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AVALIAÇÃO DO IMPACTO SOBRE A FAUNA TERRESTRE

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Academic year: 2021

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AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL DO

PROJECTO DE DESENVOLVIMENTO NO

ÂMBITO DO APP E PROJECTO DE GPL

AVALIAÇÃO DO IMPACTO

SOBRE A FAUNA TERRESTRE

Relatório de Especializado 10

AIA REALIZADA PELA GOLDER ASSOCIADOS MOÇAMBIQUE LDA

COM ORIENTAÇÃO TÉCNICA DE MARK WOOD, COO

RDENADO

R DA AIA, DA MARK WOOD CO

NSULTANTS

ELABORADO POR

Autore: AR Deacon

Apresentado à:

Sasol Petroleum Mozambique Limitada & Sasol Petroleum Temane Limitada

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RESUMO NÃO TÉCNICO

Introdução

A Sasol Petroleum Moçambique (SPM) e a Sasol Petroleum Temane (SPT) encontram-se no processo de propor a implementação do Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do APP e de produção de Gás de

Petróleo Liquefeito (GPL), situado perto de Inhassoro na Província de Inhambane, Moçambique. O projecto

constitui uma expansão do Projecto de Gás Natural da Sasol existente nesta área. As infra-estruturas novas propostas incluem 19 poços (petróleo e gás), as linhas de fluxo associadas e uma nova Central de Colectores (8,8 ha), a partir da qual as linhas de fluxo do petróleo serão combinadas num único tubo que vai para a nova Planta Integrada de Líquidos e de GPL do APP (9,5 ha), construída ao lado da Unidade Central de Processamento (CPF).

Este Estudo

O presente estudo apresenta os resultados duma avaliação do impacto do projecto na fauna terrestre e faz parte duma série de estudos realizados para a Avaliação de Impacto Ambiental do projecto.

O estudo toma em conta as leis e regulamentos de Moçambique, as convenções e protocolos regionais e particularmente os Padrões de Desempenho da Corporação Internacional de Finanças (IFC), especialmente ou Padrão de Desempenho no 6 para a Conservação da Biodiversidade e Gestão Sustentável dos Recursos

Naturais Vivos, como suporte da avaliação e das recomendações apresentadas no relatório.

Metodologia

O levantamento usou a disponibilidade de habitats nos diferentes tipos de vegetação, com o uso da presença de espécies como indicador da integridade dos habitats. Foi feito o mapeamento dos habitats juntamente com os especialistas de vegetação e de terras húmidas (De Castro e Grobler), usando imagens de satélite com verificação no terreno. Foram avaliados os perfis dos habitats, juntamente com dados da distribuição por espécie, para facultar informações exactas sobre a probabilidade da ocorrência das espécies nos biótopos relevantes.

Em relação à presença das espécies, o levantamento foi desenhado para determinar a abundância relativa e a riqueza das espécies de fauna nas áreas de levantamento propostas, com particular ênfase nas espécies constantes das Listas Vermelhas da CITES e da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A abordagem do estudo envolveu buscas meticulosas em todos os transectos fixos nos biótopos representativos para determinar a presença ou ausência de espécies de anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Onde necessário, foram implementados métodos para aumentar as possibilidades de encontrar espécies, o que incluiu a captura em armadilhas, buscas nocturnas com holofotes e a identificação através de rastos e excrementos.

O Ambiente de Referência

O estudo considera a ocorrência de fauna em cada um dos biótipos identificados.

Os biótipos da Mistura de Florestas e Bosques potencialmente suportam uma gama mais diversificada de fauna terrestre (362 e 363 espécies, respectivamente). Nestes biótipos, é provável a ocorrência de 7 espécies de rãs, 51 de répteis, 213 de aves e 92 de mamíferos. Treze destas espécies poderão constar da Lista Vermelha, incluindo dois abutres, o abutre-real (Torgos tracheliotus) e o abutre-de-cabeça-branca (Trigonoceps occipitalis), as aves de rapina incluindo a águia-sem-rabo (Terathopius ecaudatus), o tartaranhão-rabilongo (Circus macrourus), a águia-belicosa (Polemaetus bellicosus), a águia-coroada (Stephanoaetus coronatus) e o falcão-sombrio (Falco concolor). Também ocorrem muito provavelmente em pequenos números nos habitats mais densos o rolieiro-europeu (Coracias garrulus), o beija-flor-de-garganta-azul (Anthreptes reichenowi) e o secretário (Sagittarius serpentarius), o morcego-focinho-de-folha-estriado (Hipposideros vittatus), e o esquivo leopardo (Panthera pardus).

O tipo de vegetação das Florestas e Bosques de Julbernardia-Brachystegia na área de estudo tem um habitat disponível para 7 espécies de rãs, 51 de répteis, 215 de aves e 89 de mamíferos. As mesmas treze espécies da Lista Vermelha que ocorrem no tipo de vegetação do Mosaico Misto de Florestas e Bosques ocorrem nas Florestas de Julbernardia-Brachystegia, indicando uma estrutura e função semelhantes dos dois tipos de floresta.

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Os tipos de bosque de ambos os tipos de floresta incluem fragmentos de folhagem densa que uma série de espécies de animais esquivos precisam como habitat principal. Há 28 espécies que precisam destes aspectos de habitat denso para a sua sobrevivência, compreendendo 2 espécies de répteis, 18 de aves e 8 de mamíferos.

O conjunto da fauna dos bosques é também constituído pelos animais que frequentam as Florestas Costeiras e de Dunas, ambos habitats com uma vegetação lenhosa densa e copas fechadas. Embora as florestas sejam o habitat favorito da quase ameaçada águia-coroada (Stephanoaetus coronatus), ela pode afastar-se bastante da floresta para caçar. O quase ameaçado beija-flor-de-garganta-azul (Anthreptes

reichenowi) ocorre na cobertura profunda da vegetação e irá afastar-se se o habitat dos bosques for

comprometido.

Espera-se encontrar a segunda maior diversidade de fauna nas Terras Húmidas Costeiras, com 156 espécies. Estas terras húmidas têm um habitat excelente para 29 espécies de rãs, 7 de répteis, 92 de aves e 28 de mamíferos. Poderão ocorrer aqui cinco espécies da Lista Vermelha. Prováveis espécies de fauna da Lista Vermelha incluem a tartaruga de carapaça ondulada do Zambeze (Cycloderma frenatum), bem como as aves de rapina constantes da Lista Vermelha, o tartaranhão-rabilongo (Circus macrourus) e o falcão-sombrio (Falco concolor). É provável que o quase ameaçado flamingo-pequeno (Phoeniconaias

minor) poderá visitar estas terras húmidas, especialmente as Lagoas Barreiras. O estatuto do

hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius) na área é incerto, mas existe um bom habitat para hipopótamo.

O Rio Govuro e planície de inundação é a maior terra húmida na área e a maioria das espécies de fauna a serem encontradas nas outras terras húmidas irão ocorrer aqui. As espécies de fauna incluem 29 espécies de rãs, 7 de répteis, 74 de aves e 33 de mamíferos. Poderão ocorrer quatro espécies da Lista Vermelha aqui. Espera-se que ocorra o único réptil da Lista Vermelha, a tartaruga de carapaça ondulada do Zambeze (Cycloderma frenatum). Movimentando-se entre habitats, as aves de rapina da Lista Vermelha, a tartaranhão-rabilongo (Circus macrourus) e o falcão-sombrio (Falco concolor), também usam todas as diferentes áreas de terra húmida. O estatuto do hipopótamo-comum (Hippopotamus amphibius) no rio é incerto.

Embora os Mangais não tenham sido incluídos nos levantamentos intensivos, está claro que este biótopo está associado com os Rios Costeiros, que os abastecem com água doce. Para além dos lodaçais extensos com milhares de aves pernaltas de água doce e de água do mar que se alimentam aqui, a água mais profunda dos Mangais é um habitat favorável para o mamífero marinho constante da Lista Vermelha, o dugongo (Dugong dugong).

Impactos na Fase de Construção

O estudo considerou o local da Planta de Líquidos do APP, que fica ao lado da CPF e cobre uma área de 9,5 ha), bem como os locais das estradas de acesso, as linhas de fluxo e os poços de petróleo e de gás do projecto. O local da Planta de Líquidos do APP é ideal para uma expansão da CPF, do ponto de vista do impacto sobre a fauna, situando-se imediatamente adjacente à planta existente e dentro da área já afectada pelas actividades na CPF. No local da planta não foram encontradas, ou são esperadas de ocorrer, espécies de fauna da Lista Vermelha, nem há quaisquer fragmentos de habitats com alta diversidade que serão perdidos e que tipicamente servem como refúgios para a fauna. Na condição de haver uma gestão apropriada da poluição relacionada com a construção, e uma prevenção da caça ou perseguição de qualquer fauna encontrada, considera-se por isso de baixa significância o impacto geral da construção associada com a planta de Líquidos do APP e do GLP na fauna.

