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EXPOSURE BIOLOGICAL RISK IN THE CURRICULAR TRAINEESHIP IN NURSING GRADUATION:

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Academic year: 2020

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Maia ENL, Valente GSC. Exposure biological risk …

Rev. de Pesq.: cuidado é fundamental Online 2010. abr/jun. 2(2):958-967

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EXPOSURE BIOLOGICAL RISK IN THE CURRICULAR TRAINEESHIP IN NURSING GRADUATION:

IMPLICATE FOR EDUCATION

EXPOSIÇÃO A RISCOS BIOLÓGICOS NO ESTÁGIO CURRICULAR DA GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO

LA EXPOSICIÓN A LOS RIESGOS BIOLÓGICOS EN LAS PRACTICAS CURRICULARES DE LA EDUCACIÓN DE PREGRADO EN ENFERMERÍA: IMPLICACIONES PARA LA ENSEÑANZA

Eliza Nogueira de Lima Maia1, Geilsa Soraia Cavalcanti Valente2

ABSTRACT

Objectives: To identify the reasons for the occurrence of accidents with biological material in nursing students and describe the student's perception regarding the preventive care as a form of self-care. Method: This is a qualitative, exploratory and descriptive, against the backdrop of the School of Nursing Aurora de Afonso Costa, Universidade Federal Fluminense. The participants were fourteen students enrolled in seventh period of the course, given the resolution 196/96. The project was approved by the Ethics Committee of HUAP / UFF under No. 222-08. For data collection a questionnaire was used, the results were subjected to content analysis by the themes: the reasons for the occurrence of accidents with biological material and the perception of students regarding the preventive care as a form of self-care. Results: From the analysis, the main factors were lack of practical experience, leading to uncertainty and nervousness of the scholars and improper use of Personal Protective Equipment. Conclusion: The students are familiar with procedures for preventing accidents and triggering factors, but accidents are still happening, despite all the explanations offered by teachers, thus requiring a greater awareness of future professionals in enhancing their responsibility towards measures care. Descriptors: Exposure biologic agent, Nursing, Self-care. Education, Continuing.

RESUMO

Objetivos: Identificar os motivos da ocorrência dos acidentes com material biológico em acadêmicos de enfermagem e descrever a percepção do estudante quanto aos cuidados preventivos como forma de autocuidado. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo exploratório e descritivo, tendo como cenário a Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa, da Universidade Federal Fluminense. Participaram da pesquisa catorze acadêmicos matriculados no sétimo período do curso, atendendo a Resolução 196/96. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética do HUAP/UFF sob nº 222-08. Para coleta de dados foi utilizado um questionário, cujos resultados foram submetidos a análise de conteúdo através das categorias temáticas: Os motivos da ocorrência de acidente com material biológico e a percepção dos acadêmicos quanto aos cuidados preventivos como forma de auto cuidado. Resultados: A partir da análise, os principais fatores encontrados foram a falta de experiência prática, levando a insegurança e nervosismo dos acadêmicos e o uso inadequado dos Equipamentos de Proteção Individual. Conclusão: Os acadêmicos conhecem os procedimentos de prevenção de acidentes e fatores desencadeantes, porém, os acidentes continuam acontecendo, apesar de todos os esclarecimentos oferecidos pelos professores, fazendo-se necessário uma maior conscientização destes futuros profissionais, reforçando a sua responsabilidade frente às medidas de autocuidado. Descritores: Exposição à agente biológico, Enfermagem, Atividades cotidianas, Autocuidado, Educação continuada.

