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Pré-Modernismo9(fimséc

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Pré-Modernismo (fim

séc.XIX/início séc. XX)

O que se convencionou chamar de Pré-Modernismo, no Brasil, não constitui uma "escola literária", ou seja, não temos um grupo de autores afinados em torno de

um mesmo ideário, seguindo determinadas características. Na realidade, Pré-Modernismo é um termo genérico que designa uma vasta produção literária que

abrangeria os primeiros 20 anos deste século. Aí vamos encontrar as mais variadas tendências e estilos literários, desde os poetas parnasianos e simbolistas, que continuavam a produzir, até os escritores que começavam a desenvolver um novo regionalismo, além de outros mais preocupados com uma

literatura política e outros, ainda, com propostas realmente inovadoras. .

A literatura brasileira atravessa um período de transição nas primeiras décadas do século XX. De um lado, ainda há a influência das tendências artísticas da segunda metade do século XIX; de outro, já começa a ser preparada a grande renovação modernista, que se inicia em 1922, com a Semana de Arte Moderna. A

esse período de transição, que não chegou a constituir um movimento literário, chamou-se Pré-Modernismo.

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Momento histórico

• Enquanto a Europa se prepara para a Primeira Guerra Mundial, o Brasil começa a viver, a partir de 1894, um novo período de sua história

republicana: com a posse do paulista Prudente de Morais, primeiro presidente civil, inicia-se a "República do café-com-leite", dos grandes

proprietários rurais, em substituição a "República da Espada" (governos do marechal Deodoro e do marechal Floriano). É a áurea da economia cafeeira no Sudeste; é o movimento de entrada de grandes levas de imigrantes,

notadamente os italianos; é o esplendor da Amazônia com o ciclo da

borracha; é o surto de urbanização de São Paulo.

• Mas toda esta prosperidade vem deixar cada vez mais claros os fortes contrastes da realidade brasileira. É, também, o tempo de agitações

sociais. Do abandono do Nordeste partem os primeiros gritos da revolta. Em fins do século XIX, na Bahia, ocorre a Revolta de Canudos, tema de Os sertões, de Euclides da Cunha; nos primeiros anos do século XX, o Ceará é o palco de conflitos, tendo como figura central o padre Cícero, o famoso "Padim Ciço"; em todo o sertão vive-se o tempo do cangaço, com a figura lendária de Lampião.

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• Rio de Janeiro assiste, em 1904, a uma rápida

mais intensa revolta popular, sob o pretexto

aparente de lutar contra a vacinação obrigatória

idealizada por Oswaldo Cruz; na realidade,

tratava-se de uma revolta contra o alto custo de

vida, o desemprego e os rumos da República.

• Em 1910, há outra importante rebelião, desta vez

dos marinheiros liderados por João Cândido, o

"almirante negro", contra o castigo corporal,

conhecida como a "Revolta de Chibata". Ao

mesmo tempo, em São Paulo, as classes

trabalhadoras sob a orientação anarquista,

iniciam os movimentos grevistas por melhores

condições de trabalho.

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• Essas agitações são sintomas de crise na

"República do café-com-leite", que se

tornaria mais evidente na década de 1920,

servindo de cenário ideal para os

questionamentos da Semana da Arte

Moderna.

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Pré-Modernismo

• Nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, o Brasil também viveu sua bélle époque. Nesse período nossa literatura

caracterizou-se pela:

• ausência de uma única diretriz. • um sincretismo estético,

• um entrecruzar de várias correntes artístico-literárias. • O país vivia na época uma constante tensão.

• Nesse contexto, alguns autores refletiam o inconformismo diante de uma realidade sócio-cultural injusta e já apontavam para a irrupção iminente do movimento modernista. Por outro lado, muitas obras ainda mostravam a influência das escolas passadas: realista/naturalista/parnasiana e

simbolista. Essa dicotomia de tendências, uma renovadora e outra conservadora, gerou não só tensão, mas sobretudo um clima rico e fecundo, que Alceu Amoroso Lima chamou de Pré-Modernismo.

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• Quanto a prosa, podemos distinguir três tipos de

obras:

• 1- Obras de ambiência rural e regional - que

tem por temática a

paisagem

e o homem do

interior.

• 2- Obras de ambiência urbana e social -

retratando a realidade das nossas cidades.

• 3- Obras de ambiência indefinida - cujos

autores produzem uma literatura desligada da

realidade sócio-econômica brasileira.

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Características

A) ruptura com o passado - por meio de linguagem chocante, com vocabulário que exprime a “frialdade inorgânica da terra”.

B) inconformismo diante da realidade brasileira - mediante um temário diferente daquele usado pelo romantismo e pelo parnasianismo : caboclo, subúrbio, miséria, etc..

C) interesse pelos usos e costumes do interior - regionalismo, com registro da fala rural.

D) destaque à psicologia do brasileiro - retratando sua preguiça, por exemplo nas mais diferentes regiões do Brasil.

E) acentuado nacionalismo - exemplo Policarpo Quaresma. F) preferência por assuntos históricos.

G) descrição e caracterização de personagens típicos - com o intuito de retratar a realidade política, e econômica e social de nossa terra.

H) preferência pelo contraste físico, social e moral.

I) sincretismo estético - Realismo, Neoparnasianismo, Neo-Simbolismo.

J) emprego de uma linguagem mais simples e coloquial - com o objetivo de combater o rebuscamento e o pedantismo de alguns literatos. •

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Principais autores

• Na poesia

: Augusto dos Anjos, Rodrigues

de Abreu, Juó Bananére, etc..

