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Rev. Col. Bras. Cir. vol.34 número1

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Academic year: 2018

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Vieira Escolha das Especialidades. Assunto em Discussão

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Vol. 34 - Nº 1, Jan. / Fev. 2007

Editorial

Vol. 34 - Nº 1: 001, Jan. / Fev. 2007

Rev. Col. Bras. Cir.

ISSN 0100-6991

ESCOLHA DAS ESPECIALIDADES. ASSUNTO EM DISCUSSÃO

SPECIALITY CHOICE. THEME IN DISCUSSION

Orlando Marques Vieira – ECBC

Ex-Presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

O número de alunos matriculados nos cursos de medicina é crescente. Em dezembro de 2006, o Brasil tinha 152 escolas médicas em funcionamento e este número tende a aumentar, tendo em vista os vários pedidos para abertura de novas escolas de medicina no Brasil.

A área da saúde é uma das que terá um crescimento real no país. O leque de opções nesta área é imenso e abriga um crescente número de profissionais médicos e de outras áreas ligadas à saúde. Vários procedimentos que surgiram ultimamente implicaram numa demanda importante de médi-cos, por exemplo, a área do diagnóstico por imagem e a cha-mada radiologia intervencionista.

No início do Século XX, existiam o clínico e o cirur-gião; algumas vezes mesclando-se em seus atendimentos. Ao cirurgião cabia a realização dos chamados procedimen-tos cirúrgicos. A atuação do cirurgião não tinha limites, de-senvolvia suas atividades em todos os seguimentos do cor-po humano.

O desenvolvimento científico e a necessidade do emprego de técnicas especiais acarretaram no surgimento dos especialistas. Várias especialidades científicas se desenvol-vendo e, nos anos 50, já tínhamos várias áreas reconhecidas. A especialização representa uma evolução natural dos cirurgiões, alicerçados no progresso da ciência cirúrgica e na propedêutica instrumental. Hoje, vemos serviços dedica-dos a setores e até a um único órgão, como é o caso de cirur-gia cardíaca, cirurcirur-gia hepática e até a uma doença, o caso da cirurgia chamada “cirurgia oncológica”.

As especialidades eram escolhidas como conseqü-ência da aptidão e das oportunidades advindas do trabalho contínuo nos serviços médicos, clínicos ou cirúrgicos. Na cirurgia, a liderança era de importância fundamental e os pro-fessores ou chefes acompanhavam o jovem cirurgião no seu desenvolvimento.

A implantação da Residência Médica no Brasil, na década de 50 do Século XX, veio trazer novas possibilidades do aprendizado em serviço e, conseqüentemente, a formação em diversas especialidades, sempre com a regência de um líder.

Como já foi por mim comentado em editorial da Re-vista do CBC “a Cirurgia Geral certamente permanece como a

base da formação cirúrgica e passou-se a denominar de Cirur-gião Geral aquele com atuação predominante na parede abdo-minal, no aparelho digestivo e no trauma”.

Ao cirurgião geral também cabe, ainda hoje, a res-ponsabilidade do atendimento – além de sua rotina – dos casos de emergência do próprio hospital e dos resultantes de pacientes externos com quadros emergenciais traumáti-cos e não-traumátitraumáti-cos. Michael Choti, responsável pelo Pro-grama de Residência Médica do Johns Hopkins Hospital, observou que somente os residentes de cirurgia geral, neurocirurgia e transplantes são ocupados em 90% de sua carga horária.

Hoje, é notória a pouca procura pelas especialida-des, ou mesmo ramos destas próprias especialidaespecialida-des, que impõem um ritmo de vida calcado nas jornadas árduas e exaus-tivas.

Deve ser lembrada a presença numérica importante das mulheres exercendo a medicina e, isto, veio mudar o qua-dro da preferência nas especialidades. Em sua maioria, as mulheres dão preferência às áreas de trabalho que possam compatibilizar a profissão com sua vida pessoal.

O Professor Erlo Roth, professor em Chicago, em conferência na Academia Nacional de Medicina, deixou claro, ao falar sobre Ensino de Graduação Médica nos Estados Uni-dos da América, que os alunos têm, hoje, uma preferência bem definida para os ramos da medicina que lhes assegurem uma boa qualidade de vida e um bom mercado de trabalho; em conseqüência disso, várias especialidades caminham para uma procura preferencial escassa.

Garantia de trabalho futuro é uma meta justa dos nossos estudantes. Por outro lado, é preciso chamar a aten-ção das autoridades, e mesmo das instituições médicas, da necessidade do incentivo às áreas que hoje não se revelam preferenciais. Neste momento, é notório o decréscimo na escolha para Cirurgia Geral, Cardíaca, Transplantes e Neurocirurgia. Mas estas especialidades não podem pres-cindir do apoio, de várias formas, que mantenham o funcio-namento progressivo e não, a estagnação.

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