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Álgebra Não Comutativa

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

Álgebra Não Comutativa

(Mestrado em Matemática, 2012/2013)

Fernando Silva

(texto revisto em 30-jul-2015)

Este texto é uma revisão do texto de apoio para a disciplina de Álgebra Não Comutativa do Mestrado em Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa no ano letivo de 2012/2013. A última revisão está disponível emhttp://webpages.fc.ul.pt/~fasilva/anc/ .

(2)

Este texto foi escrito para apoiar as aulas da disciplina de Álgebra Não Comutativa do mestrado em Matemática da Faculdade de Ciências da Uni-versidade de Lisboa no ano letivo de 2012-2013. Todos os alunos que fre-quentaram esta disciplina também tinham frequentado Álgebra Comutativa onde foi lecionada a Teoria dos Módulos. Por isso, o texto pressupõe que os estudantes já conheciam a Teoria dos Módulos ao nível necessário para a dis-ciplina de Álgebra Não Comutativa. Para facilitar as referências, o texto foi escrito no mesmo documento em que foi escrito o texto para a disciplina de Álgebra Comutativa e as numerações das páginas e dos capítulos continuam as numerações no texto de Álgebra Comutativa que está disponível em

(3)

Parte II

(4)

Conteúdo

I Álgebra Comutativa

0 Preliminares 1

0.1 Grupos . . . 1

0.2 Grupos aditivos comutativos . . . 2

0.3 Generalidades sobre anéis . . . 5

0.4 Domínios integrais . . . 13 0.5 Ideais maximais . . . 15 1 Módulos 17 1.1 Generalidades . . . 17 1.2 Condições de cadeia . . . 27 1.3 Séries de composição . . . 32 1.4 Módulos livres . . . 38 1.5 Sequências exatas . . . 48

1.6 Módulos projetivos e módulos injetivos . . . 52

1.7 Hom e dualidade . . . 59

2 Álgebras e polinómios 67 2.1 Álgebras sobre um anel comutativo . . . 67

2.2 Álgebras de polinómios . . . 71

2.3 Teorema da base de Hilbert . . . 79

3 Aplicações multilineares e produtos tensoriais 81 3.1 Aplicações multilineares . . . 81

3.2 Determinante . . . 84

3.3 Teorema de Cayley-Hamilton . . . 89

3.4 Produto tensorial de módulos . . . 90

3.5 Produto tensorial de homomorfismos . . . 98

3.6 Mudança do anel dos escalares . . . 101

3.7 Produto tensorial de álgebras . . . 103

4 Módulos sobre domínios de ideais principais 105 4.1 Módulos finitamente gerados . . . 105

(5)

4.3 Decomposições em fatores cíclicos . . . 111

4.4 Diagonalização de matrizes . . . 122

4.5 Formas canónicas para a semelhança . . . 133

5 Anéis comutativos 142 5.1 Ideais primos e ideais radicais . . . 142

5.2 Elementos inteiros . . . 147

5.3 Variedades afins . . . 152

5.4 Teorema dos zeros de Hilbert (Nullstellensatz) . . . 155

5.5 Anéis de frações, anéis locais e localização . . . 160

5.6 Decomposição primária . . . 169

5.7 Teorema da intersecção de Krull . . . 181

II Álgebra Não Comutativa 6 Radical de Jacobson 201 6.1 Radical de Jacobson e lema de Nakayama . . . 201

6.2 Anéis locais . . . 207

6.3 Teoremas de Fitting e de Krull–Schmidt . . . 209

7 Anéis semissimples 213 7.1 Anéis simples . . . 213

7.2 Módulos semissimples . . . 215

7.3 Anéis semissimples . . . 220

7.4 A estrutura dos anéis semissimples . . . 222

7.5 Unicidade de decomposição dos anéis semissimples. Compo-nentes simples . . . 232

8 Anéis primitivos e semiprimitivos 240 8.1 Anéis e ideais primitivos . . . 240

8.2 Teorema da densidade . . . 241

8.3 Estrutura dos anéis primitivos . . . 244

8.4 Anéis semiprimitivos . . . 246

8.5 Socle de um módulo . . . 251

9 Primos e semiprimos 253 9.1 Ideais primos e semiprimos . . . 253

9.2 Anéis primos e semiprimos . . . 258

9.3 Relações entre várias classes de anéis . . . 260

10 Anéis perfeitos e semiperfeitos 264 10.1 Anéis semilocais . . . 264

10.2 Idempotentes . . . 268

(6)

10.4 Anéis semiperfeitos . . . 281

10.5 T-Nilpotência . . . 286

10.6 Anéis perfeitos . . . 289

10.7 Submódulos supérfluos e submódulos maximais . . . 291

10.8 Cobertura projetiva . . . 295

10.9 Produto tensorial . . . 301

10.10Módulos planos . . . 306

(7)

Capítulo 6

Radical de Jacobson

6.1 Radical de Jacobson e lema de Nakayama

Seja R um anel. Seja Ue(R) o conjunto dos elementos de R invertíveis à

esquerda. (1) Seja U(R) o grupo multiplicativo dos elementos invertíveis de

R.

Se R 6= 0, então, pelo lema de Zorn, R tem pelo menos um ideal esquerdo maximal.

Se R 6= 0, chamamos radical esquerdo de Jacobson de R à interseção de todos os ideais esquerdos maximais de R. Se R = 0, dizemos que o radical esquerdo de Jacobson de R é 0. Representamos o radical esquerdo de Jacobson de R por JeR. Analogamente, definimos radical direito de Jacobson

de R e representamo-lo por JdR.

Mais adiante, veremos que JeR = JdR. Depois disso, diremos que JeRé

o radical de Jacobson e representá-lo-emos por JR. Note-se que, se R 6= 0, então JeR$ R.

Lema 6.1 Sejam R um anel e y 2 R. As afirmações seguintes são equivalentes:

(a6.1) y2 JeR.

(b6.1) Qualquer que seja r 2 R, 1 + ry 2 Ue(R).

(c6.1) Qualquer que seja o R-módulo esquerdo simples M, yM = 0.

Demonstração. O caso R = 0 é trivial. Suponhamos que R 6= 0.

(a6.1)) (b6.1). Suponhamos que y 2 JeR. Seja r 2 R. Suponhamos que

1 + ry /2 Ue(R). Então R(1 + ry) é um ideal esquerdo de R diferente de R.

Utilizando o lema de Zorn, deduzimos que existe um ideal esquerdo maximal mde R tal que R(1 + ry) ✓ m $ R. Donde, 1 + ry 2 m. Como y 2 JeR,

(8)

y 2 m. Donde, 1 2 m, o que implica que R = m, uma contradição. Logo, 1 + ry2 Ue(R).

(b6.1) ) (c6.1). Seja M um R-módulo esquerdo simples. Suponhamos

que yM 6= 0. Seja x 2 M tal que yx 6= 0. Então R(yx) é um submódulo não nulo de M. Como M é simples, M = R(yx). Em particular, existe r 2 R tal que x = r(yx). Donde, (1 ry)x = 0. Como 1 ry 2 Ue(R),deduzimos

que x = 0, o que é absurdo. Logo, yM = 0.

(c6.1) ) (a6.1). Seja m um ideal esquerdo maximal de R. Então R/m

é um R-módulo esquerdo simples. De acordo com (c6.1), y(R/m) = {m}.

Como y + m = y(1 + m) 2 y(R/m) = {m}, deduzimos que y 2 m. Logo, y2 JeR.

Proposição 6.2 Se R é um anel, JeR é um ideal de R.

Demonstração. Claramente, JeR é um ideal esquerdo de R. Sejam y 2

JeR e r 2 R. Seja M um R-módulo simples. De acordo com o lema 6.1,

yM = 0. Donde, (yr)M ✓ yM = 0. De novo pelo lema 6.1, yr 2 JeR. Logo,

JeR é um ideal de R.

Lema 6.3 Sejam R um anel e y 2 R. São equivalentes: (a6.3) y2 JeR.

(b6.3) Quaisquer que sejam r, s 2 R, 1 rys é invertível.

Demonstração. Suponhamos que (b6.3) é satisfeita. Então (b6.1) é

satis-feita. Pelo lema 6.1, y 2 JeR.

Reciprocamente, suponhamos que y 2 JeR. Sejam r, s 2 R. Como JeR

é um ideal de R, ys, rys 2 JeR. De acordo com o lema 6.1, existe w 2 R tal

que

1 = w(1 rys) (6.1)

e existe u 2 R tal que

1 = u(1 + wrys). (6.2) De (6.1), vem wrys = w 1. Substituindo em (6.2), vem

1 = uw. (6.3)

Assim,

u = u1 = u(w(1 rys)) = (uw)(1 rys) = 1 rys.

Tendo em conta (6.1) e (6.3), concluímos que 1 rys é invertível e w é o seu inverso.

(9)

Demonstração. Basta ter em conta que, com argumentos análogos aos utilizados para demonstrar o lema 6.3, é possível provar que, qualquer que seja y 2 R, y 2 JdR se e só se (b6.3) é satisfeita.

A partir de agora, chamaremos radical de Jacobson de R ao ideal JeR e

representá-lo-emos por JR.

Lema 6.5 [Lema de Nakayama] Sejam R um anel e a um ideal esquerdo de R. As afirmações seguintes são equivalentes:

(a6.5) a✓ JR.

(b6.5) 1 + a✓ U(R).

(c6.5) 1 + a✓ Ue(R).

(d6.5) Para todo o R-módulo esquerdo finitamente gerado M, se aM = M,

então M = 0.

(e6.5) Para todo o R-módulo esquerdo M e para todo o submódulo N de M

tal que M/N é finitamente gerado, se N + aM = M, então N = M. Demonstração. (a6.5) ) (b6.5) resulta do lema 6.3. (b6.5) ) (c6.5) é

trivial.

(c6.5)) (a6.5). Seja y 2 a. Por (c6.5),qualquer que seja r 2 R, 1 + ry 2

Ue(R). Pelo lema 6.1, y 2 JR.

(a6.5)) (d6.5). Suponhamos que a ✓ JR. Seja M um módulo esquerdo

finitamente gerado sobre R tal que aM = M. Suponhamos que M 6= 0. Seja {x1, . . . , xn} um conjunto gerador minimal de M. Como aM = M,

x1 = k X j=1 cjyj, onde k 2 N, cj 2 a, yj 2 M, j 2 {1, . . . , k}. Para cada j 2 {1, . . . , k}, yj = n X i=1

ai,jxi, onde ai,j 2 R, i 2 {1, . . . , n}.

