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Zero, 2015, ano 34, n.4, jul.

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(1)

rimeira

participação,

atletas da

seleção

brasileira

r

"":,

sonh�m

:¢ORl8S

semifinais

Página

s

permanece

drag

queens

de

Floripa

Elas

mostram

que

os

padrões

de

gênero

e

de

estética

.corpQtª'

(2)

Trinta

e

duas

despedidas

e um

obrigado

Não

podemos

dizer quefoi umsemestre compouco trabalho.

Fomosàsruasouvir

manifestantes,

navegamosnas

profundezas

da

internet,demosvoz aosque não são ouvidos

pela

grande

mídia...

Acada

edição, aprendemos

umpouco mais afazer

jornalismo

e a amar a

profissão

queescolhemos.

A

edição

que vocêtememmãos,que éaúltima

produzida pela

nossa

equipe

de32

alunos,

tambémnãofoi diferente:visitamosco­

munidades

indígenas, acompanhamos

a

produção

de

drag

queens,

entrevistamososcatarinenses que irãorepresentaro

país

no

Mun-dial deFutebolAmericanoe conversamos comvárias pessoascom

histórias

supreendentes.

Mesmocomtodosostrabalhos

finais,

não

faltou

dedicação

e

esforço

paracontarboas histórias.

Esperamosque

você,

leitor,

quenos

acompanhou

durante todos

essesmeses, tenha

gostado

donossotrabalho.Etorcemos,

também,

para que as

próximas

equipes

que virão

consigam aproveitar

ao

máximoa

experiência

queoZeronos

proporcionou.

Nos

despedimos desejando

avocêumaótimaleitura!

-NascidaemSão

Paulo,

Laura

Capriglione

é

jornalista independ­

ente. Trabalhoucomo

repórter

especial

do

jornal

Folha de S. Paulo

entre2004e2013.

Dirigiu

oNotícias

Populares

(SP),

foi

diretora denovos

projetos

daEditora Abrilediretora

executivanarevistaVeja. Vencedora doPrêmio Essade

Reportagem

em

1994,

mudouradicalmentesua

carreirae

migrou

do

jornalismo

impresso

parao

digital.

Participa

do

grupo

jornalistas

Livres.Éumadas

fundadoras

doColetivoPonte, canal de

informações

sobre

Segurança

Pública,

justiça

eDireitoHumanos.

Laura

Capriglione

fundamento técnico.

Legal

omapadasmilhas náuticas e o

tipo

de

embarcação permitida.

Lindasasfotosda pescaartesanal.Sentifalta

apenasdocontraponto

iconográfico

dapesca

industriale

semi-industrial,

feitacom o ema­

lhecosteiro.

A-do-reioobituário docachorroFrederico.

Lindoecomovente texto.Ofinalé

precioso.

Excelentea

polêmica

sobreaacessibilida­ de da UFSC.

Surpreéndi-me

comonúmero de alunos surdos nauniversidade- 200

-, cer­

tamentemuito mais doque osexistentes na

USP.TalvezaUFSC

seja

mesmo ummodelo de inclusão de pessoas com

deficiência,

apesar

dos

problemas

queareportagemcorretamen­ teaponta.

Acho,

porisso,que teria sido

legal

se tivéssemos ouvido a Reitoria e os

órgãos

responsáveis

pela

acessibilidadeno

câmpus.

Muito boa a reportagem sobre o futebol

femininoe oKindermann.

Ótimas

fontesen­

trevistadas,

ótimotexto,pauta

surpreendente.

Pena quea

diagramação

tenha socadoasfo­

toscomo socou.Euteriareduzidoaentrevista

com o cartolaem

prol

deuma

diagramação

mais

arejada,

que desse mais peso à

fotografia.

Corretas e necessárias as pautas sobre a

eleição

doDCE, oCentrode

Desportos,

aFei­

rinha de

Orgânicos,

as bikes e aspraçasno

Continente.

NOTA

DA

REDAÇÃO

Resposta

ao

lllemorando

número

020/2015!CCGNFR

da

Coordenação

do curso,

Dl!partamcnto

e Pós

Graduação

cm

Enfermagem,

A

equipe

doZeroentende que:

1.

Segundo

os

critéti?sde

noticiabilidade,

areportagem

justificacsc

deacordocomsua

relevât}cia,

proximidade,

inte­

resse e

identificação.

2.

AapuraçãoepnenhummOlIiento

feriuos

preceitos

éti­ cosda

profissão, já

que

aangulação

da

reportagem estásujeita

a

mudanças

àmedida que

surgem

novas

informações.

3.A

equipe

tinha()conhecimento dacarta escrita

pelo

Cen­

troAcadêmicoLivrede

Enfermagem

(CALEnf),

mas,pornão

ser otema central dareportagem,

optou

pornão

publicá-la,

levandoemconta quesetratavadeuma

retratação

dos es­

tudantes

pela

publicação

danotade

repúdio

na

página

doFa­

cebook do centroacadêmico.Ofoco dareportagem

pautada

pelo

Zeroera o casoemsie aformacomoocursolidoucom

ele.

4. O Zero entende que nãoferiu.o

princípio

dalivreex­

pressão,

porquetodasasfontes foram

procuradas

etiverama

oportunidade

deseremouvidas. Reafirmamosnossapreocu­

pação

em

garantir

espaçoatodososenvolvidos

quando

decidi­

mosadiaremuma semana a

publicação

da

edição,

paraque,

enfim, pudéssemos

realizar uma

segunda

entrevista.com a

coordenadora docurso.Noentanto,as

repórteres

sóforamre­

cebidas

pela vice-coordenadora,

via

Skype,

apesar de inúmeras

tentativas epropostasde datas através de

e-mail,

telefonee

visitasao

Departamento

de

Enfermagem.

EquipeZero

ERRATA

O Zeroreconhece quecometeuum

equívoco

notrabalhode

edição

em:

Chamada de

capa,linha finaesubtítulo:a

redação

"As­

sédio moralna

Enfermagem", "Hierarquia engessada

evertical

dificulta

diálogo

com a

coordenação

docurso eabre brecha

paracasosde

assédio,

como osofrido

pela

estudanteSuzane da Costa*no ano

passado"

e"Para

especialistas,

aluna sofreu

assédio

moral",

dessa forma afirmaqueo casorelatadona

reportagemse

enquadrava

comoassédio

moral.

