Programa de Pós-graduação
em
Engenharia
da Produção
A
GINÁSTICA
LABORAL
PROPRIOCEPTIVA
Eunice
Tokars
Florianópolis2001
Dissertacaoapresentada
ao
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
da
Produção da
Universidade Federal
de
Santa
Catarina
como
requisito parcialpara
obtenção
do
títulode
Mestre
em
Engenharia
da
Produção. 4
Eunice
Tokars
A
GINÁSTICA
LABORAL
PROPRIOCEPTIVA
Esta dissertação foi julgada e
aprovada
para aobtenção
do
títulode
Mestre
em
Engenharia da
Produçao
no
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia
da
Produção da
Universidade Federalde
Santa
Catarina.Florianópolis, 14
de setembro de 2001
‹
uProf. Ricardo M' arcia, Phd.
ez = - » or
do
Curso
PrE
/*I*lo
fé
nentadoraycon
Michel Dr-É
'U ”\ E '› M. cn ”." = 3. \,;×\^
U
Pr . ugenio - 'no, Dr. /Á-4Trabalho: lugar
de compromisso
mas
também
de
vazio.Pode
serum
deserto etambém
um
paraíso.
AGRADECIMENTOS
Agradeço imensamente
a oportunidadede
realizar este estudo,ao
diretor e
ao
engenheiro supervisorda produção
do
berçosdos
automóveis,aos
supervisores pela
grande
colaboração,aos operadores
de
solda por sesubmeterem
à ginástica laboral e por terem correspondido tãoprontamente
aesta pesquisa e à fisioterapeuta,
que
colaborouna
aplicaçãodo
exercícios.Ao meu
orientadorGlaycon
Michels, pela dedicação, incentivo ecompreensao.
Ao
MaurícioGuimarães,
pelasua atenção
e colaboração.E
ainda, a todasas pessoas
que
contribuíram para a realização deste|_|sTA
DE
|=|GuRAs
... ..v¡L|sTA
DE
TABELAS
... _. ¡× |_|sTADE
REouçóEs
... ..סG|_ossÁR|o
... ..סRESUMO
... ..Xi|ABSTRACT
... ..xi|NTRoDuçÃo
... .. 1 1.1Origem do
trabalho ... ..1 1.2 Objetivos ... _.5 1.2.1 Objetivo Geral ... ..5 1.2.2 Objetivos Específicos ... ..61.3 Justificativa e
importância
do
trabalho ... ..61.4
Delimitação
do
estudo
... 91.5
Limitação
do estudo
... ._ 10 1.6Descrição
eorganização
dos
capítulos ... _. 11 ~ 12
FUNDAMENTAÇAO
TEORICA
... .. 122.1
Propriocepção
esuas
lnterrelações-
da
aprendizagem
do
corpo
àeducação no
trabalho ... .. 122.2
Doença
X
Organização
do
trabalho ... ..2O 2.3Análise
ergonômica do
trabalho eprevenção
... ..272.4 Ginástica laboral ... _.
32
2.4.1 Ginástica laboral proprioceptiva ... ..36
3
MATERIAL
E
MÉToDo
... ..3.1
Descrição
do
objetode estudo
.... _.3.2 Materiais utilizados ... ._
3.3
Método
utilizado ... ..3.3.1 Descrição
dos
exercícios ... ..4RESULTADOS
...H4.1
Resultado
da
análiseergonômica
.4.2
Recomendações
ergonômicas
... ._ 4.3Primeiro
questionário ... _. 4.4Segundo
questionário ... _. 5.CONCLUSÃO
E
RECOMENDAÇÕES
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
... ..ANEXOS
...Figura 1
-
Exercícios n° 2 ... _. Figura 2-
Exercícios n° 3 ... ._ Figura 3-
Exercícios n° 5 ... _. Figura4
-
Exercícios n° 6 ... _. Figura 5-
Exercícios n° 9 ... _. Figura6
-
Exercícios n°11 ... _. Figura 7-
Exercícios n°12 ... _. Figura 8-
Exercícios n° 13 ... .. Figura 9-
Exercícios n° 15 ... _. Figura 10-
Exercícios n° 16 ... .. Figura 11-
Exercícios n° 19 ... _. Figura 12-
Exercicios n°20
... _.Figura 13
-
Observação
n° 1-
Operadores
de
soldaem
pé, flexãoda
coluna cervical
e
repetiçãodos
movimentos
dos
MMSS
Figura 14
-
Observações
n° 2e
3-
angulações das
articulaçõesdo
ombro
e cotovelo ... ._Figura 15
-
Observações
n°s 2e
3-
angulações das
articulaçõesdo
ombro
, cotoveloe pescoço
... _.Figura 16
-
Observação
n° 3-
desvio radial ... ._um
dos pés
... _.Figura 19
-
Observações
n°s 4, 6, 7 e 8operação 205
-
Má
postura,apoio sobre
um
dos pés
... ._Figura
20
-
Observações
n° 8-
alturadas
máquinas
... ._Figura 21
-
FAIXA
ETÁRIA
DOS
OPERÁRIOS.
... ._Figura
22
-
ESCOLARIDADE
DOS
OPERÁRIOS
... ._Figura
23
-
SAÚDE
DOS
OPERÁRIOS
... ._Figura
24
_
ESTADO
Ps|coFísco
... ._Figura
25
-
AVALIAÇÃO
DO
SONO
DOS
OPERÁRIOS
... ._Figura
26
-
TIPO
DE
LOCOMOÇÃO
DOS
OPERÁRIOS
... _.Figura
27
-
DADOS
REFERENTES
AOS
EXERCÍCIOS
E
ATIVIDADE
FÍSICA
DOS
OPERÁRIOS
... ._Figura
28
-
CONHECIMENTO
DA
GINÁSTICA
NOS
LOCAIS
DE
TRABALHO
DOS
OPERÁRIOS
... ... ._Figura
29
-
MOTIVO DE
SE
FAZER
GINÁSTICA
NOS
LOCAIS
DE
TRABALHO
... __Figura
30
-
REGIÃO
DO BRAÇO
MAIS EXIGIDA
NO TRABALHO
____ ._Figura 31
-
REGIÃO
DO BRAÇO
QUE
FICA
MAIS
CANSADA
NO
FINAL
DO
EXPEDIENTE
... __Figura
32
-
REGIÃO
DO BRAÇO
QUE MELHOROU APOS
OS
EXERCÍCIOS
... ._Figura
33
-AVALIAÇÃO DAS
DORES APÓS OS
Figura
34
- BENEFÍCIOS
DOS
EXERCÍCIOS
DURANTE
O TRABALHO
..89Figura
35
-
DADOS
REFERENTES
AO
TRABALHO
... ..92Figura
36
_
|v|oD|F|cAÇÓEs
NA
G|NÁsT|cA
... ..94Q-.
