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- Interpretação do art. 169 da Constituição de 1934.

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99-exceção precisamente na circunstância do reingresso permitido pela autoridade pública. Estou no pressuposto de que a referida autoridade houve como acei-táveis as justificativas, acaso trazidas, pelo funcionário faltoso.

Em resumo, o voto que estou pro-ferindo coincide, em essência, nitida-mente, com o de V. Excia. Tendo, em-bora, o funcionário incidido em falta capaz de propiciar seu afastamento, desde que a autoridade pública per-mitiu-lhe o reingresso, aquela situação de fato terá deixado de existir pela

superveniência de outra situação de fato.

Assim, também nego provimento aO recurso, data venia, do nobre Sr.

Mi:-nistro Relator.

DECISÃO

Como consta da ata, a decisão foi a seguinte:

Por maioria de votos, negaram pro-· vimento ao recurso, para confirmar a. decisão recorrida, por suas conclusões,. contra o voto do Sr. Ministro Relator.

Presidiu o julgamento o Sr. MinistrOl Sampaio Costa.

FUNCIONARIO PúBLICO -

DEMISSÃO -

JUSTA CAUSA

-

Interpretação do art. 169 da Constituição de 1934.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Benigno Bezerra de Menezes versus Estado do Ceará

Recurso extraordinário n.o 7.876 - Relator: Sr. Ministro GOULAR~' DE OLIVEIRA

ACÓRDÃO

Vistos e examinados êstes autos de recurso extraordinário n.o 7. H86, do Ceará, em grau de embargos. entre partes: Benigno Bezerra de Menezes e

o Estado do Ceará:

Acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em receber os embar-gos, na forma das notas taquigráficas anexas.

Rio, 30 de julho de 1948. - José Linhares, Presidente. - Goula1't de Oliveira, Relator.

RELATÓRIO

O Sr. Ministro Goulart de Oliveira

- Adoto o relatório da lavra do emi-nente colega, Ministro Aníbal Freire, quando foi do julgamento do recurso extraordinário a fls. 200. É o seguin-te: (lê).

O voto proferido então, por S. Ex. é dêste teor: (fls. 204) (lê).

O Ministro Castro Nunes assim se manifestou (fls. 206) (lê) .

O acórd?o de fls. 208 tem a seguinte ementa: .. Conhecimento e não provi-mento. Justa causa para demissão de funcionário. "

A êsse aresto foram opostos embar-gos de nulidade e infringentes do jul-gado de fls. 210-215, em cuja susten-tação mostra o embargante que o acór-dão recorrido além de dar à lei inter-pretação contrária a que lhe é peculiar. destoou da jurisprudência do Supremo Tribunal, não devendo por isso sub-sistir.

A contestação da parte do Estado se encontra de fls. 219 a 225, sustentando-se aí o acórdão recorrido.

É o relatório que submeto à Re-visão.

Rio, 10 de junho de 1946. - Goularl de Oliveira.

VOTO

O Sr. Ministro Goulart de Oliveira

- Ainda uma vez, se sujeita ao julga-mento dêste Tribunal o caso de coletor

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-estadual destituído de suas funções pelo Interventor em contraste COm o dis-posto no art. 169, parágrafo único, da ,Constituição Federal, então em vigor: "Os funcionários que contarem menos de 10 anos de serviço efetivo, não po-derão ser destituídos de seus cargos se-não por justa causa ou motivo de in-tp.rêsse público."

Foram suscitadas, também aqui, a questão do quorum de juízes estabele-cido para os casos de alegação de in-constitucionalidade, assim como o con-ceito de justa causa e interêsse público, deixado a critério da lei ordinária pelo art. 124 da Constituição do Estado do Ceará, §§ 2.0 e 3.0 •

A hipótese tem sido múltiplas vêzes apreciada pelo Supremo Tribunal Fe-deral, quer nas suas Turmas, quer em reunião plena, conquistando sempre uma única solução, favorável ao fun-cionário destituído. Tratava-se, sempre, cumpre considerar, de recurso do Es-tado.

A 1.a Turma, ainda no julgamento do recurso extraordinário n.o 5.953, de que foi relator o Ministro Castro Nunes, assentou em que não se decidiu sôbre matéria constitucional da lei fun-damental e muito menos para declarar inconstitucional qualquer lei federal ou estadual. Não haveria assim necessi-dade de ser a questão julgada em tri-bunal pleno com o quorum especial.

Nos julgados da 2.a Turma, e entre êles o último que eu saiba, o recurso extraordinário n. o 5.856, como naque-les de que fui relator, entre os quais o de n.o 6.042, a mesma foi a solução unânime dos julgadores, com o meu voto de revisor.

