• Nenhum resultado encontrado

Qualidade de vida em idosos diabéticos assistidos em unidades básicas de saúde

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Qualidade de vida em idosos diabéticos assistidos em unidades básicas de saúde"

Copied!
97
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO INTEGRADO EM SAÚDE COLETIVA

QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS DIABÉTICOS ASSISTIDOS EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

Emília Natali Cruz Duarte

RECIFE 2013

(2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO INTEGRADO EM SAÚDE COLETIVA

QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS DIABÉTICOS ASSISTIDOS EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE

Emília Natali Cruz Duarte

Orientadora: Profª Drª Ana Paula de Oliveira Marques Co-orientadora: Profª Drª Márcia Carréra Campos Leal

RECIFE 2013

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Integrado em Saúde Coletiva – PPGISC do Departamento de Medicina Social do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco como requisito para obtenção do título de Mestre em Saúde Coletiva.

Área de concentração: morbimortalidade, atenção e qualidade de vida.

(3)

Catalogação na Fonte

Bibliotecária: Gláucia Cândida, CRB4-1662

D812q Duarte, Emília Natali Cruz.

Qualidade de vida em idosos diabéticos assistidos em unidades básicas de saúde / Emília Natali Cruz Duarte. – Recife: O autor, 2013. 96 f.: il. ; 30 cm.

Orientadora: Ana Paula de Oliveira Marques.

Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, CCS, Programa de Pós-Graduação Integrado em Saúde Coletiva, 2013. Inclui referências, apêndices e anexos.

1. Envelhecimento. 2. Qualidade de Vida. 3. Diabetes Mellitus Tipo 2. I. Marques, Ana Paula de Oliveira. (Orientadora). II. Título.

614 CDD (23.ed.) UFPE (CCS2013-154)

(4)

RELATÓRIO DA BANCA EXAMINADORA DA DEFESA DE DISSERTAÇÃO DO(A) MESTRAND(O)A

EMÍLIA NATALI CRUZ DUARTE

No dia 02 de agosto de 2013, às 09h, no Auditório do NUSP – Núcleo de Saúde Pública da Universidade Federal de Pernambuco, os professores: Ana Paula Marques de Oliveira ( Doutora do Departamento de Medicina Social da UFPE – Orientadora) Membro Interno, Rogério Dubosselard Zimmermann (Doutor do Departamento de Medicina Social da UFPE) Membro Externo e Albanita Gomes da Costa de Ceballos (Doutora do Departamento de Medicina Social da UFPE) Membro Interno, componentes da Banca Examinadora, em sessão pública, argüiram a mestranda Emília Natali Cruz Duarte,sobre a sua Dissertação intitulada: “Qualidade de vida em idosos diabéticos assistidos em Unidades Básicas De Saúde ". Ao final da argüição de cada membro da Banca Examinadora e resposta da Mestranda, as seguintes menções foram publicamente fornecidas.

_________________________________________________ Prof. Dra. Ana Paula de Oliveira Marques _________________________________________________

Prof. Dr. Rogério Dubosselard Zimmermann _________________________________________________

Prof. Dra. Albanita Gomes da Costa de Ceballos Prof. Dra. Ana Paula de oliveira Marques

Prof. Dr. Rogério Dubosselard Zimmermann

Prof. Dra. Albanita Gomes da Costa de Ceballos

Programa de Pós-Graduação Integrado em Saúde

Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da

(5)

Aos meus pais Manoel Duarte e Elizabete Duarte por todo o processo de dedicação, amor e amparo que foram fundamentais ao meu desenvolvimento intelectual e como ser humano.

À todos os idosos que tiveram a disponibilidade e confiança de expor não somente informações, mas parte de suas vivências.

Aos meus avós paternos (in memorian) e maternos. De maneira especial a vovó Geni, segunda mãe e vovô Dedé (in memorian) ser humano de doçura e delicadeza ímpar.

(6)

Agradecimentos

À Deus por ter me proporcionado a graça da vida e da convivência com pessoas tão maravilhosas e por ter me guiado sempre pelo melhor caminho.

À minha orientadora Profª Ana Paula de Oliveira Marques e minha Coorientadora Profª Márcia Carréra Campos Leal por manterem sempre o equilíbrio e por sugerir sempre as soluções mais adequadas aos momentos de dúvida. E também pelos momentos de boas conversas durante a orientação.

Aos todos os meus professores do Programa de pós-graduação Integrado de Saúde Coletiva - PPGISC por me tirarem da zona de conforto e me atirarem a um pensamento mais crítico a cerca da saúde coletiva. A Moreira e Izabel que sempre procuram solucionar as questões burocráticas da melhor forma.

Aos meus colegas do Mestrado por dividirem os momentos de epidemiologia, políticas e estatística de forma tão bem humorada, tornando essa experiência ainda mais especial.

À Gerência do Distrito sanitário 1 por ter permitido o desenvolvimento da pesquisa, às equipes de Atenção básica e aos Agentes Comunitários de Saúde que facilitaram a operacionalização do trabalho na Microregião 1.1 do DS 1.

Aos meus irmãos Edson Duarte, Alexciane Silva e David Santana pela força dada em muitos momentos de sofrimento emocional. A todos os meus alunos e amigos que me enviam mensagens diárias cheias de carinho, em especial a Pedro Henrique, Joana D’arc, Jéssica Anjos, Manoel e Bianca Patrícia.

Às minhas colegas de apartamento em Recife (Cleciane e Lidiane) que me acolheram e fizeram minha estadia em Recife um pouco mais divertida. Aos meus vários amigos especiais que de perto ou de longe sempre me levam a um riso, a uma palavra de consolo e no espaço de um segundo, dão um novo sentido a minha existência, entre eles a minha mãe e amiga Elizabete Duarte. À Josileide Silva e Luiza, anjos que foram fundamentais na ajuda durante os momentos de críticos.

À minhas companheiras no trabalho de entrevista Geyslane Pereira, Idaene Silva, que muito andaram, escutaram e acolheram nesse processo. À amigas e amigos que perto ou longe se mantém sempre presentes em especial à Juliana Arandas, Lucicleide, Emanoela Oliveira, Gleybson Thiago, Albérica de Kássia.

(7)

Aos laços construídos através do Grupo de Pesquisa - Saúde do Idoso e do projeto realizado no Núcleo de Atenção ao Idoso – NAI, com Anna Tito, Danielle Alencar, Júlia de Kássia.

Peço também desculpas por muitos momentos de ausência e frustrações de expectativas, o que se aprende é que na vida não podemos controlar muita coisa, mas aonde há vontade, há indício de mudança e a persistência leva ao êxito. “Tudo passa sobre a terra”

(8)

Epígrafe

Tá escrito

Quem cultiva a semente do amor Segue em frente não se apavora

Se na vida encontrar dissabor Vai saber esperar sua hora...

Às vezes a felicidade demora a chegar Aí é que a gente não pode deixar de sonhar

Guerreiro não foge da luta, não pode correr Ninguém vai poder atrasar quem nasceu pra vencer...

É dia de sol, mas o tempo pode fechar A chuva só vem quando tem que molhar

Na vida é preciso aprender, se colhe o bem que plantar É Deus quem aponta a estrela que tem que brilhar...

Ergue essa cabeça, mete o pé e vai na fé Manda essa tristeza embora

Pode acreditar que um novo dia vai raiar Sua hora vai chegar...

