• Nenhum resultado encontrado

A motivação para a prática e não prática da natação no contexto insular (Ilha de S. Miguel)

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "A motivação para a prática e não prática da natação no contexto insular (Ilha de S. Miguel)"

Copied!
89
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

“A Motivação para a Prática e Não Prática da Natação no contexto insular

(Ilha de S. Miguel)”

Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário

Pedro Miguel Peres da Costa Pereira

Orientador: Professor Doutor Paulo Alexandre Vicente dos Santos João

(2)
(3)

UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

“A Motivação para a Prática e Não Prática da Natação no contexto insular

(Ilha de S. Miguel)”

Dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário

Pedro Miguel Peres da Costa Pereira

Orientador: Professor Doutor Paulo Alexandre Vicente dos Santos João

Composição do Júri:

___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

(4)
(5)

Dissertação apresentada à UTAD, no DEP – ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Paulo Alexandre Vicente dos Santos João.

(6)
(7)

Dedicatória

Para aqueles que me são mais importantes, a minha mulher Sara e a minha filha Maria por compreenderem a minha ausência e pelo esforço e apoio, que muito contribuíram para a minha realização pessoal e profissional.

(8)

“A verdadeira motivação vem da realização, do desenvolvimento pessoal, da satisfação no trabalho e do reconhecimento.”

Frederick Herzberg

(9)

Agradecimentos

Para a realização do presente trabalho, foram várias as pessoas que prestaram o seu contributo, orientação, apoio e incentivo. A essas pessoas gostaria de deixar aqui explicito, o meu profundo agradecimento:

• A todos os atletas que frequentam as aulas de natação e aos respetivos encarregados de educação, que se disponibilizaram a preencher o questionário, sem o qual o estudo não poderia ter sido realizado.

• Ao Professor Doutor Paulo Alexandre Vicente dos Santos João por todo o apoio e total disponibilidade na orientação deste estudo, evidenciando e disponibilizando sempre o seu conhecimento, mas em especial, pelo seu exemplar profissionalismo e humanismo.

(10)
(11)

Resumo

A elaboração deste estudo tem como objetivo a identificação e análise dos motivos para prática e não prática da modalidade da natação e, dos fatores motivacionais e sua relação quanto ao sexo, idade e o tipo de praticante na população da ilha de S. Miguel. Para isso, foram utilizados dois instrumentos distintos, para recolha de dados, o Questionário Motivações para as Atividades Desportivas (QMAD) para avaliar a motivação dos nadadores para a prática desportiva e o Inquérito de Motivações para a Ausência de Atividade Desportiva (IMAAD), que permite o conhecimento das razões pelas quais os inquiridos não praticam a natação, sendo complementados por questões de caracterização da amostra e de seleção dos três principais motivos para adesão à prática e não prática da natação. A amostra do estudo foi selecionada por conveniência, com 584 inquiridos, sendo 384 praticantes de natação e 200 não praticantes, com idades compreendidas entre os 9 e os 80 anos de idade, 282 do sexo feminino e 302 do sexo masculino.

Os dados obtidos demonstram que os praticantes de natação escolheram como principal motivo para a adesão à prática da natação “porque não sabia nadar” (n=384;22.9%), os não praticantes justificaram como principal motivo para a não adesão à prática da natação “porque não vivo perto de uma piscina” (n=200;18%). Estas escolhas evidenciam a inexistência de uma relação entre o contexto insular “porque vivo numa ilha” e os motivos para prática e não prática da natação.

Dentro das motivações, de acordo com o QMAD os motivos mais importantes para a prática da natação são “fazer exercício” (4.08±0.92), “divertimento” (4.01±1.01) e “estar em boa condição física” (3.99±1.00). Nos não praticantes de acordo com IMAAD, os motivos mais importantes para a não prática da natação são“tem outras coisas para fazer” (2.91±1.34), “falta de tempo” (2.70±1.35) e “por razões económica (falta de dinheiro)” (2.57±1.29). Os fatores motivacionais mais valorizados pelos praticantes foram o “trabalho de equipa” (3.81±0.78) e “aprendizagem técnica/fitness” (3.80±0.73) e o menos valorizado foi o “estatuto” (2.91±0.90). Quanto aos não praticantes o fator mais importante foi o “falta de tempo” (2.64±0.98), sendo “estética/insatisfação” (1.98±0.72) o menos importante.

(12)

A análise dos fatores motivacionais em função do sexo e da idade evidencia resultados destintos, os praticantes de natação no sexo valorizam mais os fatores “aprendizagem técnica/ fitness” e “trabalho de equipa” e menos o fator “estatuto”, tendo o sexo masculino apresentado valores médios superiores aos do sexo feminino, para os não praticantes em ambos os sexos o fator “falta de tempo” é mais valorizado, o fator “estética/insatisfação” é o menos valorizado. Relativamente à variável idade, para os praticantes o fator mais importante é o “trabalho de equipa”, enquanto os não praticantes escolheram a "falta de tempo”. Existe concordância entre as idades no fator menos valorizado, o “estatuto”.

Torna-se importante conhecer as motivações dos professores de educação física para o ensino da natação ajudando, assim a percecionar se o processo estará de acordo com as motivações dos alunos, levando-os ao abandono da prática ou à prática de competição no contexto insular.

Palavras-chaves: Motivação; Natação; Insularidade

(13)

Abstract

The foundation of this study aims to identify and analyze the reasons for the practice or non-practice of the swimming mode its motivational factors and their relationship with gender, age and type of practitioner in the population of the island of São Miguel. For this, two separate instruments were used for data collection, the Motivation Questionnaire for Sports Activities (MQSA) to assess the motivation of swimmers for sports and the Survey of Motives for the Sports Activity of Absence (SMSAA), which allows knowledge of the reasons why applicants do not practice swimming, being enhanced by sample characterization issues and selection of the three main reasons for joining the practice or non-practice of swimming. The study sample with 584 respondents was selected by convenience, 384 where practitioners of swimming and 200 non-practitioners , aged 9 to 80 years old , 282 female and 302 male.

The data demonstrated, through descriptive analysis that swimmers chosen as the main reason for joining the practice of swimming “Because he/she could not swim" (n=384;22.9%), the non-practicing gave as the main reason for not attachment in swimming practice "Because they do not live near a pool" (n=200;18%). These choices show that there is no relationship between the insular context "Because I live on an island " and the reasons for practice and not swimming.

Among the reasons , the results show as the most important reasons for the practice of swimming "Exercising" (4.08±0.92); “Fun”(4.01±1.01) and "Being in good physical condition" (3.99±1.00) as the least important "Traveling" (2.70±1.27), "Pretext to leave the house" (2.74±1.24) and "Being known" (2.79±1.32). Non-practitioners have identified the most important reasons for not engaging in swimming practice "Has other things to do" (2.91±1.34), "Lack of time" (2.70±1.35) and "For economic reasons (lack of money)" (2.57±1.29) and as the least important "Sport no benefit” (1.75±1.00), "I do not want to change the "visual" stay lean, with muscles" (1.82±1.02) and "Because of the age" (1.91±1.05).

(14)

The motivational factors most valued by practitioners were the factor "Teamwork" (3.81±0.78) and "Learning Technical/Fitness" (3.80±0.73) and the least valued factor was the "Statute" (2.91±0.90). As for not practicing the most important factor was the "Lack of time" (2.64±0.98) and "Aesthetics/dissatisfaction" (1.98±0.72) as the least important. The analysis of motivational factors by gender and age shows different results, swimmers the gender value factors such as "Technique Learning/Fitness", "Teamwork" and "Socialization" and diminish factors as "Statute" having male presented higher mean values to females, for non-practicing in both genders the factor "Lack of time" is more valued, the "Aesthetics/dissatisfaction" factor is the least valued. Regarding the age variable chosen as the most important factor was "Teamwork" and the "Statute" factor the least important. With respect to the variable age, for the chosen as the most important factor was "teamwork" and "status" the least important. Non-practitioners have chosen as the most important factor "lack of time" and the less important the aesthetic factor/dissatisfaction ", for the variable type of practitioner the valued factors were similar to those swimmers gender variable.

