Custos de técnicas de restauração de ambientes degradados pela atividade petrolífera na Amazônia Central

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Texto

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1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA – INPA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DE FLORESTAS TROPICAIS

CUSTOS DE TÉCNICAS DE RESTAURAÇÃO DE AMBIENTES DEGRADADOS PELA ATIVIDADE PETROLÍFERA NA AMAZÔNIA CENTRAL

CRISCIAN KELLEN AMARO DE OLIVEIRA

MANAUS-AM 2013

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2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA – INPA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DE FLORESTAS TROPICAIS

CUSTOS DE TÉCNICAS DE RESTAURAÇÃO DE AMBIENTES DEGRADADOS PELA ATIVIDADE PETROLÍFERA NA AMAZÔNIA CENTRAL

CRISCIAN KELLEN AMARO DE OLIVEIRA

Orientador: Dr. Gil Vieira

Co-orientador: Dr. Álvaro Nogueira de Souza

MANAUS-AM 2013

Dissertação apresentada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre em CIÊNCIAS DE FLORESTAS TROPICAIS, área de concentração em RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS.

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3 O48 Oliveira, Criscian Kellen Amaro de

Custos de técnicas de restauração de ambientes degradados pela atividade petrolífera na Amazônia Central / Criscian Kellen Amaro de Oliveira. --- Manaus : [s.n], 2013.

127 f. : il. color.

Dissertação (Mestrado) --- INPA, Manaus, 2013. Orientador : Gil Vieira.

Coorientador : Álvaro Nogueira Souza.

Área de concentração : Manejo Florestal e Silvicultura.

1. Áreas degradadas - Recuperação. 2. Impacto ambiental – Petróleo. 3. Recuperação ambiental. I. Título.

CDD 333.72

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

SINOPSE:

Estudou-se o custo de preparação e implantação de técnicas de restauração de áreas degradadas na Província Petrolífera de Urucu. Foram avaliadas peças biodegradáveis em conjunto com sementes peletizadas, serrapilheira e estacas. Os custos foram obtidos a partir da metodologia de Custeio Baseado em Atividades – ABC, identificando-se os recursos consumidos por cada atividade.

Palavras-chave: área degradada, peças biodegradáveis, sementes peletizadas, custeio de

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AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu orientador Gil Vieira, pela paciência, orientação e ensinamentos além da restauração. Em segundo lugar ao meu co-orientador Álvaro, pela disposição em me ajudar na tarefa da economia.

Agradeço também à PETROBRAS, em especial à gerência de Saúde, Meio Ambiente e Segurança – SMS, sob a supervisão de Leonardo, Nazareno e Miguel, pelo apoio oferecido na Base Operacional Geólogo Pedro de Moura - BOGPM, em Urucu.

À Lívia Naman, pelo apoio com os dados e pela paciência e horas de conversa sobre o projeto. Ao Robson Disarz, pelo apoio com os dados.

Ao Conselho Nacional de Pesquisas – CNPQ, pelo apoio financeiro.

À Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP e o ao Fundo Setorial do Petróleo pelo financiamento do projeto, através da Rede CTPetro Amazônia, grande aliada no apoio para a realização deste trabalho.

À minha família, meu pai Helivar, minha mãe Ivonete, meu irmão Júnior, pela compreensão, paciência, confiança e, acima de tudo, incentivo, que me dedicaram durante toda a vida.

Ao meu companheiro Filipe Eduardo, pelos momentos de paciência, carinho e compreensão.

Aos amigos distantes, porém sempre presentes com alguma palavra de incentivo e amizade: Clarissa, Iara, Ângelo, Kdu, Luís, Fábio.

Às novas amizades Manauaras, Ludmila, Emily, Bruno, Paulinho, e demais colegas que contribuiram com as horas de aprendizagem, lazer e convivência.

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RESUMO

A questão dos custos envolvidos na atividade de restauração de áreas degradadas parece receber pouco destaque em artigos acadêmicos. Entretanto, existe uma tendência em se considerar esses custos graças à importância para subsidiar decisões judiciais de compensações ambientais e multas por degradação ambiental, além da possibilidade de transferência das novas tecnologias para o setor produtivo, fornecimento de dados para a viabilidade econômica da restauração e para a valoração econômica ambiental. Diante de sua importância, o presente estudo buscou estudar os custos da preparação e implantação de tecnologias alternativas, partindo de áreas com o agravante do impacto da indústria petrolífera. Os custos foram obtidos por meio da metodologia de Custeio Baseado em Atividades (ABC), o qual buscou determinar todas as atividades e recursos envolvidos em cada técnica de restauração analisada. As técnicas utilizadas partiram do princípio da nucleação. Os custos de cada técnica foram analisados em dois capítulos O primeiro capítulo trata da preparação e instalação de núcleos regenerativos conjuntamente com estacas, serrapilheira, sementes nuas e sementes peletizadas. O segundo capítulo trata do custo de preparação e instalação de três formatos das estruturas biodegradáveis (trapezoidal, retangular e grade) desenvolvidas com fibras de coco e madeira picada, aglutinadas com látex de seringueira, as quais foram patenteadas e apresentam grande potencial na contenção de erosão laminar. As conclusões apontam os custos de cada tecnologia, onde cada núcleo regenerativo atingiu o valor de R$29,90, enquanto que cada pélete alcançou o valor de R$2,51. Os custos das peças biodegradáveis encontrados foram: formato trapezoidal de coco: R$56,24; retangular coco R$57,15; Grade coco R$60,42; Trapézio madeira R$64,98; Retangular madeira R$73,37 e Grade Madeira R$65,74. Em relação ao plantio convencional de mudas, o qual apresenta um custo de aproximadamente R$40.000,00, a técnica baseada em princípios de nucleação torna-se menos onerosa, podendo chegar a valores de no máximo, R$21.000,00 por hectare. A estimativa da implantação por hectare pode ser feita com a ressalva de que o estado de degradação, a presença de gramíneas e a declividade do terreno influenciam no custo final e na escolha das diferentes técnicas. Espera-se que o trabalho demonstre a necessidade de se incluir os custos nos projetos de restauração bem como das novas tecnologias geradas.

Palavras-chave: área degradada, peças biodegradáveis, sementes peletizadas, custeio de

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ABSTRACT

Cost determination related to ecological restoration in degraded areas has been paid little attention in the scientific literature. However, there are increasing needs for these studies. Several reasons are pushing forward the academics to consider this subject. The main reasons are: law obligation, governmental fines due to environmental crimes, judicial decisions to repair or compensation payment for the damages caused in the ecosystems. New technologies have been proposed to be applied in restoration projects. Therefore, to be transferred to companies, it is essential to consider the production costs and implementation in the field. The decision which techniques should be used will depend on the cost-benefit, economic viability and environmental valuation. Given its importance, the present study aimed to examine the costs of manufacture and implementation of different alternative technologies in areas where soils are extremely depleted by oil and gas industry. Costs were obtained through the methodology of Activity Based Costing (ABC), which sought to determine all activities and resources involved in each restoration technique analyzed. The new techniques studies were based on ecological nucleation principles. The determination of costs of each technique was analyzed in two chapters. The first deals with the fabrication and installation of regenerative nuclei together with cuttings, soil litter, sowing seeds and pelleted seeds. The second deals with the cost of manufacture and installation of three formats of biodegradable structures (trapezoidal and rectangular grid) developed with coconut fibres and chopped wood, bonded with latex rubber, which have been patented and have great potential in curbing laminar erosion. The results have shown that costs of each technology are different. Each regeneration nuclei amounted R$29.90, while each pellet reached the amount of R$2.51. The costs of experimental biodegradable structures varied according to their shape and raw material used: trapezoidal coconut: R$56.24; rectangular coconut fibre R$57.15; grid coconut fibre R$60.42; trapeze wooden R$ 64.98; rectangular wood R$73.37 and grid wood R$65.74. Compared to conventional planting seedlings, which has a cost of approximately R$40,000.00 per hectare, a technique based on principles of nucleation becomes less costly, reaching values of up to R$21,000.00 per hectare. Implanting estimation of these new methods should be made with caution because depends on several aspects: degradation levels, grasses, slope.It is hoped that this study had demonstrates the need to include the costs in restoration projects as well as new technologies generated. Keywords: degraded area, biodegradable structure, pelleted seed,

