EPIDEMIOLOGIA
AMBIENTAL
Doenças transmissíveis associadas com a
água
Organismos patogênicos
Doenças diarreicas cólera, febre tifóide,
paratifóide, salmonelose, giardíase.
Dose infecciosa mínima menor para
cólera
Capacidade de autodepuração
Águas com propriedades de fluxo
modificadas (represamento) menor capacidade
Agenda 21 80% de todas as doenças e
mais de 1/3 de todas as mortes países em desenvolvimento água contaminada
1,4 bilhões de pessoas sem acesso a
2,9 bilhões sem acesso a saneamento
adequado
2,5 milhões de crianças mortas, cada ano,
Água, saneamento e o ciclo da
pobreza (WHO/Unicef, 2005)
Contribuição de doenças para a carga de doença associada ao saneamento
Doenças transmitidas pela água
contaminação (vírus ou bactérias
patogênicos) da água por fezes de animais do homem: cólera, febre tifóide.
Doenças relacionadas à privação
através de contato direto com pessoas ou materiais contaminados questões de
higiene doenças diarreicas, helmintos e infecções da pele e olhos.
Doenças baseadas na água água como
hábitat para organismos parasitas esquistossomose.
Doenças relacionadas água como
hábitat para insetos vetores criadouros doenças parasíticas: malária, infecções virais (dengue, febre amarela e encefalite
Infecções disseminadas pela água
patógenos sobrevivem em água doce entrada pelo trato respiratório ameba
proliferando em águas mornas meningite fatal
Bactérias disseminadas na forma de
aerossóis de sistemas de ar condicionado
Constituintes químicos e radioativos Algumas substâncias dissolvidas
ingredientes essenciais na ingestão diária
Alguns perigosos à saúde Efeitos simultâneos
Global Environment Monitoring System
(GEMS) classificação de substâncias químicas
Substâncias (metais, nitratos, cianetos)
toxicidade crônica e/ou aguda
Substâncias genotóxicas (orgânicos
sintéticos, pesticidas e arsênio) efeitos adversos à saúde carcinogenicidade, mutagenicidade e defeitos de nascimento
Sem limiar seguro de exposição
Arsênio naturalmente presente em
minérios de chumbo, cobre e ouro.
Fontes industriais fertilizantes,
preservativos da madeira e mineração.
Águas subterrâneas fonte mais importante
Arsênio:
Efeitos dermatológicos em várias regiões
(Ásia, América do Norte e Latina) água subterrânea contaminada com arsênio.
Exposição crônica doença vascular,
doença do fígado, lesões de pele, câncer de pele, pulmão, bexiga e distúrbios
Flúor elemento essencial e também uma
substância tóxica.
Pequena faixa de concentração de F
condições ótimas
Níveis muito baixos maior incidência de
cáries
Iodo água como principal fonte de
ingestão diária
Regiões com baixas concentrações nas
águas subterrâneas deficiências de iodo aumento da tireóide e em casos graves, retardação mental e cretinismo.
Nitratos aplicação excessiva de
fertilizantes águas subterrâneas
Crianças abaixo de seis meses riscos
maiores
Nitratos reduzidos a nitritos combinação
Metahemoglobinemia
Causas Nitratos em água de consumo
humano
Lactentes e crianças
Controle da concentração < 50 mg/l “Síndrome do bebê azul”
Problemas de respiração, vômito e diarreia Doença rara em países industrializados
Subprodutos de desinfecção
Reação de hidrocarbonetos com cloro
Trialometanos (THM) e ácidos halocéticos
(HAA)
Água de consumo humano associações
com câncer de bexiga e cólon e agravos ao problemas reprodutivos.
Estudo de Johson et al (2003)
Tricloroetileno: associação entre exposição e
incidência elevada de malformação cardíaca congênita.
Determinação da qualidade da água Impacto de atividades humanas
Quatro fontes principais: esgoto, efluentes
industriais, águas pluviais e atividades agrícolas
Países em desenvolvimento passado
Uso de pesticidas e produção de resíduos tóxicos
industriais
Poluição indireta Acidificação
Processo lento deposição atmosférica de ácidos
inorgânicos
Reação química da água da chuva com óxidos de
nitrogênio e de enxofre; íons da queima de carvão/petróleo e poluição por tráfego de veículos
Eutrofização sobrecarga de nutrientes (nitratos e
Crescimento abrupto de micro-organismos
floração
Floração de cianobactérias produção de
Floração de cianobactérias
Brasil Teixeira et al. (1993)
correlação entre a ocorrência de florações de cianobactérias, no reservatório de
Itaparica (Bahia) morte de 88 pessoas, entre as 200 intoxicadas
Consumo de água do reservatório, entre
Acidente de Caruaru
Início de 1996 123 pacientes renais crônicos Sessões de hemodiálise em Caruaru (PE)
grave hepatotoxicose.
54 mortes até cinco meses após o início dos
sintomas.
A clínica recebia água sem um tratamento completo
e usualmente era feita uma cloração no próprio
caminhão tanque utilizado para transportar a água, em períodos de falha no abastecimento pela rede pública.