RESUMEN

Objetivos: Identificar las razones de la ocurrencia de accidentes con material biológico en los estudiantes de enfermería y describir la percepción del alumno sobre el cuidado preventivo, como una forma de auto-cuidado. Método: Se trata de una cualitativo, exploratorio y descriptivo, en el contexto de la Escuela de Enfermería de la Aurora de Afonso Costa, Universidade Federal Fluminense. Los participantes fueron catorce alumnos matriculados en el período de sesiones del curso, habida cuenta de la resolución 196/96. El proyecto fue aprobado por el Comité de Ética de HUAP / UFF bajo el N º 222-08. Para la recogida de datos se utilizó un cuestionario, los resultados fueron sometidos a análisis de contenido por los temas: las razones de la ocurrencia de accidentes con material biológico y la percepción de los estudiantes respecto a la atención preventiva como una forma de auto-cuidado. Resultados: De los análisis, los factores principales fueron la falta de experiencia práctica, que conduce a la incertidumbre y el nerviosismo de los académicos y el uso indebido de los equipos de protección personal. Conclusión: Los estudiantes están familiarizados con los procedimientos para prevenir accidentes y los factores desencadenantes, pero los accidentes siguen ocurriendo, a pesar de todas las explicaciones ofrecidas por los profesores, lo que exige una mayor conciencia de los futuros profesionales en la mejora de su responsabilidad respecto a las medidas cuidado. Descriptores: exposición a agentes biológicos, enfermería, cuidado personal, Educación Continua.

1 Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa/UFF. Email:[email protected]. 2 Doutora em Enfermagem (EEAN/UFRJ), Professora Adjunto do Departamento de Fundamentos de Enfermagem e Administração da EEAAC/UFF. Email: [email protected]

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O trabalho na sociedade surge como

algo fundamental para a sobrevivência do

homem, e pode ser considerado mediador nas

relações que se estabelecem entre os homens

e a natureza. O trabalho tem uma

funcionalidade estruturante de nossas vidas,

com uma dupla determinação: primeiramente

como ontológico, fazendo parte da vida

humana independendo da forma que se

manifesta e também descreve a determinação

histórica do trabalho que vai tratar da

organização das relações sociais, que

proporcionam o surgimento de diferentes

formas de trabalho, como primitivo, escravo

ou assalariado

1

.

A motivação para este estudo surgiu a

partir de uma experiência vivenciada, no

Hospital Universitário, durante o estágio

curricular, quando aconteceu um acidente

com material pérfuro-cortante, após a

realização de uma glicemia capilar em um

paciente internado no setor de Doenças

infecto-parasitárias (DIP), sendo esse um

procedimento de baixa complexidade, ao

reencapar a agulha, um procedimento que

infringe as precauções-padrão, antigamente

denominadas

universais,

ocorreu

a

contaminação direta por sangue, material

biológico. E este fato nos leva refletir sobre a

ocorrência desse tipo de acidente e

questionar quais seriam as causas e se é um

fato comum entre os acadêmicos.

As

características

do

ambiente

hospitalar, que é sem duvida o maior campo

de atuação do pessoal de enfermagem, e as

especificidades das atividades executadas,

não só podem como tem sido responsáveis por

inúmeros acidentes de trabalho. Na realização

das funções da enfermagem é comum nos

depararmos com situações perigosas, que

oferecem

riscos

para os

profissionais

ocasionando acidente de trabalho e doenças

ocupacionais.

O trabalhador da área de saúde está

constantemente sujeito a riscos ocupacionais

de

diversas

origens.

Um

dos

riscos

encontrados para este trabalhador é de uma

forma geral, a manipulação de instrumentos

perfuro-cortantes,

como

agulhas,

por

exemplo, que podem expor o profissional a

microorganismos patogênicos, através do

acidente de trabalho.

Durante os estágios da graduação em

Enfermagem, o acadêmico vivencia situações

práticas, preparando-se para fazer parte de

um mercado de trabalho, exercendo sua

profissão, iniciando com a realização dos

cuidados básicos de um paciente até

procedimentos mais complexos, dando início à

aplicação do conteúdo teórico estudado em

sala de aula, desenvolvendo suas habilidades

como futuro profissional enfermeiro.

E nesse contexto de exposição a riscos

físicos, mentais e sociais, o acadêmico precisa

realizar suas tarefas, contando ainda com sua

inexperiência, insegurança, ansiedade e

INTRODUÇÃO

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muitas vezes o medo da responsabilidade que

o procedimento vai exigir.