Porém,

sótínhamosaconfir­

maçãodeumdos três

especialistas

que

analisaramoacontecimentoa

partir

dos

relatosdas fontescitadas.

[email protected] Telefone -(48)3721-4833 Facebook -jjornalzero Twitter- @zeroufsc Cartas -Departamento de Jornalismo- Centro de �...

--Comunicaçãoe Expressão,UFSC,

Irindade, Florianópolis (SC)- CEP:

88040-900

OMBUDSKIVINNA

-Excelente apauta levadapara acapa da

Revista.Temosassistidoa umnúmero

impres­

sionantedeataquesàs

religiões

de matrizafri­

cana,eotemaé mais do que

atual.Considero,

entretanto,que areportagemse

esquivou

do

foco da crise

religiosa,

transformando-a em umbate-boca burocrático. Creio que fez fal­

taumbox sobre os ataques que os terreiros

e

adeptos

da Umbandaedo Candomblévêm

sofrendopor partedefundamentalistas neo­

pentecostais. Gostariaderessaltara

qualida­

deda

diagramação

edasfotos dessa

dupla

de

páginas.

Outro ponto de

destaque

na pauta deste

mêsdoZerofoiaentrevistacom aMCBárbara

Sweet. Entrevista

inteligente,

forte. Referência.

Eu apenas

gostaria

de mencionarumatécnica

queuso emminhas entrevistasequeem

geral

rende

revelações importantes.

Seeu estivesse

entrevistandoa

Bárbara,

feminista que

é,

não

hesitaria em prospectarseu posicionamento

em

relação

aoaborto. Seela fosse

favorável,

perguntariaaela por

quê.

Aseguir, avançaria mais uma casa:você

fezum aborto?Não

se trata de curiosidade banal. Acho funda­

mentalo testemunho

pessoal

dos formadores

deopiniãocomoformadeenfrentamentodos

temas-tabus. Sobre

drogas,

valeo mesmo...

Também

gostei

damatéria da pesca detaí­

nhas. Ótimasfontes

entrevistadas,

bom

apro-zlão

JORNAL

LABORATÓRIO

ZEROAno XXXIV- W 4- Julho de2015

EQUIPEAnaíraSarmento,AndersonSpessatto,AndréPicolotto,Aram.sMerki II,BeatrizSantini,Bruna

Carolina,CintyaRamlov,Djalma Júnior,ElvaGladis,Gabriela DeToni,GiulianeGava,GlóriaIrulegui,GuilhermePereira,luriBarcellos,JoãoZiert,LarissaGaspar,Leonardo

Franzoni, Leonardo Lorenzoni, Lucas Amarildo, Luiza Kons, Luiz Fernando Menezes, Manuela Tecchio, Maicon Rios, Marina Gonçalves, Matheus Moreira, Michele

de Mello, Natália Duane, Nicolas Quadro, Rômulo Garcia, Samantha Sant'Ana, Tiago Ghizoni, Vitória Greve

EDiÇÃO

Beatriz Santini, Djalma Júnior, Luiz Fernando

Menezes

PROFESSOR-RESPONSÁVEL

Marcelo BarcelosMTbjSP25041MONITORIALuísaTavares,MateusVargas

IMPRESSÃO

Gráfica Grafinorte TIRAGEM 5 mil

exemplares

DISTRIBUiÇÃO

NacionalFECHAMENTO 10 dejulho

Melhor JornalLaboratório- I Prêmio Foca

SindicatodosJornalistas dese 2000

MelhorJornal-Laboratório EXPOCOM SUL 2015

3° melhorJornal-Laboratório do Brasil EXPOCOM 1994

������

MelhorPeçaGráfica Set Universitário j PUC-RS 1988, 1989, 1990, 1991,1992e 1998

(3)

Sites

dinamizam indústria

cultural

no

Brasil

Santa Catarina

contabiliza mais

de

800

mil reais

em

investimento

de

produções

Seus

olhos

brilhavam,

o mo­

vimento de suas mãos era suave como otomdesua voz.

Enadaeramais

elegante

que

... sua postura. Ela

respirava

artee seusonho éa

dança.

LidianiEm­

merichsorriaolembrar do

espetáculo

Moebius de

dança

de salão. Produzido

por

integrantes

daGrão

Companhia

de

Dança

de

Florianópolis,

o

projeto

éum

dosmais de 1.800

projetos

viabili­

zadosnoCatarse

-primeira

emaior

plataforma

definanciamento coletivo do

Brasil,

criadaem2011.

Esse

tipo

de iniciativa, também

chamada de

Crowdfunding

em

inglês

-crowd, multidão,

efunding,

finan­

ciamento -, consiste na

obtenção

de

capital

para

projetos

deinteressecole­

tivo atravésde

múltiplas

fontes decus­

teio. Seametafor

atingida

notempo

previsto,

queminvestiunaideia

ganha

recompensase,e

geral,

ositeficacom

umaporcentagemdoinvestimento. O

Catarse,por

exemplo,

ficacom13% do

totalarrecadado.Seo

projeto

nãocon­

seguir

a

quantia

estabelecida dentro

do prazoo

dinhei-ro é devolvido aos

apoiadores.

Assim,

milhares dedesco­

nhecidos têmcon­

tribuído para que

iniciativas, antes

impossíveis,

saiam

do

papel.

O

espetáculo

Moebius de

dança

de salão só

pode

ser

realizadocom o

apoio

do

público.

Fo­

ramarrecadados

R$

16.805,00.

