A avaliação diagnóstica A avaliação formativa A avaliação sumativa
A Avaliação no 2ºciclo do Ensino Básico (5º e 6º anos)
A avaliação constitui uma condição indispensável em qualquer sistema escolar, é uma operação descritiva e informativa nos meios que emprega, formativa na intenção que lhe preside e independente face à classificação.
Assim, a avaliação tem por finalidade informar, aos alunos, professores e encarregados de educação a forma como os objectivos do currículo são cumpridos, os domínios dos conhecimentos, das atitudes e destrezas, de acordo com os critérios de avaliação definidos e aprovados em conselho pedagógico e com base no projecto curricular de turma.
Ao longo do processo de ensino - aprendizagem, existe um caminho a percorrer entre um ponto de partida e um ponto de chegada, naturalmente esse trajecto necessita de ser verificado se está a decorrer em direcção à meta, se alguns param a meio do caminho porque não o encontram ou por terem enveredado por um desvio errado. É essa informação, sobre o progresso do grupo (turma) e de cada um dos seus membros (cada aluno), que a avaliação tenta reunir e que é fundamental a professores e alunos.
A informação fornecida pela avaliação é necessária ao professor, para que este procure meios e estratégias que possam ajudar os alunos a resolver as dificuldades, e é necessária aos alunos para se aperceberem delas e tentarem ultrapassá-las com a ajuda do professor e com a sua própria dedicação. Neste sentido, podemos dizer que a avaliação tem uma intenção formativa.
A avaliação contribui ainda para a obtenção de resultados de aprendizagem, ou seja, a avaliação e a aprendizagem influenciam-se mutuamente. Num processo de ensino/ aprendizagem cuidadosamente planificado, não se deve esquecer a função reguladora da avaliação, nem os procedimentos que garantam, à partida, a minimização da facilidade de julgamento que a avaliação implica. As avaliações que o professor procede enquadram-se em três grandes tipos:
A avaliação diagnóstica pretende verificar a posição do aluno face a novas aprendizagens que lhe vão sendo propostas e aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no sentido de se obviar as dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações presentes.
A avaliação formativa tem como objectivo, determinar a posição do aluno ao longo de uma unidade de ensino, no sentido de identificar dificuldades e de lhes dar soluções.
A avaliação sumativa pretende apreciar o progresso realizado pelo aluno no final de cada unidade de aprendizagem, no sentido de aferir resultados já recolhidos por avaliações do tipo formativo e obter indicadores que permitam aperfeiçoar o processo de ensino.
A avaliação pode ser também classificada como interna ou externa. Diz-se interna quando é o próprio professor que ministra o ensino e também realiza a avaliação. A avaliação é externa quando é aplicada por alguém de fora do processo de ensino. Ambas podem ser contínuas (surge de forma regular, continuamente, em sala de aula) ou pontuais (surge após a concretização de algum trabalho a longo prazo).
No que se refere à explicidade, a avaliação pode ser explícita, isto é, ocorre quando a situação de avaliação está clara e bem definida para todos os indivíduos sujeitos a ela, ou pode ser implícita, em que os indivíduos são submetidos à avaliação sem se aperceberem que estão a ser avaliados.
Quanto à comparação, a avaliação pode ser normativa ou criterial. Uma avaliação normativa é aquela que compara o rendimento alcançado pelo aluno com o rendimento alcançado pelos restantes colegas do grupo. A avaliação criterial procura dar a conhecer a cada aluno a sua situação em relação a um determinado objectivo pré- fixado, informando ao aluno quais são os conteúdos que ele adquiriu de forma positiva.
A avaliação sumativa interna no Ensino Básico (2º ciclo)
De acordo com as normas produzidas pelo Ministério da Educação, a avaliação sumativa interna na escolaridade básica deve ser um momento para apreciação global do que os alunos sabem e são capazes de fazer. Os professores têm a autonomia de organizar os momentos de avaliação sumativa, no entanto, são obrigados a comunicar o resultado dessas avaliações pelo menos três vezes em cada ano (final do 1º, 2º e 3º períodos). Os professores também realizam as avaliações sumativas intercalares, cujos
resultados são comunicados aos pais através dos directores de turma que, para o efeito, promovem reuniões informativas.