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7 SUMÁRIO LISTA DE TABELAS ... 9 LISTA DE FIGURAS ... 11 INTRODUÇÃO ... 12 OBJETIVO ... 17 A. Objetivo Geral ... 17 B. Objetivos Específicos ... 17

CAPÍTULO I CUSTOS DE PELETIZAÇÃO/INCRUSTAÇÃO DE SEMENTES E NÚCLEOS REGENERATIVOS PARA FINS DE RESTAURAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PELA ATIVIDADE PETROLÍFERA NA AMAZÔNIA CENTRAL ... 18

1. INTRODUÇÃO ... 19

2 MATERIAL E MÉTODOS ... 21

I. Área de Estudo ... 21

II. Histórico das áreas utilizadas na implantação das técnicas de restauração ... 23

III. Delimitação da pesquisa ... 26

IV. Análise de custos ... 27

a) Coleta de dados ... 27

b) Variáveis analisadas ... 27

c) Aplicação e adaptação da metodologia ABC ... 34

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO... 36

I. Técnica: Núcleos Regenerativos ... 36

i. Custo envolvido em cada atividade da tecnologia Núcleos Regenerativos ... 38

ii. Atribuição dos custos da atividade ao produto final ... 44

II. Técnica: Peletização/incrustação de sementes ... 45

i. Custo envolvido em cada atividade da tecnologia Sementes Peletizadas ... 47

ii. Atribuição dos custos da atividade ao produto final ... 54

III. Implantação das técnicas de restauração nas clareiras ... 55

IV. Atribuição dos custos das atividades ao produto final ... 64

3. CONCLUSÕES ... 74

CAPÍTULO II CUSTOS DE PEÇAS BIODEGRADÁVEIS PARA FINS DE RESTAURAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS PELA ATIVIDADE PETROLÍFERA NA AMAZÔNIA CENTRAL ... 76

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1 INTRODUÇÃO ... 76

2. MATERIAL E MÉTODOS ... 78

I. Área de Estudo ... 78

II. Análise de custos ... 79

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 85

I. Peças confeccionadas com Fibra de coco: ... 87

II. Peças confeccionadas com Madeira Picada: ... 93

III. Custo envolvido em cada atividade da Instalação das peças ... 103

IV. Atribuição dos custos das atividades ao produto final ... 105

4. CONCLUSÕES ... 108 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 112 APÊNDICE A ... 118 APÊNDICE B ... 120 APÊNDICE C ... 122 APÊNDICE D ... 124

APÊNDICE E – Resultado da ANOVA e Teste Tukey ... 126

APÊNDICE F... 128

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Características das áreas submetidas à restauração com a implantação de técnicas

alternativas de restauração ... 24

Tabela 2. Custo (h/H) da Mão-de-obra Direta e Indireta dos trabalhadores de empresas terceirizadas prestadoras de serviços na BOGPM. ... 31

Tabela 3. Custos de Estadia que incidem sobre Mão-de-obra. ... 33

Tabela 4. Identificação das atividades e seus respectivos direcionadores de custo. ... 38

Tabela 5. Custo dos materiais diretos utilizados na preparação dos núcleos regenerativos. ... 39

Tabela 6. Depreciação dos equipamentos utilizados na atividade "Mistura de Materiais" ... 39

Tabela 7. Depreciação da área física utilizada na atividade "mistura de materiais" na preparação dos núcleos regenerativos. ... 40

Tabela 8. Consumo de energia elétrica durante a atividade "Mistura de materiais". ... 40

Tabela 9. Depreciação dos equipamentos utilizados na atividade "Prensagem do material" para a preparação de núcleos regenerativos. ... 41

Tabela 10. Custos das atividades de preparação dos núcleos regenerativos. ... 42

Tabela 11. Custo da atividade por unidade do produto de acordo com os direcionadores de custo. ... 44

Tabela 12. Levantamento dos direcionadores de custo para as atividades de preparação da peletização de sementes. ... 47

Tabela 13. Lista de espécies (quantidade de sementes e peso médio) coletadas em Urucu para restauração de áreas degradadas. ... 48

Tabela 14. Lista de materiais indiretos utilizados na atividade "Coleta de sementes". ... 49

Tabela 15. Depreciação da camionete Ranger 4x4 em três de uso para coleta de sementes na BOGPM. ... 49

Tabela 16. Valor total de MOD e MOI na atividade de coleta de sementes para os três dias de trabalho. ... 49

Tabela 17. Total de MOD e MOI para a atividade "Beneficiamento" realizada na casa de sementes do INPA... 50

Tabela 18. Lista de materiais indiretos utilizados na atividade “Beneficiamento” da técnica de Peletização de Sementes. ... 50

Tabela 19. Depreciação da casa de sementes durante a atividade "Beneficiamento" da técnica de Peletização de sementes. ... 51

Tabela 20.Identificação dos direcionadores de custo e o custo da atividade atribuído à cada semente de cada espécie. ... 51

Tabela 21. Lista dos Materiais diretos utilizados na Peletização de sementes. ... 53

Tabela 22. Materiais indiretos utilizados na preparação dos Péletes. ... 53

Tabela 23. Custos das atividades envolvidas na preparação das sementes peletizadas. ... 55

Tabela 24. Custos indiretos incorridos nas atividades de peletização e secagem por unidade do produto (pélete) ... 55

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10 Tabela 25. Direcionadores de custos das atividades de implantação. R: Roçagem; R+2H:

Roçagem + 2 aplicações de herbicida; 2R+3H: 2 Roçagens + 3 aplicações de herbicida ... 56

Tabela 26. Custo de cada aplicação de herbicida (Material Direto) em área total de 126m² em cada clareira ... 57

Tabela 27. Tabela de depreciação dos equipamentos utilizados na atividade "Preparo" ... 58

Tabela 28. MOD, MOI, Depreciação e Consumo de combustível para roçagem de cada Clareira, correspondente à 126m². ... 58

Tabela 29. Depreciação do veículo e custo do combustível para cada clareira. ... 59

Tabela 30. Custos totais da atividade "Preparo" para cada Clareira (2m²) e cada tratamento de Roçagem, Roçagem + 2 aplicações de herbicida e Roçagem + 3 aplicações de Herbicida, considerando o fator distância. ... 59

Tabela 31. Tempo para coleta e preparação de 60 estacas. ... 61

Tabela 32. Materiais indiretos na atividade "Coleta e preparo das estacas" ... 62

Tabela 33. Custos da atividade Transporte incidentes sobre a implantação das técnicas de Peletização e Núcleos Regenerativos... 62

Tabela 34. Tempo para instalação de cada técnica ou tratamento ... 63

Tabela 35. MOD da instalação de cada técnica. ... 63

Tabela 36. Custos indiretos das variáveis considerando a preparo de 1 ha de área. ... 69

Tabela 37. Custos totais estimados para a implantação de 100 núcleos de 1m² por hectare, em áreas degradadas pela atividade petrolífera na Amazônia. ... 70

Tabela 39. Custos de preparação de diferentes técnicas de Restauração. ... 74

Tabela 42. Depreciação física e do equipamento utilizado para preparação de seis peças biodegradáveis de cada formato. ... 87

Tabela 44. Tempos de modelagem para seis peças nos diferentes formatos. ... 89

Tabela 45. Depreciação da chapa de aço para o tempo de 24horas da Prensagem de seis peças. 90 Tabela 47. Custos Diretos e Indiretos das atividades de preparação para seis unidades produzidas de peças biodegradáveis em três formatos diferentes. ... 91

Tabela 48. Direcionadores de custos da Preparação das peças biodegradáveis a partir de Fibra de Coco. ... 92

Tabela 49. Custo unitário das peças biodegradáveis em diferentes formatos... 92

Tabela 53. Tempo de desenformagem das peças de diferentes formatos. ... 96

Tabela 54. Custos totais das atividades de preparação das peças biodegradáveis a partir da madeira picada. ... 97

Tabela 55. Direcionadores de custo da preparação de peças biodegradáveis a partir de madeira picada. ... 97

Tabela 57. Atividades e direcionadores de custo da implantação das peças em campo. ... 103

Tabela 58. Materiais indiretos envolvidos na atividade de Abertura de sulcos. ... 103

Tabela 62. Custos indiretos e de MOD para a instalação de cada peça em conjunto com serrapilheira e estacas. ... 106