(Xande De Pilares; Gilson Bernini; Carlinhos Madureira)

(9)

O envelhecimento é uma realidade cada vez mais frequente no mundo globalizado. O aumento na expectativa de vida traz consequências econômicas e sociais consideráveis, decorrentes de mudanças no perfil de morbimortalidade e natalidade. O aumento de doenças crônicas como o Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), juntamente com o envelhecimento tem gerado desafios para a implementação de um envelhecimento saudável. Com vistas nisso o presente estudo objetivou analisar a qualidade de vida de idosos diabéticos cadastrados em Unidades de Básicas de Saúde do Recife. Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e de corte transversal que foi desenvolvido na Microrregião 1.1 do Distrito Sanitário I do município de Recife/PE. A amostra foi composta por 202 indivíduos com idade equivalente ou acima de 60 anos. As informações demográficas, epidemiológicas, relativas à saúde foram coletadas por meio de entrevista domiciliar assim como os dados referentes a Qualidade de vida relacionada a saúde (QVRS), para esses utilizando-se o questionário validado SF-36 (Short-Form-36). A análise dos dados foi realizada com auxílio do programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 14.0. Os entrevistados em sua maioria eram idosos jovens (60-69 anos) e tinham renda entre um e dois salários mínimos. Quando relacionados os domínios da QVRS segundo as variáveis independentes, os idosos jovens, casados, com renda mais satisfatórias e com menor tempo de diagnóstico do DM2 apresentam os melhores escores de QVRS. O acesso as informações sobre as características demográficas, socioeconômicas e de condições de saúde e a relação com a QVRS dos idosos portadores de DM2 dessa localidade, demonstraram que há diferença estatisticamente significante entre gêneros, entre idosos mais jovens e mais velhos, o que indica possíveis aspectos a serem mais avaliados, com a finalidade de propiciar um envelhecimento com melhor qualidade.

Descritores: Envelhecimento. Qualidade de vida. Diabetes Mellitus tipo 2.

(10)

Abstract

Aging is a reality increasingly common in the globalized world. The increase in life expectancy brings considerable economic and social consequences resulting from changes in morbidity and mortality and birth rates. The increase in chronic diseases such as diabetes mellitus type 2 (DMT2), along with aging has generated challenges to the implementation of healthy aging. With views that the present study aimed to analyze the quality of life of elderly diabetic patients enrolled in Basic Health Units of Recife . This is an epidemiological study, descriptive and cross-sectional which was developed in Microrregião 1.1 Sanitary District I in the city of Recife / PE. The sample consisted of 202 individuals aged equal or above 60 years. The demographic, epidemiological , health-related information were collected through household interviews as well as data concerning the related quality of life (HRQL ) , for those using the validated questionnaire SF -36 ( Short Form -36 ) . Data analysis was performed using the Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows , version 14.0 . The respondents were mostly young old (60-69 years) and had income between one and two minimum wages. When related domains of HRQOL according to the independent variables, the young old, married, with income more satisfactory and less time since diagnosis of DMT2 have the best HRQL scores. Access information about the demographic , socioeconomic and health conditions and compared with the HRQoL of elderly patients with DMT2 that location, which demonstrated a statistically significant difference between genders among younger elderly and older , which indicates possible aspects to be further evaluated, with the aim of providing a better quality aging.

.

(11)

Lista de figuras e ilustrações

Pág. Figura 1 - Pirâmide da população mundial entre 1950 e 2100 21 Figura 2 – Pirâmides do Brasil, 1950 a 2050 22

Figura 3 – Mapa da cidade do Recife 31

(12)

Lista de Tabelas

Pág. Tabela 1 - Distribuição de idosos por UBS. Distrito Sanitário I. MR 1.1-

Recife/PE. 32

Tabela 2 – Amostra de idosos segundo sexo por UBS. Distrito Sanitário I.

MR 1.1 – Recife/PE. 34

Tabela 3 - Distribuição de idosos segundo variáveis socioeconômicas e

demográficas. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012. 41

Tabela 4 - Distribuição de idosos segundo condições de saúde. Distrito

Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012. 42

Tabela 5 - Valores mínimo, máximo, média, DP e IC por domínio de qualidade de vida em idosos diabéticos. Distrito Sanitário I. MR 1.1 –

Recife/PE, 2012. 43

Tabela 6 – Comparação de domínios de qualidade de vida em idosos

diabéticos. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012. 44

Tabela 7 – Comparação de Média e desvio padrão de escores dos domínios da qualidade de vida dos idosos segundo e variáveis demográficas e socioeconômicas. Distrito Sanitário I. MR 1.1 –

Recife/PE, 2012. 45

Tabela 8 – Comparação de Média e desvio padrão de escores dos domínios da qualidade de vida dos idosos segundo variáveis de

condições de saúde. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012. 47

(13)

SIAB – Sistema de Informação de Atenção Básica USF – Unidade de Saúde da Família

PNI – Política Nacional do Idoso

DCNT – Doenças Crônicas Não transmissíveis IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística DM – Diabetes Mellitus

DM 1 - Diabetes Mellitus tipo 1 DM2 - Diabetes Mellitus tipo 2

SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes ESF – Estratégia de Saúde da Família SUS - Sistema Único de Saúde

OMS - Organização Mundial de Saúde RPA - Regiões Político-Administrativas DS – Distrito Sanitário

MR – Micro Região

WHO - World Health Organization

IWGDF - International Working Group on the Diabetic Foot UBS – Unidade Básica de Saúde

QV - Qualidade de Vida

QVRS - Qualidade Vida Relacionada à Saúde

PACS – Programa de Agentes Comunitários de Saúde

BPC-LOAS - Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social-LOAS UBS – Unidade Básica de Saúde

MR – Microrregião SF-36 – Short Form -36

CCS – Centro de Ciências da Saúde QV – Qualidade de Vida

QVRS – Qualidade de Vida Relacionada a Saúde IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(14)

SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes CF - Capacidade Funcional

LAF - Limitação por Aspectos Físicos EGS - Estado Geral da Saúde

(15)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 15

2. REVISÃO DE LITERATURA 19

2.1 Considerações sobre a velhice e o envelhecimento 20 2.2 O novo cenário demográfico: conquistas e desafios 21

2.3 Diabetes Mellitus e o envelhecimento 24

2.4 Qualidade de vida e envelhecimento 25

2.5 Como avaliar a qualidade de vida? 26

3. OBJETIVOS 28 3.1 Geral 29 3.2 Específicos 29 4. METODOLOGIA DO ESTUDO 30 4.1 Tipo de Estudo 31 4.2 Local do Estudo 31 4.3 População 33 4.4 Seleção da Amostra 33 4.5 Critérios de Inclusão 35 4.6 Critérios de Exclusão 35 4.7 Variáveis 35 4.8 Coleta de Dados 37

4.9 Análise dos Dados 37

4.10 Riscos e Benefícios 38

4.11 Aspectos Éticos 38

5. RESULTADOS 40

5.1. Descrição da amostra segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e condições de saúde

41

5.2. Avaliação dos domínios da qualidade de vida dos idosos diabéticos

43

5.3. Comparação de escores médios dos domínios da qualidade de vida segundo variáveis demográficas, socioeconômicos e condições de saúde

(16)

6. DISCUSSÃO 50

7. CONCLUSÕES 66

REFERÊNCIAS 68

APÊNDICES 81

A - Roteiro da entrevista 82

B- Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 88

ANEXOS 89

A - Cálculo do Escore do Questionário SF-36 90

B - Termo de Anuência para a Pesquisa 93

C - Aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa 94

(17)
(18)

1 Introdução

O envelhecimento é um fenômeno cada vez mais frequente no mundo globalizado. Frente às mudanças ocorridas em vários âmbitos da sociedade, sobretudo no perfil epidemiológico o fenômeno do envelhecimento vem se reafirmando como natural. Considerado um processo de mudanças graduais, irreversíveis na estrutura e no funcionamento do organismo, que resulta da passagem do tempo (DECS, 2011), o envelhecer gera mudanças não somente individuais, mas também no coletivo.

Esse fato deve-se as proporções que o amadurecimento tem assumido, resultante das modificações na estrutura demográfica iniciadas no último século, que se intensificam e acabam por produzir uma população mais envelhecida (LOURENÇO et al, 2005; LUZARDO et al, 2006). Como temática discutida a nível mundial, o envelhecimento tem ultrapassado o universo privado e emerge como questão política, social e de saúde pública, sobretudo no que diz respeito a implementação de políticas específicas para essa faixa etária (WALTER, 2010).