It is important to know the motivations of the teachers of physical education for the teaching of swimming, thus helping the percecionar if the process will be in accordance with the students motivations, causing them to abandon the practice or the practice of competition in the island context.

Keywords: Motivation, Swimmig, Insularity

(15)

Résume

L’élaboration de cet essai, a comme objectif l’identification et analyse des mobiles pour la pratique et le non pratique de la modalité de la natation et, de facteurs motivationnels et sa relation entre le genre, l’âge et le type de pratiquants de la population de l’île de São Miguel. Pour cela, on a utilisé deux instruments précis, pour la recueille des données exactes, le Questionnaire Motivations pour les Activités Sportifs (QMAS) pour évaluer la motivation des nageurs pour la pratique sportif et l’interview de Motivations pour l’Absence d’Activités Sportifs (IMAAS) qui permet la connaissance des raisons par lesquelles les interviewés ne pratiquent pas la natation, seyant complémentés par des questions de caractérisation de l’échantillon et de la sélection des trois principaux pensées pour l’adhésion à la pratique et à la non pratique de la natation. L’échantillon de l’essai a été sélectionné par choix, avec 584 interviewé, seyant 384 pratiquants de natation et 200 non pratiquants, de 9 à 80 ans, 282 du sexe féminin et 302 du sexe masculin.

Les numéros obtenus montrent, par l’analyse descriptive que les pratiquants de la natation ont choisis comme principal motifs pour l’adhésion à la pratique de la natation «parce qu’ils ne savaient pas nager» (n=384;22.9%), les non pratiquants justifient comme principal motifs pour le non adhésion à la pratique de la natation «parce que je ne vis pas près de la piscine» (n=200;18%). Ces opinions nous montrent l’inexistence d’une relation entre le contexte insulaire «parce que je vis dans une île» et les motivations pour la pratique et le non pratique de la natation.

Dans les motivations, les résultats mettent en surbrillance comme motifs plus importants pour la pratique de la natation «faire de l’exercice» (4.08±0.92); «divertissement» (4.01±1.01) et «être en bonne forme» (3.99±1.00), comme les moins importantes «voyager» (2.70±1.27); «prétexte pour sortir de chez soi» (2.74±1.34) et «être connu» (2.79±1.32). En rapport aux non pratiquants, ils identifient les motivations plus importantes pour ne pas pratiquer de la natation «j’ai d’autre chose à faire» (2.91±1.34) ; «je n’ai pas de temps» (2.70±1.35) ; et «je n’ai pas d’argent» (2.57±1.29), comme moins importantes «le sport est nul» (1.75±1.00); «je

(16)

ne veux pas changer mon aspect, être maigre avec des muscles» (1.82±1.02) et «à cause de l’âge» (1.91±1.05).

Les raisons motivationnels plus valorisés par les pratiquants ont été les raisons «travail d’équipe» (3.81±0.78) et «apprentissage technique/fitness» (3.80±0.73), le moins valorisé a été la raison «statut» (2.91±0.90). En relation aux non pratiquants, la raison la plus importante a été «La manque de temps» (2.64±0.98) et la moins importante «esthétique/ insatisfaction» (1.98±0.72). L’analyse des raisons de motivation en fonction du genre et de l’âge montre des résultats distincts, les pratiquants de natation, selon le genre, valorisent plus les raisons «apprentissage technique/fitness», «travail d’équipe» et «socialisation» et moins la raison «statut», ayant le sexe masculin présenté des valeurs moyens supérieur au sexe féminin, pour les non pratiquants dans les deux genres, la raison «je n’ai pas de temps» est la plus valorisée, la raison «esthétique/insatisfaction» est la moins valorisée. En ce qui concerne la variable âge, pour les élus comme le facteur le plus important était « travail d'équipe » et « status » le moins important. Non-praticiens ont choisi comme le plus important facteur « manque de temps » et le moins important, la facteur « esthétique/insatisfaction » pour la variable selon le type de pratiquant, les raisons valorisées ont été égales aux pratiquants de la natation dans la variable des genres.

C’est important de connaître les motivations des professeurs d’éducation physique pour l’enseignement de la natation, pour pouvoir aider à reconnaître si le procès est d’accord avec les motivations des élèves, ainsi, on pourra emmener des élèves à l’abandon de la pratique ou à la pratique de compétition en contexte insulaire.

Mots clés: Motivation, La natation, Insularité


(17)

Dedicatória vii

Agradecimentos ix

Resumo xi

Abstract xiii

Résume xv

Índice de figuras xix

Índice de tabelas xxi

Índice de Anexos xxiii

Lista de Abreviaturas xxv

Introdução 1

Capitulo I - Metodologia 17

1.1 Amostra 17

1.2 Variáveis dependentes e independentes 17

1.3 Instrumentos 18

1.4 Procedimentos 19

1.5 Tratamento de dados 20

Capitulo II - Apresentação dos resultados 21

Prática e não prática da natação 21

2.1. Análise descritiva 21

2.1.1 Análise descritiva da prática da natação 21

2.1.2 Análise descritiva da não prática da natação 22

2.2 Análise dos principais motivos à adesão à prática e não prática da natação 23 2.2.1 Análise dos motivos para adesão à prática da natação 23 2.2.2 Análise dos motivos da não adesão à prática da natação 24 2.3 Análise dos motivos à prática e não prática da natação 26 2.3.1 Análise descritiva dos motivos para a prática da natação de acordo QMAD 26 2.3.2 Análise descritiva dos motivos da não prática da natação de acordo com IMAAD 26 2.4 Análise dos fatores motivacionais da prática e não prática da natação 27

2.4.1 Os fatores motivacionais e a prática da natação 27

2.4.2 Os fatores motivacionais e a não prática da natação 28 2.5 Os fatores motivacionais e a relação com a idade na prática e não prática da natação 28 2.5.1 Os fatores motivacionais e idade na prática da natação 28

!xvii

(18)

Anexos 49

2.5.2 Os fatores motivacionais e idade na não prática da natação 29 2.6 Os fatores motivacionais e a relação em função do sexo na prática e não prática da natação

31 2.6.1 Os fatores motivacionais em função sexo na prática da natação 31 2.6.2 Os fatores motivacionais em função sexo na não prática da natação 32

Capitulo III - Discussão dos resultados 33

Capitulo IV - Conclusões 39

Capitulo V - Bibliografia 41

(19)

Índice de figuras

Figura 1 | Evolução do número de praticantes federados de natação em Portugal.

Figura 2 | Evolução do número de praticantes federados de natação na Região Autónoma dos Açores.

(20)
(21)

Índice de tabelas

Tabela 01 | Distribuição da amostra em função do sexo e da idade Tabela 02 | Os motivos para a adesão à prática da natação

Tabela 03 | Os motivos para a adesão à não prática da natação

Tabela 04 | Coeficiente de correlação entre os fatores motivacionais da prática da natação Tabela 05 | Coeficiente de correlação entre os fatores motivacionais da não prática da natação Tabela 06 | A análise comparativa dos fatores motivacionais da prática da natação em função do idade

Tabela 07 | A análise comparativa dos fatores motivacionais da não prática da natação em função da idade

Tabela 08 | Distribuição dos valores médios em função da idade e os fatores motivacionais dos não praticantes de natação

Tabela 09 | A análise comparativa dos fatores motivacionais da prática da natação em função do sexo

Tabela 10 | A análise comparativa dos motivacionais da não prática da natação em função do sexo

(22)
(23)

Índice de Anexos

Anexo 01 | Questionário para os praticantes (QMAD) Anexo 02 | Questionário para os não praticantes (IMAAD)

Anexo 03 | Distribuição da amostra da prática da natação em função da idade e do sexo Anexo 04 | Distribuição das habilitações literárias da amostra da prática da natação

