Tema: Princípios infraconstitucionais de proteção ao
consumidor
MÓDULO I - INTRODUÇÃO AO CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR
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CONCEITO DE FORNECEDOR
Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como
os
entes
despersonalizados,
que
desenvolvem
atividade
de
produção,
montagem,
criação,
construção, transformação, importação, exportação,
distribuição
ou
comercialização
de
produtos
ou
prestação de serviços.
RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO
RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO
• Aquisição de produtos e utilização da prestação de
serviço na relação jurídica de consumo.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO FORNECEDOR - Art.
14 do CDC
• O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
DANOS MORAIS E MATERIAIS. Furto de objetos deixados no
interior do veículo em estacionamento de lanchonete. Estabelecimento comercial que ao disponibilizar estacionamento, mesmo que gratuito, tem responsabilidade pela guarda e vigilância sobre os veículos. Súm. 130/STJ. Documentos juntados aos autos suficientes à demonstração de que parte dos objetos furtados se encontrava, de fato, no interior do veículo. Apresentação, ademais, das notas fiscais relativas aos pertences do consumidor, atestando a sua existência e o seu valor. Indenização material que é devida excepcionalmente, dadas as peculiaridades do caso concreto. Dano moral não evidenciado, eis que não atingidos os direitos da personalidade do consumidor, com gravidade suficiente a caracterizar essa espécie de prejuízo. Sentença mantida. Sucumbência recíproca. Recursos desprovidos. TJSP; Apelação 1008912-94.2016.8.26.0361; Relator (a): Teixeira Leite; Órgão Julgador: 4ª Câmara de Direito Privado; Foro de Mogi das Cruzes -6ª Vara Cível; Data do Julgamento: 05/12/2017; Data de Registro:
SÚMULA N. 130 DO STJ
• A empresa responde, perante o cliente, pela
reparação de dano ou furto de veiculo ocorridos em
seu estacionamento.
COMPETÊNCIA. RELAÇÃO DE CONSUMO. UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO E DE SERVIÇOS DE CRÉDITO PRESTADO POR EMPRESA ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. DESTINAÇÃO FINAL INEXISTENTE. – A aquisição de bens ou a
utilização de serviços, por pessoa natural ou jurídica, com o escopo de implementar ou incrementar a sua atividade negocial, não se reputa como relação de consumo e, sim, como uma atividade de consumo intermediária. Recurso especial conhecido e provido para reconhecer a incompetência absoluta da Vara Especializada de Defesa do Consumidor, para decretar a nulidade dos atos praticados e, por conseguinte, para determinar a remessa do feito a uma das Varas Cíveis da Comarca. (REsp 541.867/BA, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro BARROS MONTEIRO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/11/2004, DJ 16/05/2005, p. 227)
• Correntes doutrinárias
Finalistas: parte vulnerável (adotamos esse posicionamento)
Maximalistas: não protege o consumidor, mas regula o
mercado de consumo brasileiro
DIREITO DO CONSUMIDOR - MICROEMPRESÁRIO INDIVIDUAL - PRODUTO ADQUIRIDO COMO INSTRUMENTO DE TRABALHO CONCEITO DE CONSUMIDOR -TEORIA FINALISTA MITIGADA - PRECEDENTES DO STJ - VULNERABILIDADE DEMONSTRADA - APLICABILIDADE DO REGIME CONSUMERISTA. A jurisprudência assente do Superior Tribunal de Justiça adotou a respeito da concepção de consumidor a teoria finalista mitigada, a qual estende a aplicação das normas protetivas constantes no Código de Defesa do Consumidor a determinados consumidores profissionais de produtos ou serviços, desde que comprovada vulnerabilidade em relação ao fornecedor. DANO MORAL -INOCORRÊNCIA O inadimplemento contratual ou a ocorrência de danos materiais não geram automaticamente a obrigação de indenização por pretenso abalo moral. A concessão dessa verba reparatória pressupõe a existência de um fato com eficácia para causar abalo psicológico ao ofendido, seja pelo sofrimento psíquico interno, seja pela desonra pública. Noutros termos, o incômodo sofrido, por si só, não dá margem à indenização por danos morais. É preciso que reste configurado o prejuízo moral. (TJSC, Apelação Cível n. 2013.022173-8, de Mafra, rel. Des. Luiz Cézar Medeiros, Quinta Câmara de Direito Civil, j. 25-04-2016).
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DIREITO CIVIL - PRODUTOR RURAL - COMPRA E VENDA
DE SEMENTES DE MILHO PARA O PLANTIO - CÓDIGO DE
DEFESA
DO
CONSUMIDOR
-
NÃO-APLICAÇÃO
-PRECEDENTES
-
REEXAME
DE
MATÉRIA-FÁTICO
PROBATÓRIA - ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ - RECURSO
ESPECIAL IMPROVIDO.
I - Os autos dão conta tratar-se de compra e venda de sementes de milho por produtor rural, destinadas ao plantio em sua propriedade para posterior colheita e comercialização, as quais não foram adquiridas para o próprio consumo. II - O entendimento da egrégia Segunda Seção é no sentido de que não se configura relação de consumo nas hipóteses em que o produto ou o serviço são alocados na prática de outra atividade produtiva.III - O v. acórdão recorrido entendeu que os recorrentes não
conseguiram comprovar o fato constitutivo de seu direito,
por
meio
de
provas
aceitáveis
em
juízo
e
que
possibilitassem o contraditório.
O cerne da questão, como se vê, diz respeito ao exame de
matéria fático-probatória, o que é vedado pela Súmula
7/STJ.
IV - Ademais, mesmo nas hipóteses em que o Código de
Defesas do Consumidor é aplicável, o contraditório deve ser
observado, possibilitando-se ao réu a oportunidade de
provar fatos que afastem a sua condenação.
V - Recurso especial improvido.
(REsp 1132642/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Rel. p/
Acórdão Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA,
julgado em 05/08/2010, DJe 18/11/2010)
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PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONCEITO DE CONSUMIDOR. INCIDÊNCIA DO CDC. PESSOA JURÍDICA. FINALISMO MITIGADO. VULNERABILIDADE. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS.
1. Hipótese em que, em verdade, não há divergência entre os acórdãos comparados, pois todos aplicam a teoria finalista mitigada, que admite a incidência do CDC, ainda que a pessoa física ou jurídica não sejam tecnicamente destinatárias finais do produto ou do serviço, quando estejam em situação de vulnerabilidade diante do fornecedor.
2. Entretanto, no acórdão embargado, a Primeira Turma afirmou que a hipótese é de "ausência de demonstração de vulnerabilidade" da pessoa jurídica agravante (fls. 1.446-1.447). A reforma dessa conclusão pressupõe novo julgamento do Recurso Especial, com análise detida do acórdão recorrido, o que não pode ser obtido por esta via.
3. Haveria divergência se os paradigmas indicados afirmassem que, para a incidência do regime protetivo do CDC, seria dispensável a análise da situação de vulnerabilidade da pessoa jurídica sempre que se tratar de serviço público essencial. Em nenhum deles, contudo, está assentada essa tese.
4. Agravo Regimental não provido.
(AgRg nos EREsp 1331112/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/12/2014, DJe 02/02/2015)