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1.Localização das áreas de estudo na BOGPM e da Base de Apoio do SMS, Pólo Arara,

município de Coari, AM. ... 23

Figura 2. Clareiras e Jazidas usadas para a implantação das técnicas alternativas. Áreas submetidas ao plantio de mudas e tomadas pela cobertura de gramíneas exóticas. ... 25

Figura 3. Delineamento do experimento para análise de custo de implantação das técnicas de restauração (Adaptado de Naman, 2012). ... 26

Figura 4. Visão geral de uma suposta cadeia produtiva dos núcleos regenerativos utilizados na restauração de quatro clareiras abertas na Base Petrolífera de Urucu para exploração de hidrocarbonetos. ... 37

Figura 5. Metodologia ABC aplicada à cadeia produtiva dos núcleos regenerativos. ... 38

Figura 6. Núcleos regenerativos ... 42

Figura 7. Custos totais de preparação dos Núcleos Regenerativos. ... 43

Figura 8. Cadeia produtiva de sementes peletizadas utilizados na restauração de quatro clareiras abertas na Base Petrolífera de Urucu para exploração de hidrocarbonetos. ... 46

Figura 9. Metodologia ABC aplicada à cadeia produtiva dos núcleos regenerativos. ... 47

Figura 10. Custos indiretos da implantação de cada técnica por m² em cada Clareira. T1: Núcleo regenerativo com sementes peletizadas + estacas + serrapilheira/T2: Núcleo regenerativo com sementes nuas + estacas + serrapilheira/ T3: Sementes peletizadas + estacas + serrapilheira diretamente no solo/ T4: Sementes nuas + estacas + serrapilheira diretamente no solo/ R: tratamento só roçagem/R+2H: roçagem combinada com duas aplicações de herbicida/2R+3H: duas roçagens combinadas com três aplicações de herbicida. ... 66

Figura 11. Custos por m² de cada técnica (T1, T2, T3 e T4) implantada nas diferentes clareiras e sob diferentes tratamentos de Preparo. ... 67

Figura 12. Presença de gramíneas, algumas mudas e processos erosivos na área de empréstimo no município de Iranduba ... 79

Figura 13. Visão geral de uma suposta cadeia produtiva das peças biodegradáveis. ... 86

Figura 14. Metodologia ABC aplicada à cadeia produtiva das peças biodegradáveis. ... 86

Figura 15. Custos relacionados à atividade Mistura de Materiais para as seis peças fabricadas a partir da fibra de coco e da madeira picada. T: Trapézio / R: Retângulo/ G: Grade ... 99

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12 Figura 16. Custos relacionados à atividade Moldagem para as peças fabricadas a partir da fibra de coco e da madeira picada. T: Trapézio / R: Retângulo/ G: Grade ... 100 Figura 17. Custos relacionados à atividade Desenformagem para as peças fabricadas a partir da fibra de coco e da madeira picada. T: Trapézio / R: Retângulo/ G: Grade. ... 101 Figura 18. Esquema experimental de instalação das peças biodegradáveis em campo. ... 102 Figura 19. A e B: Peças confeccionadas com fibra de coco. C e D: peças confeccionadas a partir de madeira picada. ... 107

INTRODUÇÃO

A restauração ecológica tem sido discutida globalmente, onde o desafio é encontrar alternativas que ampliem o sucesso de projetos que procuram o retorno de uma condição ecológica anterior ao estado de degradação. Sabe-se que os fatores ecológicos e tecnológicos que dificultam

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13 o sucesso da restauração são inúmeros. Todavia, um dos obstáculos mais importantes é o custo envolvido na atividade. Embora raramente documentados em artigos acadêmicos, os dividendos normalmente são extremamente altos. Por exemplo, o custo do Projeto de Restauração do divisor de águas nas montanhas de Catskill em Nova York, onde o governo investiu cerca de US$ 2 bilhões para melhorar a qualidade da água. Ou ainda, o custo do Projeto de Restauração do rio Kissimmee, na Flórida, estimado em US$ 8 bilhões (Chichilnisky e Cura 1998; Holl e Howarth, 2000; Edwards e Abivardi, 1998).

Uma compilação das publicações em inglês dos últimos vinte oito anos evidencia a incipiente inserção da dimensão econômica na temática da restauração (Oliveira e Engel, 2011). A ausência dessa abordagem pode ser atribuída a fatores como a crença de que essa quantificação de valores possa significar um preço à destruição do ecossistema (Holl e Howarth, 2000). Outra visão surge da compreensão de que economia e ecologia são forças opostas, já que a restauração ecológica é necessária em virtude de atividades econômicas. Além disso, é difícil discutir sobre a economia da restauração, pois dados sobre custos são extremamente difíceis de serem obtidos (Cairns Jr. e Heckman, 1996; Edwards e Abivardi, 1997).

Apesar das limitações da pesquisa, as ações de restauração ecológica tornam-se cada vez mais importantes no que tange a preocupação com o impacto humano sobre o mundo natural. O aumento da percepção da sociedade em relação ao grau de dependência do meio ambiente gera certa valorização dos serviços prestados pelos ecossistemas saudáveis. Nesse sentido, mesmo os altos custos da restauração podem ser inferiores aos benefícios ambientais advindos dos ecossistemas, por uma simples medida de bem estar social (Nielsen-Pincus e Moseley, 2012).

Apesar dos argumentos qualitativos de que a restauração melhora a capacidade de fornecer serviços ecossistêmicos aumentando os benefícios ambientais, ainda falta a parcela quantitativa, que poderia ser representada pela análise da viabilidade econômica de projetos de restauração. Entretanto, muitos desses benefícios ecossistêmicos pouco são considerados nas decisões econômicas, por não existir um mercado para a maioria dos serviços ambientais (Nogueira et al., 2000). Além disso, a falta de informações precisas sobre os custos da restauração dificulta a análise de viabilidade econômica dos projetos. Tais informações econômicas, no entanto, podem indicar o valor do ambiente a ser recuperado e, em alguns casos, os mínimos benefícios das áreas restauradas (Zentner et al.,2003; Yitbarek et al., 2010).

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14 As estimativas de custos, na maioria dos casos, tendem a ser subestimadas, mas já nos fornecem uma idéia dos prejuízos econômicos causados pela alteração na provisão do recurso natural (Nogueira et al., 2000). Apesar das estimativas, o custo de restauração pode ainda ser importante no fornecimento de subsídios para a construção de diretrizes de programas públicos de conservação e restauração da biodiversidade. Um exemplo é Nova York, que, já nos anos 1990, encontrou que recuperar florestas ao redor de nascentes e margens de rios ao custo de US$ 2 bilhões era muito mais sensato que investir em um sistema de tratamento de água por US$ 7 bilhões. Outra função importante dos custos de restauração está na identificação de valores que podem nortear decisões de sentenças judiciais, as quais determinam a compensação financeira por danos ambientais.

Apesar da importância da identificação dos custos de restauração, o Brasil ainda encontra dificuldades para conhecer precisamente esses valores. Além de representarem um componente limitante em muitos dos projetos de recomposição ecológica, assim como em outros países, os dados referentes a custos são dificilmente encontrados. No entanto, algumas iniciativas pioneiras com a estimativa de custos podem ser encontradas na Amazônia (Bento, 2010), e/ou associadas à valoração econômica dos impactos ambientais no Cerrado (Rodrigues, 2005), ou mesmo no âmbito nacional (Nascimento Junior e Freire, 2011).

Na Amazônia, a preocupação com a restauração ecológica é evidente no sentido de reverter o quadro de degradação, tendo em vista a alta biodiversidade e relevância ecológica da região. Essa preocupação surge justamente com a necessidade de manter o fornecimento dos serviços ecossistêmicos provenientes da floresta. O transporte de água da Amazônia para o Centro-sul do país (Fearnside, 2004), o estoque de carbono (Higuchi et al, 2004; Fearnside, 2003), a manutenção e recuperação da biodiversidade (Fearnside, 2004; Lima e Vieira, 2013), são serviços ambientais que deixam claro que manter e restaurar áreas de floresta amazônica é de interesse do país, quiçá do mundo (Fearnside, 1997).

A Floresta Amazônica, no entanto, está constantemente sujeita às atividades que comprometem o fornecimento de serviços ambientais. Além do desmatamento através da queima e decomposição da biomassa, da exploração madeireira, da construção de hidrelétricas e das queimadas recorrentes de formação de pastagens e de capoeiras (Fearnside, 2003); a descoberta do Petróleo e Gás Natural, em 1986, criou novos desafios no que tange o desenvolvimento econômico em detrimento à manutenção da floresta e seus serviços ecossistêmicos.