Para as estradas de acesso, as linhas de fluxo e os locais de poços foram consideradas uma série de impactos relacionados com a construção que potencialmente afectam a fauna terrestre. Estes incluem os seguintes:

ƒ

Impacto da Perda de Habitat: Uma avaliação no terreno das estradas de acesso, linhas de fluxo e

áreas de poços da Sasol existentes na área de estudo mostrou que os impactos da construção anterior foram rigorosamente contidos e não vão significativamente para além da pegada das instalações em causa. Não há evidência de erosão ou poluição causada por qualquer uma das infra-estruturas existentes e isto dá uma boa indicação do que se pode esperar com respeito ao projecto actual.

ƒ

Oitenta por cento das infra-estruturas novas das linhas de fluxo estará situado ao longo de estradas existentes. Isto aumenta para 96,5% se forem incluídos outros corredores de perturbação existentes, como antigas linhas sísmicas. Visto a existência de muito bom acesso por estrada, a necessidade de

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desbravar vegetação será muito reduzida, sendo apenas necessário o desbravamento duma pequena área adicional ao lado das estradas existentes para as linhas de fluxo. A área total de perturbação do habitat será na ordem dos 166,7 ha, o que é uma pequena fracção do habitat semelhante disponível na área de estudo e uma proporção mínima deste habitat em Moçambique, que se estende sobre muitos milhões de hectares. Assim, é provavelmente baixa a significância do efeito directo geral duma redução da disponibilidade de habitat na ocorrência e diversidade da fauna.

ƒ

Impacto da Perturbação da Fauna (barulho e poeira): A construção irá envolver uma série de

actividades perturbadoras incluindo trabalhos de terraplenagem, obras civis, perfuração, colocação de tubos, soldadura e testes. Os impactos relacionados com incómodos incluirão poeira, barulho e vibrações. Estes impactos podem causar impactos locais nas espécies por um curto período, mas não é provável que qualquer um destes efeitos resulte em mais que uma diminuição temporário das populações das espécies mais sensíveis aos incómodos (espécies de pequenos antílopes, aves de rapina e aves de nidificação) perto dos locais. O impacto é insignificante

ƒ

Impacto da poluição relacionada com a construção: As equipas de construção empregam uma série de materiais que poderão causar poluição se forem libertados no ambiente natural ou causar a produção de resíduos, que podem ser resíduos gerais, perigosos, ou problemáticos. Nos locais de perfuração, os resíduos incluirão todas as três categorias - lixo doméstico geral, óleo/diesel usado, água de lavagem da plataforma de perfuração e água da chuva contaminada, amparas de perfuração, lamas de perfuração e aditivos, água de processo, óleo/diesel/fluidos hidráulicos usados, ácidos/tensioactivos/solventes para limpeza, baterias, pesticidas e tinta. O acabamento dum poço também envolve a ignição de fluidos do poço numa cova de queima na área de poço. Ao longo das linhas de fluxo os resíduos incluirão lixo doméstico, possivelmente alguns óleos e lubrificantes usados, resíduos de soldadura, aparas dos calços dos tubos e resíduos de embalagens (papel, cartão, madeira). Durante o comissionamento das linhas de fluxo, será produzida água do teste hidráulico, provavelmente contendo inibidores de corrosão e biocidas, podendo ser ambos tóxicos e causar a mortalidade de fauna aquática se forem libertados no ambiente natural.

Enquanto muitos destes resíduos são potencialmente perigosos para a fauna se são libertados no ambiente, todos eles podem ser geridos para reduzir o risco de poluição para baixos níveis de significância. Nos projectos anteriores da Sasol a construção de poços e linhas de fluxo tem sido controlada por meio de Planos de Gestão Ambiental, que mostraram ser eficazes na gestão as actividades dos empreiteiros de construção. O Estudo Especializado no 8, Resíduos, conclui que, sob

condição de se implementar os requisitos dos PGA’s, os riscos de poluição são baixos. Não se observou nenhuma poluição residual em qualquer parte nas áreas onde a Sasol tem sido activo com a pesquisa e produção e assim considera-se ser baixa a significância do risco para a fauna decorrente da poluição causada pela construção.

ƒ

Impacto da Caça e Perseguição: A presença de equipas de construção é uma causa possível da

mortalidade de fauna bravia, principalmente a medida que as equipas não são apropriadamente geridas e o pessoal da construção ou caça os animais selvagens para comida ou venda, ou persegue-os. O último caso aplica-se particularmente aos répteis, que são mortos pelo pessoal no local, a não ser que se promovam e imponham medidas específicas para prevenir isto através da PGA para a construção. O actual PGA-c da Sasol proíbe a caça ou perseguição de animais selvagens. Sujeito à aplicação dos requisitos do PGA e a educação permanente do pessoal durante a vigência do contrato sobre a conservação da fauna bravia, o potencial impacto sobre a fauna bravia deve ser insignificante.

ƒ

Impacto de Matanças na Estrada e nas Valas Abertas: Em contractos de construção anteriores da

Sasol foram registadas mortes ocasionais de animais selvagens em consequência de colisões com veículos. Não são contudo comuns e é improvável serem significantes na Área de Estudo, desde que se apliquem os limites de velocidade. No caso das linhas de fluxo, há também um possível risco para os pequenos mamíferos, rãs e répteis de serem presos na vala aberta. O actual PGA-c da Sasol não menciona matanças nas valas e o requisito de preservar a fauna bravia deve ser alargado no sentido de fazer referência à libertação de animais presas nas valas das linhas de fluxo.

ƒ

Impacto de Queimadas: Há um risco aumentado de queimadas em consequência da presença do

pessoal de construção na área de estudo. A sua probabilidade está principalmente relacionada com a gestão do fumo. O efeito de queimadas pode ir muito além dos limites do local e na altura errada do ano pode ter um impacto sério na disponibilidade de habitat para as espécies da fauna bravia, causando mortes devido à fome. A significância do risco para a fauna bravia causado por queimadas é

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moderada e pode ser reduzido para baixa ou insignificante desde que se educam as equipas contratadas a este respeito e se colocam uma restrição nas áreas nas quais o fumo é permitido.

ƒ

Impacto sobre as Espécies da Lista Vermelha e nos Habitats Sensíveis: Não foram encontradas

espécies de fauna terrestre da Lista Vermelha nos levantamentos de campo para o projecto. Embora se espera a ocorrência de fauna constante da Lista Vermelha na Área de Estudo, como descrito no Capítulo 5, não há locais conhecidos de espécies da Lista Vermelha na Área de Estudo que serão impactadas pelo projecto e que iriam justificar uma mudança na localização dos poços, linhas de fluxo ou estradas de acesso. Visto que grande parte da infra-estrutura de estradas proposta já existe, o impacto adicional das linhas de fluxo e poços adjacentes será relativamente menor e é muito improvável que a construção irá impactar directamente nas espécies da Lista Vermelha.

ƒ

No que se refere aos habitats sensíveis, a significância do impacto directo das estradas, poços e linhas de fluxo do APP propostos será baixa, com excepção de algumas áreas localizadas, como aglomerados de grandes árvores em redor de morros de muchém e fragmentos de floresta densa remanescentes, que criam microambientes que são habitats ricos em espécies de fauna. A significância deste impacto sobre a fauna é moderada e pode ser reduzida para baixa se são implementadas as recomendações feitas no Estudo Especializado no 9, Diversidade Botânica e

Habitats, que implicam pequenas mudanças na localização de alguns dos poços e linhas de fluxo.

Impactos na Fase Operacional

O acesso melhorado incentiva o povoamento. As estradas oferecem um meio vital para a expansão da agricultura nas áreas que eram anteriormente demasiado remotas para serem trabalhadas. Isto resulta na perda de habitat e numa redução correspondente das populações de fauna bravia. Além disso, nas áreas onde novos acessos para o projecto penetram os habitats mais remotos (Figura 6-2), a fauna bravia torna-se mais vulnerável à caça, e os animais de caça preferidos pelos caçadores locais ficam reduzidas.