Assim, x1 = k X j=1 cj n X i=1 ai,jxi ! = n X i=1 dixi, onde di= k X j=1 cjai,j 2 JR, i 2 {1, . . . , n}.

(10)

Donde, (1 d1)x1= n X i=2 dixi,

Como d1 2 JR, 1 d1 2 U(R) e é fácil deduzir que x1 é combinação linear

de {x2, . . . , xn}. Daqui resulta que {x2, . . . , xn} gera M, o que é absurdo.

(d6.5) ) (e6.5). Suponhamos que (d6.5) é satisfeita. Seja N um

sub-módulo de um R-sub-módulo esquerdo M tal que M/N é finitamente gerado e N + aM = M. É fácil verificar que

aM N = N + aM N = M N. De acordo com (d6.5), M/N = 0. Donde, N = M.

(e6.5) ) (a6.5). Suponhamos que (e6.5) é satisfeita e a * JR. Pela

definição de JR, existe um ideal esquerdo maximal m de R tal que a * m. Assim, m $ m + a. Pela maximalidade de m, R = m + a ✓ m + aR ✓ R. Por (e6.5), m = R, o que é absurdo.

Corolário 6.6 Se R é um anel, JR é o maior ideal (respetivamente, maior ideal esquerdo) a de R tal que 1 + a ✓ U(R) (respetivamente, 1 + a ✓ Ue(R)).

Proposição 6.7 Seja R um anel. Um elemento r 2 R é invertível à esquerda (respetivamente, invertível) em R se e só se r + JR é invertível à esquerda (respetivamente, invertível) em R/JR.

Demonstração. Suponhamos que r + JR 2 Ue(R/JR). Seja s 2 R tal

que 1 + JR = (s + JR)(r + JR) = sr + JR. Então, 1 sr 2 JR. Pelo lema de Nakayama, sr 2 Ue(R). Donde, r 2 Ue(R).

O resto da demonstração é exercício.

Definição 6.8 Seja R um anel. Um elemento x de R diz-se nilpotente se existe n 2 N tal que xn= 0.

Um ideal esquerdo (respetivamente, direito) a de R diz-se nil se todos os seus elementos são nilpotentes.

Um ideal esquerdo (respetivamente, direito) a de R diz-se nilpotente se existe n 2 N tal que an= 0.

Nas condições anteriores,

• an= 0 se e só se, quaisquer que sejam x

1, . . . , xn2 a, x1· · · xn= 0.

• Se a é nilpotente, então a é nil.

Lema 6.9 Seja R um anel. Se a e b são ideais esquerdos nilpotentes de R,então a + b é um ideal esquerdo nilpotente de R.

(11)

Demonstração. Suponhamos que a e b são ideais esquerdos nilpotentes de R. Seja n 2 N tal que an= bn = 0. Vejamos que (a + b)2n = 0. Sejam

x1, . . . , x2n2 a e y1, . . . , y2n 2 b, com vista a mostrar que

(x1+ y1)· · · (x2n+ y2n) = 0. (6.4)

Desenvolvendo o lado esquerdo de (6.4), obtemos uma soma com 22n

parce-las, onde cada parcela é produto de 2n elementos de a [ b. Em cada uma destas parcelas, pelo menos n fatores pertencem a a ou pelo menos n fatores pertencem a b. Como a e b são ideais esquerdos e an = bn = 0,deduzimos

que todas as parcelas são nulas. Portanto, (6.4) é satisfeita. Logo, a + b é nilpotente.

Corolário 6.10 Seja R um anel. Se a1, . . . , am são ideais esquerdos

nilpotentes de R, então a1+· · · + am é nilpotente.

Demonstração. Resulta do lema anterior, utilizando um argumento de indução.

Lema 6.11 Sejam R um anel e a um ideal esquerdo de R. Se a é nil, então a ✓ JR.

Demonstração. Suponhamos que a é nil. Seja y 2 a. Seja r 2 R. Como ry2 a, ry é nilpotente. Seja n 2 N tal que (ry)n= 0. Então

n 1 X i=0 (ry)i ! (1 ry) = n 1 X i=0 (ry)i n X i=1 (ry)i = 1,

o que mostra que 1 ry 2 Ue(R). De acordo com o lema 6.1, y 2 JR. Logo,

a✓ JR.

Proposição 6.12 Seja R um anel artiniano à esquerda. Então JR é o maior ideal esquerdo (respetivamente, ideal; ideal direito) nilpotente de R.

Demonstração. Tendo em conta o lema anterior, basta provar que J = JR é nilpotente. Como

J◆ J2 ◆ J3 ◆ · · ·

é uma cadeia descendente de ideais de R e R é artiniano à esquerda, existe k2 N tal que, qualquer que seja n k, Jk= Jn. Vejamos que Jk= 0.

Suponhamos que Jk6= 0. Seja L o conjunto dos ideais esquerdos e de R

tais que Jke6= 0. O conjunto L não é vazio, pois J 2 L. Como R é artiniano

à esquerda, L tem um elemento minimal a. Seja x 2 a tal que Jkx 6= 0.

Então

(12)

o que mostra que Jkx 2 L. Como 0 6= Jkx ✓ a, resulta, da minimalidade

de a, que a = Jkx. Portanto, x = yx, para algum y 2 Jk ✓ J. Como

(1 y)x = 0 e 1 y 2 U(R), deduzimos que x = 0, o que é absurdo. Logo, Jk= 0.

Corolário 6.13 Sejam R um anel e a um ideal esquerdo ou um ideal direito de R.

Se R é um anel artiniano à esquerda e a é nil, então a é nilpotente. Demonstração. Suponhamos que a é nil. De acordo com o lema 6.11, a✓ JR. De acordo com a proposição 6.12, existe k 2 N tal que (JR)k = 0.

Logo, ak= 0.

Proposição 6.14 Sejam R um anel e m um ideal de Rn⇥n. Existe um

único ideal a de R tal que m = an⇥n.

Reciprocamente, se b é um ideal de R, então bn⇥n é um ideal de Rn⇥n.

Demonstração. Existência. Seja a o conjunto de todos os elementos a2 R tais que a é entrada de alguma matriz M 2 m. Quaisquer que sejam k, l 2 {1, . . . , n}, seja Ek,l a matriz que tem a entrada (k, l) igual a 1 e as

restantes entradas iguais a 0.

Vejamos que a é um ideal de R. Como m 6= ;, a 6= ;. Sejam a1, a2 2 a,

c2 R. Suponhamos que, para cada t 2 {1, 2}, até a entrada (it, jt) de uma

matriz Mt2 m. Então a1 a2 é a entrada (1, 1) da matriz

E1,i1M1Ej1,1 E1,i2M2Ej2,12 m,

o que mostra que a1 a2 2 a. Por outro lado, ca1 é a entrada (i1, j1) da

matriz (cIn)M1 2 m, o que mostra que ca1 2 a. Analogamente, a1c 2 a.

Logo, a é um ideal de R.

Vejamos que m = an⇥n. Claramente m ✓ an⇥n. Reciprocamente, seja

A = [ai,j]2 an⇥n. Sejam i, j 2 {1, . . . , n}. Pela definição de a, ai,j é entrada

de alguma matriz M(i, j) 2 m. Suponhamos que ai,j é a entrada (ki,j, li,j)

de M(i, j). Então

A =

n

X

i,j=1

Ei,ki,jM (i, j)Eli,j,j2 m.

Logo, m = an⇥n.

Unicidade. É trivial que, se an⇥n= m = bn⇥n,então a = b.

É fácil provar que, se b é um ideal de R, então bn⇥né um ideal de Rn⇥n.

(13)

Demonstração. Exercício.

Exercício 6.16 Seja a um ideal de um anel R tal que a ✓ JR. Mostre que

JR a =

JR a .

Exercício 6.17 Seja a um ideal de um anel R. Mostre que, se J(R/a) = {a}, então JR ✓ a.

Exercício 6.18 Seja M um módulo simples sobre um anel R. Mostre que o grupo aditivo M é um módulo simples sobre R/JR, com o produto escalar

(R/JR)⇥ M ! M. (6.5) (a + JR, x) ! ax

(Não se esqueça de mostrar que o produto escalar (6.5) está bem definido.) Exercício 6.19 Seja R um anel tal que S = U(R) [ {0} é um anel de divisão. Mostre que JR = 0.

Exercício 6.20 Seja R um anel. Mostre que, se a1, . . . , an são ideais

esquerdos nil, então a1+· · · + an é nil.

Exercício 6.21 Seja R um anel. Seja BR a intersecção de todos os ideais maximais de R. (2) Mostre que JR ✓ BR.

Exercício 6.22 Seja f : R ! S um epimorfismo de anéis. Mostre que f (JR)✓ JS. (3)

Exercício 6.23 Seja (Ri)i2Iuma família de anéis. Mostre que J(Qi2IRi) =

Q

i2IJRi.

6.2 Anéis locais

Proposição 6.24 Seja R um anel não nulo. São equivalentes as afir-mações seguintes:

(a6.24) R tem um único ideal esquerdo maximal.

(b6.24) R tem um único ideal direito maximal.

2BRchama-se o radical de Brown-McCoy de R.

3Esta inclusão e a inclusão do exercício anterior podem ser estritas. Encontram-se

exemplos em ex. 4.8 e ex. 4.10 do livro T. Y. Lam, Exercises in Classical Ring Theory, Springer-Verlag, 2003.

(14)

(c6.24) R/JR é um anel de divisão.

(d6.24) JR = R\ U(R).

(e6.24) R\ U(R) é um ideal de R.

(f6.24) R\ U(R) é um subgrupo aditivo de R.

(g6.24) Quaisquer que sejam a, b 2 R, a+b 2 U(R) ) a 2 U(R) ou b 2 U(R).

Demonstração. (a6.24)) (c6.24). Suponhamos que R tem um único ideal

esquerdo maximal m. Então JR = m e os únicos ideais esquerdos de R/JR são 0 e R/JR. De acordo com a proposição 0.49, R/JR é um anel de divisão. (c6.24)) (a6.24). Suponhamos que R/JR é um anel de divisão. Seja m

um ideal esquerdo maximal de R. Como JR ✓ m $ R, resulta da proposição 0.49 que JR = m.

Analogamente, demonstra-se que (b6.24), (c6.24).

(c6.24)) (d6.24). Suponhamos que R/JR é um anel de divisão. Como o

ideal JR é diferente de R, JR ✓ R \ U(R). Seja a 2 R \ U(R). De acordo com a proposição 6.7, a + JR 62 U(R/JR). Como R/JR é anel de divisão, a + JR = JRe a 2 JR.

(d6.24)) (e6.24)) (f6.24)) (g6.24). Trivial.

