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Análise eletromiográfica de músculos peitoral maior e grande dorsal durante a execução do exercício pullover

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA JOÃO MANOEL JERÔNIMO JÚNIOR

ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DE MÚSCULOS PEITORAL MAIOR E GRANDE DORSAL DURANTE A EXECUÇÃO DO EXERCÍCIO PULLOVER

Palhoça 2011

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JOÃO MANOEL JERÔNIMO JÚNIOR

ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DOS MÚSCULOS PEITORAL MAIOR E GRANDE DORSAL DURANTE A EXECUÇÃO DO EXERCÍCIO PULLOVER

Relatório de Estágio apresentado ao Curso de Educação Física e Esporte da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Educação Física e Esporte.

Orientador: Profº. Juliano Dal Pupo, Msc.

Palhoça 2011

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JOÃO MANOEL JERONIMO JUNIOR

ANÁLISE ELETROMIOGRÁFICA DE MÚSCULOS PEITORAL MAIOR E GRANDE DORSAL DURANTE A EXECUÇÃO DO EXERCÍCIO PULLOVER

Este relatório de Estágio foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Educação Física e Esporte e aprovado em sua forma final pelo curso de Educação Física e Esporte da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Florianópolis, 20 de junho de 2011

______________________________________________________ Prof. Orientador Juliano Dal Pupo, Ms. UNISUL

______________________________________________________ Prof. Elinai dos Santos Freitas Schutz, Ms., UNISUL

_______________________________________________________ Prof. Rômulo de Brito, Ms., UNISUL

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RESUMO

Introdução. Para a correta prescrição dos ERP, faz-se necessário que o profissional

ligado à área de Educação Física tenha um entendimento tanto dos aspectos fisiológicos envolvidos com o treinamento físico, quanto à melhor mecânica corporal para a otimização da ativação muscular específica. Objetivo. Analisar a atividade EMG dos músculos Grande Dorsal (GD) e Peitoral Maior (PM) durante o exercício Pullover. Método. Para a realização deste estudo foram selecionados 08 indivíduos do sexo masculino praticantes de musculação, com idade média de 29,6 ± 15,9 anos, massa corporal média de 83,4 ± 7,9kg, estatura média de 1,76 ± 0,35 m e com 15% de gordura corporal. Todos indivíduos realizaram uma série de 5 repetições do exercício, sendo registrada a atividade EMG dos músculos PT e GD referente a 3ª repetição. Realizou-se EMG de superfície, utilizando o eletromiógrafo Miotool (Porto Alegre, Brasil). Os procedimentos para a coleta de dados (preparação da pele, colocação dos eletrodos) seguiram as recomendações da SENIAN. Os dados brutos foram tratados no software MAT LAB, sendo ao final do processo de tratamento expressos em valores RMS (Root Means Square), relativizados pelo pico máximo encontrado na 3ª repetição (%RMS). Utilizou-se o teste t pareado para comparar a atividade EMG (%RMS) do músculo PM com o GD, além da análise de variância (ANOVA) para comparar o %RMS a cada 10% do ciclo total de movimento (fase concêntrica + fase excêntrica). Resultados. De acordo com análise estatística, não foram encontradas diferenças significativas entre a atividade EMG (%RMS) do peitoral (33,74± 4,90) em relação com a do grande dorsal (35,78 ± 1,20). Não foi encontrada diferença também quando comparado %RMS a cada 10% do ciclo.

Conclusão. Com base nos resultados da pesquisa, os músculos Peitoral Maior e

Grande Dorsal não apresentam diferença na ativação EMG durante a execução do Pullover com Halter. Apesar do grande dorsal ser o músculo agonista do movimento, a forte ativação do peitoral maior pode ser em função da função estabilizadora ou pela falta de consciência corporal dos praticantes.

Palavras-chave: Biomecânica, Eletromiografia, Pullover, Treinamento

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ABSTRACT

The aim of this work is to analyze the EMG activity of latissimus dorsi muscle (LDM) and musculus pectoralis major (MPM) during the Pullover exercise. Method: for carrying out this study, 08 male bodybuilders were selected, average age between 29.6 ± 15,9 anos, average weight between 83,4 ± 7,9 kg, average height between 1,76 ± 0,35m and 15% body fat. All subjects performed a series of 5 repetitions of the exercise and the EMG activity of PT and LDM muscles was registered regarding the 3rd repetition. The surface EMG was carried out, by using the electromyograph Miotool (Porto Alegre, Brasil). The procedures for data collection (skin preparation, electrodes placement) followed SENIAN recommendation. The raw data was processed using the MAT LAB software and at the end of the process the values were expressed in RMS (Root Mean Square), relativized by the maximum peak found in the 3rd repetition. The paired test t was used to compare the EMG activity (%RMS) of the MPM muscle with the LDM one, besides the variance analysis (ANOVA) to compare the %RMS each 10% of the total movement cycle (concentric and eccentric phase). Results: According to the statistic analysis, there were no significant differences between the EMG (%RMS) of the pectoralis (33,74± 4,90) in comparison with the latissimus dorsi muscle ones. (35,78 ± 1,20). Moreover, there were no differences when it was compared at each 10% of the cycle. Conclusion: Based on the research results, musculus pectoralis major and latissimus dorsi muscles do not show differences when activating EMG during the practice of Pullover using Halter. In spite of the fact that latissimus dorsi muscle is the agonist of the movement, the strong activation of the musculus pectoralis major may exist due to the stabilizer function or the lack of body awareness of the subjects.

Keywords: Biomechanics, Electromyography, Pullover, resistance training with weights

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Exercício Pullover com halter... 20

Figura 2. Musculo Peitoral Maior... 21

Figura 3. Músculo Grande Dorsal... 22

Figura 4.Visualização do sujeito com eletrodos durante a coleta EMG... 32

Figura 5. Da esquerda para direita, ilustração do eletromiógrafo, cabo com pré-amplificador e eletrodos utilizados na coletas de dados... 33

Figura 6. Comparação da atividade eletromiografica dos músculos Peitoral Maior e Grande Dorsal durante o exercício Pullover... 35

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 8 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA ... 8 1.2OBJETIVOGERAL ... 9 1.3OBJETIVOSESPECÍFICOS ... 9 1.4JUSTIFICATIVA ... 9 2 REVISÃO DE LITERATURA ...12 2.1MUSCULAÇÃO ... 12

2.1.1TIPOS DE TREINAMENTO RESISTIDOS E SEUS DIFERENTES OBJETIVOS ... 13

2.1.2APARELHOS X PESOS LIVRES ... 16

2.1.3EXERCÍCIO PULLOVER ... 19

2.2ELETROMIOGRAFIA ... 22

2.3ESTUDOSREALIZADOSUTILIZANDOAEMGNOTRP ... 23

3 MÉTODO ...28

3.1CARACTERIZAÇÕESDAPESQUISA ... 28

3.2SUJEITOSDOESTUDO ... 28

3.3INSTRUMENTOSDEMEDIDA ... 29

3.4COLETASDEDADOS ... 29

3.5PROCEDIMENTOSDECOLETADEDADOS ... 29

3.5.1TESTE PARA DETERMINAÇÃO DA CARGA MÁXIMA ... 30

3.5.2AQUISIÇÃO DO SINAL EMG ... 30

3.5.3ANÁLISE E TRATAMENTO DO SINAL EMG ... 33

4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ...35

5. CONCLUSÃO E SUGESTÕES ...41

REFERÊNCIAS ...42

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1 INTRODUÇÃO

1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA

Nos últimos anos o número de praticantes de exercícios resistidos com pesos (ERP), também conhecidos como musculação ou treinamento com cargas, tornou-se um dos meios mais utilizados de exercícios, tanto para condicionamento de atletas como para melhorar a forma de não-atletas (FLECK, KRAEMER, 2007).

Para a correta prescrição dos ERP, faz-se necessário que o profissional ligado à área de Educação Física tenha um entendimento tanto dos aspectos fisiológicos envolvidos com o treinamento físico, quanto a melhor mecânica corporal para a otimização da ativação muscular específica. Assim, entra em cena a ciência do treinamento, que vem auxiliar no entendimento das variáveis do ERP, que por tanto tempo permaneceram dominadas pelo conhecimento empírico (CALHEIROS; CHARRO; MARCHETTI, 2007).