Embora haja bom acesso em grande parte da área de estudo, restam algumas áreas que são relativamente remotas e onde a fauna bravia tem escapado à sobreexploração. Isto é particularmente o caso da área isolada a nordeste de Mapanzene, que inclui as comunidades da Floresta Costeira e da Floresta de Dunas, o maior Rio Costeiro na área de estudo e os Mangais na foz do rio. Segundo o Estudo Especializado no 9,

Biodiversidade Botânica e Habitat, esta área satisfaz os critérios para a sua definição como um Habitat

Crítico nos termos do Padrão de Desempenho no 6 da IFC. A presença de babuínos da espécie de Papio

ursinus (avistados) e do leopardo (reportado) nesta área entre Mangarelane 1 e Mapanzene durante os estudos de campo é indicativo da sensibilidade da área, visto que estas espécies são apenas encontradas em lugares que proporcionam uma protecção razoável da acção dos homens.

Espera-se que o novo acesso aos poços I-G6PX-1 e I-G6PX-6 irá melhorar significativamente o acesso ao Habitat Crítico, causando um risco aumentado de destruição do habitat e de caça e perseguição da fauna. É altamente provável que as espécies sensíveis, como os babuínos e o leopardo, e muitas outras espécies que encontram refúgio nesta área isolada, serão perdidas. Considera-se a significância do impacto sobre a fauna ser alta.

Mitigação Recomendada

Abaixo vêm descritas as recomendações para a mitigação e monitorização dos impactos na fauna terrestre identificada.

Impacto de perda de habitat

ƒ Cumprir com os requisitos da CPF existente para minimizar os impactos nos habitats para além da pegada do projecto.

Impactos de perturbação (barulho e poeira)

ƒ Cumprir com os requisitos da CPF existente para minimizar os impactos de barulho e poeira nos habitats.

Impacto da poluição

relacionada com a construção

ƒ Cumprir com os requisitos do PGA-c existente para minimizar a probabilidade e as consequências de qualquer incidente relacionado com a poluição;

ƒ Emendar o PGA-c para incluir um requisito adicional de realizar testes de rastreio de bioensaio como base para a libertação da água do teste hidráulico no ambiente. O actual PGA-c apenas faz uma afirmação geral em relação à gestão da poluição causada pela água dos testes hidráulicos. Nos testes de

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rastreio realizados para a construção do Gasoduto Moçambique - Secunda da Sasol, com peixe (Poecilia reticulata) e a pulga de água (Daphnia pulex) constatou-se que a água não podia ser libertada directamente no ambiente natural e que era necessária a sua contenção, seguida de evaporação ou diluição, para garantir que não houvesse letalidade de organismos aquáticos (Conselho Sul-africano de Pesquisas Científicas e Industriais - CSIR, 2003). Além disso, porque as águas afectadas por biocidas e inibidores de corrosão são consideradas ‘águas residuais industriais complexas’, das quais a análise química padrão da qualidade do efluente descreve a toxicidade

inadequadamente, os bioensaios constituem a metodologia de ensaio apropriada.

Impacto da caça e perseguição

ƒ Cumprir com os requisitos do PGA-c existente para minimizar o risco de caça e perseguição dos animais selvagens

Impacto de matanças na estrada e nas valas abertas

ƒ Cumprir com os requisitos do PGA-c existente.

ƒ Incluir requisitos de inspecções diárias para libertar animais que poderão ter caído na vala durante a noite.

Impacto (directo) na Fauna da Lista Vermelha e nos Habitats Sensíveis

ƒ Deslocar os poços e linhas de fluxo que estão situadas em microambientes que se encontram em habitats ricos em espécies de fauna, nomeadamente T-G8PX-2 (50 m), T-G8-PX5 (500 m), T-G8PX-3 (90 m), e I-G6PX-5 (60 m). ƒ Emendar o PGA-c existente para gerir os impactos em caso de se encontrar por

acaso espécies da Lista Vermelha. Impacto de

Incómodos e Perseguição

ƒ A Sasol encontra-se no processo de preparação de cursos de formação, cobrindo todas as questões ambientais relacionadas com a operação da CPF. Estes cursos de formação irão incluir material didáctico sobre a conservação da fauna bravia para sensibilizar os trabalhadores e empreiteiros da Sasol.

Impacto (indirecto) do Acesso

Melhorado

ƒ Deslocar os poços e linhas de fluxo que estão situadas no habitat crítico do principal rio costeiro na área de estudo, nomeadamente I-G6PX-1 (deslocar 750 m para o oeste) e I-G6PX-6 (deslocar 690 m para o oeste na área de poço existente I-6). A Figura 6-2 mostra a localização da área definida como de habitat crítico e a deslocação dos poços G6PX-1 e I-G6PX-6.

ƒ Consultar o Governo para determinar como todas as partes poderão cooperar no sentido de incentivar o uso sustentável do habitat crítico no futuro.

Monitorização dos Impactos

ƒ Cumprir com os requisitos dos PGA-c e PGA-d existentes

ƒ Alargar a monitorização de base do habitat definido como crítico para incluir trabalho de campo sazonal mais abrangente, que pode ser usado como base do planeamento futuro detalhado do uso sustentável da área. A Sasol deve assumir responsabilidade por esta monitorização inicial. Depois disso qualquer monitorização subsequente poderá ser determinada através de discussões entre as partes pertinentes. A monitorização deve incluir as Florestas Costeiras e de Dunas, o Rio Costeiro e os Mangais.

Os autores reconhecem que podem existir vários factores que podem influenciar a viabilidade de mudança dos poços e das linhas de fluxo. Os factores que se encontram fora do âmbito do presente estudo não foram tomados em consideração, e as recomendações são puramente baseadas na conveniência da mudança de um ponto de vista de fauna terrestre. Antes de se finalizarem os posicionamentos dos poços e das linhas de fluxo talvez tenham que ser tomados em consideração outros factores, os quais devem ser avaliados na AIA.

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Conclusões

A significância dos impactos na fauna terrestre na fase de construção será baixa a insignificante, sujeito à implementação dos requisitos dos PGA-c e PGA-d existentes, versão alterada. Os impactos na fase de construção ao longo dos poços e linhas de fluxo consistem principalmente no desbravamento das áreas, perturbação, riscos de poluição menores e as actividades das pessoas na área imediata da construção. O período de construção é relativamente curto e as áreas são pequenas e controladas. Grande parte das estradas de acesso, necessárias para apoiar a construção das linhas de fluxo, já existe. Os impactos podem ser mitigados com sucesso pela implementação dos PGA’s existentes com pequenas alterações, particularmente se houver ligeiros ajustamentos de alguns dos locais dos poços para evitar microambientes de alta biodiversidade.

Durante a fase operacional, os impactos relacionados com perturbações serão menores. A principal preocupação será a acessibilidade aumentada facultada pelas novas estradas de acesso numa área de habitat crítico perto da costa, consistindo nas Florestas Costeiras e de Dunas, um Rio Costeiro e um grande Mangal. O acesso melhorado a áreas anteriormente remotas tem mostrado ter efeitos graves no habitat, o que, juntamente com uma pressão crescente dos caçadores devido à acessibilidade melhorada, pode ter um efeito grave nas populações de fauna. Enquanto grande parte da Área de Estudo tem bom acesso existente, a área de habitat crítico está relativamente isolada e o acesso a dois dos novos poços irá aumentar significativamente o risco de impactos secundários nesta área. A significância do impacto não mitigado é considerado alto, mas sujeito à deslocação dos poços e outras acções necessárias para garantir que o habitat é protegido, a significância pode ser reduzida a baixa.

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LISTA DE ACRÓNIMOS

AIA Avaliação de Impacto Ambiental

AID Área de Influência Directa

AII Área de Influência Indirecta

APP Acordo de Partilha de Produção

CITES Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora

Selvagens Ameaçadas de Extinção

cm centímetro

CMH Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos

CPF Central Processing Facility (Unidade Central de Processamento)

CPP Contrato de Produção de Petróleo

E Este

EDM Electricidade de Moçambique

EN Endangered (Em perigo)

EN-1 Estrada Nacional No 1

ENH Empresa Nacional de Hidrocarbonetos

GLP Gás Liquefeito de Petróleo

GPS Sistema de Posicionamento Global

h hora

IFC Internacional Finance Corporation (Corporação Internacional de Finanças)

km quilómetro

KNP Parque Nacional Kruger

m metro

MMscfd Million standard cubic feet per dia (milhões de pés cúbicos padrão por dia) MSP Mozambique-Secunda Pipeline (Gasoduto Moçambique – Secunda) NT Near-threatened (Quase ameaçada)

OAL Oficial Ambiental no Local

pm post meridium (indicando o período de tempo do meio-dia a meia-noite)

PS Pontos de significância

RDC República Democrática do Congo

RR Reporting Rate (Frequência de Notificação)

S Sul

SPM Sasol Petroleum Moçambique

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UICN União Internacional para a Conservação da Natureza