É importante destacar que esse fenômeno não ocorre de forma igualitária no mundo, pois o que aconteceu de forma lenta e associada a melhorias nas condições gerais de vida nos países desenvolvidos, contrariamente ocorreu nos países em desenvolvimento, onde o mesmo se deu acelerado e sem necessária adequação às novas demandas (RIBEIRO; ROCHA & POPIM, 2010).

Não há como negar, portanto, que o envelhecimento da população ou “revolução da longevidade” é hoje um dos grandes triunfos da humanidade que transforma muitos aspectos do cotidiano e gera grandes desafios (TAVARES, 2010). O aumento na expectativa de vida traz consequências econômicas e sociais consideráveis, decorrentes de mudanças no perfil de morbimortalidade, o que exige aprovação e desenvolvimento de ações políticas (BENEDETTI; GONÇALVES & MOTA, 2007).

Segundo Alves et al. (2007), embora o processo de envelhecer não esteja obrigatoriamente relacionado a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis - DCNT, estas apresentam maior prevalência entre os idosos. Esse fato é evidenciado por Ramos (2009) ao destacar que menos de 10% de pessoas com 65 anos ou

(19)

mais, estão livres de algum tipo de agravo crônico a saúde e mais de 10% referem pelo menos cinco doenças crônicas concomitantes.

No Brasil a população vem envelhecendo de forma rápida desde o início da década de 1960, quando a queda da taxa de fecundidade começou a alterar a estrutura etária, estreitando progressivamente a base da pirâmide populacional (BERENSTEIN ; WAJNMAN, 2008).

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2010), o alargamento do topo da pirâmide etária pode ser observado pelo crescimento da participação relativa da população com 65 anos ou mais, que em 1991 era de 7,3% (10.722.705 idosos), passando em 2010 para 11,7%, o que representa em números absolutos 22.357.699 milhões de idosos. Tais mudanças provocam consequências nos diversos setores da sociedade, inclusive no setor saúde, dado a expectativa de aumento das DCNTs (RUIZ et al. 2008).

Conforme os indivíduos envelhecem, as DCNT tem se transformado nas principais causas de morbidade, incapacidade e mortalidade em todas as regiões do mundo, inclusive nos países em desenvolvimento (MONTEIRO, 2011). No Brasil, segundo o relatório de indicadores do IBGE (2010) quase metade dos idosos entrevistados (48,9%) referiram ter mais de uma doença crônica, e dentre essas, destaca-se o Diabetes Mellitus (DM), situada entre as cinco principais patologias que afetam a população idosa.

Tratado como uma única doença, o DM compõe na verdade, um grupo heterogênio de distúrbios metabólicos que possui em comum, a hiperglicemia. A classificação recomendada para este grupo deve ser de acordo com a etiologia, formando quatro formas clínicas: Diabetes Mellitus tipo1 (DM1), Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), Diabetes Gestacional e outros tipos de específicos de DM. O DM2 caracterizado por defeitos na ação e secreção de insulina destaca-se por representar 90 a 95% dos casos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES – SBD, 2009), principalmente na população idosa.

Segundo Francisco et al. (2010), embora o DM possua menor prevalência que outras patologias, exibe potencial bastante limitante, podendo ocasionar amputações, cegueira e complicações cardiovasculares, prejudicando assim, a capacidade funcional e qualidade de vida do indivíduo. Além disso, patologias como o DM exigem alterações no estilo de vida para o seu controle e essas mudanças

(20)

podem interferir na qualidade de vida se não forem bem orientadas (MIRANZI, 2008).

Diante das inovações no tratamento das enfermidades crônico-degenerativas, a melhoria da qualidade de vida, representa um resultado esperado das intervenções, tanto nas práticas assistenciais quanto nas políticas públicas do setor da promoção da saúde e prevenção de doenças (SEIDL e ZANNON, 2004).

A Estratégia de Saúde da Família (ESF) se insere com o intuito de promover a reorientação das práticas e ações de saúde, ao estabelecer a família como centro da atenção, favorece vínculos e contribui para ações continuadas de promoção de saúde e educação para um envelhecimento saudável, com qualidade de vida (MOTTA, AGUIAR e CALDAS, 2011).

Ademais, essa estratégia também é priorizada pelo Ministério da Saúde na organização da Atenção Básica, a qual se consolida como entrada prioritária do Sistema Único de Saúde - SUS, com o desafio de resolver cerca de 80% dos problemas de saúde mais prevalentes, destacando-se as DCNTs como o Diabetes. (ASSIS et al., 2002; MOTTA, AGUIAR e CALDAS, 2011).

Tendo em vista as repercussões trazidas pelo processo de transição demográfica e epidemiológica observado no Brasil nas últimas décadas, é importante a discussão de uma série de questões cruciais para a sociedade, especialmente num contexto de acentuada desigualdade social (VERAS, 2009). Entre as questões, está a de oferecer não somente a garantia do tratamento das DCNTs, elevando a sobrevida desses pacientes, mas também, de conferir qualidade de vida aos anos acrescidos.

Considerando a elevada prevalência de idosos diabéticos e a qualidade de vida, como instrumento de avaliação, esta pesquisa se propõe a identificar o grau de qualidade de vida de idosos diabéticos assistidos na Atenção Primária com vistas ao envelhecimento ativo.

(21)

2. Referencial

Teórico

(22)

2 Referencial Teórico

A seguir serão pontuados alguns tópicos julgados importantes para uma melhor compreensão sobre a pesquisa.

2.1 Considerações sobre a velhice e o envelhecimento

Existem diversas reflexões relacionadas à velhice. De acordo com Laranjeira (2010) reconhecer essa diversidade é o primeiro passo para abordar e compreender os valores sociais nessa etapa da vida. Segundo Wachelke et al. 2008, ao falar de velhice, se faz necessário compreender a contraposição entre perdas e ganhos; onde há por um lado o enfraquecimento, surgimento de doenças e discriminação social e por outro, o reconhecimento de que o idoso acumulou conhecimentos e experiências durante a vida que lhe conferem respeito.

A velhice pode ser conceituada de diversas formas, as três principais segundo Morangas (2010) são: cronológica, funcional e como etapa da vida. A primeira fundamenta-se na velhice histórica, real do organismo, calculada pelo transcurso do tempo; a segunda reflete a relação tradicional entre velhice e limitações, conceito que representa apenas incapacidade e a terceira reconhece a passagem do tempo e seus efeitos produzidos.

Em relação à velhice cronológica, os pontos de corte para definição de pessoa idosa foram propostos na Assembleia Mundial sobre Envelhecimento da Organização Mundial de Saúde – OMS (1982), onde se designou que indivíduos idosos seriam aqueles com 60 anos ou mais em países em desenvolvimento, e com 65 anos ou mais em países desenvolvidos, tendo em vista a menor expectativa de vida dos primeiros (PASKULIN, 2006).

No Brasil, os idosos são considerados a partir dos 60 anos de idade, item regulamentado no art. 2º da lei nº 8.842 de 1994 que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso – PNI (BRASIL,1994). A PNI objetiva assegurar os direitos sociais do idoso, gerando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Dentre as diretrizes que norteiam objetivo está a de viabilizar formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, com a finalidade de proporcionar sua integração às demais gerações.

Em virtude de algumas melhorias conquistadas, o envelhecimento vem assumindo maiores espaços de discussão. O idoso hoje é visto de forma diferente

(23)

de outras épocas, tendo assim características próprias da contemporaneidade e demanda por satisfações pessoais e sociais (MORANGAS, 2010).

É importante observar que a velhice ou “ser idoso”, traz consigo não somente a mudança biológica, mas também, segundo Paskulin (2006) uma reorganização de papéis e necessidade de ajustes psicológicos (mentais e afetivos) em situações específicas, como na viuvez, aposentadoria, mudanças na rotina de atividades entre outras.

O envelhecimento deve ser entendido, como um processo individual, cultural e social que envolve perdas e ganhos, não podendo ser avaliado apenas pela idade, mas sim a partir de uma visão biológica, psicológica e social. A vivência dessa nova etapa de vida pode trazer desafios nos mais variados aspectos, havendo a necessidade de melhores formas de enfrentamento (BRASIL, 2006).

