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ACESSO E A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
NA SOCIEDADE GLOBALIZADA
Etienny Kelen Pinheiro Figueiredo
*
Geor~ele Lopes Freitas**
RESUMO
Arresenta aspectos para a compreensão da globalização da informação nos países desenvolvidos e no Brasil. Enfatiza-se;J ímportàncía dos investimentos no desenvolvimento de
tecnologia da informação. Descrevem-se as ações realiza-das pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para promover o setor de tecnologia de informação nacional. Discorre-se sobre a Internet no Brasil, bem como as ações realizadas para democratizar o seu acesso no país. Faz-se uma abor-dagem sobre as ações propostas no Programa Soclnfo.
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia da informação; Demo-cratização da informação; Sociedade da informação
ABSTRACT
Itpresents aspects considered important for understanding information globalization in developmcnts countries and in Brasil. The importance ofthe investments is emphasized in the development of technology of the information. The actions are described accomplished by the Ministery ofthe Science and Technology to promote the section oftechnology of the national information. Discourse on the Internet in Brazil. as well as the actions accomplished to democratize your access in the country. An approach is made about the actions proposed in the Program SocInfo.
KEYWORDS: Information oftechnology; Information of democratization; Information society
1 INTRODUÇÃO
Vivencia-seOprocesso inexorável de profunda reestruturação social,
econômica, política e cultural, conseqüência da passagem da sociedade in-dustriaI para a sociedade informacional. A informação tornou-se recurso
*Graduada pelo Curso de Biblioteconomia - UFMA
**
Professora Assistente do Departamento de Biblioteconomia - UFMA---.--~
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gerador de riquezas a partir do deslocamento das forças produtivas do fa-zer mecânico para o saber oriundo do conhecimento.
As transformações sociais podem causar dois tipos de reações: oportunidade para uma nova e melhor qualidade de vida com ofertas de trabalho, melhoria dos sistemas educacionais e da saúde, ou uma ame-aça. que pode piorar mais ainda uma situação já adversa. Essa dualidade de reações esteve e ainda está presente com o advento da informática e, especialmente, das tecnologias da informação e da comunicação em to-dos os campos do conhecimento humano.
A Revolução Industrial deu à humanidade o princípio da homogeneização de produção e consumo. Foi a época da produção em sé-rie de uma grande quantidade de um único produto. Com a Revolução Informacional, há o predomínio da produção personalizada de acordo com o gosto do cliente. o que exige o gerenciamento de informações que permi-tam conhecer esse cliente e descobrir as suas reais necessidades, muitas vezes desconhecidas dele próprio.
A chamada Sociedade da Informação vem provocando questionamentos sobre seus reais impactos na sociedade. Elementos fun-damentais nos processos sociais, tais como: novos níveis ocupacionais, no-vos conhecimentos a serem adquiridos e constante qualificação profissio-naL vêm sendo debatidos.
Gradativamente. a essa sociedade da informação atrihuem-se signi-ficados de sociedade globalizada onde, os avanços provenientes das tecnologias de informação e comunicação aliados às crescentes modifica-ções nos processos das organizamodifica-ções de caráter diversos, leva à crescente tendência de considerar ''[. .. lque a global ização implica~spaços homogê-neos 'sem fronteiras' [... ] supõem que as informações, conhecimentos e tecnologias são simples mercadorias, passíveis de serem 'transferidas'." (LASTRES; ALBAGLL 1999. p. 13).
Uma vez que "Produzimos a sociedade que nos produz" (MORIN, 1999, p. 23), questiona-se: a Sociedade da Informação serve ao bem co-mum, ou é a mais poderosa forma de segregação social uma vez que o seu insumo fundamental é algo intangível como a informação?
No Brasil, discussões como essas tem como principal objetivo levan-tar os reais impactos da Sociedade da Informação nos panoramas nacionais e especificamente, destacar o cenário brasileiro nas áreas científica e tecnológica, assim como as políticas governamentais para fomentar o de-senvolvimento do setor de informação. Nessa perspectiva, prioriza-se
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tar os impactos das tecnologias de informação e comunicação em uso e ainda contextualizar as origens da Rede mundial e as iniciativas governa-mentais, do setor privado e da sociedade civil para promover efetivamente o acesso à informação pela população brasileira.
