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Discurso para o Seminário organizado pelo
Conselho Económico e Social de Portugal
"Envelhecimento da população: consequências económicas, sociais e
organizacionais"
Fritz von Nordheim Nielsen
Chefe adjunto da Unidade de Proteção Social e Sistemas de Ativação
Direção Geral do Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão
Comissão Europeia
Junho de 2013
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Senhores e Senhoras. Bom dia a todos.
Em nome da Comissão Europeia gostaria de começar por agradecer ao Conselho Económico
e Social de Portugal a oportunidade de participar hoje neste seminário sobre Os efeitos económicos, sociais e organizacionais do envelhecimento da população.
Há muitos anos que se vem discutindo os desafios que o envelhecimento populacional irá colocar às economias e sociedades europeias.
Na maioria dos Estados-Membros da União Europeia – e Portugal não é exceção – tem-se debatido largamente as mudanças que se aproximam e os ajustes necessários.
Mas sempre que se discutia as alterações demográficas, a tendência era olhar para um futuro distante — daqui a meio século. Por essa razão, muitos consideraram que não era urgente enfrentar estes desafios.
No entanto, ao fazê-lo, temos ignorado o facto de nos encontrarmos num momento de viragem crítico em que a geração do baby boom está a chegar à idade de reforma.
Há vários anos que a idade média da população nos nossos países tem vindo a aumentar de forma regular. Mas agora o equilíbrio vital entre população ativa e a população reformada está a alterar-se rapidamente à medida que muitas pessoas chegam à reforma e poucas entram no mercado laboral.
A taxa de fertilidade caiu em todos os Estados-Membros, mas em muitos países da Europa do Sul e de Leste há mais de 20 anos que estas taxas têm vindo a diminuir, o que contribuiu para um envelhecimento da população na U.E. a um ritmo consideravelmente mais acelerado.
No mercado laboral, encontramo-nos na transição entre a grande geração do baby boom e a muito mais pequena geração nascida num período de forte declínio da natalidade.
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A figura abaixo ilustra precisamente esta alteração ao nível da população adulta na U.E. a 27.
De um momento para o outro, o número de cidadãos da U.E. com idades próximas dos 60 anos cresceu de um para dois milhões. Simultaneamente, o número de jovens que todos os anos entra no grupo da população ativa tem vindo a cair de forma acentuada.
A dimensão absoluta e relativa da população em idade de trabalhar é menor, o que contribuirá para um peso de dependência demográfica muito diferente. Por conseguinte, urge olhar para as soluções e adotar uma abordagem positiva de resolução dos desafios do envelhecimento.
Na Comissão Europeia desejamos destacar a abordagem positiva e a atitude afirmativa que procurámos promover durante o Ano Europeu. Acreditamos que é possível ter sociedades funcionais com uma estrutura etária da população diferente. Embora elevados, os desafios são ultrapassáveis se acompanhados dos ajustamentos certos. Não nos esqueçamos que, no
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fim de contas, o envelhecimento da sociedade é antes de mais uma grande vitória — a consequência inevitável de se viver até mais tarde, da redução significativa da mortalidade e de um maior controlo da nossa reprodução.
Podemos lamentar a quebra na fertilidade, que representa um grave problema. É evidente que é necessário oferecer melhores condições de assistência à natalidade e à família. No entanto, não nos esqueçamos que a percentagem de filhos desejados entre os recém-nascidos atinge níveis inéditos.
Para nos ajudar a entender cabalmente o que se passa - e as mudanças às quais teremos de nos adaptar - o gráfico abaixo ilustra a forma como estamos a chegar ao fim de um "dividendo demográfico" único de uma relação excecionalmente positiva entre o número de pessoas em idade ativa e a percentagem de população dependente (crianças e reformados).
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O desafio que enfrentamos é enorme, mas a Comissão Europeia trabalhou intensamente com os Estados-Membros nos últimos 15 anos para tentar compreender quais os ajustes necessários.
Enquanto políticos, peritos e jornalistas informados, normalmente concentramo-nos nos aspetos negativos do envelhecimento — a ameaça que representa para o Estado social, para o crescimento económico, para a solidariedade entre gerações e para a união da sociedade.
E durante anos temos tentado convencer as pessoas da importância destes desafios e da possibilidade de resolver muitos deles através do prolongamento da vida laboral, do aumento da idade de reforma e da preservação da atividade nas comunidades após a reforma.
Contudo, o inquérito do Eurobarómetro encomendado para o Ano Europeu revelou que ainda temos um longo caminho a percorrer. Apenas um em cada três europeus se considera “bastante preocupado” com o envelhecimento e a proporção dos que se confessam “muito preocupados” não chega sequer a um em cada dez. No entanto, do lado positivo, o inquérito revela claramente que muitos europeus estão empenhados num envelhecimento ativo. Procuram oportunidades para se manterem ativos, especialmente no mercado laboral.
Uma maioria clara rejeita a ideia de idade de reforma obrigatória e sente-se atraída pela possibilidade de combinar uma pensão parcial com trabalho a tempo parcial. Um terço dos europeus manifesta o desejo de continuar a trabalhar para além da idade legal de reforma. Surpreendentemente, essa vontade de permanecer ativo aumenta com a idade dos inquiridos!