No Brasil a luta frente a esses desafios é bem recente, mas já apresenta ganhos importantes com a criação do Estatuto do Idoso em 2003 que amplia os direitos dos cidadãos com idade acima de 60 anos e também da Política Nacional de Saúde do Idoso em 2006, que passa a considerar a importância de adequação da assistência à saúde do idoso (BRASIL, 2003).

2.2 O novo cenário demográfico: conquistas e desafios

O termo envelhecimento populacional (envelhecimento demográfico) é bastante utilizado, principalmente quando se fala do processo de transição demográfica e epidemiológica no Mundo e no Brasil. Este se refere ao acúmulo progressivo de maiores contingentes populacionais nas faixas etárias mais avançadas, com redução de participação de crianças e jovens e aumento proporcional de adultos, principalmente de idosos (MEDRONHO et al., 2009).

As mudanças no perfil demográfico têm ocorrido em todo o mundo, apresentando padrões não uniformes, mas decorrentes de fatores comuns, tais como: queda da fecundidade, aumento da expectativa de vida e redução da mortalidade (NOGUEIRA et al., 2008). Estimativas demonstram que o número de idosos só tende a aumentar, sendo a expectativa para o ano de 2050 de dois bilhões de pessoas com 60 anos ou mais em todo o mundo (HORTA et al., 2010). A representação na estrutura etária já é notada bem mais cedo, conforme figura 1,

(24)

quando se compara a pirâmide de 1950, 2010 e 2050, onde se visualiza que a forma piramidal começa a ser substituída por uma estrutura mais cilíndrica.

No Brasil o envelhecimento populacional, não tem ocorrido diferente, o crescimento da população idosa é visível quando se compara a proporção de idosos em 1980 (JORGE et al., 2008), que era de 6,1% (7.204.517 habitantes) com a do último censo em 2010 (IBGE, 2011), no qual os idosos representam 11,7% (22.357.699 idosos) da população brasileira.

De acordo com Carvalho & Rodríguez-Wong (2008) o crescimento da população idosa com 65 anos ou mais, representará em 2050 aproximadamente 19% da população brasileira, conforme figura 2. O envelhecimento populacional, não se tratará de um acontecimento isolado, mas associado à modificações do perfil epidemiológico e características socioeconômicas das populações (CHAIMOWICZ, 2009).

Figura 1 - Pirâmide da população mundial entre 1950 e 2100

(25)

É necessário entender que as mudanças no perfil demográfico vêm associadas com diversos desafios como: economia de uma população em processo de envelhecimento; ética e iniquidades (discriminações); a feminização do envelhecimento; a provisão de cuidado para populações em processo de envelhecimento; a convivência com dupla carga de doenças (World Health Organization - WHO, 2005).

Alguns desses desafios principalmente os relativos à saúde estão associados ao processo de transição epidemiológica, caracterizado pela relativa diminuição de processos agudos de rápida resolução (cura ou óbito) para um aumento relativo de doenças crônicas e seus agravos de longa duração (BERENSTEIN e WAJNMAN, 2008).

Figura 2 – Pirâmides do Brasil, 1950 a 2050

Fonte: População e políticas sociais no Brasil: os desafios da transição demográfica e das migrações internacionais Centro de Gestão e Estudos Estratégicos- CGEE, 2008.

(26)

Segundo Schramm et al. (2004) esse perfil epidemiológico engloba três mudanças básicas: substituição das doenças transmissíveis por doenças não-transmissíveis e causas externas; deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos; e transformação de uma situação em que predomina a morbidade e não a mortalidade.

Face ao exposto acima o controle das DCNTs (principalmente doenças cardíacas, acidente vascular encefálico, câncer, doenças respiratórias e diabetes) tem chamado atenção, visto que essas condições tem se destacado como responsáveis por 60% das mortes em todo o mundo, estando 80% destas localizadas em países de baixa e média renda. Quando comparadas as doenças infecciosas as DCNTs representam o dobro do número de mortes (DE MAIO, 2011).

No Brasil, em torno de 72% das mortes em 2007 foram atribuídas as DCNTs, 10% as doenças infecciosas e parasitarias e 5% aos distúrbios de saúde materno-infantis, contrastando com a realidade de 1930, em que as doenças infecciosas representavam 46% (SCHMIDT et al., 2011). O envelhecimento populacional resulta, portanto, em maior probabilidade de fragilização e doenças, incapacidades e maior utilização os serviços de saúde e medicamentos (NUNES et al., 2009).

2.3 Diabetes mellitus e o envelhecimento

O Diabetes Mellitus, segundo a SBD (2009) é um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que possui em comum a hiperglicemia resultante de defeitos na ação da insulina, na secreção de insulina ou em ambos. Possui quatro classes clínicas: tipo I (auto-imune ou idiopático), tipo II, gestacional e outros tipos específicos.

As repercuções dessa patologia, tornam-se cada vez importantes, já que afeta grande quantitativo de pessoas em todo o mundo. Em 2011, a população mundial acometida por diabetes correspondia a 8,3% (366 milhões de pessoas afetadas), desses 80% viviam em países em desenvolvimento (International Working Group on the Diabetic Foot - IWGDF, 2011). O aumento observado na prevalência do Diabetes Mellitus tipo 2, vem sendo associado a: modificação no padrão nutricional, maior exposição aos principais fatores de risco e crescimento da população longeva (COTTA et al., 2009).

(27)

Cabe destacar que o diabetes assume repercussões significativas entre os mais velhos, justificada pela frequência mais elevada com o avançar dos anos, bem como, o fato dessa patologia na maioria das vezes gerar complicações macrovasculares (doença cardiovascular, cerebrovascular e de vasos periféricos) e microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia), contribuindo para a queda da qualidade de vida dos idosos e aumento no consumo dos recursos em saúde.

2.4 Qualidade de vida e envelhecimento

O termo Qualidade de Vida (QV) segundo Pais-Ribeiro (2004) tornou-se uma expressão popular utilizada em diferentes contextos. A discussão sobre o tema é ampla, sobretudo no que ser refere a conferir qualidade de vida à longevidade adquirida com a contemporaneidade.

Essa terminação é por vezes confundida com estilo, condições e situações de vida (PIMENTA et al., 2008), por refletir um interesse com a modificação e aprimoramento de elementos do ambiente físico, político, moral e social, o que necessariamente exige o conhecimento do estilo e condições de vida, apesar de não terem o mesmo significado.

O fato é que a QV compreende grande quantidade de componentes, o que proporciona a existência de diferentes visões, tornando difícil a mensuração e consenso sobre seu conceito. Em geral a uniformização conceitual é atrelada ao poder de compra, advindo de bons indicadores econômicos, desenvolvimento social e melhoria de indicadores epidemiológicos, no entanto, esses não são suficientes para mensurar a QV da pessoa, sendo necessário verificar a sua autopercepção (PASCHOAL, 2000).

Essa visão mais ampla sobre a qualidade de vida pode ser observada no conceito da OMS, definida como: a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida, dentro de um contexto cultural e de valores no qual vive, bem como, em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Sendo necessário para isso, a incorporação dos aspectos da saúde física, do estado psicológico, do nível de dependência, das relações sociais, das crenças e sua relação com características do ambiente (WHO, 2005).

Atualmente existe novas expressões que abordam algumas dimensões da QV, como por exemplo, “Qualidade de vida ligada à saúde”, tradução da expressão

(28)

inglesa Health related Quality of Life, tem sido utilizada para ser distinguida da QV, em seu significado mais geral, já que trataria de aspectos que são ou estão sendo influenciados pela ocorrência ou tratamento de doenças ou traumas (DANTAS; SAWADA; MALERBO, 2003).

Essa nova expressão tem se tornado cada vez mais frequente, uma vez que o novo perfil epidemiológico e demográfico da população mundial tem propiciado um aumento progressivo na prevalência de doenças crônicas e mortalidade associada, resultando em um número cada vez maior de pessoas que vivem seus últimos anos de vida, enfrentando combinações de sintomas, com impacto negativo na qualidade de vida (SOLANO; SCAZUFCA; MENEZES, 2011).

