1 OsautoresagradecemaCarlosEduardoLopespelosvaliososcomen-táriosesugestõesrelativosaversõespreliminaresdopresentetexto. OautorFrancisRicardodosReisJustidesenvolveuapartefinaldeste trabalhocomobolsistadoCNPq.
2 Endereço:RuaFranciscoVazdeMagalhães,600/302a,JuizdeFora, MG,Brasil36033-340.E-mail:[email protected]
3 Utilizamosotermo“cognitivismo”emumsentidobastantegeralpara denotarautilizaçãodeestadoseepisódiosinternosnaexplicaçãodo
UmaAvaliaçãodasCríticasdeChomskyao
VerbalBehavioràLuzdasRéplicasBehavioristas
1FrancisRicardodosReisJusti2
UniversidadeFederaldeMinasGerais SaulodeFreitasAraujo UniversidadeFederaldeJuizdeFora
RESUMO– Os cognitivistas têm assumido que as críticas de Chomsky aoVerbal BehaviorVerbal BehaviorVerbal Behavior refutaram definitivamente a propostaskinneriana.Noentanto,mesmocommaisdedezanosdeatraso,asréplicasbehavioristasàresenhadeChomsky começaramaaparecer.Opresentetrabalhofazumarevisãodessedebatetendocomofocoopossívelcaráterdefinitivodas críticasdeChomsky.Apartirdestepontodevista,conclui-sequenenhumadascríticasdeChomskyaotratamentoskinneriano docomportamentoverbalédefinitiva.Porém,algumasobservaçõesdeChomskyaindapodemoferecerdesafios,comoaquestão datautologianaleidocondicionamentooperanteeacríticaaoabandonodoconceitodereferência.
Palavras-chave:Chomsky;Skinner;comportamentoverbal.
AnEvaluationofChomsky’sReviewof
VerbalBehaviorAccordingtoBehaviorists’Replies
ABSTRACT– CognitivepsychologistshavetakenforgrantedthatChomsky’sreviewofVerbalBehaviorVerbalBehaviorVerbalBehaviorpresentsarefutation ofSkinner’stheory.However,onlytenyearsaftertheChomsky’sreview,thebehavioristsrepliestoChomskystartedtoappear. ThisworkpresentsareviewofthisissuefocusingonthepossibleconclusivecharacterofChomsky’scriticisms.Onthis pointofview,noneofChomsky’sargumentsagainstSkinner’stheoryofverbalbehaviorareconclusive.However,someof Chomsky’scriticismswouldstillpositchallenges,astheproblemoftautologyinoperantconditioning’slawandthecriticism ofthedismissingofthereferenceconcept.
Keywords:Chomsky;Skinner;verbalbehavior.
aabordagempredominantenaPsicologia.Partedestainflu-ênciasedeveaofatodequeatémesmoalgunsbehavioristas sempresemostraramcéticosquantoàpossibilidadedeuma explicaçãoadequadadocomportamentoverbaldentrodos moldesbehavioristase,dessemodo,acabavamtornando-se mentalistasdisfarçados(MacCorquodale,1969).Outraparte sedeveao“suposto”fracassodolivroVerbalBehaviordeVerbalBehaviorVerbalBehavior B. F. Skinner, considerado a mais audaciosa e detalhada tentativabehavioristadeexplicarocomportamentoverbal. Defato,pareceexistirumentendimentotácitoentreoscog-nitivistasdequeascríticasdeChomskyaSkinnerrefutariam definitivamenteomodelobehavioristaparaaexplicaçãodo comportamentoverbal(Chomsky,1967;Fodor,1975;Pinker, 1994,1999).Estefatopodesernotadoemumprefácioescrito porChomsky(1967)aumareimpressãodesuaresenhasobre olivrodeSkinner.Nesteprefácio,Chomskyargumentaque nãovêqualquermaneirapelaqualobehaviorismo,oneo-behaviorismoouqualqueridéiaempiristapudesseselivrar dascríticasqueelefezaolivrodeSkinner.
Umoutrofatorquecontribuiuparadisseminaressacren-çafoiumatrasodemaisdedezanosparaqueasréplicas behavioristasàresenhadeChomskycomeçassemaaparecer, sendoquenenhumadelasfoiescritapelopróprioSkinner. É comum aos historiadores da Psicologia classificar o
períodocompreendidopelosanosde1950a1960comoum períodonoqualocorreuumaverdadeirarevoluçãocientífica noconhecimentopsicológico(Gardner,1996/1985;Schultz &Schultz,1996/1985).Esseperíodoteriasidomarcadopor umaintensacríticaàabordagembehavioristaeumretorno a problemas clássicos da psicologia, como pensamento, consciênciaerepresentaçãomental.Graçasatrabalhosde psicólogostalentososcomoKarlLashleyeGeorgeMiller e ao lingüista Noam Chomsky, a abordagem behaviorista estavasendoduramentecriticadaaomesmotempoemque umnovoparadigmaparaseestudaramenteeraproposto. Neste paradigma, a utilização de representações mentais na explicação do comportamento humano era tida como fundamentaleocomputadordigitalvistocomoummodelo essencial para que se entendesse como a mente funciona (Gardner,1996/1985).
