UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
COMUNICAÇÃO SOCIAL – PUBLICIDADE E PROPAGANDA
AMANDA MENEZES PEREIRA COSTA
EMPREENDEDORISMO DIGITAL FEMININO E OS PROCESSOS ENVOLVIDOS NA CRIAÇÃO DE INFOPRODUTOS
NATAL/RN 2021
AMANDA MENEZES PEREIRA COSTA
EMPREENDEDORISMO DIGITAL FEMININO E OS PROCESSOS ENVOLVIDOS NA CRIAÇÃO DE INFOPRODUTOS
Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Comunicação Social, com habilitação Publicidade e Propaganda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Orientador: Prof. Dr. Luiz Fernando Dal Pian Nobre.
NATAL/RN 2021
AMANDA MENEZES PEREIRA COSTA
EMPREENDEDORISMO DIGITAL FEMININO E OS PROCESSOS ENVOLVIDOS NA CRIAÇÃO DE INFOPRODUTOS
Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Comunicação Social, com habilitação Publicidade e Propaganda, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Orientador: Prof. Dr. Luiz Fernando Dal Pian Nobre.
Aprovada em: ______/______/______
BANCA EXAMINADORA
______________________________________
Prof. Dr. Luiz Fernando Dal Pian Nobre Orientador
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
______________________________________
Prof. Me(a). Raquel Assunção Oliveira Membro interno
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
______________________________________
Prof. Dr. Josenildo Soares Bezerra Membro interno
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
AGRADECIMENTOS
Existe uma frase que verdadeiramente acredito, que diz: “Sozinhos podemos ir mais rápido, mas juntos vamos muito mais longe”. Se existe algo em que posso ser grata em minha vida, são as pessoas que tenho ao meu lado e que tive o prazer de conhecer durante a minha jornada. Mas, nesta estação de conclusão de curso, pessoas em específico merecem a minha honra.
Em primeiro lugar, a Deus, porque essa é a posição que Ele ocupa em todas as áreas da minha vida. Tudo o que sei, tenho, e o que faço, não vem das minhas próprias forças, mas sim dele.
Agradeço pela minha família e em específico os meus pais, Aline e Judson que nunca mediram esforços pra me dar oportunidades de estudo. Não consigo mensurar o meu amor por eles e o quanto são importantes pra mim.
Ao meu marido, Guillermo, com quem compartilhei sala de aula na universidade e hoje compartilho um lar e a vida toda. Seu apoio incondicional, sua compreensão, paciência, cuidado e capacidade de abraçar todos os meus processos (principalmente os mais vulneráveis) são constrangedores. Amo-te muito.
Sou grata pela minha igreja, Comunidade Cristã Videira, que para muitos é um lugar para ir aos domingos, mas para mim, é uma segunda casa. Lugar que me desafia a ser melhor, que aprendi muito do que sei, onde me tornei uma pessoa mais serva e passei a amar viver em comunidade. Sou grata a cada líder que tenho e amigos que ganhei por causa desse lugar. Todos são peças fundamentais na minha vida.
Em específico, sou grata a minha amiga Thalita, companheira de todos os momentos, dos mais felizes aos regados de lágrimas, na universidade. Sua lealdade é rara e é um prazer ter você em minha vida para além do Labcom!
Agradeço aos professores que tive a oportunidade de aprender junto durante esses anos, em especial ao meu orientador, Dal Pian, por ter aceitado ser meu orientador, mesmo eu dando trabalho, e também a Marcela Costa. Seus momentos em sala de aula eram alívio durante a rotina corrida da faculdade. Obrigada por ser muito mais do que uma excelente professora, mas em diversos momentos uma verdadeira amiga e conselheira.
Obrigada a todos, com todo o meu coração.
RESUMO
Ao longo do tempo, podemos observar a árdua jornada da mulher na luta pelo seu espaço no mercado de trabalho. As circunstâncias envolvendo a primeira e segunda guerra mundial e a revolução industrial foram marcos importante para que elas se fizessem essenciais no meio trabalhista. Muitas foram às conquistas, mas até nos tempos atuais, as mulheres continuam enfrentando desafios nesta área. O empreendedorismo surge para elas como uma saída tanto para a falta de oportunidades de emprego, como para conquistarem sua independência financeira.
O Marketing Digital se torna uma plataforma acessível e com bom alcance para que os planos sejam tirados do papel, e esta pesquisa tem como objetivo entender os processos envolvidos em específico das mulheres que atuam na área de criação de Infoprodutos, conhecendo o trabalho de três empreendedoras digitais e encontrando pontos em comum entre elas. Os resultados levantados revelaram que alguns pontos como a definição de processos, ouvirem a audiência, organização, e criar com intencionalidade, são comuns nas jornadas das criadoras.
Palavras-Chave: Mulheres. Mercado de trabalho. Empreendedorismo. Marketing Digital. Infoprodutos.
ABSTRACT
Over time, we can observe the arduous journey of women in the struggle for their space in the job market. The circumstances surrounding the First and Second World War and the industrial revolution were important milestones for them to become essential in the labor environment. There were many achievements, but even today, women continue to face challenges in this area. Entrepreneurship appears to them as a way out of both the lack of job opportunities and the achievement of financial independence. Digital Marketing becomes an accessible platform with good reach so that plans are taken off the ground, and this research aims to understand the processes involved in specific women who work in the area of creation of Infoproducts, knowing the work of three entrepreneurs and finding common ground between them. The surveyed results revealed that some points such as the definition of processes, listening to the audience, organization, and creating with intentionality, are common in the creators' journeys.