Anexo 05 | Distribuição da amostra em função do local de aprendizagem do nadar e do sexo Anexo 06 | Distribuição da amostra da prática da natação em função do sexo, local de aprendizagem e idade de início da prática da natação

Anexo 07 | Início da prática da natação

Anexo 08 | Prática da natação no mar em zonas onde não se tem pé

Anexo 09 | Distribuição da amostra da não prática em função do sexo e da idade Anexo 10 | Distribuição das habilitações literárias dos não praticantes da natação

Anexo 11 | Distribuição da amostra da não prática em função do local de aprendizagem do nadar e do sexo

Anexo 12 | Idade de aprendizagem do nadar em função do sexo

Anexo 13 | A prática da natação no mar em zonas onde não têm pé em função do sexo

Anexo 14 | Conhecimento da existência de aula de natação na zona de residência em função do sexo

Anexo 15 | Frequência da praia em função do sexo

Anexo 16 | Os motivos para a adesão prática da natação em função do sexo Anexo 17 | Os motivos para a adesão à não prática da natação em função do sexo

Anexo 18 | Os motivos para a prática da natação em função do sexo de acordo com o QMAD Anexo 19 | Os motivos para a não prática da natação em função do sexo de acordo com o IMAAD

Anexo 20 | Estatísticas descritivas dos fatores motivacionais da prática da natação Anexo 21 | Estatísticas descritivas dos fatores motivacionais da não prática da natação

Anexo 22 | Distribuição dos valores médios dos fatores motivacionais da prática da natação em função do idade

(24)
(25)

Lista de Abreviaturas

CREB - Currículo Regional da Educação Básica DP - Desvio Padrão

FINA - Federação Internacional de Natação

IMAAD - Inquérito de Motivações para a Ausência de Atividades Desportivas M - Média

NPD - Natação Pura Desportiva

PAGAC - Physical Activity Guidelines Advisory Committee

QMAD - Questionário de Motivação para as Atividades Desportivas RAA - Região Autónoma dos Açores

SPSS - Statistical Package for the Social Sciences VAR - Variância

WHO – World Health Organization

(26)
(27)

| Introdução

Introdução

O interesse pela prática desportiva, em todas as suas vertentes, tem vindo a aumentar entre a nossa sociedade, não só ao nível do enquadramento competitivo mas também pelos seus benefícios ao nível da saúde e bem estar. Noutra perspetiva, existe uma grande preocupação em compreender a ausência da prática desportiva e as suas implicações. Das diferentes razões que levam as pessoas à prática e não prática, sugere a necessidade de serem estudas, em particular e neste caso de estudo, na modalidade da Natação.

Este estudo enquadra-se na temática da motivação no domínio da Psicologia Desportiva e citando (Roberts, 2001), trata-se de uma das principais preocupações de qualquer atividade humana. Assim e procurando aumentar o contributo para estas áreas de intervenção, ficou como título escolhido “A Motivação para a Prática e Não Prática da Natação no contexto insular (Ilha de S. Miguel).”

O objetivo principal do mesmo prende-se com o propósito de identificar os motivos que levam os indivíduos à prática e não prática da modalidade da natação e a sua relação com a idade e o sexo, na população da ilha de S. Miguel, ficando assim definidos os seguintes objetivos específicos:

- Identificação e análise dos principais motivos que levam a população da ilha de S. Miguel à adesão à prática e não prática da natação;

- Análise da relação entre os motivos para a adesão à prática e não prática da natação e a condição insular “porque vivo numa ilha”;

- Identificação e análise dos motivos para prática e não prática da natação na ilha de S. Miguel;

- Identificação e análise dos fatores motivacionais para prática e não prática da natação na ilha de S. Miguel;

- Análise da relação da idade e do sexo com os fatores motivacionais dos praticantes e não praticantes.

(28)

| Introdução

Debruçando-nos no conceito de motivação, atualmente, não existe um consenso na literatura quanto à sua definição. No entanto, a principal questão da psicologia da motivação é “por que o indivíduo se comporta da maneira como ele o faz (Queiroz, 2011:12)”. Estudar a motivação implica investigar o porquê de se realizar uma ação e o modo como esta está relacionada ao estudo do julgamento do indivíduo sobre o que é certo e o que é errado, para assim se atribuir um significado moral à ação e definir a melhor maneira de se comportar.

“A origem etimológica da palavra motivação parece ser o vocábulo latino mover, transmitindo a ideia de movimento” (Alves, 2003).

Segundo Hersey e Blanchard (1977), citado por Faria (2004), “as pessoas diferem, não apenas na sua capacidade, mas também na sua “vontade", ou “motivação”. A motivação de uma pessoa depende da força dos seus motivos”.

Para Lorenzi (2011), a motivação encontra-se associada a fatores de motivação internos (motivação intrínseca) e a fatores externos (motivação extrínseca), em que as intrínsecas estão ligadas com o interior do próprio indivíduo e as extrínsecas conectadas a aspetos ambientais ou providos de outros indivíduos. Assim, a motivação é vista como o produto da interação das diferenças individuais e dos fatores ambientais e sociais. Uma vez que o comportamento do homem é influenciado por fatores internos e externos existentes no meio, estes terão um papel fundamental na escolha da atividade física a praticar, sendo os indivíduos fortemente motivados em função das características existentes em dado momento na sociedade em que vivem. Ao analisar a motivação é necessário distinguir entre: a motivação intrínseca, relacionada com o prazer, a valorização pessoal obtida através da prática desportiva e a motivação extrínseca estimulada por elementos externos ao indivíduo, como são o exemplo das recompensas materiais, companhia dos amigos, prestígio social, entre outros (Blanchard, et al., 2007; Li & Lee, 2004; McAuley & Tammen, 1989; Vallerand, 2004).

Já Samulski (2002) refere que a motivação caracteriza-se por um processo ativo, que é dirigido a uma meta, e sujeita da interação de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Portanto, baseada neste modelo, a motivação tem um determinante energético

(29)

| Introdução

(nível de ativação) e um determinante de direção do comportamento (intenções, interesses, motivos e metas). Segundo Gill (2002) a motivação caracteriza-se como sendo a intensidade e direção de um comportamento, sendo esse comportamento determinado tanto pelo próprio indivíduo como pelo meio envolvente. Para Vaquero (2005), estes fenómenos motivacionais foram apelidados por como variáveis motivacionais, onde foram ligadas ao término da motivação intrínseca as variáveis individuais, ao término da motivação extrínseca e o incentivo às variáveis sociais ou ambientais.

A motivação para a participação e prática desportivas, assim como as razões para o seu abandono, constituem um dos temas mais estudados e discutidos por todos aqueles que, de uma forma ou de outra, se encontram envolvidos em contextos desportivos (Cruz, Costa & Viana, 1995). Perceber as motivações para a prática desportiva é um elemento essencial para traçar o caminho mais correto, isto é, para planear o futuro. O trabalho a levar a efeito pelos diversos profissionais da área está sempre dependente dos motivos que levam a diferentes escolhas ou até à não escolha de qualquer atividade desportiva.

Segundo Isler (2002, citado por Moreno, Dezan, Duarte & Schwartz, 2006), o motivo é a mola propulsora responsável pelo início e manutenção de qualquer atividade realizada pelo ser humano. Já Winterstein (2002), refere que os motivos são construções hipotéticas aprendidas ao longo do desenvolvimento humano e servem para explicar comportamentos. As explicações para as ações são determinadas pelas expectativas e pelas avaliações dos seus resultados, assim como, pelas suas consequências. Para Kobal (1996), o motivo é um elemento do complexo total da atividade humana e que, se estimulado de forma suficiente, dará lugar a uma ação que tem consequências específicas, pode dizer-se que é um instrumento para orientar a conduta do homem.

