XIII ERIC – (ISSN 2526-4230)
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O REAL LACANIANO NA FICÇÃO DE CLARICE LISPECTOR
Diego Luiz Miiller Fascina (UEM) [email protected] Antonio Garcia Neto (UNIGRAN – MS) [email protected] COMUNICAÇÃO ORAL RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo aplicar o Real, conceito do psicanalista francês Jacques Lacan, nessa ocasião relido pelo prisma do materialismo lacaniano do filósofo esloveno Slavoj Žižek, em textos da escritora Clarice Lispector. O contato com o Real é traumático, justamente pelo fato de que ele é o que está para além do que pode ser representado no campo do Simbólico. Em outras palavras, trata-se de um conceito que escapa a simbolização, desmantelando o que chamamos de realidade, e que por isso é indizível, chocante e caótico. Ao considerarmos que a epifania – técnica recorrente na ficção da autora – é um encontro com o Real lacaniano, podemos compreender com mais profundidade o comportamento avassalador de algumas das personagens de Lispector, que recusam esse encontro e que se sentem aliviadas ao “retornarem” a normalidade da rotina. O texto busca ressimbolizar tal experiência, conduzindo-a, via linguagem, para o domínio seguro do Simbólico.
XIII ERIC – (ISSN 2526-4230) SLAVOJ ŽIŽEK COMO CRÍTICA LITERÁRIA
Diego Luiz Miiller Fascina (UEM) [email protected] COMUNICAÇÃO ORAL RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo fazer uma breve apresentação do materialismo lacaniano, do filósofo esloveno Slavoj Žižek, e suas possibilidades de aplicação no campo literário. Ao estruturar sua filosofia, Žižek utiliza duas grandes fontes: a psicanálise de Jacques Lacan e o idealismo de Hegel e, a partir desse paradigma, reconfigura, dentre outras questões, o pensamento de Karl Marx. Dessa maneira, o materialismo lacaniano (ou lacanianismo) esteve inicialmente atrelado ao campo da filosofia política, no entanto, essa aplicação passou a ser utilizada nos Estudos Culturais e, na última década, serve como ferramenta para iluminar aspectos do texto literário, bem como outras áreas artísticas, tais como a música e o cinema. Os conceitos de Real, Simbólico e Imaginário – releituras da tríade lacaniana conhecida como borromeana, e o conceito de Grande Outro, serão apresentados, comentados e aplicados em textos literários.
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O BIG OTHER EM CONTOS DE CLARICE LISPECTOR
Diego Luiz Miiller Fascina (UEM) [email protected] COMUNICAÇÃO ORAL RESUMO: Este trabalho tem por finalidade, através de uma análise comparativa, discutir a presença do Grande Outro (em inglês, Big Other), nos contos Os laços de família e Feliz aniversário, enfeixados na coletânea Laços de família, de Clarice Lispector. Este conceito, contemplado em inúmeras análises do materialismo lacaniano do filósofo esloveno Slavoj Žižek, está inserido na ordem Simbólica, e pelo fato de todos os indivíduos serem construídos e dominados pela linguagem, eles operam em níveis simbólicos governados por algo semelhante a um superego (freudiano) autoritário, que Lacan chama de Big Other. Trata-se de uma instância onipresente, criada pelo indivíduo no processo de separar a si próprio do resto do mundo, ou seja, no processo de individuação. Ele é invisível, mas está sempre em torno de nós. O Grande Outro permitirá que observemos com mais rigor as relações familiares nas duas narrativas citadas, apontando suas diferenças, ainda que o cerne seja o mesmo: a periclitante relação entre mães e filhos.
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OS ESTABILIZADORES DA MEMÓRIA E A IDENTIDADE DA CIVILIZAÇÃO JUDAICO-CRISTÃ: UMA INTERPRETAÇÃO DE SAUDADES DA PÁTRIA E
BABEL E SIÃO
Nágela Neves da Costa Universidade Estadual de Maringá (UEM) [email protected]
RESUMO: Nosso interesse, nesta comunicação, é compartilhar uma recente investigação a cerca dos estabilizadores da memória - forças que regem o processo da recordação e que emprestam confiabilidades às memórias do sujeito. A teoria dos estabilizadores foi muito bem abordada por Aleida Assmann (2011), em Os espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Valendo-nos, assim, dos pressupostos teóricos da autora, propomos a leitura dos textos Saudades da Pátria e Babel e Sião, em busca de vestígios da identidade da civilização judaico-cristã, os quais são reconstituídos pela memória do sujeito-lírico. Sião e Babilônia são dois símbolos fundamentais para a reconstrução das memórias do eu-lírico. O afeto, reavivado pelas saudades da terra natal e do tempo passado, bem como o trauma, vivenciado no tempo presente, estabilizam as memórias do “eu”, que descritas poeticamente, são realçadas por um tom narrativo, marcando a sutileza da linguagem camoniana. A partir desta leitura, identificaram-se marcas características da identidade judaica, como a forte religiosidade, que configura um perfil teocêntrico, bem como o senso patriótico que dá inspiração a louvores e lamentos, revelando a devoção às origens.