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DEFINIÇÕES

Arenosols Háplicos Solos arenosos castanho-acinzentados associados com as dunas

marítimas das áreas costeiras

Diurnal Activo durante as horas do sol Estivado Enterrado e dormente

Eulitoral Marginal Índices de Integridade de

Habitat

Os níveis de aptidão do habitat para as espécies

Miombo Savana de de folhas largas Montano De montanhas

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ÍNDICE

Introdução ... 1 

Este Estudo ... 1 

Metodologia ... 1 

O Ambiente de Referência ... 1 

Impactos na Fase de Construção ... 2 

Impactos na Fase Operacional ... 4 

Mitigação Recomendada... 4 

Conclusões ... 6 

1.0  INTRODUÇÃO ... 1 

1.1  Visão Geral do Projecto ... 1 

1.2  Âmbito do Estudo Especializado ... 3 

1.3  Dados do(s) autor(es) ... 3 

2.0  DESCRIÇÃO DO PROJECTO ... 4 

2.1  Os Poços ... 4 

2.2  As Linhas de fluxo ... 4 

2.3  O 5o trem de gás (Projecto de gás do APP) ... 4 

2.4  A Planta de Líquidos e GLP do APP ... 4 

2.5  Planta Independente de GPL ... 5 

3.0  QUADRO LEGAL E ORIENTAÇÕES ... 6 

3.1  Legislação moçambicana ... 6 

3.2  Convenções ... 6 

3.3  Padrões de Desempenho da IFC ... 7 

3.4  Compromissos existentes da Sasol ... 7 

4.0  METODOLOGIA DO ESTUDO ... 8 

4.1  Visão geral ... 8 

4.2  Levantamento da informação existente ... 8 

4.3  Locais de levantamento ... 8 

4.4  Abordagem do levantamento de campo e relatórios ... 15 

4.5  Métodos do levantamento da fauna... 15 

4.5.1  Abundância e densidade relativas ... 15 

4.5.2  Metodologia detalhada ... 16 

4.6  Critérios de Classificação da Avaliação dos Impactos ... 19 

5.0  O AMBIENTE DE REFERÊNCIA ... 22 

5.1  Habitats ... 22 

5.1.1  Mistura de Florestas e Bosques ... 22 

5.1.2  Mosaico de Florestas e Bosques de Julbernardia-Brachystegia ... 23 

5.1.3  Florestas Costeiras e de Dunas ... 25 

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5.1.5  Rio Govuro (incluindo a planície de inundação) ... 25 

5.1.6  Rios Costeiros (perenes a sazonais) ... 26 

5.1.7  Linhas de Drenagem Efémeras (incluindo as terras húmidas) ... 27 

5.1.8  Mangais ... 27 

5.1.9  Lagoas Barreiras ... 29 

5.1.10  Áreas cultivadas ... 30 

5.2  Viabilidade dos habitats ... 30 

5.3  Conjuntos de fauna e potencial habitat ... 31 

5.3.1  Rãs... 31 

5.3.2  Répteis ... 33 

5.3.3  Aves ... 36 

5.3.4  Mamíferos ... 42 

5.3.5  Sumário de toda a fauna ... 45 

5.3.6  Discussão ... 46 

5.3.7  Impacto Humano na ecologia local ... 49 

5.3.8  Áreas com menor impacto - “Habitats não transformados” ... 52 

6.0  IMPACTOS DO PROJECTO ... 55 

6.1  Impactos na Fase de Construção ... 55 

6.1.1  Impacto dos poços e linhas de fluxo ... 55 

6.1.2  A Planta dos Líquidos e GPL do APP e o 5º Trem de Gás ... 59 

6.2  Impactos na Fase Operacional ... 60 

6.2.1  Impacto dos Poços e Linhas de Fluxo ... 60 

6.2.2  Impactos da Planta dos Líquidos e GPL do APP e do 5º Trem de Gás ... 63 

7.0  MITIGAÇÃO E MONITORIZAÇÃO RECOMENDADAS ... 65 

8.0  CLASSIFICAÇÃO DA SIGNIFICÂNCIA DOS IMPACTOS ... 67 

9.0  CONCLUSÕES ... 69 

10.0 BIBLIOGRAFIA ... 70 

TABELAS Tabela 3-1: Leis Protegendo a Biodiversidade e Áreas de Conservação ... 6 

Tabela 3-2: Convenções sobre habitats e diversidade biológica ... 6 

Tablela 4-1: Transectos do levantamento usados para os estudos de fauna (Fevereiro de 2014) ... 13 

Tabela 4-2: Sistema de pontuação para a avaliação de impactos ... 20 

Tabela 4-3: Classificação da significância dos impactos ... 20 

Tabela 4-4: Tipos de impactos ... 21 

Tabela 5-1: Componentes importantes dos habitats da fauna dos tipos de vegetação de Mistura de Florestas e Bosques ... 23 

Tabela 5-2: Componentes importantes dos habitats da fauna do tipo de vegetação de Florestas e Bosques de Julbernardia-Brachystegia ... 24 

Tabela 5-3: Componentes importantes dos habitats da fauna das Florestas Costeiras e de Dunas ... 25 

Tabela 5-4: Componentes importantes dos habitats da fauna do sistema do Rio Govuro ... 26 

Tabela 5-5: Componentes importantes dos habitats da fauna do sistema de Rios Costeiros... 27 

(15)

Tabela 5-7: Componentes importantes dos habitats da fauna nas Lagoas Barreiras ... 30 

Tabela 5-8: Rãs encontradas (12 espécies) nos habitats naturais disponíveis da Área de Estudo durante o levantamento de 2014 (ver Anexo A para os detalhes). (Células sombreadas = habitat preferido; número na célula = número de exemplares detectados durante os diferentes levantamentos). ... 32 

Tabela 5-9: Espécies de répteis encontradas ou comunicadas (23 espécies) nos habitats naturais disponíveis da Área de Estudo durante o levantamento de 2014 (ver Anexo B para os detalhes). (Células sombreadas = habitat preferido; número na célula = número de exemplares detectados durante os diferentes levantamentos. ... 34 

Tabela 5-10: Disponibilidade de habitat para espécies de répteis de preocupação na área de estudo, indicando o requisito de habitat, e os tipos de vegetação com habitat apropriado. ... 35 

Tabela 5-11: Espécies de aves registadas na área de estudo no levantamento de verão (Fevereiro de 2014) (a vermelho = Espécies Especiais) ... 37 

Tabela 5-12: Disponibilidade de habitat para as espécies de aves de preocupação na área de estudo, indicando os requisitos de habitat, e os tipos de vegetação com o habitat apropriado. ... 39 

Tabela 5-13: Disponibilidade de habitat para a espécies de mamíferos de preocupação, indicando os requisitos de habitat, e os tipos de vegetação associada com habitats comparáveis. ... 44 

Tabela 5-14: Sumário dos grupos de fauna por habitat. ... 45 

Tabela 5-15: Fauna que precisa dum habitat de bosque para a sua sobrevivência (espécies da Lista Vermelha a vermelho) ... 47 

Tabela 6-4: Proximidade dos Poços e Linhas de Fluxo propostas dos Habitats Sensíveis ... 59 

Tabela 6-5: Fauna selvagem vulnerável à caça ... 61 

Tabela 6-6: Acções relacionadas com o homem incentivadas pelo acesso e que podem impactar nas populações de fauna ... 62 

Tabela 8-1: Matriz da avaliação dos impactos ambientais das estradas de acesso, linhas de fluxo e áreas de poço – fase de construção ... 67 

Tabela 8-2: Matriz da avaliação dos impactos ambientais da planta de Líquidos e do GLP do APP e o 5º Trem de Gás – fase de construção ... 67 

Tabela 8-3: Matriz da avaliação dos impactos ambientais das estradas de acesso, linhas de fluxo e áreas de poço – fase operacional ... 68 

Tabela 8-4: Matriz da avaliação dos impactos ambientais da planta de Líquidos e do GLP do APP e o 5º Trem de Gás – fase operacional ... 68 

FIGURAS Figura 1-1: Elementos da Proposta do Desenvolvimento do APP e do Projecto de GLP ... 2 

Figure 4-1: Locais de levantamento da fauna no tipo de vegetação de Mistura de Florestas e Bosques ... 10 

Figura 4-2: Locais de levantamento da fauna no tipo de vegetação de Floresta de Julbernardia-Brachystegia, do Rio Govuro e planície de inundação associada (Transectos 14-17), e das Lagoas Barreiras (Transectos 18-19). ... 11 

Figura 4-3: Locais de levantamento da fauna nos Rios Costeiros e Mangais. ... 12 

Figura 4-4: Uma armadilha para borboletas. ... 19 

Figura 5-1: Mangais e áreas marinhas pouco fundas com leitos de ervas marinhas na foz dum rio costeiro a jusante de I-G6PX-1. ... 28 