Os princípios do treinamento científico formam junto com a periodização os dois grandes fundamentos para um treinamento eficiente. Um dos princípios do treinamento é o da especificidade, que considera que o treinamento deve ser montado com base nos requisitos específicos do desempenho esportivo, levando em consideração a atuação dos sistemas energéticos e o padrão de movimento, que envolve o recrutamento muscular para determinado movimento (DANTAS, 2003).

Neste contexto está a biomecânica, um campo qualitativo e quantitativo de estudo do movimento humano (HAMILL,KNUTZEN 1999). A mesma pode analisar o movimento através de diversas perspectivas, como por exemplo, analisando as forças que agem sobre o sistema (cinética) a descrição cinemática do movimento ou ainda a atividade elétrica envolvida no gesto motor. A partir destas análises biomecânicas pode-se avaliar diferentes técnicas de execução de exercícios e sua eficiência em diferentes exercícios e equipamentos (NEUMANM, 2006).

Dentre os métodos de análise da biomecânica está a Eletromiografia (EMG). A EMG é um método capaz de determinar parâmetros biomecânicos internos do corpo humano, possibilitando uma análise mais precisa da ativação muscular

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durante o movimento, através da técnica experimental que envolve a gravação; desenvolvimento e analise do sinal mioelétrico emitidos por variações fisiológicas na membrana da fibra muscular (KONRAD, 2006)

Diversos são os estudos que procuraram determinar a ativação muscular em diferentes exercícios da musculação utilizando como ferramenta a EMG (GONÇALVES; MATOS, 2005; RUNGE, 2004; ROCHA Jr, et al, 2007). Contudo, a literatura especializada ainda apresenta algumas lacunas quanto ao grau de ativação muscular de alguns exercícios de musculação. Um deles que ainda é bastante discutido e que não existe consenso quanto à especificidade de recrutamento muscular é o exercício pullover.

Desta forma, elaborou-se o seguinte problema de pesquisa: “Quais músculos (Grande Dorsal ou Peitoral Maior), são mais ativados durante o exercício Pullover?”

1.2 OBJETIVO GERAL

Analisar a atividade EMG dos músculos Grande Dorsal e Peitoral Maior durante o exercício Pullover.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Identificar o valor RMS normailizado dos Músculos Grande Dorsal e Peitoral Maior nas fases concêntrica e excêntrica.

- Identificar e comparar o valor RMS dos Músculos Grande Dorsal e Peitoral Maior a cada 10% do ciclo do movimento.

1.4 JUSTIFICATIVA

Atualmente existem inúmeros aparelhos e maneiras de se realizar um exercício para um mesmo grupo muscular ou musculatura específica em uma sala

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de musculação; porém o conhecimento do por que escolher tal exercício, ou quais benefícios determinado exercício pode trazer a uma pessoa em relação aos seus objetivos, geralmente é determinada de forma empírica por muitos profissionais da área de musculação (SCHAEFER; RIES 2008). A seleção dos exercícios executados em equipamentos mecânicos ou com pesos livres é, em princípio, baseada na análise detalhada do movimento(s) articular (es) e da musculatura envolvida. No entanto, a parcela de contribuição de cada músculo para a realização dos diferentes exercícios, na maioria das vezes, não é clara e objetivamente conhecida, o que torna a análise de movimentos globais ainda mais subjetiva e capaz de comprometer a elaboração adequada de um programa de treino (MATHESON et al., 2001). Afirmação que pode ser mudada com a aplicação de conhecimentos biomecânicos e suas técnicas, como por exemplo, utilização da analise da eletromiográfia dos músculos em determinado movimento.

A eletromiografia constitui-se hoje, em uma ferramenta indispensável àqueles que se dedicam ao estudo da análise do movimento, embora com diferentes objetivos, como: avaliação das ações musculares, treinamento físico-desportivo, reabilitação ou controle motor. Assim, no que se refere ao estudo da função muscular, muito do que no passado era teoricamente preconizado em termos da participação muscular em um determinado gesto ou exercício apenas por cinestesia ou analise cinesiológica pode também ser verificado por meio da eletromiografia (GUIMARÃES, 2006).

A escolha do exercício Pullover como objetivo desta pesquisa é justificada pelo fato de que, dentre os exercícios executados na sala de musculação, é o que possui maior controvérsia quanto à participação dos músculos peitoral maior e latíssimo do dorso. Delavier (2010 e MONOCCHIA, 2009) são os autores que fazem uma descrição detalhada do exercício, da musculatura envolvida e técnica apropriada de execução. Temos que considerar, porém, que essa abordagem é simplesmente anatômica, o que limita tais informações, quando se tem por base o pressuposto de que existe uma forte dependência neural na ativação muscular (MARCHETTI, 2000).

Portanto, justifica-se a importância desta pesquisa, tendo em vista que há escassez de estudos científicos que corroborem com a área afim, e que diariamente nas academias o conhecimento aplicado para tal, ainda é o resultado de “tentativa e erro”, sem fundamentação científica.

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1.5 HIPÓTESE DO ESTUDO

H0: Não existe diferença significativa ENTRE a atividade EMG do grande dorsal E a atividade EMG do peitoral durante o exercício Pullover.

H1: a atividade EMG do grande dorsal é significativamente superior a do peitoral maior durante o exercício Pullover.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 MUSCULAÇÃO

A musculação foi definida como um meio de preparação física utilizada para o desenvolvimento das qualidades físicas relacionadas com as estruturas musculares (TUBINO, 1979). Já Barbanti (1990) afirma que musculação é um tipo de treinamento físico, onde se empregam progressivamente mais pesos para melhorar a forma física. No conceito de Bittencourt (1986), “Musculação ou exercício resistido é o conjunto de meios que visa o desenvolvimento e a manutenção de qualidades físicas relacionadas às estruturas músculo-articulares, podendo também reabilitá-las, bem como desenvolver a capacidade orgânica”. Para Godoy (1994), “a musculação pode ser conceituada como atividade física desenvolvida, predominantemente, através de exercícios analíticos, utilizando resistências progressivas fornecidas por recursos materiais tais como: halteres, barras, anilhas, aglomerados, módulos, extensores, peças lastradas, o próprio corpo e/ou seus segmentos”.

Godoy (1994) aponta ainda para quatro finalidades da musculação:

1. Competição: sendo realizado o Fisiculturismo, Levantamento Olímpico ou Potência.

2. Meio de preparação física: desenvolvimento das qualidades físicas relacionadas às estruturas neuromusculares.

3. Profilática: atua na prevenção dos desvios posturais e distúrbios funcionais oriundos de hipocinesias e lesões atléticas.

4. Terapêutica: atua na correção e estabilização dos desvios e disfunções orgânicas, reabilitações, etc.

5. Estética: tem ênfase no desenvolvimento e manutenção da estética corporal. Não existe uma data precisa de quando surgiram as primeiras manifestações de levantamento de pesos. A história da musculação é muito antiga existindo relatos que datam do início da história escrita afirmando a prática de exercícios com pesos. Em escavações na cidade de Olímpia foram encontraram

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pedras com entalhes para as mãos permitindo aos historiadores intuir a utilização destas em treinamentos com pesos. Há registros de jogos de arremessos de pedras através de gravuras em paredes de capelas funerárias do Egito antigo mostrando que há 4.500 anos os homens já levantavam pesos como forma de exercício físico (SILVA, 2008).