Keywords: Women. Labor market. Entrepreneurship. Digital marketing. Infoproducts.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – mulheres fabricando munições em Londres, 1916. ... 14
Figura 2 – Gráfico da pesquisa realizada pelo GEM sobre empreendedorismo segundo o sexo no Brasil. ... 17
Figura 3 – Bruna Maria, 21 anos, Empreendedora Digital... 25
Figura 4 – Captura da tela do perfil da FavBranding, no Instagram ... 26
Figura 5 – Milena Camila, 20 anos, empreendedora digital. ... 27
Figura 6 – Capa de um dos ebooks criados por Milena e disponibilizado de forma gratuita no perfil da Triwer. ... 28
Figura 7 – Clara do Vale, 29 anos, empresária no segmento de Educação... 29
Figura 8 – Captura da tela de uma das aulas online ministradas por Clara e seu marido, Ed. ... 30
LISTA DE ABREVIATURAS
CETIC Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento Sociedade da Informação
CNMT Comissão Nacional Sobre a Questão da Mulher Trabalhadora GEM Global Entrepeneurship Monitor
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas TTE Taxa Total de Empreendedorismo
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 10
1.1 OBJETIVO GERAL ... 11
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 11
1.3METODOLOGIA... 12
2 A TRAJETÓRIA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO E SUA PRESENÇA NO EMPREENDEDORISMO ... 13
1.4A MULHER EMPREENDEDORA: UM SONHO OU UMA NECESSIDADE? ... 16
3 OS PRODUTOS DIGITAIS (INFOPRODUTOS) ... 18
3.1 O PRODUTO ... 18
3.2 O INFOPRODUTO ... 19
3.3COMO É CRIADO UM INFOPRODUTO? ... 20
3.4 QUAIS OS FORMATOS QUE PODEM SER PRODUZIDOS UM INFOPRODUTO? ... 21
3.5 COMO É FEITA A DISTRIBUIÇÃO DE UM INFOPRODUTO? ... 22
3.6 O MERCADO ... 22
4 DIALOGANDO COM AS CRIADORAS DE INFOPRODUTOS ... 24
4.1 ENTREVISTAS ... 24
4.1.1 Bruna Maria ... 24
4.1.2 Milena Camila ... 26
4.1.3 Clara Do Vale ... 29
4.2 O QUE PODE SE APRENDER SOBRE OS PROCESSOS DA CRIAÇÃO DE INFOPRODUTOS ... 31
4.2.1 Definição dos Processos ... 32
4.2.2 Ouvir a audiência... 32
4.2.3 Criar com intencionalidade ... 32
4.2.4 É necessário organização ... 33
4.2.5 Os hobbies podem se tornar fonte de renda ... 33
4.2.6 O empreendedorismo pode gerar liberdade ... 33
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 34
REFERÊNCIAS ... 35
APÊNDICE ... 37
1 INTRODUÇÃO
A palavra “empreendedor” vem do francês e traz como significado “aquele que assume riscos e começa algo novo” (DORNELAS, 2008, p. 29). Muito se fala sobre Empreendedorismo nos últimos tempos, um conceito que vem sendo bastante difundido no Brasil, mas pouco se sabe como o termo surgiu. E para compreendê-lo no âmbito digital, é necessário voltar à sua origem.
José Carlos Assis Dornelas em seu livro “Empreendedorismo - Transformando ideias em negócios”, versa uma breve linha do tempo de como o termo configurou-se ao passar dos anos. Na Idade Média, era definido como empreendedor quem gerenciava grandes projetos, não necessariamente assumindo riscos (papel que se encaixa mais como o de um Administrador); no século XVII, o empreendedor era quem estabelecia acordos de prestação de serviços com o governo. Nesta época, o perfil começou a ser visto como alguém que arriscava; no séc. XVIII, a industrialização e o surgimento de investidores que apostaram em experimentos investindo neles, definitivamente separou o conceito e funções do administrador e do que empreende. Nos dois séculos seguintes, ainda houve confusão dos termos, pois ainda analisavam o empreendedor apenas do ponto de vista econômico, por isso, Dornelas (2008) frisa pontos que diferenciam aquele que empreende de um administrador, para ele o empreendedor são pessoas visionários, sábios nas decisões, fazem a diferença, exploram as oportunidades, são dinâmicos e dedicados.
Assim, podemos chegar em uma das definições mais recentes e aceitas para o termo Empreendedorismo, criada pelo pesquisador Robert D. Hisrich:
Empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. (HISRICH, 2004, p. 1).
Este processo de criar algo novo, cheio de riscos, mas que gera resultados, tem se difundido cada vez mais em diversos lugares do mundo, e no Brasil não é diferente. De acordo com o último levantamento da pesquisa Global Entrepeneurship Monitor realizada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) no ano de 2019, 52 milhões de brasileiros possuem
um negócio próprio, colocando-se na posição de quarto lugar na Taxa Total de Empreendedorismo (TTE) em disputa com todo o mundo (SEBRAE, 2020).
Dentre as modalidades que o empreendedor atua, podemos evidenciar uma área que está em constante crescimento: o Marketing Digital. A possibilidade de ter rentabilidade através da internet torna-se cada vez mais atrativa para aqueles que estão em busca de oportunidades, pois o dinheiro pode vir de qualquer pessoa do mundo, sem que precisemos sair de casa, basta ter acesso à internet. A promoção de produtos ou empresas no meio digital, desde suas primeiras aparições nos anos 90 com o surgimento dos mecanismos de busca, o primeiro e-commerce, e também os primeiros anúncios clicáveis, até hoje sofrem constantemente mutações na sua forma como podem acontecer.
Com o tempo, os meios sociais passaram a não só ser mais um lugar para que empresas propaguem e expandam a visibilidade de seus serviços ou produtos físicos, abriu a possibilidade de serem produzidos materiais não-físicos, tendo como foco informações valiosas de algum nicho, vendidos apenas em plataformas digitais, os chamados Infoprodutos. Eles, atrelados a sua criação por mulheres, serão abordados de forma específica nos capítulos seguintes.
1.1 OBJETIVO GERAL
Entender a trajetória de conquistas e desafios da mulher no mercado de trabalho, no empreendedorismo, e os processos envolvidos especificamente na criação de Infoprodutos pelas empreendedoras.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Entender o contexto histórico que envolve a inserção da mulher no mercado de trabalho;
Analisar os dados sobre empreendedorismo feminino e entender a razões para empreender;
Entender o que são os Infoprodutos e como funciona sua distribuição;
Encontrar pontos em comum nos processos de produção dos Infoprodutos das três empreendedoras entrevistadas.
1.3 METODOLOGIA
Este estudo se trata de uma pesquisa bibliográfica, buscamos entender de forma mais precisa, através de conteúdos externos (livros, matérias, artigos), sobre os assuntos que precisam ser abordados ao decorrer do trabalho. Simplificando a definição, Cervo (1983, p.55) diz que este tipo de pesquisa “busca conhecer e analisar as contribuições culturais ou cientificas do passado existentes sobre um determinado tema ou problema”.
Para recolher dados mais precisos para a análise dos processos envolvidos na criação dos infoprodutos, foi realizada uma pesquisa qualitativa com empresárias digitais que produzem este tipo de material. Foram escolhidas três mulheres para responder perguntas específicas sobre seus trabalhos, duas já possuem produtos lançados, mas foi escolhida também uma empreendedora que ainda está no processo de desenvolver os seus primeiros materiais, para ter a perspectiva de alguém que ainda está no caminho para seu primeiro lançamento.
O instrumento de pesquisa utilizado foi um questionário hospedado na ferramenta Google Forms e divulgado entre as participantes da pesquisa por meio das redes sociais, entre os dias 11 e 14 de abril de 2020.
2 A TRAJETÓRIA DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO E SUA PRESENÇA NO EMPREENDEDORISMO
Ocupar espaços no mercado de trabalho, até nos dias atuais, segue sendo um desafio para a mulher. Desde as primeiras civilizações, a mulher é colocada pela sociedade em um lugar de subordinação, sendo limitada aos cuidados do lar e criação dos filhos, enquanto o homem é colocado no papel de provedor do lar, consequentemente sendo visto como peça principal da estrutura familiar.
A presença do gênero no meio trabalhista teve seus primeiros indícios durante a Revolução Industrial, onde a necessidade de pôr mão de obra acelerada fez com que as mulheres fossem solicitadas no contexto das fábricas. Com o passar do tempo, mesmo empregadas de forma assalariada e reivindicando seus direitos, elas seguiam com salário e jornada desiguais e consequentemente adquirindo uma jornada de trabalho dupla, dividindo o seu emprego com as responsabilidades que possuíam em seus lares.