Onovoparadigmapropostopela“revoluçãocognitiva” foitãoinfluentequeocognitivismo3continuaatéhojeaser
Dentreelas,amaisdestacadaéadeMacCorquodale(1970), onde este objeta que Chomsky não teria compreendido a especificidade do Behaviorismo Radical de Skinner, con-fundindo-ocomultrapassadasteoriasbehavioristas.Defato, MacCorquodaledizqueafaltadecompreensãodeChomsky sobreateoriadeSkinnerétãograndequeascríticasfeitas poreleaoVerbalBehaviorsãoinócuasparaolivroeparaoVerbalBehaviorVerbalBehavior BehaviorismoRadical.
OutraréplicafeitaàresenhadeChomskyéadequeessa falhaemreconheceradiferençaentreaanáliseformal,co-mumenteempregadapelalingüísticaaoanalisarumalíngua, e a análise funcional, empregada por Skinner ao analisar o comportamento do falante individual (Richelle, 1976). AtémesmoacríticadeChomskysobreainadequaçãoda explicaçãobehavioristasobreaaprendizagemdagramática temsidodesafiadaealternativasdentrodoescopodateoria skinnerianatêmsidoapresentadas(Stemmer,1990).
Surpreendentemente,nenhumacontra-réplicapareceter sidoescritapeloscognitivistas,talvezporacreditaremque defatoChomskytenhadefinitivamenterefutadoSkinnerou, talvez,pelofatodequeasréplicasapareceramemrevistases-pecializadasembehaviorismo,comoBehaviorismeeeJournal oftheExperimentalAnalysisofBehavior.
As réplicas behavioristas parecem realmente não ter exercido qualquer efeito sobre os modelos teóricos para a explicação da linguagem nas ciências cognitivas. Uma historiadora da lingüística, JulieAndresen (1991), aponta quatrorazõesparaosucessodasidéiasdeChomskyatéo iníciodosanos80:(1)ogostoporteoriascognitivas;(2)a fundaçãodeparadigmasdepesquisanatradiçãosimbólica daabordagemdeprocessamentodainformação;(3)aforça dohumanismo;e(4)atradiçãotextualdadisciplinadalin-güística.Noentanto,deacordocomAndresen(1992),graças aopensamentopós-estruturalistaeàsrecentescríticasàste-oriasdeChomsky,alingüísticaatualpassaporummomento propícioàreapreciaçãodolivroVerbalBehaviordeSkinner.VerbalBehaviorVerbalBehavior Elaaindaapontaparaaconvergênciaentreobehaviorismode Skinnereateorizaçãopós-estruturalista,ressaltandoaindaa similaridadeentreateoriadeSkinnereasmodernasteorias conexionistassobreoaprendizadodalinguagem.
UmoutrofatoimportanteasenotaréqueoBehaviorismo, emboratenhaperdidomuitodesuainfluência,continuaaté osdiasdehojeaorientarpesquisasdemaneirabastanteativa. Issopodeserobservadopelaexistênciadejornaisespecia-lizadosembehaviorismocomo:BehaviorandPhilosophy; Journal of Experimental Analysis of Behavior; Journal ofAppliedBehaviorAnalysis;TheBehaviorAnalyst;The AnalysisofVerbalBehavior.DeacordocomdeRose(1994), emboratenhamsepassadomaisde30anosdapublicaçãodo livroVerbalBehavior,aspesquisassobrequestõesrelacio-nadasaocomportamentoverbalcomeçamaassumirlugar dedestaquenaAnáliseExperimentaldoComportamento. Destaqueessequelevoupesquisadoresbrasileirosaanalisar aproduçãocientíficanacionalsobreocomportamentoverbal, natentativadeseidentificarpontosdeconvergênciaedistan-ciamentoentreaspesquisasnacionaiseasestrangeirassobre essetópico(Moroz,Rubano,Rodrigues&Lucci,2001).
Umfatocuriosonapesquisanacionalsobreocompor-tamentoverbaléque,comexceçãodeumbrevecomentário deAbib(1994a),nãotemosqualquerrevisãodascríticasde
ChomskyaoVerbalBehaviorpublicadanoBrasil.DeumVerbalBehaviorVerbalBehavior pontodevistahistórico,portanto,umtrabalhoquepropusesse talrevisãoencontrariajustificativanestalacunaencontrada naliteraturanacional.Alémdisto,opresentetrabalhotor-nar-se-iatambémrelevantese,apósumarevisãodascríticas feitasaolivro,pudesseajudarailuminarseuspontoscon-troversoseconfusos,facilitandoassimasuacompreensão. Uma última justificativa para este trabalho relaciona-se à tendência dos cognitivistas a ignorar a teoria skinneriana do comportamento verbal por acreditar que Chomsky a tenharefutadodefinitivamente.Essatendênciafazcomque ateoriaskinneriana,aoinvésdeserenxergadacomouma teoriarival,sejatratadacomoumateoriasuplantada,fatoque prejudicaodebatecientíficoeoprogressodasidéiassobre ocomportamentoverbal.
