• Nenhum resultado encontrado

MESTRADO EM DIREITO SÃO PAULO 2012

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "MESTRADO EM DIREITO SÃO PAULO 2012"

Copied!
167
0
0

Texto

(1)

PUC-SP

Eduardo Araújo Bim

A jurisprudência trabalhista e sua importância ao

jurisdicionado

MESTRADO EM DIREITO

(2)

PUC-SP

Eduardo Araújo Bim

A jurisprudência trabalhista e sua importância ao

jurisdicionado

MESTRADO EM DIREITO

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em Direito das Relações Sociais, Subárea Direito do Trabalho, sob orientação do Professor Doutor Pedro Paulo Teixeira Manus.

(3)

Banca Examinadora

______________________________

______________________________

(4)

Dedico este estudo à minha esposa Luciane, fonte de paciência, amor e respeito às minhas decisões na vida. Este trabalho, sem dúvida, também é seu. Aos meus filhos Nathalia e Pedro que, da mesma maneira souberam respeitar e aceitar minha ausência enquanto me dedicava à este estudo, cientes sobretudo, da importância que este trabalho representa. À minha mãe Ieda, pela sabedoria silente e apaziguadora. Por fim, à João, in memoriam.

(5)

Agradeço, em primeiro lugar, à minha esposa Luciane e aos meus filhos Nathalia e Pedro pela ajuda e compreensão e, principalmente porque sabem da importância que este trabalho representa na minha vida profissional e o que reflete nas suas.

Agradeço a Pedro Paulo Teixeira Manus que me orientou durante o mestrado. Exemplo de pessoa, sua simplicidade enaltece sua invejável inteligência.

Agradeço também aos professores Renato Rua de Almeida, Carla Tereza Martins Romar, Paulo Sergio João, Marcelo Souza Aguiar, Sílvio Luiz Ferreira da Rocha e Suely Gitelman, pela dedicação ímpar ao magistério.

Agradeço ainda aos colegas e assistentes Leonel e Fábio, compromisso com a docência sempre cumprido.

Minha gratidão a Marcos Bim, Emerson Anunciação e João Paulo Ávila Pontes pelo apoio incondicional.

(6)

Desde o começo foi meu intento elevar a Jurisprudência, que – aberta ou veladamente – se esgotava quase por completo em raciocínios de política jurídica, à altura de uma genuína ciência, de uma ciência do espírito. Importava explicar não as suas tendências endereçadas à formação do Direito, mas as suas tendências exclusivamente dirigidas ao conhecimento do Direito, e aproximar tanto quanto possível os seus resultados do ideal de toda a ciência: objetividade e exatidão.

(7)

Sociais, Subárea Direito do Trabalho) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. 2012.

RESUMO

A sociedade contemporânea anseia por uma justiça célere, qualitativa e que sirva de instrumento norteador, capaz de apontar a direção que os Tribunais estão a acenar relativamente a cada Direito. O presente estudo visa constatar que este importante reclame social é atingido através da jurisprudência nas suas mais diferentes formas. No âmbito específico do Processo do Trabalho, aponta-se nesta pesquisa que, a jurisprudência sozinha, não representa uma forma cabal de fazer com que a sociedade se sinta confortável em relação aos direitos que almeja. É fundamental, porém cercar a decisões judiciais tornando-a robusta e, para isso, desenvolvemos estudos sobre a jurisprudência cercada de princípios norteadores, desde seu nascedouro assim traduzido como fontes e os princípios da segurança jurídica, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Buscou-se também elaborar analise sobre a jurisprudência num contexto de garantia fundamental do indivíduo e, para tanto, procurou-se trazer constatações sobre as formas de Poder entre os Órgãos da União, principalmente do Poder Judiciário donde emanam as decisões, estas, capaz de trazer a paz social num determinado contexto histórico-cultural para uma reclamante sociedade pertencente a um Estado Democrático de Direito.

(8)

Law) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. 2012.

ABSTRACT

The contemporary society craves a renowned justice, qualitative and which well serve as a guiding tool, capable of pointing the direction that the courts are waving in relation to each law. This study aims to see that this important social claim is achieved through case law in its different forms. In the specific context of the Labour Process, the research pointed out that the case-law itself does not represent an adequately way of making society feel comfortable enough about the rights they seek for. It is essential, however, to surround the court decisions by making it robust and, therefore, we have developed studies about the surrounded case-law by guiding principles, translated from its origin as well as sources and principles of legal certainty, the perfect juridical act and res judicata. We also tried to elaborate an analysis on the context of the case-law as a fundamental guarantee of the individuals who both seek to bring findings about the ways of Power between the Union’s Advisory Bodies, especially the judiciary judicial branch from which emanates the decisions, those ones that are capable of bringing social peace to a particular historical and cultural context for a plaintiff firm in a democratic state of law.

(9)

INTRODUÇÃO... 01

1. SEGURANÇA JURÍDICA E A PROBLEMÁTICA ATUAL ... 03

1.1. Primeiras considerações... 03

1.2. Teoria geral do direito e segurança jurídica... 05

1.3. O descrédito da segurança jurídica nos ordenamentos jurídicos... 08

1.4. Segurança jurídica e a qualidade da decisão judicial ... 10

1.5. Princípio do direito adquirido; ato jurídico perfeito e da coisa julgada. ... 12

1.6. O efeito vinculante, a súmula impeditiva de recursos e a transcendência do recurso de revista como possíveis soluções a ensejar credibilidade à segurança jurídica ... 22

2. PODER E GARANTIAS PROCESSUAIS PRINCIPIOLÓGICAS... 29

2.1. Princípio da separação dos poderes e as funções dos Poderes Executivo Judiciário e Legislativo... 30

2.2. Possibilidade de confronto entre as funções dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e o princípio da harmonia... 34

2.3. A jurisdição e o “governo de juízes” ... 39

(10)

2.6. A garantia da razoável duração do processo como direito

fundamental... 45

3. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ... 50

3.1. Primeiras considerações ... 50

3.2. Fontes materiais e fontes formais ... 53

3.3. Fontes formais heterônomas e autônomas ... 56

3.4. A jurisprudência como fonte no direito processual ... 61

4. SISTEMA JURÍDICO E NORMA JURÍDICA ... 73

4.1. Sistema jurídico – aspectos gerais ... 73

4.2. Os sistemas jurídicos e o direito do trabalho ... 76

4.3. Estrutura normativa do sistema ... 82

4.4. A identificação da norma jurídica ... 83

4.5. Individualidade da norma jurídica ... 84

4.6. A jurisprudência na visão Kelseniana... 89

5. DECISÕES JUDICIAIS E EFEITO VINCULANTE ... 93

(11)

5.3. Efeito vinculante da súmula – natureza jurídica ... 100

5.4. Aspectos gerais das súmulas vinculantes do Supremo Tribunal Federal sobre matéria trabalhista e a súmula vinculante nº 4 ... 105

6. A JURISPRUDÊNCIA TRABALHISTA E SUA IMPORTÂNCIA AO JURISDICIONADO... 114

6.1. Os prejulgados trabalhistas ... 114

6.2. Os precedentes normativos do processo do trabalho ... 120

6.3. As orientações jurisprudenciais do processo do trabalho ... 123

6.4. As súmulas do Tribunal Superior do Trabalho – aspectos gerais e relevância ao jurisdicionado... 127

CONCLUSÃO... 143

(12)

INTRODUÇÃO

A jurisprudência ocupa posição de intensa relevância no processo, pois é através dela que tomaremos ciência de qual o sentido norteador do Direito.

Em específico, no Direito Processual do Trabalho, a jurisprudência tem assumido um papel maior que a eleva a uma posição verdadeiramente de fonte de Direito. Isto porque, o Tribunal Superior do Trabalho chegou a editar súmula de jurisprudência que até hoje serve positivamente de norma reguladora de Direito, como é o caso da normatização do fenômeno da terceirização.

