• Nenhum resultado encontrado

Notas e Exercícios sobre a Lógica de Omissão do Reiter

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Notas e Exercícios sobre a Lógica de Omissão do Reiter"

Copied!
14
0
0

Texto

(1)

Notas e Exercícios sobre a Lógica de Omissão do

Reiter

Algoritmo de Etherington

O algoritmo seguinte calcula todas uma extensão de uma teoria (,D). Sucessivas aplicações deste algoritmo escolhendo as regras aplicáveis por diferente ordem permitem determinar todas as extensões possíveis.

As extensões a uma teoria T=(,D) são construídas por uma série de aproximações sucessivas. Começamos com a aproximação H1, assumindo que a aproximação H0=T().

Cada aproximação, Hj, é construída a partir de T(), aplicando as regras de omissão (“defaults”), uma de cada vez.

Em cada passo, a instância da regra de omissão a ser aplicada é escolhida entre aquelas que não foram ainda aplicadas, e cujos pré-requisitos estão na aproximação corrente e cujas justificações são consistentes com a aproximação anterior e com o estado da aproximação corrente. Após aplicarmos a regra de omissão, o seu consequente fará parte da aproximação (e todas as consequências lógicas resultantes da sua inserção). Quando não forem aplicáveis mais regras de omissão, o procedimento continua com a próxima aproximação. Se duas aproximações sucessivas forem iguais, diz-se que o procedimento converge (ponto fixo) e esta aproximação final corresponde a uma extensão.

A escolha de qual a regra de omissão a aplicar em cada passo do ciclo interno pode introduzir não determinismo. A generalidade requer este não determinismo, que advém do facto das teorias não possuirem necessariamente extensões únicas.

Exemplo simples:

∆={} 𝑒 D={

: 𝑐 ¬𝑑

,

: 𝑑 ¬𝑐

}

H0= T()={}

Vamos começar a fazer a segunda aproximação: H1= T()={}

Podemos aplicar a primeira regra de omissão porque c é consistente e inferimos o consequente.

H1=T()=T({d})=T({d})

Não podemos aplicar a segunda regra de omissão porque d não é consistente e terminamos a construção de H1. Comecemos a construção de nova aproximação.

H2= T()={}

Só podemos aplicar o primeiro “default” porque o segundo está inibido (d não é consistente com a aproximação anterior embora o seja com a aproximação em construção).

H2=T()=T({d})=T({d})

H2= H2

Como as aproximações convergiram obtemos uma extensão: E1=T({d})

(2)

No entanto, podemos obter mais extensões caso começassemos por aplicar a primeira regra de omissão e não a segunda.

H0= T()={}

Vamos começar a fazer a segunda aproximação: H1= T()={}

Podemos aplicar a segunda regra de omissão porque c é consistente e inferimos o consequente.

H1=T()=T({c})=T({c})

Não podemos aplicar a primeira regra de omissão porque c não é consistente e terminamos a construção de H1. Comecemos a construção de nova aproximação.

H2= T()={}

Só podemos aplicar o segundo “default” porque o primeiro está inibido (c não é consistente com a aproximação anterior embora o seja com a aproximação em construção).

H2=T()=T({c})=T({c})

H2= H2

Como as aproximações convergiram obtemos uma nova extensão: E2=T({c})

Exemplo simples de impossibilidade de construir uma extensão.

∆={} 𝑒 D={

: ¬𝑎

𝑎

}

H0=T()=T({})={}.

Calculemos a aproximação H1: H1=T()=T({})={}.

Posso aplicar o “default” único de D e adiciono a.

H1=T{a}

Como H1 é diferente de H0 vou contruir H2. H2=T()=T({})

Não posso aplicar o “default” porque a é consequência lógica de H1 inibindo a sua aplicação. Termino o cálculo de H2=T({}).

Agora entramos em ciclo: H3=H1=T({a}), H4=H2=H0=T({}), etc. etc.

(3)

Exemplo em que as aproximações demoram mais tempo a convergir.