(g6.24) ) (c6.24). Suponhamos que (g6.24) é satisfeita. Seja a 2 R \ JR.

Seja m um ideal esquerdo maximal de R tal que a /2 m. Então, R = m+Ra e, portanto, existem m 2 m e b 2 R tais que 1 = m + ba. Como Rm ✓ m 6= R, m /2 U(R). Por (g6.24), ba 2 U(R). Donde, a 2 Ue(R). De acordo com

a proposição 6.7, a + JR 2 Ue(R/JR). De acordo com a proposição 0.48,

R/JRé um anel de divisão.

Definição 6.25 Os anéis não nulos R que satisfazem as condições equi-valentes (a6.24)–(g6.24) chamam-se anéis locais.

Proposição 6.26 Seja R um anel local.

(a6.26) JR é máximo no conjunto dos ideais esquerdos de R diferentes de R

e, portanto, é o único ideal esquerdo maximal de R.

(b6.26) JRé máximo no conjunto dos ideais de R diferentes de R e, portanto,

é o único ideal maximal de R. (c6.26) Se a 2 Ue(R), então a 2 U(R). (4)

(d6.26) R não tem idempotentes diferentes de 0 e de 1.

(15)

Demonstração. (a6.26). Seja a um ideal esquerdo de R diferente de R.

Seja m um ideal esquerdo maximal de R tal que a ✓ m. Como R é local, a✓ m = JR.

(b6.26)resulta de (a6.26).

(c6.26). Seja a 2 Ue(R). Então R = Ra e, portanto, a não pertence a

nenhum ideal esquerdo de R diferente de R. Em particular, a /2 JR. De acordo com (d6.24), a2 U(R).

(d6.26). Seja e um elemento idempotente de R. Seja f = 1 e. De acordo

com (g6.24), e 2 U(R) ou f 2 U(R). Como ef = e(1 e) = e e2 = 0,

deduzimos que f = 0 ou e = 0. Donde, e = 1 ou e = 0.

6.3 Teoremas de Fitting e de Krull–Schmidt

Teorema 6.27 [Fitting] Sejam M um módulo que tem uma série de composição e f : M ! M um endomorfismo de M. Existem submódulos L, N de M tais que M = L N, f(L) = L, f(N) ✓ N, f|L é um automor-fismo de L e f|N é um endomorfismo nilpotente de N.

Demonstração. Temos

f (M )◆ f2(M )◆ · · · , nuc f ✓ nuc f2✓ · · · .

Como M é noetheriano e artiniano, existe p 2 N tal que, qualquer que seja n p, fp(M ) = fn(M )e nuc fp= nuc fn. Sejam L = fp(M )e N = nuc fp.

Temos

L = fp(M ) = fp+1(M ) = f (fp(M )) = f (L). Seja x 2 N. Então

fp(f (x)) = f (fp(x)) = f (0) = 0,

o que mostra que f(x) 2 N. Logo, f(N) ✓ N.

Vejamos que L \N = 0. Seja x 2 L\N. Então x = fp(w),onde w 2 M,

e fp(x) = 0. Assim,

f2p(w) = fp(fp(w)) = fp(x) = 0,

o que mostra que w 2 nuc f2p = nuc fp. Donde, x = fp(w) = 0. Logo,

L\ N = 0.

Seja x 2 nuc f|L. Então x 2 L e f(x) = 0. Donde, x 2 nuc f ✓ N. Como

L\ N = 0, x = 0. Portanto, f|L é injetivo. Já tinhamos visto que f(L) = L.

Logo, f|L é automorfismo de L.

Resulta imediatamente da definição de N que fp(N ) = 0. Logo, f |N é

(16)

Vejamos que M = L + N. Seja x 2 M. Como L = fp(M ) = f2p(M ) =

fp(L), existe w 2 L tal que fp(x) = fp(w). Donde, 0 = fp(x) fp(w) = fp(x w),o que mostra que x w 2 N. Assim, x = w + (x w) 2 L + N. Logo, M = L + N. Já tinhamos visto que L \ N = 0. Logo, M = L N.

Lema 6.28 Seja R um anel não nulo.

(i6.28) Se todos os elementos de R \ U(R) são nilpotentes, então R é um anel

local.

(ii6.28) Se R é subanel de um anel de divisão D tal que, qualquer que seja

x2 D \ 0, x 2 R ou x 12 R, então R é um anel local.

Demonstração. (i6.28). Suponhamos que todos os elementos de R \ U(R)

são nilpotentes.

Vejamos que R \ U(R) ✓ JR. Seja a um elemento não nulo de R \ U(R). Seja k o menor número natural tal que ak = 0. Se existir b 2 R tal que

ba 2 U(R), então 0 6= ak 1 = (ba) 1(ba)ak 1 = (ba) 1bak = 0, o que é

absurdo. Logo, Ra ✓ R \ U(R). Como todos os elementos de R \ U(R) são nilpotentes, Ra é um ideal esquerdo nil. De acordo com o lema 6.11, Ra✓ JR. Assim, a 2 JR.

De acordo com o parágrafo anterior, R \ U(R) ✓ JR. A outra inclusão é trivial. Logo, R é anel local.

(ii6.28). Suponhamos que R é subanel de um anel de divisão D tal que,

qualquer que seja x 2 D \ 0, x 2 R ou x 1 2 R. Sejam a, b 2 R tais que

a + b2 U(R), com vista a mostrar que a 2 U(R) ou b 2 U(R). Se a = 0 ou b = 0, então b 2 U(R) ou a 2 U(R). Suponhamos que a 6= 0 e b 6= 0. Seja c = a 1b2 D. De acordo com a hipótese, c 2 R ou c 1 2 R. Se c 2 R,

então

a 1= a 1(a + b)(a + b) 1 = (1 + c)(a + b) 1 2 R e a 2 U(R). Se c 1 2 R, então

b 1 = b 1(a + b)(a + b) 1 = (c 1+ 1)(a + b) 1 2 R e b 2 U(R). Logo, R é anel local.

Definição 6.29 Um módulo M sobre um anel R diz-se fortemente inde-componível se EndR(M ) é um anel local.

Proposição 6.30 Seja M um módulo sobre um anel R. Se M é forte-mente indecomponível, então M é indecomponível.

Demonstração. Suponhamos que M é decomponível e sejam K e L sub-módulos não nulos de M tais que M = K L. Seja e : M ! M a projeção que a cada x + y 2 M, onde x 2 K e y 2 L, faz corresponder x. Claramente, e é um endomorfismo idempotente não nulo e diferente da identidade. De acordo com a proposição 6.26, EndR(M ) não é um anel local.

(17)

Proposição 6.31 Sejam R um anel e M um R-módulo não nulo, inde-componível e que tem uma série de composição. Então EndR(M ) é um anel

local, M é fortemente decomponível e o ideal J(EndR(M ))é nil.

Demonstração. Seja f 2 EndR(M ). Sejam L e N submódulos nas

con-dições do enunciado do teorema de Fitting. Como M é indecomponível, N = M ou L = M. Se N = M, então f é nilpotente. Se L = N, então f é um automorfismo. De acordo com o lema 6.28, EndR(M ) é um anel local.

Como o ideal J(EndR(M ))não contém elementos invertíveis, todos eles são

nilpotentes e J(EndR(M ))é nil.

Teorema 6.32 [Krull–Schmidt] Sejam R um anel e M um R-módulo não nulo que tem uma série de composição. Então

M = M1 · · · Mr,

onde r 2 N e M1, . . . , Mrsão submódulos de M não nulos e indecomponíveis.

Se M = N1 · · · Ns, é outra decomposição de M, onde s 2 N e

N1, . . . , Ns são submódulos de M não nulos e indecomponíveis, então r = s

e existe uma permutação de {1, . . . , r} tal que Mi ⇠= N (i), i2 {1, . . . , r}.

Demonstração. Existência. Seja M um R-módulo que tem uma série de composição. Vejamos que M se decompõe como soma direta de um número finito de submódulos não nulos indecomponíveis. Se M é indecomponível, a decomposição já está obtida. Se M é decomponível, então M = N1 N2,

onde N1 e N2 são submódulos de M não nulos. Se N1 e N2 são

inde-componíveis, a decomposição está obtida. Se algum dos módulos N1, N2 é

decomponível, podemos substitui-lo pela soma de dois submódulos não nulos e obter uma decomposição de M como soma direta de três submódulos não nulos. Repetindo este procedimento, obtemos uma decomposição de M como soma direta de um número finito de submódulos não nulos indecomponíveis, ou obtemos decomposições de M como soma direta de submódulos nulos, com o número de parcelas arbitrariamente grande. A segunda alternativa implica, de acordo com a proposição 1.59, que M tem séries normais com comprimentos arbitrariamente grandes, o que contradiz o lema 1.55. Logo, M decompõe-se como soma direta de um número finito de submódulos não nulos indecomponíveis.

Unicidade. Esta parte da demonstração é por indução em r. Se r = 1, então M é indecomponível e o resultado é trivial.

Suponhamos que r 2. Sejam ⇡i : M ! Mi, i 2 {1, . . . , r}, ⇢j : M !

Nj, j 2 {1, . . . , s}, as projeções associadas com as decomposições indicadas

no enunciado. Considerando ⇡i e ⇢j como elementos de EndR(M ),temos

(18)

Além disso,

idM1 = ⇡1|M1 = ⇡1(idM)|M1 = ⇡1⇢1|M1+· · · + ⇡1⇢s|M1. (6.6)

De acordo com a proposição anterior, o anel E = EndR(M1)é local. De

acordo com (g6.24), existe j 2 {1, . . . , s} tal que ⇡1⇢j |M1 é um automorfismo

de M1. Consequentemente, ⇢j |M1 : M1 ! N1 é um monomorfismo. Para

simplificar a escrita, suponhamos que j = 1. Como idM1 = ((⇡1⇢1|M1)

1

1)⇢1|M1, de acordo com a proposição 1.95,

o monomorfismo ⇢1|M1 é cindível, isto é, im ⇢1|M1 é parcela direta de N1.

Como N1 é indecomponível, im ⇢1|M1 = 0 ou im ⇢1|M1 = N1. Como ⇢1|M1

é injetivo e M1 6= 0, im ⇢1|M1 = N1. Portanto, ⇢1|M1 : M1 ! N1 é um

isomorfismo.

Como ⇢1|M1 é injetivo, 0 = M1\ nuc ⇢1 = M1\ (N2 · · · Ns).