Diante da realidade contemporânea, com a crescente da economia e consequente taxa populacional, bem como os fatos ocorridos desde a década de 90, os Tribunais viram-se na necessidade de uniformizar a jurisprudência que emanavam. No decorrer dos anos, tal situação não se modificou. Os Tribunais tiveram que reavaliar suas decisões a fim de adequá-las à nova situação advinda com a emenda Constitucional nº 45/04, sobretudo no que concerne à edição de súmula de caráter vinculante pelo Supremo Tribunal Federal.

A sociedade busca incessantemente uma justiça célere e que produza decisões de qualidade. Isto, contudo, faz com que os operadores do Direito atentem para questões outras inerentes a atingir o resultado pretendido com o fito de dar à sociedade a resposta por ela esperada.

Neste cenário, mostra-se a jurisprudência um instrumento muito utilizado para o alcance do objetivo social de rapidez e qualidade das decisões.

(13)

Neste estudo nos preocupamos em analisar a jurisprudência levando em consideração princípios fundantes do Direito, tais como a segurança jurídica, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.

Aprofunda-se uma analise jurisprudencial voltada para um contexto de Poder, constatando inclusive a possibilidade de confronto entre os Órgãos da União, a saber, Legislativo, Executivo e Judiciário.

Constata-se também que a jurisprudência pode assumir papel de Fonte de Direito e com isso ditar as regras à sociedade e servir de parâmetro legal para julgadores e de norma a ser seguida regulando o comportamento social.

A análise da norma jurídica e sistemas jurídicos fizeram parte integrante do presente estudo incluindo-se aqui uma visão específica Keseniana da jurisprudência.

A conclusão, em síntese, trata de cada um dos capítulos apresentados no decorrer deste estudo mostrando a importância da jurisprudência, sobretudo a trabalhista, no cenário nacional e, indicando a importância que assume diante não só do magistrado, mas também servindo como forma apaziguadora e norteadora a fim de que a sociedade tome ciência de como as normas reguladoras das relações sociais se mostram.

Finalmente, esta pesquisa se baseou por concluir sua análise substancialmente por meio de pesquisa bibliográfica, orientada pelo método analítico dedutivo.

(14)

1. SEGURANÇA JURÍDICA E A PROBLEMÁTICA ATUAL

1.1. Primeiras Considerações

Não é cedo para tecer entendimento acerca de segurança jurídica. Já no século XII há registro sobre o tema, ocasião em que se verifica possivelmente o marco da teoria sobre segurança jurídica.

Anne-Laure Valembois afirma que as primeiras palavras sobre segurança jurídica se deram no século XII quando se estabeleceu princípios da dialética. Foi então nesta oportunidade que se elaborou algum estudo universitário a fim de pesquisar e apontar soluções para as contradições. O estudo repercutiu no Direito levando à redação do Decreto de Graciano no ano de 1.139 em Bolonha, com o fito de conciliar os cânones contraditórios editados. Com isso objetivou-se maior coerência no Direito Canônico1.

Desta forma, fica evidenciado que a sociedade, àquela altura, já clamava por decisões judiciais de qualidade e, sobretudo, céleres sem, contudo deixar-se de lado a garantia de que o Direito seria dado nos conformes que se almejava à época e na medida de seu dinamismo naquele século.

Trazendo a análise da questão, de certa forma, para uma ótica política, agora pelos idos do ano de 1651, Thomas Hobbes, traz à tona relevante reflexão sobre a questão e o faz no sentido de que qualquer que se arvore ao estudo da Teoria Política lhe dedique longos momentos de reflexão. Tratou-o de uma teoria segundo a qual o Estado Civil, ou simplesmente Estado, originou-se do contrato firmado entre os indivíduos enquanto estes se encontravam no estado da natureza.

Esta postura faz com que o filósofo seja tido como contratualista. Procurou analisar a essência e a natureza do Estado Civil, ao qual, em razão de seu poderio e de sua força, comparou ao monstro bíblico descrito no capítulo 41 do livro

(15)

de Jó.

Dessa forma, o homem fictício criado com maior estatura e força que um homem médio natural foi estruturado para proteger e defender. Comparado ao corpo humano o Estado seria a alma - os magistrados e demais operadores as articulações, eis que são através deles ligados aos membros e tronco da soberania são levados a cumprir o dever de obediência2.

Isso para justificar a salus populi, ou a segurança do povo, que nada

mais é senão, neste aspecto, seu principal objetivo.

No entanto, neste passo, um contraponto se verificou, quer seja, as leis naturais não eram capazes de atribuir segurança jurídica aos homens e, sendo assim, a única forma de se atingir a paz social com segurança jurídica seria a emanada pelo poder do Estado.

Em nosso ver, fica claro que com o passar do tempo e com a crescente da população mundial, leva a sociedade a exigir direitos com muito mais frequência, e que, por sua vez, a buscar a celeridade e correta aplicação deste direito. A questão da expansão econômica e comercial também contribuiu para que a busca do direito justo e rápido.

Neste passo, vislumbra-se que a sociedade se deu conta de que seria relevante retomar a discussão sobre a questão da segurança jurídica além teoria jus-filosófica e, mais que isso, buscar a efetivação positivista e concreta no anseio de tomar para si a garantia eficaz de seu resultado.

A ideia de segurança se faz a cada dia uma necessidade premente à sociedade. É bom que se diga que, em nosso entender, apesar da constante preocupação com a segurança jurídica, somente se ganhou maior proporção o estudo do tema a partir do ano 2.000.

(16)

No Brasil, a preocupação com o tema ganhou status importante na

obra sob coordenação de Cármem Lúcia Antunes Rocha3.

Neste século se verificou a relevância social do tema, bem como a necessidade de sua discussão mais aprofundadamente, porém, com o objetivo de alcançar maiores patamares científicos e abordar, sobretudo como será no futuro a questão da segurança jurídica mundial, sob o aspecto além filosofista e mais positivista.

Por claro que quanto maior o nível de estabilização social do Estado maior a despreocupação com o tema, como é o caso dos países norte-europeus.

1.2. Teoria Geral do Direito e Segurança Jurídica

Cumpre salientar que este estudo não tem como elemento fundante o aprofundamento do assunto, mas constitui importante meio para elucidar a questão da segurança jurídica, por isso, necessário o breve, mas relevante ensaio.

Cabe primeiramente a averiguação do conceito de segurança jurídica, ainda que não seja questão das mais fáceis.

Para Helmut Coing, quando adentra ao tema segurança jurídica, assim se expressa4:

O que é determinado legalmente deve ser excluído da arbitrariedade; nem aquele que determina o Direito, nem aquele ao qual o Direito se dirige, deve violá-lo. Ele deve perdurar [...] pessoa pode organizar-se com base nisso, ela pode construir sua vida na proteção desta ordem.

No mesmo sentido, o Conselho de Estado da França, em 2006, publicou seu Relatório Público que diz que face à desordem do Direito, o princípio da

3 Constituição e segurança jurídica: direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada.

(17)

segurança jurídica aparece como último ramo ao qual se agarram as jurisdições supremas para manter um semblante de ordem e permitir ao Direito cumprir a missão que normalmente lhe é destinada5.

Muito longe de termos a definição esperada sobre conceito de segurança jurídica, bem como seus limites, é certo que questões como comparações sobre segurança jurídica e justiça ou segurança jurídica e Direito nascem de forma a alavancar ainda mais a necessidade a se buscar o dito conceitual do termo.

A busca frequente pela segurança jurídica, bem como o direito da pessoa à estabilidade em suas relações jurídicas é de fundamental importância.

Esse direito articula-se com a garantia da tranquilidade jurídica que as pessoas querem ter; com a sua certeza de que as relações jurídicas não podem ser alteradas numa imprevisibilidade que as deixe instáveis e inseguras quanto ao seu futuro, presente e passado.

Parece-nos correto afirmar então que segurança jurídica e justiça são expressões que, de certa forma, se complementam ou se sugerem correlacionando-se reciprocamente e, a nós também nos parece certo dizer que à medida que o Direito se distancia do cidadão mais aparece à necessidade de haver a afirmação da segurança jurídica como medida de se assegurar a solidez judicial.

