DICA PEDAGÓGICA EDUCAÇÃO INFANTIL
1. TÍTULO DO PROGRAMA As Histórias do Senhor Urso.
2. EPISÓDIOS TRABALHADOS
“A Corrida de Barco” e “A Corrida do Ursinho”.
3. SINOPSE DOS EPISÓDIOS ESPECÍFICOS
No quarto episódio da série, “A Corrida de Barco”, os brinquedos exploram o depósito num lindo dia de verão e encontram jornais que são transformados em barco pelo urso marrom. Ao testarem os barcos na tina do marinheiro, descobrem que eles afundaram porque são, na verdade, chapéus de pirata. Retornam ao depósito para buscar materiais e construir barcos para uma corrida.
A variedade de corridas é o tema do quinto episódio, “A Corrida do Ursinho”. Após encontrarem papel laminado que foi transformado em taças prateadas, os brinquedos resolvem organizar brincadeiras de correr para distribuir as taças como premiação.
4. PALAVRAS-CHAVE
Corrida, meios de transporte, diversidade, barcos, piratas, dobraduras, criatividade/imaginação.
5. ASPECTOS RELEVANTES DOS VÍDEOS
As duas histórias apresentam uma reflexão sobre a questão da cooperação e do respeito à diversidade.
6. TÍTULO DO PROJETO / ATIVIDADE Corridas divertidas em que todos ganham.
7. EM QUAL FASE OU IDADE SERIA MELHOR APLICAR ESSE TRABALHO? As sugestões apresentadas a seguir enfatizam o trabalho pedagógico direcionado a crianças com idade entre dois e três anos, observando-se particularidades, como a fase do desenvolvimento de cada criança, o contexto social em que está inserida e as características de cada grupo. O(A) professor(a) pode adequar as atividades a essas particularidades.
8. PRINCIPAIS CONCEITOS QUE SERÃO TRABALHADOS
O respeito à diversidade e a importância da colaboração, conceitos relacionados ao eixo “Formação pessoal e social” (RCNEI, 1998, v. 2) e aos princípios éticos (DCNEI, 2009).
Expressividade e consciência corporal (Movimento), conceitos relacionados ao eixo “Conhecimento de mundo” (RCNEI, v. 3) e aos princípios estéticos (DCNEI, 2009).
Também podemos explorar a ideia de circulação/mobilidade com os meios de transporte apresentados no quarto episódio. [Ver referencial teórico]
9. O QUE O ALUNO PODERÁ APRENDER OU DESENVOLVER COM ESTA ATIVIDADE
Conhecer valores éticos como o respeito à diversidade e a importância da colaboração.
Experimentar movimentos por meio de brincadeiras de deslocamento (corridas, saltos, caça ao tesouro).
10. MATERIAL NECESSÁRIO PARA A REALIZAÇÃO DA ATIVIDADE 1.º momento: carta do pirata.
2.º momento: chapéu de pirata (modelo), jornais, pista que leve ao local onde assistirão ao vídeo.
3.º momento: episódio gravado, “A Corrida de Barco”, e aparelho para reproduzi-la.
4.º momento: papéis para dobradura ou material para papietagem (papelão, jornais e grude) e tinta guache.
5.º momento: outra carta do pirata, material para as brincadeiras (sacos, cordas, colheres, etc.).
6.º momento: episódio gravado, “A Corrida do Ursinho”, e aparelho para reproduzi-la.
11. DURAÇÃO DA ATIVIDADE
A duração da atividade pode variar significativamente de acordo com a faixa etária do grupo e as atitudes das crianças em relação às proposições especificadas em cada etapa, podendo se desdobrar em vários dias.
Dessa forma, ao descrever cada momento, sugere-se atribuir um tempo aproximado para cada atividade. Vale lembrar que é preciso ter uma relação qualitativa com o tempo, de modo que a duração de cada atividade seja suficiente para a sua organização/elaboração, experiência e reorganização. É preciso considerar também a repetição como importante elemento na experiência das crianças com idade inferior a seis anos.
As atividades demandarão praticamente uma semana, dependendo de quantos momentos forem realizados em cada dia e do envolvimento das crianças em cada etapa.
12. DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE 1.º momento: caça ao tesouro
Nessa etapa, deve-se aguçar a curiosidade das crianças em relação à história que irão assistir. Sugere-se que as crianças sejam surpreendidas por uma proposta de caça ao tesouro. Dessa forma, elas receberão uma carta de um pirata convidando-as para brincar e orientando-as por meio da primeira pista. O tempo de duração dessa etapa será de aproximadamente 10 minutos.