∆={a} 𝑒 D={

𝑎∶𝑏 𝑏

,

𝑎 ∶ 𝑐 𝑐

,

𝑏 ∶ 𝑑 𝑑

,

𝑏∶ ¬𝑑  ¬𝑐 ¬𝑑

}

Análise prévia para não ter que aplicar todas as sequências possíveis de regras

A primeira regra de omissão não interfere com as outras e a sua ordem não é importante. Assumo que é sempre a primeira a ser aplicada em qualquer tentativa de construção de uma extensão. A segunda bloqueia com a quarta e o mesmo se passa com a terceira. Como os três primeiros “defaults” não entram em conflito podemos aplicá-los por qualquer ordem (tendo atenção que o terceiro só pode ser aplicado depois do primeiro), obtendo a mesma extensão, logo na segunda aproximação. Vejamos que a aplicação da segunda ou terceira inibem a quarta.

E=T( {c,b,d})

Mas, vejamos o que acontece se aplicarmos a quarta omissão antes da segunda ou da terceira.

H0=T()

Vamos construir H1 que começa por ser igual a T().

Se aplicarmos a primeira e a última extensão indepdendentemente da ordem teremos H1=T({b,d})

Agora, só podemos aplicar a segunda omissão e obtemos: H1=T({b,d,c})

Passemos à segunda aproximação H2 que é inicialmente igual a T().

Posso aplicar a primeira e a segunda omissão mas não posso aplicar nem a quarta nem a terceira.

H2=T({b,c})

Passemos à terceira aproximação (H3=T()). Devido à aproximação anterior não

poderemos nunca aplicar a última omissão mas poderemos aplicar as três primeiras, não sendo a ordem importante (excepto que a primeira tem de anteceder a terceira). A extensão que obtemos é a mesma que nos casos anteriores, sendo única.

(4)

Ou seja, a evolução das aproximações, neste último caso, é a seguinte: H0=T({a}) H1=T({a,b,d,c}) H2=T({a,b,c}) H3=T({a,b,c,d}) H4=H3

Exercício: Considere as seguintes afirmações:

- A e B são objectos frágeis.

- Os objectos frágeis estão normalmente guardados. - Em geral os objectos frágeis são vermelhos. - A não está guardado.

- B não é vermelho.

a) Descreva com rigor estas afirmações da forma que lhe parecer mais conveniente. Pela ordem respectiva teremos:

- fragil(A), fragil(B). - 𝑓𝑟𝑎𝑔𝑖𝑙(𝑥) 𝑔𝑢𝑎𝑟𝑑𝑎𝑑𝑜(𝑥) 𝑔𝑢𝑎𝑟𝑑𝑎𝑑𝑜(𝑥) - 𝑓𝑟𝑎𝑔𝑖𝑙(𝑥) ∶ 𝑣𝑒𝑟𝑚𝑒𝑙ℎ𝑜(𝑥) 𝑣𝑒𝑟𝑚𝑒𝑙ℎ𝑜(𝑥) - guardado(A). - vermelho(B).

={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B)} D={𝑓𝑟𝑎𝑔𝑖𝑙(𝑥) 𝑔𝑢𝑎𝑟𝑑𝑎𝑑𝑜(𝑥)

𝑔𝑢𝑎𝑟𝑑𝑎𝑑𝑜(𝑥)

,

𝑓𝑟𝑎𝑔𝑖𝑙(𝑥) ∶ 𝑣𝑒𝑟𝑚𝑒𝑙ℎ𝑜(𝑥) 𝑣𝑒𝑟𝑚𝑒𝑙ℎ𝑜(𝑥)

}

b) Que conclusões pode tirar sobre os objectos A e B.

Vamos construir as extensões. Olhando para  e D podemos logo ver que o primeiro “default” só se aplica B e o segundo a A. A ordem de aplicação não é importante. Comecemos pela primeira aproximação:

H0=={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B)}. Vamos passar a construir H1 que começa igual a .

Vamos aplicar o primeiro “default” a B (é aplicável porque fragil(B) é consequência lógica de H1 e porque guardado(B) não é consequência lógica de H1), e

adicionamos guardado(B) obtendo:

(5)

Agora, podemos aplicar o segundo “default” a A e adicionamos vermelho(A) a H1, ficando:

H1={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B),guardado(B), vermelho(A)} Não podemos aplicar mais nenhuma instância de um “default” e acabamos a

construção de H1. Como H1 é diferente de H0 continuamos para o cálculo de uma nova aproximação H2.