Para Theophilo Cavalcanti Filho, segurança jurídica e justiça se associam e assim sendo, faz a seguinte classificação: (i) segurança através do direito, pressupondo o direito como correto; (ii) segurança não é sinônimo de certeza de obtenção do direito; (iii) segurança contra alterações do direito positivo6.

Não se pretende aqui fazer-se o exame da classificação trazida por Cavalcanti, mas, no tocante ao item classificado por ele como Direito como correto,

5 Rapport Public 2006: Jurisprudence et avis de 2005, Sécurité Juridique et complexei du droit,

Études & Documents, n. 57, p. 330.

(18)

é bom esclarecer o que pode ser correto enquanto se fala de Direito?

O Direito por correto, em nosso sentir pode significar (a) leis claras - a evitar a obscuridade em sua interpretação regular; (b) leis estáveis - com duração razoável a permitir sensação de perenidade; (c) leis de fácil compreensão - possibilitando compreensão do destinatário da norma a fim de não dar margem às lacunas; (d) leis de fácil acesso - pelo princípio da publicidade ser posta à disposição do jurisdicionado; (e) respeito ao direito adquirido; (f) respeito ao ato jurídico perfeito; (g) respeito à coisa julgada; (h) direito ao juiz.

Com relação a estes três últimos cabe uma ponderação. Primeiro, a correlação existente entre os institutos é grandiosa. Segundo porque o conceito de direito adquirido e sua base doutrinária carece de maiores ensaios científicos.

Entretanto, inegável é que, é fato a importância de tais institutos como preservação da segurança jurídica.

É neste diapasão que traremos a estudo, ainda que por breve ensaio, no item cinco deste estudo, a questão do direito adquirido, da coisa julgada e do ato jurídico perfeito.

Neste contexto, pede-se venia para trazer o conceito de segurança

jurídica conforme o magistério de José Afonso da Silva, insculpida na obra coordenada por Carmen Lúcia Antunes Rocha7:

A segurança do direito, como visto, é um valor jurídico que exige a

positividade do direito, enquanto a segurança jurídica é já uma

garantia que decorre dessa positividade. Assim é que o direito constitucional positivo, traduzido na Constituição, é que define os contornos da segurança jurídica da cidadania. Nos termos da Constituição a segurança jurídica pode ser entendida num sentido amplo e num sentido estrito. No primeiro, ela assume o sentido geral de garantia, proteção, estabilidade de situação ou pessoa em vários campos, dependente do objetivo que a qualifica. Em sentido estrito, a segurança jurídica consiste na garantia de estabilidade e de certeza

7 Constituição e segurança jurídica: direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada, p.

(19)

dos negócios jurídicos, de sorte que as pessoas saibam de antemão que, uma vez envolvidas em determinada relação jurídica, esta se mantém estável, mesmo se modificar a base legal sob a qual se estabeleceu. (grifos do autor)

Conclui-se, pois, que, segurança jurídica, no sentido de traduzir a ordem e a certeza do direito deve, sobretudo, corresponder ao valor justo como questão principiológica.

1.3. O Descrédito da Segurança Jurídica nos Ordenamentos Jurídicos

A questão da segurança jurídica, na atualidade, atinge em cheio os ordenamentos jurídicos. As relações jurídicas sociais conflitantes que acabam por abarrotar o Poder Judiciário Nacional através de inúmeros processos há muito deixou de ser novidade.

A questão é que tais interesses sejam individuais, sejam coletivos, carecem de uma decisão, de cunho interpretativo muitas vezes, bem como rápida e, por conseguinte adequada e justa, o que nem sempre é compatível com a celeridade insculpida numa sociedade por vezes numerosa e sedenta de justiça com qualidade.

É esse um dos principais objetivos desta pesquisa. Tratar do que anseia uma sociedade notadamente capitalista no âmbito judicial e, ao mesmo tempo resolver conflitos individuais ou coletivos num espaço razoável de tempo sem que prejudique a qualidade do julgado que se pretendeu e, este não se perca no tempo a fim de prejudicar o jurisdicionado.

A questão da superpopulação processual nos ordenamentos jurídicos não deve ser deixada de lado ao se discutir a qualidade das decisões.

(20)

quantidade de processos que adentram o judiciário.

Mais adiante, a larga possibilidade de interposição de recursos aumenta ainda mais a vida dos processos dentro dos tribunais atrasando a solução dos conflitos.

Com isso, a já falada perda da qualidade do decisum é cada vez

maior, principalmente nos primeiros graus de jurisdição e, a consequência inevitável, o descrédito da sociedade, haja vista a quantidade de má qualidade ejetada nas decisões causando um verdadeiro fervor social de repúdio e insatisfação.

Há de se acrescentar aqui, como num círculo vicioso que, além dos problemas acima relatados e, com o fito de se tentar solucionar a questão da demora processual, mais magistrados estão a ser empossados, um maior número de advogados são lançados no mercado de trabalho com a crescente abertura de vagas nas universidades.

Contudo, como parece evidente, a qualidade destes profissionais também é levada a cheque, bem como a forma de seleção dos mesmos. Não se pode deixar de fora também é a corrupção crescente e engendrada nas três formas de poder.

Assim, a eficácia do ordenamento jurídico fica sobremaneira enfraquecida e desacreditada.

Essa estafa do Direito nos dias atuais é lembrado por José Eduardo de Campos Faria em seu estudo sobre Bobbio e a eficácia jurídica que, com raras variações, a situação parece ser a mesma, ou seja, o cenário é de crise dos ordenamentos jurídicos que de certa forma parece ser coincidente com a crise do Estado, entenda-se assim a qualidade que o Estado está a lançar ao cidadão8.

8

Apud BITTAR. Eduardo C.B. / Guilherme Assis de Almeida. Curso de Filosofia do Direito. 6ª

(21)

1.4. Segurança Jurídica e a Qualidade da Decisão Judicial

A sociedade, por certo, espera do poder estatal não somente que desempenhe seu papel pelo qual foi instituído, mas que dê a esta mesma sociedade o amparo pretendido através de decisões justas e rápidas como forma de tranquilizá-la em seus anseios no que diz respeito à segurança jurídica pretendida.

Para fins deste estudo, interessa a análise da decisão judicial e, neste passo duas questões serão trazidas à discussão.

Primeiramente, trazemos a estudo o aspecto da uniformidade na produção das normas jurídicas individuais que tão bem descreve Thomas Hobbes9: “Jamais o erro de um homem se torna sua própria lei, nem obriga a nele persistir. Tampouco, pela mesma razão, se torna lei para outros juízes, mesmo que tenham jurado segui-lo.”.

Desta maneira, pode-se concluir pelo pensamento supracitado que o juiz, justamente por ser pessoa humana e, por essa essência, está sujeito ao erro e a falhas e não vincular-se, por essa razão, a julgamento idêntico que tenha proferido preteritamente.

Assim, é o que se acredita haver independência do julgador em ralação ao decidido por ele ou por outros magistrados.

Se entendido assim e, por este prisma, não se pode concluir haver segurança jurídica, já que, ficaria o jurisdicionado à espera de decisão imprevisível, o que o levaria a acenar com mão de descrédito ao Estado.

O segundo aspecto reside no campo da percepção que as normas jurídicas individuais tenham força legítima de convencimento do jurisdicionado.

Certo estamos, da sua correlação com o primeiro aspecto e, neste

(22)

ponto vamos partir da premissa de que para que se convença o jurisdicionado pela norma jurídica a ele posta, indagaremos a seguinte questão: Para que o julgador tenha decidido individualmente e, lançado desta forma a norma jurídica individual, o que o levou a assim entender? Ou seja, o que fez e por onde caminhou o julgador para chegar à conclusão efetivamente?

Não podemos, com a devida permissão, aceitar que haja segurança jurídica sem haver qualidade da coisa julgada que por sua vez serviu para garantir ao jurisdicionado um bem, seja ele mais ou menos relevante. Ainda, com a mesma

venia não é o contrário admitir o fato de que os fundamentos da decisão judicial

sejam diferentes dos aplicados anteriormente noutra solução, evidenciado, por óbvio, fatos similares.

Por tudo isso, é em nosso pensar que, não existe regra que assegure o jurisdicionado direito a certa estabilidade do entendimento jurisdicional, principalmente quando se tratar do sistema civil law.