A história de Milon de Crotona, discípulo do matemático Pitágoras (500 à 580 a.C.), seis vezes vencedor dos Jogos Olímpicos, ilustra um dos métodos de treinamento mais antigos da humanidade, cujo princípio fundamental e utilizado até hoje, isto é, a evolução progressiva da carga. Milon treinava com um bezerro nas costas a fim de aumentar a força dos membros inferiores, e quanto mais pesado o bezerro ficava, mais sua força aumentava. Os relatos mostram que Milon foi um dos primeiros a se preocupar com a suplementação alimentar e que ele comia por dia 9 kg de carne, 9 kg de pão e 10 litros de vinho - gerando um total de 57 mil kcal. Ele também era capaz de matar um boi com as mãos e comê-lo sozinho. O nome da cidade de Milão é em sua homenagem. Diz a lenda que morreu devorado por lobos, pois ficou preso ao dar um golpe em uma árvore (SILVA, 2008).

Segundo (Silva 2008 apud Rodrigues 2001) as modalidades de treinamento que podem ser desenvolvidas em musculação (TRP), são os treinamentos isométricos e os treinamentos dinâmicos, podendo –se utilizar aparelhos mecânicos ou pesos livres

2.1.1 Tipos de treinamento resistidos e seus diferentes objetivos

O treinamento resistido com pesos (TRP) é uma das atividades físicas que mais se desenvolve em todo mundo. E utilizado para aprimorar vários aspectos da aptidão física. (COSSENZA,1992)

TRP ou treinamento contra resistência é um termo geralmente usado para descrever uma grande variedade de métodos e modalidades que aprimoram a força muscular. Apesar de ser utilizado como sinônimo de "treinamento com pesos", o treinamento contra resistência inclui também as resistências impostas através de

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hidráulica, elásticos, molas e isometria. Tecnicamente, o treinamento com pesos refere-se a levantamento de pesos (anilhas, lastros ou placas de pesos) existente em alguns aparelhos ou implementos. (COSSENZA,1992)

Dentro dessa variedade de métodos existem os tipos treinamentos isométrico e dinâmico.

O termo treinamento isométrico significa que o músculo vai tensionar sempre no "mesmo comprimento". Esse tipo de contração muscular produz aumento de tensão, porém não há alteração no comprimento do músculo. Os aumentos de força induzidos por esta modalidade de treinamento são específicos ao ângulo articular exigido (RODRIGUES, 1979). Por este motivo, quando se deseja aumentar força em toda a amplitude articular, o treinamento deverá ser feito em vários ângulos.

O treinamento isométrico é considerado o que proporciona a contração máxima. A resistência oposicional é tão elevada que se equivale à capacidade máxima de recrutamento de fibras e conseqüentemente de um músculo, em condições normais, de gerar força (RODRIGUES, 1979).

Já o treinamento de resistência dinâmica compreende a contração concêntrica, contrações excêntricas ou ambas. A contração concêntrica é aquela em que se observa o encurtamento da musculatura e o seu ganho de tensão. A contração excêntrica é quando se observa o ganho de tensão ao mesmo tempo em que o músculo se alonga. A maioria dos movimentos apresenta a combinação das contrações excêntricas e concêntricas.(FLACK; KRAEMER, 1999).

Dentro do TRP, pode-se realizar diversos tipos de treinos com diferentes objetivos. Para isso, basta manipular as variáveis de volume e intensidade. O volume de treinamento com pesos é igual à carga de trabalho total. Este é diretamente proporcional ao custo calórico total do treinamento. O volume do treinamento pode ser manipulado modificando as seguintes variáveis:

1. - Número total de exercícios;

2. - Número de exercícios por grupo muscular; 3. - Número de séries;

4. - Número de repetições por exercício;

5. -.Tempo total de treino (FLACK; KRAEMER, 1999).

Já a intensidade refere-se à qualidade do treino, ou ainda, à carga de treinamento. A intensidade pode ser manipulada modificando as seguintes variáveis:

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- Quiilagem;

- Velocidade do movimento;

- Tempo de intervalo entre as séries; - Tempo de intervalo entre os exercícios; - Sequência dos exercícios;

- Amplitude de movimento (FLACK; KRAEMER, 1999)

Dentre os tipos de TRP mais utilizados em academias destacam-se a hipertrofia, força máxima, resistência muscular localizada (RML) e potência muscular. Cada um com ajustes diferentes entre o volume e a intensidade. (FLECK;KRAEMER 1999).

No treinamento de hipertrofia, o objetivo é induzir o aumento da secção transversa do músculo através da exaustão muscular, proporcionando a auteração da proporção corporal. Os treinos para hipertrofia caracterizam-se por um volume alto; número de repetições moderado; número de séries alto e os intervalos entre 40 segundos e 1 minuto. A ordem dos exercícios na sessão de treino respeita o trabalho com grandes grupos seguidos de pequenos grupos musculares. (FLECK;KRAEMER, 1999)

Força máxima é a maior força produzida para vencer uma resistência ou carga. Cargas que são relacionadas muito próximas a 1RM do praticante. O treino de força máxima tem como objetivo aumentar a densidade muscular pela síntese de proteína miofibrilar. O treino é caracterizado por volume baixo, cargas altas, poucas repetições e número de série moderado. O intervalo neste tipo de treinamento vai de 3 a 5 minutos. A ordem dos exercícios na secção de treino segue o mesmo padrão dos treinamentos de hipertrofia. (FLECK;KRAEMER, 1999)

A RML é o número máximo de repetições por série que se pode executar com uma determinada carga, usando-se a técnica correta. (KRAEMER 1999). Neste tipo de treinamento pode-se fixar o tempo de execução do exercício e variar o número de repetições ou fixar o número de repetições do exercício e variar o tempo.

Potência é a velocidade em que se desempenha o trabalho. A potencia durante uma repetição pode ser aumentada levantando-se o mesmo peso à mesma distancia vertical em período menor de tempo. O objetivo neste tipo de treinamento é aumentar a velocidade do movimento esportivo contra dada resistência. O volume é baixo, cargas intermediárias. O intervalo vão de 20 a 30 segundos entre as séries. (FLECK;KRAEMER 1999).

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Chiesa (2002), descreve o treinamento resistido do ponto de vista da associação de meios, sistemas e formas de execução com os métodos de treinamento de força. Organizando os exercícios de forma ordenada, em séries ou sequências e classificados em método de treinamento método estático, dinâmico e mistos ou combinados.

Dentro desta classificação os métodos de treinamento podem ser relacionados como: 1. Estático-isómetrico. 2. Misto ou combinado-auxotônico. 3. Dinâmico-isotônico ou alodinâmico-isocinético. 4. Dinâmico-concêntrico/positivo; 5. Dinâmico-exêntrico/negativo; 6. Dinâmico-combinado(excêntrico/concêntrico) reversível.

Na mesma obra, o autor chama a atenção para o método de classificação com base no grau de esforço (sobrecarga) e a intrínseca relação com o nível de exaustão que pode atingir sobre o sistema muscular. Método que é baseado na proposta de Zatsiorsky(1999):

1. Método de esforço máximo. 2. Método de esforço submáximo. 3. Método de esfroço dinâmico. 4. método de esforço repetido.

2.1.2 Aparelhos x pesos livres

Para o TRP existem duas formas comuns de realizar o treino: utilizando equipamentos/máquinas ou pesos livres.

Podem ser encontradas diferentes formas de aparelhos em academias de musculação. Os aparelhos com sistemas de polias de raio invariável, devido ao seu mecanismo, produzem resistência dinâmica invariável, sendo o tipo de resistência encontrada na maioria dos aparelhos de musculação. (RODRIGUES, 2001). Aparelhos com polia excêntrica, que apresentam diferentes medidas do ponto de

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giro à borda, promovem resistência dinâmica variável. "Esta resistência sofre modificação no peso durante todo o movimento, estando esta modificação diretamente relacionada ao ângulo em que se encontra a articulação”. NELSON BITTENCOURT(1985). Assim sendo, proporciona esforço máximo de cada diferencial do arco do movimento articular completo (HEGEDUS, 1974).

Encontra-se ainda os aparelhos com o uso de um braço de alavanca munido de pesos que pendem livremente. Estes aparelhos oferecem uma resistência progressiva, onde na fase concêntrica do movimento, se observa um acréscimo progressivo de resistência e uma redução na fase excêntrica. Esta forma de resistência é encontrada nas estações do supino, legpress e desenvolvimento, para ao final da fase concêntrica, próxima a posição de apoio articular, obter-se um aumento de resistência, diminuindo assim, a perda da tensão a nível muscular. Com a diminuição do braço de alavanca ao final da fase concêntrica, se obtém um aumento da capacidade relativa de peso sem aumento absoluto do mesmo (RODRIGUES 1979).