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15 A exploração de petróleo e gás na Floresta Amazônica preocupa não só pelos impactos comuns da atividade, mas pelos níveis de degradação aos quais as áreas são submetidas. A utilização de máquinas pesadas para retirada total da vegetação e dos horizontes superficiais, incluindo o banco de plântulas e de sementes, expõe a rocha às atividades contínuas de intemperização. As consequências são os processos intensivos de erosão, além da compactação do solo, interferindo na infiltração e podendo romper a resiliência do local (Tanaka e Vieira, 2006; Nascimento, 2009).

A responsabilidade da empresa petrolífera diante da degradação da Floresta Amazônica para geração de hidrocarbonetos vai além da preocupação local ou nacional. A empresa, Petrobras, é signatária do Pacto Global das Nações Unidas (pelo qual a empresa se compromete a garantir o respeito aos princípios relativos aos direitos humanos, às condições de trabalho e ao meio ambiente), e participa da composição do Índice de Sustentabilidade da Dow Jones (DJSI- o mais importante índice mundial de sustentabilidade).

As ações da Petrobras na Floresta Amazônica são ainda regidas pela legislação nacional, que (art. 225, § 2º da CF) impõe a todo aquele que “explorar recursos minerais” a obrigação de “recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente na forma da lei”. No mesmo sentido, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela Resolução ANP Nº 13, de 23.2.2011 , em seu Art. 2º- VI, resolve que a “Recuperação ambiental é o processo artificial de recomposição de áreas degradadas, de acordo com as condições fixadas na legislação em vigor, com eliminação de passivos existentes e restauração das condições ambientais, de modo a possibilitar outros usos do solo ou permitir a recuperação das funções dos ecossistemas impactados”, sendo uma responsabilidade da empresa a “revegetação de áreas desmatadas”.

Diante do exposto, observa-se que os prejuízos ambientais devem ser reparados sob vigência da lei, e sob a perspectiva de responsabilidade diante de índices internacionais. Nesse sentido, o esforço da Petrobras, na região da Amazônia, tem sido no âmbito da recomposição das clareiras abertas pela atividade petrolífera. Estima-se que a empresa investiu, em 14 anos, um valor aproximado de 6,5 milhões de reais na recuperação de áreas degradadas (Nascimento, 2009). A técnica utilizada pela empresa contratante é o plantio misto de mudas, mas não tem dado resultados satisfatórios e, apesar de ser uma das técnicas mais difundidas, é uma atividade bastante cara para a região da Amazônia (Bento, 2010).

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16 Para o desenvolvimento do trabalho de restauração das clareiras, a Petrobras conta com a participação da Rede CTPetro Amazônia, que procura desenvolver técnicas de restauração além do trabalho de avaliação e prevenção de impactos. Atualmente, a Rede desenvolve tecnologias para recuperar áreas abertas na floresta. Uma dessas tecnologias gerou, inclusive, uma patente de um produto biodegradável para fins de contenção de erosão e formação de núcleos de regeneração. Entretanto, a transferência de tecnologia dos resultados de pesquisas desenvolvidas para o setor produtivo necessita de dados, principalmente, sobre custos dessas tecnologias.

Nesse sentido, métodos de custeio podem ser significativamente importantes no sentido de fornecer dados sobre custos para os interessados em aplicar as tecnologias patenteadas. Um dos métodos de custeio utilizados pela Contabilidade é o ABC (Activity Based Costing), Custeio Baseado em Atividades (Martins, 2010; Nakagawa, 1994). Tal método diferencia dos demais por ser baseado no rastreamento dos custos pela análise de todas as atividades envolvidas no processo produtivo, identificando cada operação e cada produto oriundo do processo. Por esse método, torna-se possível rastrear os custos desde sua aplicação na atividade até a composição do custo individual do produto final (Pimenta et al., 2007).

Nesse contexto de desenvolvimento de novas tecnologias de restauração, e diante da demanda por dados sobre os custos da restauração na literatura científica, o presente trabalho pretende encontrar os valores monetários envolvidos em todo o processo da restauração. Desde a preparação das tecnologias desenvolvidas até a implantação nas áreas degradadas, espera-se que o método ABC contribua na especificação de todas as operações, atividades e custos envolvidos em cada técnica de restauração.

O primeiro capítulo visa encontrar os custos da preparação da tecnologia de núcleos regenerativos (peças biodegradáveis voltadas para a restauração de áreas degradadas) e de sementes peletizadas. Posteriormente, buscou-se encontrar os custos de implantação dessas técnicas em campo, juntamente com a utilização de estacas e deposição de serrapilheira. Procurou-se encontrar valores para compor a literatura científica sobre custos de restauração de áreas degradadas pela atividade petrolífera em meio à Floresta Amazônica, utilizando tecnologias alternativas ao método convencional de plantio de mudas.

O segundo capítulo visa encontrar os custos de preparação e implantação de peças biodegradáveis para fins de contenção de erosão e criação de ambiente propício para formação de núcleos de regeneração. Tais peças foram patenteadas e a intenção é de transferir essa tecnologia

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17 para o setor produtivo, para tal, se faz necessário a busca pelos custos de todos os processos envolvidos.

Espera-se que o presente trabalho possa contribuir com dados sobre custos de restauração na literatura científica, como forma de subsidiar pesquisas que visem à viabilidade econômica da restauração florestal. Além disso, procura-se responder questões sobre os custos de novas tecnologias em detrimento ao uso do método convencional de plantio de mudas para a restauração de áreas degradadas pela atividade petrolífera na Amazônia Central.

OBJETIVO

A. Objetivo Geral

Avaliar os custos de diferentes técnicas de restauração em áreas degradadas pela atividade petrolífera na região da Amazônia.

B. Objetivos Específicos

Identificar os custos envolvidos na PREPARAÇÃO de sementes peletizadas, protetores físicos e retentores de erosão;

Identificar os custos de IMPLANTAÇÃO das seguintes técnicas em área aberta pela exploração petrolífera:

 Ideidentificar uma alternativa que seja mais atrativa para a restauração das áreas degradadas, do ponto de vista dos custos, COMPARADA ao plantio convencional de mudas.

1. Núcleo regenerativo com sementes peletizadas + estacas + serrapilheira. 2. Núcleo regenerativo com sementes nuas + estacas + serrapilheira. 3. Sementes peletizadas + estacas + serrapilheira diretamente no solo. 4. Sementes nuas + estacas + serrapilheira diretamente no solo.

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CAPÍTULO I

CUSTOS DE PELETIZAÇÃO/INCRUSTAÇÃO DE SEMENTES E NÚCLEOS REGENERATIVOS PARA FINS DE RESTAURAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

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1. INTRODUÇÃO

Alternativas para a restauração de áreas degradadas são constantemente procuradas para que possibilitem a redução dos custos de recuperação e o retorno dessas áreas a uma condição ecológica mais próxima da original (Gandolfi et al., 2006; Engel e Parrota, 2008). Essa busca itensifica-se, principalmente, quando se trata da restauração de áreas localizadas no interior da Floresta Amazônica sob impacto da indústria petrolífera, que, por sua vez, deve cumprir com obrigações ambientais estabelecidas por lei e por certificações.

A extração de petróleo e gás natural no interior da floresta amazônica brasileira ocorre desde de 1988, alguns anos depois da Petrobras descobrir indícios de petróleo e gás natural em níveis comerciais nas proximidades do Rio Urucu. Apesar da importância da exploração na geração de energia e fazer do Amazonas o segundo produtor terrestre de petróleo e o terceiro produtor nacional de gás natural, houve também uma forte degradação da floresta tropical, provenientes da abertura de várias clareiras de diversos tamanhos no interior da floresta, destinadas aos mais variados fins (Martins e Furtado, 2004).

Apesar dos esforços e investimentos da Petrobras na restauração, existem ainda muitas áreas abertas na região de Urucu, indicando o pouco sucesso no processo de restauração destes ecossistemas. O simples plantio de mudas, técnica utilizada na área, não tem dado resultados satisfatórios em todas as áreas submetidas à restauração e, apesar de ser uma das técnicas mais difundidas, é uma atividade bastante cara (Bento, 2010). Tendo em vista os altos investimentos na recuperação dessas áreas e os resultados mal sucedidos, torna-se indispensável então o estudo econômico das novas técnicas de restauração, além do viés biológico e ecológico da restauração ambiental.

