UNIVERSIDADE ABERTA DA MAIOR IDADE: UMA FORMA DE INCLUSÃO

Texto

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Ilze Salete Chiarello1 Célia Pereira Gomes2 Maria Marcia Soares3

Silvana Maria Vitto Zachet

4 Marilene Salvadori5

RESUMO: Este artigo tem como objetivo fazer algumas reflexões acerca do envelhecimento

populacional, da necessidade de políticas de educação específicas em torno do tema Universidade Aberta da Maior Idade e da forma de inclusão que esta propicia a esse segmento da população. Este artigo tem, ainda, como objetivo, demonstrar o projeto implantado na Universidade do Contestado, numa região que abrange em torno de 54 municípios. O surgimento desta preocupação na Universidade é resultado da crescente demografia da população de idosos – um fenômeno mundial que se evidencia também no Brasil. Buscar formas de inclusão de pessoas idosas é visto pelas agências formadoras como um compromisso a ser assumido, principalmente, pelas universidades que objetivam ações de inclusão social e melhoria da qualidade de vida da população de seu entorno. A Universidade do Contestado, ciente deste compromisso, destacado no seu Plano Integrado de Desenvolvimento Institucional – PIDI busca, de todas as formas possíveis, integrarem segmentos da sociedade que não são atingidos pelo ensino e pela pesquisa, democratizando a ação da universidade àqueles que não são atingidos por estas duas funções. Assim, cabe à extensão a efetivação de programas que contemplem uma forma de educação continuada, destinada ao idoso. Finalmente, o artigo analisa os resultados alcançados e aponta caminhos para ampliar a oferta de programas desta natureza, voltados para a necessidade de aperfeiçoamento de pessoas para atuarem com tão especial clientela.

Palavras-chave: Educação; Terceira idade; Inclusão

ABSTRACT: This article aims to make some points about the aging population, the need for specific

policies on education around the theme of the Open University and the oldest form of inclusion that makes this segment of the population. This Article has also aimed to demonstrate the project located at the University of the movie, in an area covering around 54 cities. The emergence of this concern at the University is the result of the growing population of the elderly population - a worldwide phenomenon that also shows in Brazil. Search forms for inclusion of older people is seen by agencies as a training to be undertaken, mainly by universities aiming actions of social inclusion and improved quality of life of its surroundings. The University of the movie is aware of this commitment, outlined in its Integrated Development Plan Institutional - asked looking in every possible way, integrate segments of society are not met by the teaching and research, democratizing the action of the university who are not achieved by these two functions. Thus, it is the extension of the effective programs that provide a form of continuing education, for the elderly. Finally, the article analyzes the results and suggests ways to expand the supply of such programs, geared to the need for improvement of people to work with very special clientele.

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164 INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um fenômeno constatado nos dias de hoje. O crescimento da população de idosos, em muitos países do mundo tem ampliado o interesse de várias esferas sociais sobre o tema, frente essa realidade demográfica. Nas últimas décadas este fenômeno se ampliou também no Brasil A velocidade como este processo tem avançado é significativa e demanda novas descobertas da ciência e tecnologia, adequadas a esta faixa etária. Recentemente, o envelhecimento populacional passou a integrar a agenda de discussões, objetivando o encaminhamento de políticas públicas correspondentes. A consciência da mudança da pirâmide populacional mundial e brasileira e os impactos sobre as políticas de educação, saúde, previdência e assistência, têm sido objeto de estudos de grupos e organizações.

Segundo estatísticas da Organização Mundial de Saúde, o Brasil, até 2025, será o sexto país do mundo em contingente de idosos, isto é, contará com uma população de mais de 32 milhões de idosos. Estudos vêm comprovar que a população brasileira terá crescido cinco vezes, de 1950 a 2025 e a população idosa, dezesseis vezes, o que revela que no Brasil o envelhecimento populacional é o mais rápido do mundo (KELLER et al., 2002)

A concepção de envelhecimento evoluiu muito nos últimos anos. A busca da qualidade de vida na Terceira Idade implica dispor de um mínimo de condições de saúde, lazer e participação na sociedade. Jovens hoje, têm dentro de si o velho de amanhã. Chegar à Terceira Idade, em pleno desfrute desta etapa da vida, significa planejá-la para vivê-la plenamente.