Lagoa com floração de
cianobactérias
Carga Ambiental da Doença
Doenças diarreicas
Impacto de água insegura, saneamento
Avaliação da exposição
Ingestão de água patógenos oro-fecais
(diarreia)
Padrões deficientes de higiene
Uso inadequado de águas residuárias na
Nível de acesso a abastecimento de água e
saneamento adequados e seguros melhor meio de estimativa da carga de doença
Trajetórias de transmissão de
doenças oro fecais
Cenários determinantes para risco
de diarreia de ASH inadequados
Cenário I risco teórico mínimo
desprezível
Cenário II países desenvolvidos cargas
baixas a médias mais do que 98% de cobertura de água e esgoto.
Baixa incidência de doenças diarreicas
Cenários IV a VI ambiente rico em
patógenos oro-fecais países em desenvolvimento.
Necessidade de dados de
exposição
Fontes de dados de exposição
Censos nacionais
Sistema Nacional de Informações sobre
Saneamento – SNIS - http://www.snis.gov.br/
Pesquisas domiciliares Relatórios de ONGs
Exemplos de distribuição de
população
Exemplos de distribuição de
população - Brasil
De acordo com o modelo exposto: Risco de diarreia em paises em
desenvolvimento 2,8 a 4,4 vezes o valor encontrado em países desenvolvidos.
Estimativa da fração de diarreia atribuída à
Cálculo da fração de diarreia atribuível a ASH Fração de impacto
Pi = proporção da população na categoria de
exposição “i” pi = 1
RRi = risco relativo na categoria de exposição “i”,
comparando-se com o nível ideal (RR=1)
i i i iRR
p
RR
p
FI
1
Estimativa do impacto da mudança de
exposição intervenção de saúde pública
Cálculo da fração da carga de doença
Exemplo prático
República Popular Democrática do Laos Fonte de dados
WHO UNICEF, 2006 avaliação de
saneamento e de fornecimento de água.
1) determinação da distribuição da
população para os cenários de exposição
Cobertura por água potável 51% Cobertura por saneamento 30%
Nenhum suprimento de água nem serviço de
saneamento (cenário VI) 49% (100% - 51%);
Suprimento de água e saneamento (Cenário
IV) 30%
Suprimento de água, sem saneamento
(Cenário Vb) 21% (51% - 30%);
Compilação dos riscos relativos Grupo de referência RR = 1,0 Cenário VI RR = 11 Cenário Vb RR = 8,7 Cenário IV RR = 6,9 Cenários I e II 0% da população
Processamento dos dados
0% 1 30% 6,9 21% 8,7 49% 11
89% 1 11 % 49 7 , 8 % 21 9 , 6 % 30 1 % 0 FI Cálculo da carga da doença
Estimativa da WHO para 2002 5.400
mortes e 176.000 DALYs para diarreia.
5.400 x 89% 4.800 mortes
Estimativa da carga de doença da diarreia Incidência
Mortalidade
DALY
Carga atribuível da doença diarréica = fração
Melhoria no acesso à água de consumo
humano e saneamento Decréscimo na infecção 59 e 87%
Valor médio de redução 77%
Doença totalmente atribuível a riscos
Desnutrição na infância:
Água, higiene e saneamento fatores
estreitamente ligados.
ASH maior causa de infecções
gastrintestinais recorrentes redução na absorção de nutrientes desnutrição.
Principais ligações entre ASH
e má nutrição
Desnutrição: Fatores ambientais
Níveis de e saneamento afetam
significativamente ganho de peso em crianças e escores-Z (desvio da média da população).
Além de ASH; poluição do solo, degradação e
destruição de ecossistemas e mudanças climáticas (2%) contribuição à desnutrição.
Mortalidade proporcional em crianças menores do que 5 anos de idade (OMS, 2004)
Doenças veiculadas por vetores
Latitude e altitude limitação da distribuição Padrões pluviométricos nível de
Intervenções ambientais:
Mudanças hidrológicas (introdução ou
extensão de irrigação; construção de represas) pode:
Levar a introdução de novos criadouros; Extensão da superfície de criadouros,
aumentando densidade da população de vetores;
Prolongamento do período do criadouro na
Aumento da umidade relativa, aumentando a vida
do mosquito e garantindo a capacidade do vetor se reproduzir.
Mudanças no padrão de circulação humana
Reassentamento permanente introdução de
pessoas não-imunes ou carreadores da doença
Mudanças na infraestrutura
Melhoria na habitação com maior proteção contra
insetos;
Melhoria no saneamento ambiental, com menos
água parada e melhor drenagem;
Melhoria e viabilização de acesso à água potável,
eliminação da necessidade de estocagem insegura de água em casa;
Melhores rodovias para facilitar acesso a serviços
Malária
Causada por um parasita Plasmodium Transmitido por picada de inseto
Anopheles preferência por água limpa,
estagnada ou com velocidade baixa.