Os aparelhos isocinéticos, comuns nas rotinas de TRP, são utilizado amplamente no campo da reabilitação músculo-articular.

A resistência isocinética propicia na contração concêntrica, uma resistência proporcional à força do movimento em execução, com velocidade constante. O ângulo em que se encontra a articulação interfere diretamente na resultante de força (RODRIGUES, 2001).

Por outro lado, tem-se os pesos livres, que consistem de halteres, anilhas e lastros, com o equipamento acessório representado por bancos e cavaletes. O que caracteriza os pesos livres é a versatilidade. Os exercícios podem ser criados com múltiplas variações. O período de aprendizado dos exercícios com pesos livres são normalmente superiores aos exigidos para os exercícios realizados em aparelhos, pois exige maior habilidade. Os exercícios envolvem uma maior massa muscular e maior controle de movimento. Tanto os aparelhos quanto os pesos livres apresentam vantagens e desvantagens. A escolha do recurso material a ser adquirido para o treinamento contra resistência é uma questão de prioridade e de considerações custo-benefício, (RODRIGUES, 2001).

Na obra de Campos (2000) os tipos de aparelhos/dispositivos usados para Treinamento Resistidos com Pesos foram classificados em seis diferentes tipos:

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a) Aparelhos com dispositivos de resistência constante; b) Aparelhos com dispositivos de gravidade dependentes; c) Aparelhos com dispositivos de resistência variável; d) Aparelhos com dispositivos isocinéticos;

e) Aparelhos com dispositivos assistidos por computador; f) Aparelhos com dispositivos elástico-resistidos.

Dentre estes seis tipos citados, os aparelhos assistidos por computador e os aparelhos elásticos resistidos, recentemente, estão ganhando espaço nas academias e ginásios de treinamento. Campos(2002)

Mesmo não sendo o tipo de equipamento comum em todas as academias, os aparelhos assistidos por computador, são certamente, os que cumprem com o maior número de ajustes nas variáveis de uma sessão de treinamento resistido. Campos(2002).

Campos (2002) descreveu que durante o curso de uma repetição, o computador adapta a resistência à curva de força do executante, alterando a resistência de acordo com a curva. Alem disso, os dispositivos computadorizados podem ser ajustados na velocidade, potência, aceleração, desaceleração e amplitude de movimento. Serve também, ao propósito de armazenamento do volume de treinamento, gravando os dados do trabalho semanal, mensal, número de repetições e séries realizados. Informações importantíssimas para a elaboração da periodização do treinamento.

O uso de dispositivos Elásticos-resistidos representa um grupo de implementos que, junto com a bola suíça, o disco inflável e o bosu, são utilizados para aumentar o grau de dificuldade de alguns exercícios utilizando muitas vezes o próprio peso coporal. Campos(2002)

O autor descreve que estes dispositivos apresentam limitações:

1. O aumento da resistência acontece no final da amplitude articular, quando a capacidade de produção de força do sistema muscular diminui.

2. Os aparelhos que utilizam estes didpositivos são limitados quanto ao número de elásticos, podem ser fixados no aparelho e/ou quanto à variação de espessura dos elásticos utilizados (elásticos mais espessos proporcionam maior resistência).

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Em relação ao treinamento com pesos livres, o referido autor caracteriza como de resistência constante, e aponta para as limitações desse treinamento. Como o peso livre depende diretamente da ação da gravidade, que só atua no sentido vertical, o corpo é que deve ser posicionado de diferentes maneiras, para que haja força motiva do músculo no sentido vertical. Sendo assim, os músculos que realizam movimentos no plano horizontal não são favorecidos com esse tipo de treinamento (CAMPOS, 2002).

2.1.3 Exercício Pullover

Figura1: Ilustração do Exercício Pullover.

Fonte:Delavier.Guia dos movimentos de musculação(2010)

O exercício Pullover é um forma de TRP utilizado para os diferentes objetivos dos indivíduos. O mesmo é realizado deitado sobre um banco, pés apoiados contra o solo, um halter segurado pelas duas mãos, cotovelos semiflexionados, discos repousando sobre as palmas, polegar e indicador circundando a barra. Inspirar e descer o halter atrás da cabeça. Flexionando ligeiramente os cotovelos; expirar ao retornar à posição inicial. Este exercício desenvolve o volume da caixa torácica. Com cargas leves, ele aumenta a cavidade das costelas (DELAVIER,2010).

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Os músculos que trabalham na execução movimento são: Peitoral Maior (Pectoralis Major), Grande Dorsal (Latíssimus Dorsi), Peitoral Menor (Pectoralis Minor), Serratiu Anterior (Serratus) e Romboides (Rhomboids). Tendo estes três últimos músculos como estabilizadores da escápula para que o úmero se mova em base estável. (DELAVIER, 2010).

De acordo com a literatura, os dois principais músculos que estariam envolvidos com o movimento são:

a) Peitoral maior (Pectoralis Major)

Figura 2:Ilustração do Músculo Peitoral Maior.

Fonte:Ebescos/smart image/ aula de anatomia.com.br (2011)

É encontrado na metade superior da superfície da parede torácica. Ele é um grosso músculo triangular com partes clavicular e esternocostal, as quais podem ser separados por um sulgo, embora usualmente sejam contínuas umas com as outras. No seu caminho até o úmero, as fibras do peitoral maior em torção formam a dobra anterior da axila. (NIGEL et al ;2008)

Ação muscular: trabalhar como adutor e rotador medial do úmero na articulação do ombro. (NIGEL et al ;2008)

Atividade funcional: é um dos principais músculos da ascensão, de modo que, se os braços forem fixados acima da cabeça, o poderio desde maciço músculo pode ser usado para tracionar o tronco para cima. Ele é ajudado nesta atividade pelo grande dorsal. Em movimentos de dar socos e arremessar, o peitoral maior atual

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para mover o úmero para frente com força, enquanto o serrátil anterior e o peitoral menor simultaneamente protraem a cintura peitoral. (NIGEL et al ;2008)

b) Grande Dorsal (Latissimus Dorsi)

Figura3:Ilustração do Músculo Grande Dorsal.

Fonte:Ebesco/smart image/auladeanatomia.com.br(2011)

O grande dorsal é uma grande lamina triangular achatada de músculo que corre entre o tronco, por fixação extensa, e fixa ao úmero por um tendão estreito. Conseqüentemente, ele atua sobre a articulação do ombro. (NIGEL et al; 2008)

Ação muscular: o grande dorsal é um forte extensor do braço flexionado; contudo, se o úmero estiver fixado em relação à escápula, ele retrairá a cintura peitoral. Também é um forte adutor e rotador medial do úmero na articulação do ombro.

Atividade funcional: o grande dorsal é um músculo de ascensão e com os braços fixados acima da cabeça é capaz de elevar o tronco em conjunto com o peitoral maior. Tem uma função importante no remo e durante o movimento para baixo na natação.(NIGUEL et al, 2008).

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2.2 ELETROMIOGRAFIA

Muitos são os autores e obras que abordam e definem o que é Eletromiografia. Para Kleissen, et al (1998), “é o método capaz de identificar a passagem do impulso nervoso para o sistema muscular; é a leitura da diferença de potencial que o potencial de ação criou na junção mioneural”.

E em sua contribuição, Kottle e Lehman (1994) descreveram eletromiografia como um estudo dos registros elétricos de uma parte ou de toda a unidade motora. Já Nigg e Herzog (1994), com uma abordagem mais fisiológica, conceituam EMG como a soma espacial e temporal dos potenciais de ação das unidades motoras durante a contração muscular, mensurada por eletrodos específicos.

Galvani, cientista Italiano do século XVIII, fez duas descobertas interessantes à cerca do músculo esquelético: que desenvolve tensão quando estimulado eletricamente e produz corrente ou voltagem identificável quando desenvolve tensão, até mesmo quando o estímulo é o impulso nervoso (HALL, 2003).