O termo “envelhecimento populacional”, segundo Gouy (2007), “designa um processo que, cada vez mais, tem levado vários países do mundo a buscar maneiras de se adaptar a esta realidade demográfica e suas implicações, sejam estes ricos, pobres, desenvolvidos ou emergentes”. Para o autor, cientistas das áreas sociais e humanas passaram a encarar o idoso como objeto de estudo bastante promissor. Segundo os estudiosos, dá-se aí uma série de alterações na visão orgânica que se tinha do envelhecimento, passando agora a ser contextualizado a partir de seus aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais.

De acordo com Censo Populacional (2000), constata-se o declínio acelerado das taxas de mortalidade em todos os países. Como conseqüência, a esperança de vida ao nascer aumentou de 40 para cerca de 62 anos de idade, nos países em desenvolvimento nos últimos anos. Projeções estatísticas apontam para 2025 a esperança de vida ao nascer, de 70 anos.

No Brasil, o quadro revela-se da seguinte forma: da alta mortalidade e alta fecundidade para uma situação caracterizada por baixa mortalidade/fecundidade e, conseqüentemente ao envelhecimento populacional: menos crianças e mais idosos. Diante desses dados, o Brasil, a exemplo dos países desenvolvidos, terá uma população de idosos em 2025, quase três vezes maior que hoje.

Criou-se a consciência de que envelhecimento populacional é uma conquista da ciência e tecnologia e, estreitamente ligada ao desenvolvimento sócio-econômico. Sabe-se que, a partir da Revolução Industrial, a população dos países em desenvolvimento passou a viver melhor, com melhores condições nutricionais, ambientais, além da melhoria de trabalho, e de saneamento, de moradia. Somam-se a isso as descobertas científicas e médicas, que colocam à disposição vacinas e medicamentos, inexistentes até a metade deste século. Com estes recursos, torna-se possível prevenir doenças que dizimavam populações. Vivem-se, hoje, perspectivas de vida diferentes de muitas mães e avós. Tem-se, hoje, a tecnologia como uma forte aliada ao aumento da longevidade populacional.

Entretanto, ao lado dos avanços da ciência e tecnologia há uma carência de políticas que estabeleçam ações adequadas para acompanhar o idoso, nessa fase da vida. Assim, ressente-se a

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ausência de locais específicos e programas bem elaborados para pessoas adultas, dentro do que preconizam as leis e diretrizes nacionais.

A Universidade do Contestado, frente a estas mudanças e constatações, busca projetos que permitam a abertura da universidade ao seu entorno, especificamente voltados àqueles que já contribuíram com suas experiências e vivências, no desenvolvimento local, regional e mesmo nacional. Desta forma, traz, em seu Plano Institucional de Desenvolvimento Integrado - PIDI, a preocupação e metas de inclusão dos diversos segmentos da sociedade, entre eles, o idoso. O compromisso social com a inclusão é um dos eixos do Plano de Desenvolvimento da Extensão da UnC, que se materializa em ações implementadas no sentido de efetivar essa visão de abertura da universidade, atingindo aqueles que não foram contemplados pelo ensino e pela pesquisa, pela informação e cultura é uma das metas da extensão universitária da UnC.

Assim, é diretriz do seu Projeto Acadêmico, voltar-se às questões que dizem respeito à qualidade de vida e inclusão das pessoas da maior idade, oferecendo-lhes oportunidades de convívio-cidadão e ampliação de conhecimento. Pensando-se na melhoria da qualidade de vida desta faixa etária definem-se políticas e estratégias de ação para garantir-lhe o espaço de cidadania e participação social.

