2011DanielaBatistadosSantos
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(2) UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO FACULDADE DE AGRONOMIA E MEDICINA VETERINÁRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA. SISTEMA MISTO DE PRODUÇÃO (LEITE/GRÃOS) EM UNIDADES DE PRODUÇÃO FAMILIAR DE BACIAS HIDROGRÁFICAS DE CABECEIRAS DANIELA BATISTA DOS SANTOS. Orientador: Prof. Dr. Edson Campanhola Bortoluzzi. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Agronomia da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UPF, para obtenção do título de Mestre em Agronomia – Área de Concentração em Produção Vegetal. Passo Fundo, novembro de 2011.
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(4) CIP – Catalogação na publicação. S237s. Santos, Daniela Batista dos Sistema misto de produção (leite/grãos) em unidades de produção familiar de bacias hidrográficas de cabeceiras / Daniela Batista dos Santos. – 2011. 200 f. : il. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Universidade de Passo Fundo, 2011. Orientação: Prof. Dr. Edson Campanhola Bortoluzzi. 1. Leite - Produção. 2. Solos - Manejo. 3. Agricultura familiar. I. Bortoluzzi, Edson Campanhola, orientador. II. Título.. Bibliotecária responsável Angela Saadi Machado - CRB 10/1857.
(5) i. “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vai se arrepender. Vai estar entre a platéia e você no palco, vai olhar e ver Jesus brilhando em você. Quem sabe no teu pensamento você vai dizer: ‘Meu Deus, como vale a pena a gente ser fiel!’. Na verdade a minha prova tinha um gosto amargo, mas minha vitória hoje tem sabor de mel.” (Sabor de mel - Composição: Agailton Silva). “Creio na terra e na vida da gente do campo, nos seus anseios, nas suas aspirações e nas suas crenças ingênuas, nas suas faculdades e forças para melhorar as condições de vida e criar um ambiente agradável para os que lhe são queridos... ...Creio em mim mesma e humildemente, mas com toda a sinceridade, ofereço-me para auxiliar os homens, as mulheres e as crianças do campo a tornarem prósperas as suas terras, confortáveis e belos os seus lares, harmonioso o ambiente da comunidade rural e assim, tornar útil a minha própria vida!” (Texto do decálogo Extensão Agrícola, de Michel Bechara, publicado em 1954).
(6) ii. DEDICO a minha melhor amiga e maior incentivadora, Tere, a quem orgulhosamente chamo de Mãe..
(7) iii AGRADECIMENTOS Peço “permiso”, senhores, e aqui desato algumas palavras sinceras que não vem de outro lugar além do meu coração. Já declaro que, ao menos aqui, anseio fugir da metodologia. Então, permitam me traduzir, em quantas folhas necessárias for, o que há tempos ronda meus pensamentos. Começo te agradecendo, Senhor, por permitir que o sol das manhãs de maio chegasse até mim quando tudo parecia ter se acabado! Obrigada por ter me carregado no colo as tantas vezes que pensei em fraquejar. Agradeço a sabedoria, a força e a esperança que sempre se renovavam frente a Tua promessa. E se fizeste de mim uma escolha pra Tua obra, que seja eu “bendita no campo, em toda terra! E onde eu passar, onde eu tocar, abençoado seja... porque eu obedecerei a Tua voz.” Aos meus pais, guias e protetores, dedico com todo carinho as mais puras e sinceras palavras de agradecimento. Admirolhes muito mais do que eu possa me expressar, e jamais haverá alguma tradução para explanar o que vocês representam a mim. Obrigada por todos os ensinamentos, pelos valores que são cultivados em nossa humilde casa, por todo amor e carinho, pelas vezes que me apoiaram e, principalmente, pelas vezes que apontaram meus erros. Meu escudo, meu esconderijo, meu jardim secreto onde se encontram as mais raras e lindas flores... Lua cheia que nunca deixou as minhas noites escuras. Meu exemplo a seguir, meu tudo. A minha irmã Janice, muito obrigada pela confiança, apoio, incentivo, por José Martin e Teresa Betânia que trazem mais alegria a nossa tão pequena família..
(8) iv A todos os professores, transmissores de conhecimentos e formadores de opiniões, que contribuíram na minha jornada escolar. Apesar do receio de ser injusta, gostaria de expressar um especial muito obrigada à professora Eliandra Schoroeder, que de forma honrosa e muito didática foi responsável pela minha alfabetização na pequena escola Ângelo Rech, localizada na zona rural do município de Sarandi – RS, no ano de 1994; à professora Carla Colussi que através do esporte me ensinou a competir, a persistir, a perder e a respeitar o adversário; ao meu primeiro orientador Elmar Luiz Floss pelos ensinamentos. À Universidade de Passo Fundo e ao Programa de Pós Graduação em Agronomia pela oportunidade de realização do curso de mestrado mediante concessão de bolsa de estudo. À FAPERGS pelo auxílio financeiro na aquisição dos equipamentos necessários às análises desse estudo. Ao meu orientador, Dr. Edson Campanhola Bortoluzzi, e a sua família por ter se tornado tão minha. Pelo carinho e amizade, por todas as palavras de incentivo e iniciativas de auxílio. Pela compreensão, preocupação, ensinamentos e orientação. Ao Corede-Produção, por intermédio do Sr. Eduardo Belisário Finamore, Emater ASCAR/RS, Escritório Regional da Emater de Passo Fundo, Escritório Municipal da Emater de Vila Maria, COAJU e Prefeitura Municipal de Vila Maria – RS pelo apoio na realização desse estudo. Aos produtores rurais das Linhas: 16 Dassi, 17 Aparecida e 18 Roso de Vila Maria – RS por todas as carinhosas recepções, por dividirem conosco suas convivências, seus conhecimentos e anseios..
(9) v Aos colegas e parceiros Carlos Bondan e Claudinéli Gasparini, pelo esforço e dedicação nesse projeto. Ao professor Dr. Vilson Antônio Klein pela atenção e ajuda nas determinações das análises físicas. A todos os colegas do ppgAgro, pelos bons momentos vividos, pelos ensinamentos e amizade. Em especial Jucelaine Vanin, Greice Mattei, Sandra Agne e Guilherme Parize. Aos bolsistas de iniciação científica e colegas do Laboratório de Uso e Manejo do Território e dos Recursos Naturais/UPF: Álvaro Baginski, Marieli Favaretto, Elizando Gotardo, Jackson Korchagin, Débora Benedetti, Fernando Ceccheti, Luana Dalacorte e Carlos Kuze por toda ajuda, dedicação e amizade. Ao colega e grande amigo Fábio Busnello, por todas piadas, pela paciência e ajuda. À colega Claudia Klein pela grande amizade e companheirismo nesse tempo de convívio. Inesquecível será o apartamento 203, o carreteiro de pinhão, os preciosos conselhos, a valiosa ajuda, as longas histórias dos finais de semana. A gangue do solo se manterá pra sempre, ao menos no meu coração. Aos amigos: Andréia Kramer, Daiane Festa, Guilherme Zanatta, Luíse Carvalho, Melise Beckel, Raquel Camargo, Renata Costenaro, Rodrigo José, Samara Baum e Taís Dick por todas as ligações e pelos abraços em que me desejaram boa sorte. Pela amizade e por entenderem minha ausência, contrária ao meu desejo. Ao meu namorado Lourenço Wayhs Maier pelo pouco incômodo, pelos abraços amorosos, pelas longas horas de audição, pelos incalculáveis quilômetros rodados rumo ao meu encontro..