No âmbito do desenvolvimento de novas tecnologias, as teorias ecológicas de nucleação têm sido importantes propostas como base para a restauração ambiental de ecossistemas tropicais, sendo entendida como a capacidade de uma espécie em criar condições para outras se estabelecerem (Reis et al., 2003). Essa nova visão de restauração ecológica procura imitar a natureza, com mínimos insumos, onde um conjunto de técnicas é implantado não em área total, mas em núcleos, seguindo uma alternativa de restauração que prioriza os processos de sucessão natural. Uma vez que as ações nucleadoras se complementam, quanto maior o número de técnicas

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20 adotadas, maiores as chances do aumento do ritmo sucessional na área (Rogalski et al.,2003; Reis e Bechara, 2010; Reis et al. , 2003).

Outra abordagem que surge na tentativa de reverter os impactos gerados pela degradação, consiste em técnicas que visam o controle de erosão e a criação de um microambiente propício para estabelecimento e desenvolvimento de plântulas. Tais técnicas envolvem bioengenharia, ou engenharia natural e, nesse trabalho, são os denominados “núcleos regenerativos” (Naman, 2012).

A bioengenharia surgiu como um conjunto de “técnicas em que plantas, ou partes destas, são usadas como material vivo de construção e, sozinhas ou combinadas, devem proporcionar estabilidade às áreas em tratamento” (Sutili, 2007; Gray e Sotir, 1996). No Brasil e na maioria dos países tropicais, a utilização de técnicas que utilizem conhecimentos biológicos para a recuperação é ainda incipiente. No entanto, vale ressaltar o imenso potencial para o desenvolvimento e a adaptação às condições tropicais dessas novas metodologias (Pereira, 2001; Couto, 2010).

Apesar das novas tecnologias que vêm sendo desenvolvidas, metodologias há muito difundidas no contexto da restauração de áreas degradadas podem ajudar a compor o conjunto de técnicas implantadas em ambientes severamente degradados como os que ocorrem em Urucu. Dentre elas, podemos citar a semeadura direta, apresentando resultados bastante favoráveis em áreas degradadas de difícil acesso e grande declividade (Barnett e Baker, 1991). Entretanto, seca, soterramento de sementes, ataque de insetos, patógenos, predação, alta incidência solar e o frio intenso são as principais desvantagens da técnica de semeadura direta, tornando-se fatores que podem comprometer o sucesso da restauração ecológica (Barnett e Baker, 1991; Oliveira et al., 2010). Com o objetivo de contornar alguns desses problemas, surgem então a peletização e a incrustação de sementes como técnica que complementa a semeadura direta (Oliveira et al., 2010).

A peletização é uma técnica que consiste no encobrimento de sementes a partir de material seco, não solúvel e inerte junto a um cimentante, que funciona como adesivo, com características que permitem a solubilidade em água, a fácil reidratação e ausência do risco de fitotoxidade à semente (Silva e Nakagawa, 1998). Já a incrustação é a incorporação de sementes em materiais cimentantes para se obter uma unidade de dispersão artificial das sementes. A grande vantagem consiste na uniformização da forma, tamanho e peso da semente, além de reduzir os custos, uma vez que diminui o consumo de sementes; e otimizar a distribuição manual de sementes, já que facilita a semeadura (Silva et al., 2002).

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21 Nesse contexto de tentantivas de desenvolver técnicas de restauração, com vistas à restauração de áreas degradadas situadas na Floresta Amazônica, a grande preocupação é que essas técnicas sejam viáveis e menos onerosas que a prática convencional de plantio de mudas. Nesse sentido, o objetivo desse capítulo é avaliar os custos de se fabricar núcleos regenerativos, bem como sementes incrustadas, além dos custos para a implantação conjunta dessas técnicas em um hectare de área degradada pela atividade petrolífera. A grande questão é: Qual o custo de técnicas alternativas de restauração em ambientes degradados pela atividade petrolífera na Amazônia? Técnicas alternativas são mais onerosas que a técnica convencional do plantio de mudas? Qual o componente de custo mais oneroso na preparação e implantação das técnicas?

Para o custeio dos produtos e da implantação, optou-se por utilizar o método de custeio ABC - Activity Based Costing, que considera que as atividades são as geradoras dos custos ao consumirem os recursos (Martins, 2010). Segundo Martins (2010), “uma das grandes vantagens do ABC é que ele permite uma análise que não se restringe ao custo do produto, sua lucratividade ou não, mas permite que os processos que ocorrem também sejam custeados. Aliás, talvez aqui esteja um de seus maiores méritos.” Espera-se, então, que o método ABC contribua na especificação de todas as operações, atividades e custos envolvidos no processo de fabricação e implantação de cada técnica de restauração, bem como servir de instrumento para identificar possíveis estratégias que permitam a otimização da atividade.

2 MATERIAL E MÉTODOS

I. Área de Estudo

O presente estudo teve como base o experimento de restauração de clareiras na região de exploração petrolífera sob domínio da Petrobras, cuja base localiza-se na Amazônia Ocidental brasileira, denominada Base Operacional Geólogo Pedro de Moura (BOGPM). Distante aproximadamente 680 km da cidade de Manaus, localiza-se entre as coordenadas 4°- 5°S e 63°- 66°W e pertence à bacia do rio Urucu, afluente do rio Solimões. A área situa-se no município de Coari – Amazonas e possui cerca de 514.000 ha (Figura 1).

O clima na região é classificado como “Afi” segundo Köppen, equatorial quente e úmido, com temperatura média anual superior a 25° C onde a média da distribuição da precipitação anual

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22 é em torno de 2.300mm. Os solos são de origem sedimentar provenientes da Formação Solimões, classificados como Cambissolos Álicos de textura média, ácidos e argilosos, que ocorrem em relevo suave e ondulado e onde predominam dois grandes grupos de vegetação: Floresta Ombrófila Densa de Terra-Firme (representando 80 a 85% da cobertura vegetal) e Floresta Ombrófila Densa de Várzea. A vegetação é basicamente composta por palmeiras, arvoretas, ervas e diversas espécies de árvores altas e finas (10 -20 cm DAP), troncos retos e copas largas (Lima, 2008).

Em março de 1955 foi perfurado o primeiro poço na região amazônica que produziu petróleo, mas a descoberta significativa aconteceu na década de 70, quando as pesquisas na Bacia do Solimões se intensificaram. Em 1978, equipes sísmicas descobriram uma reserva de gás no Rio Juruá, que foi um divisor de águas e provocou o crescimento das pesquisas na Bacia do Solimões. Em 2003 começaram os estudos ambientais para o uso do gás natural na Amazônia. Desde então, estima-se que a produção média de gás natural seja da ordem de 7.640.000 m³/dia, enquanto que Óleo e Líquido de Gás Natural (LGN) alcançam os 55.425 barris por dia (Lima, 2008).

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Figura 1.Localização das áreas de estudo na BOGPM e da Base de Apoio do SMS, Pólo Arara, município de Coari, AM.

II. Histórico das áreas utilizadas na implantação das técnicas de restauração

As áreas submetidas à exploração petrolífera são abertas com a ajuda de motosserristas que abatem as árvores de maior porte, em seguida tratores de esteira são usados para derrubar e arrastar todo o material vegetal para as bordas. Depois de abertas, as clareiras são submetidas a diferentes usos ao longo dos anos, podem ser áreas de empréstimo inicialmente (jazidas) e depósito de resíduos sólidos (bota-fora) posteriormente, além disso, podem ser destinadas à exploração e prospecção de petróleo e gás.

As jazidas (áreas de empréstimo de solo) geralmente são áreas pequenas cujo substrato é constituído pela rocha alterada, podendo existir núcleos remanescentes do horizonte B ou C. As respostas às iniciativas de restauração são lentas e devem ser manejadas a partir da sucessão primária, caracterizada como aquela que se inicia em ambientes com ausência de qualquer planta, como dunas de areia e rochas (Ricklefs,1996).

As áreas de depósito (bota-fora) normalmente são áreas de empréstimo exauridas ou de poços abandonados, onde é comum encontrar restos de asfalto, concreto, madeiras, troncos de

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24 árvore, além de restos de óleo e lodo da estação de tratamento de efluentes e, não raro, ocorre o soterramento de um processo inicial de regeneração (Nascimento, 2009).