Especificamente em nossos nacionais casos o Supremo Tribunal Federal vem entendendo que a anulação da norma inconstitucional deve modular seus efeitos e, com isso, equilibrá-los, para que, desta forma, os efeitos da decisão na sociedade funcionem a fim de trazer realçar o princípio da segurança jurídica.

Neste entender, podemos citar exemplificativamente o art. 27 da lei n. 9.868/99, atribui ao Supremo Tribunal Federal à regulação dos efeitos das decisões proferidas em caráter de ação declaratória de constitucionalidade, de ação direta de inconstitucionalidade e em arguição de descumprimento de preceito fundamental. Eis o referido artigo, in verbis:

(23)

É de concluir-se, por oportuno e sem medo de eventual repetição que, a sociedade espera do poder Estatal a aplicação eficaz pelo Poder Judiciário das normas sem que se depare com eventuais surpresas a ela pertinentes a fim de que o jurisdicionado possa prosseguir tendo o respaldo necessário e razoável de seus direitos garantindo-se a perspectiva basilar de seus atos.

1.5. Princípio do Direito Adquirido; Ato Jurídico Perfeito e da Coisa Julgada

Oportuno mencionar que o fito desta pesquisa não é esgotar o assunto atinente ao item em questão, mas é retratar a importância do direito adquirido; do ato jurídico perfeito e da coisa julgada no contexto do termo segurança jurídica, a fim de voltarmos o foco dos princípios aqui em questão no sentido de estudá-los como fatores imprescindíveis a ensejar a segurança jurídica como forma de obtenção do mais puro e justo direito.

Neste patamar, o princípio do direito adquirido se faz relevante em nosso sentir e, fundamental para que se atinja o ideal do direito com segurança, efetividade e eficácia, visando-se o bem estar e a paz social.

Considere-se ainda que, o direito adquirido passa a assumir uma formatação de princípio jurídico cuja principal finalidade seja dar ao jurisdicionado tranquilidade e paz social e, conforme já pudemos expressar, inquestionável pois, é sua essência intrínseca na segurança jurídica pretendida pela sociedade e protetora da paz social e à condição humana em face às novas normas jurídicas que a todo o momento são lançadas no ordenamento jurídico atual.

Insculpidos na Carta Republicana de 1988, no inciso XXXVI do art. 5º, expressa, in verbis: “... A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico

perfeito e a coisa julgada.”

(24)

Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.

§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.

§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém por ele (sic), possa exercer, como aquêles (sic) cujo começo (sic) do exercício tenha termo (sic) fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.

§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso.

Embora os dispositivos acima citados façam parecer suficientes, é valiosíssima a importante lição doutrinária construída por Carlo Francesco Gabba (1835-1920) 10:

È diritto acquisito ogni diritto, che a) è conseguenza di un fatto idoneo a produrlo in virtù della legge del tempo in cui il fatto venne compiuto benchè l’occasione di farlo valere non siasi presentata prima dell attuazione di una legge nuova intorno al medesimo, e che b) a termini della legge, sotto l’impero della quale accadde il fatto da cui trae origine, entrò immediatamente a far parte del patrimonio di chi lo ha acquistato.

"É adquirido todo direito que: a) seja consequência de um fato idôneo a produzi-lo, em virtude da lei do tempo no qual o fato se viu realizado, embora a ocasião de fazê-lo valer não se tenha apresentado antes da atuação de uma lei nova a respeito do mesmo; e que b) nos termos da lei sob o império da qual se verificou o fato de onde se origina, entrou imediatamente a fazer parte do patrimônio de quem o adquiriu". (tradução nossa)

No Direito Nacional, o princípio do direito adquirido foi magistralmente conceituado merecendo o devido destaque, haja vista a notória grandeza de sua autoria. Primoroso é o lecionar do Ilustre Professor Celso Seixas Ribeiro Bastos11:

Consiste na faculdade de continuar a extraírem-se efeitos de um ato contrário aos previstos pela lei atualmente em vigor, ou, se preferirmos, continuar-se a gozar dos efeitos de uma lei pretérita mesmo depois de ter ela sido revogada. Portanto, o direito adquirido

(25)

envolve sempre um dimensão prospectiva, vale dizer, voltada para o futuro. Se se trata de ato já praticado no passado, tendo aí produzido todos os seus efeitos, é ato na verdade consumado, que não coloca nenhum problema de direito adquirido.

Diante de todo o exposto, é possível empreender que as normas jurídicas tem, de certa forma, “data de validade”, ou seja, um período de vigência predeterminado, como já dissemos alhures, devido à dinamicidade do direito.

Ato contínuo, três situações se fazem presentes, consequentemente.

Primeiro, a sociedade, em dado momento, se vê necessitada de regulamentação de uma determinada situação, situação esta que se pretende normalizar através de disposição normativa.

Em seguida, e por seu turno, é preciso que a norma atinja, efetiva e eficazmente o fim a que se destina, direcionando o jurisdicionado e disciplinando-o.

Ocorre, porém que, nem sempre isso corresponde à realidade, razão pela qual se faz necessário aplicar as regras de interpretação das normas jurídicas.

Por fim, após o decurso de seu tempo, variável por certo, a norma deixa de gerar seus efeitos e carece de substituição ou aprimoramento.

É neste momento pois aquele considerado entre o “fim” de uma norma e o posto inicial de uma nova disposição legal é que situações conflitantes passam a existir.

Com isso, o direito regulado pela norma anterior frente ao novo direito posto pela lei recente passa a trazer a sensação de injustiça ao jurisdicionado acostumado com a direção que a norma substituída lhe dera, o que o deixa numa situação desconfortável e preocupante, já que, para ele, a situação pode soar como a perda um bem antes assegurado por lei.

(26)

perfeitas, estas jamais poderiam ser alcançadas pela lei nova sob pena de prejudicar o jurisdicionado que viveu do início ao fim o ato integralmente sob a guarda e efeitos da lei anterior.

Assim, importante é para este estudo o breve relatar do instituto do direito adquirido a fim de demonstrar, sem a preocupação de esgotar o tema que, segurança jurídica dificilmente se fará sem este relevante ingrediente.

No que concerne ao ato jurídico perfeito, temos primeiramente que relatar que se está frente a uma questão puramente formal, ou seja, é verificar se o ato cumpriu todas as suas exigências reguladas pela lei em vigor quando de seu nascimento.

No mesmo sentido é o fundamento de Clóvis Beviláqua que bem traduz a questão12: “O direito quer que o ato jurídico perfeito seja respeitado pelo legislador e pelo intérprete na aplicação da lei, precisamente porque o ato jurídico é gerador, modificador ou extintivo de direitos.”

Desta forma, pode-se concluir que o ato jurídico perfeito é gerador do direito adquirido e, não por outra razão se traduz em elemento importante de composição e integração a fim de que se faça absoluta e eficaz a segurança jurídica.

Regina Maria Macedo Nery Ferrari traz relevante constatação sobre o assunto, também na obra coordenada por Cármen Lúcia13:

O ato jurídico perfeito gera o direito adquirido, o direito concreto e subjetivo a exercê-lo ou a desfrutá-lo, na medida em que a não consideração dos formatos sob uma norma prejudicaria o interesse de seus titulares e implantaria o caos e a desordem social.Portanto, quando se fala em direito adquirido é porque decorre, na maior parte das vezes, de um ato jurídico perfeito, que é o que lhe dá embasamento em decorrência de ter sido realizado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou.

(27)

Por derradeiro e, pelos ensinamentos acima descritos, pode-se constatar que o ato jurídico perfeito é aquele que se consumou conforme todas as exigências da lei que regia a matéria quando se realizou, sendo pois por esta razão, questão pacífica de inalterabilidade ao arbítrio de outrem.

Sendo assim, como pretende mostrar este estudo, o ato jurídico perfeito é elemento integrante e indispensável do direito adquirido e que, por sua vez, é fator intrínseco de objetividade da segurança jurídica, esta, como ingrediente fundamental para a satisfação da justiça.

