c
Bacillus Thuringiensis
Deisc Maria Fontana CapalboDm em Enscnhan"a deAiimeulos, pesquisadora, Embmpa Meio Ambie111e
df'l-" • <."II{WUI.embrapo hr
Gislaync Trindade Vilas-Bôas Dm em /lficrobiologia, Universidade Esladual de Londrina
J~t/'(Jt:.l.\ 1ut"/ br
Oüvia M. Nagy Arantes Dra em Agronomia, Professor Adju nlo Universidade Estadual de loudri11a
11.IIUIII \ w•J/w
Marise T. Suzuki
Mestre em Biolecnolojj;a1 Doulomnda de
BioiCCIIOiogia pela USP/SP
Bolsisla Capes, Embmpa Meio A mbieme ml""'"'''L c.upma ~Jnblll{-•a br
Formulações e Plantas
T
ransgénicas
O
controle de insetos-pra-ga
de la vour:.~s noci \'OSao homem tem sido fe
i-to com inseticidas quí
-micos desde o início ela
década ele ·'ÍO, no século passado.
Além do problema de poluição ambiental gerados, eles se mostra -J~lm tóxicos e sem especificidade, atingindo também os insetos benéfi
-cos e induzindo casos de resistência
nos insetos praga. Outros compostos
químicos foram posteriormente ela -borados. mas o seu emprego intens
i-vo. tanto na agricultura quanto na
saúde pública. resultou em novos
casos de resistência c mesmo em resistência cruzada. Além do probl e-ma da resistência. com conseqüente
redução da efetividade do controle.
o uso de inseticidas qu.ínúcos tam -bém leYou à recluç:lo ela
hiodivcrsidade nas áreas tratada.s. à contaminaç:lo ele alimentos. do solo e da úgua.
A agricultura sustentável do sé-culoXXl exige. cada vez mais, inter -venções alternativas para o controle
c manejo ele insetos que sejam
ambientalmenre seguras e que redu
-zam o contato humano com os pesticidas químicos sintéticos. Como opção podem ser utiliz:.tclos micror -ganismos cntomopatogêJúcos, indu -indo bactérias, YÍrus. fungos e
protozoários, com vantagens num e-rosas, como por exemplo: a segura
o-r,.<~ para seres humanos c outros orga -nismos-nào-ah'o. a redução ele r esí-duos de pesticidas nos alimentos, o aumento ela a tiviclade de outros
ini-O
I
~'~:?
2or
{·
);
O
/
migos naturais c a recuperação da biodiversicla.de nos ecossistemas tra-tados.
Nos anos que se seguiram à sua
descoberta, no início elo século XX,
Baciltus thuriugh•nsis (Bt) recebeu
pouca atenção elos microbiologistas
e e nlomologistas. Entretanto. após a descoberta de sua atividade entomopatogênica. ele passou a ser
estudado por enorme quantidade ele
cientistas das mais di versas di
scipli-nas, que exploraram seus segredos em nín:l molecular, fisiológico
c
eco-lógico. Hoje, Bt é o inseticida
microbiano mais bem-sucedido, apli -cado na proteção ele grJ.os, f-lorestas e no combate a vetores de clot>nçts aos humanos.
A atividade c:ntomopatogênica
desta bactéria é decorrente da pr
o-dução de cristais protéicos em
con-conút:lncia com o processo de esp o-rulaçâo(figura 1). Esses cristais são formados por pollpept íclios conheci
-dos como proteínas C!y que apr e-sentam propriedades entomopato
-gênkas freme a insetos elas ordens
Lepidoptera, Diptera, Coleoptera,
r
lymcnoptera, f·lomoptera, Dict yop-tera, Orthoptera, Mallophaga, além de ncmatóides (Strongylida. Tylen-chida l, protozoários (Diplomonadi -da l c ácaros ( A.cari)
O avanço elas pesquisas com esta bactér.ia incentivou a busca ele 110\'0S isolados comariviclacle tóxica até então desconhccicla àqueles
in-setos. bem como a obtenção. por
engenharia genética, ele l inh:tgens com atividade bioi nseticicla frente a
Quadro 1. Pesquisa desenvolvida com Bacillus thuringier\Sis no setor privado nos anos 1980 Perlodo Empresa Abbot Laborok)ril\~ Antes 810chem de 1980 Zoecon Após Abbol 1980 Solva')/Ou>tw No110 Ciba-Ge1gy ICI St.mbmo Oaw Elan;o
Rot.~ ar<l Haa•
Plant GBnelic Sy.;toms
Calgeoe Su;,g...., 16dn hc. Agrigene~cf. Cmp Goooica111Am Capas não modificadas
Fonte· Adaplado de Fmrl<fl<h.t(.<en (1993)
a
Capas melhoradas Plantas recombinantesb
Aplicação mediada por microrganismosFigura 1. Mia-oscopi.'l eletrônk:t de v:uredma de esporos e crist::tis (setas) ele Bacillfi.S tburitlgiensís. a) cristais com formato bipiramiclal e bl cristais com form:uo esférko.
Barras: 1 j.Ull.