Diante dos fatos, qualquer que seja a destinação, percebe-se que além do desmatamento há compactação do solo pelo trânsito de máquinas pesadas e remoção das camadas superficiais juntamente com o banco de sementes, matéria orgânica e com grande parte da fauna edáfica. As clareiras abertas acabam por expor um horizonte subsuperficial que geralmente apresenta textura franco siltoso e franco arenoso, características que diminuem a capacidade de infiltração e aumentam os riscos de erosão (Teixeira et al.,2004 e 2006) resultando em dificuldade e até impedimento da dinâmica de resiliência dessas áreas (Esawa et al., 2006).

Após o uso essas áreas são submetidas ao processo de restauração baseado no plantio misto de mudas, atividade contratualmente desenvolvida pela empresa Conspizza atendendo a legislação vigente. Entretanto, aproximadamente 76% das áreas onde foi realizado o plantio de árvores o solo permanece exposto ou ocupado por espécies invasoras exóticas (Nascimento, 2009). As quatro áreas escolhidas para implantação das peças biodegradáveis fazem parte desse histórico malsucedido de restauração (Tabela 1), onde há presença intensa de gramíneas exóticas.

Tabela 1. Características das áreas submetidas à restauração com a implantação de técnicas alternativas de restauração

Clareira Data do reflorestamento Tamanho (ha) CL 12 Maio/2001 0,58 JAZ 16 Jan/2002 2,29 JAZ 87 Jan/2002 0.84 JAZ 96 Maio/2009 1,23 FONTE: Naman, 2012

Nas áreas da CL12, JAZ16, JAZ87 e JAZ96 predominam Pennisetum clandestinum e Pueraria phaseoloides, Pennisetum clandestinum e Brachiaria sp1, Pennisetum clandestinum e Brachiaria sp 2, Brachiaria sp 3 e Mimosa pudica, respectivamente (Figura 2). Mas outras espécies como Andropogom bicornis Benths, Brachiaria humidicola (Rendle), Panicum pilosum Sw e Desmodium barbatum (L) Benth (Nascimento, 2009; Naman, 2012) também aparecem na

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25 região, graças ao trabalho de hidrossemeadura que é realizado nos taludes de estradas e tubovias visando controlar a erosão.

Essas hidrossemeaduras são propostas para incrementar a formação de uma cobertura vegetal inicial. De maneira geral, são eficientes nessa primeira etapa, entretanto, podem ser extremamente prejudiciais ao crescimento e desenvolvimento de espécies arbóreas (Reis e Kageyama, 2008), principalmente por criarem barreiras físicas, como competição por nutrientes e água (Craven et al., 2008).

Observou-se que, mesmo depois de mais de dez anos, essas áreas não alcançaram uma estabilidade ou um patamar de resiliência adequado, evidenciando a infestação de espécies exóticas e o insucesso da restauração pelo plantio convencional de mudas, além dos altos custos envolvidos na tentativa frustrada da restauração (Figura 2) (Bento, 2010).

Figura 2. Clareiras e Jazidas usadas para a implantação das técnicas alternativas. Áreas submetidas ao plantio de mudas e tomadas pela cobertura de gramíneas exóticas.

Cl 12 JAZ 16

JAZ 87 JAZ 96

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III. Delimitação da pesquisa

A pesquisa exploratória de custos foi realizada em nível experimental e compreende a fabricação dos núcleos regenerativos no Laboratório de Produtos Florestais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o preparo das sementes peletizadas na casa de sementes do INPA e a implantação dessas técnicas nas clareiras CL 12, JAZ 16, JAZ 87, JAZ 96 da BOGPM. As técnicas foram implantadas de forma combinada de acordo com o experimento conduzido por Naman (2012). De acordo com o delineamento escolhido, foram instaladas seis parcelas em cada bloco, ou em cada clareira. Cada parcela foi subdividida em quatro subparcelas de maneira que cada uma representasse um tratamento diferente, ou seja, recebesse uma técnica combinada diferente. De acordo com o experimento, cada técnica ocupou 6m², sendo um total de 24m² (4 técnicas*6m²) de técnicas implantadas em cada clareira. O custo das técnicas implantadas foi rastreado de acordo com os dados de tempo, número de homens e materiais diretos e indiretos utilizados em cada tratamento e em cada clareira. As técnicas analisadas foram (Figura 3):

 T1: Núcleo regenerativo com sementes peletizadas + estacas + serrapilheira.

 T2: Núcleo regenerativo com sementes nuas + estacas + serrapilheira.

 T3: Sementes peletizadas + estacas + serrapilheira diretamente no solo.

 T4: Sementes nuas + estacas + serrapilheira diretamente no solo.

Figura 3. Delineamento do experimento para análise de custo de implantação das técnicas de restauração (Adaptado de Naman, 2012).

Duas parcelas de cada clareira foram submetidas a diferentes aplicações tratamentos das espécies invasoras, onde duas parcelas foram tratadas com roçagem apenas, outras duas com roçagem e duas aplicações de herbicida (Fusilade); e as últimas duas parcelas com duas roçagens e três aplicações de herbicida (Fusilade), todos os custos associados à essas aplicações foram

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27 mensurados. O teste ANOVA e post-hoc de Tukey (α=0,05) foram realizados para identificar se existem diferenças significativas nos custos entre os tratamentos desconsiderando o valor do pulverizador costal, o programa utilizado para a estatística foi o Microsoft Excel.

Variáveis relacionadas a atendimento, segurança, treinamento de pessoal, saúde, entretenimento e lazer não foram contabilizadas nesse estudo. A moeda utilizada foi o REAL para apresentação dos custos, referência ano 2013 e não se considerou para o período de análise, a desvalorização da moeda, já que a análise compreende um curto período de tempo.

IV. Análise de custos a) Coleta de dados

As atividades de fabricação e implantação dos núcleos regenerativos e das sementes peletizadas foram realizadas por Naman (2012), portanto, os dados necessários à análise de custos foram cedidos, gentilmente, pela autora.

As anotações foram organizadas em Tabelas (Apêndice E) e incluíram tempo de execução de cada atividade, materiais utilizados (diretos e indiretos), quantidade de mão-de-obra (número de homens) e equipamentos e, a partir delas, procederam às adaptações para a aplicação da metodologia ABC a fim de obter os custos das técnicas de restauração.

A pesquisa de preço de mercado foi feita em Manaus para materiais diretos e indiretos. Além disso, houve visitas à Petrobras a fim de coletar informações junto às pessoas encarregadas das atividades de restauração.

b) Variáveis analisadas

Custo dos materiais diretos e indiretos

Os materiais diretos são aqueles consumidos na fabricação do produto e variam de acordo com o volume produzido (Martins, 2010), seus custos foram obtidos de acordo com pesquisas de mercado na cidade de Manaus.

Os materiais indiretos são aqueles que participam do processo de criação, mas não estão envolvidos diretamente no produto. São insumos que não variam conforme o volume produzido e podem ser reutilizados (Martins, 2010). Como exemplo tem-se combustível, materiais como

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28 garrafa térmica, etc. Para esses materiais, foram feitas pesquisas em comércios especializados na cidade de Manaus, tais como lojas de materiais de construção e postos de gasolina.

Custo da mão-de-obra

Para o cálculo de mão-de-obra fez-se uma pesquisa sobre a planilha de vencimentos de todos os trabalhadores envolvidos direta e indiretamente na atividade de restauração de áreas degradadas. Os dados sobre as remunerações, bem como encargos sociais e trabalhistas foram baseados na planilha da empresa terceirizada contratada pela Petrobras responsável por essa atividade na BOGPM (Bento, 2010).

O valor hora da mão-de-obra baseou-se na legislação da mão-de-obra mensalista. Os encargos sociais são as taxas obrigatórias por força de lei (Anexo A), instituídas na Constituição Federal (1988), na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e acordos Coletivos de Trabalhos aplicáveis sobre a Folha de Pagamento. Os encargos sociais, trabalhistas e complementares dividem-se em cinco níveis: Grupos A, B, C, D e E (Paraobras, 2010).

O Grupo A é formado por Encargos Sociais Básicos, denominado neste trabalho de GRUPO A e seus percentuais. Compõem-se de um percentual incidente sobre a Folha de Pagamento: INSS – Instituto Nacional de Seguro Social; SESI – Serviço Social da Indústria; SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial; INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária; SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; FGTS – Fundo de Garantia de Tempo de Serviço.