Éemumcenáriodecrescenteinteresseereapreciação doVerbalBehaviorpordiferentesdisciplinasqueopresenteVerbalBehaviorVerbalBehavior trabalhoencontraoseumaiorpropósito.Comoobservamos anteriormente, as críticas de Chomsky parecem ter sido historicamente fundamentais para uma postura negligente quantoaolivroe,apesardosbehavioristasteremapresen-tadoaolongodosanosalgumascontra-críticasaChomsky, estasnuncaforamrespondidas.Baseando-nosnessesfatos, opresentetrabalhosepropõeafazerumaavaliaçãodesse famosodebate,identificandoospontosespecíficosdateoria skinnerianacriticadosporChomsky,assimcomodiscutira validadedessascríticas.Alémdisso,tem-secomoobjetivo apresentarumarespostaparaumaquestãoquenosparece fundamentalnestedebate:ascríticasdeChomskyinvalida-riamemprincípio,omodelobehavioristaparaaexplicação da linguagem ou apresentariam falhas desse modelo que poderiamsersuperadassemgrandesmodificaçõesnaspro-postasdeSkinner?
AsCríticasdeChomskyeas RéplicasBehavioristas
AntesdepassarmosàavaliaçãodascríticasdeChomsky, julgamosnecessáriotratarmaisdetalhadamenteaquestão dademoradasréplicasbehavioristas.Afinal,essademora temsidoconsideradapelosprópriosbehavioristasumafalha estratégicaemseudebatecomChomsky(Abib,1994a),e,por outrolado,vemsendoutilizadaporChomsky(1967)como umdiagnósticodosucessodesuascríticas.
Em1967,Chomskyescreveuumprefácioàreimpres-sãodesuaresenhanolivroReadingsinthePsychologyof Language, editado por Jakobovits e Miron. No prefácio, argumentouque,mesmorelendoaresenhaoitoanosdepois, seriam muito poucas as coisas que mudaria nela. Deixou tambémclaroquearesenhatinhaumobjetivomaisgeral:
(...) se eu estivesse escrevendo hoje em dia sobre o mesmo tópico, talvez tentasse deixar mais claro do que deixei, que estavadiscutindoaspropostasdeSkinnercomoumexemplo paradigmáticodeumatendênciafútilnaespeculaçãomoderna sobrealinguagemeamente.(Chomsky,1967,p.142)
behavioristaseempiristasarespeitodosprocessosmentais de uma maneira geral. De acordo com Chomsky (1967), “otrabalhodeSkinnerpodeserconsiderado,comefeito, umareductioadabsurdumdassuposiçõesbehavioristas” (p.142)4
.Comoatéestaépocanenhumaréplicaasuarese-nhatinhasidoescrita,Chomskyassumiuquesuascríticas estavamcorretaseque,defato,refutavamdefinitivamente ateoriadeSkinnereobehaviorismodeumamaneirageral. Comoelemesmocoloca:
Emoutraspalavras,eunãovejoqualquermaneirapelaqual suaspropostaspossamsersubstancialmentemelhoradasdentro doescopogeraldobehaviorismoouneobehaviorismo,ou,de maneiramaisgeral,dentrodoescopodasidéiasempiristasque têmdominadoboapartedalingüística,psicologiaefilosofia.
(Chomsky,1967,p.142)
Noentanto,mesmocommaisdedezanosdeatraso,as réplicasbehavioristascomeçaramaaparecer.Masporque tanta demora e por que nenhuma réplica foi apresentada pelopróprioSkinner?Elemesmoapresentaduasrazões:(1) “emprimeirolugar,eudeveriaterlidoaresenhaeeuachei oseutomdesagradável.Elanãoeraumaresenhadomeu livro,masdoqueChomskytomou,erroneamente,porminha posição”(Skinner,1972,p.346);(2)“eutambémteriaque escrutinaragramáticagerativa,oquenãoeraminhaárea.” (Skinner,1972,p.346).
Desse modo, Skinner considerou que as críticas de Chomsky(queeleadmitiunãoterlidocompletamente)eram inválidasequeateoriadeChomsky,aoinvésdesuplantar erefutarobehaviorismoradical(comoesperavaChomsky), apenas rivalizava com este. Esta posição Skinner (1987) sustentou até o fim de seus dias, como podemos ver na passagemabaixo:
MeuVerbalBehaviortemsidochamadodecontroversoeem umdossentidosdapalavratalvezeleseja,masboaparteda argumentaçãonessesentidoédevidaaumengano.Olivronão ésobrealinguagem.(...)éumainterpretaçãodocomportamento dofalante(...)aúnicaquestãoaselevantaréoquantoessa interpretaçãoéadequada(...).(p.11-ênfasedosautores)
FicaclaroemSkinnerqueasrazõesparanãoresponderà resenhaeramque,alémdeserescritaemtomdesagradável, amesmaemnadatocavaateoriacriticada.MacCorquodale (1970) apresenta três razões similares para um atraso na resposta:(1)nemtodosospsicólogosdatradiçãoestímu-lo-resposta eram simpáticos à teoria de Skinner; (2) os skinnerianos, por sua vez, concluíram que as críticas de Chomskyemnadatocavamateoriaquedefendiam;(3)o tomdesrespeitosodaresenha.
Provavelmente,aúnicarazãoquelevouosbehavioristas aresponderaresenhafoiacrençadoscognitivistasdeque ofatodearesenhanãotersidocontra-criticadaprovavaque
elaestavacorreta.Paraavaliarapertinênciadascríticasde Chomskyeaadequaçãodasrespostasbehavioristas,asprin-cipaiscríticasdeChomskyserãoapresentadasecontrastadas com as réplicas behavioristas5. Para facilitar a exposição,
as críticas serão divididas em três subseções: críticas aos conceitosbásicos;argumentosbaseadosnaexperiência;e críticasaolivropropriamentedito.