2 GLOBALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
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cerne da globalização está centrado no desenvolvimento das tecnologias de comunicação onde, informações dos diferentes recantos do mundo nas diversas áreas como economia, cultura, saúde, segurança bélica etc, são acessadas pelo "mais simples cidadão" em tempo ínfimo de decor-rido o fenômeno.A difusão das novas tecnologias viabiliza o rompimento de barreiras físicas e temporais no que diz respeitoàdisseminação da informação. Para Amaral (1995, p.221) a informação é: "[...] um fator imprescindível para impulsionar o desenvolvimento da sociedade constituindo-se em um insumo de fundamental importância de geração de conhecimento, que por sua vez, possibilitará de modo eficiente a satisfação das diversas demandas da po-pulação".
As atenções do mundo global e neoliberal voltaram-se para a impor-tância e para a necessidade da informação, assim como para o seu uso, armazenamento e recuperação, transformando-a no principal fator de pro-dução, capaz de interferir em qualquer contexto social.
. A mundialização da economia trouxe o que autores como Masuda (1980), Castels (2000), Lazarte (2000) denominam de "Sociedade da In-formação Global" e se desenvolveu à medida em que houve a expansão das tecnologias da informação, invadindo os domínios das atividades humanas e estimulando o crescimento dos principais setores econômicos.
Os países do primeiro mundo encontram-se inseridos na sociedade pós-industrial fundamentada na tecno-ciência e, especialmente na informática, levando a mudanças decisivas em suas estruturas econômicas, relações sociais e nos modos de produção e de trabalho (DUPAS, 2000). Para as nações em desenvolvimento e para as subdesenvolvidas, resta a necessidade de importaras inovações científicas e tecnológicas pagando o alto preço de uma eterna dependência econômica.
Para escaparem desse ciclo de dominação,é imprescindível que os governantes das nações em desenvolvimento e subdesenvolvidas priorizem os projetos sociais e educacionais incentivando pesquisas em Ciência e
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Tecnologia - C&T e valorizem as descobertas nacionais. Tornam-se mais ricos aqueles países que além de investirem na produção de suas mercado-rias, desenvolvam seus meios de informação e comunicação, criando e dando insumos a mais universidades e laboratórios de pesquisa e ampliando sua rede de instituições culturais.
Cabral (1992, p. 215), considera que o fator hierarquizante entre os países não é somente o motor das fábricas, mas a engrenagem que move a circulação de idéias e informações. Éa quantidade de informação tecno-científica produzida por essas organizações que tornará uma nação mais poderosa e competitiva no mercado globalizado.
2.1 Países desenvolvidos
As nações desenvolvidas como os Estados Unidos, Japão e Alema-nha estão empeAlema-nhadas em definir as estruturas territoriais e jurídicas da nova ordem mundial, na qual a lógica do poder baseia-se na combinação de estratégias nas áreas militar, econômica, política, ideológica e cultural, uti-lizando o controle de tecnologia de ponta, dos recursos essenciais e da força de trabalho.
Os destinos da tecnologia são orientados pelo capitalismo global es-sencialmente para a criação do valor econômico. As conquistas em Ciência e Tecnologia são privatizadas através das legislações de marcas e patentes, o que somente reforça os aspectos concentradores e hegemônicos do bloco das nações desenvolvidas e, em especial dos Estados Unidos que sempre procuram impedir que as nações em desenvolvimento consigam estabele-cer-se no mercado de tecnologia de ponta.
Dupas (2000, p. 23) recorda que por ocasião do Acordo Internacio-nal de Patentes, em 1994, no âmbito da Organização Mundial do Comércio - OMC, as alterações na Lei de Patentes efetuadas pelo governo brasileiro receberam a mais intransigente reação, não somente das grandes multinacionais farmacêuticas como do próprio governo norte-americano. Essas medidas defensivas e pró-ativas são essenciais, pois permitem flexibilizar exigências que na verdade impedem a sobrevivência e o cresci-mento das empresas brasileiras.
As nações mais ricas utilizam o seu poder econômico para manter a acumulação de capital, utilizando as inovações tecnológicas que aquecem a economia, permitindo mais investimentos em C&T e firmando desse modo a sua hegemonia no mercado internacional. Os Estados Unidos, por
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pio, aplicam cerca de 2,5% do seu Produto Interno Bruto - PIB em C&T. além dos estímulos e incentivos para fundaçi'íes e universidades.
Porém, é o setor privado, especialmente as multinacionais, que do-mina o desenvolvimento tecnológico. A internacionalização do capital, se-gundo Dupas (2000, p. 22), "[...] apossou-se por completo dos destinos da tecnologia, libertando-a das amarras metafísicas e orientando-a única e ex-clusivamente para a criação do valor econômico."