2.º momento: chapéus de pirata
Ao chegarem ao local indicado na primeira pista, as crianças encontrarão uma pilha de jornais e as instruções para a elaboração dos chapéus de pirata (pode-se deixar exposto um chapéu-modelo). Construir os chapéus de pirata com as crianças. Depois de prontos, as crianças terão acesso à segunda pista (que estará dentro do chapéu-modelo) que as levará até o local onde assistirão ao episódio “A Corrida de Barco”. A duração dessa etapa será de aproximadamente 30 minutos.
3.º momento: vídeo
Apresenta-se o vídeo “A Corrida de Barco” às crianças. Essa etapa será de aproximadamente 20 minutos. O episódio dura 10 minutos, mas é preciso considerar o deslocamento (se o vídeo for assistido fora da sala de referência do grupo) e acomodação das crianças.
4.º momento
Pode-se optar por trabalhar novamente com dobradura: construindo barcos de papel individuais que poderão ser experimentados em uma banheira, bacia ou mesmo um lago. Pode-se desafiar as crianças a construir um grande barco com caixas de papelão, usando a técnica da papietagem. Para a construção
desse barco, será necessário primeiramente selecionar caixas de papelão grandes. Dependendo do modelo que as crianças optarem, será necessário recortar as caixas para dar forma ao barco, emendando-as com fita crepe resistente. Pode-se usar duas ou três caixas grandes para construir o centro do barco (formato retângulo) e fechar cada extremidade com pedaços de caixa dando forma de triângulo sem base (tipo teto de casa) nas pontas. Depois de montar a moldura do barco, ele será papietado. Para papietar, será necessário passar o grude em pequenos pedaços de papel (frente e verso) que irão encobrir o barco de papelão. Serão necessárias duas a três camadas para que fique bem resistente (entre uma e outra camada é preciso esperar o grude secar). Depois, as crianças poderão pintar o barco com guache e colocar acessórios (uma bandeira, um timão). Essa etapa poderá durar aproximadamente 30 minutos, se os barcos forem feitos de dobradura. Caso se opte pela técnica de papietagem, a construção levará vários dias.
Obs.: O grude é uma espécie de cola resultante da mistura de água e trigo. A proporção é de 3 colheres de trigo para cada litro de água. Misture os ingredientes e leve ao fogo baixo até adquirir uma consistência de mingau. Depois de frio, pode ser usado.
5.º momento: outra carta do pirata
As crianças receberão outra carta do pirata com os seguintes desafios: quem corre mais rápido? Quem consegue se movimentar bem devagar? Quem salta longe? Enfim, o pirata convida as crianças para sua ilha com desafios diversos. Organiza-se uma tarde de jogos com as crianças nos moldes da que é apresentada no quinto episódio, com jogos, como: corrida do saco, do ovo/batata na colher, das três pernas, corrida comum, salto em altura, salto em distância, etc.
Os jogos podem acontecer numa sequência, sendo que as crianças podem ser desafiadas pelo pirata (um professor fantasiado) a cumprir cada tarefa. Também podem acontecer simultaneamente, caso haja outros adultos para organizar cada atividade. Dessa forma, as crianças circularão entre as diferentes opções apresentadas conforme o interesse delas. Essa etapa poderá durar um período inteiro (manhã ou tarde).
6.º momento: avaliação
Apresenta-se o quinto episódio “A Corrida do Ursinho” às crianças. Nesse momento, é preciso observar as relações que elas farão entre as atividades experimentadas no momento anterior e a história assistida. Observar se percebem ou levá-las a perceber que podemos ter mais facilidade com alguns temas, atividades, movimentos do que com outros. Perguntar de qual atividade gostaram mais, qual conseguiram realizar com mais facilidade, qual foi difícil de brincar. Mostrar que alguns podem ter mais facilidade para saltar, outros para correr, etc. Assim vão percebendo que são diferentes dos colegas em alguns aspectos e semelhantes em outros. Essa etapa poderá durar aproximadamente 30 minutos (entre assistir a história e avaliar a experiência).
Outras possibilidades
Com base no que foi apresentado nos episódios sobre transportes (o próprio corpo, barcos a vela, jangadas, avião), sugere-se trabalhar a questão da locomoção/mobilidade/meios de transporte. O episódio “Carro”, da mesma série, pode ser um interessante recurso para explorar um pouco mais a brincadeira com transportes. Esse episódio pode ser encontrado no link: http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=23. Com base nesse episódio, pode-se construir pistas, garagens, sinalizações e pequenos carros com sucata. Usando tecido resistente e caneta para tecido, pode-se construir uma grande pista de pano. Abra o tecido no chão e peça às
crianças que sentem em volta dele. Comece desenhando as estradas por toda a extensão do tecido. Depois, desenhe a escola, um hospital, vários lugares que as crianças descrevem no trajeto para a escola. As casas das crianças também podem ser desenhadas (dependendo da idade, pelas próprias crianças). As sucatas podem ser transformadas pela imaginação das crianças: potes plásticos e pequenas caixas podem ser usados como carros. Está pronta a brincadeira! Nessa pista, as crianças podem elaborar diferentes enredos, simulando o caminho de casa para a escola, uma visita ao colega, uma parada na padaria, etc.
13. AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE
O(A) professor(a) pode fotografar cada atividade em suas diferentes etapas e montar um mural apresentando a experiência realizada. Cada fotografia deve ser acompanhada de uma breve descrição. Além disso, é importante que se registre o objetivo da atividade, como as crianças reagiram e participaram. Logo abaixo do mural, pode-se expor por algum tempo a pista construída e os carrinhos para maior interação dos observadores (crianças, professores, familiares e funcionários).
14. DISCUSSÕES TEÓRICAS
Sobre a questão movimento na Educação Infantil, recomenda-se consultar o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Para uma compreensão mais aprofundada sobre a relação corpo, movimento e infância institucionalizada, sugere-se a leitura dos textos de Richter e Vaz (2005), Sayão (1999; 2002) e Vaz (2002).
De maneira geral, essas leituras promovem a compreensão de que o corpo é lugar de aprendizagem e expressão, nosso primeiro brinquedo. A imaginação projetada no corpo o transforma em brinquedo e o corpo torna-se
um lugar de materialização da imaginação. Na infância predomina uma espécie de experiência sensória (a experiência passa pelo corpo – realizada por ele e nele).
As experiências literárias e estéticas permitem que a criança experimente papéis e situações que, na realidade, não seriam possíveis. Dessa forma, permitem uma elaboração do mundo e dos sentimentos da criança. A imaginação é fundamental nesse contexto, por permitir um desvio momentâneo do real, numa tentativa de compreendê-lo e dominá-lo.
A construção de miniaturas ou cenários (como a pista de carrinhos, por exemplo) que permitam o desenrolar de enredos, em que as crianças simulam situações do mundo adulto, é fundamental para que elas possam experimentar diferentes papéis e situações necessárias para a construção de sua personalidade, para elaboração do pensamento.
15. SUGESTÕES DE LEITURA
BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Coordenação Geral de Educação Infantil. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, v. 1, 2 e 3. Brasília, 1998.
______. Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Resolução n. 5, de 17/12/2009.
FACCI, M. G. D. A periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva de Leontiev, Elkonin e Vigotski. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010132622004000100005&script=sci_ar ttext>. Acesso em: 31/10/2011.
RICHTER, Ana Cristina; VAZ, Alexandre Fernandez. Corpos, saberes e infância: um inventário para estudos sobre a educação do corpo em ambientes educacionais de 0 a 6 anos. Revista Brasileira de Ciência Do Esporte, Campinas, v. 26, n. 3, p. 79-93, maio. 2005.
SAYÃO, D. T. A disciplinarização do corpo na infância: Educação Física, psicomotricidade e trabalho pedagógico. In: SAYÃO, D. T.; MOTA, M. R. A.; MIRANDA, O. (Orgs.). Educação infantil em debate. Rio Grande: Edfurg, 1999. p. 43-59.
______. Infância prática de ensino de Educação Física e Educação Infantil. In: VAZ, A. F.; SAYÃO, D. T.; PINTO, F. M. (Orgs.). Educação do corpo e formação de professores: reflexões sobre a prática de ensino de Educação Física. Florianópolis: UFSC, 2002, p. 45-64.
VAZ, A. F. Ensino e formação de professores e professoras no campo das práticas corporais. In: VAZ, A. F.; SAYÃO, D. T.; PINTO, F. M. (Orgs.). Educação do corpo e formação de professores: reflexões sobre a prática de ensino de Educação Física. Florianópolis: UFSC, 2002, p. 85-110.
VIGOTSKI, L.S. Sobre a questão da dinâmica do caráter infantil. Revista da Faculdade de Educação, Brasília. v. 12, n. 23, p. 279-291, jul./dez., 2006. Disponível em: <www.fe.unb.br/linhascriticas/linhascriticas/n23/sobre_a.html>.
______. A brincadeira e seu papel no desenvolvimento psíquico da criança. Revista de Gestão de Iniciativas Sociais, Rio de Janeiro, n. 11, jun., 2008. Disponível em: <http://www.ltds.ufrj.br/gis/anteriores/rvgis11.pdf>. Acesso em: 31/10/2011.
______. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Ática, 2009.
16. REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Coordenação Geral de Educação Infantil. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, v. 1, 2 e 3. Brasília, 1998.
______. Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Resolução n. 5, de 17/12/2009.
FACCI, M. G. D. A periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva de Leontiev, Elkonin e Vigotski. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010132622004000100005&script=sci_ar ttext>. Acesso em: 31/10/2011.
VIGOTSKI, L.S. Imaginação e criação na infância. São Paulo: Ática, 2009.
17. CONSULTORIA Caroline Machado Momm