, a origem dos adornos e

instrumentos musicais. As visões abrem novas portas, novas dimensões da realidade onde se estabelece uma conexão com o mundo mágico. ―O mundo dos pássaros-espíritos‖.

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No sul da Venezuela habitam os índios Piaroa, que se denominam ―de‘rua‖ (donos da selva) e ―wathuhe‖, que significa ―povo que conhece‖. Os Piaroa sabem falar a linguagem dos animais, sabem como controlar suas mentes e também adotar formas físicas. Determinados animais como o tapir (anta), o veado e a serpente são reencarnações dos deuses: Wahari, Müeka e Ohuada, e são a memória viva da criação.

Para os Piaroa, as forças criadoras e destruidoras do universo estão relacionadas com o invisível, com a consciência do invisível e com a consciência do universo. No mundo, as coisas surgiram quando Wahari penetrou no invisível, onde só ficavam os deuses. O principal poder do invisível está no interior das rochas e do ar; o acesso a esse lugar no invisível dá aos Piaroa a condição de consertar as imperfeições da criação de Wahari.

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O ritual do da‘da (yajé) remonta até as origens do mundo. Wahari deu à luz após ter ingerido o yajé que lhe foi servido pelo seu ancestral, a serpente. No começo dos tempos, o mundo era escuro e sem formas, só vivia a serpente gigante Ohuada‘e. Essa serpente gerou um filho, Müeka, e lhe deu a missão de tirar o mundo futuro do invisível. Contudo, Müeka arrancou seus próprios olhos das órbitas e só conseguiu formar uma imagem de si mesmo. Essa imagem foi Wahari, que curou a cegueira de Müeka, seu criador, e aí teve a revelação do mundo e da festa Warime, que reúne as crenças mágicas e religiosas dos índios Piaroa.

Wahari era um deus, tinha o poder das visões, poder de criar as coisas, mas não

conseguia governá-las, por isso a serpente gigante Ohuada‘e foi sábia em estabelecer que a vida só teria razão se as visões fossem breves, porque se Wahari ficasse em estado visionário

permanente, a mente não teria retorno ao controle de si mesma para realizar as suas visões, e sendo assim, a vida não poderia existir; tudo seria apenas visão.

Quando Wahari terminou sua criação, ele perdeu sua aparência humana, e sua alma habitou no tapir Ohuo, que é animal sagrado e também o mais perigoso espiritualmente. Comer sua carne é proibido porque contém todas as formas contagiosas. Wahari, depois de dar forma ao mundo, capacitou os animais de reproduzirem-se, já que antes só se reproduziam pedaços sem nexo. Esse poder de multiplicação era poderoso porque podiam se multiplicar dentro da pessoa que os comesse, causando-lhe doenças. Com receio de que os homens o esquecessem, Wahari criou as doenças que seriam transmitidas pelos animais, quando os homens comessem sua carne. Sendo assim, os Piaroa entendem que as doenças são contágios da forma animal. No entanto, isso não tem caráter totalmente negativo, porque serve para os homens lembrarem dos tempos primitivos e tomarem cuidado com as doenças.

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O próximo mito (...) faz parte da cultura dos índios Kawdá, que habitam o Vale de Sibundoy, localizado no Alto Putumayo, zona montanhesa que forma parte da Cordilheira dos Andes, na Colômbia.

O mito é relatado pelo xaman Chindoy:

―No começo do mundo, a Terra estava na escuridão, todos os seres já existiam, até o homem, mas este não tinha a inteligência, vivia em busca de alimentos. Um dia, caminhando para achar o que comer, tropeçaram com o cipó de yajé, partiram´no pela metade e deram para as mulheres experimentarem; foi então que elas tiveram a menstruação. Em seguida, eles o provaram e ficaram extasiados, vendo o pedaço de yajé que sobrara crescer e subir ao céu. Aos poucos, as sombras tomaram formas, e no fundo do céu viram o cipó yajé penetrar numa enorme flor, que ao ser fecundada, se transformou no Sol. Do Sol desceram homens tocando uma música diferente com suas flautas e tambores. Cada melodia se transformava numa cor diferente. Quando chegaram na Terra, se dispersaram e cada um depositou a luz e a cor em cada ser, e quando o mundo ficou iluminado, toda essa sinfonia de luzes e cores fez brotar o

entendimento dos homens, criando, dessa forma, a inteligência e a linguagem‖. Os xamãs usam o yajé porque assim ―se vê o mundo verdadeiramente como é‖, e a inteligência se expande, fazendo tudo claro e harmônico no espírito.