A tecnologia é, portanto, a expressão da competição global e tem-se o progresso técnico como necessidade inalienável e uma das facilidades do capital, que quase sempre tem seus aspectos negativos lembrados antes dos positivos.
Durante os primeiros anos da mudança de paradigma tecnológico, ocorreu uma acirrada disputa para ocupar os lugares de vanguarda nesta área. O Japão, por exemplo. sempre criativo no sentido de diversificar apli-cações básicas e sistemas de organização aliadosàbusca sistemática de experimentação prática e sua tão conhecida disciplina de sua força de tra-balho, passou a ocupar lugar de destaque na produção de inovações tecnológicas como a de memórias. Os Estados Unidos destacaram-se na produção de microprocessadores.
Segundo Dupas (2000, p. 43) o mundo todo, atualmente, ficou de-pendente dos produtos da International Busines Machines - IBM e dos tradutores da Microsoft que ainda tem a vantagem de abranger toda a gama de tecnologias de automação e ser geradora de conhecimentos básicos, além de ter tornado Bill Gates a maior fortuna mundial. O expressivo consumo das tecnologias de informação nos Estados Unidos firmou a atuação das grandes empresas norte-americanas que abastecem 90% do mercado local de produtos informáticos.
Nesse contexto, o desenvolvimento das telecomunicações é de vital importância estratégica no processo de reprodução global e nas relações de poder e de controle. O mundo hoje encontra-se cada vez mais interconectado com mensagens, constantemente percorrendo-o de um extremo ao outro e, a rapidez na transmissão dessas mensagens é determinante para assegurar a liderança no mercado internacional em qualquer área.
2.2 Cenário brasileiro
A posição do Brasil na nova ordem mundial faz-se presente em nível regional como presumível líder do MERCOSUL - Mercado Comum do
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Sul. ainda que sua economia não esteja totalmente baseada no paradigma técnico-econômico.
Em 26 de março de 1991 o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uru-guai criaram o MERCOSUL, com o objetivo de impulsionar a competitividade do grupo no mercado internacional. A partir de 1996 o Chile e a Bolívia, também se associaram ao grupo (FERREIRA; TARAPANOFF,1998).
Ainda Ferreira e Tarapanoff( 1998) destacam que a partir da década de 90 cresceu significativamente o interesse dos governos federais com as questões sociais brasileiras. Desde então, realizam-se ações com o objetivo de minimizar essas distorções, especialmente nas áreas da educação, da segurança, da saúde, do trabalho. da assistência social e dajustiça.
As desigualdades sociais no Brasil sempre foram significativas, com uma notável distorção de renda entre o norte e o sul do país. Em decorrên-cia das disparidades sócio-econômicas no Brasil, podemos dizer que a sociedade brasileira não está completamente inserida na Sociedade da In-formação. Segundo Castro e Ribeiro (1998, p. 21) o que realmente existe são "Núcleos Sociais de Informação restritos a universidades e a Institui-ções de Pesquisa localizadas nas regiões mais desenvolvidas do país."
Historicamente os principais atores do processo do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiros foram o Conselho Nacional de Desen-volvimento Científico e Tecnológico - CNPq e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES criados em 1951. visto que o vínculo da pesquisa com o ensino superior tomou-se patente nos objetivos dessas instituições.
A política de C&T brasileira sofre forte intervenção do Estado desde o início dos anos 50, além de um distanciamento do· setor produtivo. O Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT foi instituído em 15 de março de 1985 pelo Decreto n°. 91146 como órgão central do sistema federal de ciência e tecnologia. Apesar de, após 1985, ter sofrido extinções e muJan-ças de nomes consecutivas, em 1992 foi restabelecido pela Lei 8.490, ue 19 de novembro de 1992. Com essa iniciativa o Governo procurou impor mai-or competitividade ao setmai-or industrial, elevando a impmai-ortância dada aos in-vestimentos empresariais em capacitação científica e tecnológica.
No Ministério da Ciencia e Tecnologia, a Secretaria de Política de Informática e Automaçãu - SEPINé o órgão responsável pela formulação e proposição de medidas de desenvolvimento do setor de tecnologia da informação. A indústria da tecnologia da informação é regida pela seguinte
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legislação específica: Lei 8.248/91 - Lei de Informática; Lei7.387 /91 - Lei
da Zona Franca de Manaus e Lei 7646/87 - Lei de Software (FERREIRA; TARAPANOFF,1998).