A reivindicação dos seus direitos tomou amplitude durante o período da Primeira Guerra Mundial, pois as mulheres estavam cada vez mais presentes no mercado para suprir a necessidade das funções que os homens enviados para a guerra não podiam exercer no momento. Entendia-se, a princípio, que elas seriam convocadas para trabalhos manuais como trabalhos com tecido, na área de educação ou saúde, mas acabaram sendo solicitadas para serviços tipicamente masculinos, como datilógrafas, condutoras de trens e até na fabricação de munições (figura 1). Com o passar do tempo, durante a Segunda Guerra as mulheres conquistaram o direito do alistamento e de ocupar cargos com serviços considerados mais complexos.
Figura 1 – mulheres fabricando munições em Londres, 1916.
Fonte: Google Imagens (2021).
No Brasil, a figura feminina passou a ser mais vista no mercado durante os anos 70, com o crescimento da economia e a industrialização crescendo a todo vapor, a presença da mulher era cada vez mais necessária. Junto disso, vieram eclodir também os ideais feministas no país, através dos movimentos e do início da participação do gênero na Central Única dos Trabalhadores (CUT) através da Comissão Nacional Sobre a Questão da Mulher Trabalhadora (CNMT) em 1986 (BATISTA, 2016). A CNMT tornava pauta no sindicato as demandas da classe, como discriminação, condições de trabalho e salários desiguais. A Constituição de 1988 pode ser considerada um marco na luta das mulheres pelo seu espaço, pois nela foi instituído:
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição (BRASIL, 1988, p. 1).
A mulher, enfim, perante a lei, é retirada do lugar de inferioridade em relação aos homens. Mas será que realmente esta visão foi igualada? Em dados de 2019, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a força de trabalho masculina era de 73,7%, enquanto a feminina era de 54%. Apesar disso, em comparação com o levantamento feito em 2012, o número referente à participação das mulheres no mercado de trabalho cresceu em 2,9 p.p (pontos
percentuais). A constatação parece boa, mas mesmo com este número em crescimento, a pesquisa também revela que ainda assim, existe desigualdade nos salários dos dois sexos. A matéria realizada pelo portal de notícias G1 cita a pesquisa:
Segundo o IBGE, a remuneração das mulheres foi menor em todas as faixas etárias. A menor diferença foi observada no grupo entre 14 e 29 anos – 10% a menos que os homens da mesma faixa de idade. Já no grupo de 60 anos ou mais, essa diferença saltou para 36%.Entre os principais grupos ocupacionais, as mulheres só tiveram salários maiores que os homens quando membros das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares – em média, elas receberam 5% a mais que os homens ocupando os mesmos cargos (SILVEIRA, 2020, p. 1).
A falta de programas de assistências para mulheres mães também justifica a menor carga horária, pois a necessidade de cuidar dos filhos as forçam a assumir jornadas de trabalho menores e consequentemente menos remuneradas, fato que reforça a necessidade, mesmo estando em tempos de constante evolução como sociedade, de termos os homens dividindo de forma mais igualitária as demandas do lar, tradicionalmente abarcada em sua maioria pelas mulheres.
Em 2020, a chegada da COVID-19 agravou mais ainda a situação do mercado de trabalho, tornando o contexto pior do que o que uma pandemia sozinha pode trazer por si só, ainda mais para a classe feminina (SILVA, 2020). O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizou uma pesquisa chamada “Mercado de Trabalho e Pandemia da Covid-19: Ampliação de Desigualdades já Existentes?”
que constatou que a participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos. Da crescente que vinha, o percentual caiu em 7 pontos, ficando com apenas 46,3%.
Em entrevista ao Jornal Nacional (2020), o pesquisador do IPEA Marcos Hecksher abordou razões consideráveis para esta queda:
O primeiro é que as mulheres estão em alguns dos setores que foram muito afetados. Segundo, elas têm uma carga maior de trabalho não remunerado em casa, esse trabalho aumentou na medida que as escolas ficaram fechadas e terceiro lugar elas foram mais beneficiadas com o auxílio- emergencial que tinha o objetivo de manter as pessoas em casa (JORNAL NACIONAL, 2020, p. 1).
E diante desse contexto, podemos destacar também a presença da mulher no mercado não como empregadas, mas no lugar de empreendedoras.
1.4 A MULHER EMPREENDEDORA: UM SONHO OU UMA NECESSIDADE?
Nunca se falou tanto sobre Empreendedorismo. A atitude de buscar desenvolver o seu próprio negócio através de criatividade e inovação tem sido a mentalidade de boa parte dos brasileiros. Como citado anteriormente, o país tem atingido uma marca impressionante de pessoas envolvidas com um negócio próprio e os dados existentes sobre as mulheres valem a pena serem citados.
A última pesquisa realizada pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM) sobre Empreendedorismo aponta que não existiu grande diferença percentual entre homens e mulheres em estágio inicial de seus negócios (figura 2). Porém, existe uma diferença entre as taxas de empreendedores consolidados, sendo 18,4%
homens e 13,9% mulheres. A pesquisa aborda as possíveis razões:
a) No passado, a atuação maior de homens na atividade empreendedora pode ter contribuído para a criação de um estoque de empreendedores estabelecidos com forte presença masculina. A inserção da mulher na atividade empreendedora, assim como em outras posições no mercado de trabalho, vem crescendo ao longo dos anos, mas as mulheres partem de uma base mais modesta de empreendedores estabelecidos; b) Na passagem dos empreendedores do estágio inicial para o estabelecido, parece haver um nível maior de abandono de mulheres do que de homens.
Isto, por sua vez, pode estar associado aos seguintes fatores: (i) negócios femininos menos longevos. Estes empreendimentos podem enfrentar maiores desafios e obstáculos. Neste ponto, deve-se destacar, por exemplo, uma concentração maior de mulheres em atividades como “serviços domésticos”, em que a concorrência tende a ser muito alta; (ii) considerando o tipo de motivação, no caso das mulheres, verificou-se, no passado, uma participação maior de empreendedoras por necessidade, quando comparado aos homens. Nesse caso, aparentemente, parte das mulheres busca o empreendedorismo como algo provisório, em momentos de piora da renda familiar, mas abandona posteriormente a atividade empreendedora quando há uma melhora da renda familiar; (iii) outros aspectos socioculturais, como o maior envolvimento das mulheres com as obrigações domésticas. Conforme os dados do IBGE, em 2018 no Brasil a taxa de realização de afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas entre as mulheres foi de 93% enquanto entre os homens foi de 80,4%. O tempo em que as mulheres dedicaram a essas atividades por semana foi em média de 21,3 horas, aproximadamente o dobro do que os homens gastaram (10,9 horas). Mesmo trabalhando fora, as mulheres cumpriam em média 8,2 horas a mais com essas atividades que os homens também ocupados (GEM, 2019, p. 41).
Figura 2 – Gráfico da pesquisa realizada pelo GEM sobre empreendedorismo segundo o sexo no Brasil.
Fonte: GEM Brasil (2019).