\z z
L|STA
DE
TABELAS
TABELA
1_
AvAL|AÇÃo
DEMoGRÁF|oA
Dos
oPERÁR|oS
... ..ô5TABELA
2_
AvAL|AÇÃo
Dos
HÁB|Tos
Dos
oPERÁR|oS
... ..ôsTABELA
3_
PRQBLEMAS
DE
SAUDE
E
Uso
DE
MED|cAÇÃo
Nos
oPERÁR|os
... ..ô9TABELA
4
_
REGIÕES
oo|v|DoR No
ooRPo
... ..7oTABEU-\
5_
EsTADo
PS|ooFís|co
... ..71TABELA
6
_
DADoS
REFERENTES
Ao SoNo
Dos
oPERÁR|oS
... ..72TABELA
7
_
AcoRDA
DURANTE
o soNo
... ... ..73TABELA
8_
oUTRo
EMPREGQ
E
AT|v|DADE
DE
LAZER
... ..74TABELA
9_ T|Po
DE
Loco|v1oÇÃo
Dos
oFERÁR|os
... ..74TABELA
1o
_
DADos
REFERENTES
Aos
ExERc¡c|oS
E
ATIVIDADE
FíS1cA
... ..75TABELA
11_ coNHEo||v|ENTo
DA
o|NÁsT1cA
No
LooAL
DE
TRABAU-lo
... ..7ôTABELA
12_
DADos
REFERENTES A cRoNoANÁL1sE
...Ja
TABELA
13_
MoT|vo PELo
QUAL
A EMPRESA QUER
QUE
o
oPERADoR
DE
SoLDA
FAÇA
G1NÁST|cA
... ..79TABELA
14_
REo|Ão
Do
BRAÇo
QUE
E
MA|S
Ex|o|DA
No TRABALHQ
... ... ..s1TABELA
15
_
REG1Ão
Do
BRAço
QUE
F|cA
MA|s
CANSADA
os
EXERCÍCIOS
... ..TABELA
17-AVALIAÇÃO DAS
DORES APÓS
OS
EXERCÍCIOS
REALIZADOS
... ..TABELA
18-
DADOS
REFERENTES
AOS
BENEFÍCIOS
DOS
EXERCICIOS
... ..TABELA
19-
DADOS
REFERENTES
AO TRABALHO
... _.TABELA
20
-
MODIFICAÇOES
NA
GINÁSTICA
... ..LISTA
DE
REDUÇOES
ABREVIATU
RAS
-
MS
-
membro
superior-
MMSS
- membros
superiores-
MSD
-
membro
superior direito-
DMO
-
doenças
músculo-esqueléticas ocupacionais- Dort -›
doenças osteomusculares
relacionadasao
trabalho-
SNC
-
Sistema
Nervoso
Centrale|_ossÁR|o
Manguito
rotador: inserçõesdos músculos
supra-espinhoso, infra-espinhoso,
redondo
menor
e subescapular
que
estão misturadas e reforçam a cápsula articular glenoumeral.RESUMO
TOKARS,
Eunice.A
GinásticaLaboral
Proprioceptiva. Florianópolis, 2001.105f. Dissertação (Mestrado
em
Engenharia
de
Produção_
-Programa de
Pós~graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
2001.A
ergonomia
procura adaptaro
trabalhoao
homem
sem
que
haja perdada saúde
ou da
qualidadede
vida.Quando
issonão
ocorre surgeo desgaste
do
corpo,em
particulardos
membros
superioresnos
trabalhadores,não
apenas
pelapresença da
tecnologia,mas
também
pelodesconhecimento da
melhor maneira
de
usá-lo para realizaro
trabalho.O
operário precisaaprender
a sentir o corpo, conhecê-lo, perceber o todo e
sua
inter-relaçãocom
os
segmentos
corporais.Ter
uma
visãofragmentada
do
própriocorpo
pode
ser ocaminho mais
rápido para desenvolver patologias.O
aprimoramento
proprioceptivo desperta a
percepção e
a consciência corporal para harmonizaros
movimentos
e
com
isso, protegeras
estruturasanatômicas
envolvidas.O
presente estudo teve
como
objetivo analisar a aplicaçãoda
ginástica laboralproprioceptiva, para prevenir
doenças
músculo-esqueléticasnos
membros
superiores
de
operadores
de
soldade
uma
indústria automobilística,responsável pela
produção
do
chassisou
berçodos
automóveis. Para alcançaresse
objetivo,além
da
pesquisa bibliográfica eapós
análise ergonómica,foram
aplicados dois questionários para
26 operadores
de
solda: o primeiro, antesda
execução da
ginástica, para avaliaçãoda
qualidadede
vida eo segundo,
paraavaliação
dos
resultadosquanto
àmelhora da percepção
articulare músculo-
tendinosa,
da
posição, velocidadee angulação dos
movimentos
eda tensão
muscular
durante aexecução
do
trabalho.Os
resultadosforam
satisfatórioscomprovando que
a ginástica laboral proprioceptivapode
ser utilizadacomo
mediadora
da
relação entre asaúde
e o
trabalho.Houve
uma
relação diretado
exercício aplicado
com
afunção
fisiológicado
receptor articular e/oumúsculo-
tendinoso
que
se quis ativar neste estudo,favorecendo
a inter-relação entre amáquina
e o
homem,
ohomem
eseu
corpo e asaúde
eo
trabalho.ABSTRACT
TOKARS,
Eunice.A
GinásticaLaboral
Proprioceptiva. Florianópolis, 2001.105f. Dissertação (Mestrado
em
Engenharia
de Produçâo_
-Programa
de
Pós-graduação
em
Engenharia
de
Produção,UFSC,
2001.The
ergonomics searches
to adapt the labor to theman
without losinghealth or life quality. In
case
it doesn't happen, abody
damage
appears
inparticular to the worker's superior Iimbs. Not only
does
ithappens because
ofthe technology, but also the lack of
knowledge
of the bestway
of using thebody
in order to perform the work.
The
worker learnhow
to fell, toknow
and
toperceive his
body
aswhole
and
its interrelationship with the corporalsegments.