Ameta

inicialera

R$

15 mil. "Como aindaso­

mos umgrupo

jovem

e na

época

não

tínhamosnenhum currículovimosno

Catarse uma

oportunidade

dereunir

nossarede decontatosefazercomque esse

projeto

pudesse

ser

real",

afirma

Lidiani.Abailarinaapontaafalta de

incentivo à cultura no Brasil como

motivação

para as

contribuições

aos

projetos

independentes:

"Aspessoasse

sentempartedeum

projeto

equerem

queoutrostenhamacesso,aconsciên­

ciacoletivaémuitofortenesse

aspec-mais

rápido

emaior

arrecadação

em 24

horas. "Era

compli­

cado entender que

estávamos vendendo

algo

que as pesso­

as não ouviram. O

resultado foi uma

lição

pra todos

nós,

percebemos

o quan­

to temos

respaldo

com os

fãs",

disse o

vocalista da

banda,

Rodrigo

Lima. Com

3.210

apoiadores,

o

projeto

arrecadou

maisde

R$

250 mil.

O valor arrecada­

do além do

previsto

pode

ser reinvestido

na

banda,

que pro­

duziu

clipes

e com­

prou

equipamentos.

E os

apoiadores

do

projeto

receberam

brindes,

como bilhe­

tes para tours fora

do Brasil. "Issoé

perfeito,

umademo­

craciana sua

concepção

maisradical.

Sem

intermediários,

puro

mérito,

por­

que saímos da coerênciadas massas,

do 'éoque

vende',

dosquedominam

essa

indústria,

é realmenterevolucio­

nário. Ficofelizem

poder ajudar

vá­

rios

projetos".

Conforme

Anthony

Ravoni,

re-mixador de ri

II

I

I

1 I '. I I " I

Projetasmaiscomuns noCatarsesão deexibiçõescomo peças deteatro, álbunsmusicais, revistaseexposições fotográficas

informações

do Catarse, a

plataforma

se tornou uma ferramenta de resistência. Para

ele,

exis­

te um sistema apenas inte­

ressado emobras

apresentadas

como

"investimentos culturais

seguros"

de

realizadores

consagrados.

O Catarse

possui

maisde210 mil

apoiadores.

Dosquase

R$

30 milhões

arrecadados,

maisde 800 milvie­

ramdeSantaCatarina,sendo 500 mil

apenas de

Florianópolis,

que conta

com60

projetos.

A

capital

éa8acidade

quemaiscontribuicominiciativasno

país.

São

Paulo,

Rio de

Janeiro,

Belo

Horizontee Porto

Alegre

liderameste

ranking.

Das 80 iniciativas catarinen­ ses,cercade10milpessoascontribu­

íram com

aproximadamente

um mi­

lhão dereais.

Emboracercade 80%dos

projetos

subsidiadosnoCatarse

sejam

voltados

paraartee

cultura,

outrasiniciativas

com

enfoque

na

educação,

ciência e

tecnologia

foram bem sucedidos. Em

2011,Cecilia CussiolieLetícia Arcover­

de,

ex-alunas docursode

Jornalismo

daUniversidade Federal deSanta Ca­

tarina

(UFSC),

submeteramum

proje-"O mundo

está

tão

privatizado

que

quando

surge

uma

ideia

as

pessoas

querent

ajutlar"

to".

AbandaDead

Fish,

deVitória

(ES),

lançou

ano

passado

um

projeto

no

site para a

produção independente

do r álbum.Em 45 dias de campa­

nha,

ogrupobateu recorde demaior

financiamento coletivonahistória do

país.

Ofeito

garantiu

três

premiações:

maior

arrecadação,

alcance de meta

topara arrecadar verbana

produção

do Trabalho de Conclusão de Curso

(TCC),

uma reportagem multimídia.

"São Paulo Polifônica" foio6°

projeto

nahistória da

plataforma.

Paraa

jor­

nalista,

avantagemé que ainternet

ampliou

o acesso a

projetos

de nichos

específicos.

"Seeuquero lerumfanzi­

nede

HQ

sobre

feminismo,

porexem­

plo,

não

preciso

esperar uma

grande

editora analisaro

mercado,

ver seexis­

tedemandapra

isso,

edecidir

publicar.

Certamente tem

alguém produzindo

issoem

algum lugar", completa.

Daniel Silva Santos trabalha na

produção

de games e

desistiu de

submeter um

projeto

por conta de

certas

exigências.

Para

ele,

a pessoa

que

deseja

terumaideia bem sucedida

deve bancar tudo inicialmente. "Em

geral,

ovídeo dáa

sensação

de

'quero

que isso

seja

viabilizado',

masnósnão

temos dinheiro

pra pagar uma

boa

produção.

Quem

consegue

emplacar

projetos

são

aqueles

que

têm estabilidade

como

produtor,

pelo

menos é o

Ministério da Cultura

(MinC).

Ainda

assim,Ravoni,doCatarse,defendeque

aLeinãoésuficiente. "Mesmo sendo

a

principal

forma definanciar

proje­

tos artísticos eculturaisno

Brasil,

as

empresas,

especialmente

as

gigantes,

perceberam

que a melhor

opção

era

apoiar

produtos

culturais bem esta­

belecidos deagentesculturais famosos

no

país.

Transformamem ummeca­

nismode

marketing

comótimocusto

-benefício".

ParaMárcio Vieirade Souza,pro­

fessor da

Pós-graduação

de

Engenha­

riae Gestãodo Conhecimento

(EGC)

daUFSC,háummovimentocrescente

dovoluntariadoe de

democratização

do conhecimentoeda culturanoBra­

sil,

quesedá basicamentenainternete

éfacilitado por ela. "Issoacontece,

pois

omundo estátão

privatizado,

oindivi­

dualismo é extremamente

explorado

eoconsumismo

também,

que

quando

surge uma

oportuni­

dade as pessoas querem

ajudar".

Porém,

o pro­ fessor defende que embora o crowd

funding

contribua paraaindústriacriativano

país,

elenãoésuficiente. "Paratrans­

formar criatividadeem

inovação

eisso

em

inovação

tecnológica,

precisa-se

de

apoio,

política pública, gestão

e

plane­

jamento.

Sóassima nossacriatividade

setransformaráem

inovação

etecno­

logia

e

aí,

em

possibilidades

de edu­

cação,

formação

eaté demovimento

industrialecomercial".

Florianópolis

é

a

oitava

cidade

no

ranking

de

contribuição

tie

projetos

no

Brasil

que acontece nos

jogos

digitais.