Eletromiografia (EMG) é uma técnica de monitoramento da atividade elétrica das células excitáveis, representando a medida dos potenciais de ação do sarcolema (no caso de músculos), como efeito de voltagem em função do tempo. O sinal EMG é a somação algébrica de todos os sinais (vários sarcolemas) detectados em certa área, podendo ser afetado por propriedades musculares, anatômicas e fisiológicas, assim como pelo controle do sistema nervoso periférico e a instrumentação utilizada para a aquisição dos sinais (ENOKA, 2006).

Na Eletromiografia (EMG) para a análise do movimento humano, o registro da atividade elétrica do músculo acontece por meio da monitoração do sinal mioelétrico captado por eletrodos que podem ser intramusculares ou de superfície, este último considerado o mais adequado para os estudos cinesiológicos, principalmente durante a realização de um determinado movimento (DE LUCA, 1997).

A Eletromiografia é usada para o estudo da função neuromuscular, incluindo a identificação dos músculos que desenvolvem tensão durante um

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movimento e que movimentos exigem mais ou menos tensão de determinados músculos ou grupo muscular (HALL, 2003).

Além de sua aplicabilidade básica em estudos fisiológicos e biomecânicos, a eletromiografia se estabeleceu como instrumento revolucionário nas pesquisas aplicadas nos campos fisioterapia, reabilitação, treinamento esportivo e a interação do corpo humano à ergonomia de equipamentos.(KONRAD, 2005).

A exemplo de suas aplicações, na área médica, a EMG dos músculos auxilia nas tomadas de decisões pré e pós-cirúrgicas; na ciência do esporte, permite a analise da musculatura nas atividades esportivas, verificando a resposta muscular ao treinamento de força; na analise ergonômica, a EMG detecta a resposta muscular em determinadas angulações de equipamentos e sua funcionalidade. (KONRAD, 2005).

2.3 ESTUDOS REALIZADOS UTILIZANDO A EMG NO TRP

Diversos estudos foram realizados utilizando a EMG como ferramenta para responder inquietações ou dúvidas sobre o recrutamento muscular nos diversos exercícios de musculação.

Como exemplo pode-se citar Gonçalves e Matos (2005), os quais objetivaram verificar se existia diferença nos padrões de ativação muscular do tríceps braquial durante a realização do exercício tríceps rosca no pulley alto na posição pronada e supina. A pesquisa foi composta por quatro homens com idade entre 23 e 42 anos, saudáveis, todos experientes na prática de exercício tríceps braquial no pulley alto, há pelo um ano com freqüência semanal de no mínimo três vezes por semana.

O estudo revelou não haver diferença na ativação das porções dos músculos tríceps braquial na execução do exercício tríceps rosca no pulley alto; entretanto parte da amostra apresentou diferença nos padrões de EMGs coletadas dos músculos flexores e extensores do punho.

No estudo de Runge (2005), foram analisados os padrões de ativação da musculatura peitoral maior durante a execução dos exercícios peito supino barra, supino máquina e peito supino com halter. O autor verificou que havia diferença

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significativa para uma maior ativação dessa musculatura nos exercícios com peso livre e com barra.

Com utilização da mesma técnica (Rocha Jr, et al. 2007), avaliaram a atividade eletromiográfica da musculatura do peitoral maior, deltóide anterior e tríceps braquial durante o exercício supino reto e crucifixo. Como resultado, observaram que os músculos peitoral maior e deltóides anterior foram igualmente recrutados nos exercícios supinos reto e crucifixos, contrariando a idéia que exercícios uniarticulares promovam maior atividade dos motores primários devido ao isolamento.

Gonçalves et al (1992), estudaram a quantificação EMG entre os músculos bíceps da coxa (cabeça longa), semitendíneo e gastrocnêmio (lateral) no ERP flexão de joelho em diferentes posturas: de pé e em decúbito ventral (o estudo não mostra as curvas ou amplitudes do eletromiograma). Foram utilizados oito homens jovens saudáveis que utilizaram uma carga relativa de 50% de 1RM nos seguintes exercícios: flexão de joelho em pé e em decúbito ventral. Para a quantificação dos dados EMG foram utilizados eletrodos de superfície e para o controle do movimento de flexão do joelho foi o exercício foi realizado com e sem administração de carga através de uma “bota de ferro”. Os resultados foram analisados referentes aos valores eficazes (RMS) obtidos durante a amplitude total de movimento. Os autores concluem que o músculo semitendíneo apresentou atividade predominante em todos os movimentos com e sem administração de carga durante a amplitude abaixo de 45º na flexão de joelho em pé. A porção longa do bíceps da coxa apresentou sua maior atividade durante o movimento de flexão em pé com carga e acima de 45º. A mesma situação, porém sem carga, ocorreu com o gastrocnêmio. No movimento de flexão do joelho em decúbito ventral acima de 45º todos os músculos tiveram suas atividades reduzidas e no movimento realizado em pé, com ou sem carga, todos os músculos apresentaram ação predominante acima de 45º.

Guimarães e Crescente (1984) estudaram, através da EMG, a atividade do músculo reto femoral e das regiões supra e infra-umbilical do músculo reto abdominal, em 11 exercícios abdominais os quais foram executados por cinco jovens estudantes. Foi utilizada EMG de superfície e para análise dos sinais, parâmetros a partir da amplitude dos sinais. A cadência dos exercícios foi controlada por um metrônomo. Os sinais evidenciaram uma menor atividade do

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músculo reto femoral para os exercícios em que as pernas repousavam sobre uma cadeira e uma maior ativação deste músculo quando o exercício era realizado em prancha inclinada. Finalizando, os autores chamam a atenção dos resultados, neste estudo, não se mostraram consistentes, sugerindo que diferentes indivíduos podem executar um mesmo exercício com diferente predominância dos músculos envolvidos.

Recentemente Silva (2008), analisou a biomecânica do exercício Puxada Alta utilizando dois diferentes aparelhos de musculação: aparelho articulado versus aparelho de polia fixa. Foram utilizados dinamômetro e eletromiógrafo para a verificar a resistência e atividade muscular gerada pelos aparelhos durante o exercício. Os resultados deste estudo indicaram haver diferenças significativas para o padrão de movimento das articulações do ombro e cotovelo entre os aparelhos. Igualmente, existe diferença significativa de variação da carga entre os dois aparelhos e, a magnitude da carga também é diferente entre os dois aparelhos. Ainda, existe diferença funcional na tração da carga pelos sujeitos considerando o tipo de aparelho, sendo que no aparelho articulado os sujeitos tracionaram significativamente mais carga absoluta do que no aparelho de polia fixa. No entanto, as características de ativação muscular foram semelhantes em ambos os aparelhos e, não houve diferença de ativação muscular entre os aparelhos testados, para a musculatura do Grande Dorsal. Porém, esta diferença ocorreu para a musculatura do Bíceps Braquial. Finalmente, encontrou-se uma relação causal entre a ativação muscular e a carga oferecida ao praticante para o aparelho articulado.

Schaefe e Ries (2010), com o objetivo de avaliar padrões de ativação muscular da cadeia posterior de coxa durante a execução de flexão do joelho nos aparelhos mesa e cadeira flexora, utilizaram a eletromiografia e concluíram que há uma maior ativação muscular dos ísquios tibiais durante os exercícios realizados na mesa flexora, sugerindo que este equipamento seja o mais eficiente para os treinamentos que visam ganho de força e hipertrofia muscular.

Anteriormente na pesquisa sobre Supino plano com Halters, Silva et al (2001) analisou eletromiograficamente os músculos peitoral maior parte esternocostal (PME) e parte clavicular (PMC), deltóide fibras anteriores (DA) e tríceps do braço cabeça longa (TBL) em 11 voluntários do sexo Masculino para verificar o comportamento dos músculos nas fases concêntrica e excêntrica.