Todavia, as atitudes em relação ao envelhecimento ativo e a forma como são encarados os desafios que coloca são muito diferentes de país para país.
Por exemplo, na Dinamarca e nos Países Baixos, cerca de nove em cada dez inquiridos acreditam que devem poder continuar a trabalhar depois da idade legal de reforma,
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enquanto a maioria dos inquiridos da Grécia, Itália e Roménia entendem que as pessoas devem ser obrigadas a parar quando atingem a idade legal de reforma.
Conclusão: Há ainda muito a fazer para mudar atitudes e aumentar as oportunidades de ficarmos ativos e independentes quando envelhecemos. E foi isso mesmo que tentámos fazer com o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo em 2012.
Naturalmente que a possibilidade de gozarmos vidas mais longas também deveria querer dizer melhores possibilidades de vivermos vidas bem preenchidas. Ou — por outras palavras — se vivemos mais tempo, não deveremos procurar formas de viver plenamente esses anos adicionais?
O Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações foi organizado para sensibilizar as pessoas para a promoção de condições que assegurem um futuro melhor para os mais novos e para os mais velhos nas nossas sociedades envelhecidas.
A chave reside em garantir que as pessoas continuam a contribuir para a economia e para a sociedade e a cuidar de si quando envelhecem. Isso é que é o envelhecimento ativo.
Este ano procurou demonstrar que não precisamos de recear o futuro à medida que a sociedade envelhece:
se conservarmos a nossa saúde durante mais tempo;
se criarmos mais oportunidades para os trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho;
se nos mantivermos elementos ativos na comunidade depois da reforma.
Em resumo, se vivermos num ambiente rico em oportunidades, onde envelhecer não tem de significar ficarmos dependentes dos outros.
Envelhecer de forma ativa permite às pessoas de todas as idades gozar os frutos do aumento da esperança de vida e evita o risco de aumento de tensões entre as gerações mais novas e as gerações mais velhas.
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O Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações de 2012 conseguiu sensibilizar a opinião pública para o contributo dos mais velhos para a sociedade, oferecendo uma plataforma para identificar e divulgar boas práticas. O seu verdadeiro êxito, no entanto, assentará no estabelecimento de objetivos ambiciosos a longo prazo para o envelhecimento ativo e na continuidade que lhes for dada nos próximos anos em termos de ações e resultados palpáveis.
Ultrapassar os obstáculos que impedem as pessoas de desenvolver todo o seu potencial à medida que envelhecem implica um esforço enorme. Exige ações concretas em várias áreas distintas — designadamente no âmbito do emprego, da proteção social, da educação e da formação, da saúde e dos serviços sociais, da habitação e das infraestruturas públicas.
Isso significa que é necessário o envolvimento de diferentes intervenientes. Estados-Membros, poderes públicos locais e regionais, sociedade civil e parceiros sociais — todos têm de se esforçar para que o envelhecimento ativo seja uma realidade. E, naturalmente, a U.E. tem também o seu papel a desempenhar no apoio dos esforços dos Estados-Membros. Já tomou várias medidas para promover o envelhecimento ativo e a solidariedade entre as gerações através das suas próprias políticas.
Assegurar que as sociedades europeias em envelhecimento são sociedades prósperas e assim permanecem é um objetivo prioritário da Estratégia Europa 2020 com vista a um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.
No Livro Branco sobre as pensões do ano passado, demonstrámos que há formas viáveis de ajustar os nossos regimes de pensões de modo a que sejam não só sustentáveis mas também adequados num contexto de envelhecimento da população.
No quadro dos processos através dos quais procuramos dar resposta à Estratégia Europa 2020, como o Semestre Europeu, propomos recomendações específicas por país de modo a orientar os Estados-Membros no seu processo de ajuste dos regimes de pensões e dos
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sistemas de saúde e de cuidados prolongados para que funcionem melhor também quando a população acima da idade de reforma for muito superior em termos absolutos e relativos.
O envelhecimento ativo é um elemento primordial dos ajustes necessários. Procura fomentar melhores oportunidades para os mais velhos no mercado de trabalho e dar-lhes a possibilidade de obter rendimentos adequados na velhice. Sem um envelhecimento ativo, há maiores probabilidades de mais idosos viverem em situação de pobreza, em virtude de os nossos sistemas de pensões se tornarem progressivamente insustentáveis.
Por conseguinte, a Comissão criou igualmente o Índice do Envelhecimento Ativo para avaliar a evolução dos Membros nesta área. Além disso, juntamente com os Estados-Membros, elaborou as Orientações em matéria de Envelhecimento Ativo, já adotadas pelo Conselho.
Recentemente, no seu Pacote de Investimento Social, a Comissão Europeia salientou como é importante para o crescimento económico, num contexto de envelhecimento da população, que a sociedade invista mais na sua reserva de capital humano e como - com os investimentos sociais adequados - é possível obter bons resultados para os cidadãos e para a sociedade em geral.
Embora a U.E. possa trazer um valor acrescentado importante, incumbe, em primeiro lugar, aos Estados-Membros fomentar práticas de envelhecimento ativo e, por outro lado, aos cidadãos envolverem-se mais ativamente. Assim, convidamos todos os cidadãos a unir esforços para nos ajustarmos ao envelhecimento da população e para que todos nós possamos usufruir da melhor maneira dos últimos anos de vida.