Having a partial view of the
body
couldbe
the easiestway
to develop diseases.The
proprioceptiondevelopment
awakes
the perceptionand
the corporalawareness
in order toharmonize
themovements
so that theanatomic
structures involve could
be
protected. This studyhad
itsaim
to evaluate theapplicability of the proprioception laboral gymnastics to prevent musculoskeletal
illnesses in the superior Iimbs of the weld operators in
an
automotive industryresponsible for the production of the chassis or the automobile crib. ln order to
achieve its aim, besides the bibliography research
and
afterergonomics
analysis,
two
questionnaireswere
applied to26
weld operators: the firths beforethe gymnastics to evaluate the life quality
and
thesecond
to evaluate the resultsof the articular perception
and
musculo-tendinous improvement, of the position,the
speed
and
the angle of themovements
and
themuscular
tension during thelabor performance.
The
resultswere
satisfactory proving that the proprioceptionlaboral gymnastics
can be used
to balance the relationbetween
healthand
work.
There
was
a direct relation to the exercise applied with the physiologicalfunction of the articular reception or/and the musculo-tendinous
which
we
triedto activate in this study in order to benefit the interrelation
between
themachine
and
theman,
theman
and
hisbody
and
the healthand
work.~
1
INTRODUÇAO
1.1
Origem do
trabalhoV
Conta
a mitologia gregaque
um
ladrão ateniense, Procrusto,costumava
molestar viajantes
que
passavam
à beirada
estrada extorquindo-lhes dinheiro,torturando-os
em
uma
de suas
camas
ou golpeando-os
até a morte.Após
oferecer-lhes hospitalidade,
eram
obrigados apagar
asdespesas ou
deitaremem
uma
de
suas
camas
de
ferro. Exigiaque
os corposdas
vítimasdeveriam
caber
exatamente
dentrodas
dimensões
de
uma
das
camas.
Uma
era longano
seu
comprimento e
a outra curta.Com
freqüência, asmedidas
dos
corposdas
vítimas
não
se ajustavamàs dimensões
do
leito.Os
de
maior estatura teriamseus
braços epernas
amputados
e osde
baixa estatura teriamseus
membros
esticados até
que
atingissem perfeitamente asdimensões
da
cama.
Jácansados,
os viajantesquase
sempre optavam
porpagar
asdespesas
(Rangé,1998).
Na
época
atual, felizmentenossos
trabalhadoresnão
sofrem. taisameaças
físicas,mas
segundo Oborne
(apudRangé,
1998), o mitode
Procrusto está presente
na desarmonia
entre ohomem
eseu ambiente
de
trabalho
na
medida
em
que
o
corpodo
trabalhadoré
forçado,de
uma
maneira
geral, a se
conformar
às exigências impostas pelo trabalho.Entretanto,
pode-se
constatarque
na
evoluçãodo
homem
trabalhadorhá registros pré-históricos
de
ferramentasque
sofreramadaptações
paraum
resultado
mais
apropriadode
sua
utilização.Com
aRevolução
Industrialtivemos
uma
verdadeira modificaçãona forma
de
execução
do
trabalhoNo
transcorrerdo
séculoXX
presenciamos os desdobramentos dessa
Revolução. Taylor e Ford substituíram
as
corporações medievais pelasgrandes
fábricas me
estabeleceram
alinha
de
montagem
e
aprodução
em
série.O
artesão
que
trabalhavaquase sozinhodeu
lugarao
operárioque
executavaapenas
uma
tarefa repetitivae perdeu
a visão integraldo processo
de
trabalho.Os
operáriospassaram
a serde
fácil substituição enão necessitavam de
um
periodo
de
aprendizado.Houve
então o fortalecimentodo
movimento
sindicale
fez surgir a
Revolução Humanista
de
EltonMayo,
que
criticavao parcelamento
do
trabalho e reforçava a idéiade
qualidade total. Jáem
meados
dos anos
80,as
empresas
se
viram obrigadas aenxugar quadros e
eliminar diversos postosde
trabalho.Os
trabalhadoresque
perderam
oemprego
tornaram-seautônomos
ou
criaramempresas,
terceirizandoe fornecendo
trabalho paraos
que
dominavam
omercado
e a tecnologia nacompetição
global.De
uma
hora para outra, o trabalhador sevê
como
empresárioe
com
um
novo
relacionamento
de
participaçãonas ações
e resultados (Melo Neto, 1905).Com
esse avanço da mecanização
ecomputação
nas
empresas
somando-se
às crescentes conquistas sindicais, imaginou-seque
no
finaldo
século
XX,
aspessoas
trabalhariamcada vez
menos
e disporiamde
um
tempo
maior
parao
lazer, artes, naturezae
a família.Sonho
futuristacomo
aquele,segundo
o qual osautomóveis
voariam.As
pessoas
estão trabalhandocada
vez
mais,dispõem
de
menos
tempo
para o lazer,e
ficammais
estressadas(Veiga, 2000).
Para
garantirsua
competitividadeno
mercado
industrial,os
trabalhadores
despendem
muita energia,causando doenças que
seagravam
Esta situação
é
típicade
paísesem
desenvolvimentonos
quaisse
tem
aconvivência
ao
mesmo
tempo do
passado
com
o
futuro,do
novo
com
o velho,ou
seja,de
situações laboraisdo
iniciocom
o finaldo
século(Mendes,
1999).Recentemente
um
diretorde
uma
montadora de
automóveis, referindo-se
ao
futurodas
fábricas, ressaltou:“a crença de'
que
aprodução
automobilística seria realizadainteiramente por robôs e
máquinas dispensando
apresença
humana,
foi desmitificada. Descobriu-se o óbvio: robôsnão
pensam,
não
são
flexíveis e portanto,não
conseguem
evoluirnuma
fábricaem
que não
há nada mais
importanteque
gente.As
pessoas são
motores da produção
do
passado,do
presente e tudo indicaque
o serão aindamais
no
futuro” (VassaIo, 2001, p. 44).Entretanto,
essas
fábricasexigem dos montadores
amanutenção
de
movimentos
repetitivos portempo
prolongado, àsvezes
com
necessidade de
força para executá-los.