Os objetivos são: identificar os motivos

da ocorrência dos acidentes com material

biológico em acadêmicos de enfermagem e

descrever a percepção do estudante quanto

aos cuidados preventivos como forma de

autocuidado.

Trata-se

de

uma

pesquisa

de

abordagem qualitativa, do tipo exploratória e

descritiva, desenvolvida com acadêmicos do

curso de Graduação em Enfermagem. O

método qualitativo enfatiza a individualidade

do sujeito, as particularidades de uma

ocorrência em termos de seu significado para

o

grupo

pesquisado,

supondo

uma

comparação. A investigação qualitativa requer

como atitudes fundamentais à abertura, a

flexibilidade, a capacidade de observação e

de interação com o grupo de investigadores e

atores sociais envolvidos, respondendo a

questões muito particulares, com significados,

motivos, crenças, valores e atitudes. O

pesquisador é parte ativa no processo,

interagindo e analisando partindo dos dados

coletados

2

.

Os sujeitos da pesquisa foram catorze

acadêmicos matriculados no 7º período da

Escola de Enfermagem Aurora de Afonso

Costa, da Universidade Federal Fluminense –

UFF, localizada no Município de Niterói, no

Estado do Rio de Janeiro, os quais aceitaram

participar após a leitura do Termo de

Consentimento

Livre

e

Esclarecido

e

assinatura.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de

Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina

da Universidade Federal Fluminense, sob o

número de protocolo 222/08, atendendo ao

preconizado pela Resolução 196/96 da

Comissão Nacional de Ética em Pesquisa

(CONEP). Como técnica da coleta de dados,

foi aplicado um questionário, contendo

perguntas abertas e fechadas, possibilitando a

obtenção de respostas mais precisas,

facilitando a aplicação e a interpretação das

respostas dos indivíduos questionados.

Foi escolhido este grupo para o estudo

devido ao fato de estarem em campo de

estágio e já terem adquirido experiências

anteriores, desde o quarto período quando

iniciaram as atividades em campo prático de

acordo com o currículo da instituição e

principalmente por compor um grupo de

alunos que já se encontram ativamente no

campo prático, vivenciando o Estágio

Curricular, e já estarem cursando o

antepenúltimo período do curso, visto que

interessava saber a percepção do acadêmico

que estava em vias de concluir a Graduação.

Os dados obtidos na pesquisa de campo foram codificados para a realização da análise de

METODOLOGIA

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conteúdo, através de categorias temáticas, sendo este processo uma técnica de investigação e interpretação de conteúdos da comunicação. A análise de conteúdo consiste em: “Um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção / recepção (variáveis inferidas) destas mensagens” 3:42.

Fizeram parte do estudo 14 sujeitos, com idade entre 21 e 30 anos estando matriculados no 7º período da Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa – EEAAC-UFF, que responderam ao questionário e assinaram o termo de consentimento. De acordo com os objetivos deste estudo, foram estabelecidas as seguintes categorias, que serão discutidas a seguir.

Para manter em sigilo a identidade dos sujeitos, foram utilizados nomes de estados do Brasil para assim denominá-los.

Categoria I: A insegurança e o nervosismo devido

à falta de prática ao realizar um procedimento

Através da coleta de dados, foi possível

Perceber que em sua maioria os acidentes ocorrem entre os acadêmicos devido à falta de experiência prática com perfuro cortantes, como agulhas e outros, seja no momento de preparo de medicamentos, fazer um hemo-glico teste (HGT) ou ao realizar uma punção.