Críticasaosconceitosbásicos
ChomskyobservouqueapropostadeSkinnereraade usarosconceitosbásicosdesenvolvidosnaAnáliseExperi-mentaldoComportamentoparaanalisarocomportamento verbal.Destemodo,considerouqueseatacassecomsucesso essesconceitos,infringiriadanoscapitaisàanáliseskinne-rianadocomportamentoverbal.
A mais recorrente crítica de Chomsky à proposta de Skinner é a de que este “utiliza resultados experimentais comoevidênciadocarátercientíficodesuateoriaesupo-siçõesanalógicas(formuladasemtermosdeumaextensão metafóricadovocabuláriodolaboratório)comoevidência paraoseualcance”(Chomsky,1959,p.30).Basicamente, oqueChomskycriticaéqueostermosusadosnadescrição da“vidareal”eosusadosnadescriçãodosexperimentos delaboratóriopodemsermeroshomônimos,semqualquer similaridadedesignificado.
Entendendo-sequeapropostadeSkinnereraproveruma interpretaçãodocomportamentoverbaldofalanteindividual nostermosdoBehaviorismoRadical,ficaclaroquemuito daanáliseempreendidanolivroébaseadaemsuposições analógicas. Mas o que há de errado nisto? Em primeiro lugar,nãosepodecriticarumautorporaquiloqueelenão sepropôsafazer.Noseulivro,Skinnerdeixaclaroqueeste seria muito mais um “(...) exercício de interpretação do que uma extrapolação quantitativa de resultados experi-mentaisrigorosos”(Skinner,1957,p.11).Deacordocom MacCorquodale(1970),aúnicacoisaquetornariasériaesta objeçãoseriaapossibilidadedeque,emprincípio,a“vida real”eocomportamentonolaboratórioseguissemconjuntos deleisdiferentes.Porém,seaceitarmosessapossibilidade, somosobrigadosaabrirmãodetodaaPsicologiaExperimen-tal,inclusivedepartedaPsicologiaCognitiva,queopróprio Chomskyinfluenciou(istoparanãofalarmosdaextrapolação deresultadosexperimentaisemoutrasciências,como,por exemplo,naFísica).
OutracríticaqueChomskyfazaSkinneréadequeos conceitosdeestímuloecontroleporestímulos(queChomsky inadvertidamentechamadenoções),perderiamtodaasua objetividadeforadocontextodolaboratório.Chomskyar-gumentaqueumapessoapodeemitirumnomepróprio,que nocasoéconsideradoumarespostasobocontroledeuma coisaoupessoaespecífica,naausênciadapessoaoucoisa. Porexemplo,pode-sedizer“Moscou”semnuncatersido estimuladopeloobjetoespecífico,que,nestecaso,seriaa cidadeemsi(Chomsky,1959).
4 Essecomentário,alémdeestarlongedeserjustificado,éumindícioda mácompreensãoqueChomskytemdaespecificidadedateoriaskinne-rianaemrelaçãoaosoutrostiposdebehaviorismo.Verostrabalhosde Chiesa(1994)edeSmith(1986)paraumaapreciaçãodasdiferenças importantesentreosdiversostiposdebehaviorismo.
Bastanotarmosqueumarespostapodeestarsobocontro-ledevariáveisdiferentes,pararejeitarmostalcrítica.Afinal, umapessoapoderesponder“Moscou”diantedapergunta “qual a capital da Rússia ?”, sem que de nenhum modo elatenhasidoestimuladapelacidadeemsi.Alémdisso,a pessoapodedaramesmaresposta“Moscou”emrelaçãoa mapas, cartões postais, quadros, entre outros, sem nunca teridoàcidade.ComoMacCorquodale(1970)observa,“o comportamentoverbalnãoobedecequalquerregradotipo umaresposta–umestímulo–– ”(p.86).
Dandoseqüênciaàssuascríticas,Chosmkynotamuito bemadefiniçãodeestímuloreforçadordadaporSkinnerno TheBehaviorofOrganisms(1938):
Aoperaçãodereforçamentoédefinidacomoaapresentação deumcertotipodeestímuloemumarelaçãotemporalcom um estímulo ou com uma resposta. Um estímulo reforçador é definido como tal pelo seu poder de produzir a mudança resultante[aumentonaforçadooperante].Nãoexistecircu-laridadearespeitodisto;descobrimosquealgunsestímulos produzemmudançaeoutrosnão,eelessãoclassificados,por conseguinte,comoreforçadoresounãoreforçadores.(Skinner, 1938,p.62)
Baseando-senestadefinição,Chomskyargumentaque esseconceitodeestímuloreforçadoré“(...)inútilnadiscus-sãodocomportamentonavidarealamenosquepossamos dealgummodocaracterizar[apriori]osestímulosquesão reforçadores(eassituaçõesecondiçõessobasquaiseles sãoreforçadores)”(Chomsky,1959,p.36).
Emumacríticamaisinteressante,Chomskyanalisaalei docondicionamentooperantepropostaporSkinner:“sea ocorrênciadeumoperanteforseguidapelaapresentaçãode umestímuloreforçador,aforça(desseoperante)éaumen-tada”(Skinner,1938,p.21).Feitoisso,eleargumentaque adefiniçãoskinnerianadeestímuloreforçadortransforma essaleiemumatautologia(Chomsky,1959).Essacríticanos parecemaisimportante,poisseriaoequivalenteadizerque nenhumaproposiçãodeobservaçãoouumconjuntodelas logicamente possível, poderá refutar essa lei de Skinner. Afinal,talqualaafirmação“todosossolteirosnãosãoca-sados”aleidocondicionamentooperanteseriaverdadeira pordefiniçãoeirrefutável.