Seja y 2 N1 e suponhamos que y = ⇢1(x), onde x 2 M1. Então ⇢1(y

x) = y ⇢1(x) = 0. Assim, y x 2 nuc ⇢1 = N2 · · · Ns. Donde, y =

x+(y x)2 M1 (N2 · · · Ns). Donde, N1✓ M1 (N2 · · · Ns). Donde,

M = N1 · · · Ns✓ M1 (N2 · · · Ns). Donde, M = M1 N2 · · · Ns. Assim, M2 · · · Mr ⇠= M M1 ⇠ = N2 · · · Ns.

(19)

Capítulo 7

Anéis semissimples

7.1 Anéis simples

Um anel R diz-se simples se R 6= 0 e R e 0 são os únicos ideais de R. Proposição 7.1 Sejam R um anel e m um ideal de R.

• O anel R/m é simples se e só se m é um ideal maximal de R.

• Se R é anel de divisão, então R é um anel simples e o módulo regular esquerdo (respetivamente, direito) R é simples.

• Se R é comutativo, então R é simples se e só se R é um corpo. • R é anel simples se e só se, qualquer que seja x 2 R \ 0, RxR = R. Demonstração. Exercício.

Chama-se centro de R ao conjunto

ZR={z 2 R : 8x 2 R, zx = xz}.

O centro de R é um subanel comutativo de R.

Proposição 7.2 Se R é um anel simples, então ZR é um corpo.

Demonstração. Suponhamos que R é um anel simples. Como 0, 1 2 ZR

e R 6= 0, ZR6= 0.

Seja z 2 ZR\ 0, com vista a provar que z tem inverso em ZR. Como

R = RzR, 1 = Pni=1aizbi, para alguns n 2 N, ai, bi 2 R. Como z 2 ZR,

1 = zz0 = z0z,onde z0 =Pni=1aibi.

Qualquer que seja x 2 R, xz0= z0zxz0 = z0xzz0 = z0x, o que mostra que

(20)

Chamamos ideal esquerdo minimal de um anel R a qualquer ideal es-querdo de R, diferente de 0, que é minimal no conjunto dos ideais eses-querdos de R, diferentes de 0. Definimos, analogamente, ideal direito minimal.

Os ideais esquerdos minimais de R são exatamente os submódulos simples do módulo regular esquerdoRR.

O anel Z dos números inteiros não tem ideais minimais. De facto, se a for um ideal não nulo de Z e a for gerado por n 2 Z\0, então 0 $ Z(2n) $ Zn = a e, portanto, a não é minimal.

Lema 7.3 Se e é um ideal esquerdo minimal de um anel R, então, qual-quer que seja c 2 R, ec = 0 ou ec é um ideal esqual-querdo minimal de R isomorfo a e (como R-módulo).

Se d é um ideal direito minimal de um anel R, então, qualquer que seja c2 R, cd = 0 ou cd é um ideal direito minimal de R isomorfo a d.

Demonstração. Seja c 2 R. Claramente, ec é um ideal esquerdo de R. A aplicação fc : e! ec, que a cada x 2 e faz corresponder xc, é um epimorfismo

de R-módulos esquerdos. Como e é um ideal esquerdo minimal, nuc fc = e

ou nuc fc = 0. Donde, ec = 0 ou ec é um R-módulo isomorfo a e e, portanto,

um ideal esquerdo minimal de R.

Proposição 7.4 Suponhamos que R é um anel simples. Seja d um ideal direito não nulo de R. Seja e um ideal esquerdo não nulo de R. Então Rd = eR = R, d2 6= 0, e2 6= 0, de 6= 0.

Demonstração. 0 6= d ✓ Rd. Como Rd é um ideal do anel simples R, Rd = R. Analogamente, eR = R.

Assim, 0 6= d ✓ Rd = Rdd = Rd2. Donde, d26= 0.

Analogamente, 0 6= d ✓ RdR = RdeR. Donde, de 6= 0.

Proposição 7.5 Se R é anel simples, então Rn⇥n é anel simples.

Demonstração. Resulta da proposição 6.14.

Proposição 7.6 Se R é um anel de divisão, então Rn⇥né um anel

sim-ples, é um anel noetheriano e artiniano à esquerda e noetheriano e artiniano à direita.

Demonstração. A primeira afirmação é um caso particular da propo-sição anterior. As restantes afirmações resultam da propopropo-sição 1.50 e da observação que precede a proposição 1.49.

(21)

7.2 Módulos semissimples

Definição 7.7 Um módulo diz-se semissimples ou completamente redu-tível se todos os seus submódulos de são parcelas diretas.

Observação 7.8 • Os módulos simples são semissimples. • O módulo 0 é semissimples, mas não é simples.

• Os módulos semissimples e indecomponíveis são simples.

• Resulta, do que já sabemos das disciplinas de Álgebra Linear do pri-meiro ciclo, que os espaços vetoriais finitamente gerados sobre um corpo são semissimples.

Proposição 7.9 Seja M um módulo esquerdo sobre um anel R. As afir-mações seguintes são equivalentes:

(a7.9) M é simples.

(b7.9) M 6= 0 e, qualquer que seja x 2 M \ 0, M = Rx.

(c7.9) Existe um ideal esquerdo maximal m de R tal que M é isomorfo a

R/m.

Demonstração. (a7.9)implica (c7.9). Seja x 2 M \0. A aplicação p : R !

M,que a cada a 2 R faz corresponder ax, é um homomorfismo de módulos. Como p(R) é um submódulo não nulo de M e M é simples, p(R) = M. Assim, R/m ⇠= M, onde m = nuc p. Como M é simples, R/m também é simples. Tendo em conta a forma dos submódulos de R/m, deduz-se que m é um ideal esquerdo maximal de R.

O resto da demonstração é exercício.

Exemplo 7.10 Suponhamos que R é um domínio de ideais principais e que 0 não é ideal maximal de R. Então os ideais maximais de R são os ideais gerados pelos elementos irredutíveis de R. Consequentemente, M é um módulo simples sobre R se e só se M é isomorfo a R/Rp, para algum elemento irredutível p de R.

Proposição 7.11 [Lema de Schur] Sejam M e N módulos simples sobre um anel R. Se f : M ! N é um homomorfismo de módulos, então f é o homomorfismo nulo ou é um isomorfismo. O anel EndR(M ) é de divisão.

(22)

Demonstração. Sejam M e N módulos simples e f : M ! N um homomorfismo. Suponhamos que f não é o homomorfismo nulo. Assim, nuc f $ M e 0 $ im f. Como M é simples, nuc f = 0. Como N é simples, im f = N. Logo, f é invertível.

Como M 6= 0, EndR(M ) tem pelo menos 2 elementos, o endomorfismo

nulo e a identidade de M. De acordo com o argumento anterior, se M é simples, então todos os elementos não nulos do anel EndR(M )são invertíveis.

Portanto, EndR(M ) é um anel de divisão.

Proposição 7.12 Se M é um módulo semissimples e N é um submódulo de M, então N e M/N são semissimples.

Demonstração. Suponhamos que M é semissimples e que N é submódulo de M.

• Seja S um submódulo de N. Como M é semissimples, existe um submódulo T de M tal que M = S T.

Exercício. Mostre que N = S (T \ N).

Logo, S é parcela direta de N. Logo, N é semissimples.

• Seja K/N um submódulo de M/N. Então K é submódulo de M e N ✓ K. Como M é semissimples, existe um submódulo L de M tal que M = K L.

Exercício. Mostre que M N = K N L + N N .

Logo, K/N é parcela direta de M/N. Logo, M/N é semissimples. Proposição 7.13 Se f : M ! N é um epimorfismo de módulos e M é semissimples, então N é semissimples.

Demonstração. De acordo com a proposição anterior, M/ nuc f é semis-simples. Como N e M/ nuc f são isomorfos, N é semissemis-simples.

Lema 7.14 Seja M um módulo semissimples não nulo sobre R. Então M contém um submódulo simples.

Demonstração. Seja x 2 M \0. Vamos provar que o submódulo M0= Rx

contém um submódulo simples. De acordo com a proposição 7.12, M0 é

semissimples. Seja N o conjunto dos submódulos de M0 aos quais x não

pertence. Aplicando o lema de Zorn, deduz-se que N tem um elemento maximal para a inclusão, N. Como M0 é semissimples, existe um submódulo

(23)

Como x /2 N, vem N 6= M0 e N0 6= 0. Seja N00 um submódulo não nulo

de N0. Tendo em conta a maximalidade de N, x 2 N N00. Como x gera

M0,vem M0 = N N00. Como M0 = N N0 e N00✓ N0,é fácil deduzir que N00 = N0. Logo, N0 é simples.

Exercício 7.15 A soma direta interna de submódulos goza da seguinte propriedade associativa.

Seja (Mi)i2I uma família de submódulos de um módulo M. Suponhamos

que I = I1[ I2 e I1\ I2=;. São equivalentes as afirmações seguintes:

• A soma da família (Mi)i2I é direta.

• As somas das famílias (ML i)i2I1 e (Mi)i2I2 são diretas e a soma de

i2I1Mi com

L

i2I2Mi é direta.

Nestas condições, temos M i2I Mi = 0 @M i2I1 Mi 1 A 0 @M i2I2 Mi 1 A .

Em particular, se R, S, T são submódulos de um módulo M, são equiva-lentes:

• A soma dos submódulos R, S, T é direta.

• A soma de R e S é direta e a soma de R S e T é direta. • A soma de S e T é direta e a soma de R e S T é direta. Nestas condições, temos

(R S) T = R S T = R (S T ).

Lema 7.16 Seja M um módulo que é soma de uma família de submó-dulos simples (Si)i2I. Se N é um submódulo de M, então existe L ✓ I tal

que M = N M i2L Si ! . (7.1)

(Como é usual, convencionamos que o submódulo 0 é soma direta da família vazia de submódulos de M.)

Demonstração. Seja J o conjunto das partes J de I tais que • a soma da família (Si)i2J é direta,

(24)

Do lema de Zorn resulta que J tem um elemento maximal L. Seja M0 = N +X i2L Si= N M i2L Si. Vejamos que M0 = M.

Com vista a uma contradição, suponhamos que M0 $ M. Então existe

h2 I tal que Sh * M0. Então h /2 L e Sh\ M0 $ Sh. Como Sh é simples,

M0\ Sh= 0. Assim, M0+ Sh = M0 Sh = N M i2L Si !! Sh = N M i2L Si ! Sh ! = N 0 @ M i2L[{h} Si 1 A ,

o que contradiz a maximalidade de L. Logo, M0 = M.

Proposição 7.17 Seja M um módulo. As afirmações seguintes são equi-valentes:

(a7.17) M é semissimples.

(b7.17) M é soma de uma família de submódulos simples.

(c7.17) M é soma direta de uma família de submódulos simples.