Fotogrofi:lsde ,\olorisc T. Suzuki
I C.'-'!',\ I,\ IE.\oJBR.'\P A).
um espectro maior de insetos alvo.
Esses avanços coincidiram com uma mudançt decisiva no modo como :1 sociedade. e em especial os órgãos regulamen~tdores, perceberam as
conseqüências ambientais do uso
intensivo de pesticidas químicos, em
especial o desenvolvimento de re -sistência dos in:;etos aos princípios atiYos. Esses fatos estimularam inú
-meras empresas \'Oltadas ~ prod
u-~s:ào de agrotóxicos e à biotecnologia. a iniciarem ou fortificarem suas li
-nhas de pesquisa e desetwolvim
en-to com Bt (Qmdro 1), bem como a
lançarem no mercado inúmeros pro -dutos registrados à base dest.'ll.>acré
-tia.
O desenvolvimento ele novos
produtos para o controle biológico
foi possível, especiaLnente, devido
à atividade entomopatogênica desta bactéria esta r relacionada à fo
rma-ção da proteína C1y, codificada por um único gene
a
y,
o que facilita amanipulação de diferentes genes e~y
em processos biotecnológicos. As
-sim, no Final do século XX houve uma diversificação elas estratégias
ele sua utilização no controle biológi -co: maior produção de toxinas; au-mento elo e-spectro ele ação por no -vas va ricdacles de B. thu rinp,iensis; inrrodução de genes ctyem diferen
-tes microrganismos e plantas
transgênic.ts.
Foi assim contornado o limitado espectro ele controle e obri<bs for
-mas mais e fica Lese direcionadas ele
aplie.1çào. dando espaço para novos avanços na áre:t de genética ele I3t.
explorando-se ainda m:lis as bases
de sua toxici.dacle seletiva e
especilkidacle.
Genes cry c proteínas
Cry
A patogenicldacle e aespecifi-cidade d~ uma linh;1gem ele
B
t
sãodeterminadas pelos tipos ele genes c1y funcionais que a mesma apre
-senta. l'ma linhagem ele B.
thw-ingiensis pode conter uma ou
v<irias cópias de um mesmo gene uy ou ele diferentes genes cujos proclu
-tosfom1arão o mesmo cristal. A loca
lizaçio preferencial em plasmíd.ios
con jugativos, bem como a freqüente
associaçiio a elementos genéticos
móveis. determina a grande cliversi-d~H.Ie destes genes e a conseqüente
ocorrência ele linhagens contendo
diferentes combinações deles, o que
resulta em perfis de toxiciclade dis-tintCJS.
Todos os avanços no conheci
-mento dos genes crvpermitiram a in-da a construção ele sondas
específi-cas para a seleção de li1lhagcns por
meio ele análise de hibridaçào, em razão ela presença ele seqüências ele
nucleotídios conhecidas. Em 1998.
Crickmore e colabomdores propuse
-ram um:..t cbssific~tçàodas proteínas
C1y, baseada someme na seqüência
de aminoácidos, não levando em
consideração o perfil de toxlcidade.
Atualmente são descritos mais de
2')0 genes diferentes, enumerados
por algarismos arábicos contendo ·H
classes com subdivisões (cryl a
cJy·-\1). As atualizações são
freqüen-tes e podem seracompanhaclas pelo
site: httJ2~j2!tnix..bipls.susx.ac. uk/
l:!m't.Je/Neil Crlckmore/Bt/index.
Modo de ação c cstrutur& das proteínas Cry
Na fonna como sãosinretiz.adas,
as proteínasC1yapresentam-se como
protoxinas sem ação entomopat
o-gêniCI, necessita ndoserativacL'ls pata
o clest!ncacle:.uncnto ele seus efeitos
tóxicos. Sua ação ocorre por via oral.
seguindo-se uma série ele passos. Ao
serem ingcridas por um inseto
sus-c<.:'lí vel, as protoxinas são
solubiliza-das no ambiente alcalino elo int
esti-no dele (pH - 10) e, em seguida, processadas por proteases
específi-cas. Os produtos ativos das proteínas Cry resultantes de todos esses
pro-cessos J igam-se de maneira
irreversí-vel a receptores ele membrana das
caulas epiteliais do intestino elo in
-seto, leva nclo
:
t
forlllilção ele porosinespecíflcos ou canais iônicos. que
alteJam a permeabilidade das célu
-las. Essa alteração leva a um:I lise
celul::tr c à ruptura ela integriclade intestinal, com conseqüente morte
ela larva.
As proteínas Cry apresentam
massas moleculares que Yari.::un ele
/ÍO a 1 iü kDa, possuindo duas
regi-ões distintas: uma porção amino-terminal, normalmente vatiável c
as-sociada à toxiciclacle. e uma porç:io
Gtrboxi-term.inal, mais conservada
entre as proteínas, associada
geral-mente: à formação do cristal. Nos insetos pertencentes à ordem tepidoptera, a intoxicação manife
s-ta-se por paralisação imediata elo
tubo digestivo e elas peças bucais,
levando à lise celular e interrupção
da alimentação. Esses sintomas são seguidos por ruptum na integriclacle
elo intestino. inanição e posterior
septicemia, levando o inseto à
morte.
