"FORMAÇÃO DE DOCENTES EM MÚLTIPLAS LINGUAGENS: DESAFIOS METODOLÓGICOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM" i

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"FORMAÇÃO DE DOCENTES EM MÚLTIPLAS LINGUAGENS: DESAFIOS METODOLÓGICOS NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM"i

Aline Renee Benigno dos Santos Instituto Federal do Paraná (IFPR)

Adriana Ferreira Gama Instituto Federal do Paraná (IFPR)

Resumo: Esse trabalho, de cunho extensionista, tem como objetivo realizar Formação de Docentes em Múltiplas Linguagensii para professores da Rede Municipal e Estadual de Jaguariaíva, visando o desenvolvimento e aplicação de metodologias alternativas de ensino que contribuam no processo de ensino-aprendizagem. A metodologia proposta para este trabalho é por meio da realização de 10 oficinas envolvendo a utilização das Múltiplas Linguagens, dentre elas: oficinas de pipas; de robótica; de jogos no ensino; de design e educação; cantarolando e inventando histórias; contemplando a matemática em obras de Arte; inspirando os construtores do amanhã; de origami no ensino; ensinar ciências experimentando; e de meio ambiente e ensino. Essa demanda surgiu da identificação por meio da realização de outros projetos de pesquisa que mostraram a real necessidade de se investir em formação inicial e continuada de docentes na região. Em pesquisas anteriores identificou-se o desejo desses profissionais de vivenciarem situações práticas de ensino utilizando as Múltiplas Linguagens. Para tal, pensou-se na aplicação das mesmas por meio de oficinas temáticas. Nessas pesquisas, observou-se também que os docentes das escolas públicas participam apenas de formação em suas Semanas Pedagógicas e que, no decorrer do ano, esse tipo de formação não é implementado pelas respectivas Secretarias de Educação dos municípios. Por esse motivo, buscou-se, nesse trabalho, propor uma formação docente inicial e continuada, que acompanhasse o processo metodológico durante todo o percurso de sala de aula do docente. Essa proposta leva a uma compreensão e criação de ações que visam aliar formação inicial e continuada de docentes aos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, com qualidade acadêmica, promovendo assim a democratização no ensino e a interiorização do uso das Múltiplas Linguagens como metodologia alternativa no processo de ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: Múltiplas Linguagens. Metodologias Alternativas. Processo de Ensino-Aprendizagem.

1 INTRODUÇÃO

É preciso partilhar conhecimento. As trocas e experiências vividas por professores seria uma das formas de melhorar a qualidade de educação no país. Paulo Freire (1998) explica que a educação transforma a realidade, esse é o principal fator da mudança social. Pensar a formação e inicial e continuada de professores pressupõe a

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questão de como a escola interage com a sociedade , sua função e o papel do professor (CUNHA, 2012).

É preciso assim pensar alternativas metodológicas que se adaptem a essa realidade e o uso das múltiplas linguagens, pode facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos estudantes que veem nessas ferramentas (uso de múltiplas linguagens) um grande atrativo e estímulo para aprender.

Relacionar teoria e prática escabelasse um concretização do saber e de como ele será dimensionado pelo estudante. As múltiplas linguagens desenvolvem essa relação, fazendo com o estudante interaja constantemente em seu processo educativo. Existe um caráter inovador no trabalho com as Múltiplas Linguagens em sala de aula e nas práticas pedagógicas. Marcuschi (2013, p.8) afirma que muitas das práticas escolares, unidas as políticas públicas de educação e as questões de pesquisa possibilitam, na formação docente contextualizar a pertinência ‘entre os muros’ e 'para além dos muros' da escola.

As significativas transformações que vêm ocorrendo na sociedade contemporânea, no mundo de trabalho e nas condições da vida profissional, norteiam que uma concepção de atualização do ensino de Múltiplas Linguagens e suas práticas põe em destaque a relação dialética entre o pragmatismo da sociedade moderna e o cultivo dos valores humanistas.