No julgamento dos embargos ao acór-dão proferido no julgamento do recurso extraordinário n.o 5.930, como relator, a questão do ([1wrum foi cercemente cortada, entendendo a maioria contra os votos dos Ministros Falcão e Castro Nunes não haver ensanchas para sua articulacão.

O segundo fundamento nos julgados todos foi objeto de repulsa dos jul~a­ dores, sempre se entendendo que o art. 20, § 2.0, da lei n.o 2.750, de 8 de

no-vembro de 1929, então vigorante, não legitimaria o ato impugnado.

Agora o recurso é da parte, sob o fundamento de que o ato de destituição violou os arts. 109, parágrafo único. da Constituição Federal de 1934 e 124 do Constituição Estadual de 1935; que exigiam para a demissão justa causa ou motivo de interêsse público. O mo-tivo mesmo que o Tribunal encontrou para não conhecer do recurso do Es-tado impõe a meu ver agora o conhe-cimento dêste e o seu provimento. Mantenho-me coerente com os meus

vo-tos anteriores, julgando assim

pr01)'fl-dos os embargos, que recebo, para

res-tabelecer a sentença de primeira ins-tância.

VOTO

O Sr. Ministro Edgar Costa - O embargante foi demitido do cargo de coletor estadual de QL1ixadá, Ceal'á; intentou uma ação contra o Estado a fim de ser declarado nulo êsse ato por contrário aos arts. 169, parágrafo único, da Constituição Federal de 1934, e 124 da Constituição Estadual de 1935, que exigiam para a demissão "justa causa ou motivo de interêsse público". Jul-gada procedente em 1.a instância, por entender o juiz que não ficara compro-vada a justa causa para a demissão, foi a sentença reformada por acórdão do Tribunal do Estado que considerou es-tar devidamente fundamentado o ato demissório e plenamente demonstrado que o autor não servia bem o cargo, sendo uma faculdade constitucional do Poder Executivo a exoneração de fun-cionários. I nconformado, o autor in-terpôs dessa decisão recurso extraordi-nário, de que conheceu a La Turma dêste Tribunal, com fundamento na le-tra e do art. 101, n.o lU, da Constitlli-ção Federal, negando-lhe porém, pro-vimento, por isso que a decisão recor-rida se baseara na prova dos autos, .. si-tuando-se assim a questão no terreno dm; fatos e das provas". ,"Aio, então, o recorrente com os embargos de fls. 210, procurando sustentar ter o acór-dão recorrido, ? lém de dar à lei inter-pretação contrária à que lhe é peculiar.

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-101-destoado da jurisprudência dêste Su-premo Tribunal; que os fundamentos da sua demissão, constantes do respec-tivo ato, não satisfazem as exigências da lei, porquanto, com os mesmos, se não demonstra nem a existência de justa causa nem a do motivo do inte-rêsse público, tendo sido, ao contrário, praticado por exigências da política-partidária, ato, portanto de mero ar-bítrio do Governador cearense. Pleiteia, em conclusão, o embargante, seja res-taurada a sentença de La instância que lhe deu ganho de causa.

Como se mostra, insiste o embargante no exame das razões de decidir do acórdão recorrido relativos aos fatos sôbre os quais assentou o ato impug-nado.

É possível que êles tenham sido melhor apreciados pela sentença de 1.a instância, que não enxergou nas faltas atribuídas ao embargante motivos que levassem a conclui!- pela justiça da sua demissão; em outros têrmos: pela inocorrência, na hipótese, da justo,

causa exigida pela lei. São essas,

po-rém, como acentuaram os votos vence-dores na La Turma, questões de fato que, como tais, são a1heios ao âm-bito do recurso extraordinário. Segun-do disposição regimental, conhecenSegun-do o Tribunal do recurso, a sua decisão será restrita à questão federal, que é uma questão de direito; as questões de fato não são questões federais, e as decisões sôbre elas proferidas pelas justiças locais são soberanas e irrefor-máveis. (Cf. Castro Nunes, Teoria e Prática do Poder Judiciário, pág. 335,

nota) .

Pelo exposto, rejeito os embargos.

VOTO

o

Sr. Ministro Hahnemann Guima-rães - Sr. Presidente, peço permissão ao Sr. Ministro Relator, para acompa-nhar o voto do Sr. Ministro Revisor. O ato da demissão do coletor, no Estado do Ceará, foi impugnado, em face do disposto no parágrafo único do art. 169 da Constituição de 1934. O Tribunal local julgou válido o ato

do Govêrno. Daí, o recurso extraor-dinário, de que conheceu a Egrégia Primeira Turma, com fundamento na letra c, negando-lhe, entretanto,

pro-vimento.

