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Liberdade e Compromisso

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Academic year: 2021

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Liberdade e Compromisso

Estudos dedicados ao Professor

Mário Fernando de Campos Pinto

Volume I

U n i v e r s i da d e C at ó l i C a e d i to r a lisboa 2008

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Nota Introdutória

Isabel Capeloa Gil P.e Duarte da Cunha

“Toda a acção séria e recta do homem é esperança em acto.”

Bento XvI, Spe Salvi

Na conturbada contemporaneidade humana, a rectidão, o com-promisso e a adesão incondicional aos valores de uma vida cristã são características escassamente invocadas quando se reflecte sobre a caminhada dos homens. Não será esse o caso no que ao homena-geado deste volume diz respeito. Nascido em 1931 em Moncorvo, o Professor Mário Fernando de Campos Pinto constitui uma figura insigne de académico e investigador, jurista, professor e político, cuja acção sempre se pautou por uma liderança marcante, assu-mindo-se defensor acérrimo da liberdade e homem de fé.

A Universidade Católica Portuguesa, e em especial, a Faculdade de Ciências Humanas, que dirigiu em três mandatos, durante 13 anos, o primeiro entre 1974 e 1979, o segundo entre 1999 e 2002 e o terceiro entre 2002 e 2005, deve muito do que hoje é à sua orien-tação e ao seu exemplo. Com uma habilidade inexcedível conseguiu congregar em seu torno um grupo notável de personalidades que criaram e solidificaram os hoje consagrados edifícios académicos que constituem a Faculdade de Ciências Humanas, a Faculdade de

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Direito, a Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, o CEA (Centro de Estudos Aplicados), o CEPCEP (Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa), o IEP (Instituto de Estudos Políticos) ou o antigo Centro de Estudos do Trabalho. Na verdade, a história da Universidade Católica em Lisboa é devedora da participação seminal do Prof. Mário Pinto, no lançamento de projectos, na sustentação e estruturação das faculdades, no fomento da investigação, mas também na articulação com a sociedade civil. voz empenhada na defesa da liberdade de ensinar, nunca hesitou na defesa da instituição em momentos difíceis ou quando a sua identidade parecia ameaçada.

Contudo, o seu contributo estendeu-se muito além do serviço à universidade. Como jurista, criou pensamento próprio no âmbito do Direito do Trabalho e marcou gerações de actuais professores universitários. Foi também político, deputado à Assembleia Cons-tituinte e à Assembleia da República, distinguiu-se pelas suas ini-ciativas na área dos Direitos Sociais e do Sindicalismo. Foi Ministro da República para a Região Autónoma dos Açores (1991-1997). São de destacar também as suas iniciativas na área da educação, e o seu empenho na defesa de uma verdadeira liberdade de ensinar, desde que, entre 1988 e 1991 foi Presidente do Conselho Nacional de Educação.

Se no início do século xxi, o conceito de História ultrapassou

a noção, durante muito tempo cultivada, de uma estrutura globa-lizante, que afirmava o predomínio do modelo económico-social e favorecia as forças anónimas em desprimor da subjectividade, é certo que hoje devemos falar das contribuições individuais que engrandecem as instituições e dignificam os Estados. Não é assim apenas uma homenagem de circunstância, o que motiva este volume, mas a necessidade de assinalar o contributo marcante de um homem para o desenrolar histórico da instituição Univer-sidade Católica, mas também da época. O conjunto de estudos coligidos neste volume reflecte de modo caleidoscópico o impacto e o percurso do Professor Mário Pinto e é fruto da amizade e do

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Nota Introdutória 9

reconhecimento de ilustres personalidades, de amigos, colegas e discípulos. Do Direito do Trabalho, à Educação, à Universidade Católica, à Doutrina Social da Igreja e à Solidariedade Social, à Ciência Politica e aos Estudos de Cidadania, o volume reflecte o modo como diferentes especialidades científicas foram tocadas pelo trabalho do homenageado. E porque o percurso da vida é um tes-temunho do compromisso com grandes ideais e um depoimento de fé, aos ensaios de pendor mais académico juntaram-se testemunhos de amigos e colaboradores que atestam o valor do compromisso. Afinal como refere o papa Bento XvI na encíclica Spe Salvi:

A vida humana é um caminho. [...] A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com rectidão. Elas são luzes de esperança.

Os organizadores agradecem a todos os colaboradores os presti-mosos contributos e ao Professor Mário Pinto a esperança que para todos protagoniza.

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Índice

Nota introdutória 7

Curriculum vitae 11

† José, Cardeal-PatriarCa

Igreja e Contemporaneidade 15

Mauríliode Gouveia

O Papel dos Leigos na Renovação da Igreja 27

antónio BaGão Félix

A Doutrina Social da Igreja: um Património da Humanidade 39

P.e duarteda Cunha

Ética e Técnica no Atendimento Social 61

JorGe Miranda

A Constituição Portuguesa e os Direitos dos Trabalhadores 79

eMílio rui vilar

Organizações sem Fins Lucrativos e Cidadania Responsável 95

Manuel BraGada Cruz

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João Carlos esPada

Mário Pinto e a “Disposição Tocquevilliana” 125

Carlos MoruJão

Estado Social, Estado de Guerra, Integração e Cidadania,

segundo Jean-Jacques Rousseau 133

GuilherMed’oliveira Martins

Liberdade de Aprender e Ensinar 159

roBerto Carneiro

Por uma Renovação do Debate Educativo em Portugal 171

adriano Moreira

As Redes Europeias 181

Fernando ilharCo

Um Certo Revelar do Mundo 189

isaBel Casanovaa

Vinte Anos Depois ou A Feitura das Leis Revisitada 193

Maria laura Pires

“Outros Poderes” em Portugal e nos Estados Unidos em 1872 219

isaBel CaPeloa Gil

Da Kulturnation à Kulturgesellschaft – o Paradigma Cultural

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TESTEMUNHOS

JorGe JardiM Gonçalves

Testemunho Pessoal para Publicação em Livro de Homenagem

ao Senhor Professor Mário Pinto 257

† d. Manuel Martins

Um (Quase) Testemunho 263

MiGuel roquete

Testemunho 265

P.e Joséda laPa

O Professor Doutor Mário Pinto Homem da Igreja Marcado

pela Espiritualidade de Pentecostes 277

Referências

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