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CLIMATE SCHOOL AND THE RELATIONSHIP WITH THE TEACHING AND LEARNING

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Academic year: 2021

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O CLIMA ESCOLAR E A RELAÇÃO COM O ENSINO E A APRENDIZAGEM: UM ESTUDO EM UMA ESCOLA PÚBLICA DE ENSINO FUNDAMENTAL II E MÉDIO. Simone Gomes de Melo. Alessandra de Morais. Francisane Nayare de Oliveira Maia. Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Marília. Capes. [email protected].

[email protected]. [email protected].

Eixo temático: Psicologia e Educação.

CLIMATE SCHOOL AND THE RELATIONSHIP WITH THE TEACHING AND LEARNING

Resumo

O clima escolar é uma forma de perceber o ambiente, sua atmosfera, valores, atitudes e sentimentos por seus membros, atores da comunidade escolar, correspondendo também às relações sociais e à relação com a aprendizagem. O presente estudo teve por objetivo avaliar e analisar o constructo clima escolar em sua relação com o ensino e a aprendizagem, a partir da aplicação de questionários para alunos e professores de uma escola pública estadual de Ensino Fundamental II e Médio do interior do estado de São Paulo. No que se refere à metodologia, trata-se de um estudo de caso, com abordagem quantitativa. Os resultados demonstraram que os alunos avaliaram o clima da escola, na dimensão ensino e aprendizagem, de maneira intermediária, ou seja, não só positivo como também não só negativo. No entanto, a avaliação negativa obteve o segundo maior índice de respostas e apenas 17,3% dos estudantes apresentaram uma avaliação positiva. Os professores, não muito diferentemente dos alunos, demonstraram uma percepção também intermediária quanto a aspectos relacionados ao ensino e à aprendizagem da escola investigada. Por sua vez, nesse público, o indicador positivo atingiu 29,4% e o negativo foi o aspecto menos ressaltado. Mediante esses dados pode-se concluir que avaliar o clima escolar desvela muitas percepções antes não clarificadas, abrindo um espaço de reflexão para que as propostas pedagógicas sejam repensadas, visando proporcionar um ambiente favorável ao ensino e à aprendizagem.

Palavras-chave: Avaliação do clima escolar. Ensino e aprendizagem. Ensino Fundamental II e Médio.

Abstract

The school climate is a way of perceiving the environment, its atmosphere, values, attitudes and feelings by its their members, actors of the school community, also corresponding to the social relations and the relationship with learning. This study aimed to evaluate and analyze the construct school climate in its relation to the teaching and learning, from the application of questionnaires directed for students and teachers of a public school of elementary school and high school within São Paulo state. As regards the method, this is a case study, with a quantitative approach. The results showed that the students evaluated the climate of the school in the dimension of teaching and learning in an intermediate mode that is not only positive but also not only negative. However, the

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negative mood obtained the second highest response rate and only 17.3% of the students had a positive mode. Teachers, not too unlike the students demonstrated also intermediate perception of the aspects related to the teaching and learning of the investigated school. In turn, for this public, the positive indicator reached 29.4% and the negative aspect was the least voted. Through this data, it can be concluded that assess school climate reveals many insights not previously clarified, opening a space for reflection that leads to rethink pedagogical proposals in order to provide a favorable environment for teaching and learning.

Key words: School climate assessment. Teaching and learning. Elementary school and high school.

1. Introdução

Com base na literatura sobre clima escolar, podemos constatar que há uma multiplicidade de conceituações, dentre as quais, o clima escolar pode ser compreendido como o conjunto de percepções dos diferentes membros da comunidade escolar acerca da qualidade das inter-relações pessoais presentes na instituição e refere-se à atmosfera do ambiente, estar-se seguro para a aprendizagem, sentir-se acolhido e amparado por regras em que procedimentos são justos e claro a todos, à objetividade no processo de ensino e aprendizagem, à eficiência e coerência dos métodos empregados, ao sentimento de que o que se aprende tem valor e importância para si mesmo e para os outros, à sensação de pertencimento e de responsabilidade com escola. Consiste, então, em uma variável subjetiva, relacionada às percepções dos membros da escola acerca da qualidade das inter-relações presentes naquela instituição. Diz respeito à percepção sobre a atmosfera da escola, valores, atitudes e sentimentos apresentados por seus membros, correspondendo, também, às relações sociais e à relação com a aprendizagem (THIÉBAUD, 2005).