(10) vi Certamente o caminho até aqui foi mais florido e divertido na tua companhia. Agradeço também a sua família pela acolhida, pelo carinho e por todos os conselhos. Enfim, a todos que de uma forma ou outra contribuíram para a realização desse sonho, muito obrigada!.
(11) vii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................... 1.1 Hipótese do trabalho ........................................................... 1.2 Objetivo geral ...................................................................... 1.3 Objetivos específicos .......................................................... 2 REVISÃO DE LITERATURA .............................................. 2.1 Conceituação de agricultura familiar e unidade de produção familiar (UPF) ...................................................... 2.1.1 A agricultura familiar no Brasil ..................................... 2.1.2 A agricultura familiar no estado do Rio Grande do Sul 2.1.3 A agricultura familiar no município de Vila Maria – RS ................................................................................. 2.2 Sistema integração lavoura-pecuária (SILP) ....................... 2.2.1 SILP: uma alternativa para o período de inverno .......... 2.2.2 SILP: vantagens do sistema ........................................... 2.2.3 SILP: desvantagens do sistema ..................................... 2.2.4 SILP: produção animal e vegetal ................................... 2.2.4.1 Produção animal em SILP ........................................ 2.2.4.2 Produção vegetal em SILP ....................................... 2.3 O solo como indicador de qualidade agrícolaambiental ........................................................................... 2.3.1 Qualidade física do solo em SILP ................................. 2.3.2 Qualidade química do solo em SILP ............................. 2.4 O SILP em UPF num contexto de bacias hidrográficas (BHs) de pequena ordem ................................................... 3 MATERIAL E MÉTODOS ................................................... 3.1 Demanda social e técnica para execução do trabalho ......... 3.2 Escolha do município para realização do estudo ................ 3.3 Escolha das Bacias Hidrográficas a serem estudadas ......... 3.4 Caracterização das BHs ...................................................... 3.4.1 Localização e área ......................................................... 3.4.2 Rede hidrográfica .......................................................... 3.4.3 Clima ............................................................................. 3.4.4 Relevo e solos predominantes ....................................... 3.5 Levantamento sócio-econômico das UPFs ......................... 3.6 UPFs praticantes de sistema integração lavoura-pecuária leiteira ................................................................................... 3.6.1 Coleta de amostras de leite ............................................ 3.6.2 Avaliação da qualidade do leite ..................................... 3.7 Escolha das UPFs estudadas ................................................ Página 4 7 7 8 9 9 11 14 15 17 17 20 21 23 23 26 27 29 30 31 35 35 36 39 40 40 43 43 44 45 45 46 46 47.
(12) viii 3.7.1 Manejo amostrados ........................................................ 3.8 Avaliações realizadas em cada situação de manejo ............ 3.8.1 Avaliações da produção vegetal in loco ........................ 3.8.2 Avaliações da qualidade física do solo .......................... 3.8.2.1 Avaliações físicas realizadas in loco ........................ 3.8.2.2 Avaliações físicas realizadas em laboratório ........... 3.8.3 Avaliações da qualidade química do solo ..................... 3.9 Estratégia da apresentação dos resultados .......................... 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................... 4.1 Condição socioeconômica das UPFs ..................................... 4.2 Uso do solo em UPFs com exploração mista ........................ 4.3 Tipificação das UPFs produtoras de leite .............................. 4.4 Uso do solo nas UPFs e qualidade do leite na BH da Linha 18 ............................................................................... 4.5 Produção vegetal e qualidade do solo em áreas historicamente submetidas ao pastejo versus áreas não pastejadas no inverno ........................................................... 4.5.1 Produção vegetal em áreas submetidas ao pastejo versus áreas não pastejadas ............................................................. 4.5.2 Qualidade física do solo em áreas submetidas ao pastejo versus áreas não pastejadas .................................................. 4.5.3 Qualidade química do solo em áreas submetidas ao pastejo versus áreas não pastejadas ...................................... 4.6 Discussão geral ...................................................................... 5 CONCLUSÃO ......................................................................... 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................. APÊNDICES................................................................................ 47 49 49 50 50 51 53 55 57 57 67 81 97 107 112 118 127 138 148 149 171.
(13) ix LISTA DE TABELAS Tabela Página 1 Número de vacas ordenhadas, produção de litros de leite por ano e contribuição relativa dos municípios da região do COREDE Produção do RS. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... 38 2 Culturas semeadas nas situações de manejo I e II referentes no ano agrícola de 2009 e 2010. FAMV, Passo Fundo, RS........................................................... 49 3 Levantamento socioeconômico das famílias envolvidas em atividades rurais da BH da Linha 1659 17 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS........ 4 Levantamento socioeconômico das famílias envolvidas em atividades rurais da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS................. 60 4 Levantamento socioeconômico das famílias envolvidas em atividades rurais da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS................. 61 5 Agrupamento das UPFs em função do uso do solo da BH da Linha 16-17 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS........................................................... 68 6 Agrupamento das UPFs em função do uso do solo da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo 72 Fundo, RS..................................................................... 6 Agrupamento das UPFs em função do uso do solo da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... 73 7 Usos do solo nas BHs estudadas durante a estação de cultivo de verão da safra 2009/2010 e de inverno da safra 2010/2011 e contribuição relativa de cada utilização na área total das BHs. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... 78 8 Características das UPFs produtoras de leite da BH da Linha 16-17 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... 82 9 Características das UPFs produtoras de leite da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS.................................................................................. 83 10 Correlação simples entre as variáveis (n: 25): área total da UPF, área da UPF destinada ao pastejo animal no período de inverno da safra 2010/2011,.
(14) x. 11. 12. 13. 14. 15. 15. 16. 17 18. 19. rebanho total, vacas em lactação e produtividade média de litros de leite/vaca/dia. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... Frequência (%) das UPFs praticantes de bovinocultura de leite agrupadas de acordo com a área total da UPF e o rebanho total. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... Média do rebanho total, vacas em lactação, vacas secas, novilhas entre 1 e 2 anos, novilhas com menos de 1 ano, animais de corte e reprodutores em função da área das UPFs das BHs estudadas. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... Frequência (%) das UPFs praticantes de bovinocultura de leite agrupadas de acordo com a área total da UPF e a produção média diária de leite. FAMV, Passo Fundo, RS.............................................. Características das instalações dos estabelecimentos elaboradores ou industrializadores de alimento das UPFs produtoras de leite da BH da Linha 16-17 de Vila Maria – RS e qualidade do leite nessas produzido. FAMV, Passo Fundo, RS........................... Características das instalações das UPFs produtoras de leite da BH da Linha 18 de Vila Maria - RS e qualidade do leite produzido nessas produzido. FAMV, Passo Fundo, RS.............................................. Características das instalações das UPFs produtoras de leite da BH da Linha 18 de Vila Maria - RS e qualidade do leite produzido nessas produzido. FAMV, Passo Fundo, RS.............................................. Agrupamento das UPFs praticantes de bovinocultura leiteira da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS em função do destino do cultivo de espécies anuais de verão e inverno. FAMV, Passo Fundo, RS................... Área total e porcentagem da área destinada à alimentação animal em cada grupo. FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... Comparação do teor de gordura, proteína e sólidos não gordurosos (%) presentes no leite durante o período de inverno e verão em cada grupo. FAMV, Passo Fundo, RS........................................................... Teor de gordura, proteína e sólidos não gordurosos (%) do leite observado em cada grupo durante a. 85. 87. 88. 89. 90. 91. 92. 98 98. 101.