H2=={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B)}

Podemos aplicar qualquer dos “defaults” (o primeiro para B e o segundo para A), sendo as justificações consistentes tanto com o H2 corrente como com H1. A ordem da sua aplicação é indiferente e os dois consequentes: vermelho(A) e guardado(B), são adicionados a H2,

H2={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B), guardado(B), vermelho(A)} Como H2=H1 o processo termina e obtivémos uma extensão única (não há mudança de ordem de aplicação dos defaults que possa mudar alguma coisa, basta ver que não há interferências entre as extensões).

E={fragil(A), fragil(B), guardado(A), vermelho(B),guardado(B),vermelho(A)}

Exercício: Considere as seguintes afirmações e a sua representação abaixo indicada no

conjunto de fórmulas W e conjunto de regras de omissão D:  Tipicamente as pessoas comem carne.

 Jorge é uma pessoa.  Os hindus são pessoas.

 Tipicamente os hindus não comem carne.  Ghandi é hindu.

 = {X (hindu(X) pessoa(X)), hindu(ghandi), pessoa(jorge)} D={𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎(𝑥):𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

,

ℎ𝑖𝑛𝑑𝑢(𝑥) ∶ 𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥) 𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

}

c) Construir as extensões associadas a (,D).

Vamos aplicar o algoritmo de Etherington e começamos com a aproximação:

H0=T()=T({X (hindu(X) pessoa(X)), hindu(ghandi), pessoa(jorge)})

Vamos construir H1

(6)

Tentemos aplicar a primeira regra de omissão. Esta é aplicável para pessoa(jorge), por exemplo. Como come_carne(jorge) não é uma consequência lógica nem de H0 nem de H1 corrente, podemos acrescentar come_carne(jorge) a H1.

H1=T({hindu(ghandi), pessoa(jorge), come_carne(jorge),

X (hindu(X) pessoa(X)) }).

Apliquenos a primeira regra de omissão para ghandi (pessoa(ghandi) é consequência lógica de H1) e come_carne(ghandi) não é nem consequência lógica de H1 corrente nem de H0. Vou adicionar come_carne(ghandi) à aproximação:

H1=T({X (hindu(X) pessoa(X)), hindu(ghandi), pessoa(jorge),

come_carne(jorge), come_carne(ghandi)}).

Não posso aplicar mais nenhuma instância de uma regra de omissão. Está construída a 1ª aproximação!

Passo à construção de H2, que é inicialmente igual a T().

Posso aplicar a primeira regra de omissão tanto para jorge como para ghandi, independentemente da ordem e obtenho H2=H1. Como houve uma convergência na

dinâmica das aproximações então está encontrada uma extensão.

E1=T({X (hindu(X) pessoa(X)), hindu(ghandi), pessoa(jorge),

come_carne(jorge), come_carne(ghandi)}).

Vamos tentar obter mais extensões. Regressemos ao princípio: H0=T(). Para

tentarmos obter mais extensões é preciso aplicar as instâncias das regras de inferência por omissão por outra ordem. É fácil de compreender que a ordem da aplicação do primeiro “defaults” para jorge não altera nada, porque o segundo “default” não é aplicável para a entidade jorge. Comecemos então pela aplicação do primeira regra de omissão para jorge na construção de H1.

H1={X (hindu(X) pessoa(X)), hindu(ghandi), pessoa(jorge),

come_carne(jorge) }.

Mas, para Ghandi, os dois defaults são aplicáveis e inibem-se um ao outro. Por isso, começaremos por aplicar o segundo (hindu(ghandi) é consequência lógica de H1 e

come_carne(ghandi não é consequência lógica nem de H1 nem de H0).

(7)

come_carne(jorge) , come_carne(ghandi)}.

Já não posso aplicar o primeiro “default” a ghandi porque come_carne(ghandi) é consequência lógica de H1 e termino a construção de H1 (não há mais instâncias das

regras de inferência para aplicar).

Começamos a contruir a segunda aproximação com H1=T() e só poderemos aplicar o

primeiro “default” para X=jorge e o segundo “default” para X=ghandi, independentemente da ordem e nunca se pode aplicar o primeiro “default” para X=jorge. Vamos obter portanto H2= H1 e dada a convergência do algoritmo

encontrámos uma nova extensão:

E2={(X) hindu(X) pessoa(X), hindu(ghandi), pessoa(jorge),

come_carne(jorge), come_carne(ghandi)}.

Não existe mais nenhuma extensão. Podemos ver a olho que não existe mais nenhuma maneira de alterarmos a ordem de aplicação das instâncias dos “defaults” de modo a concluir novas coisas.

d) Altere a representação de forma a haver apenas a possibilidade de Ghandi não comer carne, mas de modo a que se continue a poder inferir que Jorge come carne.