Então, nesses casos, a

plataforma

tem um caráter de

pré­

vendaenãode

apoiar

aideia".

A Lei Federal de Incentivo à Cul­

tura,

8.313/91,

conhecida como Lei

Rouanet,

possibilita

que cidadãos e

empresas

apliquem

partedo

Imposto

de Renda devido em

ações

culturais.

Além de terbenefícios fiscais sobre o

valor do incentivo, esses

apoiadores

fortalecem iniciativas culturais que

nãose

enquadram

emprogramas do

Anaíra Sarmento [email protected]

(4)

D

Trindade

os

skatistas,

principalmente

aos ini­ ciantes. Noano

passado,

aPrefeitura de

Florianópolis

anunciou areforma decinco

pistas

de skate da cidade. A

únicaem

execução

éadaCosteirado

Pirajubaé.

A

próxima

seriaadaTrin­

dade,

masque,

segundo

o

engenheiro

civil

responsável pela

obra Ivan Luiz

Schneider, provavelmente

não vá

acontecerporfalta de verba.

Vitinho defende que o estilo de

vida do skate deve ir além da

pista:

"o skateéestilo de

vida,

como sefosse

umaarte.O artista

pinta

quando

quer

pintar,

não

precisa

ir em um

lugar

próprio

paraisso. Acidade deveriaes­

tar

preparada".

Dia

mundial do

skate,

pista

lotada

e

reformada

Skatistas utilizaram materiais

de obras

públicas

para restaurar

estrutura

de

mais

de

10

anos

O

visualerade

gala

noesti­

lostreet:

jeans

mais

jus­

to,camiseta

larga,

meias

cano

alto,

tênisVans- ou

Globe,

au DC

Shoes,

au

Qix

... tanto

faz,

pois

o

que defineo es­

tilo éoestadode

(má)conservação

do

"pisante".

Nodia21de

junho

foimais

oumenos com essa"beca"quecerca

de 300 skatistas sereuniramna

pista

da Trindade para comemorar o dia

mundial do skate. Alémda

efeméride,

os

frequentadores

da Trinda Times

(apelido

da

pista)

tambémcomemo­ raram o anode

conquistas

indepen­

dentesparaa

revitalização

do espaço.

A reforma da

pista

de skate da

Trindade,

iniciada em

janeiro

deste

ano foi idealizadae

projetada

com a

particípação

de mais de 50 pessoas

da comunidade. O material para

construção

veiodefontes diversas.No

início,

atéfoipegodeuma

construção

da

prefeitura

que estava sendo real­

izada nas

proximidades:

areia,

en­

tulho,

ferro. O cimentofoi

comprado

com o dinheiro que

juntaram,

cada

umcontribuindocomo

podia.

Osco­

ping

blocks

(tipo

de "borda" da

pisci­

na, ondesãofeitas as

manobras)

fo­

ramdoadosporAndré

Barros, pai

do

manezinho

pentacampeão

mundial

de skatena modalidade

bowl,

Pedro

Barros.

Sobre ofato de terem arrumado

materiais de outras obras

públicas,

VitorSussekind

(o "Vitinho")

diz que

"o quenãoé

legal

éuma

pista

terdez

anos e nuncareceber uma reforma.

A gente pegou

[o

material]

e nem

fez falta para eles. Então, não tem

lado

negativo

porquenãoépara um

patrimônio particular,

é pra comu­

nidade. Somos os 'Robin Hoods do

skate"'. Vitinhocontaque,nocomeço

da

reforma,

a

polícia "apareceu

al­

gumas vezes,mas

logo

paroudevir".

Tambémcontaque,emcerto

dia,

um

funcionário da

prefeitura

estava di­

rigindo

umtrator

próximo

da

pista

e

"deuumamãopara carregarum car­

rinho de

supermercado",

usadopara

transportar entulhos.Outro fato que

poderia complicar

avida dos "Robin­

woods"éafalta deuma

autorização,

exigida

pela

prefeitura,

paraconstru­

irem local

público.

Serianecessário

apresentar um

projeto

para análise da Secretaria de Obras. Questiona­

da sobre areforma

independente

da

pista,

aSecretariadisse que,

provavel­

mente,a

prefeitura

não teria

objeções

emliberara

execução.

A

pista

foi construída

original­

mente em dezembro de

2004,

antes

atéda

construção

do

Shopping

Igua­

temidooutrolado da avenidaGover­

nador Irineu Bornhausen.

Naquela

época,

as ruas emtomonãoerampa­

vimentadase todaa

região

serviade

pastagem para cavalos.

Hoje,

a

pista

coleciona muitas

histórias,

além de

ter sido

"berço"

de muitos

skatistas,

comoAndré Barros,e

paleo

de festas

com

dj's

ebandas. Olocal emquea

pista

estáaindacontacom um cam­

po de

futebol,

uma

quadra

defutsal

e um

parquinho infantil,

somando

11 mil metros

quadrados.

O terreno

foi concedidona

gestão

doentãopre­

feito de

Florianópolis,

Dário

Berger

(PMDB).

A

doação

foiumapromessa

feita ao

presidente

do Clube Atlético

Catarinense

-mais conhecido como

Galo da Trindade

-Sérgio Machado,

o'Galinha'.

Adécada de convivência entre

Galinha e os skatistas somade­

savenças. Uma das "tretas" é

Construídaemdezembro de2004,a pistada Trindade foioberçodegrandesskatistas,comoAndré Barros

decorrente da "invasão" da

quadra

de

futsal,

que

hoje

foi

equipada

comvá­

riosobstáculos destreet

(modalidade

emqueosskatistas fazem manobras

emescadas ou

corrimões).

Os skatis­

tas

alegam

que o espaço havia sido

apostado

com o

pessoal

que usava a

quadra:

quem vencesse os amistosos

defutsal ficariacom omando daqua­

dra.E os

skatis-tas venceram

todas as par­

tidas. Galinha

diz que "isso

não aconteceu.

É

história. Nós

liberamos o

campo defutsal para eles cons­

truírem".

Também há atritos

quando

o as­

sunto é a reforma da

pista.