A
harmonia desses
movimentos
advém
das
habilidadesmotoras
de
automação
(aprendizado)dos
gestose da capacidade
biológicaque
cada
pessoa
tem
para reparar asperdas
celulares normais durante os esforçosmecânicos nas
atividades diárias (Nicoletti, 1996).Quando
o trabalhoexcede
acapacidade biomecânica
do
trabalhador, aatividade
começa
a induzir trauma.Por
isso, os locaisde
trabalhosão
fontesde
tensão biomecânica,
o
que
contribui para o iniciode
doenças que
afetam
oAs
lesõesnos
membros
superiores,segundo
lugardas
doenças
osteomusculares no
Brasil,são conseqüências
tardiasdo
seu
mau
uso
crônico,comprometendo
a integridadedas
estruturasgerando
dor e incapacidadefuncional, muitas
vezes
de
difícil reversibilidade (Couto, 1996).lnversamente
ao
mitode
Procrusto, o processoergonômico
tentaadaptar o trabalho
ao
homem,
promovendo
um
rearranjo ambiental e,conseqüentemente,
estehomem
é acolhido considerandosuas
potencialidadese
limitações (Range, 1998).Peter Drucker (apud Vassalo, 2001, 54), o maior teórico
da
administração viu as indústrias se transformarem
e
dizcom
toda razãoque
o
desafiode
hojecompreende
a tarefade
tornar ohomem
produtivo e otrabalhador
empreendedor
ede
proveradequada
qualidadede
vida para asociedade”.
A
filosofiade
prevenção
de
lesãonas
indústriasdeve
ser prioridadecomo
forma
de
manter
a qualidadede
produção.Atualmente
é
amplamente
aceita a idéiade
que
aspessoas
que
praticam
algum
tipode
exercicio físicocom
regularidadesão mais
saudáveis e estãomenos
propensas
aadoecerem do que
aquelasque
não o
fazem
(Lamb,Apud
Cañete, 1996).Essas
atividades físicas viriam contribuir paraum
serhumano
saudávelfísica, mental
e
espiritualmente ecom
certeza,mais
produtivo.Para
tanto,o
profissional
da
áreada
saúde
deve
dispor e utilizar todosos
recursosA
ginástica laboralé
entendida porScharcon
(apud Cañete, 1996, p.1 11)
como
“a criação
de
um
espaço
onde
aspessoas
possam
por livree
espontânea
vontade, exercer várias atividades físicas e exercíciosque
estimulam o
autoconhecimento, levando àuma
ampliação da
consciência
e
da
auto-estima, proporcionandoum
melhor
relacionamento consigo,
com
os outrose
com
o meio”.O
serhumano
nasceu
paramovimentos
globais.A
ginástica laboralbusca
o despertardo
corpoe
da
mente
pormeio da melhor
ativaçãoneuromuscular
e
orientação corporalno
tempo
eno
espaço.Assim,
pode-se
dizerque
a propriocepção permite a correçãodos
erroslógicos
de
movimentos do
membro
superior, reestruturando osmovimentos
do
trabalho pelas informações sensóriozmotoras
que
os leva a constatar os erros.Quando
o trabalhador braçaldesenvolve
a consciênciado
movimento
com
aginástica laboral,
tem
mais chances
de
proteger-sedas
disfunçõesmúsculo-
esqueléticas ocupacionais.
1
Objetivos
1.2.1 Objetivo geral
Analisar a aplicação
de
ginástica laboralcom
exercícios proprioceptivospara os
membros
superioresde
operadores
de
soldade
uma
indústria1.2.2 Objetivos específicos
o Estudar a relação propriocepção-proteção
e
viabilizaressa
relaçãopara
prevenção de
lesões músculo-esqueléticas;o elaborar
e
aplicarum
programa
de
exercícios proprioceptivoscompativeis
com
osdados
encontradosna
análiseergonômica
do
trabalho;
o
Desenvolver
no
trabalhador a consciênciado
movimento
executado; o Proporcionarao
trabalhador apercepção
da(s):a) tensão
muscular
durante aexecução
de
tarefas;b) posição
mais
adequada
do
membro
superiorcom
menor
fadiga;c)
angulaçöes
articularesde
maior facilidadede
movimento;
d) velocidade
do movimento
num
ritmoadequado
para o corpo epara a produtividade;
ø validar a importância
dos
exercicios proprioceptivosna
ginásticalaboral para proteção
do
membro
superior.1.3 Justificativa
e importância
do
trabalho“Ergonomia
parao novo
milênio” foio tema
escolhidono Congresso
Internacional
de Ergonomia
em
julhode
2000, para enfatizaro seu
potencial emelhorar a qualidade
de
vida e obem
estarde
todasas pessoas
do
mundo
(Ergonomics, 2000).
O
começo
de
um
novo
séculoé o
momento
apropriado parase
rever atransformação produtiva e globalizada
e
pela diversidadede
fatoresque
envolvem
a relação entre ohomem
e o trabalho.O
desgaste
do
corpo,em
particulardos
MMSS,
aparece
como
principalcausa
de doença
ocupacional,não
apenas
pelapresença da
tecnologia,mas
também
pelodesconhecimento da melhor maneira
de
usá-lo para realizaro
trabalho. .
O
corpoé
acasa
onde não
se mora,só
se valoriza a fachada.Conhecer
0 potencial
do
próprio corpo é despertá-lo.Ao
tomar
consciência deste, dá-se aoportunidade
de comandar
a vida,de
organizar osmovimentos,
de
aprimorarhabilidades (Bertherat, 1986).
O
operário precisaaprender
a sentir o corpo, conhecê-lo, percebero
todo e
sua
inter-relaçãocom
ossegmentos
corporais.Ter
uma
visãofragmentada,
uma
visão tayloristado
próprio corpopode
ser ocaminho
mais
rápido para desenvolver patologias.
Provocadas
e/ouagravadas
pela atividadelaborativa e pelo
desconhecimento
de
princípiosbiomecânicos e de
uma
boa
postura corporal, ocorre
redução
em
sua
produtividade (Pereira, 2001).Segundo
Lida (1997) paraque
ocorra omelhor funcionamento
do
sistema
homem-máquina,
ohomem
precisade
informaçõesda
própriamáquina.