Demonstração. (a7.17) implica (b7.17). Seja M1 a soma de todos os

submódulos simples de M. Como M é semissimples, existe um submódulo M2 de M tal que M = M1 M2.

Com vista a uma contradição, suponhamos que M2 6= 0. De acordo

com o lema 7.14, existe um submódulo simples S de M2. Assim, 0 $ S ✓

M1\ M2= 0, o que é absurdo.

Logo, M2 = 0 e M = M1.

(b7.17) implica (a7.17). Suponhamos que M é soma de uma família de

submódulos simples (Si)i2I. Seja N um submódulo de M. De acordo com o

lema anterior, existe L ✓ I tal que (7.1) é satisfeita. Logo, N é uma parcela direta de M e M é semissimples.

(b7.17) implica (c7.17). Suponhamos que M é soma de uma família de

submódulos simples (Si)i2I. Tomando N = 0, resulta do lema anterior que

existe L ✓ I tal que M é soma direta da família (Si)i2L.

(25)

Corolário 7.18 Se um módulo M é soma de uma família de submódulos semissimples, então M é semissimples.

Demonstração. Suponhamos que M é soma da família (Mi)i2Ide

submó-dulos semissimples. De acordo com a proposição anterior, para cada i 2 I, Mi

é soma de submódulos simples. Consequentemente M é soma de submódulos simples. De acordo com a proposição anterior, M é semissimples.

Proposição 7.19 Seja M um módulo semissimples sobre um anel R. São equivalentes:

(a7.19) M é noetheriano.

(b7.19) M é artiniano.

(c7.19) M tem uma série de composição.

(d7.19) M é finitamente gerado.

(e7.19) M é soma direta de uma família finita de submódulos simples.

Demonstração. Seja (Mi)i2I uma família de submódulos simples de M

tais que M =Li2IMi.

(a7.19) ) (e7.19). Suponhamos que M é noetheriano. Suponhamos que

I é infinito. Seja (in)n2N uma sucessão de elementos de I todos distintos.

Para cada k 2 N, seja Nk= Mi1 · · · Mik. Então N1$ N2$ · · · , o que é

absurdo.

Analogamente, (b7.19)) (e7.19).

(e7.19)) (c7.19). Cf. proposição 1.59.

(c7.19)) (a7.19) e (c7.19)) (b7.19). Cf. teorema 1.57.

(d7.19) ) (e7.19). Suponhamos que M é gerado por um subconjunto

finito {x1, . . . , xn}. Para cada k 2 {1, . . . , n}, existe um subconjunto finito

Ik de I tal que xk 2 Li2IkMi. É fácil deduzir que M = Li2I1[···[InMi.

Consequentemente, I = I1[ · · · [ In é finito.

(e7.19) ) (d7.19). Suponhamos que I é finito. Para cada i 2 I, existe

xi 2 Mi tal que Mi = Rxi. Claramente, M é gerado pelo conjunto finito

{xi : i2 I}.

Proposição 7.20 Todos os módulos sobre anéis de divisão são semis-simples.

Demonstração. Seja B uma base de um módulo M sobre um anel de divisão D. É fácil mostrar que M =Lb2BDbe que, para cada b 2 B, Db é

(26)

Exercício 7.21 Mostre que um módulo M é semissimples se e só se, quaisquer que sejam os R-módulos L e N, toda a sequência exata curta

0! L ! M ! N ! 0 é cindível.

Exercício 7.22 Seja 0 ! L ! M ! N ! 0 uma sequência exata curta de módulos sobre um anel R. Mostre que M é semissimples se e só se L e N são semissimples.

Exercício 7.23 Sejam U e V módulos sobre um anel comutativo R. Mostre que:

• Se V é simples, então U ⌦ V é semissimples. (Sugestão: Seja m um ideal maximal de R tal que V ⇠= R/m. Mostre que U ⌦ V é um espaço vetorial sobre o corpo R/m.)

• Se U é simples ou V é simples, então HomR(U, V ) é semissimples.

• Se V é simples, então qualquer produto direto de cópias de V é semis-simples.

7.3 Anéis semissimples

Dizemos que um anel R é semissimples à esquerda se o módulo regular esquerdoRRé semissimples. Assim, um anel R é semissimples à esquerda se

e só se é soma direta de uma família de ideais esquerdos minimais. De acordo com a proposição 0.29, uma tal família de ideais esquerdos é finita. Defini-mos, analogamente, anel semissimples à direita. VereDefini-mos, mais tarde, que os anéis semissimples à esquerda e os anéis semissimples à direita coincidem. Proposição 7.24 Um anel simples é semissimples à esquerda se e só se tem um ideal esquerdo minimal.

Demonstração. Seja R um anel simples.

Se R é semissimples à esquerda, então R é soma direta de uma família não vazia de ideais esquerdos minimais.

Reciprocamente, suponhamos que e é um ideal esquerdo minimal de R. Seja x 2 e \ 0. Como R é simples, R = RxR. Seja a 2 R e suponhamos que a = b1xc1 +· · · + bnxcn,onde n 2 N, bi, ci 2 R, i 2 {1, . . . , n}. Assim

a2 ec1+· · ·+ecn. De acordo com o lema 7.3, qualquer que seja i 2 {1, . . . , n},

eci = 0 ou eci é ideal esquerdo minimal. Consequentemente, a pertence à

soma dos ideais esquerdos minimais de R. Logo, R é soma dos seus ideais esquerdos minimais e R é semissimples à esquerda.

(27)

Proposição 7.25 Se R é um anel semissimples à esquerda, então R é um anel noetheriano e artiniano à esquerda.

Demonstração. Se R é um anel semissimples à esquerda, então R é soma direta de uma família finita de ideais esquerdos minimais. Resulta da proposição 7.19 que R é um anel noetheriano e artiniano à esquerda.

Proposição 7.26 Seja R um anel. As afirmações seguintes são equiva-lentes:

(a7.26) R é anel semissimples à esquerda.

(b7.26) Todos os R-módulos esquerdos são semissimples.

(c7.26) Todos os R-módulos esquerdos finitamente gerados são semissimples.

(d7.26) Todos os R-módulos esquerdos cíclicos são semissimples.

(e7.26) Todas as sequências exatas curtas de R-módulos esquerdos são

cindí-veis.

(f7.26) Todos os R-módulos esquerdos são projetivos.

(g7.26) Todos os R-módulos esquerdos finitamente gerados são projetivos.

(h7.26) Todos os R-módulos esquerdos cíclicos são projetivos.

(i7.26) Todos os R-módulos esquerdos são injetivos.

Demonstração. Vejamos que (a7.26) ) (b7.26). Suponhamos que o anel

R é semissimples à esquerda. Seja M um R-módulo esquerdo. Para cada x2 M, seja fx o epimorfismo de módulos, de R para Rx, que a cada a 2 R

faz corresponder ax. Como o módulo RR é semissimples, Rx também o é.

Como M =Px2MRx, M é semissimples.

As implicações (b7.26)) (c7.26)) (d7.26) são triviais.

(d7.26)) (a7.26). O módulo regularRR é gerado por {1}.

(b7.26)) (e7.26). Suponhamos que (b7.26) é satisfeita. Seja

0! L! Mf ! N ! 0,g (7.2) uma sequência exata de R-módulos esquerdos. De acordo com (b7.26), M

é semissimples. Portanto, im f é parcela direta de M e a sequência (7.2) é cindível.

(e7.26) ) (b7.26). Suponhamos que (e7.26) é satisfeita. Seja M um

R-módulo esquerdo. Seja N um subR-módulo de M. Consideremos a sequência exata

(28)

onde i é a inclusão e p é o epimorfismo canónico. De acordo com (e7.26),esta

sequência é cindível. Portanto, N = im i é parcela direta de M. Logo, M é semissimples.

Resulta da proposição 1.107 que (e7.26), (f7.26).

As implicações (f7.26)) (g7.26)) (h7.26) são triviais.

(h7.26) ) (a7.26). Suponhamos que todos os módulos cíclicos esquerdos

sobre R são projetivos. Seja a um ideal esquerdo sobre R. A sequência 0! a! Ri ! R/a ! 0,p (7.4) onde i é a inclusão e p é o epimorfismo canónico, é exata. Note-se que o módulo R/a é gerado por {1 + a}. De acordo com (h7.26), R/a é projetivo.

De acordo com a proposição 1.107, a sequência (7.4) é cindível. Portanto, a = im ié parcela direta de R. Logo, R é um anel semissimples à esquerda.

Resulta da proposição 1.113 que (e7.26), (i7.26).

Observação 7.27 As afirmações (a7.26)–(i7.26)são equivalentes a

qual-quer uma das afirmações seguintes, mas a demonstração não será incluída neste curso.

(j7.26) Todos os R-módulos esquerdos finitamente gerados são injetivos.

(k7.26) Todos os R-módulos esquerdos cíclicos são injetivos.

Exercício 7.28 Seja (Fi)i2I uma família de corpos. Mostre que o anel

Q

i2IFi é semissimples se e só se I é finito.

Exercício 7.29 Seja R um anel semissimples à esquerda. Mostre que uma parte a de R é um ideal esquerdo de R se e só se existe um idempotente e2 R tal que a = Re.

Exercício 7.30 Seja R um anel semissimples à esquerda. Mostre que, se d é um ideal direito de R e e é um ideal esquerdo de R, então de = d \ e. Mostre que, se a, b, c são ideais de R, então são válidas as seguintes leis distributivas: a \ (b + c) = (a \ b) + (a \ c) e a + (b \ c) = (a + b) \ (a + c). (1)

7.4 A estrutura dos anéis semissimples

Lema 7.31 Seja R um anel semissimples à esquerda e suponhamos que R = e1 · · · en,onde e1, . . . , ensão ideais esquerdos minimais. Qualquer que

seja o R-módulo esquerdo simples M, existe i 2 {1, . . . , n} tal que M ⇠= ei.

(29)

Demonstração. Como R = e1 · · · ene e1, . . . , en são ideais esquerdos

minimais, deduzimos que

0$ e1 $ e1 e2 $ · · · $ e1 · · · en= R (7.5)

é uma série de composição do módulo regular RR. Seja M um R-módulo

esquerdo simples. Existe um ideal esquerdo maximal m de R tal que a ⇠= R/m.

Como R tem uma série de composição, o seu submódulo m também tem uma série de composição:

0$ m1 $ m2$ · · · $ ms= m.

Como m é ideal esquerdo maximal de R,

0$ m1 $ m2$ · · · $ ms(= m)$ R (7.6)

é uma série de composição de R. Pelo teorema de Jordan-Hölder, as séries (7.5) e (7.6) são equivalentes. Consequentemente, existe i 2 {1, . . . , n} tal que R m ⇠= e1 · · · ei e1 · · · ei 1 . (2) Donde M ⇠= ei.