Ecologia de B. lbrwingiensis Em todo o mundo, muitos pro-gramas de isolamento de B. thuringiensis têm encontrado este microrganismo distribuído em ampla. gama ele ~unbientt:s. Linhagens têm
sido isoladas principahnente a partir de amostras de sol o, de insetos vivos ou mortos e de grãos estocados ,
bem como de fontes alternativas,
como o filoplano ele espécies
vege-tais e amostras de águas de rios e
lagos. No entanto. a sua distribuição
e suas relações ecológicas permane
-cem ainda em discussão. Sabe-se
que seus esporos podem persistir no
solo por diversos anos, contudo. se
-gundo estudos recentes, B.
thuringiensisnào tem a capacidade
ele se multiplicar nem no so.lo nem na água. Diversos da elos evidenciam
que o inseto é o único ambiente
onde ocorre multiplicayào e efetiva troca ele materi31 genético entre li -nhagens de H. thuringiensis(Suzuki et ai. 200/í; Vilas-Bôas et a!., 1998). lsso explica o fato ele nunca ter sido
descrita epizootia no caso de B. thuringiansise corrobora a
seguran-ça elos produtos à base desta
bacté-Iia.
Produtos formulados à base de B. thu·rillgie,l..<õis
Formulaçôes comerciais
basea-das em B. tbu ringiensis Sà{)
com-postas por uma mistura ele células,
esporos c cristais, que são formados
por proteínas Cry. Estas proldnas
são consideradas ambic:ntalmente
seguras por apresentarem um modo
ele ação extremamente específico e
serem rapicbmentc hiodegradaclas
em ambientes natu1~tis como o solo.
Os mecanismos envolvidos no modo
ele ação de Bt garantem ele certa
fonna sua segurança especialmente
ao homem e insetos benéficos. Em
adição, extensivos estudos em labo-ratório são requeridos para a
libem-çàocle novos produtos pela Agência
Americana ele Prote~·ào Ambiental
(EPA-EliA) e outras autoridades
regulatóiias ele vários países,
incluin-do a Agência Nacional ele Vigilância
Sanitária (ANVISAJ. o Ministério da
Agricultura, Pecu:iria.c
Abastecimen-ro (tvlAPA) e o Instituto Brasileiro do
Meio Amhiente e dos Recursos
Natu-raLs Renováveis (JRAMA l no Brasil. O
Quadro 2 mostr~1 a disponibilidade de produtos 3 base ele Bt. no Brasil,
até dezembro ele 2003, registrados
nos órg~os fcclc::r:Iis <:ompetentes. A escolha ele um produto para a implantação de programas de <:o n-trole de insetos eleve levar em conta,
entre outras caJacterísticas, a eficácia
e a persistência da atividade
bioinseticida. No entanto, alguns pro-dutos têm demonstrado baixa per
-sistência e/ou atividade no campo, o
que leva a aplicações recorrentes,
dependendo elo produto e do in
se-to-alvo. Outros produtos não
atin-gem determinadas regiões da plan~
ta, como raízes, colmo c botão H oral,
que são pontos estratégicos para o
controle de várias pragas suscet.í v eis
a B. tbw·ingiensis. Assim, houve a
necessidade do desenvolvimento de
produtos l>iotecnológicos à base de
proteínas Cry, visando preencheras
!aCLmas apresentadas pelos progra
-m .. 1.s ele cont1·ole ele insetos baseados
em Bt.
Diferentes produtos
biotecno-l.ógicos foram lançados no mercado,
como o bioi nseticida Ra ven~da
Ecogen, produzido a parti.!· de uma
li11hagem ele R. tburingiensis onde
::í-Quadro 2. Biopeslicidas à base de Baclllus lhuringiensis registrados no Brasil alé 2003
Órgão de Registro Empresa Nome Ingrediente Organismo
1 Classe 2 Ano de
produtora comercial ativo alvo toxicológica registro
Sumi tomo 8. thuringiensis var.
if·S
MAPA3 (anteriormente Dipel Lepidópteros 1991
Abbolt Lab.) kurslaki, HD-1
IBAMA4 Sumitomo Dipel F
8. thuringiensis var. Thyrinleina amobia IV4.5 1991
kurstaki, HD-1
8. thuringiensis var. Lepidópteros IV4,5 1981
MAPA Sumitomo Dipel Técnico
kurstaki, HD-1
MAPA Sumi tomo Dipel PM6 8. thuringiensis var. kurstaki.HD-1 Lepidópleros IV4.5 1989
MAPA Agri-control Bac-control PM B. tnurfnglensls var. Lepidópteros ~.5 1987 kurslaki. 3a, 3b
Novartis 8. thuringiensis var.
MAPA SA(anliga Agree Lepidópteros IIISiv" 1995
Ciba-Geigy) aiza~'Bi. GC 91
lBA MA Novartis S.A. AgreE 8. thuringiensis var. T. amobia 11151V4 1995
aizav.ei, GC 91
MAPA Milenia (antiga BacturPM 8. fhuringiensis var. A gemmata/is 1115iv" 1996
Geratec) kurstaki, H-3a. 3b
lharabras 8. thuringiensis var.