No tocante à coisa julgada, o teor do art. 474 do Código de Processo Civil assim determina:

Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão deduzidas e respeitadas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido.

Pouco antes, o art. 468, também do CPC, reza, in verbis:

Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas.

Passo atrás, o conceito de coisa julgada vem insculpida no art. 467 do mesmo Diploma Legal, in verbis:

Art. 467. Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário.

Dedução lógica decorrente das normas acima citadas, de que, a coisa julgada é fator fundante da segurança jurídica.

(28)

É neste campo que esta pesquisa procurará se ater, ou seja, a coisa julgada pode prevalecer ainda que se verifique inquestionavelmente contrária a preceitos constitucionais?

Não cabe aqui tecer maior estudo sobre a questão, principalmente porque na esfera formal da Processualística Civil, mas apenas, apontar que a segurança jurídica esbarra na esteira da coisa julgada.

É justamente por essa razão que, permita-se a afirmação, não há segurança jurídica totalmente eficaz se houver falha na coisa julgada. Coisa julgada esta traduzida como coisa julgada inconstitucional.

Cândido Rangel Dinamarco, teceu o seguinte entendimento sobre a questão14:

Onde quer que se tenha uma decisão aberrante de valores, princípios, garantias ou normas superiores, ali ter-se-ão efeitos juridicamente impossíveis e portanto não incidirá a autoridade da coisa julgada material – porque, como sempre, não se concebe imunizar efeitos cuja efetivação agride a ordem jurídico-constitucional.

No mesmo sentido e, magistralmente, Dinamarco sacramenta seu entendimento com a seguinte frase15: “A ordem constitucional não tolera que se eternizem injustiças a pretexto de não eternizar litígios.”

Desta forma, pode-se concluir que nulas poderão ser as decisões de mérito, sob a qual se operou a coisa julgada, quando tal decisão se pendeu pelo caminho da inconstitucionalidade.

Tal afirmação se dá justamente porque não há segurança jurídica eficaz e efetiva se seus componentes, e aqui, no tocante à coisa julgada, não estiverem em consonância.

No mesmo sentido, não se pode admitir que haja segurança jurídica

(29)

se houver coisa julgada eivada de inconstitucionalidade.

Desconsiderada a possibilidade de ajuizamento de ação rescisória, indaga-se, qual seria a alternativa para evitar que se faça a coisa julgada inconstitucional? Ainda, outra indagação se faz insistir. Haveria a possibilidade de se desconstituir coisa julgada se apenas contrária à lei?

Embora a resposta nos pareça complexa, Sérgio Bermudes, em obra já citada, coordenada por Cármen Lúcia, aponta uma possível solução a fim de tentar equalizar a questão16:

Sem dúvida, devem-se aperfeiçoar os meios hábeis a prevenir as sentenças aberrantes. Um deles será aumentar será aumentar a qualidade da jurisdição, porque, como mostra a experiência, o fator determinante da prestação jurisdicional escandalosa é a precariedade em todos os níveis, materiais, humanos, morais, de exercício da função estatal de fazer justiça.

Neste passo, pode-se constatar que segurança jurídica, repise-se, é composta de ingredientes fundantes e essenciais a fim de se fazer valer o mais justo direito e com ela conduzir a sociedade no caminho da paz social equânime e justa.

Na seara da Justiça Laboral e, com o fito único de ilustração, trazemos para compor este estudo uma visão global da jurisprudência, no que pertine aos termos direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada a ensejar a segurança jurídica.

São quatro as súmulas que receberam o numeral 248 - 315 - 316 e 317 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho que, em cujo enunciado, trazem referências ao direito adquirido, independentemente de cancelamentos ou mantença de seus verbetes, conforme se transcreve, in verbis:

SUM-248 ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. DIREITO ADQUIRIDO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - A reclassificação ou a descaracterização da insalubridade, por ato da autoridade

(30)

competente, repercute na satisfação do respectivo adicional, sem ofensa a direito adquirido ou ao princípio da irredutibilidade salarial.

SUM-315 IPC DE MARÇO/1990. LEI Nº 8.030, DE 12.04.1990 (PLANO COL-LOR). INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - A partir da vigência da Medida Provisória nº 154, de 15.03.1990, convertida na Lei nº 8.030, de 12.04.1990, não se aplica o IPC de março de 1990, de 84,32% (oitenta e quatro vírgula trinta e dois por cento), para a correção dos salários, porque o direito ainda não se havia incorporado ao patrimônio jurídico dos trabalhadores, inexistindo ofensa ao inciso XXXVI do art. 5º da CF/1988.

SUM-316 IPC DE JUNHO/1987. DECRETO-LEI Nº 2.335/1987 (PLANO BRES-SER). EXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO (cancelamento mantido) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - É devido o reajuste salarial decorrente da incidência do IPC de junho de 1987, correspondente a 26,06% (vinte e seis vírgula zero seis por cento), porque este direito já se havia incorporado ao patrimônio jurídico dos trabalhadores quando do advento do Decreto-Lei nº 2.335/1987.

SUM-317 URP DE FEVEREIRO/1989. LEI Nº 7.730/1989 (PLANO VERÃO). E-XISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO (cancelamento mantido) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 - A correção salarial da URP de fevereiro de 1989, de 26,05% (vinte e seis vírgula zero cinco por cento), já constituía direito adquirido do trabalhador, quando do advento da Medida Provisória nº 32/1989, convertida na Lei nº 7.730/1989, sendo devido o reajuste respectivo.

Não é diferente com relação à coisa julgada. O Tribunal Superior do Trabalho trata a questão nos enunciados das súmulas números 397 e 401, conforme se pode compreender da transcrição abaixo, in verbis:

(31)

de segurança, no caso de descumprimento do art. 572 do CPC.

SUM-401 AÇÃO RESCISÓRIA. DESCONTOS LEGAIS. FASE DE EXECUÇÃO. SENTENÇA EXEQÜENDA OMISSA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 81 da SB-DI-2) - Res. 137/2005 – DJ 22, 23 e 24.08.2005 - Os descontos previdenciários e fiscais devem ser efetuados pelo juízo executório, ainda que a sentença exeqüenda tenha sido omissa sobre a questão, dado o caráter de ordem pública ostentado pela norma que os disciplina. A ofensa à coisa julgada somente poderá ser caracterizada na hipótese de o título exeqüendo, expressamente, afastar a dedução dos valores a título de imposto de renda e de contribuição previdenciária.

Oportunas neste contexto as decisões judiciais, também emanadas da mais Alta Corte Especializada Trabalhista, agora no que diz respeito ao ato jurídico perfeito, in verbis:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. REINTEGRAÇÃO. DESPEDIDA IMOTIVADA. NULIDADE. DANO MORAL. ACÚMULO DE CARGO E FUNÇÃO. HORA EXTRA. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. MULTA CONVENCIONAL. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. INTEGRAÇÃO. SALÁRIO UTILIDADE. DESCONTO SALARIAL. SEGURO DE VIDA. FGTS. DIFERENÇA DE RECOLHIMENTO. DESPACHO MANTIDO POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO DESPROVIDO. A instituição dos termos do Plano de Desligamento Voluntário decorreu de acordo coletivo entabulado pela empresa e sindicato, consubstanciando a vontade das partes. Não conferir validade ao mesmo violaria a autonomia de vontade dos convenentes e afrontaria o ato jurídico perfeito, em evidente desrespeito à Carta Magna do país. A instituição dos termos do Plano de Desligamento Voluntário decorreu de acordo coletivo entabulado pela empresa e sindicato, consubstanciando a vontade das partes. Não conferir validade ao mesmo violaria a autonomia de vontade dos convenentes e afrontaria o ato jurídico perfeito, em evidente desrespeito à Carta Magna do país. (grifamos)

Processo: AIRR - 55041-18.2008.5.02.0251 Data de Julgamento: 28/04/2010, Relatora Ministra: Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/05/2010. In

<http://aplicacao5.tst.jus.br/consultaunificada2/jurisSearch.do> Acesso em 27.01.2012.