A Extensão da UnC estruturou desde 1999 um programa destinado à população caracterizada como Terceira Idade,. A receptividade do programa foi tal que a partir daí, buscou-se a inserção de um número mais significativo da população adulta, ampliando-se a oferta do programa a pessoas, a partir dos quarenta anos.

A Universidade Aberta da Maior Idade na Universidade do Contestado – UAMI - UnC traz, em seu Projeto Pedagógico, um referencial teórico que embasa o conjunto de atividades relacionadas ao saber, ao fazer e ao lazer, possibilitando uma vida ativa, independente da idade, pelas oportunidades de novos aprendizados e de convívio social. Parte da concepção de que o envelhecimento é um processo natural e que, segundo MALTEMPI (2002), “é uma categoria construída” e que a terceira idade apresenta-se como uma nova categoria, expressão de um novo sujeito, que não é um velho acomodado e que se impõe com novas necessidades psicológicas, sociais, éticas e políticas. Assim, a imagem estereotipada da velhice tende a ser substituída por representação mais positiva. Envelhecer assume o significado de um novo tempo no qual a liberação dos compromissos possibilita a vivência de outras, e tantas, significativas experiências. (MALTEMPI, 2002).

Outro princípio que fundamenta o programa é o engajamento do idoso em atividades produtivas, recuperando seu prestígio e integrando-o ao meio, oportunizando-lhe vivenciar sua independência e manutenção de sua autonomia, fatores essenciais para o fortalecimento da qualidade de vida, abrindo espaço para o resgate da cidadania, gerando oportunidades de atualização e integração na comunidade, dentro da filosofia de educação permanente. Tem ainda, foco no resgate do status intelectual do homem historicamente produtivo, integrando, no meio acadêmico, o aluno adulto, com atividades intergeracionais, nas áreas do saber, do fazer e do lazer, através de uma ação interdisciplinar, dando-lhe condições de aprimoramento da qualidade de vida, como ser humano integral e participante da sociedade.

MATERIAL E MÉTODOS

A criação do Programa Universidade Aberta, voltada ao público da Maior Idade, constituiu-se num processo de várias etapas até sua implementação. Inúmeros foram os fatores que levaram a universidade a investir neste público-alvo e que podem ser elencados na seguinte ordem:

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166 o aumento da perspectiva de vida é uma realidade, não só dos municípios de abrangência da UnC, como do Brasil e do mundo todo. Poucas políticas e ações são desenvolvidas no sentido de apoiar grupos de pessoas na idade madura, oferecendo-lhes opções diferenciadas de formação continuada;

as constantes transformações, concepções técnicas e costumes que ocorrem no mundo todo, estão freqüentemente, se alterando, levando a fenômenos como a explosões demográfica e o aumento da expectativa de vida;

estes fenômenos exigem que o processo da educação se prolongue por mais tempo e atinja se possível, a totalidade das pessoas e, principalmente, para todas as idades;

outro fator, que mobilizou este projeto, é a certeza de que o conhecimento evolui tão rapidamente que o ser humano necessita estar se atualizando ao longo de sua vida. Esta é uma das características da educação permanente;

considera-se, ainda, a importância da interação das pessoas com mais idade, no meio acadêmico, fator que favorece e estimula o descobrimento de potencialidades e habilidades até então adormecidas e redescobertas à medida que ocorre o envolvimento destes com as atividades oferecidas.