Acho que foi acertada, data venia,

a decisão impugnada agora pelos em-bargos. Realmente, o ato não era in-constitucional. Não se tratava de fun-cionário que tivesse mais de 10 anos de serviço, ou que houvesse sido provido no cargo mediante concurso, o que lhe daria garantias de não ser demitido, sem processo administrativo, ao cabo de dois anos. O funcionário tinha apenas 6 anos, ou pouco mais, de serviço pú-blico, sem concurso. Assim, podia de-mití-Io o Govêrno, desde que, no ato da demissão, declarasse a causa que a provocava. Esta causa foi declarada. Entendeu o Govêrno - e parece que não o entendeu sem razão - que o funcio-nário não era bom cumpridor dos seus deveres púplicos. Foi invocado um mo-tivo que justificava a demissão.

Não se trata de ato arbitrário. O ato foi fundado, como entendeu a decisão recorrida, impugnada pelo recurso ex-traordinário.

Estou de acôrdo, data venia do Sr.

Ministro Relator, de acôrdo com o Sr. Ministro Revisor, desprezando os embargos.

VOTO

O Sr. Mini.'Jtro Ribeiro da Costa

-Sr. Presidente, parece-me que o ato praticado pelo Govêrno do Estado ou pelo Interventor não encontra inteiro apoio no disposto no art. 169 da Cons-tituição de ·1934, uma vez que no texto do artigo se dispõe, embora referindo-se a funcionários que, depois de dois anos de sua nomeação, mediante con-curso, ou depois de 10 anos de efetivo exercício - só poderão ser destituÍ-dos, perdendo o cargo, se houver pre-cedência, nesse ato, de processo admi-nistrativo, regulado por lei, e no qual lhe será assegurada plena defesa.

O parágrafo único, regendo a situa-ção dos funcionários que têm menos de 10 anos de serviço, nem por isso lhes tira o direito à estabilidade no cargo,

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senão quando, também, o ato, que OS destitua, seja precedido de processo re-gular, inquérito administrativo rere-gular, no qual se averigue se o funcionário deu motivo justo para a sua demissão ou se esta demissão se impõe, no inte-rês se do serviço público. Não fôsse as-sim, e todos os funcionários, quando chegassem quase ao atingir os dez anos de serviço, que lhes garante definitiva estabilidade, podiam ser abusivamente destituídos dos postos contanto que, no ato da demissão, o Chefe do Executivo fizesse inserir esta razão, embora sem os elementos de prova indispensáveis: "demitidos por justa causa" ou "demi-tidos por interêsse do serviço".

Parece-me que o legislador consti-tuinte de 1934, quando, no art. 169, inseriu esta faculdade, subordinou a sua aplicação também ao que se refere à hipótese do parágrafo único.

O Sr. Ministro Hahnema'Yfn Gui'YYWr rães - Assim, não há nenhuma dife-rença entre os funcionários com menos de 10 ou com mais de 10 anos de ser-viço.

O Sr. Ministro Ribeiro da Costa

-Se tiver mais de 10 anos, tem direito à estabilidade indiscutível.

Mas, não bastaria a mera declaração do ato destituidor do funcionário de que é demitido com justa causa. Se o funcionário vem ao Judiciário e prova que não houve justa causa, deve o ato ser anulado.

O Sr. Ministro Hahnemann Guima-rães - Mas isto é questão de fato.

O Sr. Ministro Ribeiro da Costa

-Mas posso aferir dês se fato, a fim de verificar se houve, realmente, "justa causa". O juiz, na instância inferior verificou que não houve justa causa; o Tribunal Superior entendeu de modo contrário. Daí o recurso extraordinário. Conhecido o recurso, posso entrar no exame da matéria de fato. E, apre-ciando-a concluo como o Juiz da 1.a ins-tância.

Assim, data. venia do Sr. Ministro

Revisor, acompanho o voto do Sr. Mi-nistro Relator.

VOTO

O Sr. Ministro La'iayette de Andra-da - Sr. Presidente, também data

venia do Sr. Ministro Revisor,

acom-panho o voto do Sr. Ministro Relator. VOTO

O Sr. Ministro Orosimbo Nonato

-Sr. Presidente, para iundamentar a conclusão a que vou chegar, neste ~aso, tenho que lembrar - e peço vênia para fazê-lo - duas preliminares, nas quais nem sempre tive o confôrto dos votos dos eminentes colegas.