Essa constatação, por si só, justifica a relevância da oferta desse tipo de formação, porque disponibiliza aos professores novas propostas de trabalho alternativas por meio das Múltiplas Linguagens. A autora (2013) explica também esse tipo de trabalho tem um caráter inovador e plural no que tange às propostas de trabalho que serão introduzidas pelos formadores, e que possui significado relevante para a escola e para os estudantes em seus contextos sócio-históricos.

Este trabalho, visa promover um repensar/atualização para o trabalho com Múltiplas Linguagens para professores da Rede Pública de Ensino, com vistas à melhoria de seu desempenho enquanto mediador do processo de ensino-aprendizagem. Além de proporcionar formação continuada para professores da Rede Pública de Ensino de Jaguariaíva, subsidiando as políticas públicas educacionais do município e do estado; apresentar métodos e práticas possíveis para o uso das Múltiplas Linguagens em sala de aula, criando novas possibilidades de ensino-aprendizagem e principalmente propor práticas de ensino compatíveis com a realidade social dos estudantes.

Destaca-se que a formação docente deverá oferecer ao profissional que atua na rede pública de ensino opções de atualização do conhecimento e de atuação na educação

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básica. Esta formação cria oportunidades para aprimoramento das habilidades necessárias para se atingir a competência desejada no desempenho do profissional em sala de aula, priorizando as abordagens pedagógicas que se centram no desenvolvimento da autonomia do aluno-professor. Ações como essas promovem constante entre ensino, pesquisa e extensão, articulando diretamente no fortalecimento da identidade do docente e no protagonismo do estudante.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Os procedimentos metodológicos desse trabalho são de natureza aplicada e ocorrem por meio de abordagens de cunho qualitativo. As estratégias e técnicas metodológicas adotadas para a execução do trabalho partem de uma reflexão metodológica sobre o processo de ensino-aprendizagem, tendo como ferramenta as Múltiplas Linguagens.

Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998, p.147, grifos dos autores) explicam que para este tipo de pesquisa é necessária uma estruturação prévia que parta de um processo de indução a partir do conhecimento que se tem do contexto e das diversas realidades sobre o qual o objeto de estudo está ancorado. Quando se trata, porém, da inserção em um estudo localizado a partir de um novo campo científico como é o uso das Múltiplas Linguagens, essa tarefa torna-se ainda mais difícil por ter como foco final a escola e o processo de ensino-aprendizagem, amplo, heterogêneo e dinâmico.

As professoras/pesquisadoras do trabalho junto aos colaboradores e aos bolsistas organizam as oficinas a serem realizadas na Formação Inicial e Continuada de professores durante os meses de abril, maio e junho de 2016. Fazem ainda as devidas estruturações do projeto, no que tange à programação e às atividades a serem desenvolvidas durante o processo, tais como oficinas, seminários, mesas-redondas e Grupos de Trabalhos. Assim como organizam toda a logística necessária para execução das oficinas, que ocorreram aos sábados nos meses de agosto a dezembro do mesmo ano. Estima-se 20 (vinte) participantes por oficina. Totalizando, em média, 200 (duzentos) professores da Rede Pública de Ensino do município de Jaguariaíva e Região.

Para a segunda etapa do projeto, pretende-se fazer uma avaliação de como a Formação repercutiu entre os participantes e se essa atendeu às demandas do público específico. A pesquisa realizada também apresentará informações acerca de possíveis

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demandas para Formações vindouras. Essa metodologia será desenvolvida por meio de questionário aplicado.

3 DISCUSSÃO E RESULTADOS

Qualquer discussão sobre o trabalho com Múltiplas Linguagens imediatamente remete a temáticas inerentes a novas práticas de ensino. Entretanto, antes de se falar sobre novas práticas docentes, faz-se necessário pensar ‘o que é ensinar’, até mesmo por uma questão conceitual, já que muitos discutem se de fato alguém ‘ensina’ algo a outro alguém ou se é esse outro ‘alguém’ que aprende alguma por si só, contando apenas com a interferência daquele primeiro ‘alguém’. Freire (1987) afirma que o homem aprende ensinando e ensina aprendendo. Ou seja, cada elemento constituinte dessa relação professor-aluno possui seu papel fundamental no processo qualitativo de ensino-aprendizagem.