O Grupo B, refere-se aos encargos sociais que recebe a incidência do Grupo A: Repouso Semanal Remunerado; Feriados; Férias; Abono Férias; Aviso Prévio; Auxílio Enfermidade; 13º Salário; Aviso Prévio Indenizável; Licença Paternidade; Ausências Abonadas.

O Grupo C, refere-se aos encargos sociais que não recebem as incidências globais de nenhum outro grupo: DRSJC – Depósito por Rescisão por Justa Causa; Adicional para Aviso Prévio.

No Grupo D, calcula-se a incidência cumulativa do Grupo A sobre o Grupo B. O cálculo do percentual do Grupo D corresponde à multiplicação do percentual encontrado para o Grupo A pelo Grupo B e dividido por 100. Considerou-se nesse trabalho o Grupo E, como sendo os encargos fixos complementares cedidos pelas empresas terceirizadas a seus empregados: Seguro de Vida, Saúde, Equipamentos de Segurança Pessoal (EPI’s) e Transporte.

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29 Consideraram-se ainda, na formação do cálculo dos custos da mão-de-obra os Tributos Federais incidentes: ISS – Imposto sobre Serviços; PIS – Plano de Integração Social; COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; IR – Imposto de Renda; CSLL – Contribuição Social sobre Lucro Líquido. Levou-se em conta para compor os custos da mão-de-obra as taxas administrativas, financeiras e o lucro incidentes da empresa terceirizada (Tabela 2). Os valores da planilha de vencimentos foram obtidos com base no valor de dois homens, já que o regime mensal de trabalho da BOGPM é de 14 dias “embarcado” na Base e 14 dias “desembarcado”, como uma jornada de 9,5horas por dia. Isso significa que são necessários dois homens para executar o mesmo serviço ao longo do mês, ou seja, enquanto um dos trabalhadores está “desembarcado” e fica pelo período de 14 dias, o outro, denominado “back”, está “embarcado” e permanece os 14 dias no regime de trabalho efetivo, e vice-versa. Sendo assim, o vencimento de cada trabalhador é somado ao vencimento de seu back para o cálculo total de cada profissional. Como exemplo, tem-se que o Engenheiro Florestal recebe o salário de R$3735,00 que, somado ao de seu back, corresponde ao valor total de R$7.470,00.

Depois de calculados os encargos sociais e taxas incidentes sobre o salário dos profissionais, procedeu-se o cálculo do número de horas efetivas anuais de trabalho (9,5*(365-30)), descontando-se o período de trinta dias de férias. Dividindo-se o gasto anual (incluindo os encargos sociais) pelo número de horas efetivas anuais, obtém-se o valor por hora (R$/h) de mão-de-obra, o qual varia de profissional para profissional, identificando então o valor hora-homem (h/H) de serviço (Tabela 2).

A alocação do custo da mão de obra indireta é feita de acordo com o número de pessoas submetidas à supervisão de determinado profissional. Sendo assim, procurou-se o número de funcionários sob responsabilidade dos profissionais: Engenheiro Florestal, Assistente Administrativo e Supervisor de Produção, que representa, em média, 80 funcionários contratados pela empresa terceirizada. Já os profissionais: Técnico Agrícola e Técnico em Segurança do Trabalho supervisionam as atividades de 52 funcionários. Para obter o valor de supervisão de cada profissional, dividiu-se o custo (h/H) pelo número de funcionários observados. Assim, caso o serviço seja desenvolvido na BOGPM, então os valores de h/H de supervisão correspondem à R$1,44 para Engenheiro Florestal, R$1,13 para Técnico em Segurança do Trabalho, R$1,13 para Técnico Agrícola, R$0,47 para Assistente Administrativo e R$0,72 para Supervisor de Produção, totalizando em R$4,89. Quando o serviço não é desenvolvido na BOGPM, então os custos

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30 incidentes na mão-de-obra indireta totalizam R$3,75, pois não há incidência dos custos de estadia (C.E.), cujas especificações estão explicitadas na Tabela 3.

A alocação da MOD é feita diretamente, dependendo-se apenas do tempo despendido para cada atividade. Na MOD, descontam-se também os valores de Custo de Estadia (C.E.) para trabalhadores “desembarcados”, representando R$17,73; enquanto que aqueles trabalhadores “embarcados”, incide o valor de Custo de Estadia: MOD: R$32,74. Todos os cálculos estão explicitados na (Tabela 2).

Como o custo foi calculado com base no salário/hora de cada profissional, todas as atividades do processo de preparação e implantação tiveram seus tempos cronometrados e a quantidade de homens que trabalharam diretamente (Mão-de-obra Direta - MOD) em cada atividade. A mão-de-obra empregada indiretamente (MOI), ou seja, aquela responsável pela supervisão e fiscalização da mão-de-obra direta, foi alocada de acordo com o tempo despendido na MOD.

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Tabela 2. Custo (h/H) da Mão-de-obra Direta e Indireta dos trabalhadores de empresas terceirizadas prestadoras de serviços na BOGPM.

Mão-de-obra Direta (MOD): Assistente Geral / Mão-de-obra Indireta (MOI): Engenheiro Florestal;Técnico de Segurança do Trabalho; Técnico Agrícola;Assistente Administrativo; Supervisor de Produção. 1Grupo A: INSS; SESI; SENAI; INCRA; SEBRAE; FGTS. Grupo B: Repouso Semanal Remunerado; Feriados; Férias; Abono

Férias; Aviso Prévio; Auxílio Enfermidade; 13⁰ Salário; Aviso Prévio Indenizável; Licença Paternidade; Ausências Abonadas. Grupo C: DRSJC; Adicional para Aviso

Assistente geral (R$) Engenheiro Florestal(R$) Técnico Segurança do Trabalho(R$) Técnico Agrícola(R $) Assistente Administrativo (R$) Supervisor de Produção (R$) % Remuneração (2 funcionários) 1.144,00 7.470,00 3.111,84 3.111,84 1.502,62 3.005,24 Periculosidade 30 343,2 2241 933,55 933,55 450,79 901,57 Contribuições Sociais¹ 86,88 993,91 6489,94 2703,57 2703,57 1305,48 2610,95 Contribuições complementares² 43 492,61 592,63 592,63 592,63 592,63 592,63 Subtotal 2.973,72 16.793,57 7.341,59 7.341,59 3.851,51 7.110,39

Administração local e central 22 654,22 3694,58 1615,15 1615,15 847,33 1564,29

Total 1 3.627,93 20.488,15 8.956,74 8.956,74 4.698,84 8.674,68 Despesa financeira* 3,2 116,09 655,62 286,62 286,62 150,36 277,59 Lucro* 12 435,35 2458,58 1074,81 1074,81 563,86 1040,96 Impostos Federais*³ 14,45 524,24 2960,54 1294,25 1294,25 678,98 1253,49 Subtotal 1.075,68 6.074,74 2.655,67 2.655,67 1.393,21 2.572,04 Salário Mensal 4.703,62 26.562,89 11.612,41 11.612,41 6.092,05 11.246,72

Gasto anual (A) 56.443,41 318.754,65 139.348,93 139.348,93 73.104,63 134.960,69

Jornada de Trabalho BOPGPM

Período Horas Horas Horas Horas Horas Horas

Anual (1) h/ano 3.467,5 3.467,5 3.467,5 3.467,5 3.467,5 3.467,5

Férias (2) h/mês 285 285 285 285 285 285

(1)/(2) - (B) h/ano 3182,5 3182,5 3182,5 3182,5 3182,5 3182,5

Custo h/H (A) / (B) R$/h 17,74 100,16 43,79 43,79 22,97 42,41

Custo de estadia (CE) h/dia 15,01 15,01 15,01 15,01 15,01 15,01

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32 Prévio. Grupo D: Reincidência do Grupo A x Grupo B. 2Seguro de Vida, Saúde, EPI’s e Transporte. 3ISS; PIS; COFINS; IR; CSLL. 4Cálculo dos CE demonstrado na

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33  Custo de estadia

O Custo de Estadia (CE) refere-se ao custo de permanecer em Urucu para implantar as técnicas de restauração, levando em consideração custos com transporte, alimentação (incluso almoço e jantar) e serviços de hospedagem. Esses dados foram levantados juntamente com a Petrobras por meio das empresas terceirizadas que prestam esses serviços para a BOGPM, a FG Refeições Indústrias Ltda. e Total Linhas Aéreas. O valor do Custo de Estadia incide sobre o custo de mão-de-obra durante todo o tempo de permanência na Base, independente de o trabalhador estar envolvido na atividade (Tabela 3).