Figura 5-2: Floresta de Julbernardia-Brachystegia – floresta aberta com fragmentos de bosques mais densos... 46 

Figura 5-3: Floresta Mista com o bosque mais denso sobre morros de muchém. ... 46 

Figura 5-4: A área de mangal principal e os Rios Costeiros em terra. ... 49 

Figura 5-5: O desbravamento da Floresta de Julbernardia-Brachystegia para o estabelecimento de campos agrícolas. ... 50 

(16)

Figura 5-7: Áreas com densidade populacional mais baixa que não são extensivamente usadas, demarcadas em

quatro zonas de “Habitats Não Transformados”... 54 

Figura 6-1: Linhas de Fluxo onde serão necessárias novas estradas de acesso ... 55 

Figura 6-2: Habitat crítico suportando o Rio Costeiro Mapanzene ... 63 

FOTOGRAFIAS Fotografia 4-1: A cerca de deriva da armadilha. ... 18 

Fotografia 4-2: Os baldes que funcionam como armadilhas ... 18 

Fotografia 4-3: As armadilhas cheias de animais capturados. ... 18 

Fotografia 4-4: Uma armadilha do tipo Sherman para roedores colocada para uma noite de captura. ... 19 

Fotografia 5-1: Floresta Mista - floresta aberta com fragmentos de gramíneas. ... 22 

Fotografia 5-2: Bosque na Floresta Mista - cobertura densa de arbustos baixos, com árvores maiores a sobressair num morro de muchém antigo. ... 22 

Fotografia 5-3: Floresta-floresta aberta de Julbernardia-Brachystegia com fragmentos de gramíneas. ... 24 

Fotografia 5-4: Bolsas de bosque de floresta fechada baixa com árvores e arbustos mais altos. ... 24 

Fotografia 5-5: Um bosqu de dunas ... 25 

Fotografia 5-6: Florestas Costeiras e de Dunas - florestas densas com copas fechadas. ... 25 

Fotografia 5-7: O canal principal no Rio Govuro durante altos fluxos no verão. ... 26 

Fotografia 5-8: Os braços mortos do rio, inundando a vegetação marginal na planície de inundação. ... 26 

Fotografia 5-9: Um rio costeiro - pequenas áreas de água superficial aberta formam um habitat de água estagnada. ... 27 

Fotografia 5-10: Um rio costeiro, coberto por vegetação emergente e inundada. ... 27 

Fotografia 5-11: Mangais a jusante de I-G6PX-1. ... 29 

Fotografia 5-12: Mangais perto da costa. ... 29 

Fotografia 5-13: A maior das duas lagoas barreiras perto de T-19A. ... 30 

Fotografia 5-14: Vegetação marginal ao longo das margens da lagoa barreira. ... 30 

Fotografia 5-15: Gaivão-papa-lagartos (Kaupifalco monogrammicus) ... 38 

Fotografia 5-16: Abelharuco-dourado (Merops pusillus) ... 38 

Fotografia 5-17: Musaranho-almiscarado-vermelho (Crocidura hirta) ... 43 

Fotografia 5-18: Macaco-cão-cinzento (Papio ursinus) ... 43 

Fotografia 5-19: Um caçador com a sua arma regressando a casa com uma águia-dominó e uma galinha-do-mato-de-crista. ... 52 

Fotografia 5-20: Uma armadilha de tronco para animais de menor porte como o cabrito-cinzento, ratos das canas e aves de caça. ... 52 

Fotografia 5-21: Um outro caçador com uma arma volta para casa com cinco antílopes africanos na sua bicicleta. ... 52 

Fotografia 5-22: Madeira apanhada na floresta de Miombo para venda. ... 52 

Fotografia 6-1: Pitão morto por trabalhadores da construção ao longo do Gasoduto Moçambique - Secunda ... 58 

Fotografia 6-2: Caçador com dois cabritos-vermelhos ... 58 

Fotografia 6-3: Guardas na área de poço T-9 ... 60 

(17)

ANEXOS ANEXO A  Rãs  ANEXO B  Répteis  ANEXO C  Aves  ANEXO D  Mamíferos  ANEXO E 

Animais da Lista Vermelha  ANEXO F 

Regulamento da Lei de Florestas e Fauna Bravia (Decreto no 12/2002, de 6 de Junho de 2002) 

ANEXO F 

Curricula Vitae  ANEXO G 

(18)
(19)

1.0 INTRODUÇÃO

1.1

Visão Geral do Projecto

A Sasol Petroleum Moçambique (SPM) tem um Acordo de Partilha de Produção (APP) com o Governo de Moçambique e a ENH (Empresa Nacional de Hidrocarbonetos). Por sua vez, foi assinado um Contrato de Produção de Petróleo (CPP) entre a Sasol Petroleum Temane (SPT) e as suas parceiras (a Companhia Moçambicana de Hidrocarbonetos (CMH) e a IFC) e o Governo de Moçambique, englobando os campos actualmente em produção nas áreas de Temane e Pande.

As licenças para o CPP e o APP sobrepõem-se em grande medida, tanto na área de Pande como de Temane. A licença para o CPP aplica-se às formações específicas contendo hidrocarbonetos nestas áreas. A licença para o APP abrange todas as outras formações nas áreas geográficas de Temane e Pande que estão actualmente a ser consideradas para fins de desenvolvimento, e também inclui outros campos e possíveis depósitos petrolíferos onde foram perfurados poços de exploração e de avaliação, mas que ainda não foram declarados como sendo comercialmente viáveis.

A planta de processamento de gás da Sasol, designada por Unidade Central de Processamento (Central

Processing Facility - CPF), está situada a 40 km a noroeste de Vilanculos. Presentemente, toda a produção

da Sasol é exportada a partir da CPF, tanto na forma de gás canalizado por gasoduto, em grande parte destinado à África do Sul, como na forma de condensado que é transportado em camiões-tanques para Beira para posterior embarque. Uma proporção crescente do gás é usada em Moçambique, tanto para fins industriais como para a produção de energia eléctrica. Na Província de Inhambane, o gás é fornecido à central eléctrica alimentada a gás da EDM, que produz a electricidade que abastece Inhassoro, Vilanculos e áreas circundantes.

Desde que o projecto foi inicialmente estabelecido em 2002, a Sasol expandiu a CPF e introduziu poços de produção de gás adicionais nos campos de gás de Temane e Pande. No momento actual a CPF compreende quatro trens de processamento de gás, que recebem o gás fornecido por vinte e quatro poços terrestres de produção, doze dos quais se situam no campo de Temane e doze no campo de Pande. O Projecto de Desenvolvimento no Âmbito do APP e Projecto de Produção de GPL (a seguir referido como ‘o projecto’) envolve a expansão da CPF com vista a processar gás, condensado e petróleo leve adicionais da área definida no Acordo de Partilha de Produção (APP) com o Governo de Moçambique. O projecto irá aumentar, de forma significativa, a capacidade da Sasol de processar gás e líquidos, e pode incluir uma instalação para produzir Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), que pode vir a substituir grande parte das 15.000 a 20.000 toneladas por ano que presentemente são importadas a um custo significativo para Moçambique. O projecto consiste em dois componentes principais:

ƒ

Fase 1 do Projecto de Produção de Gás no âmbito do APP (o ‘projecto do gás’), que envolve seis poços de produção no Campo de Temane e um trem de gás adicional (5o) na CPF, concebido para

processar o gás e condensado adicional dos poços e situado dentro dos limites da planta existente;

ƒ

Fase 1 do Projecto de Produção de Líquidos no âmbito do APP (o ‘projecto de líquidos’), que envolve doze poços de produção de petróleo e um poço de recolha de dados no campo de Inhassoro, e uma nova Planta de Processamento de Líquidos e uma Planta de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), situada adjacente ao lado nordeste da CPF. Prevê-se que a planta vai produzir 15.000 barris de crude por dia (stbopd1) e 20.000 toneladas de GPL por ano. Como alternativa, a planta de GPL pode

ser estabelecida como uma planta independente dentro do recinto da CPF, juntamente com o Projecto de Gás do APP.

Todos os poços de gás e de petróleo serão ligados à CPF através de condutas enterradas, designadas por ‘linhas de fluxo’, semelhantes em termos de desenho às que fornecem actualmente a planta com gás. As novas linhas de fluxo devem tanto quanto possível seguir as linhas de acesso existentes, e na secção que atravessa o Rio Govuro serão conectadas às condutas já existentes que se encontram colocadas no leito do

1 Um barril ‘stock tank’ significa o volume ocupado pelo petróleo de venda (i.e., depois da sua estabilização para satisfazer a

(20)

canal do rio desde a altura do projecto de construção de 2002, a fim de evitar qualquer perturbação causada por travessias adicionais.