2.5 Como avaliar a qualidade de vida?

As metodologias de avaliação da qualidade de vida estão baseadas em trabalhos tanto de método qualitativo como quantitativo, nos primeiros se utilizam técnicas de biografias ou histórias de vida para evitar respostas estereotipadas, enquanto os segundos tendem para a construção e validação de instrumentos multidimensionais, apresentando ambos resultados comparáveis (PIMENTA et al., 2008).

Com o método quantitativo a QV pode ser analisadas por meio de instrumentos genéricos ou instrumentos específicos. Os genéricos abordam o perfil de saúde, permitindo comparar indivíduos sadios com doentes ou portadores da mesma doença, vivendo em diferentes contextos socioculturais, sem detectar aspectos particulares de determinada doença. Já os instrumentos específicos têm como vantagem a capacidade de identificar peculiaridades da QV em determinadas situações, entretanto possui a dificuldade para validação das características psicométricas do instrumento (FAYERS e MACHIM, 2007).

A mensuração da Qualidade Vida Relacionada à Saúde (QVRS) tem se tornado um importante indicador de saúde em testes clínicos, estratégias de melhoria na prática clínica, pesquisa e avaliação de serviços de saúde (KLATCHOIAN et al., 2008).

Existem muitos modelos de questionários genéricos que vem sendo utilizados para o estudo da QV, na perspectiva da saúde como, por exemplo: os instrumentos Sickness Impact Profile (SIP) Nottingham Health Profile (NHP), McMaster Health

(29)

Index Questionnaire (MHIQ), Rand Health Insurance Study (Rand His), além dos instrumentos gerais da OMS como WHOQOL-100 e WHOQOL-bref (PASKULIN, 2006). No entanto, o Medical Outcomes Study de 36 itens (SF-36 Short-Form Health Survey), traduzido e validado, é o que tem sido usado com mais frequência no contexto nacional e internacional (CASTRO et al, 2003; PASKULIN, 2006).

O SF-36 combina aspectos físicos e cognitivos, produzindo um índice do estado de saúde que incorpora várias dimensões. Foi desenvolvido no final dos anos 80, e desde então já foi aplicado em numerosas situações, desde estabelecimentos de saúde até inquéritos populacionais. No Brasil esse instrumento foi traduzido e validado por Ciconelli et al. (1999), no qual confirmou boa sensibilidade, ou seja, responsividade diante de alterações na QV.

Por agregar essas características o SF-36 tem se tornado o instrumento genérico mais utilizado para avaliar a QV (AGUIAR et al., 2008 ), uma vez que sua estrutura dimensional oferece boa representatividade da situação de Qualidade de Vida Relacionada a Saúde (VIACAVA, 2002; CASTRO et al., 2003; PIMENTA et al., 2008), sendo, útil na avaliação do impacto do Diabetes Mellitus na QV de idosos oferecendo subsídios para intervenções que promovam a saúde.

(30)
(31)

3 OBJETIVOS

Abaixo seguem os desfechos que foram observados ao longo do estudo e que nortearam o processo para o seu desenvolvimento.

3.1 OBJETIVO GERAL

- Analisar a qualidade de vida de idosos diabéticos cadastrados em Unidades de Básicas de Saúde na Microrregião 1.1 do Distrito Sanitário I do município de Recife/PE.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Caracterizar a amostra segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e de condições de saúde.

- Avaliar a qualidade de vida dos idosos diabéticos nos domínios: capacidade física, limitações por aspecto físico, dor, estado geral de saúde, vitalidade, social, emocional e saúde mental.

- Verificar possível associação entre os domínios de qualidade de vida e as variáveis independentes.

(32)

(33)

4 METODOLOGIA DO ESTUDO

Serão descritas logo abaixo a organização, a implementação e como foi analisada a presente pesquisa.

4.1 Tipo de Estudo

Trata-se de um estudo epidemiológico do tipo descritivo, de corte transversal. Os estudos transversais permitem produzir instantâneos da situação de saúde de uma população ou comunidade, baseados na avaliação individual, possibilitando a produção de indicadores globais de saúde para o grupo investigado. Este tipo de desenho tem como vantagens o baixo custo, a simplicidade analítica e o alto potencial descritivo, fornecendo subsídios ao planejamento de ações e serviços em saúde (ALMEIDA FILHO e ROUQUAYROL, 2003).

De uma maneira geral o estudo seccional é um excelente método para descrever características de uma população em determinada época e apesar de não ser considerado como estratégia de investigação analítica, há a possibilidade de testar a existência de associações. Um das suas grandes vantagens é a capacidade de inferência dos resultados observados para uma população definida no tempo e no espaço (MEDRONHO, 2009).

4.2 Local do Estudo

O presente estudo foi realizado no município de Recife capital do estado de Pernambuco, situado na região litorânea do Estado. A área municipal ocupa 219,493 km2 e limita-se com os municípios de Paulista, Olinda, Camaragibe, São Lourenço e Jaboatão dos Guararapes (Figura 4). O território do Recife é subdivido, desde 1988, em 94 bairros, mediante Decreto nº 14.452/88.

Para efeito de planejamento e gestão, a cidade também é dividida espacialmente em seis Regiões Político-Administrativa (RPA), sendo cada uma destas, subdivididas em três Microrregiões (MR), que agregam bairros com maiores semelhanças territoriais. Na saúde cada RPA corresponde a um Distrito Sanitário (DS).

(34)

A população do Recife de acordo com o último censo (2010) correspondeu a 1.536.934 pessoas, distribuídas num espaço totalmente urbano, sendo 708.988 (46,13%) do sexo masculino e 827.946 (53,87%) do sexo feminino, representando o terceiro município do Brasil em percentual de mulheres (IBGE, 2010).

A investigação foi realizada no Distrito Sanitário I, concentrando-se na Microrregião (MR) 1.1 que integra os bairros do Recife e Santo Amaro (Figura 5). A referida Microrregião concentra a maior proporção de idosos do município (Recife, 2005). De acordo com os dados do Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB 2012), do total de idosos cadastrados (4752), 47,1% (2239) eram assistidos na MR 1.1.

Fonte: Atlas de desenvolvimento Humano no Recife Figura 3 – Mapa da cidade do Recife

Figura 4 – Regiões Político Administrativas e as Microrregiões

(35)

4.3 População

A população estudada foi constituída por idosos (60 anos ou mais) de ambos os sexos, não institucionalizados, residentes na MR 1.1 do Distrito Sanitário I do município de Recife, e cadastrados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da área, até maio de 2012.

Foi considerada a definição de pessoa idosa, segundo a Política Nacional do Idoso (PNI - Lei nº 8.842/94), àquela com idade equivalente ou superior a 60 anos (BRASIL,1994).

De acordo com informações fornecidas pela Gerência do Distrito Sanitário I, a partir de dados do SIAB (2012), 2239 idosos estavam cadastrados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo 1556 assistidos em Unidades de Saúde da Família (USF) e 683 acompanhados pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), conforme exposto na tabela 1.

Unidades Básicas de Saúde

Nº de idosos

USF PILAR 40

USF SANTA TEREZINHA 486

USF SITIO DO CEU 564

USF SANTO AMARO I 466

PACS- JOÃO DE BARROS 683

Total 2239

4.4 Seleção da Amostra

Para seleção foi utilizada a técnica de amostragem estratificada proporcional, segundo gênero e quantitativo de idosos por unidade básica de saúde. A referida técnica possibilita a escolha de seus componentes em função da real distribuição dos estratos na população, assegurando a proporcionalidade entre os grupos, com estimativas mais precisas (JECKEL; KATZ; ELMORE, 2005). A literatura

Fonte: Sistema de Informação da Atenção Básica – SIAB - 2012

(36)

especializada destaca variações na prevalência do diabetes segundo gênero, tempo e espaço (GOLDENBERG, 2003), justificando assim o procedimento adotado.