ÉimportantenotarqueChomskynãofoioprimeiroa fazeressacrítica.Pelocontrário,elasempreestevebastante disseminadanãosóentreosdescontentescomobehavio-rismo, mas também entre behavioristas não skinnerianos (Chomsky,1959;MacCorquodale,1970).Emrespostaaestas críticasMacCorquodale(1970)argumentaquereforçadores podemserpreditosumavezqueelespodemser“caracte-rísticos da espécie (os reforçadores incondicionados) ou foram,nahistóriadoindivíduo,pareadoscomumreforçador incondicionado(osreforçadorescondicionados)”(p.87),e que,situaçõesqueforamreforçadorasnopassadopodemser preditascomosendoreforçadorasnofuturotambém.
O que soa estranho é que, quando esta réplica de MacCorquodalefoiescritaem1970,Skinner(muitoprova-velmente)jáestavaconscientedessetipodecrítica,emesmo assim continuou defendendo sua definição tradicional de estímuloreforçador,comopodemosvernestaspassagens:
“(...) comumente se acredita que reforçadores podem ser identificados a parte de seus efeitos sobre um organismo particular.Noentanto,domodocomootermoéusadoaqui,a únicacaracterísticaquedefineumestímuloreforçadoréque elereforça(Skinner,1953,p.72).“Diz-sequeocomporta-mentoétornadomaisforteporsuasconseqüênciaseporessa razão,essasconseqüênciassãochamadas‘reforçadores’” (Skinner,1974,p.40).
Atéondesabemos,Skinnerparecenãoterendossadoa respostadeMacCorquodalee,comojáobservamos,nunca respondeudiretamenteàscriticasdeChomskytambém.Será quearespostadeMacCorquodaleéinconsistentecomafilo-sofiadaciênciaadotadaporSkinner?Seráque,porprincípio, aúnicadefiniçãoqueSkinnerpodeproveréasupracitada? Infelizmente,Chomskynãodeuseguimentoaesseraciocínio nememsuaresenha,nememtrabalhosposteriores.Deste modo,essasquestõesficamemaberto,sendodifícilavaliar seessascríticassãodefinitivasoupodemsersuperadasem virtudedealgumavançoconceitual.
PodemosobservarnasubseçãoatualqueChomskycri-ticoualgunsconceitosbásicosdateoriaskinnerianacomo estímulo,estímulocontrolador,reforçamento,entreoutros. Naseqüênciadesuaresenha,eleapresentaumalongacrítica dasteoriasdereduçãodedrive,umconceitoquepoucotem avercomasexplicaçõesutilizadasporSkinnernoVerbal Behavioreque,poressarazão,nãoseráaquiconsiderada. Behavior
Behavior
Parecequeestalongacríticaaoconceitodedriveserviuape-nasparaaumentaradesconfiançadosbehavioristasdeque Chomskyrealmentenãocompreendeuateoriaskinneriana. Esse fato pode ser observado no comentário de Richelle (1976):“(...) naprolongadaintroduçãodefatossobreconhe-cimentolatenteeexploração,Chomskyparececategorizar Skinnercomoumteóricodareduçãodedrive.Esseéoutro equívoco”(p.219).
Argumentosbaseadosnaexperiência
Nesta subseção são delineados dois argumentos que Chomsky usa tanto para criticar Skinner quanto para dar suporteàsuaprópriateoria.Noentanto,comooquenos interessaaquiéocomportamentoverbal,nãoadentraremos pelosmeandrosdagramáticagerativa.
Oprimeiroargumentodizrespeitoaum“períodocrítico” paraaaprendizagemdalinguagem.Chomskydáoexemplo deumacriançapequena,filhadeimigrantes,queaprende umasegundalínguanasruas,emseuscontatoscomoutras crianças,demaneiramuitomaisrápidaefluentequeseus pais,mesmoqueestesestejamextremamentemotivados(e necessitados)aaprenderanovalíngua(Chomsky,1959).
Osegundoargumentoserefereàhabilidadequeumfa-lantetemdecriarecompreendersentençasjamaisouvidas. Nocaso,aolermosumsimplesjornal,nósencontramosuma imensagamadesentençasquenuncaouvimosanteriormente, masmesmoassimconseguimoscompreendê-las(Chomsky, 1959).
ad absurdum da teoria de Skinner e de teorias similares, umavezqueumprocessodereforçamentocomoessejamais poderiaexplicararapidezdaaquisiçãodalínguapelacriança enemacapacidadedecompreensãodesentençasnovasdo leitor(Chomsky,1959).
Aoconsiderararapidezcomqueumacriançaadquire seurepertórioverbal,Skinnercomentaque“umacriança podeaprenderausarumanovapalavracomooefeitode umúnicoreforço,masaprende-seafazercoisasnão-verbais comvelocidadecomparável”(Skinner,1974,p.103).Deste modo,MacCorquodale(1970)argumentouqueé“(...)adi-nâmicadoprocessodereforçamentodacriançaqueésimilar àdopombo,enãoseusvaloresdereferência”(p.93).No entanto,éprecisonotarque,nocasodofilhodeimigrantes, esseargumentoexplicaarapidezeafacilidadedacriança paraaprenderalíngua,masnãoexplicaadificuldadedos paisparaaprenderessamesmalíngua.