MAPA Novartis S.A. Thuricíde Lepidópteros if.5 1991 (antiga Sandoz) kurstaki, HD-1
lBA MA lharabras I Tluicide PM 8. thuringiensis var. Lepidópteros ~.5 1995
NovartisSA kurstaki
ANVISA NovartisSA Teknar 8. thuringiensis var. Cu/ex, Aedes. Anopheles, IV 1989 israelensis Siml.dídeos
ANVISA Sumitorno Spherico 8. sphaericus Aedes aegyp~ Culicídeos IV 1995
MAPA Agrevo Bayer EcotechPro 8. thuringiensis 1!15iv" 1998 Crop Science
MAPA Sumi tomo Xentari 8. thuringiensis 115~ 1998
ANVISA Sumitomo Vectolex-G 8. sphaericus Domissanitário Domissanitário7 '1999
1Cbs~>e toxicológic.1: Til - medianamente tóxico, IV • pouco tó:<ico
'Ano em que o registro foi autoriz:tclo
'Ministério ch Agricultura, d1 Pecuária e do Abastecimento
•Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e elos Recursos, aturais Renováveis
- Ministério elo J\Icio Ambiente
5Agéncia Nacional de Vigilância Sanitária/AN\1SA- Ministério da Saúde
"PM • pó molhá,·el (tipo de tonuulaçào)
-'Uso em campanhas tlc saúde púbica e por inst.ituiçcies especializ~1das veis pela formação de proteínas Cry
ativas <.:ontra coleópteros e lepiclóptcros. Outr:t estratégia en
-,·olvendo os genes crvé a possibili
-dade ele expressão em organismos
re<.:ombinantes lteterólogos. Essa tecnologia permitiu que a capacid a-de ele produção ela toxina Cty fosse transferida para outros organismos. agregando vantagens aos produtos,
como o controle de pragas in acessí-veis aos produtos coJTvcncionais e
maior estabiliclach~ elas proteínas Cry no ambiente. Com essa Hnaliclade. fomm utilizados organismos colon
i-zadores de plantas. como
Pseudomonas cepacia, Pseudomo
-nas fluorescens, Azospíril-lum,
Bacillus pumilus
c
Rhizoúiumfegumi11osmum, além de fungos ectomiconízicos, como Laccct1'ir4
bícolor. Da mesma forma, a introdu -çio ele genes c1y em bactérias
endofíticas que colonizam o sistema
vascular elas plantas permitiu o con
-trole dos insetos que vivem no intc-riOl·do c:wle e das raízes (Arantes er al.. 2002).
Além das linhagens ele 1:3. tburingiensismelhoraclas genetic::t -mente e da constmçào de mic
rorga-nismos recombina ntes hetcrólogos, outro produto hiotccnológico surgiu
no final do século XX, gerado pela inserção ele genes
oy
em plantas, formando as chamadas pb.ntas Bt, asquais produzem suas próprias prote -ínas Cry. ficando protegidas elo
ata-que de insetos suscepth·eis. A pro -dução destas pb.nlas ocorre em labo-ratório com o emprego ele métodos ele engenharia genética (Capalbo ct
<~L 200·fl.
Métodos moleculares para se obter plantas Bt O desenvolvimento elas plantas
transg0nicassó foi possível devido a
universalichde ela molécula de DNA, presente nas células ele todos os
organismos vivos. Essa molécula
es-toct a informação genética e or
ques-tra os processosmetabólicosda viela. Mesmo espécies completamente di-ferentes têm mecanismos equiva
-lentes para converter a ínfOJmação
genética contida no DNA em prote
-ínas, o que sign.ifka que um
segmen-to ele DNA proveniente de uma
bac-téria pode ser bem inl'erpretado e traduzido em uma proteína funcio
-nal quando inseiiclo numa planta.
O fragmento de DNA a ser i
nse-rido no genoma da célula vegetal
normalmente acrescenta um fenótipo ou causa alterações no fenótipo original. como a produção de nova(s) proteina(s). O primeiro
passo para que isso seja feito, é a preparação do DNA exógeno, que
eleve conter, nom.ínimo, um promo
-tor (para ativar o gene), o gene ele interesse lum gene
ety
no caso elasplantas Bt l, uma seqüência de térmi -no Cuma seqüência de DNA que sinaliza o final d<l transcrição do gene) e um gene coclificante para uma marca que permita a seleção elas células que foram transformadas.
Para a obtenção ele plantas transgênicas, o DNA exógeno eleve ser inserido no genoma ela célula vegetal, permanecendo estável. Se
a inserçio do DNA é direcionada a um loco pré-determinado, o proces -so é chamado de recombinação
homóloga. Ao contrário, se a inse
r-ção do DNA ocorrer ao acaso, o
processo é denominado rccombinaçào heteróloga. Uma vez estabelecido o DNA no genoma ela
célul:1 (cromossomo ou cloroplasto),
seqüenci~ts exógenas s:io
quimica-mente inclisl'inguívels daquelas ela
célula vegetaL ou seja, a origem da
seqü0ncia de DNA não interfere nos
processos de replicação e segrega-ção. Para a obtenção elas plantas Bt, segundo Prescott et al. 0999),
quatro técnicas de transformação têm sido correntemente utilizadas: sis-tema Agrohacterium, e letroporação, biobalisrica e microinjeçào.