Para determinação do tamanho amostral foi utilizada a fórmula proposta por Bolfarine e Bussab (2005):

n = N / [(N-1)D / (pq) + 1] em que,

Considerando N = 2239 idosos, B = 0.05, zα = 1.96 (nível de confiança α = 0.05), p = 0.161 e q = 0.839 e n= 190 pacientes.

Para o valor estimado de p foi considerada uma prevalência de diabetes na população idosa de 16,1% (IBGE, 2010). Em função de possíveis perdas, relacionadas ao preenchimento incorreto dos formulários, ou não localização de idosos selecionados foi acrescido ao tamanho amostral um percentual de 10%, correspondendo assim, a amostra final a 211 idosos.

Na determinação do tamanho amostral em cada estrato foi considerado: nh = Nh n /N ou nm = Nm n/N em que,

Nh = tamanho da população no estrato h (homens);

Nm = tamanho da população no estrato m (mulheres).

De acordo com dados do SIAB até maio de 2012, do total de idosos cadastrados (2239) na MR 1.1 do DS I, 1556 eram mulheres e 683 homens. No presente estudo, o tamanho amostral para o estrato da população feminina correspondeu a 140 idosas e de 71 para população masculina.

A alocação proporcional da amostra por UBS, de acordo com o quantitativo de idosos por sexo e por UBS encontra-se descrita na tabela 2, sendo a escolha. N = tamanho da população;

D = B2/ z2α;

B2 = erro máximo aceito;

z2α = quantíl (1-α) da distribuição normal padronizada;

p = valor estimado da proporção de unidades da população que possuem a característica de interesse;

q = valor estimado da proporção de unidades da população que não possuem a característica de interesse.

(37)

4.5 Critérios de Inclusão

- Indivíduos com idade mínima de 60 anos, condição que define pessoa idosa (Lei nº 8842/94 Política Nacional do Idoso).

- Estar cadastrado em Unidade básica de Saúde da MR 1.1.

- Possuir diagnóstico de Diabetes Mellitus registrado nos prontuários.

4.6 Critérios de Exclusão

- Idosos com comprometimento de comunicação e/ou cognição que pudesse interferir na coleta dos dados primários durante a entrevista.

4.7 Variáveis

Dependente: Qualidade de vida

Para investigação dessa variável foi utilizado o questionário SF-36 (APÊNDICE A, bloco D do roteiro de entrevista). O instrumento é composto por 11 questões (havendo uma de ordem apenas comparativa sobre a percepção atual da saúde em relação a um ano atrás) e 36 itens que englobam oito componentes (domínios ou dimensões), representados por:

· Capacidade Funcional - CF (dez itens),

UBS n (mulheres) n (Homens) Nº Total de

Idosos

USF PILAR 2 2 4

USF SANTA TEREZINHA 30 16 46

USF SITIO DO CEU 37 16 53

USF SANTO AMARO 27 17 44

PACS- JOÃO DE BARROS

44 20 64

Total 140 71 211

(38)

· Limitação por Aspectos Físicos – LAF (quatro itens), · Dor (dois itens),

· Estado Geral da Saúde - EGS (cinco itens), · Vitalidade (quatro itens),

· Aspectos sociais (dois itens), · Aspectos emocionais (três itens), · Saúde mental (cinco itens)

Após a ponderação dos dados seguindo os cálculos da fase 1 e 2 disposto no Anexo, o indivíduo recebe um escore em cada domínio, que varia de 0 a 100, sendo 0 o pior escore e 100 o melhor (Ciconelli et al, 1999). Os quatro primeiros domínios constituem a avaliam da saúde física e os quatro últimos da saúde mental (Figueredo Neto, Queluz e Freire, 2011).

Independentes

· Sexo: categorizado em masculino e feminino;

· Idade: considerada em anos completos, a partir da data de nascimento e data da entrevista. Para fins de análise foi agrupada nas seguintes faixas etárias: 60 – 69; 70 – 79 e 80 anos ou mais.

· Escolaridade: categorizada em anos de estudo com aprovação;

· Situação conjugal: casado(a) ou em união consensual, solteiro(a)(nunca se casou ou morou com companheiro(a), viúvo(a), separado/divorciado(a);

· Situação previdenciária: não aposentado(a) e aposentado(a); · Se teve filhos – sim ou não;

· Rendimento mensal do idoso: distribuído nos seguintes intervalos: sem rendimento, até um salário mínimo, de um a dois salários mínimos, de dois a quatro salários e mais de quatro salários;

· Contribuição do idoso para com o sustento da casa; totalmente, parcialmente não contribui

· Ocupação após a aposentadoria

· Tempo de diagnóstico do diabetes: autodeclarado expresso em anos completos, categorizados: menos de 5 anos de diagnóstico, 5-10 anos, mais de 10 anos;

(39)

· Uso de medicamentos para o diabetes: distribuído em hipoglicemiante oral, insulina, hipoglicemiante oral e insulina e não faz uso de medicação;

· Realização de atividade física regular;

· Presença de co-morbidade associada autodeclarada

4.8 Coleta de Dados

Os dados foram coletados no período de julho a novembro de 2012, a partir de alguns registros disponíveis nos prontuários e por meio da técnica de entrevista domiciliar, com registro das informações em roteiro semi-estruturado (APÊNDICE A). Posterior identificação dos idosos diabéticos – informação essa obtida dos mapas de atendimento dos ACS - foram criadas listas contendo os idosos diabéticos por unidade, a fim de respeitar a estratificação por sexo e unidade de saúde feita para o cálculo amostral, conforme tabela 2. Após organização da lista por UBS, se realizou um sorteio por unidade. Nos casos de recusas ou não localização do idoso em seu domicílio, após duas tentativas, o subsequente da lista era selecionado.

O cronograma para a realização das entrevistas com os idosos foi organizado conforme disponibilidade de horário dos Agentes Comunitários de Saúde e pactuado com os enfermeiros das unidades.

Além da pesquisadora principal participaram da etapa de coleta dos dados, uma aluna do curso de enfermagem da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que recebeu auxílio do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa), com a concessão de uma bolsa de iniciação científica e uma psicóloga, ambas previamente treinadas quanto aos procedimentos da pesquisa e técnica de entrevista.

4.9 Análise dos Dados

As informações foram digitadas em banco de dados, construído com o auxílio do software EPIINFO versão 3.5.3. Após a digitação em dupla entrada, os dados foram checados visando excluir possíveis inconsistências. Para análise, o banco foi

(40)

exportado para o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows, versão 14.0.

Para avaliar a qualidade de vida dos indivíduos em cada domínio foram calculadas as estatísticas: mínimo, máximo, média e desvio padrão dos escores obtidos. Além disso, foram calculados os respectivos intervalos de confiança para a média estimada. Na comparação entre os domínios, dois a dois foi aplicado o teste de Mann-Whitney.

Para comparar a distribuição do escore da qualidade de vida, por domínio, segundo as variáveis: socioeconômicas, demográficas e de condições de saúde dos idosos foi utilizado o teste de Mann Whitney ou Kruskal Wallis de acordo com o caso. Foi considerado o nível de significância de 5% para rejeição da hipótese de nulidade.

4.10 Riscos e Benefícios

No tocante aos riscos, esses incluíram possível constrangimento relacionado às questões sobre renda e outras informações consideradas íntimas, como as que indagavam por quanto tempo se sentiam felizes. As recusas por parte dos idosos, no tocante a participar da pesquisa representaram menos de 4%.

Quanto aos benefícios, os resultados poderão favorecer melhorias na qualidade de vida do idoso diabético assistido na área de abrangência do estudo, pois contribuirá para ampliação dos conhecimentos disponíveis aos profissionais das diversas USB, relacionados à temática investigada. O benefício direto para o participante esteve relacionado às orientações recebidas, quanto ao tratamento autocuidado em relação à patologia, reduzindo assim, os riscos de complicações e melhorando a qualidade de vida.