No Peru existe uma canção popular que conta a lenda da ayahuasca (...): no tempo da lua cheia, nos dias em que a luz ilumina a escuridão, os filhos da luz caem do céu, os magos e os xamãs viajam em concordância, seus cantos vão até as cidades. Na luz da ayahuasca, o tempo e a distância não têm limites: viaja espírito, espírito de luz, nas noites mágicas.

Ayahuasca...Ayahuasca... No fundo de uma quebrada morava a alma, filha do sol. Elevava louvores, cantava tristezas, lançava seus rogos e nada faziam por ela. Dela falavam, mas ninguém a olhava. Um dia, a sua sabedoria a mandou subir na mais alta montanha, e aí o Sol, seu pai, lhe falou que a sua mãe era a Terra e a Terra era de Deus. Quem lhe deu a sabedoria para subir foi a ayahuasca.

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*O texto original apresenta muitos erros de português. Alguma coisa pôde ser arrumada, mas as partes mais confusas tiveram que ser mantidas fiéis ao original

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O Rei Salomão no Brasil

(Trechos extraídos de Arthur Franco em "A Idade das Luzes".)

Se parece estranho o conhecimento de terras a Ocidente antes de Colombo, é por pura desinformação histórica. O historiador brasileiro Cândido Costa escreveu em 1900:

"Diodoro de Sicília (90-21 ac) , 45 anos antes da Era Cristã, escreveu grande número de livros sobre os diversos povos do mundo; em seus escritos , designa claramente a América com o nome de ilha, porque ignorava sua extensão e configuração. Essa expressão de ilha é muitas vezes empregada por escritores da antigüidade para designarem um território qualquer. Assim vimos que Sileno chama ilhas a Europa, Ásia e África. Na narração de Diodoro, não é possível o engano quando descreve a ilha de que falamos: "Está distante da Líbia (ou seja, da África) muitos dias de navegação , e situada no Ocidente.

Seu solo é fértil, de grande beleza e regado de rios navegáveis". Esta circunstância de rios navegáveis não se pode aplicar senão a um continente, pois nenhuma ilha do oceano tem rios navegáveis.

Diodoro continua dizendo:

"Ali, vêem –se casas suntuosamente construídas"; sabemos que a América possui belos edifícios em ruínas e da mais alta antigüidade. "A região montanhosa é coberta de arvoredos espessos e de árvores frutíferas de toda espécie. A caça fornece aos habitantes grande número de vários animais; enfim, o ar é de tal modo temperado que os frutos da árvores e outros produtos ali brotam em abundância durante quase todo o ano."

Esta pintura do país e do clima por Diodoro se refere de todo o ponto à América equatorial. Este historiador conta depois como os Fenícios descobriram aquela região:

"Os Fenícios tinham-se feito à vela para explorarem o litoral situado além das colunas de Hércules; e, enquanto costeavam a margem da Líbia (África) foram lançados por ventos violentos mui longe do oceano. Batidos pela tempestade por muitos dias, abordaram enfim na ilha de que falamos. Tendo conhecido a riqueza do solo, comunicaram sua descoberta a todo o mundo. Portanto os Tyrrhenios (outra tradução chamam aos Fenícios de Tyrios)

Nota: os Fenícios são oriundos da Síria , poderosos no mar, quiseram também mandar uma colônia ; porém foram impedidos pelos Cartagineses, que receavam que um demasiado número de seus concidadãos , atraídos pelas belezas desta ilha, desertasse da praia." ("Cândido Costa , As Duas Américas, 1900 (pp.108 – 109, citado em Arthur Franco, A Idade das Luzes, Wodan, 1997, p. 113").

Esta descrição coincide com os relatos do que ocorreu com a frota de Cabral 2500 anos depois, desviada pelas mesmas correntes até o continente do Brasil. Na descrição mais completa do texto do historiador romano vemos com exatidão a descrição do continente americano há 2000 anos atrás:

"No mais profundo da Líbia, há uma ilha de considerável tamanho que, situada como está no oceano, se acha a vários dias de viagem a oeste da Líbia. Seu solo é fértil pois, ainda que montanhosa, conta com uma grande planície. Percorrem-na rios navegáveis que se utilizam para a irrigação , e possui muitas plantações de árvores de todos os tipos e jardins em abundância, atravessados por correntes de água doce e também há mansões de dispendiosa construção, e nos jardins construíram-se refeitórios entre as flores.