Para atingir os seus objetivos o MCT precisa buscar parcerias com outros ministérios, secretarias, universidades, instituições de pesquisa. agên-cias de setores produtivos. como Conselho Nacional da Indústria- CNJ. Serviço de Apoio à Pequena e Micro Empresa - SEBRAE, em suma, é necessário o esforço conjunto de diferentes setores do país para incrementar o desenvolvimento científico e tecnológico, aliado à elaboração de políticas de informação para a inserç,io mais significativa do país na Sociedade da Informação.
Para a construçãLl da Sociedade da informação no Brasil é impres-cindível a implantação de uma plataforma de telecomunicações suficiente-mente sólida para a difusão e o florescimento das aplicações em áreas de alto conteúdo e retorno social, como a educação, a saúde, o meio ambiente, a agricultura e o comércio.
O primeiro passo governamental dado para promover o desenvolvi-mento ordenado das telecomunicações foi dado com a aprovação pelo Con-gresso Nacional da Lei 4.117 em 27 de agosto de 1962 instituindo o Código Brasileiro de Telecomunicações - CBT que disciplinaria os serviços telefõ-nicos e subordinava-os ao controle federal. Dentre as ações implementadas pelo CBT, destacaram-se:
a) definição da política básica de telecomunicações, sistemática tarifária e do planejamento do Sistema Nacional de Telecomuni-cações - SNT;
b) criação do Conselho Nacional de Telecomunicações, subordina-do à Presidência da República, com as atribuições de coordenar, supervisionar e regulamentar o setar de telecomunicações; e c) autorizou a criação da Empresa Brasileira de Telecomunicações
S.A - EMBRATEL, com a finalidade de implementar o sistema de ligações de longa distância e ainda para transmissão de sinal de TV. (BRASIL. Ministério das Comunicações, 2002).
A década de 70 foi marcada pela notável expansão do setor de telefo-nia brasileira e também pela construção de uma infra-estrutura superior a de outros países em desenvolvimento. Em 1972, através da Lei 5.792 de 1972 foi criada a TelecOmunicações Brasileiras - TELEBRÁS, vinculada ao Ministério das Comunicações, com as atribuições de planejar, implantar e operar o Sistema Nacional de Telecomunicações. O Centro de Pesquisa e
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Desenvolvimento - CPqD da TELEBRÁS foi criado para reunir e verticalizar em um só lugar os projetos de pesquisa e desenvolvimento de equipamentos e serviços para a infra-estrutura de telecomunicações do país, gerando ainda diversas tecnologias com a de fibras óticas e comutação.
Em meados da década de 80, o modelo vigente já demonstrava cla-ros sinais de exaustão, em virtude da insuficiência de investimentos de base o que inviabilizava o crescimento e a competitividade da telefonia brasileira no mercado internacional. Enquanto isso os Estados Unidos estavam inves-tindo na digitalização dos sistemas aliados ao surgimento de novas tecnologias e produtos de comunicação baseados em novas linguagens e protocolos.
O longo período da crise das telecomunicações no Brasil começou a ser revertido a partir de 1995 quando o governo federal propôs diretrizes que seriam sancionadas em uma nova lei das Telecomunicações, preconi-zando a privatização do Sistema TELEBRÁS, a concepção de um regime de duopólio para todos os serviços durante um período de transição até o final de 2001 e competição crescentemente ampla a partir de 2001.
Em novembro de 1997 foi instalada a Agência Nacional de Teleco-municações - ANATEL, com a missão de viabilizar um novo modelo para as telecomunicações, tendo como passo inicial um modelo de privatização do sistema TELEBRÁS. Foi posto para consulta pública o Plano Geral de Outorgas - PPO que propunha as linhas gerais do processo.
Nesse contexto do setor de comunicações no Brasil, a sociedade da informação é essencialmente um produto da penetração e disseminação das tecnologias de informação e comunicação em nossas mais prosaicas ativi-dades cotidianas.
2.3 Sociedade da Informação
Para caracterizar a sociedade da informação precisa-se pontificar a chamada sociedade pós-modema (LYOTARD, 1980), destacada principal-mente por fatores concernentes à economia e, onde o niilismo, os contatos efêmeros, a rapidez na comunicação e as mudanças educacionais fazem-se presentes. No que concerneà informação disponível e disseminada cotidi-anamente nessa sociedade da informação globalizada, a rapidez na forma de comunicar-se é possibilitada pelo contato em redes, pelas teias de nave-gação em um hipertexto.