Basta substituir a primeira frase:

 Tipicamente as pessoas comem carne. Pela frase:

 Tipicamente as pessoas comem carne desde que não sejam hindús. Substituímos o primeiro “default”

D={𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎(𝑥) ∶¬ℎ𝑖𝑛𝑑𝑢(𝑥)  𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

,

ℎ𝑖𝑛𝑑𝑢(𝑥) ∶ 𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥) 𝑐𝑜𝑚𝑒_𝑐𝑎𝑟𝑛𝑒(𝑥)

}

Este novo “default” já não poderia ser aplicado a ghandi porque hidu(ghandi) é consequência lógica de . Mas poder-se-ia aplicar a jorge porque hindu(jorge) não é consequência lógica de .

(8)

Exercício: Considere as seguintes frases:

- Os estudantes normalmente são jovens - Os jovens são habitualmente solteiros

- Normalmente os estudantes que têm filhos são casados - Casado e solteiro são estados mutuamente exclusivos

e) Defina uma teoria de pressuposições que represente formalmente o conhecimento nelas expresso.

Vamos representar as 3 primeiras frases nos seguintes “defaults”: D={𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎𝑛𝑡𝑒(𝑥)∶ 𝑗𝑜𝑣𝑒𝑚(𝑥) 𝑗𝑜𝑣𝑒𝑚(𝑥) , 𝑗𝑜𝑣𝑒𝑚(𝑥) ∶ solteiro(x)(𝑥) solteiro(𝑥)

,

𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎𝑛𝑡𝑒(𝑥)  𝑡𝑒𝑚_𝑓𝑖𝑙ℎ𝑜𝑠(𝑥): casado(𝑥) casado(𝑥) }

A última frase será representada como uma implicação universal - (X)(casado(X)  solteiro(X))

Sendo equivalente a (X)(casado(X)  solteiro(X))

f) Suponha que Jorge é um estudante casado. O que poderia concluir sobre Jorge na teoria que definiu.

={estudante(jorge), casado(jorge), (X)(casado(X)  solteiro(X))} Vamos começar por criar as extensões

H0=T()

Posso aplicar o primeiro “default” para jorge, inferindo jovem(jorge). Apesar de ter na teoria jovem(jorge) não podemos aplicar o segundo “default” porque solteiro(jorge) não é consistente com a teoria. De casado(jorge) derivamos como consequência lógica solteiro(jorge). E não se pode aplicar o terceiro “default”.

H1=T({estudante(jorge), casado(jorge), (X)(casado(X)  solteiro(X)),

solteiro(jorge), jovem(jorge)})

Agora, na construção de H2 que começa por ser T(), só podemos aplicar o primeiro

“default” e como H2=H1, a extensão é a seguinte e é a única.

E=T({estudante(jorge), casado(jorge), (X)(casado(X)  solteiro(X)), solteiro(jorge), jovem(jorge)})

g) Aumente a teoria que definiu em a) com as seguintes regras de pressuposição: : tem_filhos(x)

tem_filhos(x)

: ~ tem_filhos(x) ~ tem_filhos(x)

Considere que Ana é uma estudante, não se sabendo se tem ou não filhos. Quantas extensões tem a nova teoria e o que pode concluir em cada uma delas sobre a Ana?

(9)

D={estudante(X): jovem(X)/jovem(X), jovem(X): solteiro(X)/solteiro(X)

estudante(X)  tem_filhos(X): casado(X)/casado(X), :tem_filhos(X)/tem_filhos(X),

: tem_filhos(X)/ tem_filhos(X)}

={estudante(ana), (X)(casado(X)  solteiro(X))}

Podemos ver que se aplicarmos no início o “default” 1 da lista, obtemos jovem(ana) e depois se aplicarmos o 2º obtemos solteiro(ana) deduzindo casado(ana) e depois podmeos aplicar ou o 4º ou o 5º “default” obtendo duas extensões possíveis:

E1[,D]= { {jovem(ana),solteira(ana),tem_filhos(ana)})

E2[,D]= { {jovem(ana),solteira(ana), tem_filhos(ana)}}

Em qualquer destas extensões posso concluir casada(ana)

Se aplicar o 4º e o 3º e a seguir o 1º (a ordem não é muito importante para a aplicação do primeiro “default”), obtenho mais uma extensão:

E3[,D]= { {jovem(ana),casada(ana),tem_filhos(ana)})

Posso também concluir solteira(ana).