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Baseando-se na análise dos parâmetros eletromiográficos, os pesquisadores concluíram que neste exercício em ambas fases do movimento o músculo mais ativo é o PMC, sendo que todos os músculos analisados são mais ativos na fase concêntrica.

No estudo de Barbosa e Gonçalves (2002) a análise do coeficiente de variação do sinal eletromiográfico dos músculos peitoral maior, deltóide fibras anteriores e tríceps do braço cabeça longa no desenvolvimento em banco fechado analisa os coeficientes de variação (C.V.) intrasujeito e intersujeitos, da atividade eletromiográfica dos músculos peitoral maior parte esternocostal (PME), peitoral maior parte clavicular (PMC), deltóide fibras anteriores (DA) e tríceps do braço cabeça longa (TBL) durante o exercício denominado desenvolvimento em banco fechado. Onde participaram 8 voluntários do sexo masculino, treinados em musculação foram analisadas as fases de descida e subida do movimento. A partir dos resultados, concluiu-se que o músculo PME é aquele que apresenta menor variabilidade intrasujeito na fase de descida e o músculo TBL na fase de subida. Na análise intersujeitos, o músculo PME é aquele que apresenta o menor C.V. nas fases de descida e subida.

Rocha Jr et al (2007), compararam a ativação eletromigráfica do peitoral maior, deltoide anterior e triceps braquial durante os exercícios supino reto e crucifixo na máquina. Com base nos dados da pesquisa, as atividades EMG dos músculos Peitoral Maior, Deltóide Anterior e Tríceps Braquial foram avaliadas durante a realização de 10 repetições máximas no CR e SP em 13 homens treinados. Os resultados não revelaram diferenças na atividade do PM e DA entreos exercícios. A atividade do TB foi maior na realização do SP em comparação com o CR. Durante o SP, a atividade do PM foi maior em relação ao TB, sem diferenças entre PM e DA ou DA e TB. No CR, a atividade do PM e a do DA foram maiores em relação ao TB, sem diferenças entre DA e PM. Portanto, concluíram, caso o objetivo seja promover estímulos para esses músculos, ambos os exercícios podem ser usados, dependendo da disponibilidade de materiais e/ou da especificidade da atividade motora na qual se procura melhorar a performance.

Brennencke et al (2007), no estudo dos parâmetros cinemáticos e eletromiográficos do exercício crucifixo horizontal, analisaram os padrões temporais e de intensidade de ação dos músculos Peitoral Maior, Deltóide Anterior e Tríceps Braquial. Com base nos dados encontrados, os autores chegaram aos seguintes

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resultados: que o TB obteve uma intensidade de ativação muito menor em relação ao PM e o DA, pelo fato de está associado apenas a flexão do cotovelo exigida no movimento do crucifixo; e que o PM e o DA apresentaram expressiva intensidade de ativação. Justificando assim, a inclusão do exercício crucifixo com haters para o desenvolvimento do PM e DA.

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3 MÉTODO

3.1 CARACTERIZAÇÕES DA PESQUISA

Segundo Gil (2007), pesquisa é o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos.

Esta pesquisa é caracterizada, quanto à natureza, como aplicada, visto que o objetivo é gerar conhecimentos para aplicações práticas e dirigidos a soluções de problemas. Quanto a abordagem do problema, a presente pesquisa é caracterizada como quantitativa, pois os resultados são traduzidos em números. Quanto aos objetivos, pode-se considerar a pesquisa atual como descritiva, e em relação aos procedimentos técnicos, como empírica (MINATO, 2011).

3.2 SUJEITOS DO ESTUDO

Para a realização deste estudo foram selecionados 08 indivíduos do sexo masculino praticantes de musculação, com idade média de 29,6 ± 15,9 anos, massa corporal média de 83,4 ± 7,9 kg, estatura média de 1,76 ± 0,35 m e com 13 ± 28% de gordura corporal. Os sujeitos foram convidados a participar da pesquisa e a adesão à mesmafoi por voluntariado.

Os critérios de inclusão dos sujeitos foram: ter experiência com treinamento de força a no mínimo dois anos e possuir em sua rotina de treino o exercício Pullover. Critérios de exclusão: ter realizado exercício físico nas últimas 24 horas; antecedentes de lesões músculo-esquelético, dor, trauma e/ou cirurgia nos membros superiores; apresentar tecido adiposo subcutâneo que interfira na coleta eletromiográfica (foi adotado %G > 15%).

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3.3 INSTRUMENTOS DE MEDIDA

Para a realização das coletas de dados foram utilizados os seguintes instrumentos/equipamentos:

- Teste de 1-RM ( MOURA et al., 1997) - Banco de supino, Halter de musculação

- Plicômetro (sensibilidade de 1mm/ SlimGuide)

- Aparelho para aquisição eletromiográfica Miotool 400 (Miotec®,Porto Alegre, RS)

- Balança analógica (Toledo®, São Bernado do Campo, São Paulo) - Estadiômetro

3.4 COLETAS DE DADOS

Inicialmente, o projeto foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP). Após aprovação, foi iniciada a seleção dos sujeitos que participaram do estudo. Antes da coleta, foram explicados os procedimentos e objetivos da pesquisa para então os sujeitos assinarem o TCLE.

A coleta de dados propriamente foi realizada em dois períodos. No primeiro foi realizado um teste de 1-RM para determinação da carga máxima no exercício Pullover. No segundo foi realizada a coleta do sinal EMG durante a realização do referido exercício, com uma carga de 75% de 1-RM.

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3.5.1 Teste para determinação da carga máxima

Para realização da pesquisa, os participantes realizaram o teste de 1RM. O 1RM serve para determinar o valor referente a 100% de força para grupos musculares específicos a partir de um esforço máximo. O protocolo utilizado para realização do teste foi o proposto por Moura et al ( 1997).

Após a explicação do protocolo do teste, os participantes fizeram um aquecimento prévio e foi demonstrada a execução correta do exercício.

O teste foi constituído de três etapas:

1. Determinação da carga inicial do teste com base na carga utilizada nos treinos pelos participantes.

2. Tentativas de superação da carga, que foi avaliada pela execução correta de duas repetições completas do movimento. Os intervalos aconteceram de forma progressiva de 1 a 5 minutos respectivamente com a intensidade da carga, até que o participante não conseguisse efetuar o completo movimento dentro da mesma tentativa.

3. A carga máxima foi determinada quando o participante não conseguiu executar sua segunda repetição correta com a carga estipulada.

3.5.2 Aquisição do sinal EMG

O procedimento experimental compreendeu a análise da atividade EMG do músculo peitoral maior (PM) e grande dorsal (GD) durante a execução do exercício Pullover com halteres na posição de decúbito dorsal utilizando uma carga de 75% de 1RM. O sinal EMG foi coletado durante a terceira repetição do Pull Over. Para a normalização do ritmo de execução do exercício foi determinado a um compasso de 105bpm.

Antes de iniciar os testes, foi realizado um curto período de treino para aquecimento e orientar melhor o voluntário nas atividades propostas, e na aquisição do sentido cinestésico, para melhor controlar a velocidade de execução.

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Foram realizados os procedimentos para preparação da pele e colocação dos eletrodos. A atividade elétrica dos músculos PM e GD foram detectadas usando eletrodos de superfície, com distância entre eletrodos de 3 cm, conectados a pré-amplificadores modelo PA 1010-VA (Figura 2) com ganho de 20 vezes. Para registrar o sinal eletromiográfico foi diminuída a impedância elétrica da pele, limpando o local com algodão hidrofílico embebido em solução alcoólica a 70% para remover gorduras e impurezas e raspando-se o local da colocação dos eletrodos.

A localização dos eletrodos foi determinada respeitando as recomendações SENIAM (European Recommendations for Surface Electromyography). O eletrodo terra (referência) foi colocado em um acidente ósseo, sem ativação elétrica, conforme os padrões de recomendação.