(32)

DO FGTS. RESPONSABILIDADE. ATO JURÍDICO PERFEITO. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 341 DA SBDI-1 DO TST - PRESCRIÇÃO QUINQUENAL - ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. COISA JULGADA. ACORDO JUDICIAL - REFLEXOS DO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE NAS HORAS EXTRAS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. "No que diz respeito à outra irresignação da embargante, no sentido de que o acórdão foi omisso, uma vez que manteve a r. decisão recorrida quanto à procedência do pedido de diferença da multa rescisória do FGTS em razão da não incorporação dos reajustes dos expurgos inflacionários, sem, contudo, adentrar ao tópico recursal do ato jurídico perfeito, razão lhe assiste, uma vez que restou evidente a omissão quanto ao particular, vício que se passa a sanar. Todavia, em que pese à ocorrência da referida omissão, não procede à alegação de que o pagamento da multa por ocasião da resilição contratual tenha se revestido da característica de ato jurídico perfeito, pois, quando efetivado, não contemplou as diferenças postuladas nesta reclamatória. Com efeito, quando quitou a multa referida, a reclamada calculou-a sobre o saldo fornecido pela Caixa Econômica Federal, o qual, todavia, não incluía os reajustes reconhecidos na decisão embargada, aos quais o recorrido tinha direito. Portanto, paga a multa a menor, a quitação nessa condição não se reveste da mencionada característica de ato jurídico perfeito. Ademais, não há falar em ofensa ao ato jurídico perfeito, uma vez que, se o depósito não estava correto, ou seja, se lhe faltavam diferenças, o pagamento da multa sobre tais valores certamente não se deu de forma perfeita e acabada. (grifamos)

Processo: AIRR - 109740-44.2002.5.15.0109 Data de Julgamento: 05/05/2010, Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/05/2010.In <http://aplicacao5.tst.jus.br/consultaunificada2/jurisSearch.do>

Acesso em 27.01.2012.

Pode-se notar, com as citações supra que, no que pertine ao ato jurídico perfeito, o Tribunal Superior do Trabalho está a decidir também preocupado com a questão, já que neste campo, é o ato jurídico perfeito componente indispensável para se atingir a segurança jurídica.

(33)

1.6. O Efeito Vinculante, a Súmula Impeditiva de Recursos e a Transcendência do Recurso de Revista como Possíveis Soluções a Ensejar Credibilidade à Segurança Jurídica

Ao se apontar a problemática sobre a segurança jurídica, verifica-se preponderante listar alternativas que, ainda que sob o ponto de vista hipotético, possa ao invés de enfraquecer a tese que se debate, ao contrário, tentar solucionar ou ao menos apontar possíveis soluções para a sua viabilidade.

Vislumbra-se neste patamar se o efeito vinculatório da súmula e o formato existente da súmula impeditiva de recurso seriam alternativas a ensejar maior confiabilidade do jurisdicionado no Poder Judiciário e levá-lo à sensação de confortabilidade social.

A transcendência como pressuposto recursal específico a ensejar o cabimento do recurso de revista, também será objeto de analise.

Quanto ao efeito vinculante da súmula no Ordenamento Jurídico Nacional, é bom que se diga, ganhou primitivamente, força com a edição da Emenda Constitucional nº 3, de 18.03.1993, mais precisamente no § 2º do art. 102 da Carta da República, in verbis:

Art. 102 (...) § 2.º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo.

Mais tarde, com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 45, publicada em 31.12.2004, o referido dispositivo constitucional - § 2º do Art. 102 da Carta Maior ganhou nova redação e passou a integrar o ordenamento jurídico nacional com a redação até aqui em vigor, in verbis:

(34)

constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.

Importante que se faça aqui uma comparação do efeito vinculante atribuído às súmulas, sempre que necessário, entre os sistemas civil law e common Law.

No sistema common law, em que os Estados Unidos da América

figura como país integrante e que, como princípio maior, vislumbra-se o stare decisis, cujo fulcro basilar deste princípio é a atribuição de certa forma de eficácia

erga imnes e vinculabilidade às decisões, pode se entender que, já em decisão em

sede de primeiro grau, a questão do controle de constitucionalidade se faz premente.

Questão importante também é indagar quem seriam os destinatários do efeito vinculante da súmula e quão a totalidade da decisão se sujeitará à vinculabilidade.

Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se apresentam como destinatários potenciais e, por fim, a sociedade em geral.

É lugar comum asseverar que ao Executivo e Legislativo, as decisões vincularão a Administração Pública.

No campo do Judiciário, cabe aqui tecer comentário com maior aprofundamento. Isto porque, no Supremo Tribunal Federal, são 31 as súmulas com efeito vinculante editadas até a presente data.

Apenas para registro, o Supremo Tribunal Federal lança até a data de 15.08.2011, duas PSV’s de números 58 e 59, ou seja, proposta de súmula vinculante números 58 e 59.

(35)

ganharam o status de efeito vinculante, acenam no sentido de que, em mais ou

menos tempo, tais verbetes serão ao menos revistos e adequados a fim de que produzam seus efeitos e possam em sua totalidade, repercutir aos anseios sociais como normatização pacificadora garantidora, ainda que controvertida, da segurança jurídica nacional.

Vale lembrar que, ainda há de se encontrar certa resistência entre decisão vinculadora e os demais órgãos do judiciário, bem assim os graus inferiores de jurisdição que defendem o princípio do livre convencimento do juiz.

Noutro patamar, se faz mister analisar o quão da decisão vincula, vale dizer, inclusive, que parte do decisum vincula?

Para José Joaquim Gomes Canotilho, apenas a parte dispositiva da decisão vincula17.

Ao contrário, Luiz Favoreu afirma que o Conselho Constitucional da França, decidiu em 1.962 que a decisão por se tratar de questão de controle não deve somente se ater à questão dispositiva da decisão, mas sim, aos motivos que a fizeram concluir a ratio decidendi, ou holding como se denomina nos Estados

Unidos, ou ainda tragende Gründe para os Alemães18.

Para Samuel Meira Brasil Jr., a questão está superada, relata o cientista o seguinte19:

O que vincula, portanto, não é a parte dispositiva da decisão - para isso já existe a coisa julgada -, mas os fundamentos jurídicos que autorizam a conclusão. Em outras palavras, o que vincula é a tese jurídica (denominada, às vezes de regra de direito ou de princípio jurídico) que se encontra na ratio decidendi (ou holding).

É de se ressaltar que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal já reconhece e utiliza o termo para determinar qual a parte relevante da decisão

17 Direito constitucional, p. 1069.

(36)

capaz de, eficazmente, fazer valer o efeito vinculante da decisão, conforme se pode concluir pela decisão20, in verbis:

EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO A RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279 E 283 DESTA COLENDA CORTE. Nenhum juízo de Direito Positivo foi externado pela instância de segundo grau, mas, tão-somente, um juízo de fato: o acontecimento do mundo empírico ou factual em que se baseou o pedido indenizatório não se verificou. Pretendido reexame de questão de fato, e não de direito. Ainda que assim não fosse e que se tratasse de valoração de provas, como pretende a parte agravante, haveria óbice à abertura da via extraordinária. É que, nesta hipótese, a controvérsia estaria restrita ao âmbito infraconstitucional. Precedentes. Existência de fundamento no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que não foi atacado pelos agravantes. Fundamento que não se reduz a simples obter dictum. Antes, é premissa que não pode ser

eliminada sem afetar o conteúdo da decisão recorrida. Desta maneira, integra a ratio decidendi do Tribunal de origem. Agravo regimental a que se nega provimento. RE-AgR 363782/SP, 1ª T. Rel. Ministro Carlos Britto, j. 14-3-2006, v.u.

Já a questão da súmula impeditiva de recursos insculpida no § 1º do art. 518 do Código de Processo Civil, é outro mecanismo que gera controvertidas discussões, in verbis:

Art. 518. Interposta a apelação, o juiz, declarando os efeitos em que a recebe, mandará dar vista ao apelado para responder. § 1o O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal.

Num primeiro momento, vale ressaltar que, como já mencionado, a intenção é de agilizar o trâmite dos processos que adentram o judiciário em suas mais diferentes esferas.