Lema 7.32 Seja D um anel de divisão.

(i7.32) Dn⇥1 (respetivamente, D1⇥n) é um módulo esquerdo (respetivamente,

direito) simples sobre Dn⇥n.

(ii7.32) Dn⇥n= a1 · · · an, onde a1, . . . , an são ideais esquerdos

(respetiva-mente, direitos) minimais de Dn⇥n,todos isomorfos a Dn⇥1(

respetiva-mente, D1⇥n).

(iii7.32) Dn⇥n é um anel semissimples à esquerda e à direita.

(iv7.32) Todos os Dn⇥n-módulos esquerdos (respetivamente, direitos) simples

são isomorfos a Dn⇥1 (respetivamente, D1⇥n).

Demonstração. Seja V = D1⇥n.

(i7.32). Seja

v =⇥ v1 · · · vn ⇤2 V \ 0,

com vista a provar que V = vDn⇥n. Suponhamos que v i6= 0. Seja u =⇥ u1 · · · un ⇤ 2 V. 2Convencionamos que e 1 · · · ei 1= 0se i = 1.

(30)

Seja Au2 Dn⇥n a matrix cuja linha i é

vi 1u1 · · · vi 1un ⇤

e que tem todas as restantes entradas nulas. Então u = vAu 2 Dn⇥nv, o

que permite deduzir que V = vDn⇥n.

De acordo com a proposição 7.9, V é simples.

(ii7.32). Seja i 2 {1, . . . , n}. Seja ai o conjunto de todas as matrizes

n⇥ n sobre D que têm todas as entradas que não pertencem à linha i nulas. Claramente, aié um ideal direito de Dn⇥n, aie V são módulos direitos sobre

Dn⇥n isomorfos, e Dn⇥n = a1 · · · an. Como V é simples, ai também o

é; isto é, ai é ideal direito minimal de Dn⇥n.

(iii7.32). Resulta de (ii7.32).

(iv7.32). Resulta do lema 7.31 e de (ii7.32).

Seja R um anel. Em R, definimos um novo produto do seguinte modo: quaisquer que sejam a, b 2 R, a b = ba. Com este produto, o grupo aditivo R é um anel que representamos por R e chamamos anel oposto de R. Claramente, R = (R ) .

Lema 7.33 Sejam R um anel.

• Os ideais esquerdos de R coincidem com os ideais direitos de R . • R é semissimples à esquerda se e só se R é semissimples à direita. • Os ideais de R coincidem com os ideais de R .

• R é simples se e só se R é simples.

Proposição 7.34 Seja D um anel de divisão.

O anel D é isomorfo ao anel EndDn⇥n(D1⇥n), dos endomorfismos do

Dn⇥n-módulo direito D1⇥n.

O anel D é isomorfo ao anel EndDn⇥n(Dn⇥1), dos endomorfismos do

Dn⇥n-módulo esquerdo Dn⇥1.

Demonstração. Seja V = D1⇥n. Não é difícil mostrar que, para cada

d2 D,

(d) : V ! V x ! dx

é um homomorfismo de Dn⇥n-módulos. Não é difícil mostrar que

: D ! EndDn⇥n(V ) .

(31)

é um homomorfismo de anéis. Vejamos que é sobrejetivo. Seja g 2 EndDn⇥n(V ). Seja

e =⇥ 1 0 · · · 02 V. Suponhamos que

g(e) =⇥ d1 · · · dn ⇤2 V.

Suponhamos que existe i 2 {2, . . . , n} tal que di 6= 0. Seja Ei,1 2 Dn⇥n a

matriz cuja entrada (i, 1) é igual a 1 e as restantes entradas são nulas. Então 0 = g(0) = g(eEi,1) = g(e)Ei,16= 0,

o que é absurdo. Logo, d2 =· · · = dn = 0. Seja x 2 V . Como V é simples,

existe X 2 Dn⇥n tal que x = eX. Assim,

g(x) = g(eX) = g(e)X = d1eX = (d1)(e)X = (d1)(eX) = (d1)(x).

Logo, g = (d1).

Fica ao cuidado do leitor mostrar que é injetivo. Logo, é um iso-morfismo.

Seja U = Dn⇥1. Fica ao cuidado do leitor mostrar que, qualquer que

seja d 2 D,

(d) : U ! U , x ! xd é um homomorfismo de Dn⇥n-módulos e que

: D ! EndDn⇥n(U ) ,

d ! (d) é um isomorfismo de anéis.

Lema 7.35 Sejam R1, . . . , Rr anéis. Seja a ✓ R1⇥ · · · ⇥ Rr.

Então, a é ideal esquerdo minimal (respetivamente, ideal minimal) de R1 ⇥ · · · ⇥ Rr se e só se existe j 2 {1, . . . , r} e existe um ideal esquerdo

minimal (respetivamente, ideal minimal) aj de Rj tais que a = ◆j(aj), onde

◆j : Rj ! R1 ⇥ · · · ⇥ Rr é a injeção canónica que a cada xj 2 Rj faz

corresponder (x1, . . . , xr)2 R1⇥ · · · ⇥ Rr, com xi = 0 sempre que i 6= j .

Demonstração. Resulta do lema 0.28.

Lema 7.36 Se R1, . . . , Rr são anéis semissimples à esquerda

(repetiva-mente, direita), então R1 ⇥ · · · ⇥ Rr é um anel semissimples à esquerda

(32)

Demonstração. Seja j 2 {1, . . . , r}. Como Rj é anel semissimples à

es-querda, Rj é soma direta de ideais esquerdos minimais. De acordo com a

proposição 0.29, o número de parcelas nesta soma direta é finito. Suponha-mos que

Rj = aj,1 · · · aj,nj,

onde aj,1, . . . , aj,nj são ideais esquerdos minimais de Rj.

Usando a notação do lema 7.35, R1⇥ · · · ⇥ Rr= r M j=1 ◆j(Rj) = r M j=1 nj M l=1 ◆j(aj,l).

Concluímos que R1⇥ · · · ⇥ Rr é semissimples à esquerda.

Proposição 7.37 Seja V um R-módulo esquerdo (respetivamente, direito). Seja M =Qn

i=1V = V ⇥ · · · ⇥ V o produto de n cópias de V . Então

EndR(M ) ⇠= Dn⇥n,

onde

D = EndR(V ).

Além disso, de V é simples, então D é um anel de divisão.

Demonstração. Para cada j 2 {1, . . . , n}, seja ⇡j : M ! V a

pro-jeção canónica, que a cada x = (x1, . . . , xn) 2 M faz corresponder xj; e

seja ◆j : V ! M a injeção canónica, que a cada xj 2 V faz corresponder

(x1, . . . , xn)2 M, onde xi= 0 sempre que i 6= j.

Consideremos a aplicação

: EndR(M ) ! Dn⇥n,

f ! [fi,j]

onde fi,j = ⇡if ◆j : V ! V, i, j 2 {1, . . . , n}.

Vejamos que é um homomorfismo de anéis. Sejam f, g 2 EndR(M ).

Sejam i, j 2 {1, . . . , n}. Então, qualquer que seja xj 2 V,

(f + g)i,j(xj) = ⇡i(f + g)◆j(xj) = ⇡i(f ◆j(xj) + g◆j(xj))

= ⇡if ◆j(xj) + ⇡ig◆j(xj) = (⇡if ◆j+ ⇡ig◆j)(xj)

= (fi,j+ gi,j)(xj).

Donde, (f + g)i,j = fi,j + gi,j. Donde, [(f + g)i,j] = [fi,j] + [gi,j]. Donde,

(33)

Por outro lado, qualquer que seja xj 2 V, (f g)i,j(xj) = ⇡if g◆j(xj) = ⇡if idMg◆j(xj) = ⇡if n X k=1 ◆k⇡k ! g◆j(xj) = n X k=1 ⇡if ◆k⇡kg◆j(xj) = n X k=1 fi,kgk,j(xj) = n X k=1 fi,kgk,j ! (xj). Donde, (f g)i,j = n X k=1 fi,kgk,j ! .

Donde, [(fg)i,j] = [fi,k][gk,j]. Donde,

(f g) = (f ) (g).

Finalmente,

(idM)i,j = ⇡iidM◆j = ⇡i◆j,

o que mostra que (idM)i,i = idV e (idM)i,j é o endomorfismo nulo de V se

i6= j. Portanto

(idM) = In2 Dn⇥n.

Logo, é homomorfismo de anéis.

Seja f 2 nuc . Então, quaisquer que sejam i, j 2 {1, . . . , n}, fi,j = ⇡if ◆j

é o endomorfismo nulo de V . Seja x 2 M. Assim, qualquer que seja i 2 {1, . . . , n}, ⇡if (x) = ⇡if 0 @ n X j=1 ◆j⇡j(x) 1 A = n X j=1 (⇡if ◆j)(⇡j(x)) = 0.

Donde f(x) = 0. Logo, f é o endomorfismo nulo de M. Logo, nuc = 0 e f é monomorfismo.

Seja G = [gi,j] 2 Dn⇥n. Seja f : M ! M a aplicação que a cada

x = (x1, . . . , xn)2 M faz corresponder n X k=1 g1,k(xk), . . . , n X k=1 gn,k(xk) ! .

É fácil mostrar que f 2 EndR(M ). Sejam i, j 2 {1, . . . , n}. Note-se que,

qualquer que seja x = (x1, . . . , xn)2 M,

⇡if (x) = n X k=1 gi,k(xk) = n X k=1 gi,k(⇡k(x)).

(34)

Assim, qualquer que seja xj 2 V, ⇡if ◆j(xj) = n X k=1 gi,k⇡k◆j(xj) = n X k=1 gi,k( k,jxj) = gi,j(xj),

onde k,j = 1, se k = j, e k,j = 0, se k 6= j. Donde ⇡if ◆j = gi,j, o que

mostra que (f) = G. Logo, é sobrejetivo. Logo, é um isomorfismo de anéis.

Além disso, se V é simples, então, de acordo com o lema de Schur (pro-posição 7.11), D = EndR(V )é anel de divisão.

Lema 7.38 Se R é um anel semissimples à esquerda (respetivamente, à direita) não nulo, então existem anéis de divisão D1, . . . , Dr e inteiros

positivos n1, . . . , nr tais que o anel EndR(R) dos endomorfismos do módulo

regular esquerdo (respetivamente, direito) é isomorfo a Dn1⇥n1

1 ⇥ · · · ⇥ Drnr⇥nr.