A pesquisa aponta mais em específico os motivos para empreender, e a razão “escassez de emprego” é a mais escolhida pelos negros e também pelas mulheres. Apesar disso, as mulheres também em maioria escolheram a opção “fazer a diferença no mundo”, entretanto, a proporção desta opção é maior entre pessoas jovens e brancas (SEBRAE, 2020).
Tendo em vista os dados apresentados e a grande ênfase no empreendedorismo hoje em dia por parte de grandes organizações, empresários de sucesso, e até governos, é válido levantar questões: O Empreendedorismo é encorajado porque os incentivadores acreditam no potencial das pessoas e na vantagem que empreender traz, ou podemos considerar também como um escape da responsabilidade e da realidade da falta de oportunidades de emprego, que atinge principalmente as minorias? Mulheres são absolutamente capazes em todos os sentidos de idealizar, concretizar e comandar seus próprios projetos com êxito e isso deve ser enfatizado e valorizado, porém não se pode ignorar que todas também devem possuir o dever de escolha de seguir este rumo ou não, tendo acesso a oportunidades de emprego dignos e igualitários, assim como toda a assistência necessária em relação aos seus trabalhos não remunerados em que se envolve em seu lar.
No capítulo seguinte, será abordado um dos meios em que as mulheres estão mais empreendendo e sendo atuantes: O digital, e de forma mais específica, a criação e comercialização de Infoprodutos.
3 OS PRODUTOS DIGITAIS (INFOPRODUTOS)
Com o advento da tecnologia que acarretou uma facilidade para a criação de novas perspectivas de inovação em diversas áreas do conhecimento, o desenvolvimento exponencial da tecnologia ligada à computação foi inevitável e visível. Com isso, houve um crescimento ainda maior no que diz respeito ao uso da internet e sua relação com a maneira como o ser humano se relaciona e lida com seu dia a dia. O mundo antes visto de maneira manual e analógica, agora dá espaço para uma visão virtual e digital, interferindo de forma direta até na maneira em que adquirimos produtos, serviços e informações, agora adquiridos por meio de dispositivos conectados à internet.
Neste mundo virtual e digital em que a sociedade está inserida e na sua nova maneira de adquirir, foram criados os produtos digitais, conhecidos como infoprodutos, que podem ser encontrados de diversas formas, sejam recursos, conteúdos ou serviços, todos eles estão a um download de distância de seu alcance e podem ser gratuitos ou pagos.
Mas o que é o infoproduto? Este capítulo irá trazer a definição do que é essa nova maneira de se produzir e adquirir serviços, itens e informação na nossa sociedade atual em pleno constante advento da tecnologia.
3.1 O PRODUTO
Antes de iniciar a descrição do que é um infoproduto se é necessário entendermos sobremaneira a definição de um produto em seu aspecto geral.
Vivemos em uma sociedade em que cada vez mais vive os sintomas da globalização, onde o desejo e a ansiedade decorrente de uma ansiedade genérica se expandiram ainda mais. Ou seja, viu-se o crescente exponencial de criação de produtos, visto que produtos surgem de uma solução vendável ou trocável para uma necessidade. Kotler (2006) sugere que um produto pode ser entendido como tudo que puder ser oferecido a um mercado para satisfazer seu desejo ou necessidade.
Rocha (1999, p. 1) reforça a ideia de produto como “produto é qualquer coisa que possa ser objeto de troca entre indivíduos ou organizações.”, já Peter (2000, 234) define dizendo que “o produto envolve muito mais do que bens e serviços, mas
também marcas, embalagens, serviços aos clientes e outras características que acrescentam valor para os clientes.”
Ou seja, pode-se observar que um produto é muito mais do que um simples objeto ou serviço disponível para troca, venda ou aquisição, mas fala-se de valor e algo que se adeque a realidade da sociedade atual enquanto solução para uma necessidade emergente.
3.2 O INFOPRODUTO
Observando estas ideias referente a produto, pode-se afirmar que o produto pode assumir uma característica virtual e digital, e são os chamados infoprodutos.
Como já falado anteriormente, vivemos em uma sociedade em que vive o advento da tecnologia e do ambiente digital, Pedro (2017, p. 1) sugere que os “Infoprodutos são materiais de informação que são criados e distribuídos, de forma paga ou gratuita, em formato digital.” ou seja, o crescimento da internet foi proporcional ao crescimento tangencial da utilização dos infoprodutos, pois de acordo com o último estudo TIC domicílios, de 2019, produzido pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informação (CETIC), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, mostra que 134 milhões de brasileiros ou 74% do total acessaram a internet.
Vivemos um momento enquanto sociedade que a comunicação entre os indivíduos foi elevada para um novo nível, nunca nos comunicamos tanto e de tantas maneiras distintas, o advento da tecnologia nos proporcionou os computadores, internet, dispositivos móveis que nos conectam de maneira impressionante com o mundo, simplesmente com um toque e essa questão alcançou a maneira como pedimos um lanche, pedimos um táxi ou até a maneira como compramos. Ou seja, esse advento da tecnologia gerou mudanças na maneira em que nos comportamos enquanto consumidores, acarretando em mudanças no padrão de consumo.
Devido a isso podemos reafirmar que os infoprodutos são realidade na sociedade atual e fazemos uso dos mesmos de maneira corriqueira quase que 24h por dia, os tornando fundamentais em nosso dia a dia, seja por meio de recursos, serviços, ferramentas ou facilidades.
3.3 COMO É CRIADO UM INFOPRODUTO?
Levando em consideração as definições já retratadas nos tópicos anteriores, iremos abordar agora alguns processos que fazem parte da criação de um infoproduto partindo da ideia de produto enquanto resposta para uma necessidade da sociedade atual e dentre todos os aspectos digitais entrelaçados no cotidiano contemporâneo.
A criação de um infoproduto deve levar em consideração o aspecto de resolver um problema cotidiano, o processo criativo e a ideia deve partir de um pensamento de suprir necessidades emergenciais ou até mesmo genéricas do consumidor atual. Nos dias de hoje, com o dinamismo vivido pela nossa sociedade, onde cada vez mais está mais difícil se destacar e vender um produto, os criadores de infoprodutos têm buscado se adequar às constantes mudanças sociais, ocasionadas por esse crescimento tecnológico que acarreta em uma disputa árdua pela a atenção de um consumidor cada vez mais exigente e essas necessidades cada vez mais genéricas. E esses produtores de infoprodutos carregam a responsabilidade de observar que os seus produtos podem ter um alcance imensurável pelo fato da facilidade de exposição do meio pelo qual o seu produto está inserido, a internet. Então se vê necessário o cuidado com o uso das ferramentas utilizadas.
Uma ferramenta bastante utilizada pelos produtores de infoprodutos é o Design Thinking, que segundo Burnette (2005, p. 1), “é um processo de pensamento crítico e criativo que permite organizar informações e ideias, tomar decisões, aprimorar situações e adquirir conhecimento.” Outra ferramenta levada em consideração na criação destes produtos digitais é o Design Responsivo que seus aspectos vão de Medias Queries, Grids Fluídos, Layouts Fluídos, segundo Ethan Marcotte (2010), uma das referências no que diz respeito ao conceito. Reforçando outro conceito levado em consideração na formulação de um infoproduto, o User Interface Design, (UI Design) que é o meio pelo qual o usuário interage e lida com um dispositivo, software ou aplicativo e análise de sua experiência com o usuário.