O rendimento ele qualquer um
desses métodos ele transformação é extremamente baixo, e para obter alto nível ele transformantes, a sel e-ção, em geral, é feita por meio de
cultura ele tecidos incliferenciaclos (calos) sobre um meio seletivo nor -malmente contendo antibiótico ou
herbicida. Posteriormente. as células
são estimuladas a iniciar um proces
-so de diferenciação, para em seguida formar uma planta regenerada e
fé.rtil.
Estratégias de seleção de plantas transformadas Uma elas etapas essenciais ao sucesso na obtenção de uma planta
transgênica é a seleção ele clones estáveis para a fonnaçào de plantas
adultas nas quais podem ser quantificados os níveis de expressão 'da molécub de interesse. Entre as estratégias correntemente utilizadas
para recuperar transfonnantes, e
s-tão: o emprego de genes de resi
s-tência a um agente químico seletivo,
como umantibiótico ou
um
herbicida; o uso ele genes que conferem um fenótipo que permite seleção visual ou tisica (como o desenvolvimento da colof3çào); ou a identifica~'ào eleplantas transformadas por meio ele amplificação elo gene inserido por
PCR (Reação de Polimerização em
Cadeia) ou por Southern blot. A utilização ele agentes seleti
-vos é extremamente vantajosa em
relaçio a outros métodos, por isso é
o método mais empregado na sele·· ção ele OG.r..·Js. Em meio seletivo, esses agentes impedem o desenvol -vimento de células não-transforma
-80 B;ote~.:nologia Ciéncia D DcsPnt·oll'imon/(J TJ . .]4- jcmeirolju nho 200.5
das, ou seja, que não são portadoras dos transgencs, não havendo neces-sidade de posterior .separaçüo entre
células transformadas e não-transfor
-maclas. Entre os genes ele resistência a antibióticos mais utilizados, desta-cam-se o gene blaTT!.M' que codifica resistência aos aminoglicosídios, como a ampicilina e a penicilina, o gene aadA, que confere resistência à
estreptomicina e à espectinomicina, e um gene apb, mais especificamen
-te o aph(j), também designado
nptll, que codifica para a resist~ncia
à kanamici na e à neomicina. A preocupação com os possí
-veis efeitos ambientais indesejáveis elos genes de resisrênci:.t aos anribió -ti.cos foi um dos princip:lis fatores
qu~ incentivaram o desenvolvimen -to de novas tecnologias de clonagem. Entre elas, a técnica em que as célu-las vegetais são transformadas com construções especüka.s em que o
gene ele resistência ao antibiótico se encontra flanqueado por seqüências de DNA denominadas lox. Posterior -mente, as plamas obtidas são cruza-das com outras plantas transgên\cas contendo o gene cre, que coclitka para a recombinasc Cre. Dentre as plantas resultantes, obtêm-se aque
-las em que o gene de resistência ao
antibiótico foi retirado mediante a
recombinação das seqüências lox,
n'l.-:tntendo-sc, no entanto, o gene de interesse. Um exemplo desse pro
-cesso é encontr~ldo no trabalho de Ow (2002).
Entre os métodos que permi
-tem a seleção visual dos
transfor111antes. destaca-se a utiliza -ção ele genes que codificam para a formação de pigmentos, sendo
visualiz.ada coloração específica nos transfonnantes. A enzima beta -glucuronidase é ~~ base do sistema CUS, cuja expressão é verifkada em meio ele cultura em condições propí -cias ao desenvolvimento da color
a-c;;àoaz.ul pelas células transformacbs. Essas células são então separadas
daquelas sem a coloração e
transferidas para um novo me.io de cultura, para a regeneração ele uma
-prego desse .sistema pode ser t>n -contrado no trabalho ele An~ncibia et
ai. (1997).
Quando o número de células
transformadas é baixo, pode-se tam
-bém verifica r a ocorrência ele tm ns
-formação por meio de reaçôes de PCH, utilizando-se um i nidador cuja
seqüência seja complementar ao
gene trabalhado (no caso ele planta
Bt, o próprio gent> cJy). Também, pode-se utili;,:ar o método Southern b!ot. detect:-~nclo-sc a presença de seqüências cl~::· DNA por meio da
llibridaçào com um fragmento de
DN1\, .marcado radioativamente ou
por meio de métodos col.orimétricos. Após a confirmaç1o da estahi li-dacle do gene. mediante a verifi ca-ç;lo elo fenótipo. deve-se então veri
-ficar e, ou, quantificar sua expressão. Entre os métodos utilizados, d
esw-ca-se Nortbcrn blot tdetecçào elo
RNAm). \Festem blol (detecção da
proteína coclillcada pelo gene) e ensaiosimunológicos. Postedormen
-tc, é feita a constatação e a
quanritkaçào ela atividade inseticida ela planta transgênica, por meio ele bioensaios com os insetos-alvo. Alter.t.çõcs molccuJarcs dos genes cry Antes ele serem introduzidos numa planta, os genes cr)' elevem ser alterados em sua seqüência de
DNA por mutagênese sítio-dirigida.
lsso
e
necess:lrio para que as di fe-renç;as nos mecanismos de expres-são entre organismos procarionws e eucariontes não bloqueie ou dimin u-am a expressão elo gene. AlgLLns exemplos ele a lrerações, realizadas
na obtenção de a.lgumas phmas Bt, s:to apresentados a seguir.