No 1ºciclo do Ensino Básico, os resultados da avaliação sumativa interna exprime-se de forma qualitativa e descritiva. No 2º ciclo do Ensino Básico, os resultados da avaliação sumativa das disciplinas curriculares exprimem-se numa escala ordinal que varia entre um (mínimo) a cinco (máximo) valores, podendo assim esta avaliação ser acompanhada de uma apreciação descritiva e qualitativa. No caso das áreas curriculares não disciplinares (Área de Projecto, Formação Cívica e Estudo Acompanhado), os resultados da avaliação sumativa são representados através de descrições de natureza qualitativa.
A avaliação sumativa externa no Ensino Básico (2º ciclo)
A avaliação externa realiza-se no final do 1º e do 2º ciclo do Ensino Básico. São realizadas provas nas disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa, que são aplicadas anualmente a turmas de alunos que se encontram nos dois ciclos do Ensino Básico. Este tipo de provas não apresenta quaisquer efeitos na progressão nem na certificação dos alunos, contudo, pretende controlar os níveis de desempenho dos alunos e contribuir para avaliar a qualidade do sistema educativo.
O Ministério da Educação (ME), é responsável pela elaboração, distribuição, administração e correcção das provas. Os critérios de correcção e os tipos de classificação a utilizar, são também definidos pelo ME, que, para além disso, analisa os resultados e produz relatórios que posteriormente são enviados para as escolas. As escolas colaboram com o ME no processo de administração e, logicamente, na correcção das provas.
Se a avaliação externa for devidamente organizada e com finalidades claras, este tipo de avaliação pode ser uma forma prática de se obter informação sobre o desempenho do Sistema Educativo. A avaliação externa promove ainda, boas práticas de ensino e de avaliação, regulando e melhorando a Educação Básica no país.
Segundo uma abordagem empírica, realizada por vários autores, às práticas1 generalizadas dos professores do 2º ciclo nas escolas, verificou-se que os professores ao longo da avaliação tendem a:
- considerar a objectividade como a componente principal da avaliação (através da atribuição de um valor numérico);
- confundir avaliação com classificação (aproximando cada actividade avaliativa de uma escala de valores);
- conduzir os seus processos avaliativos, não concretamente para a percepção do campo de conhecimentos dos alunos, mas sim para a demonstração desse conhecimento segundo a lógica do próprio professor;
- utilizar para a avaliação de aprendizagem, instrumentos que têm por base o processo de ensino, em vez do processo ensino/aprendizagem.
Em suma, todas as escolas do Ensino Básico devem desenvolver autonomia no que se refere aos seus regulamentos internos, devem também definir os critérios de avaliação das aprendizagens e competências a utilizar com os alunos e criar condições que possibilitem a participação de um alargado leque de intervenientes no processo de avaliação.
A Avaliação no 3º ciclo do Ensino Básico (7º, 8º e 9º anos)
A avaliação no 3º ciclo do Ensino Básico realiza-se segundo, uma avaliação diagnóstica, formativa e sumativa, tal como no 2º ciclo do Ensino Básico.Como já tinha sido referido, a avaliação diagnóstica pretende, verificar a posição do aluno face a novas aprendizagens que lhe vão sendo propostas e aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no sentido se obviar as dificuldades futuras e, em certos casos, de resolver situações presentes.
A avaliação formativa tem como objectivo, determinar a posição do aluno ao longo de uma unidade de ensino, no sentido de identificar dificuldades e de lhes dar solução.
A avaliação sumativa pretende apreciar o progresso realizado pelo aluno no final de cada unidade de aprendizagem, no sentido de aferir resultados já recolhidos por avaliações do tipo formativo e obter indicadores que permitam aperfeiçoar o processo de ensino.
Instrumentos de avaliação
Durante o ano lectivo, o professor de cada disciplina obtém elementos de avaliação diversificados. Para este efeito são utilizados diferentes instrumentos de
avaliação, tais como, testes escritos, trabalhos de casa, fichas de trabalho, relatórios, trabalhos de grupo, apresentações orais, observações de atitudes e de comportamentos, etc.