(15) xi. 20. 21 22. 22. 23. 24. 25. 26. 27. estação de inverno e verão. FAMV, Passo Fundo, RS.................................................................................. Teor de gordura, proteína e sólidos não gordurosos (%) do leite produzido pelas 14 UPFs estudadas na estação de inverno e de verão FAMV, Passo Fundo, RS.................................................................................. Características das UPFs praticantes de bovinocultura de leite estudadas em detalhe, em BHs de Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS.................................... Caracterização química e física dos solos (profundidade de 0 a 20 cm) das áreas não pastejadas, áreas pastejadas e áreas de mata nativa das UPFs estudadas, quanto à: composição granulométrica, teor de matéria orgânica (M.O.), carbono orgânico, saturação por bases, capacidade de troca de cátions (CTC pH 7,0) e teor de alumínio (Al). FAMV, Passo Fundo, RS..................................................................... Caracterização química e física dos solos (profundidade de 0 a 20 cm) das áreas não pastejadas, áreas pastejadas e áreas de mata nativa das UPFs estudadas, quanto à: classe textural, cor do solo quando torrão seco e úmido. Metodologia: Santos et al. (2005). FAMV, Passo Fundo, RS............................ Produtividade de soja (kg ha-1) da safra 2009/2010 em áreas não pastejadas e em áreas submetidas ao pastejo por bovinos de leite no inverno em UPFs de BHs de Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS.................. Cobertura vegetal (%) em áreas não utilizadas para pastejo e áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno nas UPFs de BHs de Vila Maria RS. FAMV, Passo Fundo, RS....................................... Densidade do solo (Mg m-3) nas profundidades de 2,5 a 7,5 cm e 12,5 a 17,5 cm em áreas não utilizadas para pastejo, áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno e áreas de mata em Vila Maria RS. FAMV, Passo Fundo, RS................................. Porosidade total (cm3 cm-3) do solo nas profundidades de 2,5 a 7,5 cm e 12,5 a 17,5 cm em áreas não utilizadas para pastejo, áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno e áreas de mata em Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS.................. Volume de água retida no solo (cm3 cm-3) quando. 103. 105 108. 110. 111. 112. 113. 118. 119.
(16) xii. 28. 29. 30. 31. 32. submetido ao potencial matricial (Ψm) de -10 kPa, nas profundidades de 2,5 a 7,5 cm e 12,5 a 17,5 cm, em áreas não utilizadas para pastejo, áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno e áreas de mata em Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS Volume de água retida no solo (cm3 cm-3) quando submetido ao potencial matricial (Ψm) de -1500 kPa, na profundidades de 0 a 20 cm, em áreas não utilizadas para pastejo, áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno e áreas de mata em Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS.................. Máxima resistência do solo à penetração das raízes (RP) em MPa e profundidade de ocorrência de máxima resistência do solo à penetração (cm) em áreas não utilizadas para pastejo e áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno em Vila Maria - RS. FAMV, Passo Fundo, RS.......................... Distribuição da frequência de amostras para os valores de pH em H2O, saturação da CTCefetiva por alumínio, saturação da CTC pH 7,0 por bases em função dos níveis de interpretação: muito baixo (MB), baixo (B), médio (M) e alto (A) em áreas não pastejadas (ñP), áreas submetidas ao pastejo animal no inverno (Pa), áreas de mata (Mt) e no total de amostras (Total) de solo das BHs de Vila Maria. Valor máximo, médio e mínimo observado em cada atributo químico analisado nas situações amostradas. FAMV, Passo Fundo, RS .................................................................... Distribuição da frequência de amostras para os valores de capacidade de troca da cátions a pH 7,0 (CTC pH 7,0) em função dos níveis de interpretação: muito baixo (MB), baixo (B), médio (M) e alto (A) em áreas não pastejadas (ñP), áreas submetidas ao pastejo animal no inverno (Pa), áreas de mata (Mt) e no total de amostras (Total) de solo das BHs de Vila Maria. Valor máximo, médio e mínimo observado desse atributo químico nas situações amostradas. FAMV, Passo Fundo, RS.............................................. Distribuição da frequência de amostras para o teor de matéria orgânica, fósforo e potássio em função dos níveis de interpretação: muito baixo (MB), baixo (B), médio (M), alto (A) e muito alto (MA) em áreas não. 120. 121. 122. 128. 131.
(17) xiii pastejadas (ñP), em áreas submetidas ao pastejo animal (Pa) no inverno, em áreas da mata (Mt) e no total de amostras (Total) de solo das BHs de Vila Maria. Valor máximo, médio e mínimo observado em cada atributo químico analisado nas situações amostradas. FAMV, Passo Fundo, RS........................... 132.
(18) xiv LISTA DE FIGURAS Figura 1 2 3 4 5. 6. 7. 8. 9. 10. Página Mapa do Rio Grande do Sul indicando as regiões do COREDES. Fonte: IBGE, 2009. FAMV, Passo Fundo, RS ................................................................... Localização da BH da Linha 16-17 e da BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS Bacia Hidrográfica da Linha 16-17, Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS............................................. Bacia Hidrográfica da Linha 18, Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS............................................. Relevo montanhoso (A), vegetação primária e secundária presente em solo da ordem dos Neossolos e perfil desse (B); lavoura presente em solo da ordem dos Cambissolo e perfil desse (C); lavoura presente em solo da ordem dos Latossolos e perfil desse (D) e potreiro presente em solo da ordem dos Chernossolos e perfil desse (E). FAMV, Passo Fundo, RS............... Esquema exemplificando os manejos das áreas amostradas em cada UPF selecionada: o sistema de manejo I inclui pastejo animal no inverno e cultivo de grãos no verão; o sistema de manejo II inclui cultivo de cereais no inverno e grãos no verão; sistema de manejo III refere-se às áreas de mata nativa. FAMV, Passo Fundo, RS................................ Distribuição de frequência da idade das pessoas envolvidas em atividades agropecuárias nas BHs da Linha 16-17 e Linha 18 de Vila Maria – RS em função da faixa etária. FAMV, Passo Fundo, RS........ Distribuição de frequência da idade das pessoas envolvidas na atividade leiteira das UPFs das BHs da Linha 16-17 e Linha 18 de Vila Maria – RS em função da faixa etária. FAMV, Passo Fundo, RS........ Mapa temático com ilustração das características de relevo (A, B, F, G, H, I, J e R), das instalações dos aviários (C, D, M, O e P) e dos galpões de secagem de fumo (E, L, N e Q) presentes na BH da Linha 1617 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS...... Mapa temático com ilustração das características de relevo (A, E, F, I, L, M, O, P, R), da instalação do aviário (H), dos galpões de secagem de fumo (B, C,. 36 41 42 42. 44. 48. 62. 65. 70.
(19) xv. 11. 12. 13. 14. 15. 16. D, G e Q), do reflorestamento com erva-mate (J) e da instalação da pocilga (N) presentes na BH da Linha 18 de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS................................................................................ Observações de remoção da mata nativa em áreas declivosas (A, B, C e D) e avançado processo erosivo (E e F) registrado em Neossolos e Cambissolos durante visitas às BHs estudadas no município de Vila Maria – RS. FAMV, Passo Fundo, RS................ Área total de cada UPF praticante de bovinocultura leiteira (n: 25) e a área da UPF destinada ao pastejo por bovinos de leite no período de inverno da safra de 2010/2011 nas BHs estudadas. FAMV, Passo Fundo, RS.................................................................... Sazonalidade do uso do solo em relação ao destino dos cultivos de espécies anuais dos grupos estudados e a distribuição das datas de coletas das amostras de leite durante as estações de cultivo de inverno e de verão. FAMV, Passo Fundo, RS.................................. Área submetida ao pastejo extensivo de bovinos de leite (A); área de concentração dos bovinos (B); cobertura vegetal proporcionada ao solo em área submetida ao pastejo bovino (C); cobertura vegetal proporcionada ao solo em área não submetida ao pastejo animal (cultivada com espécie anual de inverno destinada à colheita de grão) (D); heterogeneidade de dejetos animais depositados em área submetida ao pastejo animal (E) e vista aérea das espécies que compõem a cobertura vegetal de uma área submetida ao pastejo bovino (F). FAMV, Passo Fundo, RS.......................................................... Taxa de infiltração de água (A) e taxa de infiltração de água acumulada (B) em áreas não submetidas ao pastejo, em áreas pastejadas por bovinos de leite no período de inverno e em áreas de mata. FAMV, Passo Fundo, RS.......................................................... Corretivo de acidez depositado em área de pastagem para posterior aplicação (A) e cama de aviário distribuída superficialmente em área de pastagem (B). FAMV, Passo Fundo, RS...................................... 75. 77. 86. 100. 114. 124. 130.