Ficou evidenciado que a falta desta prática faz com que os acadêmicos sintam-se inseguros para realizar tais procedimentos, como se pode verificar nos seguintes trechos relatados pelos sujeitos, quando questionados sobre o motivo da ocorrência de acidentes durante o estágio:

A falta de prática dos acadêmicos com materiais pérfuro-cortantes, não havendo esse preparo para o manuseio durante a graduação, antes do campo prático, visto que é no hospital que vamos desenvolver esta habilidade. (Paraná)

Insegurança e falta de prática. (Pará)

Na Enfermagem o processo ensino-aprendizagem possui a característica teórico-prática. As simulações realizadas em um laboratório de Enfermagem é um recurso que pode ser utilizado pelos professores, dentro de aspectos éticos e educacionais, iniciando o treinamento dos acadêmicos nas habilidades psicomotoras, conduzindo este aluno ao manuseio dos materiais, e das técnicas, aliviando assim a ansiedade e melhorando o desempenho destes em campo de prática. Sendo assim, o treinamento do estudante no laboratório possibilita fazer com que o aluno passe pelo estagio cognitivo do conteúdo, diminuindo a insegurança e os erros cometidos na primeira experiência4.

Através dos dados obtidos, observou-se que mesmo havendo treinamento em laboratório de Enfermagem, o acadêmico ainda sente-se inseguro e pouco familiarizado com a prática, pois os

Objetivo Categoria temática

Identificar os motivos da ocorrência dos acidentes com material biológico em acadêmicos de enfermagem. A insegurança e o nervosismo devido à falta de prática ao realizar um procedimento. Descrever a percepção do estudante quanto aos cuidados preventivos como forma de autocuidado.

Os cuidados preventivos como forma de autocuidado.

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laboratórios reproduzem apenas parte da realidade, sendo feitas simulações do cotidiano profissional e das técnicas necessárias durante o atendimento aos pacientes, que só se efetivarão de fato, na prática do estágio.

Embora isto contribua para o enfrentamento da prática pelo acadêmico, não abrange outras questões que vão nortear essa realidade, como o estado geral do paciente, ou mesmo as condições deste acadêmico no momento de realizar um procedimento, então outra questão importante é o preparo psicológico do acadêmico e se ele sente-se pronto para enfrentar a prática ou não. Muitas vezes o nervosismo não permite que o acadêmico realize o procedimento com segurança, podendo esquecer as formas de prevenção naquele momento, ou simplesmente não conseguindo evitar atitudes que comprometam sua segurança, como mãos trêmulas e formas incorretas de manuseio de perfuro cortantes. Quanto a este aspecto, dois depoimentos sinalizaram para esta problemática, quando os sujeitos mencionaram que:

O motivo principal é o nervosismo. (Amazonas)

Inexperiência aliada à falta de atenção e/ou ansiedade diante do procedimento. (Rondônia)

Além da insegurança, existem também os profissionais que não utilizam corretamente os Equipamentos de Proteção Individual, seja por falta de conhecimento, ou mesmo por um vício adquirido ao longo dos anos da profissão, de forma que adequar-se as técnicas de proteção individual como forma de auto cuidado, torna-se uma tarefa trabalhosa, pois exige mudança de hábitos e esses profissionais acabam realizando procedimentos que oferecem risco biológico, sem a devida

proteção, refletindo no acadêmico que, com sua inexperiência e insegurança, estando diante deste profissional, passa a desenvolver uma forma errônea de realizar o trabalho de Enfermagem.

Sob esta ótica, percebe-se a responsabilidade do professor no acompanhamento das técnicas desenvolvidas pelos alunos, bem como, no auxilio a uma educação permanente dos trabalhadores de nível médio, sugerindo temas para a realização de sessões de ensino pelo setor de Educação continuada. Além de outros fatores, ainda vemos também como um motivo para a ocorrência dos acidentes, o destino inadequado dos materiais utilizados, muitas vezes o recipiente apropriado para descarte encontra-se saturado, ou muito distante do local onde se está realizando o procedimento, tornando-se mais um foco de risco para acidentes com contaminação biológica. Dois depoimentos sinalizam para este fator:

A falta de experiência dos acadêmicos, irresponsabilidade dos profissionais, que não descartam os materiais nos locais apropriados, desatenção dos professores durante os procedimentos realizados pelos acadêmicos. (Bahia)

Os acidentes ocorrem na maioria das vezes por falta de treinamento das técnicas, e também pelo mau uso dos EPIs. (Roraima)

Em um estudo que verificou o conhecimento dos trabalhadores de saúde hospitalar no desenvolvimento de suas atividades, constatou-se que eles conhecem os riscos de forma genérica e que esse conhecimento não se transforma numa ação segura de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, apontando para a necessidade de uma ação que venha modificar essa situação5.