Estaschegam
pormeio dos Órgãos
sensoriais principalmente a visão,audição, tato e propriocepção,
gerando
uma
decisão.Nos
últimos anos,algumas
grandes
fábricas automobilisticas instalaram-se na
periferiada
cidadefavorecendo
economicamente
a região, viabilizandoO
aprimoramento
proprioceptivoé
utilizado principalmenteem
atletasde
várias
modalidades
esportivas para prevenirou
tratar lesões.Pode
restaurar afunção ou
alterar as experiênciasde
percepção
pormeio de
um
novo programa
neuromotor
(Alegrucci, 1994).Apesar
da
propriocepçãonão
ser citadana
ginástica laboral, surgiu a idéia
de
sua
aplicabilidade específicaem
trabalhadores braçais, já
que
são os mais
susceptíveis adesenvolverem
lesõesnos
membros
superiores.No
membro
superior, aprogramação
neuromotrizé
organizada por
um
projetode
gestoem
que
amão
é
oelemento
de
direção.Todo
gestoé
nato e adquirido pelaaprendizagem.
Seu
controle ocorre pelaaferência sensorial
chamada
propriocepção. Esta é responsável pela descriçãoda
posiçãoe
movimentos
articulares, incluindo direção, amplitude e velocidade,além da tensão
relativa sobre ostendões
pelos receptores sensoriais, fusos musculares, receptores tendíneose
articulares (Salgado, 1995).Quando
há
uma
contração muscular, os proprioceptores transmitem informaçõesao Sistema Nervoso
Central(SNC)
sobreos
movimentos
e
pressões
que
estão ocorrendo paraque
omovimento
muscular
seja avaliadoe
realizado
de
acordo
com
o seu
comando.
Assim,um
trabalhadoré
capaz
de
avaliar a posição
de seu
braçono
espaço
durante a atividade laboral (Lida,1999).
Quando
Cañete
(1996, p. 111) citaque
“a
ginástica laboralbusca o
despertar
do
corpoe
da mente
por
meio
de
ativaçãoneuromuscu/ar
eda
orientação corporal
no tempo
e
no
espaço../', já estava referindo-se àproprioceção e as
sensações
somáticas,conforme
Bertherat (1986).Em
algumas
empresas,
a organizaçãodo
trabalho está voltada para assegurar o nívelde
produtividadeem
função do
lucro.Nestes
casos, a relaçãoentre trabalho
e
saúde
é confrontada.Os
esforços repetitivos, o trabalhoestático, o esforço,
o
ritmo e as posturasinadequados
estão presentesna
maioria
das
atividades profissionais. Estas .condiçõesde
trabalhotambém
são
causas
para oaparecimento
de
lesões, principalmenteno
sistemamúsculo-
esquelético (Pereira 2001).
Pretende-se
com
a ginástica laboral proprioceptiva beneficiaros
operários
com
aprevenção
de
lesões peloaprimoramento
da
função protetorados
estabilizadores estáticos e dinâmicosdas
articulaçõesdos
membros
superiores,
impedindo
exceder
os limitesmecânicos dessas
estruturas.A
empresa
também
pode
beneficiar-seuma
vez
que diminuem
os gastoscom
absenteísmo
eprocessos
jurídicos garantindo a qualidadee
aprodução do
produto.
Desse
modo, pode-se
também
relevar o quanto a propriocepçãopode
contribuir para preservar a
harmonia
do
movimento
e
colaborarcom
amanutenção
da
saúde
eda
qualidadede
vidado
trabalhador.A
ginástica laboral proprioceptivanos
soldadoresde
uma
indústriaautomobilística é
mais
uma
proposta para enfrentar o desafiodessa
“simbiose”que
podemos
dizer existir entre ohomem
e
amáquina.
1.4
Delimitaçao
do estudo
No
finaldo
mês
de
janeirode 2001
iniciou-se este estudoqualiquantitativo
numa
fábrica, responsável pelaprodução
do
chassisou
berçode
fevereiro a22 de
março de
2001,26 operadores
de
soldadessa
indústriarealizaram
após
avaliaçãoergonômica
do
trabalho, a ginástica laboralproprioceptiva para os
membros
superiores,devidamente
fundamentada
bibliograficamente.
Os
dados
para elaboraçãodesse
estudoforam
coletadospor
meio da observação no chão da
fábrica e pela aplicaçãode
questionários.O
primeiro questionário, antesda execução da
ginástica, para avaliaçãode
qualidade
de
vida,e
osegundo, após
a ginástica, para avaliaçãodos
resultados.
1.5
Limitação
do
estudo
As
montadoras
de automóveis
situadas próximasou na
cidadede
Curitiba já
possuem
prestaçãode
serviçode
ginástica laboral e/ouergonomia
dentro
das
fábricas, dificultando estudoscomo
este.Foram
necessárias várias reuniõescom
a diretoriae
a gerência, para esclarecimentosdo
propósito desta pesquisa e acertosquanto ao
horárioda
sua
aplicaçao.Houve
dificuldade para realizar a ginástica laboralno
iníciodos
doisturnos. Foi exigido
que
todos os operários participasseme
entao, aempresa
permitiu
que
cinco minutosdo
trabalho fosse destinadoao
estudo e outroscinco minutos fosse fora
do
expediente, oque
geroualguma
insatisfação por1.6
Descrição
eorganização
dos
capítulosEste primeiro capítulo visa fornecer
uma
visão contextualizadado
assunto.
O
segundo
capítulo destina-se àfundamentação
teórica.Abordará
a propriocepçãoe suas
inter-relações,questões
como
doença
e trabalho,saúde
e
trabalho, a ginástica laboral e a ginástica laboral proprioceptiva.A
apresentação
do
material emétodo
utilizadoscom
os operáriosde
solda
numa
montadora
de
automóveis
será descritano
terceiro capítulo ediscorrer-se-á sobre a aplicação
da
ginástica laboral proprioceptivano chão
da
fábrica. -
No
quarto capítulo constarãoos
dados
obtidos e a discussão sobreos
resultados.
`
No
quinto capítulo é feita a conclusãodo
presente estudo erecomendações
para continuidade deste.Por fim,
apresentam-se
as referências bibliográficas utilizadase
os2
FUNDAMENTAÇÃO
TEÓRICA
2.1
Propriocepção
esuas
interrelações-
da aprendizagem
do
corpo
àeducação
no
trabalhoA
posturado
trabalhadorpode
ser afetada por fatoresde
ordem
internae externa. Entre os primeiros
deve-se
levarem
conta a importânciada
informação proprioceptiva, cuja estimulação é fundamental para a
maturação
do
esquema
corporal, a regulaçãodo
equilibrio tônico ocular posturale
para aexecução
dos movimentos
mais
simples. 'Entreos
fatoresde ordem
internadevemos
ressaltar a importância extraordináriada
informação visual,sempre
em
relação diretacom
a informação proprioceptiva.A
partirdos
receptoresinternos
_
fusos neuromusculares, receptores tendinosose
articulares_
osistema
de
regulação é enriquecidode
informações sobre as posições relativasdos
diferentessegmentos
corporais esuas
inter-relações. Entre os fatoresexternos
deve-se
somente
ressaltar osmaus
hábitos posturaisde
repouso,de
trabalho
e
de
lazerque
podem
ser considerados osgrandes
responsáveispelas posturas incorretas
freqüentemente observadas
(Gagey, 2000).Os
órgãos
sensoriaisencontrados
dentrodos músculos e das
articulações por Sherrington e
Aboot
e
citados porSalgado
(1995),foram
denominados
proprioceptorese
estão relacionadoscom
a cinestesiaou
senso
cinestésico.