De acordo com Perkins (2006, 2007, 2008) fatores como estrutura física, relações interpessoais e o contexto podem influenciar positiva ou negativamente no desempenho escolar. A liberdade do diálogo e a confiança nos professores com um trabalho em parceria com a direção da escola, promovem um bom clima. Nesse sentido, o conceito de clima escolar e sua avaliação têm sido utilizados como recursos para melhorar o desempenho acadêmico por meio da reforma de toda a escola. Tal reforma considera, dentre outros aspectos, enfrentar desafios com relação ao bullying, conflitos inter-estudantes, suicídio e abandono escolar (GLENN, 2009). O sentimento de pertencimento à escola neutraliza fatores de resultados negativos, sendo o envolvimento entre os membros da comunidade escolar considerado como um meio eficaz de diminuir

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problemas de ordem comportamental e emocional o que, por sua vez, aumenta a motivação acadêmica e a autorrealização (LOUKAS, 2007).

Para Ceia (2001), o clima escolar é multidimensional e os seus componentes estão interligados. Os efeitos do clima são múltiplos e importantes, e sua avaliação deve constituir um momento prévio da mudança. O êxito de novas políticas ou de novas estratégias de desenvolvimento organizacional está estreitamente dependente da natureza do clima escolar.

Pesquisas em países latino-americanos buscaram entender quais situações na sala de aula poderiam ser relacionadas positivamente aos níveis de aprendizagem do aluno. Uma delas, desenvolvida por Casassus (2002) entre os anos 1995 e 2000, realizou uma análise comparativa entre os currículos de diversos países, a avaliação de rendimento de alunos de inúmeras escolas e de respectivos fatores associados. Os instrumentos foram aplicados em 14 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Honduras, México, Paraguai, Peru, República Dominicana e Venezuela. Para mensurar o nível de aprendizagem, foram construídas e aplicadas aos alunos uma prova de Linguagem e uma prova de Matemática; questionários para investigar os fatores que produzem as desigualdades no desempenho, os quais foram respondidos por estudantes, pais ou responsáveis, professores, diretores; foram também preenchidas fichas sobre os estabelecimentos educacionais investigados. Assim, definiu-se a qualidade da educação como um nível aceitável de rendimento ou sucesso acadêmico, o que por sua vez corresponde à nota obtida de respostas corretas nos itens de provas de Linguagem e de Matemática. Apesar de limitada, essa foi uma forma de identificar e relacionar a variável dependente (qualidade de educação) com um conjunto de variáveis independentes ou fatores explicativos.

Na pesquisa de Casassus (2002) as variações das notas em Linguagem e Matemática foram verificadas em função das variáveis associadas às estratégias de aula. O aspecto mais importante de todos, dentre cerca de 30 variáveis investigadas, foi o clima favorável à aprendizagem existente na escola, mais especificamente um clima emocional favorável dentro da sala de aula. Com base nesses dados o autor afirma que a percepção dos alunos quanto ao clima emocional é um fator de extrema relevância aos processos educacionais, pelos seguintes motivos: essa variável teve um efeito maior nos resultados do que a soma de todas as outras variáveis em conjunto, e é uma dimensão que depende das inter-relações, podendo ser modificada tanto por práticas pedagógicas como pela

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gestão educacional. Conclui-se, ainda, que a soma dos impactos intra-escola é diversas vezes superior ao impacto dos fatores extra-escola.

Assim, constatamos que pesquisas sobre o tema indicam que o clima pode ser uma influência positiva no ambiente de aprendizagem ou uma barreira significativa para tal; por conseguinte avaliar o clima escolar e oferecer um feedback pode ter um papel importante na reforma da escola e esforços de melhorias. Encontram-se evidências de que os alunos inseridos em um clima escolar positivo estão fortemente associados a resultados de alto desempenho em avaliações, ou seja, há uma relação estreita entre as escolas com bom clima e o desempenho satisfatório em testes escolares (TAYLOR, 2008; CANGUÇU, 2015).