A Figura 1-1 mostra todos os elementos da proposta do Projecto do APP, incluindo os novos poços de gás e de petróleo, as linhas de fluxo e as instalações de produção.

(21)

1.2

Âmbito do Estudo Especializado

O Estudo de Base da Fauna Terrestre tinha três objectivos principais:

ƒ

Determinar a integridade ecológica dos habitats e fauna associada da área de estudo (inclui aves, mamíferos, insectos, répteis e anfíbios) através de estudos de gabinete e pesquisas de campo;

ƒ

Estabelecer uma base de referência a partir da qual se pode medir os impactos futuros do projecto;

ƒ

Identificar as espécies ameaçadas dentro da área de estudo ou a probabilidade de ocorrência de espécies ameaçadas.

ƒ

Determinar os potenciais impactos do projecto durante as fases de construção e operação e para avaliar a eficácia de qualquer mitigação proposta.

O âmbito do estudo é definido pelas seguintes actividades:

ƒ

Caracterizar a flora e fauna terrestres (abrangendo aves, mamíferos, insectos, répteis, e anfíbios) por estudos de gabinete e pesquisas de campo. As pesquisas de campo devem ser empreendidas na forma de observações directas, contagens ao longo dum transecto, capturas em armadilhas sem crueldade (animais) ou a dedução da presença na base de vestígios (animais).

ƒ

Seleccionar os métodos de avaliação mais apropriados para a espécie em causa. Caracterizar quaisquer tendências que actualmente ocorrem e que afectam o ambiente (p. ex. pastagem, caça). Avaliar a presença de quaisquer espécies raras, em perigo ou protegidas (estatuto protegido dado pela UICN, CITES ou por Moçambique a nível nacional).

ƒ

Usar, sempre que possível, evidência fotográfica com coordenadas GPS para registar espécies ou habitats de interesse.

ƒ

Caracterizar a biodiversidade terrestre importante para a área de desenvolvimento.

ƒ

Repetir os levantamentos ecológicos em duas estações.

ƒ

Avaliar os prováveis impactos da construção e operação do projecto na fauna terrestre, tomando em consideração a natureza das actividades e a sensibilidade do ambiente afectado.

1.3

Dados do(s) autor(es)

O Dr. Andrew Deacon (PhD Zoologia) tem estado envolvido em trabalhos ecológicos nos últimos 25 anos, e tem uma boa formação em Ecologia Terrestre e de Água Doce. Depois duma profissão inicial de professor no ensino secundário (biologia) e a nível universitário (zoologia), ele tornou-se Gestor nos Serviços Científicos dos Parques Nacionais da África do Sul e especializou-se em aspectos de pesquisa relacionados com os Sistemas Aquáticos e Biodiversidade (entre 1989 e 2011). Ele coordenou as pesquisas no Parque Nacional Kruger (KNP) como parte do Programa de Pesquisa Multidisciplinar dos Rios do KNP. Como gestor de programas da Unidade de Savanas ele coordenou os programas de monitorização e pesquisa dos ecossistemas aquáticos e da ecologia dos pequenos vertebrados (pequenos mamíferos, aves, répteis e rãs) nos 15 Parques Nacionais da África do Sul (incluindo o Parque Nacional de Elefantes Addo, o Parque Nacional Kalahari e o Parque Nacional Kruger).

O Dr. Deacon ficou envolvido em programas nacionais incluindo o Programa de Saúde Ribeirinha, as comissões consultivas da Comissão de Pesquisas Aquáticas e os estudos dos requisitos ambientais do Departamento das Águas, todos da RSA. Ele também fundamentou e candidatou a área de Pafuri com êxito para se tornar o Sítio Ramsar Makuleke no norte do Parque Kruger. Recentemente, ele concluiu um curso sobre a delimitação de terras húmidas.

Desde 2012 ele tem estado a trabalhar como consultor especialista para estudos ecológicos e concluiu uma série de projectos relacionados com os levantamentos e a monitorização dos ecossistemas aquáticos, necessidades da água ambiental, levantamentos da fauna terrestre, e projectos de biodiversidade. Para além de projectos na África do Sul, ele trabalhou em tarefas na República Democrática do Congo, Zâmbia, Moçambique, Zimbabwe, Namíbia e Suazilândia.

(22)

2.0

DESCRIÇÃO DO PROJECTO

2.1 Os

Poços

A Figura 1-1 apresenta a localização dos poços de gás e de petróleo propostos, que serão semelhantes aos poços já existentes de Temane e Pande, com uma infra-estrutura superficial consistindo numa cabeça de poço (ou ‘árvore de natal’) centrada numa área vedada e desmatada de aproximadamente 100 m x 100 m. Não haverá qualquer libertação de fluidos ou gás para a atmosfera (ventilação) nas cabeças de poço durante as operações normais – todos os fluidos extraídos serão transferidos por linhas de fluxo para a CPF para processamento.

As posições dos poços propostos foram determinadas na base de estudos de engenharia preliminares e poderão sofrer de algumas mudanças durante as pesquisas do desenho detalhado. Os locais de três dos poços de produção a serem situados no campo de Inhassoro ainda não foram determinados e estes não são indicados na Figura.

2.2

As Linhas de fluxo

Os fluidos dos poços serão transportados para a nova Central de Colectores de Inhassoro (Projecto de Líquidos do APP) ou a CPF (Projecto de Gás do APP) por novas linhas de fluxo, enterradas a aproximadamente 1 m abaixo da superfície, e seguindo na sua maior parte as linhas de corte, estradas e outras linhas de fluxo existentes (Figura 1-1). Será construída uma estrada de acesso de terra batida, transitável durante todo o ano, para permitir o acesso para manutenção ao longo das linhas de fluxo nos poucos lugares onde ainda não há acesso por estrada. A Figura 1-1 mostra onde as linhas irão atravessar o Rio Govuro, ligando-se às secções de tubos de reserva existentes que foram colocados no leito do Rio Govuro em 2002, para evitar repetidas obras de construção na travessia do canal do rio. Para o projecto de gás, um poço (T-19A) fica a leste do Rio Govuro e irá usar uma linha de fluxo de reserva na travessia do rio. Para o projecto de líquidos, todos os poços de petróleo ficam a leste do Rio Govuro. As suas linhas de fluxo serão juntadas na Central de Colectores de Inhassoro, de onde um único tubo irá transportar os fluidos, ligando-se a um outro tubo de reserva que atravessa o Rio Govuro, continuando depois para a nova planta adjacente à CPF.

2.3 O

5

o

trem de gás (Projecto de gás do APP)

As instalações de separação de gás e líquidos e de quatro trens de processamento de gás existentes na CPF serão suplementadas por equipamento adicional em paralelo e ligado ao mesmo sistema de colectores. O novo equipamento estará situado dentro dos limites da vedação existente da CPF. Serão acrescentados um novo separador de produção e um novo separador de líquidos, idênticos às unidades existentes. Será acrescentado um novo trem de processamento de gás, com a mesma capacidade que os trens existentes (150 MMscfd) e será fornecido equipamento muito semelhante.

Todo o condensado estabilizado será transportado para os tanques de armazenamento na CPF. Não haverá tanques adicionais. O condensado será exportado em camiões-tanques.

A compressão de BP e de AP da CPF será expandida com o acréscimo de uma nova unidade de ambas. As unidades de compressão e acessórios serão idênticas às unidades existentes.

O maior volume de água produzida na CPF como resultado do desenvolvimento de Gás do APP será tratado e despejado pelos sistemas existentes na CPF. Outros sistemas de abastecimento, como água, ar e azoto, serão reforçados para não constranger a nova planta de gás pelo abastecimento destes serviços. Não são necessários novos sistemas de produção de energia para suportar a planta de Gás do APP. Não serão acrescentados novos sistemas de combustão.

2.4

A Planta de Líquidos e GLP do APP

A Planta Integrada de Líquidos e GPL do APP será baseada numa produtividade de 15.000 stbopd de petróleo e 40MMscfd de gás. Esta planta ficará situada numa área nova adjacente à CPF existente, no lado nordeste. A nova planta compreende dois trens de processamento operando em paralelo, cada um processando aproximadamente 50% do input de líquidos; um trem de 7.500 stbopd de GPL, dando um máximo de 20.000 tpa de GPL (além de petróleo estabilizado) e um trem de estabilização de petróleo de 7.500 stbopd, produzindo apenas petróleo estabilizado e não GPL.