Suas
contribuiçõesnos permitem
executarum
movimento
uniformee coordenado,
manter
a postura corporal e o tônusmuscular normais
(Fox et al,1991).
Para
Revel&
Morin (1984, p. 1),“Toda
atividade dinâmicaou
posturaldo
Ótimo
programa
de
funcionamento
neuromotor.O
homem
utiliza-sede
todas as informações oriundasde seus
órgãos sensoriais e sensitivosem
relaçãocom
omeio ambiente
(Gagey, 2000).As
informaçõesdessas
fontes,juntamente
com
as
dos
receptores labirínticose
dos
olhos éempregada
pelo sistema nervosocentral para controlar a postura
e
omovimento.
Os
proprioceptoresmusculotendinosos regulam
atensão
muscular, osreceptores articulares
informam
a posiçãoe
a velocidadede
deslocamento das
articulações, os receptores
cutâneos
traduzem
o apoio plantarno
solo, osaferentes visuais, vestibulares e cen/icais
regulam
a posiçãoda cabeça
paraseguir o gesto
com
o olhar (Salgado, 1995; Massion, 1998). “A informaçãonecessária para o
desempenho
de
uma
habilidademotora
é
sentida pelosreceptores visuais, auditivos e proprioceptores
do
sistema sensorial”.Atualmente, existem experimentos
que
comprovam
a interaçãodos
órgãosdos
sentidos.
A
relação somatognósica,ou
seja, a sintonizaçãodos
sistemasperceptivos,
motores
visuaise manuais é provavelmente
obrigatório a todaexecução
gestual depoisda
idealização motriz paraexecução
finaldo
ato(Blanc
&
Viel, 1994).Segundo
Salgado
(1995)o
objetivoda
propriocepção (do latim própriode
alguém; ceptive, receber),é
restaurar a funçãoou
alteraras
experiênciasde
percepção
de
um
novo programa
neuromotriz.Com
a propriocepção adquire-seuma
proteção graças auma
aprendizagem.
A
programação
neuromotrizdo
membro
superioré
organizada porum
projetode
gestoem
que
amão
é oelemento
de
direção.Todo
gestoé
natoou
adquirido pelaaprendizagem.
O
detectores
de
erros (Enjalbert et al., 1997). Esteé de
suma
importânciano
treinamento e reabilitação
de
atletas jáque
o estímulodado
as aferênciassensoriais permite
ao
sistema neuromioarticular amodulação
necessária parase
defenderdas
situaçõesde
estresse. Paraque esse aprendizado
realmenteocorra,
são
necessários estímulos repetitivosque informem aos
receptores asmudanças
no
segmento
corporalou na
postura.A
memória do movimento
organizado
é conservada e
evita concentração bruscade
cargaou
uma
má
distribuição
de
forçasnas
estruturasanatômicas
em
questão
(Demarais, 1986).Porém
os
gestosdo
trabalhadorsão
resultadosde
um
comportamento
complexo,
que
envolvesua
personalidade esuas
relações sociaisnas
quaisele se insere. Assim, fatores psicológicos
e
fisiológicos associam-se,constituindo
o
todo: o indivíduode
corpo,mente
e
alma
inseridonum
ambiente
de
trabalho (Lima, et al., 1998).Foi durante a evolução
do
homem
que
houve
uma
adaptação
altamenteespecializada
do
membro
superior paraque
tivesse liberdadede ação
suficientemente estável para assumir
movimentos
de
forçae
precisão. Elerepresenta
um
sistema poliarticular limitado pelo tórax e pela polpados
dedos.As
articulações intersegmentares intermediáriasamenizam
amão
do
contatocom
os
objetos,com
os instrumentosque
são
presosou
manipulados.Quando
esse
membro
movimenta-se
mesmo
limitado à articulação gleno-umeral,provoca
uma
adaptação
postural antecipada. Eleé
precedido pela contraçãodos músculos dos
membros
inferiorese
do
tronco (Blanc&
Viel, 1994).Portanto, os proprioceptores
podem
formar abase
parauma
apreciaçaosuperiores
em
relação às outras partesdo
corpo. Durante omovimento,
osmúsculos
não
trabalham isoladamente,mas com
a cumplicidadedos
agonistase
antagonistas éque
omovimento
éexecutado de fonna
harmoniosa.Os
tendões
e ligamentos transmitemas
cargasdo
músculo
para oosso
(tendão) edo
osso
para oosso
(ligamento),modulando
a transmissãode
forças paraque
não
hajaconcentração
bruscade
carga entre os várioscomponentes do
sistema músculo-esquelético (Nicoletti, 1996).
Existem três importantes
órgãos
sensoriais relacionadoscom
acinestesia
ou
propriocepçâo: os receptores articulares, osÓrgãos
tendinososde
Golgi
e os
fusosmusculares
(Fox et al., 1991).Os
receptores articularese
periarticularesemitem
vários potenciaisde
ação
porsegundo.
São
estimulados pormeio da deformação e
dependem
diretamente
do
estímulogerado
(modo de
ativação) e localizaçãodesses
receptores.
As
informaçõesdesses
receptores sobre aangulação e
avelocidade
dos
movimentos
articulareschegam
continuamente
ao
sistema nervoso (Salgado, 1995).Segundo
Salgado
(1995, p. 10), os receptores articularessão
três:1)
Os
Receptores
de
Ruffini-
são_ encontradosnas
camadas
superficiais
da
cápsula articular, estãoem
maior quantidadenas
articulações proximais e
são
estimuladoscom
a articulação imóvelou
quando
mobilizada passivamente.São
de adaptação
lentae
informam
amudança
da
posição articularem
ângulos entre 15e
30°,2)
Os
corpúsculosde
Paciniou
Paciforme_
são encontrados nas
camadas
profundasda
cápsula articulare
coxins adiposos.Estão
em
maior quantidade
nas
articulações distais, informando osmovimentos
articulares rápidos
e
acelerados.São
inativosem
repouso.3)
Corpúsculos
de
Golgi-Mazzoni-
são
encontradosnos
ligamentos,são
dinâmicose
registram a posição e direçãodos
movimentos
articulares
em
graus extremos.Os
Órgãos tendinososde
Golgisão
proprioceptoresencapsulados nas
fibras tendinosas,
são
sensíveisao
estiramentomuscular
porém,menos
que
osfusos musculares.