Exercício: Considere as seguintes frases:

 Os alunos normalmente vão aos exames.

 Esta regra não se aplica se um aluno não estudou a matéria.  Os alunos que vão ao exame normalmente passam.

 Os alunos que não estudam normalmente não passam.  Os alunos que passam nos exames sem estudar têm sorte.

Vamos representar as 4 primeiras frases de cima pelos defaults seguintes e uma implicação universal para a excepção, considerando que o objecto do domínio são os estudantes e não definindo por isso um predicado aluno(x).

D={ ∶ 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) , 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥)∶ passa(x) passa(𝑥)

,

¬𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎(𝑥)  𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥): ¬passa(𝑥) ¬passa(𝑥) } - (X) (estuda(X)  vai_exame(X))

A última frase é também representada por uma implicação. - (X) (passa_a_exame(X) estuda(X)  tem_sorte(X))

(10)

Uma alternativa a esta representação seria arranjar uma regra de omissão semi-normal, colocando a negação da excepção na justificação do primeiro default. D={ ∶ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎(𝑥)  𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) , 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥)∶ passa(x) passa(𝑥)

,

¬𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎(𝑥)  𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥): ¬passa(𝑥) ¬passa(𝑥) }

- (X) (passa_a_exame(X) estuda(X)  tem_sorte(X))

Ou, ainda alternativamente, construindo um default normal reunindo as duas primeiras frases, colocando :

D={ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎(𝑥) ∶ 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥) , 𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥)∶ passa(x) passa(𝑥)

,

¬𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎(𝑥)  𝑣𝑎𝑖_𝑒𝑥𝑎𝑚𝑒(𝑥): ¬passa(𝑥) ¬passa(𝑥) }

- (X) (aluno(X)  passa_a_exame(X) estuda(X)  tem_sorte(X))

A terceira versão é pior do que a segunda e a primeira porque obriga a que se saiba que não estudou antes de se verificar a consistência de ir a exame. Se soubermos que não estudou então inibe-se o default indicador que vai a exame, mas se não soubermos que não estudou deveríamos, mesmo assim, poder assumir que vai a exame e o terceiro caso impede-o.

Exercício: Calcule as extensões da seguinte teoria

∆=

{A, B  C} 𝑒

D={

𝐴 𝐵 𝐵

,

∶¬𝐵 ¬𝐵

,

𝐴 ∶ 𝐷 𝐷

,

𝐴 ∶ ¬𝐷  𝐸 𝐸

,

𝐶 𝐹 𝐹

, }

Análise: a primeira regra “default” inibe a segunda e a segunda inibe a primeira. A terceira inibe a quarta mas esta última não inibe aquela. A quinta regra de omissão não incomoda ninguém mas só pode ser aplicada quando B pertencer à extensão. Por outro lado, o facto de B pertencer à extensão obriga a que F também pertença porque C se torna consequência lógica de B e de BC, permitindo a última omissão.

Assim, dado que H0=T() vamos começar por construir a primeira extensão,

começando com H1=T(). Posso aplicar o primeiro “default”, acrescentando B (C é

agora consequência lógica e pertence a esta nova aproximação). Podemos agora aplicar a terceira e a quinta regra de omissão e inferir D e F.

H1=T({A, BC, B, D, F})

Podemos aplicar os mesmos defaults pela mesma ordem ou outra que obtemos a mesma aproximação

H1= H2

Está obtida a convergência e a extensão. E1=T({A, BC, B, D, F})

Vamos tentar encontrar mais extensões. Assim, dado que H0=T() vamos começar por

(11)

Se começarmos por aplicar o primeiro “default” derivamos B e podemos obter de novo F.

H1=T({A, BC, B, F})

mas agora vamos aplicar o quarto “default” antes do terceiro. H1=T({A, BC, B, E,F})

Após a aplicação do terceiro teremos: H1=T({A, BC, B, F,E,D})

Paramos a construção da aproximação H1 que é diferente de H0. Teremos de continuar

construindo uma nova aproximação até à convergência, começando com H2=T().