Trazendo ainda mais conceitos de design levado em consideração pelos produtores de infoprodutos, pode-se trazer o conceito de Design Emocional, até como mais uma estratégia de diferenciação e de responsabilidade com o consumidor, Norman (2008), afirma em seu livro que tem como título “Design
Emocional”, que os objetos em nossas vidas são mais que meros bens materiais.
Temos orgulho deles por causa dos significados que eles trazem para nossas vidas.
3.4 QUAIS OS FORMATOS QUE PODEM SER PRODUZIDOS UM INFOPRODUTO?
Rememorando a ideia de Pedro (2007), um infoproduto possui a característica de ser um produto digital, e esse aspecto oferece uma facilidade de adaptação de formatos e maneiras desses produtos serem distribuídos, além da facilidade de acessibilidade no que diz respeito a seus produtores, por ser um meio onde 74% da população brasileira tem acesso, que é a internet, dado já trazido nesta pesquisa.
Os infoprodutos, podem ser encontrados em forma de E-books, vídeos, podcasts, aplicativos em diversas plataformas, e audiobooks.
E-books
São conteúdos que apresentam detalhes sobre algum assunto específico de dominância do produtor daquele material. Trazem explicações mais bem embasadas e mais dados do que um blog, por exemplo, e geralmente são disponibilizados em formato de PDF.
Audiobooks
São conteúdos gravados em áudio que podem ser produzidos em qualquer lugar, de maneira amadora ou até mesmo profissional.
Podcasts
Seguindo a mesma linha de produção de um audiobook, os podcasts são programas gravados em áudio de diversos temas e são encontrados geralmente em plataformas de streaming, como o spotify, por exemplo.
Videoaulas
Muito utilizado por quem vende cursos online, são aulas gravadas em vídeo ensinando sobre determinado conteúdo, dentro do nicho do produtor. Comumente distribuído de forma paga.
Além destes principais formatos, hoje é possível ver os infoprodutos se destrinchando em diversas formas de acordo com o surgimento de novas plataformas e recursos, como por exemplo as Comunidades exclusivas em grupos na rede social Telegram, e até grupo selecionado de pessoas dentro da aba de
“Amigos Próximos” no Instagram. Alguns produtores vendem vagas nesta área de seus perfis na rede social para liberar para os “assinantes” conteúdos exclusivos.
3.5 COMO É FEITA A DISTRIBUIÇÃO DE UM INFOPRODUTO?
Como todo produto, os infoprodutos necessitam de um meio de exposição e de onde podem ser encontrados pelos consumidores. Um produto normalmente tem seu canal de distribuição em gôndolas de supermercados, em varais de roupa ou em bancas, já os infoprodutos são encontrados nos canais digitais, sejam em sites, plataformas de streaming e diferentemente de um produto tradicional, não possui logística de entrega física, mas são enviados de maneira virtual na velocidade da internet. Os pagamentos são feitos por meio de plataformas de pagamento virtuais, automatizadas e não necessitam de um ponto de venda.
A internet se tornou uma ferramenta acessível e que possibilita a compra online dos consumidores, fazendo com que a finalização do processo de compra de um produto seja efetuada por meio de um download, eliminando de forma completa a necessidade de pontos de distribuições físicos e de mídias defasadas, que vem até a gerar resíduos que posteriormente serão descartados e com essa mudança no comportamento do consumidor se tornou ainda mais visível o crescimento de meios e plataformas de distribuição desse tipo de produto no ambiente virtual e digital.
3.6 O MERCADO
Agora que já entendemos de maneira mais aprofundada o conceito de infoproduto, irá se levar este conceito para dentro do núcleo do objeto de estudo que
é o da sua produção enquanto mercado, possibilitando que vejamos os produtores e comercializadores desse tipo de produto como empreendedores, no caso analisando as empreendedoras e os desafios encontrados neste mercado que está em corrente crescimento de até chegarmos, hoje em dia, a um ponto de uma certa saturação.
Acarretando em desafios enfrentados não somente pela a ação de empreender enquanto mulheres na sociedade atual, mas ainda empreender no cenário de um mercado que possui um alto nível de saturação e de mudanças constantes. Que levam a uma análise ainda mais minuciosa no momento de criação de um infoproduto, como observação de público-alvo, oferta e encontrar o ponto de diferenciação de seu produto neste ambiente de distribuição: a inovação. E essa ideia é reforçada pelo o que sugere Jenkins (2009) o marketing contemporâneo não busca mais somente marcas que identifiquem seus produtos. Respondendo ao ambiente de mídia atual, a publicidade tem de criar experiências de envolvimento, de participação e de interação para cativar consumidores.
4 DIALOGANDO COM AS CRIADORAS DE INFOPRODUTOS
Para compreender os processos envolvidos na criação de infoprodutos pelas mulheres, é necessário partir para a prática e ouvir quem está em atuação neste mercado. Para isso, foram selecionadas três empreendedoras que atuam nesta área, para serem entrevistadas e compartilhar de forma objetiva sobre suas jornadas, e assim encontrarmos pontos em comum entre suas trajetórias que podem clarear o caminho para as descobertas a serem feitas.
4.1 ENTREVISTAS
4.1.1 Bruna Maria
Bruna, de apenas 21 anos, mora em Natal, capital do Rio Grande do Norte, iniciou sua vida acadêmica no curso de enfermagem. Em paralelo a isso, possuía a comunicação como hobbie, tendo experiência em design e prestando serviço voluntário em sua igreja. Em 2017, decidiu usar suas habilidades na área para ter uma renda e começou a trabalhar como Social Media para algumas empresas. Os estudos sobre Marketing e aprofundamento na área durante 2020, em específico no momento da pandemia do COVID-19, decidiu empreender na área, criando a comunidade FavBranding através de um perfil no Instagram, onde de início buscava prospectar novos clientes para prestar o serviço que já fazia como designer, porém encontrou sentido em usar o espaço para impulsionar aquilo que de fato gosta de fazer: Ensinar pessoas sobre Branding e ajudá-las a construir suas marcas de forma estratégica, consolidada e que se tornem relevantes.
Figura 3 – Bruna Maria, 21 anos, Empreendedora Digital.
Fonte: Arquivo pessoal da participante (2021)
Desde 2020, Bruna não encerrou o seu trabalho como Social Media e se dedica inteiramente à produção de conteúdo para o FavBranding, ajudando em específico mulheres que possuem suas marcas (ou desejam construir) a construí-las e se posicionarem de forma correta. Assim, a nova forma de monetizar escolhida pela empreendedora foram os Infoprodutos: “A intenção é criar uma esteira de produtos que abranja os mais diversos formatos (cursos, e-books, consultorias e etc), mas o primeiro lançamento ainda não foi realizado.”