São
ativosna
contraçãodas
fibras musculares,percebendo
a contração
de
uma
únicaunidade
motora. lnibem aação
muscular,causando
relaxamento
quando
percebem que
a cargaé
Iesiva (Massion, 1998).Os
fusosmusculares
situam-seno
interiordo
músculo,formam
fibrasmusculares
especializadase
servem
como
suportede
receptores, permitindouma
inervação motriz particular.São
sensíveisao
alongamento ou
estiramento muscular, proporcionando contraçãoou
relaxamentode acordo
com
o nívelde
estiramento.
Podem
informarao
SNC
o graude
distensão, onúmero
exatode
unidades
motoras
que
devem
contrair ecomo
deve
ser omovimento
uniforme.A
aferência proprioceptivamuscular
é geralmente tratada dentrode
um
planode
organização espinhal,ação
reflexaou
em
funçãoda
participaçãode
um
mecanismo
de
regulaçãodo
comprimento
eda
tensão muscular,principalmente a construção
do
esquema
corporalcom
o
aspecto geométrico,ou
seja, a posiçãodos
segmentos
uns
em
relação a outrose
o aspectoOs
mecanoreceptores
aponeuróticos, capsularese
Iigamentarespodem
ser multisolicitados
dependendo do
lugarou
situação funcional. Estes serãoestimulados a partir
de
pressão, estiramentoe
mobilização articular (Revel&
Morin, 1984).Segundo
Salgado
(1995), Revel&
Morin(1984), Enjalbert et al. (1997),Massion
(1998) e Blanc&
Viel (1994) é imperativoque
a informação sobreas
modificações
micromecânicas dos órgãos
sensoriais proprioceptivospossam:
a) informar para a regiãoconsciente e/ou inconsciente
do
SNC:
i) a posição
dos
segmentos
corpóreosno
espaço
e/ou a posiçãodos
membros
em
relação à outras' partesdo
corpo;ii) tensão,
angulação
e velocidadedos movimentos;
iii) condições biomoleculares locais.
b) proteger a articulação
de
movimentos
excessivose
permitir aexecução de
um
movimento
uniforme ecoordenado,
sem
lesões;c) registrar
continuamente
a progressãoou seqüência
do
movimento;
d) proporcionar a
base
para modificar ocomportamento
motor
'
subsequente;
e) regular
o
equilibrioe
elaboraruma
imagem
somatosensorial(postura);
f) equilibrar
as
forças agonistase
antagonistas;g) filtrar e selecionar
os
estímulosde
forma
rápida e correta,graduando
sua
atividadede
acordo
com
a intensidadeda
distorçãodos
h) influenciar os
motoneurônios
superioresque
coordenam
a atividademuscular na
articulação.É
útil dizerque
pesquisas játem
mostrado
resultados fundamentais,quando
esses
movimentos
são
realizados.Sobre
a questão, o pesquisadorLida (1997, p. 277) diz o seguinte:
“Uma
pessoa
que
realizauma
tarefa pela primeira vez,provavelmente
sentirámais
dificuldadeque
uma
outraque
já estejaacostumada
aesse
trabalho.Essa pessoa
vai fazermovimentos
bruscos, deselegantes,
cometer mais
erros ese
sentirmais
fatigada.No
dia seguinte sentirámenos
dificuldades.Com
o tempo, asua
coordenação muscular
vaimelhorando e
osseus
movimentos
setornam mais suaves
e harmoniosos.Em
conseqüência, oconsumo
de
energia reduz-se, a fadiga diminui e asua
produtividadeaumenta. Pesquisas
realizadascom
a cun/ade
aprendizagem
demonstram que
otempo
do
ciclose
reduzem
escala logarítmicaem
funçãodo
número
de vezes
que
uma
tarefa é repetida”.Essas
pesquisasvão mostrando que
àmedida
que
o
trabalhador vaiadquirindo habilidade, os canais sensoriais
que
ele usa para obter informaçõessobre a tarefa
vão se
modificandoe cada
vezmais
participa ocenso
cinestésico
ou
propriocepção.Associado
ao
ajustedos
canais sensoriais,ocorre
um
ajustedos padrões
motores,com
uma
seleçãomais
adequada
dos
movimentos
corporais, seguidode
uma
melhoriada
velocidade, trajetóriae
Desse modo,
o
eixoque dá
a direçãoao
trabalho é osenso
cinestésico,sendo
essencial parao
trabalho, pois muitosmovimentos dos pés
emãos
devem
ser feitossem
oacompanhamento
visual jáque
o olhar se concentraem
outras atividades realizadas simultaneamente. Portanto, a propriocepçãotem
um
papel importanteno
treinamento para desenvolver habilidadesmusculares
(Lida, 1997).Quando
um
soldadorde
uma
fábrica automobilística,ao
desempenhar
suas
atividades, flexionaou estende
o braçoe
vai' levantarum
objeto, a forçade
concentração muscular
será diferente para estas situaçõesporque
haveráalterações
nos
mecanismos de
alavanca,de
posicionamento etc. Assim, osistema nervoso
deve
ser informadoda
situação postural,da
contraçãomuscular
edo seu
graude
estiramento.A
importânciadessa
dado
estáno
fatode
que, posições diferentesrequerem
planejamentos diferentesde
movimentos,
asua seqüência
serácompletada
também
de forma
diferenciadae
o sistema nervoso precisa terconhecimento
disso (Silva, 1999).A
clarezada
mensagem
proprioceptiva determina a qualidadeda
resposta
motora
(Salgado, 1995). E,é
claroda
qualidadeergonômica
do
trabalho. Assim, a posição
de
Shilder (1981, p. 48) éque
não
existemexperiências
humanas
sem
experiênciado
próprio corpo.O
corpo é aqueleque
realiza al
aprendizagem e dá
vidaàs
idéias". 'Nesse
sentidoé fundamental
que
asações
a respeitoda educação,
trabalho e
saúde do
trabalhador estejamcomprometidas
com
oseu
corpo.Mas
nao
com
um
corpoque nao
se
manifesta,que
nao
sente,mas com
um
corpoprodutividade
e novas formas
de
adequar-se
à produção. Postulando anecessidade
dessa
relação, acrescenta-seque
aeducação
também
manifesta-se
pela conscientizaçãodos empregadores
para o controledos
riscosno
ambiente
eno
modo
de
produção,bem como
para a instruçãodos
trabalhadores
quanto
aos
riscose
prevenção.É
sabido por todos,que
as condiçõesde educação
e
saúde
são
caóticasno
Brasil.No
entanto, oque
nos
parece
essencial,em
primeiríssimo lugar, éque
esta realidade sejaencarada e
aceita, especialmente por
quem
tem
responsabilidade direta pela área (Cañete,1996).