A compreensão do envolvimento dos motivos no processo da motivação, para prática ou não prática desportiva e ao abandono da atividade desportiva, as relações possíveis entre a idade e o sexo são áreas de investigação cruciais para explicação das ações comportamentais da atividade humana. Segundo Raposo, Figueiredo e Granja (1996), que estudaram a relação da motivação com a idade e o sexo, existem diferenças tanto em termos de sexo como em termos

(30)

| Introdução

de idades, onde os rapazes atribuíram maior importância que as raparigas ao motivo “Estar

com os amigos”. Os motivos mais importantes para os rapazes integram maioritariamente o fator “Mestria/Condição física”, enquanto as raparigas integram maioritariamente o factor “Amizade/Divertimento”. Verificaram também uma alteração nos motivos conforme a idade, em que os mais velhos atribuíram maior importância aos aspectos afiliativos e os mais jovens atribuíram maior importância aos aspectos da condição física e mestria. Já Weinberg e Gould (2001), refere que homens e mulheres praticam desporto por motivos diferentes. Enquanto o sexo masculino se envolve basicamente motivado pela competição e reconhecimento social, o feminino apresenta mais motivos: saúde, bem-estar, estética e condicionamento, domínio de técnicas, prazer nas atividades.

Por outro lado, Fonseca & Maia (2000) investigaram a importância atribuída por crianças e jovens adolescentes a um determinado conjunto de motivos normalmente indicados como determinantes na sua decisão de praticarem desporto. Na sua globalidade verificaram que, de uma forma geral pareceu ser evidente, a decisão de praticarem uma atividade desportiva competitiva alicerçava-se fundamentalmente em motivos relacionados com a tentativa de melhorar, ou de demonstrar, a sua competência para a prática dessa modalidade, bem como a procura da aquisição, ou manutenção, de elevados índices de forma física. Imediatamente a seguir, foram referidos como importantes, os motivos relacionados com a afiliação quer geral quer específica, e a competição.

Os hábitos de prática de Atividade Física adotados durante a juventude tendem a ser mantidos ao longo da vida (Vanreusel et al., 1997). Por sua vez, os altos níveis de participação em Atividade Física durante a infância e adolescência aumentam a probabilidade da continuidade de uma participação semelhante na idade adulta (Telama, Yang, Laakso, & Viikarii, 1997; van Mechelen, Twisk, Post, Snel, & Kemper, 2000). Outro fator, é a existência de uma correlação entre o estatuto socioeconómico e a atividade física, os jovens que abandonam o ensino aos 15 anos já não voltam a praticar desporto, já os que abandonam aos 20 anos a tendência é a diminuição da taxa de abandono.

(31)

| Introdução

Segundo Eurobarómetro (2009), os dados disponíveis pela demonstram que 64% da população portuguesa não pratica exercício físico, tornando um dos países mais sedentários da UE. Contrariamente, aos Irlandeses e os países Nórdicos que apresentam a percentagem mais elevada de prática de exercício físico, com uma frequência de 5 vezes por semana ou mais. Os jovens em especial, apresentam um défice acentuado de atividade física, quando comparados com outras sociedades europeias, a participação desportiva de indivíduos com mais de 15 anos, na Europa - 61% e em Portugal - 44% (amostra estratificada segundo o sexo a idade).

Atividade Física pode beneficiar o adolescente de duas formas: no presente, pois permite ao adolescente o seu desenvolvimento harmonioso e saudável, e no futuro, salientando os efeitos a longo prazo que o exercício realizado nesta etapa da vida tem na saúde (Bañuelos, 1996; Sallis & Owen, 1999). Também é conhecida por atribuir uma ampla gama de benefícios de saúde para crianças e adolescentes. Neste sentido, a atividade física é não só um bom meio de aumentar a saúde e bem-estar dos indivíduos, mas também ajuda na prevenção de diversos comportamentos de risco (DGS, 2007).

Outro dos benefícios identificados e extremamente valorizados por adolescentes e pais, é a melhoria dos resultados académicos (Active Healthy Kids Canada, 2009). Esta pode ser explicada por diversos fatores, nomeadamente: melhoria da função cognitiva (memória, concentração, etc.); neurogénese; melhoria do fluxo sanguíneo cerebral; aumento dos neurotransmissores libertados; aumento da auto-estima, autoconfiança e auto imagem; atenção aumentada através do aumento da adrenalina; redução dos maus comportamentos na escola; produção de substâncias que protegem os neurónios dos radicais livres e oxidantes; aumento do sentimento de conetividade com a escola e, aumento da habilidade para relaxar. Dado o elevado número de benefícios, as consequências negativas da atividade física são em menor número. Powel e Paffenbarger (1985) enunciam algumas: lesões musculoesqueléticas, sobretreino, morte súbita, infeções cardio-respiratórias, obsessão e dependência do exercício, esgotamento e anorexia induzida pelo exercício.

(32)

| Introdução

Lee e Paffenbarger (1996) confirmaram pela primeira vez a probabilidade de uma relação causal entre a Atividade Física, o exercício, a aptidão física e a mortalidade por qualquer causa. No entanto, a inatividade física é o quarto fator de risco principal para mais mortes a nível mundial, é responsável por 6% das mortes em todo o mundo e entre 5% a 10% a nível europeu. Todos os anos, na Europa, mais de oito milhões de pessoas ficam incapacitadas devido a atividade física insuficiente e quase um milhão de mortes são atribuídas à inatividade física (WHO, 2011).

As relações quanto ao sexo no desporto, tem granjeado diferentes abordagens. Podendo destacar-se as concepções feministas que se fundamentam em três correntes primordiais, denominadas liberal, feminismo radical ou cultural e feminismo crítico (Marivoet, 2005a). Todas defendem uma maior participação das mulheres no desporto, suscitando que nos interroguemos sobre as formas de atenuar e/ou ultrapassar o défice da sua prática desportiva, independentemente das diferentes abordagens propostas.

Contudo em Portugal, segundo o estudo efetuado por Marivoet (2005a), sobre a diversidade das práticas desportivas nas mulheres, concluiu-se que a sua participação é superior em grupos sociais com maiores recursos financeiros e culturais, que as jovens tendem a igualar as participações dos jovens e que o menor envolvimento desportivo das raparigas terá de ser compreendido, tendo em atenção os condicionalismos inerentes ao contexto histórico vivido durante o último século na sociedade portuguesa, e por outro lado, as diversas ações do estado e organizações com vista ao alargamento da participação feminina.

Segundo Marivoet (2001), a principal razão para o facto de não praticarem desporto é a falta de tempo, seguindo-se o facto de não gostarem ou de não estarem interessados, sendo a terceira razão mais forte a falta de motivação. Gill (2000) refere que vários estudos (Weiss & Chaumeton, 1992; Weingarten, Furst, Tenenbaum & Schaefer, 1984; Buonamano, Cei & Mussino, 1995), apresentam conclusões que apontam para a existência de diferenças na relevância das dimensões motivacionais, consoante os fatores geográficos e socioculturais.

(33)

| Introdução

Tomando em conta este último autor a condição insular no presente estudo apresenta-se como um fator geográfico influenciador na análise dos motivos para prática e não prática da natação. Apesar dos estudos sobre a insularidade serem reduzidos, desde os tempos primordiais que as ilhas e a vida nesses territórios isolados, de reduzida dimensão e perdidos nos oceanos, despertam curiosidades. A sua relevância têm sido crescente não só pelo a importância atribuída por Darwin às ilhas no estudo da evolução das espécies e posteriormente pela contribuição da biogeografia, mas também pelas relações políticas, com surgimento de novos países. Outros interesses, têm sido catapultados pelos meios de comunicação ao evidenciar os atributos culturais e físicos. Sendo vistas como últimos redutos do mundo selvagem, lugares paradisíacos para novas descobertas, aventuras e lazer. Porém, a vida insular é bastante específica para todos os seres vivos. Se, por um lado os seres estão reduzidos a uma fronteira limitada pela água, por outro, estão protegidos de certas invasões. Essa situação produz um imaginário específico nos habitantes que são influenciados pela presença da água, o mar, onde tanto pescadores como pessoas das mais diversas atividades, sentem-se envolvidas por histórias, lendas, mitos, imagem, ruído, cor, odor, etc, no seu quotidiano. Essa tomada de consciência de um modo de vida particular, diferente das populações continentais, está associada a um conjunto de representações e imagens que os ilhéus formaram a respeito do seu espaço geográfico-cultural, oriundas da sua insularidade, traduzindo-se no conceito de insularidade realizada por diversos autores.

