TÍTULO: EFEITOS DA ÁGUA MAGNESIANA DO PARQUE DAS ÁGUAS DE SÃO LOURENÇO/MG SOBRE A PRESSÃO ARTERIAL E DIURESE DE RATOS INDUZIDOS A HIPERTENSÃO POR L-NAME TÍTULO:
CATEGORIA: EM ANDAMENTO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: MEDICINA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE MEDICINA DE ITAJUBÁ INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): ILTON DE OLIVEIRA FILHO AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): NILO CÉSAR DO VALE BARACHO ORIENTADOR(ES):
1. INTRODUÇÃO
As águas são um retrato dos solos por onde passam e algumas vezes brotam de regiões extremamente profundas, ou até mesmo de territórios que apresentam origens vulcânicas. 1,2 Trazem em sua composição uma grande quantidade de minerais, dentre eles o carbono, o enxofre, o ferro, o magnésio e outros.1,2
A origem do uso das águas para fins medicinais data de 2400 a.C. pelas culturas proto-indiana, egípcia, assíria e muçulmana que usavam a água com propostas curativas.3,4
Apesar do estudo dos gregos (460-365 a.C.), foram os romanos (330 d.C) que expandiram e desenvolveram terapias curativas utilizando os diversos tipos de águas disponíveis nos territórios por eles conquistados. 3,4 A partir da queda do império romano, essa medida terapêutica foi sendo esquecida, até que por volta de 1600 a 1700 com a descoberta de que diferentes composições e origens das águas podem exercer efeitos benéficos a saúde e a sua reabilitação, muitos profissionais passaram a redescobrir, à luz da ciência contemporânea, o uso terapêutico das águas. 1-3 Acredita-se então que para cada tipo de tratamento é necessária uma fonte hidromineral, pois estas fontes possuem características estruturais e bioquímicas diferentes. 5
Atualmente, já é de conhecimento popular a importância do consumo diário de água e os efeitos da sua falta ao organismo, além das propriedades curativas das águas minerais. 2-4,6,7 Em geral, alguns dos benefícios ditos obtidos pela ingestão de águas mineralizadas incluem a normalização da insulina e do peso corporal, a manutenção dos níveis adequados de colesterol, a redução da acidez sistêmica, o tratamento de doenças crônicas e reumáticas, o alívio de dores, os efeitos hidratantes, antioxidantes e anti-inflamatórios e a conservação da atividade eletrolítica ideal para o corpo.1,3-8 Também atua contribuindo para a melhora de estados congestivos e espasmódicos das vísceras abdominais e pélvicas, para varicosidade dos membros inferiores, no pós-traumático e no pós-cirúrgico e até mesmo para alguns tipos de dermatoses.1,3-9
No entanto, sabe-se também que o uso das águas terapêuticas deve ser controlado, uma vez que o consumo exagerado de algumas destas pode acarretar sérias complicações à saúde, tanto por sua composição físico-química quanto microbiológica. 10-13
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA).14-21 Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais. 14-21 É diagnosticada pela detecção de níveis elevados e sustentados de PA pela medida casual. Os valores ótimos considerados são menores que 120 mmHg (pressão sistólica) e 80 mmHg (pressão diastólica) e os limítrofes estão entre 135-139 mmHg (pressão sistólica) e 85-89 mmHg (pressão diastólica), sendo os valores acima destes considerados hipertensão grau I, grau II e grau III. 14,20 A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da PA a partir de 115/75 mmHg de forma linear, contínua e independente. 14 Essa doença multifatorial tem alta prevalência (entre 22,3% e 43,9% segundo vários estudos, com mais de 50% entre 60 e 69 anos e 75% acima de 70 anos). 14,15,19,20 Em 2001, cerca de 7,6 milhões de mortes no mundo foram atribuídas à elevação da PA (54% por acidente vascular encefálico e 47% por doença isquêmica do coração), sendo a maioria em países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos. 14,15,19 Em nosso país, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte.14-21 As complicações da hipertensão arterial ainda levam a um alto índice de morbidade e de internações, gerando alto custo ao sistema público de saúde. 14,15
Os fatores de risco estão ligados a genética, a idade, ao gênero e a etnia, ao sedentarismo, ao consumo de álcool e a ingestão de sal. 14-21
O tratamento nos pacientes sem risco adicional baseia-se, primeiramente, em tratamento não medicamentoso isolado; nos pacientes com risco adicional baixo em tratamento não medicamentoso por até 6 meses; nos
pacientes com risco adicional médio, alto e muito alto em tratamento medicamentoso aliado ao tratamento não medicamentoso. 14,20,21
O tratamento não medicamentoso é entusiasticamente recomendado na prevenção primária da HAS, principalmente naqueles em que a PA está próxima da limítrofe.14 As principais medidas para normalização da PA sistêmica baseiam-se no controle de peso, diminuição da ingestão de sal, prática de exercícios físico e mudança do estilo alimentar para o padrão dietético DASH (Dietary Approaches to Stop Hyper- tension), rico em frutas, fibras e minerais, hortaliças e laticínios com baixos teores de gordura (adesão a esse tipo de dieta reduziu em 14% o desenvolvimento de hipertensão, pois potencializa o emagrecimento reduzindo os biomarcadores de risco cardiovascular) sendo os benefícios sobre a PA sido associados ao alto consumo de magnésio, potássio e cálcio nesse padrão nutricional.14-21
O magnésio é um mineral com funções vitais no organismo, possui efeito anti-hipertensivo por suas propriedades antiarrítmicas, atua no tônus vascular (vasodilatação), na contratilidade, no metabolismo da glicose e na homeostase da insulina. Menores concentrações de magnésio estão relacionadas a estresse oxidativo, estado pró-inflamatório, disfunção endotelial, agregação plaquetária, resistência à insulina e hiperglicemia, ou seja, em baixas concentrações favorecem o aumento da pressão arterial sistêmica e dos seus diversos agravantes.14,18
Em suma, o magnésio é sabidamente um fator protetor cardiovascular, sendo estimulada a sua suplementação na alimentação para combate e prevenção da HAS e diversas outras patologias do sistema vascular.14,18 As águas termais são usadas há milênios para cura ou recuperação de morbidades, e na idade moderna, diversos estudos tem comprovado, a luz da ciência, o que há muito era dito pela cultura popular.1,3-8 O Parque das águas de São Lourenço/MG possui 9 fontes hidrominerais que são extensamente utilizadas na região para tratamento não científico de diversas moléstias.22 Uma dessas águas é a proveniente da Fonte Andrade Figueira (água magnesiana) que pelo senso-comum é indicada no tratamento de distúrbios hepáticos, vesícula biliar, certas alterações do intestino grosso e da hipertensão arterial
sistêmica. Se corroborada a hipótese, essa água poderia se tornar um importante aliado na propedêutica da prevenção e combate a hipertensão arterial sistêmica, já que se trata de uma alternativa natural, barata, de fácil aquisição e alta adesão dos pacientes.