Galinha

acusa os skatistas deterem

"pegado

sem

permissão"

aareiadeumcampo

de futebol que ele havia construído para treinar os 115 alunos da esco­

linha de futebol na

qual

é fundador

e que mantem através da

ajuda

da

Universidade do Estado deSanta Ca­

tarina

(UDESC).

Daíem

diante,

sãosó

acusações: Igor

Cruz, umdos skatis­

tas,diz que Galinha havia

prometido

daras tintasparaa

pintura

daNave Mãe

-primeiro

obstáculo

público

que

possui

coping

block -;

suspei­

ta que Galinha

seja

o

responsável

pelo sumiço

dos entulhosque seriam

usadospara preen­

cherosburacos dos

obstáculos...

Hoje,

estãofechadosnum

acordo: Galinha

ajudará

os skatis­

tas a

conseguirem

mais

entulho,

mas

devem apresentar

um

projeto

da obra.

Apesar

dos seismesesde trabalho na

reforma,

a

construção

de 11 obs­

táculose os novos

grafites,

aestrutura

da

pista

continua

inadequada.

O

piso,

quedeveriaserfeito de

granelite,

éde

concreto comum e os obstáculossão

deconcretoalisado. Ambosse

desgas­

taram com o tempo e se tomaram

uma

superfície

áspera,

perigosa

para

'\

gente

pegou

e

tem

fez falta. Nãti

em

lado

negativo

,

iorque

e

para

a

.emunidade,"

DaianeNora [email protected] DjalmaJúnior [email protected] Julho de 2015

ZERO

(5)

Saúde

'.

Quando

medo

e

pavor

atrapalham

a

rotina

Fobias

graves,

quando

não

tratadas,

podem

.gerar

intensos

problemas

psicológicos

VCê

pensou o quanto uma

esponja

ou ovas de

eixe

podem

ser aterrorizantes? Não parece

algo

muito

específico

parasetermedo?Pois não

é,

e

e�se

omportamento tem até um nome:

tripofobia.

E o

medo de círculosou buracos

juntos

em

superfície

orgânica.

Aestudante daUFSC, Lara",acordou diversasvezes compe­

sadelosporque

imaginava

dezenas de bolinhas

espalhadas

por

seucorpo.Ossonhos pararam,massementesdeummamão,

estrela do mar eaté bolhas dear emumaomelete ainda a

aterrorizam. O

coração

dispara,

osmúsculos dorostocontra­

em,a

sensação

de

nojo

surge.

Ignorar

o

objeto,

àsvezes, não

ésuficienteesairdo local

pode

ser aúnica

solução

imediata.

A

palavra

fobiavem do grego e

significa

medo.

Quando

adicionada a

prefixos

vindos também do gregoou

latim,

dão

nome a centenas de transtornos:

Aracnofobia,

medo de ara­

nhas;

Acrofobia,

medo de

altura;

Escotofobia,

medo doescuro.

Tudo

pode

ser um

objeto

demedo.

algumas explicações

queesclarecemaformacomo as

fobias sedesenvolvem.O

psiquiatra,

Luciano

Langie,

atribui

duascausas

principais.

A

primeira

éambiental.Por

exemplo,

quando

uma

criança

crescevendoamãeouo

pai

sentirmedo de uma

barata,

ela

pode

entender que

aquilo

éo correto.A

segunda

forma éatraumática:uma

experiência

ruimcom um

animalem

específico pode

deixar medopara sempresenão

tratado.

Rita MariaManso,

psicanalista,

explica

queacausadeto­

dososmedos está

ligada

a

transposições

de

angústias

eafetosa

algo,

uma vezqueosmedos

podem

sertransferidospara

qual­

quercoisa. Um doscasosmaisfamososna

psicanálise

éode

Hans,quecontaahistória deummeninoque desloca todasas

angústias

e

problemas

enfrentadoscom os

pais

paraa

figura

deum

cavalo, gerando

assimum

pânico

doanimal.

Aliás,

esse

medo tambémtemnome,

Equinofobía,

Os sintomasdasfobias têm formasení­

veisdistintos desemanifestar.Aestudante da

UFSC,

Mariane*,também sofre de

Tripofobia

econta quecírculos simétricosnãoa inco­

modam,

massenteum

nojo

extremo

quando

vê,

por

exemplo,

osfurinhos queseformam

aodescascarumabacaxi.

Lara e Mariane riem contando diversas

situações

constrangedoras

em que se

depa­

raramcom asbolinhas. Muitaspessoas

próximas

costumam

testarasgarotasmostrando

imagens

dascoisas queelassen­

temmedo.Masasmeninas avisamque,mesmo

aprendendo

a

convivercom a

fobia,

nãoéuma atitude

engraçada:

O

nojo,

incômodo,

tremor,suor,

taquicardia

são

alguns

dossintomas

básicos de

quando

umfóbicose

depara

com o

objeto

do medo.

A

psicanalista,

RitaManso,

explica

que todo

sujeito

sente

medo de

algo.

Noentanto, a

situação

pode

sergraveseinter­

ferenarotinae

paralisa

oindivíduo.

É

isso queacontececom

aadministradora deumarede de

cafés,

Bruna

Remeddi,

que

demonstrasintomas gravesde fobia.

Aosnove anosde

idade,

caiudentro deumtanquede

peixes

e,desdeentão,nãoconseguenemolharparaoanimal. "Tem

sidoum

problema

chato.

Cheguei

avomitarem umconsultó­

rio

quando

vium

aquário

na

recepção."

Brunacostuma ter

desmaios,

dores de

barriga

e

deixou de

frequentar

diversos

espaços por saber que havia referênciasaoanimal.

Depois

de

doisanos com

acompanhamento psicológico, hoje

ela

con­

segueverfotos de

longe

epratos

preparados

com

peixe.

Mas

comê-los,

entrarno mar ou encarardepertoo

peixe

aindaestá

fora de

cogitação.