O Programa UAMI foi concebido e é realizado pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, através das Coordenadorias desta área nos cinco campi da UnC. É um programa que articula as funções básicas da universidade – ensino, pesquisa e extensão. O fato de este programa ser desenvolvido pela Extensão tem sua razão na própria concepção que a UnC tem da extensão: uma função dialógica da universidade com a comunidade interna e com seu entorno. A matriz dialógica se configura pelas interfaces que esta estabelece com todos os segmentos da sociedade, com todos os tipos de saberes e de realidades. É, portanto a efetivação de um movimento dialético que comunica e troca novos conhecimentos, permitindo a abertura operacional da universidade ao seu meio, no sentido da circulação de informações, formando novas mentalidades, num processo contínuo, permanente, educativo, cultural e científico. A extensão tem caráter mobilizador e transformador, pois que, interfere na própria ação da universidade, avaliando-a; e nos movimentos da sociedade, promovendo melhores condições para o exercício da cidadania. E neste contexto que foi materializado o programa.

Para desenvolver o Programa Universidade Aberta da Maior Idade, a Universidade do Contestado seguiu uma metodologia diferenciada:

a) levantamento de informações para subsidiar o programa: o primeiro passo foi levantar, junto ao público-alvo, seus anseios em torno de uma possível proposta a ser implantada. Para tanto, foram realizadas reuniões onde a UnC apresentou sua intenção com referência ao programa, submetendo à análise e aprovação de uma amostragem de idosos de Caçador-SC. As sugestões dos pesquisados serviram de referencial para a etapa seguinte.

b) elaboração do projeto: nesta fase, foi estruturada a proposta do programa, contemplando as sugestões apresentadas pelo grupo pesquisado. O referencial teórico fundamentou-se nos princípios da educação de adultos com vista à modalidade presencial.

c) implantação do projeto: esta etapa foi amplamente discutida entre os docentes da graduação que ministrariam o primeiro módulo. Cada encontro foi planejado minuciosamente, observando as metodologias mais adequadas à educação de adultos, mais especificamente, da Terceira Idade.

d) avaliação processual e permanente: após cada encontro, o grupo de docentes reunia-se e procedia-se à avaliação para evidenciar os resultados e redimensionar ações que fossem

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necessárias. Esta avaliação deu suporte para aperfeiçoar o programa pois forneceu subsídios relevantes acerca da sua efetividade e receptividade. Nesse processo, o programa foi-se adequando às necessidades da clientela e, atividades com menor resultado, foram substituídas por outras já experienciadas e com êxito.

Como a Universidade do Contestado abrange uma região ampla, compreendendo o meio-oeste, planalto norte e planalto central, o programa foi estruturado de acordo com o perfil da clientela regional. O Programa UAMI tem, portanto, uma caracterização própria, sendo constituído de vários subprogramas, de acordo com a especificidade e áreas de interesse do público ao qual se destina, nos cinco campi da UnC:

1. O Subprograma UAMI I, II e III tem seu currículo organizado por módulos que funcionam no sistema de créditos. Estes módulos compõem dois blocos: a) das práticas obrigatórias; b) das práticas optativas. Nestes dois blocos são desenvolvidas práticas Sociais, da Saúde, Humanas, Cidadania, Arte e Cultura, Coral, Dança e Informática. Essas práticas norteiam as áreas de abrangência do projeto e buscam resgatar o status intelectual do homem historicamente produtivo, sua auto-estima, autonomia, auto-desenvolvimento e auto- conhecimento. Também são oferecidos seminários dentro dos temas transversais. O programa funciona em regime especial, oferecendo-se cada módulo previsto na grade curricular, totalizando 48 créditos, 240 horas-aula em cada módulo, integralizando 720 horas.

2. O Programa Alternativo é anual e tem como público-alvo, pessoas de ambos os sexos, a partir de 40 anos. O regime de funcionamento é semanal, com oficinas de Artes, Atividade Física, Canto e Coral, Dança e Terapia Corporal, Espanhol e Informática Básica, uma vez por semana. Além das aulas, são oferecidas palestras e simpósios, participação em exposições, passeios culturais, tarde cultural com apresentação de trabalhos realizados durante o ano, bem como, a formatura com entrega de certificados.