Assmann (2000, p. 8-9) conceitua a Sociedade da Informação como:
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[...] a sociedade que está actualmente a constituir-se, na qual são amplamente utilizadas tecnologias de annazenamento e transmissão de dados e infonnação de baixo custo. A mera disponibilização crescente da infonnação não basta para caracterizar uma sociedade da infonnação. O caráter democrático da sociedade da infonnação deve ser reforçado.[oo.]nãoélegítimo aban-donar os mais desprotegidos e deixar uma classe de info-excluídos.
Segundo Dantas (apud SCOTT! et aI., 1999) a Sociedade da Infor-mação "[...]caracteriza uma etapa alcançada pelo desenvolvimento capita-lista contemporâneo, no qual as atividades humanas determinantes para a vida econômica e social organizam-se em tomo da produção, processamento e disseminação da informação através das tecnologias eletrônicas."
As origens da Sociedade da Informação, segundo Dupas (2000, p. 108) remontam ao final da década de 60, quando se evidenciava uma ex-cessiva acumulação de poder por parte dos sindicatos norte-americanos. Nesse momento o capital começa a desenvolver tecnologias revolucionári-as que, utilizadrevolucionári-as nrevolucionári-as cadeirevolucionári-as de produção, propiciavam um processo de enfraquecimento da classe trabalhadora, à precarização do trabalho, à con-centração de renda e à exclusão social.
O termo sociedade da informação foi formulado por Fritz Machlup em 1962 (MALlN Apud CARVALHO; KANISKI, 2000, p. 35) quando desenvolvia estudos sobre a livre concorrência nos Estados Unidos, perce-beu a emergência de um novo campo; que era o da produção de conheci-mento e conseqüentemente de uma nova classe trabalhadora, a dos traba-lhadores do conhecimento. Outro fatar importante, foi o surgimento de um novo setor da economia - o informacional - que engloba as atividades en-volvidas na produção, processamento e distribuição de mercadorias e ser-viços de informação, incluindo atividades aparentemente díspares, como serviços de jornalismo, pesquisa científica, produção de computadores e burocracia (MALIN apud MARENGO, 1996, p. 116).
Os processos sociais sempre exerceram influência nos avanços tecnológicos. Castells (1999), observa que o grande avanço tecnológico nos Estados Unidos nos anos 70 pode ser relacionado ''[. ..] a cultura de liberdade, inovação individual e iniciativa empreendedora oriunda de cul-tura doscampinorte-americanos na década de 60 [...]".
Na sociedade da informação é importante ratificar que os fatores-chave para as transformações técnicas, organizacionais e administrativas
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são os insumos da informação propiciados pelos avanços tecnológicos na microeletrônica e nas telecomunicações.
O estágio em que os países industrializados se encontram na socie-dade da informação está mais avançado do que nos menos industrializados, definindo o novo paradigma que é o da tecnologia da informação e que segundo Castells (1999) tem as seguintes características: a informação é sua matéria-prima, o efeito das novas tecnologias tem alta penetrabilidade, há predomínio da lógica de redes bem como a flexibilidade e crescente convergência de tecnologias.
Há que desfazer a visão errônea sobre o determinismo de maneira técnica, neutra e dissociada dos fatores sociais e políticos. Ocorre uma com-plexa interação entre os fatores sociais pré-existentes, criatividade, espírito empreendedor, propiciando o avanço tecnológico e suas aplicações sociais. A tendência econômica atual é cada vez mais que as ações econômi-cas se realizem em blocos como a União Européia, a Área Livre de Comér-cio das Américas - ALCA e o MERCOSUL onde, os Estados naComér-cionais renunciam a parte de sua soberania para, desse modo, colocar seus produ-tos no mercado internacional e ter condições de competir nesse mercado. A economia globalizou-se em um mercado mundial dominado por bens e ser-viços intensivos em conhecimento (onde a parcela correspondente ao traba-lho intelectual inativo é superior aos demais insumos).
Com o fim da Guerra Fria e da corrida ao espaço, diminui significa-tivamente a intervenção dos Estados Nacionais no paradigma tecnológico através de investimentos específicos para o setor. Atualmente são as gran-des cooperações transnacionais as maiores responsáveis pelo gran- desenvolvi-mento do paradigma tecnológico.