E as

mulheres,

é verdadequeelasestão maispropensasa

desenvolver fobias?Rita Manso afirma que o

fe-mininoficamais

desprotegido naturalmente,

por

Agorafobia

estarmais

ligado

à

incompletude

castração. Já

o

homem,

seautointitula

completo

ealheioapro- Medoe ansiedade

blemas.O

psiquiatra,

Luciano

Langie,

dizque a

probabilidade

deumhomemoumulher desenvol­

verumafobiasão

iguais,

masmulherestêmmais

facilidadeemexporseus

problemas psicológicos,

difícilsaída

enquantoohomem costumamascarar

qualquer

tipo

de

problema.

Nitidamente incomodadacom oscabelos

longos

e

sol-tosda

repórter

doZero,abombeiraAna",decabelos

impeca­

velmente

amarrados,

revela sofrer de

Caetofobia,

medo depe­

losecabelos.Abombeiranãosabeaocerto

quando

começoua

desenvolveressemedo.Certo

dia,

ao ver umemaranhado deles

na

pia

do

banheiro,

acabou vomitando.Ana nãoseincomoda com

pelos

nocorpo,o

problema

é

quando

vêfiosnochãoou

presosem

algo.

Comdoisfilhos pequenos,ummeninode dez

anos e umameninade

dois,

escovar ocabelo damaisnovaé

umatarefa do marido.

"Quando

comentocom

alguém,

todos

me

ridicularizam,

parece

engraçado,

masnão é".Ana relata

queacabou desenvolvendoumanecessidadeexcessiva porlim­

peza, passa panona casa nomínimo duasvezes aodiaevarre,

sempre que

possível,

tudoparaselivrar dos fios

indesejados.

O nãotratamentodasfobias

pode

alastraromedo

para outros

objetos

e desencadear

quadros

mais graves. O

psicanalista

Luciano

Langie

Ablutofobia

---_

afirmaque amaioria dasfobiasnão

preci-Medo de atividades

sade

intervenção

de remédios

-apenascasos

como banhoouque

muitoextremos-, masnecessitadeumbom

envolvamlimpeza

acompanhamento

clínico.

Umadas formasmaisutilizadaspara

trata-mentoéa

Psicoterapia

Cognitivo-Comportamental

(PCC).

Por

exemplo,

se

alguém

temPtesiofobia

(medo

de

viajar

de

avião),

oPCCtrabalhaomedo através da

aproximação

com o

obje­

to:iraoaeroportotomarum

café,

assistir

decolagens

e

viajar

em

companhia

dote-

Eisoptrofobia

---rapeuta.A

psicanálise

éoutraforma de

tratamento,e se

propõe,

com oamemo

de um

profissional,

interpretar

as

ínfor-Medo deespelhosou

de estarem lugares

tongedecasa, lugares

lotadosoude

mações

in-dever a própriaimagem

refletidaem umespelho

"Tem

sido

um

problema chato,

cheguei

a

vomitar

quando

eu

vi

um

aquário

na

recepção"

conscientes,

buscar a

origem

do medo e, a

partir daí,

tratá-lo.

Mas existem casos emque a

pessoa senteo

medo,

etodosos

seus

sintomas,

e não sabe ex­

plicar

por que está se sentindo

assim. A

Síndro-

Lachanofobia

me do Pânico desencadeia tonturas,

sensação

de

desmaio,

dor,

diarreia

ou

prisão

deventree sudoreses. Esse

transtorno é classificado como uma

Medo devegetais

everduras

Fobia

Social,

e também costuma gerar

medo

exagerado

e

desproporcional

de

multidões,

de falarem

público,

deser

humilhado,

de demonstrar

rubor,

suor ououtro

sinal denervosismo.

Existeum

documento,

oCID

10,

que

cataloga

e

padroniza

as

doenças

e

problemas

relacionadosà

saúde,

tendocomorefe­

rênciaaNomenclaturaInternacional de

Doenças

estabelecida

pela Organização

Mundial deSaúde

(OMS).

A

psicanalista

Rita Manso

explica

queostraumastêm efeitos

diferentesemcada

sujeito

e

podem

desen-

_M_8_lo_f_o_b_la

__

volver sintomas bem distintos. Por isso, Medo de música.

apesar dosmanuaistentamdar conta,é

difícilclassificaromedo.

Paraalgumas pessoas

podesertmpossfvel

estarem umlocal *Nomesfictícios com música

GlóriaIrulegui

(6)

Pela

primeira

vez,

brasileiros

chegam

à

Copa

Apesar

das

dificuldades financeiras

e

falta de

estrutura,

futebol

americano

cresce no

Brasil

Mundial

Costas

arqueadas,

ombros

curvados,

concentração

nos

jogadores

adversá­

rios.Todososdetalhes devemsermi­

limetricamentevistosem um

jogo

de

futebolamericano.

É

estratégia

pura.

Muitagentesó vê

cabeçadas,

encontrõesepor­

rada,

mascadaato

pode

ser

explicado

nateoria

dos cadernos dos treinadores.

A

posição

de linebacker consiste em ficar cercadequatro metrosatrás da linha defensi­

vado

próprio

time que, namaioriadas vezes,

éde trêsou quatro

jogadores.

Esseatleta deve

evitar queospassescurtos

funcionem, bloquear

oataqueterrestreederrubaro

quarterback

- o

lançador

da

equipe.

Essa éa

posição

deGerson

Santos, estudante de

Engenharia

Mecânica da

UFSC,

jogador

e

capitão

da

Seleção

Brasileira de

FutebolAmericano.

Santose oBrasil

Onças,

comootimeécha­

mado,

estarão em

Ohio,

nos Estados

Unidos,

representando

o

país

na

Copa

doMundo deFu­

tebolAmericano,que acontecedos dias8a18de

julho.

A vagafoi

conquistada após

avitóriaem

cimado

Panamá,

emfevereiro. "Agentevaicom

tudo.O

legal

équeagenteéazebra. Nóssomos

o

país

do

futebol,

nãodofutebolamericano,

a

primeira

vezqueagenteestará lá".A

Seleção

chegará

emOhio dois diasantesdocomeçoda

competição

e, porisso,terá poucotempodepre­

paração.

O

playbook,

oulivro de

jogadas,

vem

sendo

implementado

meses,e

qualquer

dúvi­

da dos

jogadores

é resolvida através deconversa

porcelularou chamadas de vídeovia internet

com acomissãotécnica.