Todavia, para se conhecer o clima de uma escola, diferentes aspectos devem ser considerados, uma vez que o clima se refere à percepção dos membros da comunidade escolar com relação a suas vivências naquela instituição no referente aos diferentes fatores que a compõem. De acordo com Thapa et al. (2013) podem ser destacadas cinco dimensões essenciais do clima escolar: segurança (por exemplo, regras e normas, segurança física e segurança social-emocional); relações interpessoais (como, respeito à diversidade, engajamento e conectividade com a escola, apoio social, liderança); Ensino e aprendizagem (por exemplo, aprendizagens sociais, emocional, ética e cívica; serviços de aprendizagem, apoio acadêmico para a aprendizagem); ambiente institucional (por exemplo, a estrutura física, recursos, suprimentos), e o processo de melhoria da escola.

Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo avaliar e analisar o constructo clima escolar, no referente à dimensão ensino e aprendizagem, a partir da perspectiva de alunos e professores de uma escola pública estadual de Ensino Fundamental e Médio do interior do estado de São Paulo.

2. Metodologia

Esta pesquisa tem como delineamento um estudo de caso, na qual procura-se a descrição de características de determinada população, no referente a um fenômeno específico, de modo a tratar de questões sobre o ensino e a aprendizagem. Permite, ainda, uma investigação atual dentro de seu contexto real - a escola (GIL, 2010). No que concerne à natureza dos dados, é principalmente de característica quantitativa (CAMPOS, 2001).

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2.1. Participantes

Participaram deste estudo 273 alunos regularmente matriculados nas turmas do 7º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual do interior paulista (o que equivale a 73% do total de alunos matriculados nesses anos de ensino na escola investigada). Também fizeram parte da pesquisa 18 professores que lecionavam para esses alunos (o que corresponde a 60% dos professores da escola).

Após o primeiro contato, foi entregue aos alunos o Termo de Assentimento e aos pais de menores o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para que os estudantes pudessem participar da pesquisa. Os professores também receberam o TCLE e o assinaram antes de participar do estudo.

A pesquisa faz parte de um projeto maior, que tem como temática a melhoria da convivência e do clima na escola, tendo sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp (CAAE: 32973114.2.0000.5404).

2.2. Instrumentos e Procedimentos

Para a avaliação do clima escolar, foram aplicados questionários voltados para alunos e professores. Tais instrumentos foram elaborados por uma equipe de pesquisadores composta por estudiosos de diferentes universidades, estão em processo de validação e já apresentam as primeiras evidências de validade (VINHA et al, 2015). Na elaboração de tal instrumento, a equipe do projeto procurou criar um questionário que possuísse uma linguagem clara e objetiva; fosse em formato Likert - para cada item existem quatro possibilidades de resposta apresentadas (quatro pontos); abordasse questões presentes nas escolas brasileiras e contemplasse diferentes dimensões. Assim, em sua construção, foi elaborada uma matriz formada por oito dimensões inter-relacionadas, consideradas constituintes do Clima Escolar, a saber: as relações com o ensino e com a aprendizagem (Dimensão 1); as relações sociais e os conflitos na escola (Dimensão 2); as regras, as sanções e a segurança na escola (Dimensão 3); as situações de intimidação entre alunos (Dimensão 4); a família, a escola e a comunidade (Dimensão 5); a infraestrutura e a rede física da escola (Dimensão 6) - para alunos e professores. Assim como e as relações com o trabalho (Dimensão7) e a gestão e a participação (Dimensão 8) - para professores. A elaboração dos itens que compuseram os instrumentos de medida foi baseada na referida matriz, de modo que o questionário dos alunos ficou com 108 itens e do docente com 129 itens.

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No presente texto serão focalizados os resultados relativos à Dimensão 1: as relações com o ensino e a aprendizagem.