• Na prosa

: Euclides da Cunha, Lima

Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato,

Afonso Arinos, Simões Lopes, Afrânio

Peixoto, Alcides Maia, Valdomiro Silveira,

etc...

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• A denúncia da realidade brasileira, negando o Brasil literário herdado do Romantismo e do Parnasianismo; o Brasil não-oficial do sertão nordestino, dos caboclos interioranos, dos subúrbios, é o grande tema do

Pré-Modernismo.

• No regionalismo, montando-se um vasto painel brasileiro: o Norte e o Nordeste com Euclides da Cunha; o vale do Paraíba e o interior paulista com Monteiro Lobato; o Espírito Santo com Graça Aranha; o subúrbio carioca com Lima Barreto.

• Os tipos humanos marginalizados: o sertanejo nordestino, o caipira, os funcionários públicos, os mulatos.

Uma ligação com fatos políticos, econômicos o sociais contemporâneos, diminuindo a distância entre a realidade e a ficção. São exemplos: Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (retrata o governo de Floriano e a Revolta da Armada), Os sertões, de Euclides da Cunha (um relato da Guerra de Canudos), Cidades mortas, de Monteiro Lobato (mostra a passagem do café pelo vale do Paraíba paulista), e Canaã, de Graça Aranha (um

documento sobre a imigração alemã no Espírito Santo).

Como se observa, essa "descoberta do Brasil" é a principal herança desses autores para o movimento modernista, iniciado em 1922.

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• Um traço conservador

A permanência de características realistas/naturalistas, na prosa, e

a permanência de um poesia de caráter ainda parnasiano ou

simbolista.

Um traço renovador

Esse traço renovador — como ocorreu na música — revela-se no

interesse com que os novos escritores analisaram a realidade

brasileira de sua época: a literatura incorpora as tensões sociais do

período. O regionalismo — nascido do Romantismo — persiste

nesse momento literário, mas com características diversas

daquelas que o animaram durante o Romantismo. Agora o escritor

não deseja mais idealizar uma realidade, mas denunciar os

desequilíbrios dessa realidade. Esse tom de denúncia é a inovação

nessa tentativa de "pintar" um retrato do Brasil. Além disso, dois

dos mais importantes escritores da época — Lima Barreto e

Monteiro Lobato — deixaram claro sua intenção de escrever numa

linguagem mais simples, que se aproximasse do coloquial.

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• Na maior parte da obras pré-modernistas é imediata a relação entre

o assunto e a realidade contemporânea ao escritor:

Em Triste fim de Policarpo Quaresma, romance mais importante

de Lima Barreto, o escritor denunciou a burocracia no processo

político brasileiro, o preconceito de cor e de classe e incorporou

fatos ocorridos durante o governo do Marechal Floriano.

Em Os Sertões, Euclides da Cunha fez a narrativa quase

documental da Guerra de Canudos.

Em Canaã, Graça Aranha analisa minuciosamente os problemas

da fixação dos imigrantes em terras brasileiras.

Em Urupês e Cidades mortas, Monteiro Lobato destaca a

decadência econômica dos vilarejos e da população cabocla do

Vale do Paraíba, durante a crise do café.

• Na poesia, o único poeta importante a romper com o

bem-comportado vocabulário parnasiano foi Augusto dos Anjos.

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Versos Íntimos

• Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão — esta pantera —

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!

O homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

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• As passagem a seguir provém de Os Sertões,

sendo cada uma de uma parte da obra.

• "Ao passo que a caatinga o afoga; abrevia-lhe o

olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama

espinescente e não o atrai; repulsa-o com folhas

urticantes, com o espinho, com os gravetos

estalados em lanças; e desdobra-se lhe na

frente léguas e léguas, imutável no aspecto

desolado: árvores sem folhas, de galhos

estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados,

apontando rijamente no espaço ou estirando-se

flexuosos pelo solo, lembrando um bracejar

imenso, de tortura, da flora agonizante..."

A

Terra

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Não há um só homem de coração

bem formado que não se sinta

confrangido ao contemplar o

doloroso quadro oferecido pelas

sociedades atuais com sua moral

mercantil e egoísta" 

 

Euclides da Cunha

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Autores e obras

• Lima Barreto (1881-1922) SP

"Recordações do escrivão Ísaias Caminha"

"Triste fim de Policarpo Quaresma" Romances "Numa e Ninfa"

"Morte e Vida de M.J. Gonzaga de Sá"

"Bruzundanga" } Sátira

"Historia e Sonhos" } Contos

• Euclides da Cunha (1866 –1909)

Rio de Janeiro "Os Sertões"

"Peru Versus Bolívia"

"Contrastes e Confrontos" "A margem da história"

• Monteiro Lobato

• "Histórias do sitio do pica-pau amarelo“ Obra Infantil

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Autores e obras

Graça Aranha

"Canaã" Romance

"Malazarte"

• Augusto dos Anjos

(1884 – 1914) Paraíba

"Eu" (poesia) – único

obra publicada em

vida 1912

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Conclusão

• Portanto o início de século XX foi marcado por várias invenções e

descobertas que influenciaram toda a humanidade.

O Brasil vivia sob o regime da chamada República do Café com

Leite e foi uma época marcada por revoltas e conflitos sociais:

Revolta da Armada

, Revolta de Canudos, Cangaço, Revolta da

Vacina, Revolta da Chibata, Guerra do Contestado.

Apesar disso, surgiram também várias manifestações artísticas

tanto na música, na pintura e na literatura.

Vários escritores brasileiros que surgiram nessa época adotaram

uma postura mais crítica diante dos problemas sociais.

Através de seus escritos, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato,

Graça Aranha e Lima Barreto (principais autores desta época)

investigaram e questionaram a realidade brasileira.

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