(20) 1 SISTEMA MISTO DE PRODUÇÃO (LEITE/GRÃOS) EM UNIDADES DE PRODUÇÃO FAMILIAR DE BACIAS HIDROGRÁFICAS DE CABECEIRAS. DANIELA BATISTA DOS SANTOS1. RESUMO – O uso de sistema misto de produção é uma constante em unidades de produção familiares (UPFs). Grande eficácia agronômica é apontada pela literatura em ensaios de sistemas de integração lavoura-pecuária, sobretudo com a atividade leiteira. No entanto, em uma escala de Bacia Hidrográfica (BH), explorada por UPFs heterogêneas, o sinergismo das atividades agropecuárias pode ser comprometido, podendo afetar a produção e a qualidade dos recursos naturais. Nesse sentido, foram estudados sistema misto de produção (integração lavoura-pecuária) em UPFs sob escala de BHs de primeira ordem. Avaliaram-se como indicadores: a qualidade do leite, a produção de grãos e a qualidade química e física do solo. Nas áreas das UPFs submetidas ao pastejo animal verificou-se menor produção de soja, maior degradação física e maior desbalanceamento dos nutrientes no solo que aquelas usadas somente como lavoura. Deficiência no planejamento do uso do solo interferiu também na qualidade do leite produzido. Esses resultados sugerem que em um ambiente complexo, heterogêneo e frágil, como são as UPFs inseridas em bacias hidrográficas de primeira ordem, uma atividade afeta a 1 Engenheira Agrônoma, Mestranda do Programa de Pós Graduação em Agronomia (PPGAgro) da FAMV/UPF, Área de Concentração em Produção Vegetal..
(21) 2 outra em sistemas mistos de produção, decorrentes principalmente de fatores sociais e do uso e manejo inadequado do solo. Palavras-chave: integração lavoura-pecuária; pressão antrópica; conflitos agroambientais. SYSTEM PRODUCTION MIXED (MILK / GRAINS) IN FAMILY PRODUCTION UNITS OF WATERSHED OF BEDSIDE. ABSTRACT - The use of mixed system of production is a constant in a family production units (FPUs). High efficiency is reported in the literature trials in farming with integration system activities, particularly with the dairy industry. However, in a watershed scale (WA), operated by FPUs heterogeneous, the synergism of agricultural activities can be compromised, affecting the production and quality of natural resources. Accordingly, we studied mixed system of production (integrated crop-livestock) in FPUs under WA scale of the first order. The following indicators were determined: the quality of milk, grain yield and soil chemical and physical properties. In areas of FPUs subjected to grazing displaying lower soybean production, greater physical deterioration and imbalance of nutrients in the soil than those used only as crop yield. Disabilities in the planning of land use also interfered in the quality of milk. These findings suggest that in a complex, heterogeneous and fragile system, like the FPUs in.
(22) 3 watersheds, one activity affects another in the mixed production systems, mainly due to social factor as well as inadequate soil use and management. Keys-words: crop-livestock system; anthropic pressure; agroenvironmental conflicts.
(23) 4 1 INTRODUÇÃO Os estabelecimentos rurais com extensas áreas agrícolas não são os únicos responsáveis pela produção agrícola nacional. De acordo com o Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE no ano de 2006, a maioria dos produtos agrícolas nacionais é originária de pequenas propriedades rurais (com área < 80 ha), cuja mão-de-obra é essencialmente familiar. Trata-se, assim, de uma organização do território importante para produção de alimentos e merecedora de pesquisas e políticas públicas adaptadas. Frente aos problemas sociais relacionados ao êxodo rural, a agricultura familiar se constitui numa forma de preservar a família rural e seus costumes. Entretanto, as modificações da sociedade, que inegavelmente se estenderam com consequências ao meio rural, como a diminuição do número de membros da família, a necessidade de qualificação profissional de jovens, além da própria conjuntura das pequenas propriedades, como a reduzida área para cultivo, o aumento das pressões antrópicas sobre áreas frágeis (ALBUQUERQUE et al., 2011), declivosas e com baixa aptidão agrícola, baixo capital de investimento ou investimentos feitos com pouco ou nenhum critério técnico (NERO et al., 2009) deixam questionamentos a respeito do futuro dessas propriedades. Na busca pela viabilização dessas unidades. de. tradicionalmente. produção há. familiares. diversificação. (UPFs), das. verifica-se. atividades. dentro. que da. propriedade (TINOCO, 2006). Entretanto, ao diversificarem suas atividades sem a devida tecnificação e planejamento, as UPFs passam apenas a praticar, pela especificidade e facilidade, grandes culturas,.
(24) 5 como por exemplo, a soja. Também, as UPFs mostram-se sócio, técnica e ambientalmente susceptíveis às atividades primárias, para as quais a indústria mostra-se ociosa, como é o caso da produção de commodites agrícolas, cuja atividade apresenta-se de alto risco econômico e dependência (FEIDEN et al., 2011). Ainda, as UPFs precisam atender às exigências ambientais, visto que tendem a usar intensamente os recursos naturais como solo e água, além de gerarem conflitos agroambientais, tais como: perda da fertilidade do solo; erosão; perda do patrimônio genético e da biodiversidade; destruição da vegetação nativa para a utilização de lenha; contaminação do solo, da água, dos animais e do homem (PELLEGRINI, 2011). Especialmente na região Norte do Rio Grande do Sul, as pequenas propriedades rurais de agricultura familiar estabeleceram sistemas de produção mistos ou de integração entre as atividades agrícolas e pecuárias, sobretudo a leiteira. Esse sistema de integração lavoura-pecuária pode auxiliar a maximizar a renda por área utilizada, já que alternam, na mesma área, o cultivo de pastagens anuais ou perenes, destinadas à alimentação animal, e culturas destinadas à produção vegetal, sobretudo grãos. Mas a adoção desse sistema agrega também conflitos de ordem agronômica do consórcio de atividades diferentes na mesma área, bem como os conflitos relacionados à qualidade dos produtos oriundos dessas atividades, principalmente o leite. Nesses sistemas, a qualidade de solo é freqüentemente negligenciada, bem como o conhecimento de sua função na produção vegetal e na qualidade da água. As alterações no solo em virtude do seu uso e manejos inadequados se propagam em cadeia, tendo reflexos.