Os primeiros experimentos, para a obtenç·ão de plantas expr es-sando genes
o:v.
foram realizadosusando o gene c1ylA inteiro. No entanto. somente baixos níveis de
proteínas C1y foram obtidos c a plan
-ta não apresentou qt~<dquer ath·id
a-de inseticid:1. Os primeiros sucessos
foram obtidos pela expressào de fragmentos de genes crvq
u
e
codifi-cam para a parte tó:xic.:a de proteínas
Cry. Dessa forma. a expressão de
fragmentos truncados dos genes
c1ylAa c: c1yli\b em plant:1s de
tahaco resulta r~tm em níveis
significantes de produção ele prot
e-ínas Cry c eficiente controle de la -gartas ele McmducasC!.\.1a.
No entanto. níveis de expressào de gcnes c1y nativos truncados em plantas le\·am à procluçao de cerca
de 0.001% do total de proteínas solúveis. sendo esses nÍ\'Cis men o-res que aqueles obtidos com outros transgenes. Isso se deve ao fato do genoma da planta apresentar alto conteúdo ele Guanina (GJ e Citosina
(C), enquanto os genes e~ytêm alto conteúdo de Aclenüla (A) e Timina
(T), o que pode levar a planta a processamentos Incorretos e à for -m:~e.;:ào ele HNAm nào-funcion.ais. Além disso, os códons USllalmente presen -tes em genes CJysào raramentl:'
uti-lizados em plantas, o que pode
pro-vocar pausas no ribossomo e talvez acelerar a clcgraclaçào elo RNAm elo gene CJycontido nas plantas.
tvJuitas pla tHas Ht foram
construídas com os genes aylAb e c1y1Ac truncados, mas outros genes
também têm sido utili%ados, como o
c1y9C em milho, resultando em pro
-teção contra Ost1inia nubilalis, e a
inserção elo gene Cly3A em batatas,
Clue levou à expressão ela produção
ele altos níveis da proteína Cry5A e
ao controle ele LejJtinotarsa
decemlineata . Além desses genes.
foi construída uma versão do gene
e~y1C pa1·a <1 obtenção de altos tú
-veis de expressão em plantas. p
ro-porcionando a proteção de La baco e
alfafa contra as lagartas Spodoptem littoralis e S. exígua c de brócolis contra Plutel/a xylostella.
Com o passar dos anos e o d e-senvolvimento de novos métodos moleculares. outras gerações de phn -tas Bt surgem, cada vez mais seguras e voltadas não só ao controle clo(s)
inselo(sJ-alvo, mas também il con -servação das concliçôcs ecológicas
estabelecidas nas áreas ele cultivo.
Com esse intuito, pesquisadores vêm
desenvolvendo plantas em que as
proteínas Cry podem ser expressas somente onde e quando necessárias através elo uso de promotores tecido
específico. tempo específico ou
genes promotores induzíveis. Esses
e outros cuidados sã o tomados no sentido de minimizar o desenvolvi
-mento ele resistência elos insetos às proteínas C1y e o fluxo gênico para variedades selvagens. Al6m disso.
deve-se lembrar que várias outras
estratégias também têm sido pr
o-postas para serem utilizad:1s no cam
-po e que ajudam a retardar a oco r-rência destes eventos.
Análise de risco c adoção
da'i plantas Bt
Os debates sobre a introdução
comcrcla I cl.e plantas geneticamente
modificadas en1 algumas regiões elo
mundo levaram a questionamentos
sobre seu impacto potencial no
am-biente. Dúvidas surgiram quanto à
possibilidade ele afetar organismos
não alvo. cruzar c produzir plantas
daninhas, ter efeito adverso sobre a
biocliversiclade e reduzir efetivam
en-te o uso ele insumos químicos ind e-scjá v eis. Embora se saiba elo impacto
inevitável da agricultura sobre o
ambiente, foi questionado o quanto esras plantas afetariam o balanço entre a produção agrícola e a vida silvestre.