Demonstração. Seja R um anel semissimples à esquerda não nulo. Então R é soma direta de ideais esquerdos minimais. De acordo com a proposição 0.29, o número de parcelas nesta soma direta é finito. Suponhamos que

R = a1 · · · ar,

onde, quaisquer que sejam i, j 2 {1, . . . , r}, • ai= ai,1 · · · ai,ni,com ni 1,

e, quaisquer que sejam k, l 2 {1, . . . , ni},

• ai,k é ideal esquerdo minimal de R,

• ai,k e ai,l são R-módulos isomorfos,

• se i 6= j, então ai,1 e aj,1 são R-módulos não isomorfos.

Quaisquer que sejam j 2 {1, . . . , r}, l 2 {1, . . . , nj}, seja

⇡j,l : R! aj,l

a projeção que a cada

r X i=1 ni X k=1 xi,k 2 R,

onde xi,k 2 ai,k, i2 {1, . . . , r}, k 2 {1, . . . , ni}, faz corresponder xj,l;seja

(35)

a projeção que a cada

r

X

i=1

xi 2 R,

onde xi2 ai, i2 {1, . . . , r}, faz corresponder xj. Claramente

⇡j = nj X l=1 ⇡j,l, idR= r X j=1 ⇡j = r X j=1 nj X l=1 ⇡j,l.

Quaisquer que sejam j 2 {1, . . . , r}, l 2 {1, . . . , nj}, sejam ◆j : aj ! R e

◆j,l : aj,l ! R as inclusões.

Seja f 2 EndR(RR). Sejam i, j 2 {1, . . . , r}, com i 6= j. Sejam k 2

{1, . . . , ni}, l 2 {1, . . . , nj}. Então

⇡i,kf ◆j,l : aj,l ! ai,k

é um homomorfismo entre módulos simples e não isomorfos. De acordo com o lema de Schur (proposição 7.11), ⇡i,kf ◆j,l é um homomorfismo nulo. Então,

qualquer que seja xj = xj,1+· · · + xj,nj 2 aj,onde xj,l 2 aj,l, l2 {1, . . . , nj},

⇡if ◆j(xj) = ni X k=1 ⇡i,k ! f nj X l=1 ◆j,l(xj,l) ! = ni X k=1 nj X l=1 ⇡i,kf ◆j,l(xj,l) = 0.

Portanto, ⇡if ◆j : aj ! ai é um homomorfismo nulo.

Considere-se agora a aplicação

: EndR(RR) ! EndR(a1)⇥ · · · ⇥ EndR(ar).

f ! (⇡1f ◆1, . . . , ⇡rf ◆r)

Vamos provar que é um isomorfismo de anéis. Sejam f, g 2 EndR(R). Então

(f + g) = (⇡1(f + g)◆1, . . .) = (⇡1f ◆1+ ⇡1g◆1, . . .) = (⇡1f ◆1, . . .) + (⇡1g◆1, . . .) = (f ) + (g), (f g) = (⇡1f g◆1, . . .) = (⇡1f idRg◆1, . . .) = (⇡1f r X k=1 ◆k⇡k ! g◆1, . . .) = r X k=1 ⇡1f ◆k⇡kg◆1, . . . ! = (⇡1f ◆1⇡1g◆1, . . .) = (⇡1f ◆1, . . .)(⇡1g◆1, . . .) = (f ) (g), (idR) = (⇡1idR◆1, . . .) = (⇡1◆1, . . .) = (ida1, . . .).

Logo, é homomorfismo de anéis.

Seja f 2 nuc . Então, qualquer que seja j 2 {1, . . . , r}, ⇡jf ◆j é um

(36)

{1, . . . , r}, se i 6= j, então ⇡if ◆j é um homomorfismo nulo. Seja x = x1+· · ·+

xr2 R, onde xj 2 aj, j 2 {1, . . . , r}. Então, qualquer que seja i 2 {1, . . . , r},

⇡if (x) = ⇡if 0 @ r X j=1 xj 1 A = ⇡if 0 @ r X j=1 ◆j(xj) 1 A = r X j=1 ⇡if ◆j(xj) = 0.

Donde, f(x) = 0. Logo, f é o endomorfismo nulo de R. Logo, nuc = 0 e é monomorfismo.

Seja (g1, . . . , gr) 2 EndR(a1)⇥ · · · ⇥ EndR(ar). Seja f : R ! R a

aplicação que a cada x = x1+· · · + xr 2 R, onde xj 2 aj, j2 {1, . . . , r}, faz

corresponder r X i=1 gi(xi) = r X i=1 gi⇡i(x).

Seja j 2 {1, . . . , r}. Seja xj 2 aj. Então

(⇡jf ◆j)(xj) = ⇡jf (xj) = ⇡j r X i=1 gi⇡i(xj) ! .

Note-se que ⇡j(xj) = xj e ⇡i(xj) = 0, sempre que i 6= j. Assim,

(⇡jf ◆j)(xj) = ⇡jgj(xj) = gj(xj).

Logo, ⇡jf ◆j = gj. Donde,

(f ) = (⇡1f ◆1, . . .) = (g1, . . .),

o que mostra que é sobrejetivo. Logo, é um isomorfismo de anéis.

Seja j 2 {1, . . . , r}. Como todos os ideais esquerdos aj,1, . . . , aj,nj são

isomorfos (como módulos esquerdos sobre R) a aj,1 e aj = aj,1 · · · aj,nj,

é fácil deduzir que o anel EndR(aj) é isomorfo ao anel dos endomorfismos

do produto de nj cópias de aj,1. Assim, de acordo com a proposição 7.37,

EndR(aj) é isomorfo a Djnj⇥nj, onde Dj = EndR(aj,1) é anel de divisão.

Consequentemente,

EndR(R) ⇠= EndR(a1)⇥ · · · ⇥ EndR(ar) ⇠= D1n1⇥n1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr.

Lema 7.39 Se R é um anel, então

R ⇠= EndR(RR) e R ⇠= EndR(RR).

Demonstração. Exercício.

Teorema 7.40 [Wedderburn-Artin] Seja R um anel não nulo. As afir-mações seguintes são equivalentes:

(37)

(a7.40) R é um anel semissimples à esquerda.

(b7.40) R é um anel semissimples à direita.

(c7.40) Existem anéis de divisão D1, . . . , Dr e inteiros positivos n1, . . . , nr tais

que R é isomorfo a

Dn1⇥n1

1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr.

Demonstração. (c7.40) implica (a7.40) e (b7.40). Resulta, dos lemas 7.32

e 7.36.

(b7.40) implica (c7.40). Suponhamos que R é semissimples à direita. De

acordo com os dois lemas anteriores, existem anéis de divisão D1, . . . , Dr e

n1, . . . , nr2 N tais que

R ⇠= EndR(R) ⇠= D1n1⇥n1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr.

(a7.40) implica (c7.40). Suponhamos que R é semissimples à esquerda. De

acordo com os dois lemas anteriores, existem anéis de divisão E1, . . . , Es e

inteiros positivos m1, . . . , ms tais que

R ⇠= EndR(R) ⇠= E1m1⇥m1 ⇥ · · · ⇥ Esms⇥ms.

Como (c7.40) implica (a7.40), R é semissimples à esquerda. Portanto, R é

semissimples à direita. Como (b7.40) implica (c7.40), a demonstração está

completa.

Chamamos anéis semissimples aos anéis que satisfazem as condições equivalentes (a7.40)–(c7.40).

Teorema 7.41 Suponhamos que R é um anel simples. São equivalentes: (a7.41) R é artiniano à esquerda.

(b7.41) R é semissimples.

(c7.41) R tem um ideal esquerdo minimal.

(d7.41) Existem um anel de divisão e um inteiro positivo n tais que R ⇠= Dn⇥n.

Demonstração. Provaremos apenas que (c7.41) ) (b7.41). O resto da

demonstração é exercício.

Suponhamos que R tem um ideal esquerdo minimal. Seja B a soma de todos os ideais esquerdos minimais de R. Claramente, B é um ideal esquerdo não nulo de R.

Sejam x 2 B, c 2 R. Existem ideais esquerdos minimais e1, . . . , et tais

que x 2 e1+· · ·+et. Donde, xc 2 e1c+· · ·+etc. Tendo em conta a proposição

7.3, xc 2 B. Logo, B é um ideal de R.

(38)

Exercício 7.42 Suponhamos que R 6= 0 e R é comutativo. As afirma-ções seguintes são equivalentes:

(a7.40) Ré anel semissimples.

(b7.40) Existem corpos F1, . . . , Fr tais que R é isomorfo a F1⇥ · · · ⇥ Fr.

Exercício 7.43 Se R é um anel semissimples, então Rn⇥n é um anel

semissimples.

Exercício 7.44 Se R é um domínio e Rn⇥n é um anel semissimples,

então R é um anel de divisão. (Sugestão: Por um exercício anterior, os domínios artinianos à esquerda são anéis de divisão.)

Exercício 7.45 Mostre que o centro de um anel semissimples é isomorfo a um produto finito de corpos.

Exercício 7.46 Sejam R um anel, M um R-módulo esquerdo não nulo finitamente gerado e E = EndR(M ).

Mostre que, se R é semissimples, então E é semissimples.

Mostre que, se R é simples e artiniano à esquerda, então E é simples e artiniano à esquerda.

(Sugestão: Suponhamos que R é semissimples. Mostre que M é soma direta de uma família finita de submódulos simples. Assim,

R ⇠= n1S1⇥ · · · ⇥ nrSr,

onde niSi é o produto de ni cópias de um R-módulo esquerdo simples Si e

Si6⇠= Sj sempre que i 6= j. Mostre que

E ⇠=Y

i

(EndRSi)ni⇥ni.)

Exercício 7.47 Mostre que um anel não nulo D é de divisão se e só se todos os D-módulos esquerdos são livres.

7.5 Unicidade de decomposição dos anéis

semissim-ples. Componentes simples

Lema 7.48 Sejam D, E anéis de divisão e n, m inteiros positivos. Se os anéis Dn⇥n e Em⇥m são isomorfos, então n = m e D ⇠= E.

(39)

Demonstração. Suponhamos que : Dn⇥n ! Em⇥m é um isomorfismo de anéis. Sabemos que

Dn⇥n= a1 · · · an, (7.7)

onde a1, . . . , ansão ideais esquerdos minimais de Dn⇥n. Assim, o módulo

re-gular esquerdo Dn⇥nadmite a seguinte série de composição de comprimento

n:

0$ a1$ a1 a2 $ · · · $ a1 · · · an= Dn⇥n.

Analogamente, Em⇥m admite uma série de composição de comprimento m.