(25) 6 em muitos compartimentos do ambiente, tais como solo e água. Os possíveis efeitos negativos sobre o solo e a água quando utiliza-se inadequadamente sistema misto de produção (leite/grãos) passa a ser uma questão relevante. Em virtude dessa questão desenvolveu-se o projeto de pesquisa, intitulado “Manejo sustentável de solo em bacia hidrográfica com exploração leiteira na região da Produção do Rio Grande do Sul” pelo Laboratório de Uso e Manejo do Território e de Recursos Naturais da Universidade de Passo Fundo, com apoio financeiro do Edital Procoredes VI – Processo FAPERGS nº: 0905280 para sustentabilidade da bacia leiteira na região da produção do RS. Nesse contexto o presente trabalho também foi desenvolvido. Tipificar UPFs em um contexto geográfico de Bacias Hidrográficas (BHs) além de compreender e quantificar os impactos do uso e manejo dos solos são ações fundamentais da pesquisa e extensão rural a fim de traçar estratégias de desenvolvimento sustentáveis dentro dos sistemas de produção agrícolas. Nesse contexto, algumas questões de pesquisa acerca das UPFs alocadas em áreas frágeis quanto aos fatores de estrangulamento no sistema de produção se mostram importantes: i) seria um ponto de estrangulamento agroambiental o fato de haver restrição em área nas pequenas propriedades familiares, fazendo com que setores de exploração compitam entre si dentro dos sistemas de produção? ii) o planejamento inadequado de uso e manejo do solo nas UPFs em regiões com fragilidade ecológica seria o responsável pelos estrangulamentos agroambientais? iii) a falta de especialização nas atividades realizadas em UPFs é ingenuidade do produtor rural ou.
(26) 7 denota uma falta de interesse/acesso frente aos avanços tecnológicos? iv) cultivar produtos necessários à subsistência ou até mesmo matérias-primas para outras atividades internas ao invés de captar produtos no mercado externo não seria uma alternativa para permanência no meio rural? Espera-se com esse estudo aprofundar a interpretação sobre as questões formuladas, também no que se refere às questões sociais, organizacionais e de qualidade do solo e do leite em UPFs locadas em BHs. Acredita-se que os resultados advindos desse estudo possam ser extrapolados para outras bacias hidrográficas de semelhante configuração no Rio Grande do Sul. 1.1 Hipótese do trabalho Assim, formulou-se a seguinte hipótese geral do presente trabalho: quando o solo for usado em sistema integração lavourapecuária torna-se uma alternativa eficaz na diversificação e sustentabilidade econômica das pequenas propriedades de agricultura familiar com reflexos positivos na qualidade do solo tanto química quanto física. 1.2 Objetivo geral O objetivo geral do presente estudo é estudar os sistemas de produção mistos utilizados em unidades de produção familiar em escala de bacias hidrográficas (BHs) de primeira ordem manejadas.
(27) 8 sob integração lavoura-pecuária. Será avaliada a qualidade do leite, a produção de grãos e a qualidade do solo. 1.3 Objetivos específicos i) Identificar a condição socioeconômica da população residente em UPFs de BHs com exploração leiteira; ii) Especificar os usos do solo predominante em BHs e associá-los aos principais fatores de estrangulamento da atividade leiteira; iii) Determinar a qualidade do leite produzido nas UPFs praticantes de bovinocultura leiteira em sistema de integração lavourapecuária; iv) Relacionar a qualidade do leite ao uso do solo nas UPFs praticantes de bovinocultura de leite; v) Estimar a produção vegetal obtida em áreas historicamente submetidas ao pastejo animal durante o inverno com a produção vegetal em áreas não pastejadas; e vi) Determinar a qualidade física e química do solo em áreas manejadas sob sistema de integração lavoura-pecuária, áreas exploradas exclusivamente como lavoura e em áreas de mata nativa..
(28) 9 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Conceituação de agricultura familiar e unidade de produção familiar (UPF) A propriedade familiar2 é o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalhado com a ajuda de terceiros. A exploração agrícola familiar corresponde, então, a uma unidade de produção3 onde propriedade e trabalho estão intimamente ligados à família. Nesse contexto, é considerado agricultor familiar e empreendedor familiar rural4 aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: não detenha, a qualquer título, área maior do que quatro módulos fiscais; utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas. vinculadas. ao. próprio. estabelecimento. ou. empreendimento; dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.. 2 Consta na legislação brasileira no inciso II do artigo 4º do Estatuto da Terra, estabelecido pela Lei nº 4.504 de 30 de novembro de 1964. 3 Explicitado por Lamarche (1993). 4 Definido pelo artigo 3º da Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006..
(29) 10 Em relação ao tamanho dos imóveis rurais5, são pequenas propriedades os imóveis rurais com até quatro módulos fiscais, médias propriedades, aqueles imóveis rurais entre quatro e 15 módulos fiscais e grande propriedade, aqueles maiores que 15 módulos fiscais. Também em relação ao tamanho das propriedades, os minifúndio6 são imóveis rurais com dimensão inferior a um módulo rural, sendo o imóvel rural de área inferior à unidade econômica básica para determinada região e tipo de exploração. No entanto, com a publicação da Lei n.º 6.746 de 1979, o módulo considerado passou a ser o módulo fiscal. Portanto, o conceito minifúndio passou a ser aplicado para propriedades com área menor que um módulo fiscal estabelecido para o município. Assim, as propriedades rurais familiares são classificadas como pequenas propriedades e quando a área da propriedade rural for inferior a um módulo fiscal, esse passa a ser classificada como minifúndio. Pequena propriedade rural ou posse rural familiar7 é aquela explorada mediante o trabalho pessoal do proprietário ou posseiro e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiro e cuja renda bruta seja proveniente, no mínimo, em oitenta por cento, de atividade agroflorestal ou do extrativismo, cuja área não supere trinta hectares, se localizada em qualquer outra região do País. No presente estudo o termo unidade de produção familiar (UPF) será adotado para referir-se às pequenas propriedades de agricultura familiar, cuja mão-de-obra é essencialmente familiar, a área total da propriedade é de até 80 ha, o proprietário/família é quem 5. Estabelecido pela Lei nº 8629, de 25 de fevereiro de 1993. Conceito oriundo do artigo 4º do Estatuto da Terra, Lei n.º 4.504, de 30 de novembro de 1964. 7 Definição incluída pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001. 6.
(30) 11 está a frente dos trabalhos e a quase totalidade da renda utilizada pela família é gerada pela atividade agrícola. 2.1.1 A agricultura familiar no Brasil De acordo com essas definições, o Censo Agropecuário realizado no ano de 2006 pelo Instituto Brasileira do Geografia e Estatística. (IBGE). identificou. 4.367.902. estabelecimentos. da. agricultura familiar no Brasil, o que representa 84,4% do total de estabelecimentos. agropecuários. brasileiros.. Este. numeroso. contingente de agricultores familiares ocupava uma área de 80,25 milhões de hectares, ou seja, 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários nacionais, contrastando com os estabelecimentos não familiares, que representavam 15,6% do total dos estabelecimentos e ocupavam 75,7% da área total. Os estabelecimentos familiares apresentavam área média de 18,37 hectares e a dos não familiares de 309,18 hectares (IBGE, 2006). Veiga et al. (2001), analisando os Censos Agropecuários realizados no Brasil desde 1950, indicam que a participação dos agricultores que têm menos de 100 hectares nunca se distanciou de 90% do total de estabelecimentos, e sempre lhes coube 20% da área, o que indica uma permanência extremamente duradoura desses produtores de pequeno porte por toda a segunda metade do século. Essa permanência no cenário agrícola, apesar dos constantes desafios, mostra que esse segmento está em constante mudança, compondo estratégias de sobrevivência (TINOCO, 2006)..