Entretanto, não se pode diminuir o papel de cada um no processo de ensino-aprendizagem. O estudante aprende algo que é ensinado com o professor e este aprende algo com aquele. A criança quando vai à escola já domina algumas linguagens, aquela que a faz contar histórias, cantar, brincar, jogar com seus colegas. E por este motivo o desafio é muito grande, porque se trabalha com algo que já existe por meio de uma cultura pré-estabelecida.

O trabalho com Múltiplas Linguagens – desenho, escrita, música, dança, pintura - deve ser uma forma de complementação do conhecimento em que a criança traz de casa e não uma forma de oposição entre disciplinas.

Da mesma forma, o ensino por meio das Múltiplas Linguagens deve privilegiar o desenvolvimento cognitivo do aluno e não apenas os aspectos técnicos no processo de ensino-aprendizagem. Esta problemática, muitas vezes, está no papel do docente, que não está preparado para ultrapassar os limites técnicos do conhecimento.

A relevância dessa pesquisa se dá por evidenciar a importância de que as Múltiplas Linguagens têm para o desenvolvimento das habilidades de comunicação em ambiente escolar. Muito também se tem investido para a formação de novos professores para redes públicas de ensino. Por isso pensar em projetos que contribuam com a formação continuada de professores é algo de relevância social, política e cultural.

Existe hoje uma demanda muito grande de professores para determinadas áreas, mas existe também a necessidade de investimentos em formação inicial e continuada, aquela que vai dar condições para o professor se atualizar e se aprofundar, tanto em sua

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área de conhecimento, quanto em suas práticas pedagógicas em sala de aula. O trabalho com Múltiplas Linguagens oportuniza ao docente um olhar amplo sobre o sujeito, criando assim novas possibilidades e desenvolvendo diferentes estratégias no processo de ensino-aprendizagem.

4 CONSIDERAÇÕES

A aprendizagem se constrói a partir das experiências vivenciadas pelos professores e alunos a partir das dificuldades e das conquistas observadas no cotidiano. Aquela deve estar acoplada às necessidades e às demandas sociais, tornando-se indispensável a avaliação permanente e criativa do processo de ensino-aprendizagem e seus agentes transformadores. É de fundamental importância as relações sociais-pedagógicas (CUNHA, 2012), principalmente para os que estão envolvidos com a educação e preocupados em intervir de alguma forma na formação docente como forma de transformação social.

As oficinas que serão oferecidas por esse projeto tentarão apresentar essas relações da forma mais concreta possível, aproximando a realidade do aluno com o saber docente. Dessa forma, esse trabalho prezará pela liberdade de escolha dos docentes em sua efetiva participação, ocorrendo de forma voluntária, dividindo e somando experiências de sala de aula e de seu dia a dia, relacionando-as com o processo de ensino-aprendizagem.

REFERÊNCIAS

ALVES-MAZZOTTI, J.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, 1998.

CUNHA, M. I. O bom professor e sua prática. Campinas, SP: Papirus, 2012.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

__________. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

MARCUSHI, B. Múltiplas linguagens e suas práticas. In: BUZEN, C.; MENDONÇA, M. Múltiplas linguagens para o Ensino Médio. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.

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Trabalho aprovado no Programa Institucional de Bolsas de Extensão (PIBEX), Edital 14/2015 pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Inovação - PROEPI do Instituto Federal do Paraná.

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Entenda-se por múltiplas linguagens: atividades de multimodalidade, gêneros textuais, leituras, teatro, história em quadrinhos, grafite, documentário, telejornal, revistas de divulgação científica, blog, uso de imagens, entre outros, grifo da autora.

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