Poderei aplicar todos os “defaults” que apliquei na aproximação anterior com a excepção do quarto que está inibido pela aproximação anterior (contém D), obtendo

H2=T({A, BC, B, F,D})

Teremos de continuar porque a última aproximação é diferente da precedente. Podemos constatar que a nova aproximação vai ser exactamente igual à anterior obtendo uma extensão que por acaso não é nova, já a tínhamos encontrado antes.

E1=T({A, BC, B, D, F})

Se começarmos por aplicar o segundo “default” e não o primeiro nada saberemos sobre C devido à entrada de B. Podemos aplicar a terceira omissão gerando uma extensão (a quinta e a quarta estão inibidas):

H1=H2=E2=T({A, BC, B, D})

E2=T({A, BC, B, D})

Mais uma vez podemos aplicar a quarta omissão e depois a terceira e obteremos: H1=T({A, BC, B, D, E})

Ao construirmos a aproximação seguinte, constatamos que não se pode aplicar a penúltima omissão obtendo:

H2=H3=E3=E2=T({A, BC, B, D})

Só há duas extensões!

Exercício: Determine todas as extensões das teoria de omissão seguinte

∆=

{} 𝑒

D={

∶ ¬𝑞,¬𝑟 𝑝

,

∶¬𝑝,¬𝑟 𝑞

,

∶ ¬𝑝, ¬𝑞 𝑟

}

O primeiro default inibe os outros dois. O segundo inibe os outros dois

O terceiro inibe os outros dois.

Vamos ter 3 extensões que resultam de aplicar apenas um dos defaults. Ext1=Th({p})

Ext2=Th({q})

(12)

Exercício: Mostre que estas duas regras de omissão não são equivalentes

D={

∶ 𝛽,𝛼

𝛾

,

∶ 𝛽  𝛼

𝛾

}

Uma maneira de o fazer é considerar que temos uma disjunção das excepções.

∆=

𝛽

 ¬

𝛼

}

Esta disjunção de excepções não nos permite derivar nenhuma delas, o que faz com que não bloqueie a primeira regra de omissão mas bloqueia a segunda.

Exercício: Dada a teoria de omissões seguinte, calcule as suas extensões.

D={

𝑝 ∶ ℎ,𝑠 ℎ

,

¬𝑞 ∶ ¬𝑠, ¬𝑡 𝑘

,

ℎ ∶ ¬𝑠  𝑡 𝑞 → ¬𝑡

,

ℎ ∶ 𝑠 ,𝑡 𝑝 → 𝑡

,

𝑘 ∶ ¬𝑠, ¬𝑡 𝑠 → 𝑞

}

∆=

{p  q, ¬𝑞}

Se aplicarmos a 1ª regra de omissão, assumimos h.

Se aplicarmos a 4ª regra de omissão assumimos a implicação 𝑝 → 𝑡 e dessa implicação deduzimos t, através do facto de p ser uma consequência lógica de

.

Nesse caso, inibimos as regras 2 e 5. Podemos aplicar a terceira regra deduzindo outra implicação: mas que nada acrescenta em relação aos valores de verdade de q e de t. A nossa extensão é então

Ext1={ p  q, ¬𝑞, 𝑝 → 𝑡, 𝑞 → ¬𝑡, ℎ}

Ou Ext1={ p  ¬𝑞, 𝑡  ℎ}

Entre outras...

Se aplicarmos a 2ª regra de omissão, assumimos k.

Se aplicarmos a 5ª regra de omissão assumimos a implicação 𝑠 → 𝑞 e dessa implicação deduzimos ¬s, através do facto de ¬q ∈

.

Nesse caso, inibimos as regras 1 e 4. Podemos aplicar a terceira regra deduzindo outra implicação: mas que nada acrescenta em relação aos valores de verdade de q e de t. A nossa extensão é então

Ext1={ p  q, ¬𝑞, 𝑠 → 𝑞, 𝑞 → ¬𝑡, 𝑘, ¬𝑠}

Exercício: Considere a informação seguinte:

Normalmente, tanto os licenciados como os que estão a licenciar-se estudam. Há alguém que é um estudante mas não sabemos se é licenciado ou se está a licenciar-se.

(13)

que é modelizada pela teoria de omissão seguinte:

D={

𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜 ∶ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎

,

𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑟𝑠𝑒 ∶ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎

}

∆=

{licenciado  alicenciarse}

Contrariamente à nossa intuição, esta teoria não nos permite concluir que esse alguém estuda.