Apesar de ainda não ter finalizado algum de seus infoprodutos, Bruna é capaz de compartilhar sua vivência neste processo e o passo a passo que segue na sua criação. “O modelo que estou seguindo é: Mapeamento do público para entender suas dores e decidir um tema que solucione uma dor específica, escolha do formato (e dependendo disso a escrita ou gravação das aulas), naming, identidade visual, precificação, definição da promessa, copy e o lançamento que envolve outras várias etapas.”
Para Bruna, o maior desafio no processo da criação dos Infoprodutos é conseguir entregar para seu público algo diferente do que já existe no mercado e assim criar algo que de fato as pessoas precisem (figura 4).
Figura 4 – Captura da tela do perfil da FavBranding, no Instagram
.
Fonte: Dados da pesquisa (2021)
Para ela, estar alinhada com sua audiência é essencial para obter o sucesso com os materiais. “Não acredito na ideia de criar um desejo pelo produto criado, mas que o produto deve ser criado a partir de um problema que já existe”.
4.1.2 Milena Camila
Milena Camila, de São Paulo, conhece muito bem o universo digital pois está presente nele desde os 13 anos, não só como usuária dos meios digitais, mas como
produtora de conteúdo no Orkut, Tumblr e também em blogs. Aos 17, começou a trabalhar no Instagram, sendo dona de um projeto que acumulou uma audiência de 70 mil seguidores, o que abriu diversas oportunidades como trabalhar em uma grande agência e também com artistas como Sabrina Sato. Em 2019, criou a sua primeira empresa (figura 5), a Triwer, onde compartilha sobre marketing, seus aprendizados na jornada, exerce a função de infoprodutora e ensina sobre conteúdos que convertem. Hoje, o negócio é a sua principal fonte de renda, além da sua agência Cleópatra, que tem o foco em elaborar estratégias para lançar infoprodutos de outros empreendedores.
Figura 5 – Milena Camila, 20 anos, empreendedora digital.
Fonte: Arquivo pessoal da participante (2021)
Milena compartilhou que já criou diversos tipos de infoprodutos: “Todos, literalmente. E-books (figura 6), cursos, comunidades, desafios, mentorias, consultorias e Close friends”. A início da produção deste tipo de conteúdo foi motivado pelos pedidos da audiência, que em sua maioria não tinham condições de arcar com uma mentoria, e por isso precisavam de produtos mais econômicos para aprender.
Figura 6 – Capa de um dos ebooks criados por Milena e disponibilizado de forma gratuita no perfil da Triwer.
Fonte: Arquivo pessoal da participante (2021)
O maior desafio encontrado por Milena no processo de criação é a escolha do problema que precisa ser solucionado, para deixá-lo “o mais específico, prático e didático possível”, explica. Os processos que ela usa para chegar ao Infoproduto que está idealizando são a definição do Branding, da persona, a escolha da narrativa, criação da estratégia e principalmente a jornada de aprendizagem, o fator que ela considera importante para criar algo que vale a pena ser adquirido: “A maioria das pessoas renega a estruturação do produto em si e criam diversos produtos que não resolvem qualquer problema e por isso não oferecem resultados”.
Quando perguntada sobre o fato de ser uma mulher empreendendo, Milena alega que seu sexo não foi um fator que atrapalhou sua jornada, mas reconhece seus privilégios: “Tenho plena consciência de que foi o meu processo histórico que me permitiu não passar por nenhum desses pontos. Eu venho de família empreendedora, fui educada dessa forma, sou branca, pertenço a classe média, pude cursar uma faculdade, sempre tive livre acesso à internet, estudei em escolas
particulares e afins. Eu tive todas as oportunidades possíveis para chegar onde cheguei”.
4.1.3 Clara do Vale
Empreender sempre foi uma característica marcante em Clara, natural de Natal, Rio Grande do Norte, nas diversas fases da sua vida. Desde os 16 anos, deu aulas de reforço, vendeu empadas na faculdade e biscoitos em corredores de supermercado, trabalhou em equipes de cozinha. Ao se formar em Nutrição, buscava alunas particulares para dar aulas e ajudar com trabalhos de conclusão, além de captar clientes para Home Care, já que não tinha dinheiro para investir em um consultório de início. Deu aulas no interior para ajudar mulheres ensinando-as a cozinhar doces e empreenderem com os produtos.
Entrou no ramo da comunicação quando abriu seu próprio negócio de design, o Santa Arte. Aos seus 25 anos, decidiu levar o meio da internet a sério e como uma possibilidade de negócio para o seu profissional (figura 7).
Figura 7 – Clara do Vale, 29 anos, empresária no segmento de Educação
Fonte: Arquivo pessoal da participante (2021)
Decidiu escrever seu primeiro infoproduto, um e-book dentro de seu nicho da Nutrição, mas obteve zero vendas. Com a ajuda do seu marido, que também trabalha com Marketing Digital, decidiu mudar o seu foco de infoproduto e em 2018 lançou o seu primeiro curso online, o “Efeito Awake”, ainda dentro do seu nicho de Nutrição, e com ele conseguiu começar a gerar vendas concretas e ter renda a partir deste trabalho.
Hoje, Clara vive em Florianópolis, desfrutando da liberdade que o seu trabalho proporciona. Ela tirou o foco do seu conteúdo do nicho de Nutrição e passou a produzir conteúdo específico para empoderar e equipar mulheres em seus próprios negócios, através do seu canal principal, o perfil no Instagram “Bem Clara”.
Dentre sua esteira de Infoprodutos podemos encontrar mentorias individuais e em grupo, cursos online (figura 8), E-books e Grupos de desafios. O objetivo com a produção de todos os materiais é claro: “Reconhecimento a nível global do meu nome, trabalho, e faturamento em escala”.
Figura 8 – Captura da tela de uma das aulas online ministradas por Clara e seu marido, Ed.
Fonte: Dados da pesquisa (2021).
Clara define o seu processo de criação nas seguintes etapas: “Mapeamento de demandas do público via interação nas redes sociais, criação da estrutura didática do produto em mapa mental, venda do produto, produção e entrega do produto”. A gestão do tempo na hora de produzir os conteúdos é um dos principais desafios da jornada, que para ser eficaz, ela também considera a importância de ter um mentor: “[É importante] ter sido mentoreado por um exímio mentor para sair da abstração e aprender com quem já passou pelo que você pretende passar”.
Quando questionada se o fato de ser uma mulher dificultou sua trajetória, ela diz que “de jeito nenhum, me facilitou. Empreendo com meu esposo e vejo que para ele a dinâmica do trabalho é muito mais intensa que pra mim. Não sou mãe, partilho com ele ou delego minhas atividades domésticas. O fato de ser mulher nunca dificultou minha jornada”. É interessante analisar, neste ponto, a falta de empecilhos na jornada empreendedora pelo seu sexo, atrelada a boa divisão de demandas com o marido, o que de acordo com o estudo realizado no primeiro capítulo, mostra a ausência desta parceria como um dos possíveis motivos da mulher ser menos presente no mercado de trabalho.