Segundo (Diegues, 1998), o “fenómeno insular”, trata-se de um estudo complexo entre as áreas da geografia, da antropologia, da sociologia e da psicologia, em que os quadros teórico-metodológicos focalizam do ponto de vista histórico três conceitos básicos: “a maritimidade, a insularidade e a ilheidade”. A “maritimidade” centra-se na relação entre a presença do mar, como fator não essencial, nas práticas económicas, sociais e simbólicas. Esta não se encontra presente em todas as sociedades insulares, no entanto o mar apresenta um papel preponderante nas ilhas oceânicas, na medida em que regula as negociações e relações com outras sociedades insulares e continentais. O conceito “insularidade”, indica a distinção entre a identidade cultural do continental e do ilhéu. A identidade do ilhéu é caracterizada por relações de práticas económicas e sociais, numa ilha. No entanto, as sociedades insulares podem ser distinguidas de acordo com o seu grau de envolvimento com o mar. Nem todas as

(34)

| Introdução

sociedades insulares apresentam uma relação com mar, existem aquelas que estão de “costas para o mar”, ou seja, tem vivências centradas na agricultura, na pecuária, etc. e não no mar.

“A ilheidade é um neologismo de origem francesa utilizado para designar as representações simbólicas e imagens decorrentes da insularidade e que se expressam por mitos fundadores das sociedades insulares e lendas que explicam formas de conduta, comportamento, etc.” (Diegues, l998).

Para Daniel de Sá (S/D) as relações entre as sociedades insulares são igualmente caracterizadas pelo confinamento e isolamento geográfico, esses condicionalismos são atenuados.

“(...) quando as ilhas se agrupam em arquipélagos, quer no que respeita às necessidades de subsistência? nos casos em que as características de todas elas sejam de tal modo semelhantes que a existência próxima de outras ilhas não represente uma possibilidade de recursos alternativos? quer quanto à diminuição da carga emocional negativa que o isolamento possa eventualmente provocar. A proximidade das ilhas, bem como a ideia da sua pertença a uma unidade geográfica definida, contribuem para a identidade comum que normalmente caracteriza os habitantes de um mesmo arquipélago.”

O Arquipélago dos Açores apresenta-se como uma unidade notável tendo em conta a diversidade existente, quanto à sua geografia, flora e fauna. As diferenças entre as ilhas que existem podem ser acentuadas, mesmo dentro da mesma ilha, mas não se perde a identidade comum. Que têm sido mantida ao longo dos séculos, sustentada, principalmente, pela unidade religiosa (catolicismo) e na consciência partilhada do isolamento, que permite uma possível associação ao conceito de definição do conceito Açorianidade, (Daniel de Sá S/D).

Atualmente, a consciência da identidade insular e o conceito Açorianidade são referências marcantes e relevantes no arquipélago dos Açores, sendo vertidos no referencial da Educação Básica.

(35)

| Introdução

“A publicação da Resolução n.° 124/2004 marca um momento importante na explicitação de aprendizagens cuja realização por parte dos alunos açorianos merece ser prosseguida, através de abordagens sensíveis às características particulares dos Açores. Ao elencar uma série de competências essenciais do CREB e ao associar parte das mesmas a contextos de Insularidade e Açorianidade, o referido diploma sugere aprendizagens especialmente significativas para os jovens açorianos, explicitando pistas para a sua contextualização regional. No entanto, o destaque dos referidos contextos de significação, por via da enunciação de competências a eles subordinadas, poderá levar à ideia de currículo regional como uma adição ao currículo nacional (CREB, 2011: 4).”

Pimentel A. (2013) na alusão à insularidade Açoriana de Vitorino Nemésio, refere que embora tenha espelhado em variadas das suas obras as dificuldades específicas da condição de vida na insularidade, em títulos como “Paço do Milhafre”; “Mistério do Paço do Milhafre” ou “Corsário das Ilhas”, Vitorino Nemésio parece mais conciliado com condição ilhoa, a que atribui, aliás, determinadas vantagens:

“Um continente é uma coisa muito grande e incerta para mim. A ilha é mais curta. Sai melhor das águas. De longe parece um pão. Ao perto é o que é: uma rocha com casas; gente dentro. Em geral há muito peixe, alguma caça e pastagens. Como há pastagens, há carneiros e, havendo carneiros, há lã para a gente vestir. Pode-se morrer descansado numa ilha. A cova nem por isso é mais curta” (2000: 38).

Para Nemésio (1932) – e para os açorianos, através das palavras dele – a geografia

“vale outro tanto como a história (...). Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar”.

"(...) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.”

(36)

| Introdução

Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições, com um temperamento e uma forma literária cépticos, - o basco espanhol Baroja,

escreveu um livro chamado Juventud, Egolatria 'O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio'. Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto do mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes (…)

Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os atos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (…)”

O termo Açorianidade, que exprime a condição histórica, geográfica, social e humana do ser açoriano, foi criado por Vitorino Nemésio. Sendo a Região e a identidade regional realidades cuja afirmação exige uma dinâmica de construção permanente, não será suficiente para a sua preservação constatar as marcas que as definem, muitas delas inventariadas por autores e pensadores das mais variadas disciplinas. A singularidade identitária insular é um facto que resulta em primeiro lugar da geografia, um “elemento capital de definição íntima, estrutura, por assim dizer, transcendental do homem açoriano, horizonte e muro da sua identidade” uma definição em linha com o pensamento de Vitorino Nemésio, criador do termo "Açorianidade" e autor da tão celebrada e citada afirmação “A geografia, para nós, vale tanto como a história”. Ao inventar o termo "Açorianidade" Nemésio “inspirou-se no conceito de ‘hispanidad’ desenvolvido por Unamuno” (1998 :73).

Estudioso de Nemésio e das questões açorianas, Pires A. (2013) liga o termo "Açorianidade" tanto a um modo de vida como à afetividade e à infância:

“Açorianidade é, por um lado, um conceito objetivo, na medida em que se refere à identidade e caracterização do Arquipélago dos Açores; por outro lado subjectivo, porque na açorianidade ecoam ressonâncias afetivas individuais. É a condição de viver e sobretudo de ser ilhéu dentro e fora do Arquipélago. É a ilha em que se nasceu, a infância que se teve, fique-se ou não na ilha de origem. É uma 'alma' que se transporta toda a vida" (2013 :07).

(37)

| Introdução

O termo Açorianidade, que passou a ser usado com frequência sobretudo nos anos posteriores à criação do Governo dos Açores e da institucionalização da autonomia (1976), é susceptível de várias cargas afetivas e conotações políticas diversas, conforme a tendência ideológica, tornando-se por vezes vago e impreciso e para outros considerado demasiado subjectivo. A Açorianidade não deve ser, com efeito, só entendida como um conceito subjetivo para glosa de filósofos ou artistas - como pensam alguns espíritos mais «positivistas», mas como um fundamento da identidade açoriana e suas formas de expressão e, portanto, como fundamento de uma estrutura de poder político que lute pela autonomia.

Por outro lado, a presença do mar na vida dos insulares, continua, a revelar importância entre os Açorianos, não só a nível cultural, do desporto, da economia mas também na educação.

“Neste sentido, poderão ser consideradas, no currículo regional, as subáreas de Atividades Rítmicas e Expressivas, Atividades de Exploração da Natureza e Jogos Tradicionais e Populares, a partir da abordagem de conteúdos com cariz específico da Região (património físico e cultural). Deverá, ainda, ser integrada a área da

Natação, atendendo à importância da modalidade como um pré-requisito necessário para a prática de atividades náuticas, uma vez que esta prática está enraizada e é inerente à cultura da população dos Açores (CREB, 2011 :105).”