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Os recipientes próprios para descarte devem ser mais acessíveis bem como a rotina de descartar esses recipientes antes da superlotação, ressaltando-se a importância de se fazer um diagnóstico das condições de risco de acidentes com agulhas, a fim de buscar soluções fundamentadas na realidade de cada instituição hospitalar 6.

Um acidente é algo que acontece de forma inesperada. Por isso, precisa ser previsto pelos profissionais de saúde, durante a prática de procedimentos que envolvem riscos, tanto para o profissional, quanto para o paciente, podendo ocorrer com qualquer profissional, assim como, com os acadêmicos em sua prática hospitalar, por isto é primordial ter sempre em mente as formas de prevenção, desde a formação inicial, para que adquiram as competências necessárias para a efetivação de uma prática segura7.

Um acadêmico se perfurou com agulha após uma punção (...)consiste em um acidente. Pode ocorrer quer seja por despreparo do acadêmico, ou pelas condições de trabalho, mas é um acidente, e pode ocorrer com qualquer um, independente de condições de trabalho, ou despreparo. (Acre)

Creio que a ocorrência destes acidentes seja conseqüência da desatenção, ou auto confiança durante a assistência aos clientes, visto que acidentes com material biológico ocorrem durante a manipulação de sangue, secreções, excreções, em contato com mucosas e pele não íntegra. (Minas Gerais)

Em uma pesquisa sobre a análise das rotinas de trabalho da equipe de Enfermagem, concluiu-se que há uma rotina de trabalho ininterrupto junto ao paciente, com atividades que demandam cuidados no plano físico, emocional e sócio-espiritual. Durante os cuidados físicos, estes profissionais estão expostos a

patologias graves, como as infecções causadas por material biológico, como Hepatite B e C, Tuberculose Pulmonar, Cytomegalovirose e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, reforçando a idéia de que a Enfermagem é a categoria profissional mais exposta a estas doenças que outras áreas da saúde, pelo contato mais próximo dos pacientes e por ser a categoria que cuida das excreções destes e manipula fômites que deverão ser lavados, desinfetados ou esterilizados3.

Em outro estudo realizado em um Hospital Universitário com o objetivo de investigar os acidentes de trabalho com material biológico, que envolveram trabalhadores e estagiários, ocorridos em 2003 e 2004, a categoria profissional mais atingida por este tipo de acidente foi a enfermagem, mesmo frente ao decréscimo registrado em 2004 (71%) comparado a 2003 (80%), o que confirma que esta categoria profissional, é a mais exposta a este tipo de acidente, e também preocupante o aumento do número de acidentes ocorridos devido à aspersão de secreções, que corresponderam a 12% das ocorrências que envolveram como vítimas aqueles trabalhadores que desenvolvem atividades junto a pacientes gravemente enfermos, como no caso estudado: os trabalhadores de enfermagem, acadêmicos da fisioterapia e um aluno do curso técnico de enfermagem8.

Sabe-se que as principais infecções, a que está sujeito o trabalhador da saúde são a Hepatite B e tuberculose pulmonar, Cytomegalovirus (C.M.V.), H.I.V. é colocada também a exposição a outras infecções como rubéola, meningite, difteria, herpes simples, varicela zoster (herpes zoster), febre tifóide, gastroenterite infecciosa,

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parotidite, queratoconjuntivite epidêmica e infecções respiratórias por vírus e ainda por bactérias envolvidas nas infeções hospitalares: Staphylococcus aureus, E. Coli, Salmonellas, Streptococcus, Pseudomonas, Proteus. E apesar de referir serem baixos os riscos de infecção profissional pelo H.I.V., recomenda-se as mesmas medidas preventivas indicadas contra a Hepatite B, sendo, cuidados com todos os fluidos corporais de todos os doentes7.