A

Seleção

chegará

aolocal do mundialape­

nasdoisdiasantesporquenãotemuma

estru-I

turapara fazeruma

concentração

antecipada

fora do

país.

Além

disso,

é difícil reunirtodos

os

atletas,

que vêm de váriaspartesdoterritório

nacional,

porque todos têm seusempregos ou

estudosenão

dependem

do futebolamericano

para viver. Santoséum

exemplo.

Nasúltimas

fases docurso,ele irá adiarsuaformatu­

rapara aliarafaculdadee o futebol

americanoem alto nível:

"Já

que

eunãovou em

festa,

não

bebo,

euuso oesportepraser ami­

nha válvula deescape. Mas

comoé alto

nível,

eu trei­

no,

faço

fisioterapia,

faço

funcional, faço

várias

coisas que um estu­

dante não faz. Sem

tiraro tempo que eu

gasto

estudando,

ven­

do vídeos sobre fute­ bolamericano".

A

Copa

do Mundo

será divididaem dois

grupos: O grupo "p;,

contacomEstadosUni­

dos,

México e

Japão,

os

três

primeiros

do

ranking.

A

Seleção

Canadenseseriaa

quarta

equipe,

masdesistiu da

competição

porque a data não era

compatível

com a

agenda

de

boapartedos

jogadores,

que

preferi­

ram se

preparar'

paratentarumavagana

CFL

(liga

defutebolamericano

canadense).

As

seleções

alemãseaustríacastambém desistiram

docampeonato,masdevido àtrocade sede.

Pri-meiramentea

Copa

aconteceriaem

Estocolmo,

na

Suécia,

mas aIFAF

(Federação

Internacional

de Futebol

Americano)

encontrou dificuldades

em achar

patrocinadores

e

parceiros

comer­

ciais,tendo que realizaroeventoemCanton,no

estado de

Ohio,

nosEstados Unidos.Assim, o

custo da

viagem

para as

seleções

euro­

peias

aumentouem 38 mil

dólares,

inviabilizandosua

participação.

O Brasil está no grupo "B"

junto

à

França,

AustráliaeCo­

reiado

Sul,

asúltimasvagas

pelo ranking

daIFAF. Aes­

treiaécontraosfranceses eseráo

primeiro jogo

da

Seleção

Brasileira em

uma

Copa

do Mundo

na sua história. Pelo

regulamento

dacom­

petição,

seclassificam

três

seleções

do gru­

po "1<:.'e apenas uma

seleção

do grupo "B".

Portanto,

Estados Uni­

dos,

México e

Japão

estão classificados para

a

próxima

fase.Se

ganhar

dos

franceses,

oBrasil

Onças

encara ovencedor de Austrália

eCoreiado

Sul,

respectivamente

osextoesétimo

lugares

do

ranking.

Se vencer esse

confronto,

enfrenta o

vencedor de

Japão

e Estados

Unidos,

as

duas

seleções

que fizeram a final do último

mundial,

em2011.

Naquela

ocasião,

osEstados

Unidosvenceram o

Japão

por50a7.

A

grande

dificuldade da

preparação

para

o

jogo

éafalta de vídeos dos adversáriospara

análise. Isso acontece tanto

pela

falta de or­

ganização

de

algumas

equipes,

como também

como

estratégia

adotada

pelos

adversáriospara

esconderem seu

plano

de

jogo.

Semos

vídeos,

fica inviável

surpreender

os adversários.

Sobra,

então,procurar tudo sobre acomissãotécnica das

equipes,

porque é de láque saiopensamen­

todas

jogadas.

Massemmuito material

dispo­

nível na internet, sobra analisar os melhores

momentos dos

jogadores

nos seus

respectivos

campeonatosnacionais.

Falar da falta de

apoio

dogovernooudose­

tor

privado

em

qualquer

esporte que não

seja

ofutebol de campo masculino

é quase um

clichê,

por

isso,

aCBFA

(Confederação

Brasilei­

rade Futebol

Americano)

e os

jogadores

estão

fazendo

campanhas

nainternet paraarrecadar

fundos paraa

viagem,

quecustaemtornode

R$

4

mil,

variando para cada

jogador.

Opagamento

da

inscrição

foi feita

pela

confederação

ecustou

42 mil

dólares,

oque dá direitoa umdormitório

etrês

refeições

por dia duranteocampeonato.

Financiamento

coletivo,

venda de camisetaou

projetos

de

merchandising

são as

opções

dos

atletas.Santosfezum

projeto

patrocínio

deca­

misuaemque, além de vesti-Iaem entrevistas

edurantea

viagem,

prometefazerumvídeo de

bastidores da

Seleção

e se

dispor

para

participar

deeventosdos investidores.O sistemausado foi decotasdiferentesdeacordocom ovalorinves­ tidopor

patrocinador,

sendo desde "Azul"com a

quantia

maisalta

(e

o

logo

daempresano

peito

da

camiseta)

até o

"Amarelo",

com os símbo­

los nas costas. O

jogador

fechou

parceria

com

(7)

..

Essa

geração

em

oito

anos

começou

um

esporte

do

zero

e

chegou

em

um

campeonato

mundial"

fechou

parceria

com15

organizações,

amaioria

de

Florianópolis.

Mastevegenteemtodoo

país

queseinteressou em

ajudar,

oqueseconfirma

com os

patrocínios

vindos de

Goiânia/GO

ede

Limeira/Sl;

por

exemplo.

Guto

Sousa,

presidente

da

CBFA,

acredita no

potencial

da

Seleção

ediz queé

possível

surpre­

ender e

chegar longe

na

Copa:

"Nosso

grande

objetivo

é asemifinal. Pelocruzamentodata­

bela,

agenteenfrentariaosEstados

Unidos,

que sãoos

grandes

favoritos da

competição.

Entãose agente

chegar

numasemifinale, mesmo per­

dendo,

ficarem quarto

lugar

no

mundo,

seria

umavitória

gigante

dessa

geração

queem ape­

nas oito anos

conseguiu

começar um esporte

praticamente

dozero e

chegar

numcampeonato

mundial. Também

exis-tefutebolamericanono

Brasile a

Seleção

éuma

grande

portapraisso".