Considerandoaformaçãoea“compreensão”denovas sentenças,vejamos,porexemplo,aanálisequeSkinnerfaz daconjugaçãodopassadodoverboinglês‘togo’.Deacordo comele,tem-seargumentadoqueacriançaconjugaotempo passadodoverbo‘togo’como‘goed’,aoinvésdaforma correta‘went’(mesmo,provavelmente,nuncatendoouvidoa forma‘goed’).ParaSkinner(1974),épossívelqueo‘ed’da resposta‘goed’seja“(...)umoperanteseparável,comoum indicadordotempopassadooudeumaaçãocompletada” (p.104).Umavezqueacombinaçãodeoperantesestádentro doescopodateoriaskinnerianaefazpartedeinterpretação behaviorista dos comportamentos complexos, não é tão difícilvislumbramoscomoumbehavioristapodeexplicara “compreensão”denovassentençasatravésdacombinação deoperantesdiferentes6.
ConsiderandoqueChomskypretendiaqueseusargumen-tospudessemserconsideradosumareductioadabsurdum dateoriaskinneriana,ficapatenteasuafalha.Afinal,não existenadanessesargumentosque,emprincípio,nãopossa serexplicadopelateoriaskinneriana,mesmoqueestaexpli-caçãopossaparecer,àprimeiravista,umpoucocanhestra epoucoprovável.
CríticasespecíficasaoVerbalBehavior
Nestaúltimasubseção,serãodelineadasascríticasmais específicasqueChomskyfazaoconteúdodolivroVerbal Behavior.Decertomodo,quasetodaselasdependemem alguma medida das críticas anteriores.Assim, podemos esperarquealgumassimplesmenteserãomalconstruídase equivocadas,enquantooutrasserãomerecedorasdemaior consideração.
Chomsky argumenta que a definição skinneriana de comportamento verbal como o comportamento mediado poroutraspessoas,tendoestaspessoassidocondicionadas
precisamente para reforçar o comportamento do falante, não é satisfatória. Ele dá o exemplo de uma pessoa que, aoatravessarumarua,ouveogrito“olheocarro!!”epula, desviando-se do mesmo. Chomsky (1959) argumenta que ocomportamentodepular(nocaso,arespostamediadora) dificilmente teria sido condicionada precisamente para reforçarocomportamentodofalante(apessoaquegritou “olheocarro!!”).
Essacríticasófazalgumsentidosenós,equivocadamen-te,tomarmosofalantedadefiniçãodeSkinnercomouma pessoaespecífica.Nãoédifícilimaginarumasituaçãona históriapassadadoouvinteemqueeste,aoouvirogrito“olhe ocarro!!”desuamãe,foipuxadoporelaeposteriormente instruído a prestar atenção.A construção desse repertório nacriança(onossoouvintenoexemplo)éprovavelmente bastantereforçadorparaamãe,poisalivradeumasituação aversivaqueéveroseufilhoemperigo.Assimsendo,émuito provávelquenofuturo,aoouviresseestímuloverbalemuma situação similar, esse ouvinte vá responder corretamente, sendoofalantesuamãeounão!!
Para entendermos a próxima crítica de Chomsky é im-portante considerarmos que, noVerbal Behavior, Skinner propõediferentestiposdeoperantesverbais,comoomando, otato,ointraverbal,oecóico,etc.Nosistemaskinneriano,o quediferenciaessesoperanteséasuarelaçãofuncionalcom determinadasvariáveis,enãosuatopografia.Omando,por exemplo, é“(...) um operante verbal no qual a resposta é reforçadaporumaconseqüênciacaracterísticaeestá,dessa maneira,sobocontrolefuncionaldecondiçõesrelevantesde privaçãoouestimulaçãoaversiva”(Skinner,1957,pp.35-36, ênfasedosautores).Jáotatoseria“(...)umoperanteverbalJáotatoseriaJáotatoseria noqualumarespostadeumaformadadaéevocada(oupelo menos,tornadamaisforte)porumobjetoparticular,umevento ouumapropriedadedeumobjetoouevento”(p.82).Desse modo,aresposta“água”podeserummando(quandoemitida porumhomemsedento)oupodetambémserumtato(quando emitidaporalguémquesimplesmentevêaágua).
OproblemaqueChomskypareceidentificarnessapro-postaéque,porrazõeséticas,égeralmenteimpossívelse determinaremquecondiçãodeprivaçãoouestimulação aversiva uma pessoa está em um determinado momento eque,destemodo,contrariamenteaoqueSkinnerqueria, nós tenderemos a identificar uma resposta como mando pelaformaenãopelascondiçõesdeprivaçãorelevantes (Chomsky,1959).Novamente,oqueChomskyfazéapon-tarumadificuldadeepistemológicaparasetestarateoria deSkinnerna“vidareal”.Nessesentido,MacCorquodale (1970)responde que “(...) desde que as circunstâncias motivacionaisdofalantesãoobjetivamentemensuráveis, elaspodem,emprincípio,serconhecidas”(p.96).Embora Skinnerenfatizeahistóriadoorganismorelacionadaauma determinadaprivação,issonãoexcluiapossibilidadede que algumas variáveis um pouco mais indiretas possam serutilizadascomoindíciosdoatualestadodeprivaçãodo organismo.Elepróprionosdáumexemplo:“aoestudar um comportamento que é caracteristicamente reforçado com comida nós devemos ter um registro da história de ingestão ou alguma medida contemporânea, como peso corporal,quevariedeacordocomestahistória”(Skinner, 1953,p.158).