20Disponível em:

(37)

Em 27.08.2003, o Ministro Vantuil Abdala relatou através de notícia publicada pelo Tribunal Superior do Trabalho que a súmula impeditiva de recursos seria ineficaz. O então presidente do maior órgão judicante laboral especializado assim asseverou21: “Súmula impeditiva de recursos é uma forma de tergiversar

sobre a questão. Se somos contra a súmula vinculante, não vamos adotá-la, mas a súmula impeditiva de nada adiantará para resolver a questão.”

Mais adiante, agora em 2006, o Ministro Presidente do TST na época, Ronaldo Lopes Leal, já cogitava ser favorável à súmula impeditiva de recursos, conforme se pode compreender de seu dizer22:

Também cogitamos a possibilidade de que se crie, na complementação da reforma do Poder Judiciário, a súmula impeditiva de recursos, que impediria a interposição de novos recursos a respeito de matérias já decididas por meio do controle concentrado e transformada em súmula pelo Tribunal Pleno.

O que se pretende com esta pesquisa, ao se tratar da possibilidade da aplicação da súmula impeditiva de recurso no processo do trabalho é, tão somente, de apontar quais os mecanismos estão dispostos no ordenamento processual a fim de que o maior anseio da sociedade se evidencie, ou seja, a solução dos conflitos em tempo razoável.

Por essa razão, despiciendo destacar que as questões como: acesso à jurisdição; constitucionalidade da súmula impeditiva de recurso; do contraditório; da ampla defesa; do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição embora importantes, descabem sob a ótica desta pesquisa. Por isso foram apontados supra dois pronunciamentos diversos de dois ilustres ex-presidentes do Tribunal Superior do Trabalho quando da época em que se aflorava a discussão.

No que pertine à transcendência do recurso de revista, com firme

21Disponível em:

<http://ext02.tst.jus.br/pls/no01/NO_NOTICIAS.Exibe_Noticia?p_cod_noticia=2703&p_cod_area_notic ia=ASCS&p_txt_pesquisa=s%FAmula%20impeditiva> Acesso em 17.08.2011.

22Disponível em:

(38)

propósito de obstar a interposição deste recurso, cuja natureza se verifica extraordinária, foi publicada a Medida Provisória nº 2226/01, que acrescentou o art. 896-A na Consolidação das Leis do Trabalho, in verbis:

Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista, examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.226, de 4.9.2001)

Ocorre que, incumbe ao TST à difícil tarefa de regulamentar a matéria sendo que em 2009, sob a presidência do Ministro Milton de Moura França, foi editada a Resolução Administrativa nº 1360/09, in verbis23:

Art. 1° Fica constituída Comissão Temporária, integrada pelos Exmos. Srs. Ministros João Oreste Dalazen (Presidente), Ives Gandra Martins Filho, Brito Pereira, Maria Cristina Irigoyen Peduzzi e Lelio Bentes Corrêa, destinada a estudar a viabilidade da regulamentação interna do disposto no art. 896-A da CLT, que instituiu o critério de transcendência para o exame prévio no Recurso de Revista.

Até a presente data o TST não regulamentou a matéria.

Diante destas considerações importa observar que a transcendência do recurso de revista foi instituída, embora ainda não regulamentada, com o propósito de diminuir a quantidade de sua interposição e com isso enxugar-se a Máquina Judiciária Especializada Trabalhista.

Porém, uma indagação há de ser feita: regulamentada a transcendência haverá uma diminuição na quantidade de interposição do recurso de revista? Se não houver regulamentação do tema pelo TST o que se poderá fazer para diminuir o tempo de duração do processo sem quebra da garantia da segurança jurídica?

Para o Ministro Pedro Paulo Teixeira Manus, em entrevista aduz o

(39)

seguinte24:

Eu acho que é preciso encontrar um modo de permitir que se recorra ao TST, mas estabelecendo o espírito que a legislação pretendia. (...) Então, eu acho que a preocupação com a transcendência ou com o nome que venha a ter no futuro, é fundamental. Eu vou fazer um parêntese: eu não acho que com regra processual a gente consiga resolver o problema. Quer dizer, dentro do Judiciário nós podemos minimizar o volume de recursos, mas o que eu acho é que, primeiro essa litigiosidade precisava ser contida extrajudicialmente. Segundo, era preciso que nós tivéssemos instâncias extrajudiciais seguras, para que os problemas fossem resolvidos. Questões que são aritméticas ou matemáticas não têm que vir aqui. Quer dizer, precisaríamos ter ou comissão de conciliação prévia ou conselho de arbitragem seguros, que permitissem as pessoas resolverem esses problemas.

Como se pode observar, o fenômeno da transcendência gera ainda muitas dúvidas e sua regulamentação pode não surtir os efeitos esperados pela sociedade.

Como alternativa para diminuir a quantidade de processos que encharca o Poder Judiciário Nacional, se pode apostar, como vimos, nas formas extrajudiciais de composição. O que também pensamos, data venia, ser uma

solução.

Importante que se diga que o simples obstar de processos nos Tribunais em si somente não representa o anseio social. É preciso que a litigiosidade seja cabalmente resolvida gerando paz social. Para tanto os princípios fundamentais de Direito, necessariamente devem ser respeitados. O que nos parece ser a preocupação dos Tribunais Superiores e destes especificamente a do Tribunal Superior do Trabalho.

24 In: Apontamentos sobre a transcendência do recurso de revista. Dissertação de mestrado: São

(40)

2. PODER E GARANTIAS PROCESSUAIS PRINCIPIOLÓGICAS

Uma das maiores dificuldades que encontramos ao debruçarmo-nos sobre o tema poder é saber de sua origem.

Francisco Sá Filho lançou mão de uma frase que bem retrata a questão25: “A origem do poder é um dos mistérios da história”.

Tal afirmação, data venia, há que ser interpretada no sentido de que

o termo Poder, não seja passível de conceito fechado.

Cremos realmente que não. Se, conforme o autor, não há como saber sequer sua origem, quanto mais seu conceito de maneira a exprimir tudo o que o termo pode abarcar.

Isto explica fundamentalmente o quão aberto é a questão no sentido de se buscar cientificamente o significado da expressão Poder.

No momento em que as atenções estão voltadas para as soluções jurídicas justas, céleres e equânimes, as decisões judiciais assumem tal incumbência.

Assim, a preocupação em ressaltar o resultado útil e adequado da prestação jurisdicional se torna cada vez mais importante.

Daí, retome-se, a dificuldade já no campo conceitual. Claude Raffestin caminhou neste sentido ao sacramentar a seguinte frase26: “se há uma palavra profundamente rebelde a toda definição certamente esta é poder”. No entanto, jamais se manteve satisfeito com todo ou qualquer pensamento científico que pudesse expressar a conceituação de poder.

(41)

O tema aqui se revela importante eis que se trata de uma das razões deste trabalho, quer seja, a busca da satisfação do jurisdicionado por meio das decisões judiciais de qualidade.

Neste estudo, buscaremos tratar do assunto sem a preocupação de tecer um maior aprofundamento sobre Poder e se equilíbrio estrutural e até mesmo nas funções e controles de atuação dos poderes.

Neste escopo, é mister que se ressalte que, se falamos em crise do judiciário atrelada à crise do Estado por conseguinte, não se pode deixar de mencionar a busca da delimitação do poder do soberano, evidentemente, com forte dose de pensamento filosófico-jurídico nas mais diferentes formas de governo a que se submete a sociedade.

2.1. Princípio da Separação dos Poderes e as Funções dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo

Neste campo e, ainda mais por se tratar de tema relacionado ao campo do Direito, especificamente, desde já pedimos a devida venia para apontar

alguns conceitos já demasiadamente sabidos, porém, por se tratar de assunto de extrema pertinência a esta pesquisa, pedimos permissão para o truísmo.

O princípio da separação dos poderes ou teoria da separação dos poderes ou ainda da tripartição dos poderes do estado, desenvolvido política-cientificamente por Charles Louis de Montesquieu, em 1748, visou moderar o Poder do Estado dividindo-o em funções, dando-se competências a órgãos diferentes do Estado27.