O reforço da valorização da prática da natação em termos educacionais, vem fortalecer a sua posição enquanto atividade relevante no contexto insular. Como modalidade, é do conhecido geral a sua abrangência bem como os seus benefícios, sendo considerada por muitos o desporto mais completo, por movimentar praticamente todos os músculos e articulações do corpo, trazendo ótimos benefícios para o organismo, ajudando a melhorar a coordenação motora, além de ser recomendada para pessoas com problemas respiratórios, como por exemplo a asma.

As primeiras referências à definição da natação remontam às necessidades de sobrevivência do Homem, de forma a satisfazer as suas necessidades básicas. Numa definição mais abrangente pode-se definir natação como a habilidade que permite ao ser humano deslocar-se

(38)

| Introdução

num meio líquido, normalmente a água, graças às forças propulsivas que gera com os movimentos dos membros superiores, membros inferiores e corpo, que lhe permitem vencer as resistências que se opõem ao avanço (Saavedra et al. 2003). Para Catteau e Garoff (1990 citado por Baggini 2008) nadar é praticar atividade física na água, coordenando ações de equilíbrio, respiração e propulsão, que por sua vez, vai atuar no sentido de melhorar esses três elementos.

A natação, enquanto modalidade estruturada, com regras, conheceu o seu início nos finais do século XIX, em Londres, onde se constituiu a Associated Swimming Clubs; desta associação surgiu, uns anos mais tarde (1886), a Associação Amadora de Natação, que estabeleceu os primeiros Campeonatos Nacionais, em Inglaterra. Após esta data, inúmeros países criaram as suas próprias Federações, realizando Campeonatos e provas diversas. Nos finais do século XIX e inícios do século XX, realizaram-se os primeiros Campeonatos da Europa e do Mundo, embora com pouco significado, em termos de participação.

A natação foi uma das modalidades que marcou presença desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era moderna (1896); em 1908, durante a realização dos Jogos Olímpicos de Londres, tendo-se sentido, o significado Universal da modalidade e a necessidade de criar uma entidade que regulamentasse a natação, criaram-se as bases da Federação Internacional de Natação Amadora (FINA). A prática da natação pura, também conhecida por natação desportiva, é a prática da natação de competição em piscina, envolvendo os quatro estilos básicos: crawl, bruços, costas e mariposa. Insere-se nos desportos aquáticos e faz parte dos Jogos Olímpicos modernos desde o seu início em 1896. O desporto é regido pela Federação Internacional de Natação (FINA), juntamente com as outras disciplinas aquáticas: natação sincronizada, pólo aquático, saltos para a água, águas abertas e mergulho aquático. Em Portugal é dirigida pela Federação Portuguesa de Natação.

A data inicial da implementação da Natação em Portugal permanece ainda envolta em algumas dúvidas, no entanto, há registos que nos situam na primeira década do século XX, como tendo sido a altura em que se criou a primeira escola de natação do País, pelo Ginásio Clube Português. No dia 14 de Outubro de 1906, realizou-se, na Trafaria, o primeiro

(39)

| Introdução

Campeonato de Portugal de Natação, amador. A partir desta altura, foram criadas as Associações de Natação. Presentemente a natação portuguesa é gerida pela Federação Portuguesa de Natação e pelas Associações Regionais. Em Portugal a evolução da prática da Natação Federada, em provas organizada pela Federação Portuguesa de Natação, entre 1996 e 2012, foi positiva com um total de 11651 praticantes (Figura 1). No entanto, segundo o Plano Estratégico 2014/2024 a Natação Pura é a disciplina com maior número de praticantes federados (7946); Polo Aquático (1410); Águas Abertas (985); Masters (930) e Natação sincronizada (380). Por sua vez, no contexto RAA a natação pura entre 2006 e 2013 caracteriza-se por uma variação mais irregular (Figura 2), sendo que a partir de 2010 tem se acentuado um decréscimo continuo, atingindo os 627 praticantes na época 2012/13.

| Página ! de !13 47 Figura 1 | Evolução do número de praticantes federados da Federação Portuguesa de Natação

(40)

| Introdução

Como associação regional, na RAA, foi constituída em fevereiro de 1993, a ANARA- Associação de Natação da Região Açores no concelho de Angra do Heroísmo, da ilha Terceira. Devido à especificada da região a sua atividade logística, administrativa e de gestão corrente, encontra-se subdividida em três ilhas, na ilha Terceira, na ilha do Faial e na ilha de S. Miguel.

Os Açores são um arquipélago português situado no Oceano Atlântico. As ilhas do arquipélago foram divididas em três grupos geográficos: o Grupo Oriental, composto por Santa Maria e São Miguel; o Grupo Central, integra as ilhas Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial e o Grupo Ocidental constituído pelas ilhas Corvo e Flores.

| Página ! de !14 47 Figura 2 | Evolução do número de praticantes federados de natação na Região Autónoma dos Açores

(41)

| Introdução

A sua localização na zona central do Atlântico Norte, fez com que as ilhas açorianas constituíssem durante séculos uma autêntica encruzilhada nas rotas transatlânticas. Desde da fase da navegação à vela, da navegação a vapor, da aviação e pelo facto das águas da zona económica exclusiva dos Açores serem de longe as maiores da União Europeia, com os seus 994 000 quilómetros quadrados, e por isso constituírem o grosso das chamadas "águas ocidentais" da União.

Durante séculos os açorianos, tem tido em relação estreita com o mar, sempre desafiaram maresias e tempestades marítimas pois era uma forma de subsistência e a única de ultrapassar as distâncias e estabelecer contatos e trocas comerciais.

Registos históricos referem que as provas de natação e “Water Polo” (Polo Aquático), na RAA foram em:

Segundo o Angústias Atlético Clube, "Equipa de Water-Polo Campeã da Horta 1933/34”.

Na ilha de S. Miguel, com uma superfície de 746,82 km², 64,7 quilómetros de comprimento e de 8–15 km de largura, e com uma população de 131 609 habitantes (2001), segundo a Carta das Instalações Artificiais da Direção Regional de Desporto, existem 16 estruturas, piscinas cobertas e tanques de aprendizagem, adequadas para a prática da natação. A Figura 3 demonstra a distribuição da estruturas pelos concelhos da ilha de S. Miguel.

| Página ! de !15 47 Figura 3

Distribuição do número de piscinas coberta pelos concelhos da ilha de S. Miguel

Concelho n.º de piscinas/tanques de aprendizagem observações

Ponta delgada 7

Ribeira Grande 3 (2+1)

Lagoa 2

Vila Franca do Campo 2 (1) Desativada

Povoação 1 Desativada

Nordeste 1 Desativada

(42)

| Introdução

Após esta primeira abordagem dos conceitos estudados de acordo com o estado da arte e da sua localização em função do local de opção de estudo. O objetivo principal desta investigação tem como propósito identificar os motivos que levam os indivíduos à prática e não prática da modalidade da natação e a sua relação com a idade e o sexo, na população da ilha de S. Miguel.

(43)

| Capitulo II - Metodologia

Capitulo I - Metodologia

1.1 Amostra

A amostra será uma amostragem não probabilística regida por critérios de conveniência e/ou de disponibilidade dos inquiridos. É constituída por 584 inquiridos, sendo 384 praticantes de natação e 200 não praticantes, com idades compreendidas entre os 9 e os 80 anos de idade, 282 do sexo feminino e 302 do sexo masculino, cf. Tabela 1.