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Ali passam o tempo seus habitantes durante o verão, já que a terra proporciona uma abundância de tudo quanto contribui para a felicidade e o luxo. A parte montanhosa da ilha está coberta de densos matagais de grande extensão e de árvores frutíferas de todas as classes, e para convidar os homens a viverem entre as montanhas. Há grande número de acolhedores , vales e fontes. Em poucas palavras, esta ilha está bem provida de poços de água doce que não só se convertem num deleite para quem ali reside senão também para a saúde e vigor de seu corpo. Há igualmente excelente caça de animais ferozes e selvagens de todo o tipo e os habitantes, com toda essa caça para as suas festas, não carecem de nenhum luxo nem extravagância. Pois o mar que banha as costas da ilha contém uma multidão de peixes , e o caráter do oceano é tal que tem em toda sua extensão peixes em abundância, de todas as classes.

Falando em geral, o clima desta ilha é tão benigno que produz grande quantidade de frutos nas árvores e todos os demais frutos da estação durante a maior parte do ano, de modo que parece que a ilha, dada sua condição excepcional , é um lugar para uma raça divina , não humana. Na antigüidade , esta ilha estava descoberta devido à sua distância do mundo habitado, mas foi descoberta mais tarde pela seguinte razão:

"Os fenícios comerciavam desde muito tempo com toda Líbia, , e muito o fizeram também com a parte Ocidental da Europa. E como suas aventuras resultaram exatamente de acordo com suas esperanças , acumularam uma grande fortuna e planejaram viajar além da coluna de Hércules, para o mar que os homens chamam oceano. E, em primeiro lugar , à saída do estreito, junto às colunas , fundaram uma cidade nas costas da Europa, e como a terra formava uma península chamaram à cidade Gadeira (Cádiz). Nelas construíram muitas obras adequadas à natureza da região , entre as quais se destacava um rico templo de Hércules (Melkarth), e ofereceram magníficos sacrifícios que eram conduzidos segundo o ritual fenício..."(p.114). Quanto ao porte dos navios para semelhantes viagens nessa época , as trirremes fenícias em nada deviam às caravelas de vinte cinco séculos mais tarde. Seu comprimento podia atingir de sessenta a setenta metros , comportando até cento e oitenta remadores e uma tripulação de duzentos a trezentos soldados. Pouco se comenta do esplendor das naus gregas ou romanas , mas não se pode negar que Erik, o vermelho, e seu filho, Leif Erikson, seguiram estes antigos passos até mesmo no estilo de seus Knerrir (transatlânticos) e Knorr (navios menores que comportavam as colônias ), no século X d.C. , vencendo mares tão perigosos como os do Atlântico norte para at6ingir a Vinland, na América.

Segundo Cândido Costa, em sua obra de 1900:

"Num escrito de Aristóteles (De Mirab. Auscult. Cap. 84) diz-se que foi o receio de ver os colonos sacudirem o jugo da metrópole cartaginesa e prejudicarem o comércio da mãe pátria que levou o senado de Cartago a decretar pena de morte contra quem tentasse navegar para esta ilha. Aristóteles descreve também uma região fértil, abundantemente regada e coberta de floresta, que fora descoberta pelos cartagineses além do Atlântico (p. 115)

A participação ampla dos fenícios no conhecimento das terras ocidentais explica a grande participação dos judeus nas grandes navegações. Desde o tempo de Salomão, as casas de Hiram e do grande soberano judeu se uniu de tal forma que a construção do Templo de Jerusalém foi feita por arquitetos e pedreiros fenícios, e as misteriosas viagens para descobrir ouro e madeiras para a construção do templo foram feitos conjuntamente.

Este vasto conhecimento dos judeus sobre a ciência da navegação não passou desapercebido por alguns soberanos à época da diáspora, especialmente D. Manuel.

Em 1412 foi fundada a escola de Sagres, primeira academia portuguesa da navegação. Portugal, nesta época, tonara-se o último reduto dos judeus na Europa. A proteção concedida pelos soberanos portugueses aos judeus visava declaradamente atrair os largos conhecimentos hebreus nas matemáticas, na geografia e na astronomia, para calcar os grandes desenvolvimentos levados a cabo nas pesquisas náuticas para lançar Portugal como potência mundial.

O conhecimento das terras do Brasil por Salomão e por Hiram (rei da Fenícia) , conforme a explanação feita por Cândido Costa , é difícil de ser refutada.

Inscrições Fenícias na Bahia e Paraíba.

Entre 1000 aC a 700 aC, período da colonização fenícia no Ocidente, na direção de Cartago, Malta, Sardenha e Espanha. Vários documentos em pedra encontradas no Brasil e EUA, por exemplo, atestam a expansão Fenícia no Ocidente.

No Brasil há registros como os feitos numa memória, do ano de 1753. Seu autor dá notícia de uma cidade abandonada no interior da Bahia, na qual constatou a existência de um palácio,

Referências

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