A controvérsia atingiu a opinião
pl'1blica, demandou. e continua de
-111<1!1da ndo, estudos extensos. Tais preocupações da sociedade trans
-formaram as pia nta.s Rt nas mais bem
estudadas quanto aos riscos/bene
fí-cios envolvidos. A comunidade cien
-tífica constatou evidências de que os
benefícios são elevados pam os pro
-dutores, porém reconhece que o
processo regulatório precisa ser mais bem ajustado. Há um bem docu -mentado histórico ele segurança da
aplicaçàv de Bt, como produto fo
r-mulado. no ambiente. devendo a
go-ra ser verificada se esta segurança é
mantida na diversiclacle de YCículos
(como outras bactérias e plantas)
desta bactéria bioinseticicla.
processo rcgul:ttório das plantas
transgênicas, e das plantas Bt esp e-cificunente, devem levar em conta
a c:uacterística peculiar destas plan
-tas ele dissemina r um princípio ins
e-ticida, tendo por veículo a própri<t
planta. A ma.ioria elos pesricicbs sin
-téticos e também os nattu"ais são aplicados por pulverização em t
em-po c quanticbde dctcmlinados: a
cobertura nunc:t atinge 100% e. em
conseqüencia, o pri ndpio ativo nào
atinge todas as partes elas plantas. O
agricultor decide quando, onde e como será aplicado o pesticida tradi
-cional, enquanto o princípio pestici
-da das plantas transgen.icas (como
nas plnntas Bt) será liberado. na
maioria elos casos, durante todo o
ciclo ele vida da planta e, com fre -qüência, em rodas as partes da pl:-t n
-ta.
Como forma dt: garantia ele se-gurança para o ambiente e os consu -midores, compele aos órgãos pú
bli-cos ele cada país controlar o uso ele produtos utiliz;~dos no ambiente (ali
-mentos, agricultura, pecuária, sa t'icle
pública, entre outros), requerendo
sua avaliação adequada previam
en-te ao seu registro para uso comercial.
Compete ainda aos mesmos órgãos
públicos estabelecer os critérios par.t a avaliaÇ'ào destes produtos, dentro
de normas específicas que consid
e-rem as diferenç·as fundamentais e n-tre produtos quí.micos c biológicos,
transgênicos e não transgênicos, no
que se refere a <:omposiçào, forma
de ação c comportamento no ambi
-ente.
Os riscos ambientais analisados
pa~ as plantas t ransgênicas com
ca-racterística pesticida (caso elas plan
-tas Btl enquadram-se em quatro ca
-tegorias amplas: -11uxo gên.ico do
lransgene para outras espéci.es ou
variedades:-e\·oluçãodc resistência
nas pragas-ah·o; - efeitos adversos
nas espécies não ah·o expostas à
proteína Bt; -eft'itos ela proteína Bt na biora elo solo; d:~s C[ll<tis discutir
e-mos brevemente as duas últimas.
Efeito nas espécies não alvo
Quando estão no campo, as
cul-turas abrigam não somente os in
se-tos-praga, mas também outros artró
-podes (parasitóides e predadores), os quais desempenham importante
papel na regulação elas popula~ões ele herbívoros. Em termos eco
lógi-cos, essa hierarquia é chamada de
interação trófica. As interações trúfi
-cas c os mecanismos para a interfe -rência das plantas Bt sobre essas interações sfto complexos e depen
-dem ele muitos fatores, como: nível
de resistência da planta, especifici
-dade elo novo caráter introduzido/ expresso, em quais tecidos este c a-ráter será expresso e por quanto
tempo, presença ele plantas suscetí
-\'Cis próximas e manejo ela cultura, ou seja, aplica çào de inseticidas, con-trole de plantas invasoras, entre ou
-tros. A preocupaç·ão que levou a
estes estudos foi a de que os insetos
-alvo pudessem adquirir a proteína Cry produzida na planta Bt quando
se alimentassem dela e, assim, expor
a proteína aos inLmigos naturais, seja
por meio ele seus fluidos corpóreos,
seja mediante cont:uninaçãode suas
larvas e disseminação em suas fezes
H)'t a.inda a possibilidade de que, com
a rl.'clução elas aplicações de i nsetici
-clas em culturas Bt. as pragas secu
n-dárias tornem-se import:lntes, at
in-gindo opa pel de praga primária em
relação àquela cultura.
Deve-se ressaltar que, em uma
análise ele dsco, a pesar da necess icla-cle ele se saber quantos e quais orga-nismos podem consumir os tecidos elas plantas, esse consumo c a
dis-pers:lo deles na cadeia trófica só se
constitui em risco se,
em
nível nor-mal de consumo ('111 c.1.mpo, resultar em efeitos adversos.
Em 200], a Agência ele Proteção
Ambiental americana (EP AJ concluiu,
em reavaliação elo risco apresentado
por plantas Bt, que as proteínas Cry
de Br procluziclas nas plantas tr:ms
-gê.nicas não apresentam efeitos ad
-versos às populações de organismos não alvo expostas ~s quantidades
desta proteína que são enconrraclas
nos tecidos dessas plantas
( v.·v·.'W. cpa.g m·
í
pesti cicles;'hiopesti-cidesipips/br bracl.lttm).
Efeitos da proteína 8t na biota do solo Para que o ecossistema solo per-maneç..t saudá vc:l. é necess:üio ma n-ter sua biocliversidadc
e
a estabilida-de dest:t di\'ersidade. Assim. um dano
potencial associado a plantas Bt é a
possibilidade de alterações nos gru-pos funcionais presentes no solo,
favorecendo determinado grupo em detrimento ele outro. Proteínas Bt
podem apresentar 110\'0 efeito tóxi -co para a biot::t, ou ser uma nova fonte de substrato. Muclan~,:as na
di-versidade dos microrganismos do solo
podem a Iterar irrcversivelmente a a
dinâmica funcional elo sistema sol
o-planta original.
