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Eles não usam black-tie (Gianfrancesco Guarnieri)

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Academic year: 2021

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Eles não usam black-tie (Gianfrancesco Guarnieri)

Autor:

Gianfrancesco Sigfrido Benedetto Martinenghi de Guarnieri nasceu em Milão, filho de músicos antifascistas que decidiram mudar-se para o Rio de Janeiro em 1936, quando ele tinha dois anos.

Em 1955, Guarnieri fixou-se em São Paulo e, com Oduvaldo Viana Filho, fundou o Teatro Paulista do Estudante, que depois se uniu ao Teatro de Arena, que seria um dos centros de resistência cultural e de conscientização popular no início do regime militar implantado em 1964.

Guarnieri escreveu em 1956 sua primeira peça, "Eles Não Usam Black-tie". Montada em 1958, pelo Teatro de Arena, a peça transformou-se num marco da dramaturgia brasileira, ao retratar a luta operária, a divisão de classes e os conflitos sociais referentes ao proletariado. Seguiram-se as peças "Gimba" (1959), "A semente" (1961) e "O Filho do Cão" (1964).

Com o diretor e dramaturgo Augusto Boal, Guarnieri montou duas peças entre os anos de 1965 e 1967: "Arena conta Zumbi" e "Arena conta Tiradentes". Foi secretário municipal de Cultura de São Paulo entre 1984 e 1986.

Desde 2001 sofria de insuficiência renal crônica. Morreu de complicações gerais decorrentes da doença, depois de uma internação de 49 dias. Deixou cinco filhos e sete netos.

Características:

Gênero: dramático

Tema: A temática não é política, muito menos panfletária. O que discorre são relações de amor, solidariedade e esperança diante dos percalços de uma vida miserável. Conflito ideológico entre pai e filho. A pela aborda também o movimento operário da década de 50 no Brasil e as difíceis condições de vida dos trabalhadores brasileiros, traçando um panorama realista das favelas dos grandes centros urbanos e apontando o cerne do abismo social entre dominantes e dominados.

Cenário: favela carioca

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Trilha musical da peça: Nóis não usa os bleque tais (Adoniram Barbosa)

O nosso amor é mais gostoso Nossa saudade dura mais O nosso abraço mais apertado Nóis não usa as bleque tais

Minhas juras são mais juras Meus carinho mais carinhoso Suas mão são mãos mais puras Seu jeito é mais jeitoso

Nóis se gosta muito mais Nóis não usa as bleque tais

O nosso amor é mais gostoso Nossa saudade dura mais O nosso abraço mais apertado Nóis não usa as bleque tais

Minhas juras são mais juras Meus carinho mais carinhoso Suas mão são mãos mais puras Seu jeito é mais jeitoso

Nóis se gosta muito mais Nóis não usa as bleque tais Nóis não usa as bleque tais

Resumo:

Maria diz a Tião que está grávida. Eles marcam noivado e casamento para pouco tempo. Clima de festa e tranquilidade.

Pouco depois, estoura a greve. O pai, Otávio, clama pela greve no megafone. O filho, Tião, tenta convencer os funcionários da fábrica a trabalharem normalmente.

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Otávio acaba sendo preso pelo DOPS.

Quando solto, volta para a casa, no morro, e pede que Tião se retire de lá.

Tião pede a Maria que vá com ele morar em um quarto, na cidade, mas ela diz que do morro não sairá.

Tião sai de casa, sozinho.

O pai, Otávio, sabe que o filho voltará, apenas quando ele mudar o modo de olhar para a vida.

Personagens:

Ao invés de personagens ricos e nobres, operários e moradores do morro tomaram o palco. Ali, em plenos anos 50, negros eram cidadãos comuns. Pela primeira vez, os conflitos da realidade brasileira ganhavam espaço na caixa cênica.

Otávio: pai, é operário de carreira, um sonhador, um idealista, leitor de autores socialistas e, ao mesmo tempo um revolucionário por convicção e consciente de suas lutas. Forte e corajoso entre os seus companheiros, experimentou várias lideranças, algumas prisões, com isso ganha destaque entre os seus transformando-se num dos cabeças do movimento grevista.

Tião: criado na cidade, longe do morro, aos cuidados do padrinho, devido às prisões do pai, Otávio. Já adulto, volta a morar no morro, com os pais, mas sem ser um revolucionário ou grevista como o pai, o que ocasiona o conflito moral da peça. É corajoso, por não aderir à grave, batendo de frente com as pessoas próximas a si. Seu maior medo é ficar pobre.

Maria: noiva de Tião, fiel ao seu povo, recusa-se a sair do morro.

Romana: mãe de Tião, casada com Otávio, dona de casa. Mulher de pulso, determinada e responsável pelo equilíbrio da casa e da família.

João: irmão de Maria, homem ponderado e maduro, é o único que fica ao lado de Tião durante a greve.