(31) 12 Em. relação. aos. principais. usos. da. terra. dos. estabelecimentos familiares brasileiros, dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45,0% foram destinados às pastagens, 24,0% às áreas com matas (destacando-se a participação das matas destinadas à preservação permanente ou reserva legal de 10% e 13% exclusivamente destinadas à preservação permanente ou reserva legal) e 22,0% às lavouras (IBGE, 2006). Apesar de no Brasil a agricultura familiar cultivar menor área com lavouras e pastagens em relação à agricultura não familiar (na ordem de 2,39 e 3,36 vezes menor, respectivamente), Veiga et al. (2001) ressaltam a importância da presença da agricultura familiar no meio rural brasileiro, por ser fornecedora de alimentos para o mercado interno, além de ser responsável pela garantia da segurança alimentar do País. A participação da agricultura familiar, no ano de 2006, foi em 87,0% da produção nacional de mandioca, 70,0% da produção de feijão, 46,0% do milho, 38,0% do café, 34,0% do arroz, 58,0% do leite bovino, 21,0% do trigo. A agricultura familiar possuía 59,0% do plantel de suínos, 50,0% do plantel de aves, 30,0% dos bovinos. No entanto, a cultura com menor participação da agricultura familiar na produção nacional foi a da soja, com 16,0%, a qual é uma das principais commodites agrícola de exportação brasileira (IBGE, 2006). Buainaim & Romeiro (2000), num amplo estudo sobre sistemas de produção familiares no Brasil, afirmam que a agricultura familiar desenvolve, em geral, sistemas complexos de produção, combinando várias culturas, criações animais e transformações primárias, tanto para o consumo da família como para o mercado. Os mesmos autores, afirmam que os produtores familiares apresentam.
(32) 13 freqüentemente as seguintes características: diversificação, estratégia de investimento progressivo, combinação de subsistemas intensivos e extensivos, e apresentam uma grande capacidade de adaptação. Outras informações relevantes e não espantosas apontadas pelo Censo Agropecuário (IBGE, 2006) é que, nos estabelecimentos agropecuários brasileiros da agricultura familiar, a condução da atividade foi dirigida em 62,0% por pessoas experientes, as quais são as responsáveis pela direção dos trabalhos na propriedade há 10 anos ou mais. Naquele ano, cerca de 12,3 milhões de pessoas estavam vinculadas à agricultura familiar, com uma média de 2,6 pessoas, de 14 anos ou mais, ocupadas em cada estabelecimento. Dois terços do pessoal ocupado foram homens e um terço, mulheres. Dos 12,3 milhões de pessoas ocupadas na agricultura familiar, 90,0% (11 milhões de pessoas) possuíam laços de parentesco com o produtor. Essa informação denota a união dos esforços em torno de um empreendimento comum, que é uma característica importante da agricultura familiar. Ainda, dos 11 milhões de pessoas ocupadas na agricultura familiar e com laços de parentesco com o produtor, 81,0 % residiam no próprio estabelecimento; 63,0% sabiam ler e escrever; e apenas 1,5% tinham qualificação profissional. O baixo nível de qualificação profissional é um importante fator capaz de afetar a especialização das atividades agropecuárias em seu desenvolvimento. Mesmo assim, a agricultura familiar respondeu por um terço das receitas dos estabelecimentos agropecuários brasileiros (IBGE, 2006). Das receitas obtidas pela agricultura familiar brasileira, 67,5% foram devido à venda de produtos vegetais; 21,0% foram devido à venda de animais e seus produtos; das demais, receitas se destacavam a.
(33) 14 prestação de serviço para empresas integradoras e produtos das agroindústrias familiares. 2.1.2 A agricultura familiar no estado do Rio Grande do Sul O Censo Agropecuário de 2006 (IBGE, 2006) identificou 378.546 estabelecimentos da agricultura familiar no estado do Rio Grande do Sul, o que representava 85,8% do total de estabelecimentos agropecuários estaduais e 8,66% do total de estabelecimentos nacionais. A área ocupada por esses agricultores familiares foi 6,17 milhões de hectares, ou seja, 30,5% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários riograndenses e 7,7% da área ocupada pelos estabelecimentos nacionais. Já os estabelecimentos não familiares representavam 14,2% do total dos estabelecimentos e, no entanto, ocupavam 69,5% da área total. Assim como nos dados referentes ao País, a área média dos estabelecimentos familiares riograndenses foi de 16,30 hectares, treze vezes menor que a dos não familiares, que foi de 222,94 hectares (IBGE, 2006). Dos 6,17 milhões de hectares da agricultura familiar estadual, 44,6% foram destinados às lavouras (39,8% às lavouras temporárias), 31,0% foram destinados às pastagens e 16,6% às áreas com matas (destacando-se a participação das matas destinadas à preservação permanente ou reserva legal de 4,9% e 8,5% exclusivamente destinadas à preservação permanente ou reserva legal) (IBGE, 2006). A participação da agricultura familiar foi em 10,0% da produção estadual de arroz em casca, 83,6% da produção de feijão-preto, 92,0% da produção de mandioca, 66,5% do milho, 84,7% do leite de vaca, 35,6% da soja..
(34) 15 Juntos, os estabelecimentos de agricultura familiar do Rio Grande do Sul possuíam 70,2% do plantel estadual de suínos, 80,2% do plantel de aves, 36,3% dos bovinos. A cultura com menor participação da agricultura familiar na produção estadual foi o trigo (23,1%), cujas razões são discutidas por Brum & Muller (2008). Nos. estabelecimentos. agropecuários. da. agricultura. familiar do RS, a condução da atividade foi em 71,5% por pessoas experientes com 10 anos ou mais de direção nos trabalhos. O Censo Agropecuário do ano de 2006 registrou 992 mil de pessoas vinculadas à agricultura familiar, 59,7% do sexo masculino, 40,32% do sexo feminino, 94,3% tinham laços de parentesco com o produtor, 89,1% residiam no próprio estabelecimento; 86,2% sabiam ler e escrever; e 3,9% tinham qualificação profissional. Índices superiores aos apresentados na média brasileira. Ainda, a agricultura familiar respondia pela metade das receitas dos estabelecimentos agropecuários estadual. Das receitas obtidas pela agricultura familiar, 64,3% foram devido à venda de produtos vegetais, 20,0% foram devido à venda de animais e seus produtos, 13,5% devido à prestação de serviço para empresas integradoras e 1,4 % devido à produtos das agroindústrias familiares. 2.1.3 A agricultura familiar no município de Vila Maria - RS O município de Vila Maria localiza-se no norte do estado do Rio Grande do Sul, a 580 metros de altitude média, possuindo 181,44 km² de unidade territorial (IBGE, 2010). Segundo o Censo Demográfico realizado no ano de 2010 (IBGE, 2010), a população.
(35) 16 vila-mariense, cuja etnia é 95% de origem italiana, é de 4.221 habitantes, desses 53,3% residem em perímetro urbano e 46,7% em perímetro rural. Dos 1.972 habitantes rurais, 51,2% são homens e 48,8% mulheres. No município há 627 estabelecimentos rurais, totalizando 16.394 ha, a área média dos estabelecimentos é de 26,14 ha. Dos 627 estabelecimentos, 7,1% possuem menos que 5 ha, 44,6% possuem área entre 5 e 20 ha, 36,8% entre 20 e 50 ha, 8,9% entre 50 e 100 ha e apenas 2,4% são maiores que 100 ha. Nota-se que a quase totalidade dos estabelecimentos enquadram-se como de agricultura familiar, visto que o módulo fiscal do município corresponde a 20 ha e são considerados estabelecimentos da agricultura familiar aqueles com área inferior ou igual a 80 ha. Observa-se ainda que 51,7% dos estabelecimentos rurais do município são classificados como minifúndio. Na estação de cultivo de verão são cultivados 9.182 ha, desses 68% são cultivados com soja, 29% com milho, 1% com fumo e menos de 1% com pipoca e feijão. No inverno, cultiva-se 8.617 ha, sendo que 50% desses são de azevém, 33% de trigo, 14% de aveia preta, menos de 1% de aveia branca e canola. Permanecem em pousio 565 ha. A diminuição do cultivo das áreas no período de inverno em relação às áreas cultivadas no verão não é apenas uma realidade do município de Vila Maria, como também pode ser estendida em âmbito estadual (FLORES et al., 2007). Finamore (2010) aponta que um dos vetores do crescimento da produção agrícola da região da Produção é a ocupação do solo no inverno, sendo essa afirmativa argumentada com dados do censo agropecuário que revelam que as culturas de.