OBJETIVOS
O objetivo do estudo será determinar os efeitos anti-hipertensivos e diuréticos da água magnesiana do Parque das águas da cidade de São Lourenço/MG em ratos induzidos a hipertensão por L-name.
METODOLOGIA
O estudo foi realizado na sala de experimentação animal do Biotério da Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIt) e nos Laboratórios de Fisiologia e Bioquímica da FMIt. A água em estudo foi coletada após o término da indução a hipertensão, semanalmente, durante 01 mês referente ao tratamento.
Foram utilizados 40 ratos, machos, com idades entre 60 e 90 dias, sadios, da linhagem Wistar, pesando entre 200 e 250 gramas. A hipertensão arterial experimental foi induzida pela administração de L-name via oral por gavagem (20 mg/Kg) durante 07 dias.23-25 Da amostra inicial, 40 ratos foram L-name-induzidos.28 A pressão arterial média (PAM) foi analisada no sétimo dia após a indução através de plestimografia de cauda e os animais com níveis superiores a 140 mmHg foram considerados hipertensos. Foram formandos 04 grupos com 10 animais cada (n=10): 15-17 Grupo 1 (Controle): 01 ml de água destilada por gavagem uma vez ao dia e água potável ad libitum; Grupo 2
(tratado com água magnesiana): 01 ml de água destilada por gavagem uma
vez ao dia e água magnesiana ad libitum; Grupo 3 (tratado com maleato de
enalapril): 01 ml de água destilada contendo maleato de enalapril 10 mg por
gavagem uma vez ao dia e água potável ad libitum; Grupo 3 (tratado com
maleato de enalapril): 01 ml de água destilada contendo maleato de enalapril
10 mg por gavagem uma vez ao dia e água potável ad libitum; Grupo 4
(tratado com maleato de enalapril e água magnesiana): 01 ml de água
destilada contendo maleato de enalapril 10 mg por gavagem uma vez ao dia e água magnesiana ad libitum.
Os animais foram colocados em gaiolas metabólicas onde foram acompanhados por 30 dias referentes ao tratamento, a PAM foi aferida 02 vezes por semana e a diurese verificada todos os dias no mesmo horário.15-17 Foi realizado um reforço de L-name (20 mg/kg/dia) durante o tratamento para manutenção da pressão. Após 30 dias de tratamento, os animais foram eutanasiados e com o material coletado foram realizadas as seguintes dosagens laboratoriais: creatinina sérica, clearance de creatinina, ureia sérica, magnésio sérico, cálcio sérico e fósforo sérico. Com a urina colhida será feito o teste de creatinina urinária.27
DESENVOLVIMENTO
Toda a metodologia foi aplicada a primeira etapa do trabalho com amostragem de 12 ratos, sendo: G1 n=4; G2 n=3; G3 n=3; G4 n=2. O material colhido, tanto sangue como urina, foi enviado para análise laboratorial para os testes já citados. O período de tratamento dos ratos (n total=12) teve início na data de 27/07/2015 e término na data de 27/08/2015.
RESULTADOS PRELIMINARES
Quanto a PAM (pressão arterial média), houve diferença significativa entre os 3 grupos tratados em relação ao grupo controle no fim do experimento. Entretanto, não houve diferença significativa entre os grupos tratados apenas com enalapril e enalapril associado à água magnesiana.
0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 140,00 160,00
Dia 0 Dia 4 Dia 8 Dia 12 Dia 16 Dia 20 Dia 24 Dia 28 Dia 30
Controle Enalapril Magnesiana MagEna
Já a diurese diária, como observado no gráfico abaixo, houve diferença significativa entre os grupos tratados tanto com enalapril quanto com enalapril associado à água magnesiana no fim do experimento quando comparados ao grupo controle. Embora a diurese do grupo tratado somente com água magnesiana tenha tido altos valores iniciais, houve queda progressiva da diurese até igualar aos valores encontrados no grupo controle no fim do experimento.
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0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 20,00 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Controle Enalapril Magnesiana MagEna
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