Percebeu-se claramente neste estudo, através dos depoimentos, que os acidentes com pérfuro-cortantes continuam acontecendo entre os acadêmicos de Enfermagem, apesar de todas as orientações que são oferecidas pelos docentes durante o curso de Graduação em Enfermagem, tornando-se necessário que haja um acompanhamento constante deste acadêmico, no intuito de chamar-lhe a atenção para os cuidados preventivos que devem ser realizados.

Categoria II: Os cuidados preventivos como

forma de auto cuidado

Ter a consciência dos limites e prevenir-se diante dos riscos a que se está exposto nos diversos ambientes, observando sempre sua condição e os fatores predisponentes, é uma forma de autocuidado. Para que se tenha um bom desempenho nas atividades laborais, torna-se importante estar saudável em todos os aspectos.

Nesta ótica, um estudo baseado em vivência profissional, evidencia que o profissional de Enfermagem pratica o cuidado ao paciente preocupado com o seu restabelecimento, esforçando-se na prevenção de outras patologias e na manutenção da saúde, mas apresenta descaso e descuido com a própria saúde, como em situações, onde o professor-enfermeiro encontra-se com a

saúde debilitada, mas, mesmo assim, comparece para ensinar o cuidado10.

Culturalmente somos educados a

atender

às

necessidades

materiais

e

humanistas. Inúmeras vezes, porém, isto não

inclui sintonizar tais propósitos à atitude de

cuidar-se,

responsabilizando-se

pelo

autocuidado. Quando perguntado sobre qual a

sua percepção quanto ao autocuidado,

obtivemos as seguintes respostas:

Auto cuidado é cuidar de si, enquanto cuida do outro. Deve-se pensar primeiro em si, na sua proteção, na preservação de sua integridade psicofisiológica, para melhor atender aos pacientes. (Tocantins) Cuidar de si mesma antes de cuidar do outro, interfere na forma de cuidar, pois, para cuidar bem do outro, é necessário saber cuidar de si mesmo, ter consciência do que é o cuidado através de si mesmo.

(São Paulo)

Percebeu-se através dos depoimentos que os acadêmicos têm consciência quanto ao significado do autocuidado, o que compõe um fator significativo para este estudo, porém, apesar de saberem teoricamente estes significados. Os mesmos sujeitos mencionaram vários fatores que levam à ocorrência de acidentes pelos acadêmicos, que parecem sobrepor o conhecimento teórico, sendo, portanto, muito importante estar atento às situações que se desdobram no ambiente hospitalar, concentrando-se nas atividades a concentrando-serem deconcentrando-senvolvidas.

“Preservar-se, ter atenção consigo e com a ação que se está praticando, utilizar os equipamentos de proteção individual. Isso interfere na pratica otimizando o trabalho, e nos preservando enquanto profissional.” (Pernambuco)

“A capacidade de discernir de forma correta sobre os cuidados que devo ter ao realizar qualquer atividade que possa vir a

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prejudicar meu estado de saúde.”

(Rondônia)

A Enfermagem é uma profissão que tem como objeto o cuidar. A realização de procedimentos quer sejam medicamentosos, nutricionais, ou simplesmente o de ouvinte ou observador, o enfermeiro busca a recuperação e reabilitação do outro. Fica evidenciado que a priorização do cuidado do outro como cuidado de si mesmo implica sentir-se cuidado enquanto cuida, compreendendo o outro com empatia, o que significa entender a situação do outro e sentir-se em proximidade e igualdade. Envolve também atenção às necessidades físicas e psíquicas do ser cuidado, não se limitando à simples execução de técnicas concernentes à enfermagem10.