No entanto, há cerca de um século antes, teses de John Locke, acenavam no sentido de que a ideia da possibilidade de se fracionar o poder estatal atribuindo-lhes funções distintas e independentes já se mostrava não inovadora,

27 O Espírito das Leis.

(42)

conforme Derek Johnston retrata em uma de suas relevantes obras filosóficas28.

Montesquieu aborda as relações que as leis possuem com a natureza e os princípios de cada governo, desenvolvendo a teoria de governo que alimenta a ideia do constitucionalismo, que, em síntese, busca distribuir a autoridade por meios legais, de modo a evitar o arbítrio e a violência.

Tais pensamentos vão, em prol da melhor definição de separação dos poderes, hoje uma das pedras angulares do exercício do poder democrático, tendo descrito, cuidadosamente, a separação dos poderes em Executivo, Judiciário e Legislativo.

Na visão de Montesquieu o Poder Executivo seria exercido por um rei, com direito de veto sobre as decisões do parlamento.

O poder Legislativo, convocado pelo executivo, deveria ser separado em duas casas: o corpo dos comuns, composto pelos representantes do povo, e o corpo dos nobres, formado por nobres, hereditário e com a faculdade de vetar as decisões do corpo dos comuns.

Essas duas casas teriam assembléias e deliberações separadas, assim como interesses e opiniões independentes.

Sobre o abuso do poder, o autor frisa que "só o poder freia o poder",

no chamado "Sistema de Freios e Contrapesos" (checks and balances), daí a

necessidade de cada poder manter-se autônomo e constituído por pessoas e grupos diferentes29.

É neste contexto que analisaremos a função dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Poder legislativo é o poder do Estado ao qual, segundo o princípio

28 História concisa da filosofia: de Sócrates a Derrida,

(43)

da separação dos poderes, é atribuída à função de elaboração de normas.

Nos Estados modernos o poder legislativo é formado por:

(a) um parlamento em nível nacional;

(b) parlamentos dos estados federados, nas federações;

(c) eventuais órgãos análogos ao parlamento, de regiões e outras entidades territoriais às quais se reconhece autonomia legislativa.

A função precípua do poder legislativo é elaborar normas de direito de abrangência geral ou individual que são aplicadas a toda sociedade, objetivando sua satisfação.

Entre as funções elementares do poder legislativo está a de fiscalizar o poder executivo, votar leis orçamentárias, e, em situações específicas, julgar determinadas pessoas, como o Presidente da República ou os próprios membros da assembléia.

No Brasil, fato notório, os legisladores são escolhidos por meio de eleição.

A função do Executivo é a de realização do modo determinante da norma. Trata-se do dever de se fazer o exato cumprimento do ditame legal.

Nos Municípios, ciência evidente, o poder executivo é representado pelo prefeito.

Nos Estados, não menos evidente, o poder é exercido pelo governador. O Presidente da República é o principal representante do Poder Executivo.

(44)

que o compõem, formando assim os graus de jurisdição.

O primeiro grau de jurisdição corresponde ao órgão que irá primeiramente analisar e julgar a ação distribuída ao Poder Judiciário.

Os demais graus apreciam as decisões proferidas pelos graus inferiores a ela, e sempre o fazem em órgãos colegiados, ou seja, por um grupo de juízes que participam do julgamento.

Devido ao princípio do duplo grau de jurisdição, as decisões proferidas em primeira instância poderão ser submetidas à apreciação de instância superior, dando oportunidade às partes conflitantes de obterem o reexame da matéria.

Por oportuno e, com a devida venia, enfatize-se o que se abordou no

capítulo I desta pesquisa, acerca da súmula impeditiva de recursos e o reclame social para um judiciário mais célere e qualitativo.

Às instâncias superiores, cabe, também, em decorrência de sua competência originária, apreciar determinadas ações que, em razão da matéria, lhes são apresentadas diretamente, sem que tenham sido submetidas, anteriormente, à apreciação do juízo inferior.

A competência originária dos tribunais está disposta na Constituição Federal.

A organização do Poder Judiciário está fundamentada na divisão da competência entre os vários órgãos que o integram nos âmbitos, Estadual e Federal.

(45)

2.2. Possibilidade de Confronto entre as Funções dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e o Princípio da Harmonia

É preambular e indispensável tratar do presente tema abordando-se o disposto no art. 2º da Suprema Carta Federal que, elenca serem os Poderes da União: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

Entretanto, não menos importante é salientar que tais poderes são, sobretudo independentes. No entanto, devem atuar de forma hamônica.

Aliás, o art. 2º da Carta Suprema traz em seu texto as expressões “hamônicos entre si”.

Relevante a citação do referido artigo, in verbis: “... Art. 2º São

Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Não difícil, justamente por se tratar de Poder, é haver possíveis conflitos na emanação de atribuição de cada um dos Poderes e, assim, vez por outra, a interferência de um noutro.

Por essa razão, na própria Constituição Federal Nacional já há previsões que se pode entender como controle entre poderes constituídos, como por exemplo:

a) previsão constitucional do VETO do Poder Executivo em relação ao projeto aprovado pelo órgão legislativo é um dos exemplos mais difundido de forma de controle da atividade típica do Poder Legislativo por parte do Executivo.

Veja-se o teor dos arts. 66, §1° e inciso V do art. 84 da CF/88, in verbis:

(46)

aquiescendo, o sancionará. § 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto. Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: V - vetar projetos de lei, total ou parcialmente;

b) como exemplo de controle do Poder Executivo exercido em relação ao Poder Judiciário, pode ser citada a faculdade atribuída ao Presidente da República (CF/88, art. 84, XII), para a concessão de indulto e comutação de penas, que pode ser utilizada como forma de controle de correção da atividade jurisdicional,

quando não motivada a decisão, apenas pelo juízo de conveniência e oportunidade, mas inspirado, o Chefe do Executivo, pelo caráter controvertido, juridicamente, da sentença condenatória judicial.

Veja-se o insculpido no art. 84 da CF/88, in verbis: “Art. 84 CF/88 - XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei”;

c) como exemplo de controle do Poder Judiciário em relação ao Poder Legislativo, temos o controle da constitucionalidade das leis produzidas pelo Legislativo. Aqui o Poder Judiciário, no exercício de sua função típica exerce o

controle de correção, determinando inclusive a suspensão da execução de lei

inconstitucional.

d) como exemplo de controle do Poder Judiciário em relação ao Poder Executivo, temos também o controle de constitucionalidade, porque o Chefe do Executivo poderá ter sancionado uma norma inconstitucional, ou poderá ter editado uma medida provisória, ou mesmo um decreto inconstitucional.

e) controle do Poder Judiciário e do Poder Legislativo em relação ao Poder Executivo: processo do “impeachment”.

Referências

Documentos relacionados

Detectadas as baixas condições socioeconômicas e sanitárias do Município de Cuité, bem como a carência de informação por parte da população de como prevenir

•   O  material  a  seguir  consiste  de  adaptações  e  extensões  dos  originais  gentilmente  cedidos  pelo 

iv. Desenvolvimento de soluções de big data aplicadas à gestão preditiva dos fluxos de movimentação portuária de mercadorias e passageiros. d) Robótica oceânica: criação

1595 A caracterização do repertório de habilidades sociais dos alunos do Grupo com Baixo Desempenho Acadêmico (GBD) e do Grupo com Alto Desempenho Acadêmico (GAD),

2 - OBJETIVOS O objetivo geral deste trabalho é avaliar o tratamento biológico anaeróbio de substrato sintético contendo feno!, sob condições mesofilicas, em um Reator

Os interessados em adquirir quaisquer dos animais inscritos nos páreos de claiming deverão comparecer à sala da Diretoria Geral de Turfe, localizada no 4º andar da Arquibancada

Nas últimas décadas, os estudos sobre a fortificação alimentar com ferro no país têm sido conduzidos na tentativa de encontrar uma maneira viável para controle da anemia

O enfermeiro, como integrante da equipe multidisciplinar em saúde, possui respaldo ético legal e técnico cientifico para atuar junto ao paciente portador de feridas, da avaliação