Após a colocação dos eletrodos, os voluntários foram posicionados em decúbito dorsal no banco de supino Tecnoflex. O apoio dos pés ocorreu em função do posicionamento da coluna lombar do executante (facilitando para que esta não perdesse o contato com banco durante a execução do exercício), em um suporte na altura do banco. Os sujeitos realizaram o exercício Pullover na posição inicial, os braços paralelos entre si e perpendiculares ao corpo, com os cotovelos flexionados. Realizaram a flexão excêntrica e a extensão concêntrica de ombros. Lembrados que Deviam evitar perder a ação eficiente das forças externas para os músculos em questão, ou seja, iniciar a repetição antes que os braços atingissem a posição perpendicular ao tronco (CALHEIROS; CHARRO; MARCHETTI, 2007).

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Figura 4. Visualização do sujeito com eletrodos durante a coleta EMG. Fonte: Elaboração dos autores, 2011.

Os sinais EMG foram coletados por meio do Eletromiógrafo Miotool USB da empresa Miotec, (FIGURA 2) e com placa conversora analógico/digital de 14 bits de resolução para uma taxa de aquisição de 2000 Hz. A mínima Relação de Rejeição de Modo Comum foi de 110 dB. O tempo de coleta foi relativo a cinco repetições do exercício.

Figura 5. Da esquerda para direita, ilustração do eletromiógrafo, cabo com pré-amplificador e eletrodos utilizados na coletas de dados.

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3.5.3 Análise e Tratamento do sinal EMG

Inicialmente os dados brutos foram coletados no software Miografh 2.0. Um filtro digital com passa banda entre 20 e 500hz foi utilizado para eliminar interferências e ruídos de alta e baixa freqüência. Em seguida, foi recortado o sinal referente da 3ª terceira repetição realizada e este sinal foi convertido em valores de RMS (Root Median Square – raiz quadrática média), que é um valor médio de todos os picos obtidos no sinal (KONRAD, 2005). Posteriormente, os valores foram normalizados com base na referência do maior valor do RMS através do software MAT LAB®.

Este processamento acima descrito foi realizado no software MATLAB. Para isso os dados foram exportados do software Miografh na extensão “. txt”. Foram utilizadas rotinas com a linguagem do MAT LAB®, escrita na seguinte sequência:

1. Filtragem de todo sinal EMG com filtro do tipo butterworth com freqüência mínima de 10hz e máxima de 500hz.

2. Foi recortado e aproveitado o sinal de interesse, tendo em vista que foi gravada só a terceira repetição do movimento.

3. Foi calculado o envelope de RMS no trecho recortado com janelas de 40 mile segundos. Para isso cada valor de RMS foi elevado ao quadrado e posteriormente feito uma média de cada 40 mile segundos (mais ou menos 80 pontos). O valor RMS absoluto foi à raiz quadrada da média de todos os pontos da curva.

4. Para a normalização deste valor (%RMS), o mesmo foi multiplicado por 100 e dividido pela raiz quadrada do maior valor encontrado durante a contração.

Alem disso, a fim de comparar a atividade EMG ao longo do ciclo do movimento (trechos de 10%-1500 pontos), realizou-se uma interpolação / extrapolação dos dados da terceira repetição de cada sujeito para 15000 pontos, utilizando o software Origin 6.0 Professional.

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3.6 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados foram apresentados por meio da estatística descritiva, como média e desvio-padrão e coeficiente de variação. Posteriormente, para comparar o sinal RMS do PT com o GD foi realizado o teste t para dados pareados. Alem disso, realizou-se uma análise de variância (ANOVA) para comparar a atividade EMG a cada 10% do movimento.

Foi utilizado para análise o pacote estatístico SSPS e, para todos os procedimentos, será adotado o nível de significância de 5% (p<0.05).

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4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

A figura 1 apresenta os valores da atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos peitoral maior e grande dorsal durante a execução do exercício Pullover. De acordo com análise estatística, não foram encontradas diferenças significativas entre a atividade EMG (%RMS) do peitoral (33,74± 4,90) em relação com a do grande dorsal (35,78 ± 1,20). Desta forma, aceita-se a hipótese nula (H0) deste estudo.

Figura 6. Comparação da atividade eletromiográfica (RMS normalizado) dos músculos Peitoral maior e Grande dorsal durante o exercício Pullover. Fonte: Elaboração dos autores, 2011

No gráfico 2 está apresentado a atividade EMG durante todo ciclo de movimento (fase concêntrica + fase excêntrica) da terceira repetição do exercício, para os músculos peitoral maior e grande dorsal. Realizou-se uma comparação da atividade EMG a cada 10% do ciclo total, não sendo encontrada diferenças significativas em nenhum trecho.

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Figura 7. Atividade EMG durante todo ciclo de movimento (fase concêntrica + fase excêntrica) da terceira repetição do exercício, para os músculos peitoral maior (vermelho) e grande dorsal (preto). Fonte: Elaboração dos autores, 2011

Estudos investigando exercícios resistidos com pesos têm sido cada vez mais freqüentes na busca de respostas científicas sobre as ações músculo-esqueléticas durante os movimentos e sua eficiência em determinados treinos de força.

Dentre tais exercícios, o Pullover é amplamente utilizado nas academias de musculação para o treinamento de força. No entanto, sempre pairou entre os profissionais uma certa dúvida sobre quais músculos seriam os agonistas do movimento ou ainda quais músculos são mais recrutados no referido exercício. Na obra de Delavier (2010), por exemplo, o exercício Pullover. está catalogado no capítulo referente a todos as rotinas de exercícios para a muscular peitoral, mas não denomina ou afirma algum músculo como agonista do exercício. O autor apenas apresenta o execício como Pullover Dumbell, Pullover Barr Bell e Pull Over Machine.

Manochia (2010), por outro lado, apresenta o mesmo execício Pullover, sua execução, e os mesmos equipamentos ilustrados por Delavier, com particular diferença de trazer o exercício na sessão relacionada com as rotinas de exercícios

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para o grupo muscular de costas. A descrição das fases de movimento durante a execução do exercício é partilhada pelos diferentes autores da mesma maneira, com exceção da observação de Manocchia (2010), o qual faz sobre a pequena rotação que os braços fazem para cima e para traz, para frente e para baixo (no movimento de extensão e elevação do ombro na rotação medial da articulação glenoumeral até a elevação dos membros superiores sobre a cabeça e paralelo com os ouvidos).

De acordo com analise realizada no presente estudo, no qual comparou-se o grau de ativação eletromiografica dos músculos peitoral maior e grande dorsal, verificou-se que ambos possuem ativação EMG semelhante durante o exercício. Esta semelhança foi verificada comparando os valores RMS para o PM (33,74 ± 4,90%) com o GD (35,78±1,20%).

Do ponto de vista cinesiológico, durante o movimento do Pullover ocorre uma flexão e extensão do ombro, durante as fases excêntrica e concêntrica, respectivamente. Sob o ponto de vista desta análise cinesiológica, um dos músculos agonistas deste movimento é o grande dorsal (KAPANDJI, 2000). O Grande Dorsal (inserção proximal nas seis últimas vértebras torácicas, todas as vértebras lombares, sacro-posterior, crista ilíaca e três últimas costelas; e inserção distal na parte anterior do úmero) tambêm tem ação primária na rotação medial do úmero (HALL, 2000).

No entanto, verificou-se que o músculo peitoral maior possui a mesma ativação que o GD durante o Pullover. Analisando do ponto cinesiológico, o PT deveria ser um antagonista do movimento. Desta forma, o que poderia explicar sua forte ativação?

Uma das possíveis respostas seria sua função de establização durante o exercício. O Peitoral Maior (inserção proximal na parte clavicular e esternal; e inserção distal na superfície lateral da cabeça do úmero), é um grande rotador medial flexor, e extensor do úmero (HALL, 2000). Durante a flexão do ombro, há uma tensão predominante sobre o fascículo da tuberosidade maior do úmero que faz uma pequena rotação interna, estendendo os ligamentos córaco-umeral e glenoumeral, possibilitando uma maior amplitude de movimento. Esta amplitude de movimento é limitada pela resistência do Grande Dorsal e porção inferior do Peitoral Maior.(KAPANDJI, 2000). Durante a execução do exercício do Pullover, é possível que esta resistência, exercida pelo PM funcione como estabilização para maior controle do movimento.