4.2 O QUE PODE SE APRENDER SOBRE OS PROCESSOS DA CRIAÇÃO DE INFOPRODUTOS
Para encontrar as semelhanças entre os processos de criação das três empreendedoras, foram realizadas entrevistas através de um roteiro estruturado, sendo dividido em dez questões e um espaço ao final para comentários adicionais, que não foi utilizado por nenhuma das entrevistadas. O roteiro completo está disponível no apêndice.
Entre os temas abordados, estão: um resumo da história de cada uma, quais os produtos criados, o que envolve a criação dos Infoprodutos, sobre os desafios, satisfação profissional e vantagens e desvantagens de empreender. Ao analisar as respostas obtidas através das entrevistas, podemos, de forma prática e objetiva, observar pontos em comum na fala das entrevistadas ao dissertarem sobre os processos e desafios enfrentados em seus trabalhos e na jornada de empreendedoras.
4.2.1 Definição dos Processos
Segundo Kotler e Armstrong (2003, p.33), “o planejamento é a primeira das funções administrativas e é a que determina antecipadamente quais são os objetivos a serem atingidos e como alcançá-los.”
Entre as três entrevistadas, podemos ver em comum uma definição clara dos processos que precisam ser seguidos para a criação do infoproduto, desde a análise de público até o tipo de linguagem que será utilizado.
4.2.2 Ouvir a audiência
É necessário saber que o seu público alvo não é formado por uma massa, mas por um grupo específico de pessoas com interesses e necessidades em comum. E esse é outro fator em comum entre as três criadoras é a preocupação em determinar a audiência exata do seu negócio e ouvi-la em suas necessidades. Esse ponto, ainda mais em tempos de crise financeira, é importante para construir um trabalho assertivo e com grande certeza de retorno dos investimentos realizados. A definição do público decidirá todos os rumos de como o Infoproduto será produzido.
4.2.3 Criar com intencionalidade
Apesar de todas as entrevistadas alegarem que estão satisfeitas financeiramente e profissionalmente com a produção de Infoprodutos, em suas falas podemos perceber também que existe propósito em seus negócios. A palavra
“ajudar” aparece em seus discursos, mostrando a intenção em não só monetizar, mas em servir as pessoas de alguma forma. Todas as criadoras se preocupam em delimitar os problemas que os seus públicos vivenciam, e tem como objetivo sanar essa necessidade de forma específica. Se um produto não solucionar o problema da sua audiência, ele não merece ser comprado, e consequentemente quem comprou e não encontrou uma solução, provavelmente não voltará a comprar.
4.2.4 É necessário organização
São muitos os processos e etapas envolvidos na criação de um Infoproduto, e nas entrevistas de Clara e Bruna, podemos encontrar o fator Organização como um desafio em comum. Clara cita a gestão de tempo na agenda para conciliar a gravação dos conteúdos em vídeo com os materiais de apoio como um desafio, assim como Bruna, que também é desafiada pela constância na produção, quando perguntada sobre as desvantagens de ser uma empreendedora: “É preciso ter muita disciplina, coragem e responsabilidade para expor suas ideias na internet, principalmente quando se quer fazer dinheiro com isso”.
4.2.5 Os hobbies podem se tornar fonte de renda
Todas apresentaram, desde sua adolescência, interesses pelo empreendedorismo ou pelo meio digital, mesmo que apenas por diversão. Perceber a possibilidade de criar e gerar rendimentos, anos depois, nestas áreas de interesse é o que girou a chave para elas terem sucesso no que se propõe a fazer atualmente.
4.2.6 O empreendedorismo pode gerar liberdade
Apesar de exigir compromisso integral de quem se propõe a isto e apresentar diversos desafios, o empreendedorismo, para todas, é uma forma de ter liberdade em diversos sentidos. Para Bruna, empreender significa “liberdade geográfica, flexibilidade de horários, liberdade de criação, autonomia, e oportunidades financeiras mais justas”. Para Milena, significa “Independência, otimização do seu tempo, liberdade e faturamento”. E Clara reforça todos os discursos: “Não há desvantagens, em absoluto, na minha perspectiva. Liberdade para mim é valor inegociável, está acima da estabilidade - então eu pago pela liberdade o preço necessário. Empreender no que acredita, servindo pessoas e sendo paga por isso, a mim, está infinitamente acima da modalidade CLT”.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Simone de Beauvoir (1967) disse que “É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta”. Apesar de todos os desafios e desigualdades enfrentados ainda hoje pelas mulheres em busca do seu espaço no mercado e sua independência financeira, é notório o crescimento do diálogo em relação a esta luta e como esta conquista vem se tornando cada vez mais possível.
A internet, o marketing digital, e em específico tratado neste estudo, a criação e venda de Infoprodutos vem permitindo que mulheres transformem seu conhecimento e sua voz em renda e construção de autoridade, e gerando liberdade para alcançar o estilo de vida que desejam. É fundamental, de diversas formas, dar apoio a todas que assumem a coragem de empreender. O desejo é que esta possibilidade seja acessível para todas.
REFERÊNCIAS
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JORNAL NACIONAL. Participação das mulheres no mercado de trabalho é a menor em 30 anos, diz Ipea. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal- nacional/noticia/2020/09/07/participacao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho-e-a- menor-em-30-anos-diz-ipea.ghtml. Acesso em: 15 abr. 2021.
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SILVEIRA, Daniel. Participação de mulheres no mercado de trabalho tem 5º ano de alta, mas remuneração segue menor que dos homens, diz IBGE. G1 Notícia.
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APÊNDICE
Entrevista de Bruna Maria
Qual seu nome, idade e profissão?
Bruna Maria, 21 anos, empresária.
Conte um breve resumo da sua trajetória profissional, apresentando quem você é, e o que você faz atualmente. (se você já tiver esse conteúdo em algum material seu que responda a pergunta, pode me enviar também, como preferir! )
Tenho experiência com design gráfico a mais de 7 anos, em 2017 eu comecei a realmente ganhar dinheiro com isso prestando serviço de social media onde permaneci até 2020, tive experiências muito legais no departamento de comunicação da minha igreja local com áreas como edição, vídeo e fotografia. Até então a área da comunicação era um hobbie pra mim conciliado com um curso de enfermagem que iniciei em 2018, durante a pandemia comecei a gastar mais tempo buscando referências e estudando sobre marketing e vi a oportunidade de começar a empreender na área, inicialmente pretendia apenas prospectar clientes para o serviço de design mas estudando e mapeando o que faria mais sentido, decidi fazer o que eu sempre gostei e tive facilidade que é ensinar pessoas sob re esse assunto que já faz parte da minha vida a muito tempo! Tranquei o curso de enfermagem com 50% cursado e hoje sou graduanda de Marketing e tenho um empresa chamada FavBranding onde crio conteúdo através do Instagram sobre branding, posicionamento e criação de conteúdo para ajudar mulheres que empreendem ou que tem o desejo de empreender a construírem suas próprias marcas no digital.
Quais os seus tipos de infoprodutos criados?