(23)

As instalações de recepção dos Líquidos do APP irão consistir em ligações para um receptor temporário do pig do oleoduto, seguido de um receptor de tampões líquidos. Os líquidos do receptor de tampões líquidos serão encaminhados para um separador óleo/água que separa o petróleo e a água e remove também o gás residual.

O fluxo de petróleo separado será encaminhado para dois trens de processamento de petróleo configurados de forma diferente para estabilização. O primeiro é um trem de GPL de 7.500 stbopd, produzindo 20.000 tpa de GPL além de petróleo estabilizado. O segundo é um trem de estabilização de petróleo de 7.500 stbopd, que produz apenas petróleo estabilizado e não GPL.

O GPL será armazenado acima do solo em quatro tanques de armazenamento de GPL colocados no chão e exportado a partir de duas rampas de carregamento de GPL em camiões-tanques.

O gás do receptor de tampões líquidos e separador será combinado com o efluente gasoso do trem e estabilizador de GPL a ser usado como gás combustível a BP e o saldo encaminhado para o sistema de tratamento de gás da CPF.

O petróleo estabilizado será encaminhado para quatro reservatórios de petróleo novos de 15.000 bbl. Serão construídas quatro novas rampas de carregamento de camiões-tanques.

A água de produção será tratada num novo sistema de tratamento de água de produção e encaminhada para um poço de disposição existente.

2.5

Planta Independente de GPL

A viabilidade financeira do Desenvolvimento de Líquidos do APP ainda está sendo avaliada em estudos de

Front End Engineering Design (FEED). Uma alternativa a ser avaliada na AIA é uma planta de GPL

independente, situada juntamente com o 5º Trem de Gás dentro dos limites da CPF existente. Os tanques de armazenamento de GPL e as rampas de carregamento de GPL ficariam na área identificada para toda a Planta de Líquidos e de GPL do APP. Neste caso, a planta de GPL iria processar uma média de 1.500 stbopd de condensado para produzir aproximadamente 5.000 tpa de GPL.

A planta irá processar condensado não estabilizado da CPF, que será encaminhado para um tanque de flash de GPL desenhado para maximizar a recuperação de GPL. O líquido não estabilizado será depois encaminhado para o processador de produção de GPL, que irá separar os componentes mais pesados e os mais leves, produzindo condensado a partir do fluxo de cima e GPL do fluxo de baixo.

O condensado estabilizado será encaminhado para os reservatórios existentes na CPF, onde será armazenado para exportação por camião-tanque. O GPL será armazenado em três tanques de armazenamento de GPL colocados no chão e situados fora dos limites da CPF existente, no mesmo local que os tanques propostos para a Planta dos Líquidos e GPL do APP, como descrito na Secção 2.4 acima. Um dos tanques será usado para armazenar o GPL fora da especificação.

Uma parte do efluente gasoso do processo será usada como gás combustível de BP, enquanto o saldo será encaminhado para a CPF para tratamento e exportação. Os pequenos volumes de água separada no processo serão retornados para o sistema de tratamento de água de produção na CPF.

Os serviços de apoio serão fornecidos pelos sistemas existentes da CPF. .

(24)

3.0

QUADRO LEGAL E ORIENTAÇÕES

3.1 Legislação

moçambicana

A Tabela 2-1 apresenta uma lista e descrição sucinta da legislação principal referente à protecção da biodiversidade e áreas de conservação.

Tabela 3-1: Leis Protegendo a Biodiversidade e Áreas de Conservação

Leis Protegendo a Biodiversidade e Áreas de Conservação

Lei do Ambiente (Lei no 20/97,

de 1 de Outubro). Os Artigos 12 e 13 cobrem um conjunto de normas gerais para proteger a biodiversidade e o estabelecimento de áreas de protecção ambiental.

Lei de Terras (Lei no 19/97, de

1 de Outubro) e Regulamento da Lei de Terras (Decreto no

66/1998, de 8 de Dezembro).

Esta lei estabelece as zonas de protecção total ou parcial. As primeiras são as zonas reservadas para as actividades da preservação da natureza e a defesa e segurança do Estado, enquanto as zonas de protecção parcial incluem, entre outras, os leitos das águas interiores, o mar territorial, a zona económica exclusiva, a plataforma continental bem como a faixa da orla marítima e o contorno de ilhas, baías e estuários medida da linha das máximas preia-mares até 100 m para o interior do território.

Lei sobre Recursos Florestais e Faunísticos (Lei no 10/99, de

7 de Julho).

Os Artigos 11 e 13 da lei estabelecem as áreas de conservação como os parques nacionais, as reservas da natureza e as zonas de valor histórico e cultural.

3.2 Convenções

A Tabela 2-2 apresenta uma lista e descrição sucinta das convenções referentes à protecção de habitats e diversidade biológica.

Tabela 3-2: Convenções sobre habitats e diversidade biológica

Habitats e Diversidade Biológica

1968 Convenção Africana sobre a Conservação da Natureza e Recursos Naturais

1971 Convenção sobre Terras Húmidas de Importância Internacional, especialmente enquanto Habitat de Aves Aquáticas (Convenção de Ramsar) 1979 Convenção sobre as Espécies Migratórias pertencentes a Fauna Selvagem de 1979 e as suas emendas.

1985

Convenção para a Protecção, Gestão e Desenvolvimento do Ambiente Marinho e Costeiro da Região da África Oriental, 1985; e o Protocolo relativo às Áreas Protegidas e Fauna e Flora Selvagens da África Oriental; e o Protocolo relativo à Cooperação na Luta contra a Poluição em Situações de Emergência

1992 Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB).

1999 Protocolo da SADC sobre a Conservação da Vida Selvagem e Aplicação da Lei 2001 Protocolo da SADC sobre as Pescas.

2002 Protocolo da SADC sobre as Actividades Florestais

(25)

3.3

Padrões de Desempenho da IFC

Para fins de identificação do Habitat Crítico na área de estudo foram utilizadas as directrizes contidas no Padrão de Desempenho 6 da IFC (IFC, 2012), relacionada com a Conservação da Biodiversidade e Gestão Sustentável de Recursos Naturais Vivos. Os critérios da IFC usados para fins de determinação de Habitats Críticos incluem:

ƒ

1º Critério: habitat de importância significativa para espécies em vias de extinção e/ou ameaçadas de extinção;

ƒ

2º Critério: habitat de importância significativa para espécies endémicas e/ou de distribuição geográfica limitada;

ƒ

3º Critério: habitat que proporciona suporte para concentrações significativas a nível global ou para espécies migratórias e/ou espécies congregantes;

ƒ

4º Critério: ecossistemas em vias de extinção e/ou únicos;

ƒ

5º Critério: áreas associadas a processos evolucionários fundamentais.

O Padrão de Desempenho 6 da IFC também recomenda que os projectos que possam vir a ter um impacto significativo sobre a biodiversidade devem ser sujeitos a uma avaliação mais detalhada. A referida avaliação deve incluir uma reflexão sobre o contexto a curto e longo prazo dos impactos, bem como sobre o contexto cumulativo dos mesmos.  

3.4

Compromissos existentes da Sasol

Os compromissos existentes da Sasol são especificados em quatro PGA’s separados tratando de várias actividades e infra-estruturas como as actividades de perfuração, a operação da CPF e a construção das infra-estruturas. Relevante para o actual estudo da biodiversidade botânico é a PGA para a Construção (Revisão 1, Março de 2006). O PGA para a Construção contem requisitos de gestão ambiental para todas as actividades relacionadas com a construção e instalação dos componentes do projecto dentro do Bloco de Exploração da Sasol, incluindo os locais de poços, linhas de fluxo e linhas-tronco, estradas de acesso e todas as infra-estruturas relacionadas e requisitos de construção para os componentes acima mencionados. O objectivo principal do PGA para a Construção é garantir que os impactos ambientais negativos do projecto são eficazmente geridos dentro de limites aceitáveis e que os impactos positivos são reforçados. O PGA para a Construção é também um meio para a Sasol e o Governo de Moçambique alcançar um acordo sobre os padrões de desempenho ambiental do projecto.

(26)

4.0 METODOLOGIA

DO

ESTUDO

4.1 Visão

geral

O objectivo do estudo da base de referência da fauna foi de caracterizar os habitats e fauna da área de estudo como base para a previsão e monitorização dos impactos na composição e abundância da fauna. A lógica para a amostragem da fauna na área de estudo foi a seguinte:

ƒ

Realizou-se uma amostragem de referência nos locais que foram considerados os mais prováveis a serem impactados pelo desenvolvimento do projecto na base do planeamento preliminar.

ƒ

Também foram seleccionados transectos em outras áreas semelhantes na área de estudo para fornecer uma base de referência representativa da diversidade da fauna e da riqueza das espécies em toda a área.