1.2 Variáveis dependentes e independentes

No presente estudo foram identificadas como variáveis independentes o sexo e a idade. Por sua vez, os fatores motivacionais (motivos para a prática e não prática da natação) foram estabelecidos como variáveis dependentes.

| Página ! de !17 47

Tabela 1

Distribuição da amostra em função do sexo e da idade Sexo

Idade Masculino Feminino Total

Dos 9 aos 12 anos 105 111 216

34.77% 39.36% 36.99%

Dos 13 aos 19 anos 172 115 287

56.95% 40.78% 49.14%

Dos 20 aos 30 anos 5 9 14

1.66% 3.19% 2.40%

Dos 31 aos 40 anos 12 29 41

3.97% 10.28% 7.02%

Dos 41 aos 50 anos 7 15 22

2.32% 5.32% 3.77%

Dos 51 aos 80 anos 1 3 4

0.33% 1.06% 0.68%

Total 302 282 584

(44)

| Capitulo II - Metodologia

1.3 Instrumentos

Para recolha de dados, foram elaborados dois questionários em que a primeira parte de cada questionário é constituída por questões de caracterização da amostra e a segunda parte, nos praticantes pelo QMAD e nos não praticantes pelo IMAAD.

O QMAD utilizado é a tradução da versão original do PMQ (Gill et al., 1983), versão traduzida e adaptada por Frias e Serpa (1991). O questionário é composto por 30 itens, descrevendo, cada um deles, motivos para a atividade desportiva (natação), aos quais foram atribuídos, numa escala do tipo Likert (de 1 a 5), os seguintes níveis: (1) – Nada importante; (2) – Pouco importante; (3) - Importante; (4) – Muito importante; (5) – Totalmente importante. De acordo com estudos anteriores (Fonseca, 1995; Fonseca & Maia, 1996), os 30 itens que constituem o PMQ agruparam-se em oito dimensões motivacionais, mas, a estrutura fatorial do PMQ tem variado muito de estudo para estudo. Zahariadis e Biddle (2000) referem a existência de seis fatores motivacionais. Pereira e Vasconcelos-Raposo (1998) encontraram, também, uma estrutura fatorial com seis fatores (embora diferentes dos encontrados por Zahariadis e Biddle, 2000). Posteriormente, Trembath et al. (2002) agruparam os 30 itens que constituem o PMQ em oito dimensões motivacionais.

O IMAAD utilizado será o desenvolvido por Pereira e Vasconcelos-Raposo (1997). Este é formado por 39 itens, evidenciando os motivos para a não prática desportiva, aos quais foram atribuídos, numa escala do tipo Likert (de 1 a 5), os seguintes níveis: (1) – Discordo Plenamente; (2) – Discordo; (3) - Nem discordo, nem Concordo; (4) – Concordo; (5) – Concordo Plenamente.

Os dois instrumentos, para os praticantes (cf. anexo 1) e não praticantes (cf. anexo 2), foram utilizados na população da ilha de S. Miguel, em zonas geográficas com a existência de aulas de natação e piscina coberta, de acordo com os objetivos traçados.

(45)

| Capitulo II - Metodologia

1.4 Procedimentos

Para a aplicação dos questionários, para os praticantes e não praticantes, foi necessário, primeiro que tudo, selecionar a amostra, de forma a colocar em prática o estudo. A população alvo é a população da ilha de S. Miguel.

Os elementos da amostra são do sexo feminino e masculino, com idades compreendidas entre os 9-80 anos, apesar da aplicação dos questionários ter sempre decorrido na área geográfica onde existe a prática da natação com piscina coberta em funcionamento.

Os questionários foram aplicados por administração direta pelo docente mestrando e por colegas seus que se disponibilizaram a colaborar neste procedimento.

Foram explicados os propósitos do questionário, bem como a informação obtida pelos mesmos. Deste modo, foram adotadas algumas estratégias que nos permitissem ter sucesso na aplicação dos mesmos, operacionalizadas através dos seguintes procedimentos:

a) Os questionários foram confidenciais, sendo preenchidos em regime de anonimato. b) Era solicitado que as respostas correspondessem às opiniões reais dos inquiridos. c) A recolha dos questionários foi realizada logo após a sua aplicação.

d) Aos professores envolvidos na distribuição dos questionários foi-lhes explicado o âmbito e caráter deste estudo.

(46)

| Capitulo II - Metodologia

1.5 Tratamento de dados

Para todos os dados recolhidos nesta investigação, foi criada uma base de dados na versão 22.0 do programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) para o MAC, versão copyright © SPSS, Inc., para introduzir os dados segundo o sistema de codificação pré-estabelecido, de forma a identificar cada variável.

No que respeita ao tratamento estatístico, utilizamos a estatística descritiva, como forma de apresentação dos cálculos dos diferentes parâmetros estatísticos descritivos, de modo a analisar os dados referentes à amostra. Para isso, recorreremos à média como medida de tendência central, ao desvio padrão como medida de dispersão e às tabelas de frequência e respetivos valores percentuais, para as variáveis em escala nominal. Numa segunda fase, relativamente à estatística inferencial, utilizamos para a análise comparativa o Teste T de Student, One Way ANOVA e testes post-hoc de Scheffé para verificar se existem ou não diferenças estatisticamente significativas entre grupos para as variáveis em questão e o teste Coeficente de Correlação de Pearson para a análise correlacional. Foi utilizado um nível de significância de p<0.05 visto ser o valor convencionado para pesquisas nesta área.

(47)

| Capitulo II - Apresentação dos resultados

Capitulo II - Apresentação dos resultados

Prática e não prática da natação

2.1. Análise descritiva

2.1.1 Análise descritiva da prática da natação

Os praticantes foram selecionados pela prática da natação na população da ilha de S. Miguel, num total de 384 nadadores, 207 do sexo masculino (n=384;53.5%;) e 177 do sexo feminino (n=384;46.1%), com idades compreendidas entre os 9 e os 50 anos de ambos os sexos, cf. Anexo 3. No que se refere às habilitações literárias dos praticantes, verificou-se que 111 apresentam o 4º ano de escolaridade (n=384;28.9%), 199 o 6º ano (n=384;51.8%), 62 o 9º ano (n=384;16.1%), 10 com o 12º ano (n=384; 2.6%) e 2 com a licenciatura (n=384;0.5%), cf. Anexo 4.

Relativamente ao local de aprendizagem do “nadar” dos 384 praticantes, 235 referem que aprenderam a nadar no mar (n=384;61.2%) os restantes 149 na piscina (n=384;38.8%). Dos que apreenderam a nadar no mar, 138 são do sexo masculino (n=207;66.7%) e 97 do sexo feminino (n=177;54.8%); na piscina apreenderam a nadar 149 sendo 69 do sexo masculino (n=207;33.3%) e 80 do sexo feminino (n=177;45.2%), cf. Anexo 5. Constatou-se, ainda, que quanto à idade de início da prática da natação, 212 dos inquiridos iniciaram a sua prática entre os 7 e os 12 anos de idade (n=384;55.2%); 98 até aos 6 anos (n=384;25.5%); 71 dos 13 aos 19 anos (n=384;18.5%); 2 dos 20 aos 30 anos (n=384;0.5%) e 1 dos 41 aos 50 anos (n=384;0.3%), cf. Anexo 6. Verificamos ainda, cf. Anexo 7, 97 dos nadadores praticam a modalidade da natação à menos de 6 meses (=384,25.3%) e 287 praticam à mais de 6 meses (n=384;74.7%). Por sua vez, 273 nadadores (n=384;71.1%) quando nadam no mar costumam deslocar-se para zonas onde não têm pé, sendo 149 do sexo masculino (n=273;54.6%) e 124 do sexo feminino (273;45.4%). Já 111 dos nadadores (n=384;28.9%) não se deslocam para zonas onde não têm pé, distribuídos da seguinte forma 58 do sexo masculino (n=111;52.3%) e 53 do sexo feminino (n=111;47.7%), cf. Anexo 8.