A classificação dos elementos de avaliação pode ser traduzida de uma forma quantitativa (escala de 1 a 5 valores ou de 0% a 100%) ou de uma forma qualitativa (excelente, satisfaz bem, satisfaz, satisfaz pouco e não satisfaz).
No final de cada período, o professor de cada disciplina entrega ao director de turma e ao conselho executivo a proposta de avaliação de cada aluno. A avaliação dos aluno no final do ano, é formalizada em conselho de turma tendo em vista:
A avaliação sumativa interna no Ensino Básico (3º ciclo)
No final do ano lectivo, os alunos do 9º ano realizam provas globais em todas as disciplinas tendo em conta as suas especificidades, à excepção de Educação Física, Educação Tecnológica, Educação Moral, Língua Portuguesa, Matemática e disciplinas da área de educação artística.
A avaliação sumativa externa no Ensino Básico (3º ciclo)
Registos da assiduidade;
Atribuição de uma classificação quantitativa (na escala de 1 a 5 valores) e qualitativa (excelente, satisfaz bem, satisfaz, satisfaz pouco e não satisfaz) em todas as disciplinas; Síntese descritiva nas áreas curriculares não disciplinares (Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica);
Reanálise do Projecto curricular de turma tendo em vista a introdução de eventuais reajustamentos ou apresentação de propostas para o próximo ano lectivo;
Elaboração de um relatório analítico individual, em caso de retenção, em que devem ser identificadas as aprendizagens realizadas pelo aluno, para que as mesmas sejam consideradas, no momento de realização do projecto curricular de turma que o aluno será integrado no ano lectivo seguinte.
A avaliação sumativa externa é da responsabilidade do Ministério da Educação e compreende a realização de exames nacionais no 9º ano, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Os exames nacionais têm como referência o currículo do 3º ciclo e incidem sobre as aprendizagens e competências do 9º ano. No final do 3º período, o conselho de turma realiza a avaliação sumativa dos alunos, da qual resulta a decisão de progressão ou retenção.
No 7º e 8 ano, o aluno poderá ficar retido se obtiver nível inferior a 3 valores em simultâneo às disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e língua estrangeira. A retenção pode ser também, pelo facto de o aluno ultrapassar o limite de faltas injustificadas numa ou mais disciplinas e se obtiver nível inferior a 3 valores em três ou mais disciplinas, contudo, é necessário ter em consideração todos os factores de ponderação.
De igual forma, no 9º ano, o aluno poderá ficar retido se ultrapassar o limite de faltas injustificadas numa ou mais disciplinas. Se a classificação for inferior a 3 valores nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, o aluno fica retido.
Reflexão crítica
Para muitos docentes, a avaliação continua a ser um processo de muitas dúvidas e dificuldades, contudo, esta, é essencial para se obter resultados de aprendizagem e serem implementadas correcções no processo de ensino.
É importante que o professor desenvolva uma actividade crítica e reflexiva, adequada para avaliar a sua própria função e, que, contribua para o seu progresso. Somente assim terá capacidade para aplicar práticas de avaliação adaptadas, participativas e próximas do aluno.
Deve existir uma clareza dos objectivos, tendo em vista a motivação dos alunos, pois, o estado de espírito é um elemento indispensável tanto na aprendizagem como na avaliação (aprende-se melhor quando se compreendem e aceitam valores e metas de aprendizagem propostos, como também os resultados na avaliação são melhores se existir percepção do seu fundamento).
Os instrumentos e técnicas de avaliação podem ser aperfeiçoados, através da utilização contínua e sistemática da avaliação formativa recorrendo a instrumentos diversificados (apostar mais na avaliação formativa do que na avaliação sumativa). A auto e hetero-avaliação permitem a participação directa do aluno/turma na avaliação, pois, uma avaliação efectuada conjuntamente, por um grupo, tem possibilidade de ser mais válida que a avaliação realizada de forma individual (o confronto de opiniões pode contribuir para a diminuição da subjectividade inerente à prática avaliativa).
A avaliação não se deve limitar à participação dos alunos e do professor. É fundamental que nela participem outros intervenientes tais como os pais, outros docentes, técnicos de educação e todos os agentes que, de algum modo, possam estar relacionados com o processo educativo dos alunos.
Bibliografia
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