3. O Subprograma Terceira Idade na Universidade tem a duração de dois anos,

totalizando quatro semestres e é oferecido no período vespertino, com direito a certificado desde que, com freqüência mínima de 70% no período. As inscrições são efetuadas no inicio de cada semestre, sem necessidade de escolaridade mínima. As disciplinas oferecidas são língua estrangeira, artes, matemática, ciências e informática. As atividades contemplam aulas teóricas e práticas, incluindo toda tecnologia disponível. Grupos de 25 alunos compõem cada turma.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Desde sua implantação, em 1999 até os dias atuais, o programa evidenciou resultados muito positivos. Entre eles podem ser citados:

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168 Tabela 1 - Demonstrativo do número de alunos da UAMI na UnC

(*) em implantação

b) institucionalização do programa na universidade, com status de projeto permanente da UnC, submetido e aprovado no Conselho Superior de Ensino Pesquisa e Extensão da UnC-CONSEPE-UnC;

c) implantação de cursos de especialização lato sensu, voltados para a formação de recursos humanos para atuar com idosos;

d) desenvolvimento de ações sistemáticas, voltadas para a preparação de recursos humanos em metodologias específicas ao processo ensino-aprendizagem do idoso;

e) destinação de recursos da Assistência Social, oportunizando a participação do idoso de baixa renda nos programas oferecidos pela Universidade.

A dimensão social do programa é outro fator relevante e, sem dúvida, a mais significativa contribuição a esta faixa etária, haja vista, os participantes desenvolverem capacidades e habilidades nas áreas de saúde física e mental, no meio ambiente, na cultura, em comunicação, na informática, em educação, havendo a possibilidade de geração de renda.

Destaca-se, ainda, a possibilidade da práxis universitária, gerada pelo programa, ao incluir professores e alunos nas atividades desenvolvidas. Alunos e professores atuantes em Programas de Extensão Universitária participam das atividades da UAMI.

CONCLUSÕES

Muitos são os fatores que motivam a UnC a dar continuidade a este programa. De primeira ordem, são os fatores que dizem respeito às mudanças ocorridas na estrutura populacional e que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2000), trazem uma série de desafios à sociedade e que devem ser considerados pelas instituições, especialmente as de ensino:

a) estatísticas que demonstram que a população de idosos deverá dobrar, em 20 anos no Brasil, podendo ultrapassar 30 milhões de pessoas – quase 13% da população;

b) a população de idosos está crescendo mais rapidamente que a de crianças. Em 1980, existiam cerca de 16 idosos para 100 crianças. Em 2000, essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças. A queda da taxa de fecundidade ainda é a principal responsável pela redução do número de crianças, e o crescimento da expectativa

CAMPUS ANO INÍCIO DOCENTES POR SEMESTRE TURMAS CONCLUINTES TURMAS CURSANDO TOTAL ATÉ 2009 Caçador 2004 10 7 6 886 Concórdia 1999 9 4 12 840 Canoinhas 2005 5 4 5 260 Curitibanos 2001 5 2 2 75 Mafra(*) TOTAL 29 17 25 2.061

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de vida vem contribuindo, progressivamente, para o aumento de idosos na população. O grupo das pessoas de 75 anos ou mais de idade é que teve o maior crescimento relativo (49,3%) nos últimos dez anos, em relação ao total da população idosa;

c) o aumento da expectativa de vida: no Brasil, em média, as mulheres vivem oito anos a mais que os homens. Em 1991 as mulheres correspondiam a 54% da população de idosos. Em 2000, passaram para 55,1%. Portanto, segundo o censo, em 2000, para cada grupo de 100 mulheres idosas havia 81,6 homens idosos;

d) na última década, houve aumento no percentual de idosos alfabetizados no país. Em 1991, 55,8% dos idosos declararam saber ler e escrever pelo menos um bilhete simples, em 2000, esse percentual passou para 64,8%, o que representa um crescimento de 16,1% no período. Apesar dos avanços, ainda existem 5,1 milhões de idosos analfabetos no país.