Jesuíno: malando, fraco e oportunista. Fica dos dois lados na greve.

Chiquinho: irmão de Tião. Jovem aprontador, vive dormindo e de namoro com Terezinha. Bráulio: amigo de Otávio e braço direito na greve. Procura Tião para tirar satisfações com ele, sobre a não adesão do mesmo à greve.

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Questões Vestibular:

1. (UFSC 2010)

[...] Otávio – [...] Eu acho graça desses caras, contrariam a lei numa porção de coisas. Na hora de pagá o aumento querem se apoiá na lei. Vai se preparando, Tião. Num dou duas semanas e vai estourá uma bruta greve que eles vão vê se paga ou não. [...] (GUARNIEIRI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 19. ed. São Paulo: Civilização Brasileira, 2008. p. 25, Ato I.)

Escrita na década de 1950, a peça Eles não usam black-tie nos remete à reflexão sobre movimentos sociais no Brasil. Com base no contexto socioeconômico em que a obra de Guarnieri foi escrita e nos movimentos sociais no Brasil, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

01 Na década de 1950, o sindicalismo brasileiro enfrentou, com muitas greves, a inserção do país no capitalismo internacional. *

02 A década de 1950 foi caracterizada por um período de recessão econômica. Os índices inflacionários superavam 100% ao mês.

04 No Brasil, a organização sindical teve início no século XX e foi nutrida, de um lado, pelos anarquistas utópicos e, de outro lado, pelos defensores do neoliberalismo econômico.

08 Cenário de Eles não usam black-tie, as favelas estão circunscritas sobretudo às metrópoles regionais, como é caso do Rio de Janeiro e de São Paulo.

16 Criada na década de 1950, a Companhia Vale do Rio Doce, empresa de economia mista, foi o cenário que levou os personagens de Eles não usam black-tie a deflagrarem greve por melhores condições de trabalho e de salário.

32 Infere-se do diálogo do personagem Otávio que uma das estratégias utilizadas pelos sindicatos é a greve, como forma de pressionar os patrões para a obtenção de determinado objetivo. *

2. Com base na obra “Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, marque a alternativa correta.

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[A] A peça é dividida em seis atos e seis quadros.

[B] Guarnieri escreveu em 1955 sua primeira peça, “Eles Não Usam Black-tie”. Montada em 1958, pelo Teatro de Arena, a peça transformou-se num marco da dramaturgia brasileira, ao retratar a luta operária, a divisão de classes e os conflitos sociais referentes ao proletariado.

[C] Maria é noiva de Tião e não aceita seu envolvimento na greve operária, por isso abandona-o.

[D] São todos os personagens da peça: Maria, Tião, Chiquinho, Terezinha, Jesuíno, Romana, Odete, Babão e Bodinho.

[E] Tião é filho de Otávio e de D. Romana, que privilegia a educação do filho caçula. *

3. O prefácio do livro Eles não usam black-tie reproduz um artigo escrito, em 1960, pelo jornalista Paulo Francis, sobre Gianfrancesco Guarnieri. Afirma Paulo Francis nesse artigo (p. 13): “Ele é um dramaturgo que transmite a urgência dessa tomada de posição, que a justapõe às acomodações de ordem individual, pedindo ao público que escolha entre as duas atitudes. E o faz carregando consigo a metrópole para o palco, indo ao centro do conflito. Marca o despertar da geração de hoje”.

As duas atitudes a que se refere o trecho citado são a adesão à greve pelos trabalhadores e a traição de Tião, o qual prefere não participar do movimento.

A opinião do jornalista sobre o dramaturgo se justifica pelo fato de a peça tratar da

a. revolta dos habitantes da periferia de uma grande cidade. b. desigualdade social sob a perspectiva da luta de classes. * c. exploração dos trabalhadores pelos sindicatos de esquerda. d. impossibilidade de ascensão social da classe operária.

4. No teatro moderno, tornou-se comum o uso de variante lingüística própria da personagem, como recurso para criar o efeito de verdade. Nesses casos, o padrão de qualidade do texto exige coerência. Com base nesses dados, qual é a incoerência que se observa no trecho a seguir, extraído da peça Eles não usam Black-tie de Gianfrancesco Guarnieri:

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"Maria: Sempre vivi em barraco. E vivê com tu é o que interessa. Tião: Eu é que não me ajeito aqui no morro.

Maria: Por quê? Aqui também tem coisa boa... Só o que eu quero é ficar contigo"

a. Trata-se da utilização da forma tu por uma personagem simples como Maria. b. Trata-se do uso, no mesmo contexto, das formas com tu ( variante popular) e

contigo ( variante culta) pela mesma personagem. *

c. Trata-se da utilização do contigo, apenas presente no falar culto. d. Trata-se do uso do pronome tu incorretamente.

e. Trata-se do uso de contigo incorretamente.