Para oportunizar o desenvolvimento da compe!itividade nos setores produtivos, as nações desenvolvidas destacam importância ao setor educa-cional e preparação de trabalhadores e povo, almejando a capacidade de gerar e utilizar conhecimento e inovações. A economia modema requer profissionais bem qualificados, adaptáveis e inovadores no que concerne às constantes mudanças que ocorrem no mercado de trabalho e com especial atenção aos avanços das tecnologias da informação e comunicação para que sejam parte da realidade social.
2.4 Programa Sociedade da Informação no Brasil
Em meados de 1995 a Internet foi aberta à operação comercial no Brasil, ocasião em que o governo cumpriu o primeiro ciclo do
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mento de redes no país. Desde então, o Ministério da Ciência e Tecnologia vem monitorando e avaliando o desenvolvimento das redes brasileira e mundial, além de propor alternativas para a montagem da próxima fase da Internet no Brasil.
Através do Decreto Presidencial n° 3294 de 15 de dezembro de 1999, foi instituído o Programa Sociedade da Informação no Brasil- Soclnfo que foi concebido a partir de uma série de estudos iniciados em 1996, conduzi-dos pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e parte do conjunto de projetos que compõem o Plano Plurianual- PPA - 2000-2004, dispondo de um aporte de recursos previsto de R$ 3,4 bilhões, oriundo das fontes do Tesouro, do setor privado, dos estados e municípios, além da receita fiscal. O Programa SocInfo tem por objetivo integrar, coordenar e fomentar ações para a utilização de tecnologias de informação e comunicação, de modo a permitir a inserção efetiva da sociedade brasileira na sociedade da informação e, ainda, contribuir para o incremento da competitividade das empresas nacionais no mercado global. Para o sucesso do Programa é es-sencial o compartilhamento de responsabilidades entre governo, empresa e sociedade civil.
O Programa se desdobrará em sete grandes linhas de ação: Mercado, trabalho e oportunidades; universalização de serviços para a cidadania; edu-cação na sociedade da informação; conteúdos e identidade cultural; gover-no ao alcance de todos; pesquisa e desenvolvimento - P&D, tecgover-nologias- tecnologias-chave e aplicações; e infra-estrutura avançada e novos serviços (BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Programa Sociedade da Informação).
O papel do governo, nos níveis federal, estadual c municipal é garan-tir a democratização do acesso às tecnologias da informação, em especial a Internet a todos os cidadãos, não importando distâncias geográficas e situ-ação sócio-econômica. Cabe ainda ao governo, estimular e viabilizar a par-ticipação das minorias sociais, pequenas empresas, organizações sem fins lucrativos, aos beneficios proporcionados pela sociedade da infonnação. O governo pode assegurar também, condições competitivas equânimes entre os diferentes agentes econômicos, utilizando políticas públicas e principal-mente um aparato regulador legal, harmônico e flexível que proteja os inte-resses dos cidadãos.
O setor privado é o que possui maior capacidade de investimentos e de inovação do dinamismo das ações abrangentes e capilarizadas, essenci-ais para tomar realidade as ações propostas pelo Programa SocInfo. O se-tor privado precisa buscar a colaboração de diferentes parceiros, tomar a
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dianteira de produtos de alta qualidade e de serviços inovadores que criem oportunidades de novos mercados e oferta de trabalho.
A sociedade civil e, em especial as Organizações Não-Governamen-tais -ONG's, tem o importante papel de zelar e resguardar o interesse público. Cada indivíduo tem seu próprio papel no que se refere ao uso, disseminação dos conteúdos das redes.
As universidades e centros de pesquisa têm sua importância na for-mação dos recursos humanos e na construção da indispensável base tecnológica.
O Programa SocInfo foi lançado em 1999, ocasião em que foram apresentadas as bases para a sua construção, com sua concepção geral e propostas para o envolvimento de todos os setores. Durante essa etapa um grupo de implantação de mais de cem especialistas (governo, setor privado, setor acadêmico e sociedade civil) trabalharam na elaboração de um docu-mento preliminar intitulado Sociedade da Informação no Brasil- Livro Verde.
O segundo estágio foi consolidado com o lançamento do Livro Ver-de, em agosto de 2000 e sua ampla divulgação e discussão com a sociedade brasileira, para assim obter subsídios para um consenso acerca de suas estratégias, metas e ações a serem estabelecidas no documento definitivo o Livro Branco.