(36) 17 verão ocupam 100% do solo regional e as culturas de inverno, apenas 17%. Isso ocorre em virtude da carência de culturas de grãos economicamente viáveis aos produtores para o período de inverno (BALBINOT JR., 2007), o que reflete, por exemplo, na baixa participação da agricultura familiar na produção estadual de trigo. Contudo, essa estação poderia ser cultivada com espécies de pastagens anuais de inverno com adequada qualidade e rendimento e já adaptadas às condições edafoclimáticas da região Sul do País. Santos et al. (2002) apontam a aveia preta (Avena strigosa Scherb.), o azevém (Lolium multiflorum Lam.), o centeio (Secale cereale L.), a aveia branca (Avena sativa L.) e a ervilhaca (Vicia sp.) como as principais forrageiras para o sistema integração lavoura-pecuária nas regiões do Planalto do RS. 2.2 Sistema integração lavoura-pecuária (SILP) 2.2.1 SILP: uma alternativa para o período de inverno O conceito tecnológico da integração entre a lavoura e a pecuária é tão antiga quanto à domesticação dos animais e das plantas, sendo praticada em vários países com distintas combinações de atividades (CARVALHO et al., 2005). No Sul do Brasil o enfoque tem sido dado à rotação de culturas, diversificação, alternativa de renda e utilização das áreas nos períodos entressafra de culturas de verão (CARVALHO et al., 2005). De acordo com Balbinot Jr. et al. (2009), o sistema integração lavoura-pecuária se constitui num sistema de produção que.
(37) 18 alterna, na mesma área, o cultivo de pastagens anuais ou perenes, destinadas à alimentação animal, e culturas destinadas à produção vegetal, sobretudo grãos. Os mesmos autores afirmam ainda que dentre as estratégias para implantação de integração lavoura-pecuária, a mais importante, no Sul do Brasil, é uso de pastagens anuais de inverno para produção animal e culturas para produção vegetal no verão, sendo que no verão algumas dessas culturas são usadas para a fabricação de silagem. A produção animal, principalmente em propriedades que não dispõem de extensas áreas agrícolas, como é o caso das propriedades de agricultura familiar, é representada principalmente por bovinos destinados à produção de leite (BALBINOT JR. et al., 2009). As gramíneas anuais de inverno, como a aveia preta e azevém, são predominantes cultivadas no RS e em Vila Maria com vistas à cobertura de solo. Assim, a integração entre a lavoura e a pecuária é uma alternativa, uma vez que esses cultivos são de plantas forrageiras e, portanto passíveis de servirem de alimento aos animais no período invernal (CARVALHO et al., 2005). De acordo com Balbinot Jr. et al. (2009), a estratégia mais importante para o Sul do Brasil, no que se refere à adoção do SILP, é o uso do solo no inverno com gramíneas anuais para alimentação animal, incluindo as áreas mantidas em pousio, e culturas para produção vegetal no verão. Isso em função de as lavouras de grãos serem facilmente cultivadas em sistema plantio direto (SPD), sistema largamente utilizado na região. Contudo, essa prática apresenta na região algumas características que merecem ser discutidas, como é o caso do manejo das pastagens de inverno. De acordo com Nicoloso et.
(38) 19 al. (2006), o correto manejo das pastagens de inverno tem reflexos nos rendimentos zootécnicos e no potencial produtivo das culturas de verão, especialmente quando essas são manejadas sob sistema plantio direto. Muitas vezes, em virtude da pouca área a ser explorada nas propriedades e da falta de planejamento forrageiro para o vazio alimentar de outono, o pastejo dos animais é iniciado quando ainda há baixa disponibilidade de forragens na área. Nessas situações, Baggio et al. (2009) constaram que os animais tendem a intensificar o processo de busca e apreensão da forragem, realizando maior deslocamento na área, sendo que quanto maior o deslocamento dos animais, menor a massa de lâminas foliares residual, pois essas são prejudicadas pelo pisoteio. Também, ao antecipar a entrada dos animais nas pastagens anuais de inverno, trabalha-se com carga animal. acima. da. capacidade. de. suporte. da. pastagem;. conseqüentemente, o resíduo deixado para a cultura subseqüente vai ser insuficiente para assegurar um bom manejo para o plantio direto (NICOLOSO et al., 2006; ASSMANN et al., 2008). Trabalhos de pesquisa demonstram que, para as condições climáticas do RS, a adição anual de palha ao solo no SPD deve ser superior a 8,0 Mg ha-1 de matéria seca dos resíduos vegetais da parte aérea vegetal para que se mantenham estáveis os teores de matéria orgânica do solo (LOVATO et al., 2004; NICOLOSO, 2005). Uma alternativa, segundo Nicoloso et al. (2006), é a utilização, em áreas pastejadas durante o inverno, da cultura do milho durante o verão, pois o milho produz grandes quantidades de fitomassa em comparação com a cultura da soja..
(39) 20 2.2.2 SILP: vantagens do sistema O uso do sistema de integração lavoura-pecuária pode proporcionar algumas vantagens para o produtor. Cita-se a maior renda por área, maior diversificação de atividades (FONTANELI et al., 2000) e, por conseguinte menor risco econômico e menor custo de produção (AMBROSI et al., 2001; LOPES et al., 2009). Ambrosi et al. (2001), ao avaliarem a lucratividade e risco de sistemas de produção de grãos com pastagens, sob sistema plantio direto apontou aumento na rentabilidade e redução de riscos quando a lavoura é implantada após pastagem perene de verão. Além disso, o sistema pode proporcionar vantagens biológicas (SOUZA et al., 2009 e 2010), como maior biodiversidade e melhoria da qualidade do solo em virtude da elevada velocidade de ciclagem de nutrientes (BALBINOT JR. et al., 2009). Assman et al. (2008), ao abordarem a integração lavourapecuária para a agricultura familiar, afirmam que sistema é autônomo, econômico e que respeita o meio ambiente. Ainda, os autores apontam três características práticas, a saber: valorização dos recursos naturais, aproveitamento dos processos naturais de regulação e a busca por reduzir a entrada de insumos na propriedade. Segundo Balbinot Jr. et al. (2009), a geração de maior renda em SILP permite que as famílias de agricultores familiares consigam viver com dignidade. Também, o SILP pode reduzir a aquisição de alimentos concentrados para os animais. Ao comparar, na região sudeste, a produção de vacas da raça Holandês em confinamento total e em coastcross, Vilela et al. (1997) relataram que.