Chomskyconsideratambémaexplicaçãooferecidapor Skinnerdarespostaemitidaporumapessoaaumestímulo verbal.Oexemploéoseguinte:emumacaçada,umouvinte BouveofalanteAemitirarespostaverbal“raposa!!”ereage (apropriadamente)olhandoaoredorepreparandoseurifle. Como explicar o comportamento deB? Chomsky (1959) delineia(corretamente)aexplicaçãodeSkinnerdaseguinte maneira:
Nósassumimos(1)quenahistóriadeBoestímulo“raposa” temsidoumaocasiãonaqualolharaoredortemsidoseguido pelavisãodeumaraposae(2)queoouvintetemalguminteresse atualemverraposas–queocomportamentoquedependada visãoderaposasparaasuaexecuçãoéforte,equeoestímulo supridoporumaraposaé,dessemodo,reforçador.Bexecuta ocomportamentoapropriado,então,porqueouviroestímulo “raposa”éumaocasiãonaqualolharaoredoréfreqüente-menteseguidapeloreforçamentodeverumaraposa,i.e.,seu comportamentoéumoperantediscriminado.(p.48)
Chomskyargumentaqueessaexplicaçãonãoéconvin-cente, posto que o ouvinte (B) pode nunca ter visto uma raposaouaindanãoterqualquerinteresseemvê-la,emesmo assimpoderiareagirapropriadamenteaoestímulo“raposa”. A essa crítica, os behavioristas poderiam responder com umapergunta:seráquesemumahistóriadereforçamento, queestabelecesseoestímulo“raposa”comoumestímulo discriminativoparaocomportamentodeolharaoredor,o ouvinte realmentereagiria apropriadamente ao estímulo “raposa”?Oquepareceestaremdisputaaquiéaidéiage-raldequeaspalavrassereferemacoisas(areferênciana teoriasemântica).ApropostadeSkinneréadedispensar o conceito de referência (Skinner, 1957;Abib, 1994b). Chomsky parece considerar essa proposta contra-intuitiva eproblemática,poiscrêquediantedoestímulo“raposa”, oouvintepode“compreender”aqueserefereapalavrae reagir apropriadamente, sem que tenha tido uma história dereforçamentocomoapropostanoexemploanterior.No entanto,elenãodemonstracomo,nessecaso,apropostade Skinnerseriainconsistente,istoé,como,emprincípio,este comportamentonãopoderiaserexplicadopelapropostade Skinneroucomoestasupostaexplicaçãoimplicarianouso doconceitoqueSkinnerquerdispensar.
Chomskypareceestarquerendosustentarque,emuma situação nova para o ouvinte, a proposta de Skinner ou seriaincapazdeexplicarocomportamentodoouvinteou implicarianousoimplícitodoconceitodereferência.Isto obrigariaChomskyaanalisarpormenorizadamenteacons-truçãodenovoscomportamentosdoouvinteatravésdouso deinstruções(principalmenteaanálisepropostaporSkinner, 1957),oqueelenãofez.Estenderadiscussãodestetópico daobradeSkinneririanãosóalémdoqueChomskyfezem suaresenha,mastambémmuitoalémdosobjetivosdopre-sentetrabalho.Dequalquermodo,éimportanteressaltarque mesmopesquisadoressimpáticosaobehaviorismoradical,ao consideraremocomportamentodoouvinte,têmobservado queaanálisedestetipodecomportamentoimplicarianouso doconceitodereferência(Parrott,1987).
UmaoutracríticaqueChomskyfazaSkinnerconcerne àanálisedestedaextensãometafórica(quandopropriedades
poucoconvencionaisdosestímuloscontrolamumarespos-ta).Porexemplo,aoexplicararespostaverbalemitidapor Romeu, “Julieta é como o Sol”, Skinner argumenta que Julieta e o Sol “têm propriedades em comum pelo menos noquedizrespeitoaseuefeitosobreofalante”(Skinner, 1957, p. 93). Chomsky argumenta queé sempre possível acharpropriedadesemcomumentredoisobjetosquaisquer e,portanto,ésemprepossívelexplicarumarespostaquedigaésemprepossívelexplicarésemprepossívelexplicar AécomoBapelandoparaoconceitoskinnerianodeextensão metafórica(Chomsky,1959).