O terceiro estágio foi marcado pelo lançamento do plano definitivo, isto é, a publicação em junho de 2002 e o lançamento em 15 de agosto de 2002 (Solenidade de Outorga da Ordem Nacional do Mérito Científico) do Sociedade da Informação no Brasil - Livro Branco, que consiste no guia de todas as ações do Programa, além de ser um instrumento para a fonnulação das políticas do governo federal para as-áreas de computação, comunicação e conteúdos.
Nas diretrizes do Livro Branco, prognostica-se para 10 anos que os investimentos brasileiros em P&Dchegue ao patamar de 2% do PIB e, ainda, que seja o marco institucional para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil tendo em vista a realidade da sociedade da infonnação (BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia - Programa So-ciedade da Informação).
3 MEIOS
DE
COMUNICAÇÃO
NA
SOCIEDADE
GLOBALIZADA
A geração, desenvolvimento e proliferação de novos serviços e
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dutos provenientes dos avanços das Tecnologias de Informação e Comuni-cação - TIC's, caracterizadas pela interatividade e virtualidade, levam a discussões sobre a relação sociedadeversustecnologias informacionais. A
democracia cultural advém de uma profunda interação e uma certa autono-mia entre as instâncias econômica, política, social e cultural de uma socie-dade.
O avanço das TIC's proporcionou o descerrar das redes de comuni-cação, que podem exercer um papel primordial na evolução política, eco-nômica, social e cultural das nações em desenvolvimento que já possuem suas conexões de acesso à Internet. Os países que não estão conectados estão fadados a um declínio constante. Um dos principais obstáculos do crescimento da rede nos países em desenvolvimento é a baixa qualidade das instalações das telecomunicações, aliada a elevada taxa de tarifas para chamadas locais, o preço dos equipamentos e ainda o fator cultural de baixa familiaridade com a rede.
As TIC's podem servir a dois objetivos: tanto como instrumentos para a satisfação informacional de um indivíduo, colocando a seu alcance o patrimônio cultural da humanidade, como também, em um instrumento de dominação imposta pela sociedade capitalista. Atualmente, o que se perce-be é que as TIC's ainda são instrumentos de desigualdade social por serem predominantemente utilizadas por aqueles com maior poder econômico.
Hoje em dia, fazemos parte do processo da comunicação massificada, onde as informações que chegam a nós são escolhidas e impostas, segundo critérios próprios pelos emissores, a uma grande massa sem que suas ne-cessidades informacionais sejam levadas em consideração. Há uma sobre-carga de informações, principalmente, na Internet, com a incorporação de sons, imagens, cores e ícones, enriquecendo e empobrecendo seu conteúdo e despertando no indivíduo um desejo cada vez maior de a cada clique explorar a maior quantidade de informação.
A mesma Internet que nos leva ao melhor do conhecimento, também entope as pessoas de puro lixo cultural. Para Eco (2000, p. 16), ela pode ser comparada a uma enchente em que não se pode parar a informação e que o excesso de informação é péssimo na medida em que não se consegue esco-lher a informação que nos é relevante.
Sabe-se que para se ter acesso à Internet é necessário o equipamento adequado e, no Brasil, tem-se um outro entrave de custos. A efetiva universalização de acesso a Internet inclui o terminal de acesso, a
assinatu-Infociência, São Luís, v. 3, p. 98-114, 2003
L
III
ra da linha telefônica, as tarifas locais e interurbanas e a assinatura do pro-vedor.
O Estado tem um importante papel no sentido de incorporar os info-excluídos na sociedade da informação. O setor privado tem a responsabili-dade de induzi-lo a participar ativamente das ações que objetivem uma democratização de acesso à internet e ainda regulamentar as ações do setor privado. Iniciativas como oferta de acesso gratuito fomentado pela compe-tição acirrada dos provedores, ainda que benéficas, não são suficientes para uma efetiva universalização digital.
As propostas para a universalização do acesso à Internet têm se direcionado para três grandes frentes que são a educação pública, a infor-mação para a cidadania e o incentivo à montagem de centros de serviços de acesso público à Internet. A maioria das proposições baseiam-se no incen-tivo à montagem de telecentros, quiosques, bibliotecas públicas etc.
No que se refere às políticas que realmente possam assegurar a de-mocratização da Internet em nossa sociedade, destaca-se a Lei Geral de Telecomunicações - LGT de 16 de julho de 1997, que considera apenas o serviço telefônico fixo comutado como serviço público e portanto passível de universalização. A lei não abrange a telefonia celular e muito menos a comunicação de dados via Internet (TAKAHASHI, 2000, p. 36).