Nesta última déca­

da,

a

popularidade

do

esporte

no Brasil deco­

lou,

seja

na adesão à

pratica

da modalidade

ou a

acompanhar

ti­

mes nacionais e inter­ nacionais. A audiência da

principal liga

do

mundo

(NFL

- National

Football

League,

dos

Estados

Unidos)

dobra

a cada ano e as

equi-pés

noBrasil crescem. "Ano

passado,

contando

asduas

ligas

principais

gerenciadas pela

CBFA,

sérieAesérieBdo

Campeonato Brasileiro,

tive­

mos45

equipes

inscritas,massãocercade 100

equipes

que

disputam

futebol americano

aqui.

São

pelo

menoscincomil

praticantes

constantes

do esporte namodalidade tackle

(com equipa­

mentos).

Na

modalidadeflag (sem

equipamen­

tos)

essenúmero

pode

seraté trêsvezesmaior",

informao

presidente.

SantaCatarinatembastante

força

nocenário

nacional do esporte: terásete

jogadores

repre­

sentandoos timesdo estadono

mundial,

atrás

apenas doRiode

Janeiro,

com

13,

e

empatado

como Paraná.Além deGerson,são eles: Paulo

Torquato

eVinícius Zanon

(São

losé

Istepôs),

La­ ercioAnacletoeBrenoTakahashi

(Timbó Rex),

Júnior

Kruger

e Rodolfo Santos

(Jaraguá

Bre­

akers).

O número

grande

deconvocadossedeve aestruturaqueoestadoconstruiuao

longo

dos anos e aCBFAreconheceotrabalho feito. "Santa

Catarinasempreteveum

papel

muito

importan­

tenodesenvolvimento do futebolamericanono

Brasil.Osbonsresultados das suas

equipes

nos

torneioscomprova queotrabalho feito

pela

fe­

deração

é muito bom. Estáentre os

principais

campeonatos do

país

não só no nível

técnico,

mas

especialmente

no nível

organizacional.

Sempre

foiuma

federação

que serviude

espelho

praoutras".

Osoutros

jogadores

convocados

pelo

São

José

Istepôs

também

jogam

nadefesa. ViníciusZanon

ficana

primeira

linha

(como

defensive

end)

e

Paulo

Torquato

é

responsável

porser o último

defensoreevitarque,caso

haja

umpasse

longo

ouumacorridaqueatravessetodososoutros

jo­

gadores,

otouchdown

seja

feito

(essaé

a

posição

de

safety).

Todos

eles,

incluindo Gerson,

jogam

do lado

esquerdo.

Popularmente

pela

Seleção

os

jogadores

do

Istepôs

sãochamados de "aesquer­ dinha da defesa".

Zanonéformadoem

Engenharia

Elétricana

UniversidadeFederal deSanta Mariae

jogou

pelo

Santa Maria

Soldiers,

sendoumdos

funda-dores dotime. Nasua

formatura,

opresenteda

equipe

foia

aposentadoria

dasuacamisa,a

94,

oqueé consideradaumadasmaioreshonrasno

futebolamericano. No

Istepôs

e na

Seleção

ele

tambémusa essenúmero. Sobrea

oportunida­

de de

jogar

noestádioFawcett,ondeacontecem

todosos anos o

jogo

do Hall daFamadefutebol

americano

-queé a

primeira

partida pré-tem­

porada

e encerra os seis meses sem

jogos

- ele

aindanãoacredita:

surreal.São osmaiores

nomesque

passaram

pelo

esporte.Ainda não

caiuafichaquevamos

jogar

no mesmocampo

queeles.Eusoumaisfã do MichaelIrvin

(ex-jo­

gador

doDallas

Cowboys

emembro dotime de

melhores atletasda década de

90)

quedo

Kaká,

então pra mim isso é muito

grande".

Torquato

é

graduan­

do em Gestão de Tec­

nologia

da

Informação

no Instituto Federal de Santa Catarina em

Florianópolis.

Começou

no futebol americano em 2011 e teve a

pri­

meira

convocação

pela

Seleção

em 2014. Não

pode participar

do

jogo

contra o

Panamá,

que

deuavagaaoBrasilno

mundial,

por falta de

recurso: "Pessoalmente

eunãotenho dimensão

disso,

ainda não caiu

afichadequeestamosindo paraoMundial. A

gentevivefutebol americanootempo inteiro". Em

relação

à visibilidade que o Brasil

Onças

pode

daraoesporteno

país,

ele éotimista:"Acho

quea

Seleção

vaifazercomquemuita

gurizada

nova,deuns10a15anos,seinteresse

pelo

fute­ bolamericanoe

queira

praticar

oesporte.Além

disso,

vaidar visibilidadeparainvestidorestanto

nacionais quantointernacionais. Vai termuita

gente

querendo injetar

dinheironesse ramo no

Brasil.Não tenho dúvida de que, em menos de

cinco anos, ocenário do futebol americano no

país

vaimudar".

Tanto Gersonquantoo

presidente

concordam

com a

opinião

de

Torquato.

Osdois consideram

a

participação

crucial para melhorara moda­

lidade no

país.

Para o

capitão,

o

aprendizado

valerámuitoapena. "Sem dúvidaa

Seleção

vai

voltarmais

madura,

mais

experiente

e defato

vaisaberoque temque fazer pra cadavezficar

melhor.

Quando

vocêtemcontatocom

algo

me­

lhor do que

você,

você sabeoquetemque fazer

pra

alcançar aquilo

lá".

o

presidente

acredita

queatendência paraofuturo é decoisasboas.

"Agenteespera queofutebolamericanonoBra­

sil continuecrescendo.A cadaanotemos dado

saltos

quantitativos.

O

grande

desafio agora é

tornaressessaltos também

qualitativos.

Acredito

queomundial vá

ajudar

amelhoraraestrutura

para

acompanhar

essecrescimentoefazercom

queeleaconteçademaneirasustentável".

Gabriela De Toni [email protected] AndersonSpessatto [email protected]

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