Modificação do ambiente mudança permanente
das condições do solo, água ou vegetação para reduzir os hábitats dos vetores trabalho de infraestrutura;
Manipulação do ambiente atividades
recorrentes, normalmente envolvendo a
comunidade, para criar condições desfavoráveis temporárias.
Modificação ou manipulação do comportamento
Exemplos de modificações ambientais
Drenagem;
Nivelamento do solo;
Cobertura de depressões, poças e acúmulo de
água;
Modificando margens de rios;
Construção de estruturas hidráulicas
auto-drenáveis;
Plantio de árvores em áreas com lençóis freáticos
Projeto de pequenas represas;
Projeto de estruturas de estocagem de água com a
devida cobertura;
Revestimento de canais para evitar vazamentos;
Implantação de “rule-curves” para o gerenciamento
de reservatórios, para manter a larva do mosquito na margem, através de rápido rebaixamento dos níveis de água.
Mudanças na habitação Instalação de telas;
Exemplos de manipulação ambiental
Remoção de plantas aquáticas, onde o mosquito
pode procurar abrigo;
Uso de irrigação intermitente;
Periódica lavagem de canais de água;
Introdução de predadores, como peixe larvívoro;
Sincronização de padrões de irrigação em áreas de
irrigação de arroz;
Aplicação de redutores de tensão superficial
Em nível global 500.000 mortes poderiam
ser prevenidas a cada ano por gerenciamento ambiental
Corpos d’água e Drenagem.
Dengue
Transmitida por mosquito do gênero Aedes Aedes aegypti
Criadouros coleções de água
Prevenção gerenciamento ambiental
peri-doméstico.
Medidas de gerenciamento ambiental 95%
Estimativa da fração prevenível da doença
por meio de intervenção ambiental baseada na espécie de vetores locais
Américas Aedes aegypti (vetor
predominante) quase 100% da transmissão da doença atribuível a componentes ambientais
Esquistossomose:
Contato com corpos d’água contaminados com
excrementos de pessoas infectadas.
Atribuída totalmente à água contaminada,
saneamento inadequado ou higiene insuficiente.
Os locais mais freqüentes para contaminação por
esses ovos são valas de irrigação de hortas,
açudes, pequenos córregos, onde geralmente se lava roupa, e reservatórios de água.
Áreas endêmicas da
esquistossomose
Esquistossomose: mapa de indutores ambientais – Campinas: F.
Esquistossomose: mapa de indutores ambientais –
Campinas: F. Anaruma Filho et al. - Geospatial Health 5(1),
Outras doenças
Dureza da água ingestão de magnésio
falta associada com doença cardiovascular
Cálcio na água prevenção de osteoporose Lesão de coluna;
Legionelose;
Infecções do trato respiratório superior
Contaminação natural com arsênio e flúor
cânceres, fluorose.
Chumbo tubulações
Hidratação inadequada pedras nos rins,
câncer do trato urinário, saúde oral deficiente, etc.
Brasil - Doenças relacionadas ao saneamento ambiental
Doenças de transmissão
oro-fecal
diarreias primeiro lugar, tendo sido responsáveis
por mais de 87% do total das internações por DRSAI 1993-2005
Valor máximo de 93% (anos de 1998 e 1999), 90% das internações em 2005.
Doenças de transmissão oro-fecal uma
aproximação do conjunto das DRSAI
Indicador complementar ou substituto,
Indicadores de saneamento básico – Fonte A
Evolução da Gestão dos Recursos Hídricos no Brasil – Agência Nacional de Águas –
Porcentagem de domicílios
servidos com água
Porcentagem de domicílios
com rede coletora
Porcentagem de volume de
esgotos tratados
Referências:
Lorna Fewtrell, Annette Prüss-Üstün, Robert Bos, Fiona Gore.
Jamie Bartram Environmental Burden of Disease Series, No. 15 - Water, sanitation and hygiene - Quantifying the health impact at national and local levels in countries with incomplete water supply and sanitation coverage. World Health Organization. Public Health and the Environment, Geneva, 2007.
Wayne W. Carmichael, Sandra M.F.O. Azevedo, Ji Si An, Renato J.
R. Molica, Elise M. Jochimsen, Sharon Lau, Kenneth L. Rinehart, Glen R. Shaw, Geoff K. Eaglesham. Human Fatalities from
Cyanobacteria: Chemical and Biological Evidence for Cyanotoxins. Environ Health Perspec. 109(7):663-68, 2001.
IBGE. Estudos & Pesquisas -- Indicadores de Desenvolvimento
Referências:
Johson PD et al. Threshold of Trichloroethylene Contamination in
Maternal Drinking Waters Affecting Fetal Heart Development in the Rat. Environ Health Perspec. 111(3):289-92, 2003.
Manassaram DM et al. A Review of Nitrates in Drinking Water:
Maternal Exposure and Adverse Reproductive and Developmental Outcomes. 114(3):320-27Environ Health Perspec, 2006.
Moraes LRS et al. Impact of drainage and sewerage on diarrhoea in
poor urban areas in Salvador, Brazil. Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene. 97(2): 153-158, 2003.