A única extensão é precisamente

∆=

{licenciado  alicenciarse}

Apresente duas alternativas que permitam fornecer o resultado esperado, de modo a que pelo menos numa dela não se altere

. Verifique que para qualquer dos resultados conseguiremos obter as extensões desejadas ou esperadas.

Solução 1

D={

𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜 ∶ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎

,

𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑟𝑠𝑒 ∶ 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑡𝑢𝑑𝑎

,

∶ ¬𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜, 𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑟−𝑠𝑒 𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑟−𝑠𝑒

,

: ¬𝑎𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑠𝑒,𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜 𝑙𝑖𝑐𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑑𝑜

}

∆=

{licenciado  alicenciarse}

Neste caso como não sabemos se a pessoa em causa está ou não licenciada podemos assumir que está a licenciar-se e nesse caso estuda. Podemos também assumir que está a licenciar-se e que também estuda.

Teremos duas extensões:

Ext1={ licenciado  alicenciarse, estuda, licenciado} e Ext2={ licenciado  alicenciarse, estuda, alicenciarse}

Exercício: Considere as afirmações seguintes:

 Normalmente os condutores de automóveis não respeitam os limites de velocidade.

 Esta regra não se aplica se o condutor tiver a carta há menos de dois meses. Pode mesmo dizer-se que os condutores com carta há menos de dois meses normalmente respeitam os limites de velocidade.

 A primeira regra também não se aplica quando o condutor se apercebe que a polícia está à espreita, a menos que o condutor seja do corpo diplomático. h) Represente estas afirmações de um modo conveniente.

i) Admita que:

(14)

 O José tem a carta há menos de dois meses.  O João e o Joaquim viram a polícia.

 O Joaquim é do corpo diplomático.

 Quem não respeita o limite de velocidade corre muitos riscos de sofrer acidentes

O que se pode concluir sobre o respeito que estes três condutores têm pelos limites de velocidade?

Exercício: Calcule as extensões da seguinte teoria:

 = {A, BC}

D ={A:B/B, : B/B, A:D/D, A: DE/E, C:F/F}

Exercício: Considere  = { (X) (p(X)  q(X)), p(a), (X) (r(X)  s(X)) } e

Apresente, justificando, a extensão ou as extensões desta teoria.

Exercício: Considere as seguintes frases:

- Normalmente os animais são felizes, se não têm fome.

- A regra anterior não se aplica para os animais domésticos que são maltratados pelos donos.

- Os animais felizes geralmente são mansos.

- Habitualmente, os animais domésticos que são maltratados pelos donos não são mansos.

- Os animais domésticos que são mansos e são maltratados pelos donos são um exemplo de fidelidade.

Descreva formalmente estas afirmações do modo que lhe parecer mais conveniente. Considere que a Tété, o Quiqui e o Xoné são animais domésticos. A Tété e o Quiqui

são bem alimentados. A Tété, apesar de ser mal tratada, é feliz. O que pode concluir sobre cada um dos três animais?

Acrescente, se necessário, algum conhecimento óbvio não explicitado nas frases.            s(X) s(X) : , r(X) r(X) : q(X) , r(X) r(X) : p(X) D

Referências

Documentos relacionados

É possível? Sim, por intermédio de uma relação de re- ciprocidade. De fato, na reciprocidade, não podemos agir sem experimentar a ação da qual somos o agente. Se cada um de nós

Use este interruptor para alimentar o sinal RETURN correspondente, trazido dos controles ST e AUX Mix, nas vias PFL, de forma que você possa monitorar o sinal de PHONES... O mixer

Conforme a adesão à medicação, para este estudo, considerou-se apenas o consentimento da terapia antirretroviral, visto que a literatura não apresenta nenhum

Fazendo uso das suas competências como responsável máximo da Protecção Civil no âmbito municipal, consequentemente como director do Plano Municipal de Emergência de Protecção

Os principais resultados obtidos pelo modelo numérico foram que a implementação da metodologia baseada no risco (Cenário C) resultou numa descida média por disjuntor, de 38% no

libras ou pedagogia com especialização e proficiência em libras 40h 3 Imediato 0821FLET03 FLET Curso de Letras - Língua e Literatura Portuguesa. Estudos literários

A principal contribuição desse trabalho é a apresentação de uma solução de localização que, quando implantada em uma rede social móvel, o usuário e seus amigos possam ser