Fatores de outra ordem, caracterizados como melhoria da qualidade de vida, resultantes deste trabalho, e colhidos em entrevistas com os participantes do programa destacam-se:

a) melhoria da saúde física e mental: grande número dos participantes afirma ter melhorado seu bem-estar físico e mental após freqüentar as aulas do programa e interagido com os colegas;

b) resgate da identidade sócio-cultural: como o programa é muito diversificado e trabalha conteúdos, várias são as manifestações de participantes acerca do conhecimento adquirido da história regional, da antropologia cultural e dos valores do homem do Contestado; c) superação da depressão, medos, solidão e angústia pelo convívio e participação no grupo:

há registros de usuários do programa, afirmando que este serviu como uma motivação para a semana. A expectativa criada em cada encontro, com os colegas, criou uma identidade entre os grupos que passaram a dividir ações conjuntas;

d) geração de renda, decorrente de tecnologias e metodologias desenvolvidas no programa; e) mudanças de comportamento em relação ao convívio familiar: o módulo de Práticas

Humanas desenvolveu conteúdos de auto-conhecimento e relacionamento interpessoal. Depoimentos dos participantes do programa foram significativos e contribuíram para formação de novas atitudes em relação a si e ao outro.

f) melhoria da auto-estima e auto-conhecimento;

g) abertura de novas perspectivas da organização política com vistas à defesa de direitos conquistados e obtenção de outros;

h) socialização e auto-confiança: duas percepções podem ser avaliadas aqui – a coletiva, do grupo de alunos e a externa, dos coordenadores do programa. Houve um avanço na participação em atividades coletivas, com o envolvimento de todos os alunos. Outro ponto positivo a considerar foi a solicitação dos concluintes para que a universidade projetasse um módulo avançado para que pudessem permanecer no programa.

Diante do exposto, percebe-se que o envelhecimento populacional, não apenas aumentou a expectativa de vida, mas desencadeou um conjunto de novas tecnologias voltadas à saúde, ao bem-estar e ao convívio do cidadão da maior idade. Em conseqüência, as exigências em relação a esta transição demográfica gerou novas demandas na sociedade: seja em oferta de novos produtos e serviços, seja na manutenção da capacidade funcional destes cidadãos, seja na proteção à saúde, seja nos processos de educação permanente.

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170 A Universidade do Contestado, considerando todos os resultados alcançados, como contribuição para a inclusão social e formação da cidadania conclui pela continuidade das atividades desenvolvidas no Programa Universidade Aberta da Maior Idade. Aponta, ainda, para a necessidade de desenvolver ações sistemáticas na universidade, naquilo que é de sua atribuição, destinadas a garantir o atendimento adequado à população que envelhece.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Juliana; SILVA, Marlene D., BRABCLO, Rosana. (org). A vida na maturidade: uma contribuição à educação permanente. Blumenau: Nova Letra, 2003.

BRASIL. Lei 8842 de 4 de janeiro 1994. Política nacional do idoso. Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Brasília: Programa Nacional dos Direitos Humanos.

BRASIL. Lei nº 9394/96. Lei de diretrizes e bases da educação. 1996.

GOUY, Guilherme Borba. A televisão e a universidade aberta à terceira idade: a influência da TV sobre os hábitos de consumo dos idosos.

MAIS, Domenico. O ócio criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

MALTEMPI. Maria Angela Cabanilla de Souza. Envelhecimento Populacional. Presidente Prudente. 1999

PIDI. Plano Institucional de Desenvolvimento Integrado. Caçador: Universidade do Contestado. 2004.

1 Mestre em Educação – Pró-Reitora de Extensão e Cultura – Universidade do Contestado ilze@unc.br 2 Coordenadora de Extensão e Cultura – UnC – Canoinhas.

3 Coordenadora da UAMI - UnC Caçador 4

Coordenadora da UAMI – UnC Concórdia 5Coordenadora da UAMI – UnC Curitibanos

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Referências