Os infoprodutos foram a forma de monetização que escolhi pra empresa, a intenção é criar uma esteira de produtos que abranja os mais diversos formatos (cursos, e-books, consultorias e etc), mas o primeiro lançamento ainda não foi realizado.
O que te motivou a começar a produção de infoprodutos?
Tenho habilidade e me sinto bem ensinando algo pras pessoas e os infoprodutos me permitem fazer isso com uma escalabilidade financeira muito maior do que a prestação de serviços.
Quais processos estão envolvidos na parte da criação?
O modelo que estou seguindo é: mapeamento do público pra entender suas dores e decidir um tema que solucione uma dor específica, escolha do formato (e dependendo disso a escrita ou gravação das aulas), naming, identidade visual, precificação, definição da promessa e copy e o lançamento que envolve outras várias etapas.
Quais os principais desafios encontrados na produção dos seus infoprodutos?
Criar algo diferente do que já tenha no mercado.
Hoje, atuar nesta área te traz realização profissional e financeira?
Sim.
O que você considera importante para criar um infoproduto que valha a pena ser adquirido?
Estar alinhado com a audiência e criar um produto que as pessoas realmente precisem. Não acredito na ideia de criar um desejo pelo produto criado, mas que o produto deve ser criado a partir de um problema que já existe.
Quais as vantagens e desvantagens de ser uma empreendedora?
Vantagens: liberdade geográfica, flexibilidade de horários, liberdade de criação, autonomia, e oportunidades financeiras mais justas. Desvantagens: é preciso ter muita disciplina, coragem e responsabilidade pra expor suas ideias na internet, principalmente quando se quer fazer dinheiro com isso.
Você acredita que o fato de ser mulher em algum momento dificultou a sua jornada como empreendedora?
Até o momento, não.
Entrevista de Milena Camila
Qual seu nome, idade e profissão? *
Milena, 20, empresária
Conte um breve resumo da sua trajetória profissional, apresentando quem você é, e o que você faz atualmente. (se você já tiver esse conteúdo em algum material seu que responda a pergunta, pode me enviar também, como preferir!) *
Comecei a criar conteúdo na internet quando tinha 13 anos e os conteúdos do momento ficavam no orkut, tumblr e blogs. Nunca tinha imaginado isso como profissão (apesar de já ganhar dinheiro através de desenvolvimento s de temas para o tumblr) até completar 17 anos e começar a trabalhar com o Instagram. Criei o Triwer (minha principal fonte de renda e minha primeira empresa) no mês 03/2019 para falar sobre Marketing e tudo que eu tinha aprendido com o meu trabalho com influenciadores em um projeto anterior que chamava Top Filtros e chegou a 70 mil seguidores, fui convidada para trabalhar em uma das principais agências de SP por conta desse conteúdo e tive a oportunidade de trabalhar com nomes como Sabrina Sato, Ricardo Amorim, Nah Cardoso e afins. Minha jornada como infoprodutora começou em 2018 apesar de não saber exatamente o nome disso na época, eu oferecia mentoria para influenciadores e presets para Lightroom (foi meu primeiro produto digital) Atualmente eu tenho 2 e mpresas 100% digitais, o Triwer que é onde exerço a profissão de infoprodutora e ensino sobre conteúdos que convertem e a Agência Cleópatra que é minha agência de lançamentos onde realizo estratégias para lançar os infoprodutos de outras pessoas.
Quais os seus tipos de infoprodutos criados? *
Todos, literalmente. Ebooks, Cursos, Comunidades, Desafios, Mentorias, Consultorias e Close friends.
O que te motivou a começar a produção de infoprodutos? *
Pedidos, mentorias eram inacessíveis para a maioria das pessoas e minha audiência pedia por produtos mais em conta.
Quais processos estão envolvidos na parte da criação? *
Universo do expert (branding), persona, narrativa adotada, jornada de aprendizado e estratégia
Quais os principais desafios encontrados na produção dos seus infoprodutos? * Escolher qual o problema vamos solucionar com a criação do infoproduto para deixar ele o mais específico, prático e didático possível
Hoje, atuar nesta área te traz realização profissional e financeira? *
Sim, completamente
O que você considera importante para criar um infoproduto que valha a pena ser adquirido? *
Jornada de aprendizagem. A maioria das pessoas renega a estruturação do produto em si e criam diversos produtos que não resolvem qualquer problema e por isso não oferecem resultados.
Quais as vantagens e desvantagens de ser uma empreendedora? *
Vantagens: Independência, otimização do seu tempo, liberdade e faturamento.
Desvantagens: Solidão empreendedora, as pessoas não compreendem o seu trabalho.
Você acredita que o fato de ser mulher em algum momento dificultou a sua jornada como empreendedora? *
Não. Entretanto, tenho plena consciência de que foi o meu processo histórico que me permitiu não passar por nenhum desses pontos. Eu venho de família empreendedora, fui educada dessa forma, sou branca, pertenço a classe média, pude cursar uma faculdade, sempre tive livre acesso a internet, estudei em escolas particulares e afins. Eu tive todas as oportunidades possíveis para chegar onde cheguei.
Entrevista de Clara do Vale
Qual seu nome, idade e profissão? *
Clara do Vale, 29, Empresária no segmento Educação Online
Conte um breve resumo da sua trajetória profissional, apresentando quem você é, e o que você faz atualmente. (se você já tiver esse conteúdo em algum material seu que responda a pergunta, pode me enviar também, como preferir!) *
Post no instagram @bemclara com a seguinte headline "Minha Trajetória como Empreendedora Pimpona"
Quais os seus tipos de infoprodutos criados? *
Mastermind, Mentoria individual, Mentoria em grupo, Curso Online, Grupo de Desafio, Ebook.
O que te motivou a começar a produção de infoprodutos? *
Reconhecimento a nível global do meu Nome e trabalho, e faturamento em escala.
Quais processos estão envolvidos na parte da criação? *
Mapeamento de demandas do público via interação nas redes sociais, Criação da estrutura didática do produto em mapa mental, Venda do produto, Produção e entrega do produto.
Quais os principais desafios encontrados na produção dos seus infoprodutos? * Gestão do tempo na agenda para produção de aulas gravadas e materiais de apoio.
Hoje, atuar nesta área te traz realização profissional e financeira? *
Ambas!
O que você considera importante para criar um infoproduto que valha a pena ser adquirido? *
Ter sido mentorado por um exímio mentor para sair da abstração e aprender com quem já passou pelo que você pretende passar.
Quais as vantagens e desvantagens de ser uma empreendedora? *
Não há desvantagens, em absoluto, na minha perspectiva. Liberdade para mim é valor inegociável, está acima de estabilidade - então eu pago pela liberdade o preço necessário. Empreender no que acredita, servindo pessoas e sendo paga por isso, a mim, está infinitamente acima da modalidade CLT.
Você acredita que o fato de ser mulher em algum momento dificultou a sua jornada como empreendedora? *
De jeito nenhum, me facilitou. Empreendo com meu esposo e vejo que para ele a dinâmica do trabalho é muito mais intensa que pra mim. Não sou mãe, partilho com ele ou delego minhas atividades domésticas. O fato de ser mulher nunca dificultou minha jornada.