(40) 21 os animais confinados, apesar do maior custo operacional, produziam mais de 20 kg de leite/dia em média e os animais em pastejo, 16 kg de leite/dia em média. 2.2.3 SILP: desvantagens do sistema Dentre as desvantagens do sistema de integração lavourapecuária, cita-se a possibilidade de ocorrência de compactação superficial do solo, em situação específicas de manejo da pastagem (BALBINOT JR. et al., 2009). Algumas consequências desse fato é a restrição do crescimento de raízes e redução no rendimento de culturas (ALBUQUERQUE et al., 2001), menor infiltração de água no solo, aumento na densidade e resistência à penetração (TREIN et al., 1991). Segundo Trein et al. (1991) e Albuquerque et al. (2001), a compactação do solo é uma das principais causas de degradação em áreas cultivadas, sendo a compactação causada pelo intenso tráfego de máquinas e pelo pisoteio animal em áreas de SILP, mesmo que ditas manejadas por sistema plantio direto. Segundo Balbinot Jr. et al. (2009), para que o sistema de integração lavoura-pecuária obtenha êxito algumas premissas devem ser atendidas, como uso de rotação de culturas, do sistema plantio direto, de genótipos de animais e vegetais melhorados, correção da acidez e fertilidade do solo e, principalmente, manejo adequado da pastagem. Lunardi et al. (2008) citam a taxa de lotação empregada nos sistemas de integração como a principal variável definidora do sucesso da atividade, por seus efeitos diretos e indiretos sobre a.
(41) 22 quantidade de forragem e de nutrientes que são ciclados no sistema. Quando em elevadas lotações, o pisoteio animal pode promover impactos negativos em atributos físicos do solo (TREIN et al., 1991; MORAES & LUTOSA, 1997). De acordo com Cardoso et al. (2007), o manejo correto da pastagem, tanto no que diz respeito à adubação como ao manejo dos animais, é um fator importante. Fidalski et al. (2008) afirmam que a manutenção de altura correta da pastagem é fator indispensável para que não haja compactação do solo devido ao pisoteio. Tais autores afirmam que quando em elevada interceptação de radiação, a pastagem apresenta elevado crescimento de folhas e raízes, o que confere ao solo maior capacidade de suporte de carga sem sofrer deformação plástica, ou maior capacidade de recuperação após eventual compactação. O elevado crescimento de raízes é fator importante para reduzir a compactação decorrente de pressões mecânicas exercidas sobre o solo (LOPES et al., 2009). O método de pastejo em lotação contínua permite que os animais tenham distribuição aleatória em toda a área, já a lotação rotacionada se caracteriza pelo controle maior do pastejo e por elevadas densidades instantâneas de animais por unidade de área. Apesar da escolha do manejo da pastagem ser tão importante quanto a intensidade de pastejo (LUNARDI et al., 2008), há carência de registros na literatura em relação ao efeito dos métodos de pastejo sobre o rendimento das lavouras em sucessão nos sistemas de integração lavoura-pecuária (LUNARDI et al., 2008; LOPES et al., 2009)..
(42) 23 O desafio, segundo Lopes et al. (2009), é encontrar um nível de biomassa de forragem que promova elevado desempenho animal, ao mesmo tempo em que se permita criar um ambiente para alcançar alto rendimento de grãos na cultura subseqüente. Uma das questões centrais referente aos sistemas de integração lavourapecuária é o nível crítico de biomassa que deve permanecer sobre o solo após a saída dos animais, de maneira a permitir um bom estabelecimento da cultura de verão implantada via semeadura direta. 2.2.4 SILP: produção animal e vegetal 2.2.4.1 Produção animal em SILP Com respeito ao manejo e à produção animal em áreas sob sistema integração lavoura-pecuária no Sul do Brasil, avanços recentes têm sido relatados na literatura (AGUINAGA et al., 2006; TERRA LOPES et al., 2008). Em especial, no município de Vila Maria – RS, de acordo com o Escritório Municipal da Emater, 429 estabelecimentos rurais (cerca de 70% do total) realizam a atividade leiteira concomitante à produção de grãos. Dados do IBGE (2009) referentes à pecuária apontam que a atividade leiteira foi a segunda em participação no PIB municipal, com 13% no ano de 2008. A primeira foi a cultura da soja, que participou em 14% do PIB. Em Vila Maria – RS, apesar do pouco acréscimo no número total de bovinos e no número de vacas ordenhadas, ocorreu considerável aumento na produção de leite. A.
(43) 24 produtividade média litros de leite (L de leite/vaca/dia) passou de 8,2 no ano de 2004 para 12,3 no ano 2009 (IBGE, 2009). A importância econômica da bovinocultura de leite constatada no município de Vila Maria é também a tendência estadual e nacional. De acordo com o Censo Agropecuário realizado pelo IBGE no ano de 2009, o Brasil possui o 2º maior rebanho de bovinos do mundo (destinados à produção de carne e de leite), ficando atrás apenas da Índia. A produção anual de leite brasileira é de 29,112 bilhões de litros (Pesquisa Pecuária Municipal, 2009), sendo que o Rio Grande do Sul é o segundo maior estado produtor de leite, contribuindo com 11,7% do total da produção nacional. No Brasil, o número de vacas ordenhadas é de 22,4 milhões de cabeças, com produtividade de 1.297 litros de leite/vaca/ano, média de 3,55 litros de leite/vaca/dia (IBGE, 2009). A produtividade média de litros de leite/vaca/dia no Estado é de 6,34 (IBGE, 2009). Embora em ascensão, a atividade leiteira apresenta-se com produção aquém do potencial (EMBRAPA, 2007). Assim, torna-se necessário especializar e tecnificar os estabelecimentos rurais produtores de leite. No entanto, um agravante à baixa média anual de leite em litros por vaca é a sazonalidade temporal de oferta de forragem aos animais (NORO et al., 2006). No norte do Estado, é comum que o pico da produção de leite se dê nos meses de julho a setembro, visto que nessa estação de cultivo as culturas semeadas são destinadas à alimentação animal. Já no verão, ocorre principalmente o plantio de culturas destinadas à colheita de grãos, principalmente soja, em detrimento de culturas destinadas à alimentação animal. Assim, a falta de cultivos destinados à alimentação animal, bem como a ausência de.
(44) 25 processos que sirvam para futuras reservas alimentares nos períodos ditos vazios outonais e primaveris, como ensilagem, se torna um ponto de estrangulamento da produção leiteira, como constatado por Bittencourt et al. (2000). A sazonalidade de oferta alimentar aos animais tanto pode reduzir a produção como resultar em perdas da qualidade do leite. Martins et al. (2006) avaliaram a produção e qualidade do leite em diferentes meses do ano na bacia leiteira de Pelotas – RS e constataram que a composição química do leite varia em função dos meses do ano relacionados parcialmente às variações das qualidades dos alimentos, sendo que na primavera foi observado melhor nível nutricional. Também, Noro et al. (2006), quando observaram influências dos fatores ambientais sobre a composição do leite em produtores assistidos por cooperativas do Rio Grande do Sul, concluíram que no período de inverno a produção total do leite é maior que no verão devido à melhor qualidade das forragens. Além do aumento da produção, exige-se produto de qualidade, visto que a qualidade de produtos de origem animal e segurança alimentar têm recebido cada vez mais atenção da população mundial.. Embora. incipiente. no. Brasil,. existem. iniciativas. governamentais que visam padronizar e melhorar a qualidade do leite. Dentre as iniciativas está a implantação de normas nacionais de padrões de qualidade de leite, determinadas pelo Programa Nacional de Melhoria da Qualidade de Leite, do Ministério da Agricultura (RIBEIRO et al., 2000) e pela Normativa 51 (BRASIL, 2002) já em vigor (mesmo que com prorrogações para novas adequações)..
Outline
SILP: produção animal e vegetal
O solo como indicador de qualidade agrícola-
Uso do solo nas UPFs e qualidade do leite na BH da
Produção vegetal em áreas submetidas ao pastejo versus
Qualidade física do solo em áreas submetidas ao pastejo
Qualidade química do solo em áreas submetidas ao
Discussão geral
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