O assunto é tão extenso quanto
a diversidade de micro e macrorga
-nismos presentes no solo. Para
efei-to ele il ustraçào, podem-se apres~n
tar os seguintes efeitos, potenciais.
de plantas Bt na biota elo solo:
• Organismos fragmentadores e,
ou. clccompositorcs - Plantas Bt exsudam, em maior ou menor quan
-tidade, toxinas atra \·és elas raíLes,
que pocleria m afetar org:m.ismos rcs
-ponsá veis pela cidagem de matéria
orgânica, reduzindo ou impedindo a degradação de compostos como ce -lulose, hemicelulose, qui tina, Jignina, com conseqüências par:~ a fertilida
-de de plantas:
• Organismos envolvidos na fixa-çàocle N" atmosférico-se toxinas Bt afetarem bactérias envolvidas na
fi-xação biológica elo nitrogênio, como
as bactérias diazotróficas (Aznspiril-lum. Herbt:tsfJirillum. Azotohocte1),
ou as si mbióticas ( Rhizobium e Bmdbyrizobium), haverá dano às
plantas que se beneficiam desta
fi-xação biológica ele N2;
• Organismos produtores de me
-tabóli.tos secundários-Fungos, b::tct
e-rias e ac..:Unomicetos, produtores ele
metabólitossecunclários(enzimas,an
presença ele pb n.tas Bt, uma vez que
as toxinas Bt podem inibir o
desen-volvimento desses organismos no
solo, e comisso interromper o c ido
de a tiviclades benéficas desses
org:J-nismos, como controle biológico na
-tural.
Há muitos artigos cientfficos que
evidenciam a inocuidaclc
e a
ausên-cia de efeitos na biota do solo. pois
quando presente no solo, parte elas
mol~culas de proteínas C1y é degra
-dada e parte delas ~ aclsorvida às
partículas do solo (não apresentando
efeito algum sobre minhocas. nema-tóicles, protozoários, bactérias e fun
-gos presentes nele) sendo sugerida a leitura elo trabalho ele Rumjanek e
J::onseca !)OO:íl sobre o tema.
Comentários finais
Todos os sistemas ele produção
agrícola causam, inevita \'elmente.
al-gum impacto ambiental. O uso de
plantas e microrganismos, transgêni
-cos ou convencionais constitui mais
um fator de impacto, entre os muitos
já estabelecidos. A genômica e as
ferramentas biotecnológicas podem
apresentar benefícios ambientais,
devendo ser avaliadas no contexto
ele cada ecossistema e prática de
manejo.
Pode-se, com segurança.
con-cluir que; alguns fatores básicos
ele-vem, obrigatoriamente, ser
conside-rados numa avaliação de risco
po-tencial ao meio ambiente. Entre es
-ses fatores, podem ser incluídos:
comportamento já conhecido ou pre
-visível do organismo transgênico;
possibilidade ele multip.licaçào e
dis-seminaç:ào em ecossistemas descri-tos; e impacto conhecido ou previsí-vel sobre plant:~s, animais e
micror-ganismos-não-alvo. O controle de
pragas é essencial para manter a
proclutiYid:lde em níveis elevados,
para que não seja necessária a e
x-pansão ela área agriculturável, favo
-recendo, dessa forma. :1 preservação
ambiental, sem prejuízo da instala
-ção da crescente população.
A avaliação e o estabelecimento
ele métodos para o estudo de impa c
-to ele biopesticielas for;:tm apr
esenta-dos no final dos anos 90. Esses méto
-dos elevem ser estabelecidos para as
pl::tntas transgênicas, uma vez que as
ações voltadas para a segurança
ambiental elevem promover a
pre-servação da bioc!iversidade, a manu
-tenção dos ecossistemas e os
res-pectivos padrões ele sustentabilidade
requeridos. Hespostas a questôes
como sobrevivência, dissemina~ào,
colonjzação e função da liberação
desses organismos em seus hai.Jítats
precisam ser obtidas, bem como
devem ser considerados os aspectos socioeconômicos e os problemas
adv.inclos da ausência de barreiras
políticas ou fronteiras que restrinjam
a disseminação do organismo. Reco
-nhece-se que a liberação de
transgênicosno ambiente sem av
ali-étçào apropriada ele seu impacto
ambiental pode levar a prejuízos
importantes, especialmente em
fun-(,:ào elos cLt..stos elevados da tecnologia.
Além disso, a biocliversidade está
relacionada aos valores e às
tracli-ções culturais elas comunidades, que
nào podem ser relegadas a nível
inferior de consideração.
Ressnlta-se, ainda, que futuras
pesquisas com transgênese devem
incluiT plantas com maior resistência
a doenças e estresses (bióticos e
abióticos\ com maior conteúdo
nutricional, bem como espécies ele
plantas e animais com capacidade
de produzir proteínas ele importân
-cia farmacêutica, como vacinas. Para
tanto são necessárias atuaçà o proativa
dos órgãos públicos de pesquisa e
uma polítka pública que preconize
sua melhor atuação neste cenário de
mudanças econômicas e temológicds.
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