O
modo
de
concretizaressa
tarefa confirma-secom
o fatode que pode-
se buscar
um
trabalho criativo, reflexivo,capaz
de
transformar asua
práxisem
novas concepções
frenteao
conhecimento, frenteao processo
ensino-aprendizagem,
frente àeducação
(Santos, 1999).2.2
Doença
x Organização
do
trabalhoVale lembrar
que
as
doenças
músculos-esqueléticas relacionadasao
trabalho
tem
preocupado
empregadores
eempregados
cada vez
mais.São
lesões que,
senão
diagnosticadase
prevenidasno
início,tornam-se
cada vez
mais
debilitantes (Bisotto, 2001).Os
setores metal-mecânicos,de
informática e bancáriosão
osmais
propensos
aterem
este tipode
problema, principalmentenos
trabalhadoresde
montagens
na
indústria.É
na
verdade,uma
somatóriade
fatores,não
um
fatorser predisponentes (alterações anatômicas, hormonais, idade, etc.) e,
como
principais,
os desencadeantes
subdivididosem
biomecânicos, organizacionaise sociais.
Pode-se
citar,segundo
Nascimento
&
Moraes
(2000, p. 30)como
fatores
de
risco:a) força excessiva
ao
realizar tarefas;b) repetitividade;
c)
manutenção
prolongadada
posturaou
postura inadequada;d)
compressão
mecânica
de
algumas
estruturas; e) mobiliário;f)
pressão
de
produção, urgênciaem
realizaruma
tarefa;g) condiçoes precárias
de
trabalho;h)
esquema
rígido;i) dupla jornada
de
trabalho;j)
questoes
salariais;k)
repouso
insuficiente;I) monotonia, conflito e insatisfação;
m)
sedentarismoe
estresse, etc.Os
trabalhadoresque exercem
sua função
em
pé e
com
os braços levantados estão entre ogrupo
de
maior riscode
lesõesna
regiãodo ombro
por
traumas
cumulativos (Oliveira, 1991).Os
membros
superioreshumanos
são
muitomelhor adaptados
amovimentos
amplos e
precisosque
amovimentos
potentese
contraçõesmuscular
estática (ou isomética)e
não
propriamente osmovimentos
repetitivos,a maior
ameaça
à integridadedos
tecidos(Codo
&
Almeida, 1995).Entretanto,
conforme
cita Maciel (1994, p. 7) “é importante ressaltarque
os
movimentos
repetitivossão
consideradosquando
possuem
um
ciclo básicode
menos
de
30
segundos
e/ou atividadesem
que
mais
de
50%
do
trabalhoenvolva
movimentos
similares”.Estudos
referidos porCodo
&
Almeida
(1995)demonstram
que, a 30°de
flexão
ou
abdução do
ombro,
apressão
intramusculardo
músculo
supraespinhoso
aumenta
e
pode comprometer
a circulação sangüínea.Ou
seja,uma
pequena
elevaçãodo
membro
superior,quando
o indivíduo realiza contrações dinâmicas contínuas,como
por exemplo, alternando contração concêntrica eexcêntrica,
sem
pausas e
com
carga constante, observa-seque
a relaçãocom
o
tempo de
resistênciae
a forçade
contraçãosão
osmesmos
das
contraçõesestáticas. Assim, curtos períodos
de repouso são mais
importantes para otempo
de
resistênciaque
o tipode
contração estáticoou
dinâmico.Atenção
especialdeve
serdada
às articulações,que
são
estruturasque
suportam
esforços muito grandes,mesmo
em
movimentos
simples.A
elevaçãodo
membro
superioracima
do
ombro
produz
um
torque sobre omanguito
rotador (ver Glossário) equivalente a
nove vezes o peso
do ombro
(Nicoletti,1996).
Segundo
Lech, (1995, p. 83)“Um
achado
clássicono
exame
físicodo
paciente
com
patologiado
manguito
rotadoré
o arco doloroso entre70
e 120°Quanto
ao
cotovelo,15%
da população
já teve dorou
terá acada
ano,independente
de
suas
tarefas laborativas exigiremou
não
esforçodessa
articulação (Hadler, 1999).
As
lesõesmais
comuns
a níveldo
punho
são:tenossinovite
de
flexoresdo punho
e
dedos, tenossinovitedos
extensoresdo
oarpo e
dos
dedos,Doença de
Dequervain
esíndrome
do
túneldo
corpo(Couto, 1994).
Portanto, para
se
determinar as posturas corretas durante o trabalhodeve-se
levarem
consideração, entre outros fatores, a alturade
alcancedo
membros
superiores, osdeslocamentos
do
trabalhadorao
redordo
localde
trabalho e a carga a
que
ele é exposto (Nosch, 1992; Couto, 1996).Dejours (1998, p. 10)
entende
por organizaçãodo
trabalho,“não
só
a divisãodo
trabalho, isto é, a divisãodas
tarefas entre osoperadores, os ritmos impostos
e
osmodos
operatórios prescritos,mas
também
e sobretudo, a divisãodos
homens
para garantiressa
divisão
de
tarefas,apresentada
pelas hierarquias, as repartiçõesde
responsabilidade
e
os sistemasde
controle”.Quando
a organizaçãodo
trabalho entraem
conflitocom
ofuncionamento
psíquicodos
homens
quando
estãobloqueados
todas aspossibilidades
de
adaptação
entre a organizaçãode
trabalhoe
o desejodos
sujeitos...”, então,
emerge
um
sofrimento patogênico,um
processo
dinâmicoem
que
os .sujeitos criam estratégias defensivas para se proteger (Dejours,1998, p. 10).