4.11 Aspectos Éticos

O projeto da pesquisa foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal de Pernambuco, para análise e consentimento para realização do estudo, como preconizado pelo Conselho Nacional de Ética e Pesquisa - CONEP através da

(41)

Resolução 196/96, que trata da pesquisa envolvendo seres humanos, resguardando os princípios éticos da justiça, beneficência e da não maleficência, tendo sido aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do CCS.

Aos participantes da pesquisa foi entregue o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (APÊNDICE), onde foram explicados os objetivos da pesquisa, riscos e benefícios, a garantia do anonimato e a possibilidade de desistência da pesquisa, sem qualquer prejuízo ao atendimento prestado na USB.

(42)
(43)

5. Resultados

Os achados da presente pesquisa serão explicitados seguindo a descrição das variáveis independentes, dependentes e a relação as mesmas.

5.1. Descrição da amostra segundo variáveis demográficas, socioeconômicas, e condições de saúde.

Ao término da coleta dos dados foi obtida uma amostra de 202 idosos, diferindo da amostra inicial em apenas 4,2%, isto porque não havia possibilidade de reposição já que a maior parte das perdas foi masculina. As perdas se deram em função da não localização do domicílio e/ou negação do idoso quanto à condição de ser diabético por ocasião da entrevista. No que diz respeito à caracterização demográfica, o sexo masculino representou 32,2% e o feminino 67,8%. A idade variou entre 60 e 102 anos com média de 70,25 anos (desvio padrão ± 7,91 anos).

Os idosos na faixa etária entre 60 a 69 anos (49,5%) prevaleceram e os muito idosos, (80 anos ou mais), representaram em torno de 12% da amostra. Quanto à escolaridade 78,7% dos idosos referiram ter estudado, no entanto, cabe destacar que 37,2% dos entrevistados, tinham menos de quatro de estudo e 21,3%, eram analfabetos.

Os que referiram ter mais que 8 anos de estudos representaram 16,3%. Em relação à situação conjugal a proporção de casados (37,6%) foi predominante, embora o percentual de viúvos (35,6%) também tenha se destacado. Os idosos que mencionaram ter filhos representaram 92,1% dos entrevistados e em torno de 59% estavam aposentados por ocasião das entrevistas.

Quanto ao rendimento mensal (48,5%) ganhavam entre um e dois salários mínimos (SM). Importante percentual de idosos, em torno de 33% referiu ganhar menos de um SM. Quando questionados se realizavam alguma atividade com retorno financeiro após a aposentadoria, pouco mais de 17% afirmaram positivamente (Tabela 3).

(44)

Tabela 3 - Distribuição de idosos segundo variáveis demográficas e socioeconômicas. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012.

Variáveis N % Sexo Masculino 65 32,2 Feminino 137 67,8 Faixa etária 60 a 69 100 49,5 70 a 79 78 38,6 80 e mais 24 11,9 Escolaridade Nenhuma 43 21,3 1 a 3 anos 75 37,2 4 a 7 anos 51 25,2 8 a 11 anos 22 10,9 12 ou mais anos 11 5,4 Situação conjugal Casada/união consensual 76 37,6 Solteiro 27 13,4 Viúvo 72 35,6 Separado/divorciado 27 13,4 Se teve filhos Sim 186 92,1 Não 16 7,9 Situação previdenciária Aposentado 119 58,9 Pensionista 44 21,8 Aposentado e pensionista 5 2,5 Não é aposentado 34 16,8

Rendimento Mensal do idoso

Sem rendimento 5 2,4 Menos de 1 SM 67 33,2 De 1 a 2 SM 98 48,5 De 2 a 4 SM 25 12,4 Mais de 4 SM 7 3,5 Contribuição para o sustento da casa Sim, totalmente 86 42,6 Sim, parcialmente 94 46,5 Não contribui 22 10,9

ocupação após aposentadoria

Sim 29 17,2%

(45)

Tabela 4 - Distribuição de idosos segundo condições de saúde. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012.

A caracterização da amostra quanto às condições relativas à saúde encontra-se ilustrada na tabela 4. Em relação ao tempo de diagnóstico, os idosos com menos de cinco anos representavam 36%. A terapia com hipoglicemiantes orais esteve presente em mais de 75% da amostra. A prática de atividade física é referida por menos de 25% da população estudada. Os que possuíam algum tipo de patologia além do DM tipo 2 representaram 95% dos entrevistados.

Variáveis n %

Tempo de diagnóstico do DM

< 5 anos 73 36,1

5 a 10 anos 49 24,3

>10 anos 80 39,6

Terapia para controle do DM

Hipoglicemiante Oral 153 75,7

Insulina 23 11,4

Hipoglicemiante oral e insulina 17 8,4

Não faz uso de medicação 9 4,5

Realiza atividade física

Sim 49 24,3

Não 153 75,7

Presença de comorbidade associada

Sim 192 95,0

Não 10 5,0

5.2. Avaliação dos domínios de qualidade de vida nos idosos diabéticos

Na tabela 5 encontram-se os escores médios obtidos para cada domínio na avaliação de qualidade de vida, destacando-se o domínio social, com pontuação equivalente a 69,6. Comparando os domínios que representam o componente físico e mental, os escores mais satisfatórios foram registrados no componente mental,

(46)

uma vez que os domínios: Social, Saúde Mental e Emocional destacam-se com pontuações superiores a 60. O domínio Limitações por Aspecto Físico apresentou o pior escore.

Domínio Mínimo Máximo Média Desvio

padrão IC Capacidade Física (CF) 0 100 52,1 30,7 47,8 – 56,3 Limitações por Aspecto Físico (LAF) 0 100 40,3 41,3 34,6 – 46,1 Dor 0 100 56,4 30,5 52,2 – 60,7 Estado Geral de Saúde (EGS) 0 100 56,3 25,6 52,7 – 59,8 Vitalidade 0 100 57,6 26,3 53,4 – 60,7 Social 0 100 69,6 33,4 64,9 – 74,2 Emocional 0 100 60,1 44,6 53,8 – 66,3 Saúde Mental 0 100 64,7 27,5 60,9 – 68,5

Na comparação dos domínios agregados dois a dois (tabela 6), a LAF que revelou pior escore médio conforme tabela 5, apresentou significância estatística em relação a todos os outros domínios, inclusive comparada aos que agregam o componente físico do qual faz parte. O social, apesar de apresentar melhor escore médio (tabela 5), não mostra diferença significante quando comparado com o emocional e saúde mental (tabela6).

Tabela 5 - Valores mínimo, máximo, média, DP e IC por domínio de qualidade de vida em idosos diabéticos. Distrito Sanitário I. MR 1.1 Recife/PE, 2012.

(47)

¹p-valor do teste de Mann-Whitney (se p-valor < 0,05 a distribuição da qualidade de vida são diferentes entre os dois grupos avaliados).

5.3. Comparação de escores médios nos domínios da qualidade de vida segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e condições de saúde

Na tabela 7, encontram-se a média e o desvio padrão dos escores de qualidade de vida dos idosos, segundo os domínios e variáveis demográficas e socioeconômicas. Verifica-se para todos os domínios da QV os indivíduos do sexo masculino apresentaram um escore médio maior em relação aos do sexo feminino, sugerindo que os homens apresentam melhor Qualidade Vida Relacionada à Saúde em relação as mulheres. Foi observada diferença estatisticamente significante entre escores nos domínios CF, Vitalidade, Emocional e Saúde Mental.

Comparação p-valor¹ Comparação p-valor¹

CF x LAF <0,001 Dor x Vitalidade 0,792

CF x Dor 0,069 Dor x Social <0,001

CF x EGS 0,154 Dor x Emocional 0,115

CF x Vitalidade 0,108 Dor x Saúde mental 0,010 CF x Social <0,001 EGS x Vitalidade 0,966 CF x Emocional 0,001 EGS x Social <0,001 CF x Saúde Mental <0,001 EGS x Emocional 0,004

LAF x dor <0,001 EGS x Saúde mental 0,001 LAF x EGS <0,001 Vitalidade x Social <0,001 LAF x Vitalidade <0,001 Vitalidade x Emocional 0,009

LAF x Social <0,001 Vitalidade x Saúde mental 0,001 LAF x Emocional <0,001 Social x Emocional 0,166 LAF x Saúde Mental <0,001 Social x Saúde mental 0,003 Dor x EGS 0,971 Emocional x Saúde mental 0,142 Tabela 6

(48)

socioeconômicas. Distrito Sanitário I. MR 1.1 – Recife/PE, 2012.