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Outra resposta para a grande ativação do PM pode ser a consciência corporal dos sujeitos que realizam o Pullover. Durante a execução de um movimento ou exercício com pesos, a ação mecânica deve ser acompanhada de uma ação consciente. A ausência dessa consciência corporal numa sessão de treinamento interfere na forma como o indivíduo sente o exercício, o que está diretamente relacionado com a aplicação da técnica correta. É fundamental ter consciência da co-contração de outros músculos envolvidos na ação, pois os mesmos podem agir como estabilizadores do movimento. Fatores neurais que Guedes (2003) associa a coordenação intermuscular, melhoria na relação agonista-antagonista (co-contração), melhoria na relação agonista-sinergistas e coordenação intramuscular. A coordenação intramuscular relaciona-se ao aumento do número de unidades motoras recrutadas, tamanho das unidades motoras recrutadas (princípio do tamanho) e freqüência de contração de cada unidade motora. Co-contração muscular é um fenômeno caracterizado pela contração simultânea de dois ou mais músculos em torno de uma articulação. Este fenômeno pode está ligado de maneira negativa ao movimento, associado a rigidez muscular; ou de maneira positiva, trabalhando para ganho de estabilidade articular. Fonseca et al (2001). Além disso, a coordenação agonista-antagonista dos músculos é essencial para o relaxamento muscular, fator que influenciam no aproveitamento ótimo da força aplicada no músculo e a melhora da performance.

Inúmeros estudos já foram realizados analisando a atividade EMG nos músculos GD e PM, em diferentes formas de exercícios resistidos com pesos. No entanto, poucos foram realizados com o exercício Pullover, ou então, ainda pouco conclusivos, o que explica esta falta de consenso na literatura.

O estudo de Takara et al. (2009) analisou atividade EMG dos músculos dos membros superiores, do Peitora Maior (porção clavicular e esternal), Grande Dorsal, (Deltóide Posterior e a porção longa do Tríceps Braquial) durante a execução do Pullover E de acordo com os resultados, o DP obteve atividade mais baixa que os demais músculos (p<0,001), com valores médios de 29,07±17,69%. Os músculos PMC, PME, GD e TBL não apresentaram diferenças expressivas nos RMS entre eles (p>0,5), tendo os seguintes valores da atividade EMG encontrada para PME média de 80,74±32,28%, PMC 84,4±22,15% da CVIM; TBL 72,4±19,45% da CVIM e o GD evidenciaram 65,17±32,47% da CVIM. Concluindo que o Pullover é um

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exercício capaz de mobilizar de forma intensa os músculos Peitoral Maior (esternal e Clavicular), Grande Dorsal e tríceps Braquial (porção longa), mostrando-se eficiente para o treinamento desses grupamentos musculares.

Marchetti (2005) também realizou um estudo sobre a ativação eletromiografica no exercício Pullover. O autor observou que há uma participação muscular 50% maior do Peitoral Maior na fase concêntrica do movimento em ralação ao Grande dorsal, e que a ação de ambos aumenta em ângulos articulares extremos em função da maior alavanca corporal. Como conclusão da pesquisa, relatou-se que o Pullover é um exercício que solicita ambos os músculos analisados, embora sua participação durante o movimento seja diferenciada e, nas várias fases de movimento, ocorre uma solicitação neuromuscular específica.

Em demais estudos foram analisados exercícios que se assemelham com o Pullover do ponto de vista de fatores cinesiológicos envovendo a flexão e extensão do ombro na execução do movimento.

Marchetti (2010), com objetivo de revisar em diversos estudos, aspectos

anatômicos, cinesiológicos e biomecânicos do exercício puxada alta e suas variações, observou que diversas alterações mecânicas do complexo ombro-braço-antebraço e tronco podem modificar a participação dos músculos envolvidos nos movimentos relacionados ao exercício puxada alta. Em seu trabalho, foram revisadas as modificações no deslocamento da barra em relação ao tronco, os diferentes tipos de pegada (supinada e pronada) e as variações no comprimento da pegada na barra. Os estudos analisados pelo autor são inconclusivos quanto à participação do músculo latíssimo do dorso durante o exercício puchada alta nos trabalhos revisados, considerando os diferentes tipos de deslocamento da barra em relação ao tronco, os diferentes tipos de pegada (supinada e pronada) e as variações no comprimento da pegada na barra. O autor ressalta, porém, que foi possível observar as diferentes alterações mecânicas realizadas no exercício

puxada alta, e que podem acarretar mudanças na ação dos músculos envolvidos

neste exercício, aumentando ou diminuindo a performance e/ou sua eficiência.

Guedes (2010) avaliou a participação muscular através da eletromiografia (EMG) de superfície dos principais músculos superficiais ativados nos exercícios de puxada em barra fixa e no equipamento de musculação (latíssimo do dorso, bíceps braquial, braquiorradial, peitoral maior esternocostal) nas intensidades de 5 e 10

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repetições máximas. E comparou o nível de ativação muscular nos diferentes exercícios e intensidades utilizando o teste ANOVA de dois fatores (exercício X intensidade) com medidas repetidas. Os resultados apresentaram aumento significativo (p < 0,05) da atividade EMG apenas para o músculo peitoral maior esternocostal quando realizado em barra fixa. Sugerindo, uma ativação mais efetiva dos adutores de ombro, a execução da puxada frontal em barra fixa, uma vez que a ativação do latíssimo do dorso se mantém de forma similar em comparação à máquina e a ativação do peitoral maior esternocostal é mais elevada neste movimento.

Da Silva (2008), realizou estudo do exercício da puxada alta utilizando dois diferentes aparelhos de musculação: aparelho articulado vs aparelho de polia fixa. Analisou as características biomecânicas (ativação muscular, ângulos articulares e resistência externa) durante a realização do exercício Puxada Alta utilizando dois distintos aparelhos de musculação (aparelho articulado e aparelho de polia fixa). Para verificar a atividade muscular frente às resistências geradas pelos aparelhos, foi utilizada a eletromiografia. Em relação à coleta dos ângulos articulares estudados, foi utilizada a técnica de videografia bidimensional para o exercício realizado em cada aparelho (seis sujeitos para o aparelho de polia fixa e outros seis para o aparelho articulado). Concluiu que os aparelhos, embora com características diferentes, podem conduzir adaptações musculares semelhantes para o principal agonista do movimento da Puxada Alta (Grande Dorsal).

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5. CONCLUSÃO E SUGESTÕES

Com base nos resultados da pesquisa da análise eletrómiográfica dos músculos Peitoral Maior e Grande Dorsal, os músculos não apresentam diferença na ativação EMG durante a execução do Pullover com Halter.

De acordo com análise estatística utilizada, não foram encontradas diferenças significativas entre a atividade EMG relacionadas aos valores RMS normalizados (%RMS) do Peitoral Maior (33,74± 4,90) em relação com a do Grande Dorsal (35,78 ± 1,20).

A atividade EMG durante todo ciclo de movimento (fase concêntrica + excêntrica) da terceira repetição do exercício demostrou que os valores de RMS dos músculos durante o exercício do Pullover são ativados de forma sememlhante.

Apesar do Grande Dorsal ser o músculo agonista do movimento, a forte ativação do Peitoral Maior pode estar relacionada a função estabilizadora e pela falta de consciência corporal dos praticantes.

Faz-se necessário a realização de novos estudos utilizando a eletromiografia e cinemetria para melhor responder a esta questão. Importante também, a proposta de estudo do exercício Pullover em diferentes equipamentos, considerando os diferentes ângulos e posicionamento articular.

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REFERÊNCIAS

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BARBANTI, V J. Aptidão Física: um convite a saúde. São Paulo: Manole, 1990.

BARBOSA, F S S et al. Análise do coeficiente de variação do sinal eletromiográfico dos músculos peitoral maior, deltóide anterior e cabeça longa do tríceps no

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Esporte, São Paulo, n. , p.37-42, 10 mar. 2002.

BRENNECKE, A. Análise dos parâmetros cinemáticos e eletromiograficos do

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Referências

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