5. Em relação à obra Eles Não Usam Black-tie, marque com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas.

a. “Zé-do-Burro, um sertanejo, carrega nas costas uma imensa cruz por mais de sete léguas, até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para pagar uma promessa. Tudo o que ele quer é depositar a cruz dentro da igreja e pagar assim sua promessa, mas as coisas não serão tão fáceis.” F

b. “Situa-se numa favela carioca, nos anos 50, e tem como tema a greve, e ao lado da greve a peça tem como pano de fundo um debate sobre as grandes verdades eternas, reflexões universais sobre a nossa frágil condição humana, sobre os homens e seus conflitos.” V

C. “A peça teatral foi transformada em filme em 1981, e o mesmo só não foi censurado porque venceu o Festival de Veneza daquele ano, ganhando o Leão de Ouro.” V

d. “A peça foi encenado pela primeira vez em São Paulo, em 1960. Menos de dois anos depois, o filme baseado na peça já ganhava Palma de Ouro em Cannes.” F

e. “É um texto fantástico, político e social, sempre atual, no qual Gianfrancesco Guarnieri criou de um lado, personagens marcantes e populares como Terezinha, Chiquinho, Dalvinha e Jesuíno que nos revelam um mundo alegre, descontraído e aparentemente feliz.” V

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Texto 7

TIÃO – [...] Bem, gente... Hoje é meu dia... Já ganhei presente de noivado... ROMANA – Saiu o aumento?

OTÁVIO – Que aumento! Sem greve não sai aumento! ROMANA (repreendendo-o) – Otávio!...

TIÃO – Aumento nada... Tive minha chance no cinema!... [...]

OTÁVIO – Seu pai vai ficá irritado com esse recado, mas eu digo. Seu pai tem outro recado pra você. Seu pai acha que a culpa de pensá desse jeito não é sua só. Seu pai acha que tem culpa...

TIÃO – Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma.

OTÁVIO (perdendo o controle) – Se eu te tivesse educado mais firme, se te tivesse mostrado melhor o que é a vida, tu não pensaria em não ter confiança na tua gente...

GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 19. ed. Rio de Janeiro:

Civilização Brasileira, 2008. p. 36-37; 105.

Considerando o texto 7 e a obra Eles não usam black-tie, é CORRETO afirmar que:

01. os dois trechos de diálogo revelam indícios do conflito ideológico existente entre pai e filho: Otávio, representando um cidadão politicamente engajado que defende os interesses coletivos, e Tião, um indivíduo que, por medo da pobreza, defende seus interesses individuais. *

02. Eles não usam black-tie é uma peça teatral que retrata a vida numa favela, e suas cenas se desenrolam em torno de um conflito de classes em que os operários lutam por melhores salários.*

04. Tião foi convidado a participar de um filme sobre o cotidiano da fábrica onde trabalhava e aceitou o convite, por ter vislumbrado nisso uma chance de sair do morro e ficar rico.

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08. a peça explora aspectos atuais da realidade brasileira, tais como: pobreza, prostituição, embate entre policiais e traficantes no morro, falta de escolas e de saneamento básico na periferia das grandes cidades.

16. Otávio é um dos líderes do movimento grevista focalizado na peça e acaba preso. A prisão do marido foi a gota d’água para que Romana o abandonasse e se livrasse, enfim, da miséria em que vivia.

32. Tião, expulso de casa pelo pai por ter traído o movimento grevista e os companheiros, é apoiado pela noiva, Maria, que via nesse episódio a possibilidade de realizar seu sonho de abandonar a vida miserável da favela e ter seu filho na cidade.

64. ao dizer “Hoje é meu dia” (linha 1), infere-se que Tião se referia ao fato de que, depois de várias tentativas frustradas, enfim arranjara uma noiva.

7. Considerando o texto 7, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

01. Se a fala de Otávio “Sem greve não sai aumento!” (linha 3) fosse substituída por “Só com greve sai aumento!”, haveria considerável alteração de significado no contexto. 02. Ambas as construções: “Se eu te tivesse educado mais firme” (linha 11) e “tu não

pensaria” (linha 12) apresentam o mesmo nível de formalidade e revelam que a personagem tem alto nível de escolaridade.

04. Os dois trechos de diálogo apresentam um registro coloquial, mas o segundo trecho (linhas 7-12) evidencia mais marcas de oralidade que o primeiro. *

08. No segundo trecho (linhas 7-12), pai e filho mantêm um diálogo no qual simulam a intermediação de uma terceira pessoa; assim, as expressões seu pai e meu pai remetem ao mesmo referente – Otávio; da mesma forma, os pronomes você e tu remetem ao mesmo referente – Tião. *

16. A frase “Diga a meu pai que ele não tem culpa nenhuma” (linha 10) pode ser reescrita, sem prejuízo de significado, como “Diga a meu pai que ele não tem culpa alguma”. *

32. A palavra gente (linhas 1 e 12) está funcionando como pronome de primeira pessoa do plural, com o mesmo sentido de nós.

Referências

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