(...) sendo enfermeira, não é só cuidar do outro, mas também cuidarmos de nós mesmos, utilizando as proteções no ambiente de trabalho e cuidando também da parte psicossocial e mental. Isso tem uma interferência significativa, já que me preocupo com o auto cuidado, por achar importante e necessário. (Maranhão) Auto cuidado é a capacidade do individuo apropriar-se da sua vida plenamente, através da autonomia nas atividades de vida diária e preservação da mobilidade e capacidade funcional e emocional. (Rio de

Janeiro)

Vemos que as condições de trabalho, o ambiente institucional e as relações interpessoais podem contribuir para o (des)prazer no trabalho. As atividades adaptadas às condições físicas e psíquicas individuais, por sua vez favorecem a saúde e até servem de imunidade para o trabalhador. No entanto, o contrário pode desencadear doença física ou mental, levando, posteriormente, a que este trabalhador se afaste definitivamente do trabalho11.

Em outro estudo realizado em Hospital Escola, com o objetivo de Analisar a ocorrência de acidentes de trabalho causados por materiais pérfuro-cortantes e fluidos biológicos em estudantes e trabalhadores da área da saúde em um hospital público e de ensino, foi constatado que o maior número de acidentes de trabalho ocorreu entre os estudantes de medicina, sendo explicado pelo fato de assumirem grande parte das coletas de exames de sangue de urgência dos pacientes internados, e por outro possível fato que seria a falta de treinamento desses profissionais durante o curso de graduação, o que geraria falta da habilidade para realização desse tipo de procedimento. Verificou-se ainda que, depois dos estudantes de medicina, são os auxiliares de Enfermagem os que mais sofrem acidentes de trabalho, por assumirem a assistência direta aos pacientes e realizarem procedimentos que os expõe ao risco de acidentes, além de trabalharem em número proporcionalmente bastante reduzido, o que aumenta a chance de acidentes de trabalho. 12

Os acadêmicos percebem alguns cuidados preventivos de forma bastante clara, como o uso de luvas, capote, óculos e máscara, quando necessário, citando-os como principais formas de prevenção, que remete a sua preocupação com as responsabilidades que ter enquanto enfermeiros.

Utilizar EPI, atentar quanto aos riscos ambientais, sempre ter atenção em todas as ações que realizar, colocar avisos de atenção na unidade (...)o uso de luvas, máscaras e jaleco praticamente em todas a as ocasiões. (Pernambuco)

Ao buscar a compreensão do significado do cuidar de si do profissional de Enfermagem percebe-se que a prática do autocuidado sofre

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influências sociais, ambientais, culturais e da formação profissional do indivíduo, envolvendo também, a promoção do equilíbrio físico, emocional e social em suas atividades cotidianas10.

Vimos que, de um modo geral, os acadêmicos de Enfermagem conhecem os procedimentos de prevenção de acidentes e os fatores desencadeantes, porém, ficou evidenciado que se faz extremamente necessária uma maior conscientização destes quanto ao campo de prática, no intuito de reforçar as suas responsabilidades perante a preservação da sua saúde.

Este estudo possibilitou verificar quais são os principais possíveis motivos para a ocorrência de acidentes envolvendo risco biológico entre acadêmicos de Enfermagem. Sendo principais, a insegurança e o nervosismo devido à falta de prática, e outro fator relevante que é o não uso, e/ou o uso inadequado dos Equipamentos de Proteção Individual, mesmo sendo feitas orientações durante as aulas teóricas, assim como também no campo de prática sobre as formas de prevenção de acidentes e auto cuidado.

A conscientização do acadêmico frente às ações preventivas, fazendo parte da rotina de trabalho dos futuros profissionais, faz com que cada um seja multiplicador deste importante alerta, contribuindo para conscientizar os seus colegas quanto às responsabilidades inerentes a autoproteção, visto que é durante o processo de formação inicial que devem se formar os “habitus” referentes às competências necessárias para um melhor desempenho profissional.

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Recebido em: 19/03/2010 Aprovado em: 26/05/2010

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