Na sociedade da informação a Internet deve ser vista como uma tecnologia da inteligência, inserida em sua cultura, exigindo uma nova for-ma de pensar no sentido de estabelecer as conexões necessárias de ufor-ma sociedade em contínua evolução.
A Internet não é uma tecnologia pronta. Franco (1997) a compara a uma cidade em permanente construção, onde a vida de seus prédios é ex-tremamente efêmera. No ciberespaço tudo o que não é nbvidade toma-se arcaico e ultrapassado. Para a transmissão do saber no espaço virtual são necessários os signos, os protocolos, as chaves e as senhas que não estão
armazenadosem um suporte físico são, portanto, virtualidades dificeis de
serem realmente compreendidas por quem não está familiarizado com es-tas linguagens.
O homem sempre procurou criar instrumentos técnicos para o seu fazer físico e cognitivo, que funcionam como mediadores de sua relação com a natureza. Existe uma relação recíproca, do homem que utiliza a tecnologia para alcançar a informação e a energia necessária à sua regulação, e da tecnologia concretizada em máquina que necessita do homem como agente regulador.
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As novas tecnologias, por não estarem ao alcance da maioria, susci-tam desconfiança e até, rejeição, como se fosse a solução diante daquilo que desconhecemos. Franco (1997) considera importante a compreensão de como a Internet funciona e se transforma, exigindo de seu usuário um novo tipo de olhar e uma aprendizagem constante.
4 CONCLUSÃO
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cotidiano da sociedade da informação perpassa pelos contatos ele-trônicos. Cada vez mais o contato pessoal, as cartas, o telefone estão sendo considerados uma realidade distante. A busca pela melhor performance, pelo individualismo tonificam a realidade pós-modema. Vivemos na Soci-edade Espetáculo (DEBORD, 1967) onde todas as informaçõesconcernentes ao fazer/ao ser/ao estar/ao precisar, estão estampadas nas te-las eletrônicas.
As pessoas não são mais vistas como um conjunto homogêneo (mes-mo por que não o são) e sim pelas suas particularidades (homem/mulher, judeu/muçulmano, católico/evangélico, negro /branco etc) e necessidades duais, nem sempre guardadas as ressalvas para cada um. Buscam-se alter-nativas e perde-se rotineiramente na infinidade de detalhes. Assim também se caracteriza o ambiente informacional, onde são particularizados e espe-cializam-se as buscas pelas informações, buscando delinear o perfil do cli-ente às vezes esquecendo o seu meio, que retrata o seu referencial.
A globalização da informação provocou alterações em todas as áreas do conhecimento humano, nas relações sociais e de trabalho. Contribuiu para a formação de uma economia baseada no gerenciamento da informa-ção e na utilizainforma-ção maciça das tecnologias da informainforma-ção e comunicainforma-ção e, principalmente, das inúmeras facilidades promovidas pelo uso da Internet. Mas, como qualquer processo transitório, ocorrem rejeições em face da massificação das tecnologias de informação e comunicação, que certa-mente é uma atitude questionável a adotar diante do novo. Essas tecnologias vieram ampliar a capacidade cognitiva libertando-a das atividades mecâni-cas para as atividades de criação.
A educação é o elemento fundamental para a construção da socieda-de da informação.Éatravés da educação que as pessoas despertam para as diferentes formas de lidar com o novo, conseguindo criar e inovar. Assman (2000, p.9) nesse sentido comenta que "[...] é fundamental considerar a sociedade da informação como 'uma sociedade da aprendizagem' [...] que
Infociência, São Luís, v. 3, p. 98-114, 2003
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dura toda a vida, com início antes da escolaridade obrigatória, e que decor-re no trabalho em casa."
A realidade brasileira sempre marcada por desigualdades sociais, políticas, econômicas e culturais dificultam, inicialmente, implementar pon-tos fundamentais para a sociedade da informação, tais como, universalização da informação, qualificação profissional, alfabetização digital e acesso re-almente coletivo à Internet. O caminho indicado a seguir é o compartilhamento de responsabilidades entre governos, setor empresarial e sociedade civil.
A concepção e implantação do Programa SocInfo é o exemplo mais recente de como efetivar esse compartilhamento de responsabilidades. Com o sucesso do Programa, a população brasileira poderá usufruir dos benefí-cios proporcionados pela sociedade da informação.
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