Mas, como é um isomorfismo de anéis, resulta de (7.7) que Em⇥m = (Dn⇥n) = (a1) · · · (an),

onde (a1), . . . , (an) são ideais esquerdos minimais de Em⇥m. Esta

igual-dade permite-nos construir uma série de composição de Em⇥m de

compri-mento n:

0$ (a1)$ (a1) (a2)$ · · · $ (a1) · · · (an) = Em⇥m.

Como todas as séries de composição de Em⇥m têm o mesmo comprimento,

n = m.

Sejam agora a = a1 e b = (a). Para cada f 2 EndDn⇥n(a), seja

f : b! b

a aplicação que a cada (x) 2 b, onde x 2 a, faz corresponder (f(x)). Vejamos que f 2 EndEn⇥n(b). Quaisquer que sejam (x), (y) 2 b, onde

x, y2 a,

f( (x) + (y)) = f( (x + y)), porque é homomorfismo de anéis,

= (f (x + y)), pela definição de f,

= (f (x) + f (y)), porque f 2 EndDn⇥n(a),

= (f (x)) + (f (y)), porque é

homomorfismo de anéis, = f( (x)) + f( (y)).

Quaisquer que sejam (z) 2 En⇥n, (x)2 b, onde z 2 Dn⇥n, x2 a, f( (z) (x)) = f( (zx)), porque é homomorfismo de anéis,

= (f (zx)), pela definição de f,

= (zf (x)), porque f 2 EndDn⇥n(a),

= (z) (f (x)), porque é homomorfismo de anéis, = (z) f( (x)).

(40)

Logo, f 2 EndEn⇥n(b).

Seja

: EndDn⇥n(a) ! EndEn⇥n(b).

f ! f

Vejamos que é isomorfismo de anéis. Sejam f, g 2 EndDn⇥n(a).

Qual-quer que seja (x) 2 b, onde x 2 a,

f +g( (x)) = ((f + g)(x))

= (f (x) + g(x)) = (f (x)) + (g(x)) = f( (x)) + g( (x))

= ( f + g)( (x)).

Logo, f +g = f + g. Qualquer que seja (x) 2 b, onde x 2 a, f g( (x)) = ((f g)(x))

= (f (g(x))) = f( (g(x)))

= f g( (x)).

Logo, f g = f g. Qualquer que seja (x) 2 b, onde x 2 a, ida( (x)) = (ida(x)) = (x),

o que mostra que ida = idb. Logo, é homomorfismo de anéis.

Seja f 2 nuc . Seja x 2 a. Então

0 = f( (x)) = (f (x)).

Como é injetivo, f(x) = 0. Logo, f é o endomorfismo nulo de a. Logo, nuc = 0e é injetivo.

Vejamos agora que é sobrejetivo. Seja h 2 EndEn⇥n(b). Seja x 2 a.

Como (a) = b e é injetivo, existe um único xh2 a tal que

(xh) = h( (x)).

Consideremos a aplicação f : a ! a que a cada x 2 a faz corresponder xh.

Vejamos que f 2 EndDn⇥n(a). Sejam x, y 2 a. Então

((x + y)h) = h( (x + y))

= h( (x) + (y)) = h( (x)) + h( (y)) = (xh) + (yh)

(41)

Donde (x + y)h= xh+ yh,isto é, f(x + y) = f(x) + f(y). Sejam z 2 Dn⇥n, x2 a. Então ((zx)h) = h( (zx)) = h( (z) (x)) = (z)h( (x)) = (z) (xh) = (zxh).

Donde (zx)h = zxh,isto é, f(zx) = zf(x). Logo, f 2 EndDn⇥n(a).

Vejamos que h = f. De facto, qualquer que seja (x) 2 b, onde x 2 a,

h( (x)) = (xh) = (f (x)) = f( (x)).

Logo, h = f.

Logo, é isomorfismo de anéis. De acordo com a proposição 7.34, D ⇠= EndDn⇥n(a) ⇠= EndEn⇥n(b) ⇠= E .

Logo, D ⇠= E.

Lema 7.49 Suponhamos que R = Dn1⇥n1

1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr,

onde D1, . . . , Drsão anéis de divisão e n1, . . . , nrsão inteiros positivos. Para

cada j 2 {1, . . . , r}, seja Bj = ◆j(Dnjj⇥nj),onde ◆j : Djnj⇥nj ! R é a injeção

canónica que a cada Xj 2 Djnj⇥nj faz corresponder (X1, . . . , Xr) 2 R, com

Xi = 0 sempre que i 6= j.

Então B1, . . . , Br de R são ideais minimais de R e

R = B1 · · · Br.

Demonstração. Resulta do lema 7.35 que B1, . . . , Br de R são ideais

minimais de R. É fácil mostrar que R = B1 · · · Br.

Um ideal a de um anel R diz-se indecomponível se não existirem ideais não nulos de R, a1 e a2,tais que a = a1 a2. Claramente os ideais minimais

são indecomponíveis.

Lema 7.50 Sejam a1, . . . , ar, b1, . . . , bs ideais não nulos

indecomponí-veis de um anel R tais que

R = a1 · · · ar= b1 · · · bs.

Então r = s e existe uma permutação ⇡ : {1, . . . , r} ! {1, . . . , r} tal que ai= b⇡(i), i2 {1, . . . , r}.

(42)

Demonstração. Seja i 2 {1, . . . , r}. De acordo com a proposição 0.33, existem ideais d1, . . . , ds de R tais que dj ✓ bj, j2 {1, . . . , s}, e

ai = d1 · · · ds.

Como ai é indecomponível, existe um único ⇡(i) 2 {1, . . . , s} tal que

ai = d⇡(i)✓ b⇡(i).

Analogamente, qualquer que seja j 2 {1, . . . , s}, existe um único ⌧(j) 2 {1, . . . , r} tal que

bj ✓ a⌧ (j).

Como

06= ai✓ b⇡(i)✓ a⌧ ⇡(i) e R = a1 · · · ar,

deduzimos que i = ⌧⇡(i) e ai = b⇡(i), i 2 {1, . . . , r}. Analogamente, j =

⇡⌧ (j), j2 {1, . . . , s}. Logo, ⇡ e ⌧ são aplicações bijetivas e uma é a inversa da outra. Logo, r = s.

Suponhamos que R é um anel semissimples. De acordo com o teorema de Wedderburn-Artin,

R ⇠= Dn1⇥n1

1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr,

onde D1, . . . , Dr são anéis de divisão e n1, . . . , nr são inteiros positivos.

Re-sulta do lema 7.49 que existem ideais minimais a1, . . . , ar de R tais que

R = a1 · · · ar.

De acordo com o lema 7.50, a decomposição de R como soma direta de ideais minimais é única, a menos da ordem das parcelas. Os ideais a1, . . . , ar

chamam-se componentes simples ou componentes de Wedderburn de R. Recordemos que, se R é um anel, R = a1 · · · ar,onde a1, . . . , ar são

ideais, e 1R= e1+· · · + er,onde ej 2 aj, j2 {1, . . . , r}, então aj é um anel

com identidade ej, j2 {1, . . . , r}.

Teorema 7.51 Suponhamos que R = Dn1⇥n1

1 ⇥ · · · ⇥ Dnrr⇥nr ⇠= E1m1⇥m1 ⇥ · · · ⇥ Esms⇥ms = S, (7.8)

onde D1, . . . , Dr, E1, . . . , Essão anéis de divisão e n1, . . . , nr, m1, . . . , mssão

inteiros positivos.

Então r = s e que existe uma permutação ⇡ : {1, . . . , r} ! {1, . . . , r} tal que Dj ⇠= E⇡(j) e nj = m⇡(j), j 2 {1, . . . , r}.

(43)

Demonstração. Para cada j 2 {1, . . . , r}, seja ◆j : Djnj⇥nj ! R a j-ésima

injeção canónica associada à decomposição de R em (7.8) e aj = ◆j(Djnj⇥nj).

Então a1, . . . , arsão ideais minimais de R, R = a1 · · · are os anéis Djnj⇥nj

e aj são isomorfos.

Analogamente, para cada k 2 {1, . . . , s}, seja ◆0 k: E

mk⇥mk

k ! S a k-ésima

injeção canónica associada à decomposição de S em (7.8) e bj = ◆0k(Ekmk⇥mk).

Então b1, . . . , bssão ideais minimais de S, R = b1 · · · bse os anéis Ekmk⇥mk

e bk são isomorfos.

Seja : R! S um isomorfismo de anéis. Então S = (a1) · · · (ar),

onde (a1), . . . , (ar) são ideais minimais de S. Pelo lema 7.50, r = s e

existe uma permutação ⇡ : {1, . . . , r} ! {1, . . . , r} tal que (aj) = b⇡(j),

j2 {1, . . . , r}.

Para cada j 2 {1, . . . , r}, temos os seguintes isomorfismos de anéis Dnj⇥nj

j ⇠= aj ⇠= (aj) = b⇡(j)⇠= E

m⇡(j)⇥m⇡(j)

⇡(j) .

Pelo lema 7.48, Dj ⇠= E⇡(j) e nj = m⇡(j), j2 {1, . . . , r}.

Se a for um ideal esquerdo minimal de um anel R, representamos por Ba

a soma de todos os ideais esquerdos de R isomorfos a a (como R-módulos esquerdos).

Lema 7.52 Sejam a, a0 ideais esquerdos minimais de R. Então

(a7.52) Se c 2 R, então ac = 0 ou ac é um ideal esquerdo de R isomorfo a a.

(b7.52) Ba é um ideal de R.

(c7.52) Se a e a0 não são isomorfos, então BaBa0 = 0.

Demonstração. (a7.52). Seja c 2 R. Claramente ac é um ideal esquerdo

de R. Consideremos o homomorfismo de módulos esquerdos sobre R fc : a ! ac.

x ! xc

Como a é minimal, nuc fc = 0 ou nuc fc = a. Assim, ac = 0 ou ac ⇠= a.

(b7.52). Claramente Baé um ideal esquerdo de R. Assim, para provar que

Ba é um ideal de R, basta mostrar que, 8x 2 Ba,8c 2 R, xc 2 Ba. Sejam

x2 Ba, c2 R. Como x 2 Ba,existem ideais esquerdos (minimais) b1, . . . , bn

de R isomorfos a a e existem x1 2 b1, . . . , xn2 bn tais que x = x1+· · · + xn.

Assim,

xc = x1c +· · · + xnc2 b1c +· · · + bnc.

Seja i 2 {1, . . . , n}. De acordo com (a7.52), bic = 0 ou bic ⇠= bi ⇠= a. Em

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