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OLHOS VERDES, OLHOS PRETOS: SILÊNCIO E POESIA NA CONFIGURAÇÃO DO RETRATO FEMININO CAMONIANO
Nágela Neves da Costa Universidade Estadual de Maringá (UEM) [email protected]
RESUMO: Nesta comunicação, intitulada Olhos verdes, olhos pretos: silêncio e poesia na configuração do retrato feminino camoniano, nossa proposta é apresentar uma leitura dos textos literários do poeta lusitano Luís Vaz de Camões, Menina dos olhos verdes e Aquela cativa, retratos femininos construídos de uma combinação de palavras e silêncios. Para este estudo, valemo-nos dos pressupostos teóricos de Orlandi (1997), Steiner (1966), J D Nasio (2010) e Tofalini (2013) sobre o silêncio. Na leitura completa dos textos poéticos, observamos que o retrato feminino construído por Camões, em seus versos, tornou-se compreensivo pela capacidade linguística de apreender silêncios e palavras. Distinguimos, assim, nos textos, dois perfis. Quanto ao aspecto físico: tem-se a menina dos olhos verdes, cabelos loiros, pele alva (segundo o modelo petrarquista) e a mulher dos olhos escuros, pele negra e cabelos pretos. Quanto aos aspectos psicológicos idealizados pelo poeta e observados pelas formas do silêncio: tem-se a configuração do retrato de uma mulher rebelde, indomável e insubmissa às vontades do homem, bem como o retrato de uma mulher dócil, obediente e submissa. Os textos de Camões põem em evidência o retrato social da mulher renascentista. O poeta expõe as concepções, os padrões e os valores atribuídos à mulher a partir da construção dos modelos apresentados. Essa temática não se restringe apenas à sociedade renascentista, mas insere-se na atualidade.
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A COMERCIALIZAÇÃO DA MEMÓRIA E OS MODOS DE RECORDAÇÃO EM O VENDEDOR DE PASSADOS, DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA
Estela Pereira dos Santos (PLE-UEM/CAPES) E-mail: [email protected] Orientadora: Marisa Corrêa Silva (UEM)
Resumo: Este trabalho apresenta um estudo de O vendedor de passados (2004), do escritor angolano José Eduardo Agualusa. O romance é narrado por uma osga (lagartixa) que apresenta a história de Félix Ventura, um homem que vende passados para aqueles que desejam uma nova árvore genealógica, novas memórias e uma nova identidade. Pretende-se, portanto, um estudo acerca do que Andreas Huyssen denomina como uma “comercialização da memória” e também um estudo acerca dos modos de recordação apresentados ao longo de toda a obra literária de Agualusa. Para o desenvolvimento deste trabalho são fundamentais as discussões teóricas propostas por Andreas Huyssen (2000); Aleida Asmann (2011); Lucas Esperança da Costa (2014) e Selligmann-Silva (2008).
Palavras-chave: O vendedor de passados. Comercialização da memória. Recordação.
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REVOLUÇÃO NA AMÉRICA DO SUL, DE AUGUSTO BOAL: O RETRATO DA VIOLÊNCIA VIVENCIADA PELO OPERÁRIO JOSÉ DA SILVA
Estela Pereira dos Santos (PLE-UEM/CAPES) E-mail: [email protected] Orientadora: Marisa Corrêa Silva (UEM)
Resumo: Revolução na América do Sul (1986), de Augusto Boal, é uma peça escrita em 1960 que apresenta o itinerário de José da Silva, homem do povo e proletário alienado, o qual procura uma solução para a fome que o devora. Enquanto José da Silva procurar meios de suprir suas necessidades, a trama da peça representa interesses e jogos políticos, a falta de condições básicas de vida daqueles que são operários, a exploração que sofre o trabalhador e a corrida entre a inflação e o salário mínimo. O cotidiano vivenciado pelo protagonista é marcado por aquilo que Slavoj Žižek, em Violência: seis reflexões laterais (2014), denomina como violência objetiva. Este artigo tem como objetivo, portanto, estudar a violência objetiva cotidianamente vivenciada por José da Silva, de modo a discutir como esse operário é explorado e tem direitos básicos negados. Para auxiliar nas discussões proposta por este estudo, lançamos mão ainda dos postulados teóricos de Iná Camargo Costa (1996), Elizabete O. Guerra (2009) e Sandro Bazzanela (2009). Palavras-chave: Revolução na América do Sul. Violência objetiva. Slavoj Žižek.