Tabela 3. Custos de Estadia que incidem sobre Mão-de-obra.

Custos de Estadia Valor unitário

(R$) Quantidade mês Total (R$) Alimentação 30,66 28 858,48 Hospedagem 20,8 28 582,4 Passagem aérea 638,00 4 2552,00 Total (A) 3992,88 Horas trabalhadas (B) 266

Valor hora do C.E. (A/B) 15,01

* 9,5 horas/dia x28 dias de trabalho

Custo de depreciação

A depreciação é uma ferramenta que aloca sistematicamente o valor de um ativo ao longo da sua vida útil, isto significa que os custos ou despesas provenientes do uso de um ativo consistem na desvalorização desse bem devido ao seu tempo de uso (RESOLUÇÃO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE CFC Nº 1.177 DE 24.07.2009).

Para o cálculo da depreciação adotou-se o Método Linear, dividindo-se o valor inicial do ativo menos o valor residual, pelo número de anos de duração provável do bem (Martins, 2010).

Valor residual é o valor estimado ao fim de sua vida útil que a empresa obteria com a venda do ativo após deduzir as despesas estimadas de venda. No caso de não encontrar o valor residual, foi feito o cálculo com base na taxa de depreciação anual (Martins, 2010).

D= Va - Vr

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34 Onde: Va: Valor de aquisição; Vr: Valor residual; N: Vida útil (anos)

Para o cálculo foram utilizados os dados de vida útil e taxa de depreciação anual disponíveis na Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL (SRF) nº 162, de 31 de dezembro de 1998, fornecidos pelo site da Receita Federal. Ao se levantar os custos dos equipamentos, considerou-se a Depreciação de acordo com o tempo de uso de cada ativo.

Custo de energia elétrica

Os custos da energia elétrica consumida pelas atividades foram baseados na taxa cobrada pela empresa Amazonas Energia, S. A., correspondendo ao valor de R$0,34/kWh. Contabilizou-se as horas de uso de cada equipamento utilizado, incluindo ventiladores e lâmpadas.

Custo com combustível

Os custos com combustível foram calculados com base na autonomia do veículo utilizado (Ranger XLS 4x4) para chegar até cada uma das Clareiras, considerando que o veículo era abastecido na Base de Urucu com gás natural. Na Base o combustível é gratuito, mas para efeito de cálculo utilizou-se o valor de R$1,20 m³, valor do gás natural vendido para distribuidora (Petrobras, 2012).

c) Aplicação e adaptação da metodologia ABC

A decisão de alocar custos aos produtos por meio da metodologia ABC exige conhecimento de certos conceitos da Contabilidade, como a definição de custos diretos e indiretos.

Os custos diretos são aqueles possíveis de serem transferidos aos produtos finais por meio do consumo efetivo e pelo tempo de produção de cada produto. Nesse caso, aloca-se a matéria-prima com base na quantidade utilizada e a mão-de-obra com base nos apontamentos das horas trabalhadas para cada produto (Martins, 2010; Azzolin, 2008).

Os custos indiretos são aqueles que não oferecem uma medida objetiva. A alocação desses custos ao produto final se faz por meio de rateios, muitas vezes de forma arbitrária, gerando distorções significativas na composição do custo final. Para diminuir essas distorções, torna-se imprescindível um tratamento adequado na alocação dos custos indiretos de produção. É nesse

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35 contexto que surge a metodologia ABC (Activity-Based Costing), ou Custeio Baseado em Atividades. O principal argumento de utilização dessa metodologia consiste no fato de ser capaz de reduzir significativamente as distorções oriundas de rateios no momento de distribuir os custos indiretos da produção. (Martins, 2010; Nakagawa, 1994).

O método ABC parte do princípio de que os recursos são consumidos pelas atividades e estas, por sua vez, são consumidas pelos produtos. Dessa maneira, a atribuição dos custos às atividades é feita da forma mais criteriosa possível. Obedecendo à seguinte ordem de prioridade: 1) Alocação direta, quando existe uma identificação clara dos custos com certas atividades (Salário, material de consumo, etc); 2) Rastreamento: alocação com base na identificação de causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração de custos; 3) Rateio: quando não houver possibilidade de rastreamento (Martins, 2010).

A alocação direta é possível para os custos diretos, tratados nesse estudo como os materiais diretos e mão-de-obra direta. O rastreamento depende da relação entre recursos e atividades e entre atividades e produtos, dada pelo conceito de Direcionadores de Custo, ou Cost Drivers. Os direcionadores são capazes de alocar os custos indiretos ao produto final de maneira menos arbitrária, bastando-se identificar todas as atividades do processo de produção (Duran e Radaelli 2000; Martins, 2010).

A “atividade” pode ser definida como sendo uma ação que utiliza recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros para produzir bens ou serviços, portanto representa o conjunto de tarefas necessárias ao seu desempenho. De acordo com a metodologia ABC, o custo de uma atividade compreende todos os recursos necessários para desempenhá-la, incluindo salários com os respectivos encargos sociais, materiais, depreciação, energia, uso de instalações, etc (Martins, 2010).

Assim, o primeiro passo, para o custeio ABC é identificar as atividades relevantes em cada etapa do processo. No segundo passo, devem-se atribuir custos às atividades, ou seja, todos os recursos necessários para desempenhá-la. A próxima etapa é a identificação e seleção dos identificadores de custos, que é a grande diferença que distingue o ABC do sistema tradicional de custos.

Depois de identificados os custos das atividades relevantes, a próxima etapa é custear os produtos por meio dos custos dos direcionadores de atividades, para tal, faz-se um levantamento da qualidade e quantidade de ocorrência dos direcionadores de atividades por produto. Para

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36 calcular o custo da atividade por unidade de produto segue-se a sequência de cálculo (Martins, 2010):

1) Encontrar custo unitário do direcionador (CUD): custo da atividade/número total de direcionadores;

2) Encontrar o custo da atividade atribuído ao produto (CAAP): CUD*número de direcionadores;

3) Custo da atividade por unidade do produto: CAAP/Quantidade Produzida.

No presente estudo, como não existem vários produtos que passam pela mesma cadeia produtiva e não existe uma produção em nível comercial, o número de direcionadores pode ser igual à quantidade produzida. Para o cálculo são levados em consideração os custos considerados como custos indiretos.

Apesar dos critérios de alocação de custos, o método ABC é pouco utilizado para compor os custos de restauração de áreas degradadas. No entanto, a utilização desta ferramenta possibilita a observação dos custos totais relacionados a cada produto de forma mais justa e precisa, o que pode refletir de forma positiva na tomada de decisão. A intenção de usar a ferramenta é justamente para auxiliar na identificação dos custos de cada etapa envolvida nas diferentes técnicas de restauração, bem como identificar os custos consumidos por cada atividade e por cada tratamento implantado nas clareiras.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A ferramenta ABC permitiu o rastreamento de todos os procedimentos necessários para confeccionar e instalar as técnicas de Núcleos Regenerativos e Sementes Peletizadas, bem como identificar os custos diretos e indiretos envolvidos na implantação das técnicas para fins de recuperação das áreas degradadas. Foi possível identificar ainda qual a variável consumiu mais recursos e qual atividade mais onerou o processo.

I. Técnica: Núcleos Regenerativos

A partir de um esboço de uma suposta cadeia produtiva dos núcleos regenerativos é possível entender o processo de fabricação do produto (Figura 4).

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Figura 4. Visão geral de uma suposta cadeia produtiva dos núcleos regenerativos utilizados na restauração de quatro clareiras abertas na Base Petrolífera de Urucu para exploração de hidrocarbonetos.

Conhecendo-se os processos envolvidos, foram identificados os recursos sacrificados para cada atividade a fim de obter o produto final. Na Figura 5, observa-se a categoria de recursos bem como a categoria de atividades, estabelecendo a relação pelos direcionadores de custo, assim como estabelece a metodologia ABC, na qual as atividades consomem os recursos, e os produtos ou serviços consomem as atividades (Martins, 2010).

Mercado

Látex Fibra de coco

Secagem Prensagem Mistura Limpeza da área Transporte Implantação do núcleos regenerativos Valor adicionado a técnica Valor da técnica

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