(48)

| Capitulo II - Apresentação dos resultados

2.1.2 Análise descritiva da não prática da natação

A amostra é constituída por 200 inquiridos não praticantes de natação na população da ilha de S. Miguel, 105 do sexo feminino (n=200;52,5%) e 95 do sexo masculino (n=200;47,5%), com idades compreendidas entre os 9 e os 80 anos, cf. Anexo 9. No que se refere às habilitações literárias, 76 dos inquiridos apresentam o 4º ano de escolaridade (n=200;38%), 69 com 6º ano (n=200;34,5%), 10 com o 9º ano (n=200;5%), 16 com o 12º ano (n=200; 8%), 26 com Licenciatura (n=200;13%), 2 com Mestrado (n=200;1%) e 1 com o Doutoramento (=200;0,5%), apresentando assim uma diversidade bastante aceitável na distribuição da amostra, cf. Anexo 10.

Relativamente ao desempenho de “nadar” e o local de aprendizagem, é de destacar que 159 dos inquiridos sabem nadar (n=200; 79.5%) e 41 não sabem nadar (n=200; 20.5%), sendo que 105 destes apreenderam a nadar no mar (n=159; 66%), 61 do sexo masculino (n=104; 76.3%) e 44 do sexo feminino (n=105; 55.7%). Na piscina aprenderam 54 inquiridos (n=159; 34%), 19 do sexo masculino (n=55; 23.8%) e 35 do sexo feminino (n=55; 44.3%), cf. Anexo 11. Todavia, 159 dos não praticantes sabem nadar e 101 referem que a idade de referência para aprendizagem do nadar situa-se entre os 7 e os 12 anos, cf. Anexo 12. Apesar da percentagem expressiva dos inquiridos apresentarem apetência para a prática da natação, estes não praticam natação (n=200;100%) e aqueles que nadam no mar apenas 96 praticam em zonas “onde não tem pé” (n=159;60.4%). Os resultados em função do sexo também demonstram diferenças, o sexo masculino (n=96; 58.3%) pratica mais nas zonas onde não têm pé e o sexo feminino (n=63; 62%) não se aventura em zonas onde não têm pé, cf. Anexo 13. De acordo com os resultados obtidos, 111 dos não praticantes referem ter conhecimento da existência de aulas de natação na sua zona de residência (n=200;55.5%), sendo 48 do sexo masculino (n=111; 43,3%) e 63 do sexo feminino (n=111; 56.7%). Por sua vez, 89 inquiridos revelam desconhecimento da existência de aulas de natação, cf. Anexo 14. No que diz respeito ao hábito de frequentar a praia, 187 inquiridos dos não praticantes de natação (n=200; 93.5%) referem ter o hábito de frequentar a praia, sendo 90 do sexo masculino e 97 do sexo feminino. Quanto aos inquiridos que não apresentam o hábito de frequentar a praia o número é reduzido (13) e a predominância é do sexo feminino, cf. Anexo 15.

(49)

| Capitulo II - Apresentação dos resultados

2.2 Análise dos principais motivos à adesão à prática e não prática da natação

2.2.1 Análise dos motivos para adesão à prática da natação

Através das respostas obtidas, cf. Tabela 2, verificamos que os inquiridos identificaram como primeiro motivo o item “porque não sabia nadar” com 88 nadadores (n=384;22.9%), o segundo “porque gosto do mar” com 96 nadadores (n=384; 25%) e por fim, o terceiro motivo apresenta um item igual ao segundo motivo com 75 nadadores (n=384;19.5%). Dentro do primeiro motivo o item “porque vivo numa ilha”, condição insular, ocupa a terceira opção com 51 nadadores (n=384;13.3%), não tendo vingado nas escolhas dos nadadores. Por outro lado, o item “porque gosto do mar”, entre os três motivos, é aquele que apresenta maior expressão.

| Página ! de !23 47 Tabela 2

Os motivos para a adesão à prática da natação

Motivos n % % válida % acumulativa

Primeiro Motivo

porque não sabia nadar 88 22.9 22.9 22.9

porque sempre gostei da prática da natação 83 21.6 21.6 44.5

porque vivo numa ilha 51 13.3 13.3 57.8

porque gosto do mar 38 9.9 9.9 67.7

Segundo Motivo

porque gosto do mar 96 25.0 25.0 25.0

porque sempre gostei da prática da natação 44 11.5 11.5 36.5

porque queria aprender uma nova modalidade 44 11.5 11.5 47.9

porque costumo fazer muita praia 38 9.9 9.9 57.8

Terceiro Motivo

porque gosto do mar 75 19.5 19.5 19.5

porque queria aprender uma nova modalidade 64 16.7 16.7 36.2

porque faz parte da aula de educação física 57 14.8 14.8 51.0

(50)

| Capitulo II - Apresentação dos resultados

A análise pormenorizada dos motivos em função do sexo na adesão da prática da natação dentro do primeiro motivo indica-nos, cf. Anexo 16, que existem diferenças nas escolhas entre os sexos. Para o sexo masculino o principal motivo foi “porque sempre gostei da prática da natação” (n=43;20.8%), por seu lado, o sexo feminino identificou o item “porque não sabia nadar” (n=50;28.2%), que acaba por ser o motivo mais escolhido no total entre ambos (n=88;22.9%). Já o item “porque vivo nunca ilha”, condição insular, ocupa a terceira posição em ambos sexos (n=51.13.3%) sendo mais valorizado pelo sexo masculino. Mais uma vez, verificou-se que a condição insular em função do sexo também não teve êxito entre os inquiridos como a primeira opção. Ao nível do segundo e do terceiro motivo o item “porque gosto do mar” aquele que recolheu o consenso como o mais valorizado entre os sexos. A condição insular continua a não revelar expressão significativa entre as escolhas dos inquiridos como motivo para a adesão à prática da natação.

2.2.2 Análise dos motivos da não adesão à prática da natação

Para identificar os principais motivos da não adesão à prática da natação e, se existe alguma relação com a condição insular, procedeu-se à análise descritiva dos três principais motivos enumerados pelos inquiridos (n=200). Assim, cf. Tabela 3, constatamos que o primeiro motivo escolhido prende-se com “porque não vivo perto de uma piscina” (n=200;36;18%), o segundo com os itens “porque não tenho horário” e “porque é uma atividade paga” ambos com os mesmos valores (n=200;28;14%) e o terceiro “porque não é a única atividade desportiva que tenho perto da minha casa/local de trabalho/local de estudo” (n=200; 27;13.5%). Neste caso, não se verifica referência relevante no item que evidencia uma relação à condição insular, como “porque vivo numa ilha”.

(51)

| Capitulo II - Apresentação dos resultados

A análise dos resultados dos principais motivos da não adesão à prática da natação em função do sexo, cf. Anexo 17, verificamos que existem diferenças nas escolhas entre os ambos, tendo o sexo masculino justificado com item “porque não vivo perto de uma piscina” e o feminino com “porque não tem horário”. Sendo verificado uma vez mais que a condição insular, não se encontra presente entre os principais motivos da não adesão à pratica da natação.

| Página ! de !25 47 Tabela 3

Os motivos para a adesão à não prática da natação

Motivos n % % válida % acumulativa

Primeiro motivo

porque não vivo perto de uma piscina 36 18.0 18.0 18.0

porque não sei nadar 31 15.5 15.5 33.5

porque não tenho horário 30 15.0 15.0 48.5

Segundo motivo

porque não tenho horário 28 14.0 14.0 14.0

porque é uma atividade paga 28 14.0 14.0 28.0

porque nunca gostei da prática da natação 24 12.0 12.0 40.0

Terceiro motivo

porque não é a única atividade desportiva que tenho perto da

minha casa/local de trabalho/local de estudo 27 13.5 13.5 13.5

porque é uma atividade paga 20 10.0 10.0 23.5

Imagem

Figura 1 | Evolução do número de praticantes federados da Federação Portuguesa de Natação
Figura 2 | Evolução do número de praticantes federados de natação na Região Autónoma dos Açores
Tabela  10,  verifica-se  que  os  resultados  da  aplicação  do  teste  T  de  Student  de  variáveis  independentes, para dois grupos independents (sexo), evidenciam diferenças estatisticamente  significativas para o fator “desinteresse pelo esforço físi

Referências

Documentos relacionados