Embora concentrando-se na área directamente afectada pelo projecto e em alguns locais de referência, desenhou-se por isso o método do levantamento no sentido de dar informações sobre a possibilidade de haver impactos significativos na fauna em outras partes da área de estudo.

A metodologia do estudo consistiu em dois elementos principais:

ƒ

a classificação dos biótopos como base para a selecção das áreas de amostragem; e

ƒ

a associação da ocorrência da fauna com os biótopos definidos.

Para as áreas que não foram amostradas, o uso do habitat como substituto para a ocorrência de fauna foi considerado ser uma via justificável de avaliar a composição e abundância de fauna previsíveis dentro da área de estudo.

4.2 Levantamento

da

informação existente

O estudo sintetizou a informação disponível com ênfase nos seguintes aspectos:

ƒ

habitats sensíveis e áreas de importância para conservação;

ƒ

fauna (vertebrados: mamíferos, aves, répteis e anfíbios, destacando as espécies de importância para conservação);

ƒ

fauna (invertebrados: insectos, destacando as espécies de importância para conservação).

O estudo preliminar consolidou os dados da distribuição da fauna da área local a longo prazo. Foi feito um amplo estudo documental de toda a informação disponível em relação à distribuição da fauna, a preferência de habitat e a situação das espécies. A informação foi compilada em anexos (Anexos A a F), que mostram os perfis dos habitats preferidos para cada organismo relevante na área de estudo.

Para além dos dados sobre os habitats e as distribuições, as seguintes fontes existentes foram consultadas para a obtenção de informações pertinentes:

ƒ

dados disponíveis de levantamentos ecológicos de outros relatórios de consultorias relevantes;

ƒ

a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN, referente a Moçambique.

4.3

Locais de levantamento

Os locais do levantamento foram seleccionados nas áreas potencialmente afectadas pela construção em todos os tipos de vegetação de relevo identificados na área de estudo. Os locais situaram-se:

ƒ

dentro de 200m dos poços propostos;

ƒ

dentro de 100m de cada lado das linhas de fluxo e estradas de acesso;

ƒ

dentro duma zona de segurança de 500m.

Foram acrescentados transectos adicionais para aumentar a diversidade e alargar os habitats levantados na área de estudo. Foram também identificados e estudados habitats especiais na e em redor da área de estudo.

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Em cada tipo de vegetação, foram estudados transectos extensos (400m – 3000m) para fazer o levantamento dos diferentes grupos de fauna terrestre. Foram tiradas leituras de GPS de cada transecto, para poderem ser repetidos na monitorização futura (Tabela 3-1). A selecção dos locais de levantamento nas áreas definidas acima incidiu no seguinte:

a) habitats sensíveis e áreas de importância para conservação;

b) áreas que possivelmente poderão ser perturbadas pelo projecto em cada um dos tipos de habitat identificados;

c) áreas de referência minimamente perturbadas.

A selecção inicial dos locais baseou-se na revisão da literatura e na interpretação de imagens de satélite, tomando em consideração a localização das infra-estruturas do projecto. A selecção final dos locais foi ajustada no terreno para garantir que os locais reflectiriam de melhor maneira possível os critérios de selecção dos locais.

A Tabela 4-1 e as Figuras 4-1 a 4-3 apresentam informações mais detalhadas sobre a localização geográfica de cada transecto, o seu comprimento e a sua posição em cada biótopo.

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Figura 4-2: Locais de levantamento da fauna no tipo de vegetação de Floresta de Julbernardia-Brachystegia, do Rio Govuro e planície de inundação associada (Transectos 14-17), e das Lagoas Barreiras (Transectos 18-19).

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Tablela 4-1: Transectos do levantamento usados para os estudos de fauna (Fevereiro de 2014)

Habitat

Coordenadas Coordenadas Comprimento

(m) Total Início S Início E Fim S Fim E

Mistura de Florestas e Bosques

Transecto 12: Linha de fluxo para T-G8PX-4, incluindo o local do poço

S 210 47’42.70” E 350 01’23.23” S 210 46’53.95” E 350 00’27.39” 2190 m

Transecto 7: Linha de fluxo para T-G8PX-5, incluindo o local do poço

S 210 40’39.48” E 350 02’50.95” S 210 40’30.79” E 350 02’47.69” 280 m

Transecto 7: Linha de fluxo para T-G8PX-5 S 210 40’40.78” E 350 02’45.81” S 210 40’42.65” E 350 02’30.56” 440 m

Transecto 11: Estrada para T-G8PX-4 S 210 47’48.65” E 350 01’43.58” S 210 47’41.92” E 350 01’26.93” 530 m

Transecto 8: Estrada entre o poço 5 (T-G8 PX-5) e o local do

poço (T-G8 PX-2); S 21

0 41’50.49” E 350 02’21.45” S 210 41’59.85” E 350 02’25.74” 310 m

Transecto 9: Estrada para T-G8 PX1 por cima de morros de

muchém S 21

0 46’07.38” E 350 03’01.78” S 210 46’10.02” E 350 03’06.86” 160 m

Transecto 10: Estrada pela floresta para T-G8 PX-1 S 210 46’31.75” E 350 02’51.12” S 210 47’09.56” E 350 02’33.80” 1270 m

Transecto 13: Linha de fluxo para T-G8PX-3, incluindo o local do

poço S 210 54’10.29” E 35

0 59’04.01” S 210 54’23.72” E 350 59’07.80” 440 m

Linha de armadilhas 3 na estrada para T-G8PX-5 S 210 41’55.08” E 350 02’23.76” Ponto

Linha de armadilhas 4 na estrada para T-G8PX-4 S 210 47’48.09” E 350 01’44.17” Ponto

Total 5620 Floresta de Julbernardia-Brachystegia

Transecto 3: Linha de fluxo entre I-4 e I-G6PX-6 S 210 41’34.02” E 350 15’01.94” S 210 41’18.44” E 350 15’07.56” 500 m

Transecto 4: Local do poço I-G6PX-6 para o rio costeiro S 210 42’19.31” E 350 15’16.82” S 210 42’13.05” E 350 15’57.99” 1210 m

Transecto 1: Linha de fluxo para I-G6PX-3 (incluindo o local do

poço) S 21

0 47’42.70” E 350 01’23.23” S 210 46’53.95” E 350 00’27.39” 1340 m

Transecto 5: Linha de fluxo para Rio Govuro oeste para T-14 S 210 44’03.29” E 350 11’38.49” S 210 43’57.15” E 350 11’57.90” 465 m

Transecto 2: Local do poço I-G6PX-3 para o rio costeiro S 210 44’37.36” E 350 15’41.94” S 210 44’13.21” E 350 15’13.49” 2650 m

Transecto 6: Transecto do rio costeiro perto de Mapanzene S 210 37’39.49” E 350 12’43.30” S 210 37’53.34” E 350 13’14.45” 2360 m

Linha de armadilhas 1 para I-G6PX-3 e local do poço S 210 37’42.63” E 350 12’46.47” Ponto

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Habitat

Coordenadas Coordenadas Comprimento

(m) Total Início S Início E Fim S Fim E

Total 7365 Rio Govuro (incluindo a planície de inundação)

Transecto 14: estrada para Govuro a oeste da planície de

inundação (ponto norte) S 21

0 41’51.58” E 350 06’26.10” S 210 41’43.63” E 350 06’54.65” 850 m

Transecto 15: estrada para Govuro a oeste da planície de inundação (ponto sul)

S 210 43’24.42” E 350 07’51.74” S 210 43’18.33” E 350 08’22.07” 1000 m

Transecto 17: Govuro a oeste da planície de inundação S 210 43’33.66” E 350 08’44.61” S 210 43’11.03” E 350 08’53.39” 1780 m

Transecto 16: Govuro planície de inundação S 210 43’36.83” E 350 08’48.14” S 210 43’40.44” E 350 08’38.13” 780 m

Linha de armadilhas 5 S 210 43’37.67” E 350 08’46.71” Ponto

Total 4410 Lagoas Barreiras

Transecto 18: Lagoa barreira 1 S 210 43’16.04” E 350 10’12.55” S 210 43’13.99” E 350 10’22.84” 370 m

Transecto 19: Lagoa barreira 2 S 210 43’19.88” E 350 10’17.84” S 210 43’22.80” E 350 10’25.59” 490 m

Linha de armadilhas 6 S 210 43’19.44” E 350 10’19.49” Ponto

Total 860 Mangais

Transecto nos mangais S 210 43’51.21” E 350 16’51.75” S 210 43’46.61” E 350 16’26.97” 740 m

Total 740

Referências

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