AúltimacríticaqueChomskyapresentarelaciona-secom o comportamento autoclítico e o tratamento sugerido por Skinneràgramáticaeàsintaxe.Éprovávelqueestastenham sidohistoricamenteascríticasdeChomskymaisinfluentes, pois,porumlado,MacCorquodalenãoasrespondeue,por outro,oestudodaconstruçãodesentençasgramaticaisera o “ponto forte” da teoria chomskyana (Stemmer, 1990). Chomsky(1959)interpretaapropostadeSkinnerdaseguinte maneira:
(1) “(...)emgeral,substantivossãoevocadosporobjetos, verbos por ações, e assim sucessivamente. Skinner considera uma sentença como sendo um conjunto de respostas-chaves (substantivos, verbos, adjetivos) em umamolduraesqueleto”(p.53);
(2) “(...)osautoclíticos(incluindoaordem)quequalificam essasrespostasexpressamrelaçõesentreelas(...)são entãoadicionadosporumprocessochamado‘composi-ção’,eoresultadoéumasentençagramatical(...)”(p. 54);
(3) “[noprocessodecomposição]ossubstantivos,verbose adjetivos,sãoescolhidosprimeiroedepoissãoordena-dos,qualificados,etc.,porrespostasautoclíticasaestas atividadesinternas”(p.54);
AcríticadeChomsky(1959)éadequesentençascomo “(...)‘sheepprovide wool’nãotêmmoldura(física)algu-ma,masnenhumaoutradisposiçãodessaspalavraséuma sentençadalínguainglesa”(p.54).Aindanestamesmalinha depensamento,argumentaque“(...)asseqüências‘furiously sleep ideas green colorless’ e ‘friendly young dogs seem harmless’têmamesmamoldura,masapenasumaéuma sentençadalínguainglesa...)”(p.54).Umavezqueinserir palavras em molduras, mesmo que ordenadamente, não garanteaproduçãodesentençasválidas,Chomsky(1959) argumentaquequalquerabordagemdalinguagemquefalhe emconsideraressefatonãopodeobtergrandesucessona explicaçãodocomportamentolingüístico.
Primeiramente,ainterpretaçãodeChomsky(1959)deque otratamentoskinnerianodocomportamentoverbalgrama-ticalsedápelainserçãode“(...)umconjuntoderespostas chave (substantivos, verbos, adjetivos) em uma moldura esqueleto”(p.53),éequivocada.Ironicamente,exatamente namesmapáginaemqueChomskyencontrouaexpressão “molduraesqueleto”,Skinner(1957)diz:
respostascomaajudadeautoclíticosespeciais.Aconseqüente criaçãodesegmentosmaisamplosdecomportamentoverbalé umaatividadequepodeserchamadadecomposição.(p.346, ênfasedosautores)
É exatamente quando o comportamentonão pode ser explicadopormoldurasqueoprocessodecomposiçãotoma lugarenãoocontrário.A“criação”decomportamentoverbal complexodemodoalguméexplicadaporSkinnercomoa seleçãodeumsubstantivo,umverboeumadjetivoemuma moldura esqueleto, ou qualquer coisa similar. Na verdade, Skinner (1957) é muito claro em dizer que a atividade de composiçãoaconteceapenasemocasiõesgenuinamenteno-vaseque“(...) muitasinstânciasdocomportamentoverbal quecontémautoclíticosgramaticaisousintáticospodemnão representarverdadeiraatividadeautoclítica”(p.343).Curio-samente,acausaçãomúltipla,queSkinnerconsideracrucial paraaexplicaçãodediversosfatosdocomportamentoverbal, emnenhummomentoécitadaporChomskynasuaresenha, comobemnotouMacCorquodale(1970).Dessemodo,diante dainterpretaçãoerrôneaporpartedeChomskydessepontoda propostaskinneriana,suascríticasaelasetornaminócuas7.
Conclusão
ApósterconsideradoamaioriadascríticasdeChomsky etercomparado-ascomasréplicasbehavioristas,échegado o momento de retornarmos à nossa questão principal: as críticasdeChomskyinvalidariam,emprincípio,omodelo behavioristaparaaexplicaçãodalinguagemouapresentariam falhasdessemodeloquepoderiamsersuperadassemgrandes modificaçõesnaspropostasdeSkinner?
No que concerne à proposta de Chomsky de refutar definitivamente a teoria de Skinner e similares, podemos concluirqueChomskydemaneiraalgumaatingeesteob-jetivo.Emprimeirolugar,porqueaespecificidadedateoria skinnerianaimpediriaqualquertipode“refutaçãogeral”do behaviorismoouempirismo.Emsegundolugar,aoconside-rarmosascríticasqueChomskyapresentouemsuaresenha, podemos notar, à luz das réplicas e do presente trabalho, quequaseatotalidadedestascríticasestãofundamentadas em equívocos cometidos por Chomsky ao interpretar as propostas de Skinner. Deste modo, poderíamos concluir quedemaneiraalgumaChomskyrefutoudefinitivamentea teoriaskinneriana.
Noentanto,algumasdessascríticaspodemnoslevara preocupações metodológicas legítimas relativas à testabi-lidadedateoriadeSkinneremcondiçõesecológicasmais significativas.Semelhorarticuladas,certasobservaçõesde Chomskyparecemapontardificuldadesmaisdesafiadoras àpropostadeSkinnerdoqueasqueeleprópriolevantou, comoporexemplo,aquestãodatautologianaleidocon-dicionamentooperantee,talvez,apropostaskinnerianade abandono do conceito de referência. Porém, o tratamento
desses assuntos exigiria um detalhamento que foge ao propósitodopresenteartigo.Dequalquerforma,éumain-vestigaçãoquedeveserrealizadanofuturo.Aocontráriodo queoscognitivistasnormalmentepensam,oassuntoainda nãoestáencerrado.
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Recebidoem30.09.2003 Primeiradecisãoeditorialem02.04.2004 Versãofinalem13.08.2004