Variáveis Domínio Avaliado

CF LAF DOR EGS

Vitalidade Social Emocion

al Saúde Mental Sexo Masculino 63±33 48±41 57±32 59±27 67±27 73±33 70±41 72±27 Feminino 47±28 37±41 56±30 55±25 53±25 68±34 55±45 61±27 p-valor <0,001 0,059 0,820 0,159 <0,001 0,232 0,020 0,005 Faixa etária 60 a 69 60±28 53±42 56±29 59±25 61±26 76±33 70±41 66±29 70 a 79 47±30 28±37 60±31 53±26 53±26 64±33 53±46 53±27 80 e mais 34±31 29±37 44±31 57±28 53±26 64±35 40±45 63±23 p-valor <0,001 <0,001 0,135 0,188 0,073 0,016 0,003 0,414 Escolaridade Nenhuma 40±28 22±31 49±33 51±27 48±25 63±37 52±44 61±27 1 a 3 anos 56±32 50±45 60±29 62±24 60±25 71±33 68±44 68±26 4 a 7 anos 51±31 35±37 57±31 50±28 58±27 72±32 52±44 62±29 8 a 11 anos 63±26 57±39 61±24 68±16 63±24 76±29 68±43 64±28 12 ou mais anos 56±30 34±48 52±38 46±26 54±33 61±39 55±48 71±31 p-valor 0,028 0,002 0,386 0,012 0,181 0,664 0,137 0,510 Situação conjugal Casada/união consensual 57±29 48±40 58±31 56±26 60±27 73±33 66±42 66±30 Solteiro 49±32 41±42 57±31 56±28 57±32 75±32 60±44 67±27 Viúvo 43±30 31±40 50±30 54±25 53±25 64±34 52±47 62±27 Separado/divorciado 66±28 48±44 67±29 63±22 59±23 69±33 63±45 66±25 p-valor 0,002 0,090 0,071 0,476 0,546 0,226 0,297 0,673 Se teve filhos Sim 52±31 40±41 57±30 56±26 57±26 69±33 59±45 64±28 Não 47±26 44±40 46±30 57±21 55±27 76±35 73±39 68±28 p-valor 0,502 0,616 0,139 0,918 0,688 0,366 0,341 0,609 Situação previdenciária Aposentado 52±32 39±40 56±31 56±27 57±26 68±35 62±44 65±29 Pensionista 48±28 37±42 57±32 57±22 56±27 66±32 53±47 65±25 Aposentado e pensionista 48±24 20±45 47±30 46±7 56±8 55±30 27±43 64±26 Não é aposentado 60±28 51±43 59±29 59±26 58±27 80±27 68±43 63±28 p-valor 0,364 0,247 0,791 0,516 0,993 0,122 0,203 0,956 Rendimento Mensal do idoso Sem rendimento 42±28 10±22 61±42 46±29 45±23 78±22 33±47 52±22 Menos de 1 SM 46±32 36±40 47±27 50±29 48±25 64±37 57±47 59±31 De 1 a 2 SM 55±30 44±42 62±32 59±23 61±25 74±31 65±42 67±26 De 2 a 4 SM 56±33 45±44 57±27 64±22 69±30 66±35 63±45 74±26 Mais de 4 SM 56±22 29±42 59±29 59±22 54±17 62±34 33±47 70±16 p-valor 0,295 0,243 0,053 0,211 0,004 0,312 0,221 0,135 Contribuição para o sustento da casa Sim, totalmente 52±31 34±40 53±30 57±25 59±26 65±34 53±45 63±28 Sim, parcialmente 54±31 49±42 61±31 58±25 58±26 74±33 68±43 69±26 Não contribui 44±26 30±34 47±30 47±27 42±25 69±34 52±46 54±29 p-valor 0,388 0,044 0,073 0,234 0,028 0,157 0,049 0,065 Ocupação após a aposentadoria Sim 61±29 48±40 54±28 60±27 59±25 74±33 62±43 65±30 Não 50±31 38±41 56±31 55±26 56±27 67±34 59±45 64±27 p-valor 0,068 0,137 0,650 0,333 0,476 0,255 0,684 0,829

(49)

Quando relacionados os domínios da QV por faixa etária foi notado melhores pontuações em todos os domínios, na categoria dos idosos mais jovens, sendo esta diferença estatisticamente significante nos campos CF, LAF, Social e Emocional.

Quando comparados os idosos com algum nível de escolaridade em relação aos sem nenhuma escolaridade, melhores escores de Qualidade de Vida foram observados em quase todos os domínios para os primeiros. A significância estatística foi observada nos campos CF, LAF e EGS. No domínio EGS foi observado melhor escore entre os que não possuíam nenhuma escolaridade, quando comparado àqueles que possuíam mais de 12 anos de estudo, sendo a melhor pontuação encontrada para os idosos com 8 a 11 anos de estudo.

Os casados e os divorciados obtiveram melhores escores médios em grande parte dos domínios, no entanto somente no campo Capacidade Física a diferença foi estatisticamente significante comparado aos viúvos e solteiros. Quanto à situação previdenciária os escores médios se apresentaram um pouco maiores naqueles que ainda não eram aposentados, com exceção excetuando no domínio saúde mental, não sendo observada significância estatística para essa diferença.

Quando se comparou os idosos com e sem filhos a distribuição de melhores pontuações variou bastante e não apresentou significância estatística em nenhum dos domínios avaliados. Os que possuíam rendimento entre 1 e 2 SM e entre 2 e 4 SM, tiveram melhores pontuações no geral, especialmente nos escores do componente mental, sobretudo no domínio vitalidade que apresentou diferença estatisticamente significante.

A variável contribuição para o sustento da casa apresentou melhores escores em todos os domínios entre os contribuíam parcialmente, sendo a diferença estatisticamente significante nos campos LAF, Vitalidade e Emocional. Os entrevistados que possuíam ocupação após a aposentadoria, apresentaram melhores escores de QV em todos os domínios, no entanto não foi observada significância estatística.

A tabela 8 apresenta a comparação dos escores de qualidade de vida por domínio, segundo condições de saúde. Quando observado o tempo de diagnóstico, os idosos com mais de 10 anos de identificação da condição, demonstraram menores escores de QV em todos os componentes físico e mental sendo observada significância estatística no domínio CF.

Referências

Documentos relacionados

31) CUESTIÓN. Por un condutor rectilíneo moi longo circula unha corrente de 1 A. O campo magnético que se orixina nas súas proximidades faise máis intenso canto: a) máis

Ninguém quer essa vida assim não Zambi.. Eu não quero as crianças

Mestrado em Administração e Gestão Pública, começo por fazer uma breve apresentação histórica do surgimento de estruturas da Administração Central com competências em matéria

O Documento Orientador de 2013, dispondo sobre as atribuições do (a) professor (a) articulador (a) de projetos, determina que ele (a) deverá estar lotado (a) na unidade escolar,

de professores, contudo, os resultados encontrados dão conta de que este aspecto constitui-se em preocupação para gestores de escola e da sede da SEduc/AM, em

Fonte: elaborado pelo autor. Como se pode ver no Quadro 7, acima, as fragilidades observadas após a coleta e a análise de dados da pesquisa nos levaram a elaborar

Pensar a formação continuada como uma das possibilidades de desenvolvimento profissional e pessoal é refletir também sobre a diversidade encontrada diante

Em meio a tantas turbulências no mundo empresarial, é necessário que os gestores tenham conhecimento de certas ferramentas para que alcancem sucesso