A primeira é que, conhecido o re-curso extraordinário, a questão do seu cabimento está selada; a meu ver -e data 'venia - o conhecimento do re-curso compete, soberanamente, à Tur-ma. Esta é uma conseqüência não da índole do recurso, senão do dispositivo regimental que impede se reagite, no plenário, a federal questiono

Fortalecido nessa opinião, que, data venia, mantenho, chego à segunda

pre-liminar: conhecido o recurso, o Supre-mo Tribunal decide a causa.

É exato que o Regimento nosso, in-vocado pelo eminente Sr. Ministro Re-visor, fala em que a decisão do Tri-bunal será restrita à questão federal. Mas, acima do dispositivo regimental.

data venia virá a disposição

constitucio-nal, que manda que o Supremo Tri-bunal "decida a causa", conhecido o recurso. E, data 1,enia, a meu ver, Só

decidirá a causa, examinando os fatos, de que deriva o direito alegado. :ll:ste destaque impõe-se na preliminar do co-nhecimento. Quando, segundo os fatos, apurados soberanamente, a lei não foi ofendida, não se conhece do recurso, a

federal quesNon fica inexaminada. Se,

porém, o Tribunal conhece do recur-so, passa a "decidir" a causa. Esta "decisão", embora circunscrita aos têr-mos da decisão local, há de versar o fato e o direito. Tudo, pois, se cifra em saber se houve ou não justa causa para a demissão. A Constituição Fe-deral, quando proclamou a indemissibi-lídade, sem justa causa de funcionário de menos de 10 anos de exercício, não

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emItiu pronunciamento sem conseqüên-cias e estéril de qualquer efeito práti-co. Ao contrário, atribuiu ao poder público o dever de somente demitir quando ocorresse justa causa. É certo que esta justa causa se pode entender presumida, mas contra esta presunção peleja outra, derivada da presunção do bom teor de proceder do funcionário. O funcionário demitido exerceu regu-larmente a sua função, não sofreu cen-suras e advertências.

Em tais casos, como em acórdão se pronunciou Se abra Fagundes, já é dado ao Poder Judiciário penetrar o exame da causa da demissão. Sem dúvida que a justa (lausa se presume. Mas, se a

parte contra ela suscita argumentos convincentes, a presunção de que se trata pode ser eliminada, e sem que ocorra invasão da esfera administrativa, assim o pode declarar o Poder Judi-ciário.

No curso da demanda, pesam-se as provas e, se por acaso a justa causa não existe, o Poder Judiciário, sem quebrar o princípio da independência dos poderes, pode admitir que, na hipó-tese, ela não existe.

Na hipótese, o Juiz de L" instância examinou as provas e entendeu que inexistia justa causa. Os eminentes

Juízes do Tribunal local entenderam que havia justa causa e reformaram a decisão, que foi mantida por êste Tri-bunal, no julgamento do recurso extra.-ordinário, conhecido.

Inclino-me à sentença de I." instância e, data venia, recebo os embargos.

DECLARAÇÃO

O Sr. Ministro Aníbal Freire

-Sr. Presidente, deixo de votar, por não ter assistido ao relatório.

VOTO

O Sr. Ministro Laudo de Carmargo

- Também deixo de votar, por não ter assistido ao relatório.

DECISÃO

Como consta da ata, a decisão foi a seguinte: receberam os embargos, con-tra os votos dos Exmos. Srs. Minis-tros Revisor e Hahnemann Guimarães.

Não tomaram parte no julgamento, os Exmos. Srs. Ministros Aníbal Frei-re e Laudo de Camargo, por não teFrei-rem assistido ao relatório.

Deixou de comparecer, por motivo justificado, o Exmo. Sr. Ministro Cas-tro Nunes.

FUNCIONÁRIO PúBLICO -

RECURSO ADMINISTRATIVO E

AÇÃO JUDICIAL

-

A norma que determina ao funcionário esgotar

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recursos administrativos antes de intentar ação judicial tem

caráter meramente disciplinar não podendo acarretar a

per-da do direito de ação do funcionário, sujeito a prazos de

deca-dência e de prescrição.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

Maria José de Queirós Guimarães versus Estado de São Paulo

Apelação cível n.O 46.229 - Relator: Sr. Desembargador JosÉ R. A. VALIM

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos êstes autos de apelação n.o 46.229, de São

Paulo, em que é recorrente o Juízo ex-()fficio e apelante a Fazenda do Estada

e apelados D. Maria José de Queiroz Guimarães e outros, adotado o relatório

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