3. Resultados e discussão

Aplicamos os questionários com o intuito de investigar as percepções em relação à escola pelos seus integrantes: alunos, gestores e professores. Tal como explicitado acima, são abordados nos questionários assuntos relacionados às seguintes dimensões: relações com o ensino e com a aprendizagem; relações sociais e os conflitos; regras, as sanções e a segurança na escola; situações de intimidação entre os alunos; a família, a escola e a comunidade; infraestrutura e rede física da escola; relações com o trabalho; a gestão e a participação. Essas dimensões possibilitaram uma avaliação geral do clima da escola investigada.

Na presente pesquisa analisaremos especificamente a dimensão “as relações com o ensino e com a aprendizagem”, contemplando os sujeitos: aluno e professor. A boa qualidade dessa dimensão se baseia na percepção da escola como:

(...) um lugar de trabalho efetivo com o conhecimento, que investe no êxito, motivação, participação e bem-estar dos alunos, promove o valor da escolarização e o sentido dado às aprendizagens. Implica também na atuação eficaz de um corpo docente estável e na presença de estratégias diferenciadas que favoreçam a aprendizagem de todos e o acompanhamento contínuo, de forma que nenhum aluno fique para trás (VINHA et al., 2015).

Na elaboração do questionário abordando essa dimensão preocupou-se em formular questões que tratassem do mesmo assunto tanto aos alunos quanto aos professores, sendo possível posteriormente um cruzamento das informações para que houvesse um retrato do clima da escola. Considerando que na dimensão sobre ensino e aprendizagem os questionários dos professores contêm trinta itens e dos alunos vinte, entre eles são contemplados quatorze itens de relação, ou seja, nos questionários de professores e alunos há quatorze itens que tratam do mesmo assunto, como ilustrado no quadro abaixo.

Quadro 1 – Itens de relação na dimensão: as relações com o ensino e com a aprendizagem

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1. O que aprendo na escola é útil para a minha vida.

1. O que eu ensino aos meus alunos é importante para a vida deles

2. A maioria dos estudantes da minha escola será capaz de ter êxito realizando faculdades

2. A maioria dos estudantes da minha escola será capaz de ter êxito no ensino superior

3. Na minha escola os professores consideram o comportamento dos alunos para dar as notas

10. Na minha escola os professores consideram o comportamento dos alunos para dar as notas 4. A quantidade de lição de casa é bem distribuída

entre as matérias

7. A quantidade de lição de casa é bem distribuída entre as matérias

5. Os professores desta escola chegam atrasados com frequência

12. Os professores desta escola chegam atrasados com frequência

6. Os professores desta escola costumam faltar 11. Os professores desta escola costumam faltar 8. Os estudantes desta escola parecem

desinteressados e entediados

24. Os estudantes desta escola parecem desinteressados e entediados

9. Os estudantes desta escola chegam atrasados 25. Os estudantes desta escola chegam atrasados com frequência

10. Os estudantes desta escola atrapalham a aula 26. Os estudantes desta escola atrapalham a minha aula

11. Os estudantes desta escola fazem as lições de casa

27. Os estudantes desta escola fazem as lições de casa

12. (Os estudantes) Quando não entendem alguma coisa, podem perguntar para os professores várias vezes até entenderem

30. (Os estudantes) Quando não entendem alguma coisa eles podem perguntar várias vezes até compreenderem

14. (Os professores) Conseguem manter a ordem durante a aula

18. Eu consigo manter, de forma respeitosa, a ordem durante a aula

15. (Os professores) Propõem atividades em grupos que promovem a troca de ideias e a cooperação

15. Eu proponho atividades em grupos que promovem troca de ideias e a cooperação 16. (Os professores) Incentivam a colaboração dos

alunos no planejamento das atividades

19. Incentivo a colaboração de meus alunos no planejamento das atividades de classe

Fonte: elaborado pelas autoras a partir dos questionários construídos por Vinha e equipe, 2015. Para a análise dos resultados selecionamos alguns desses itens de relação de forma a poder entrecruzar a percepção dos alunos e dos professores, a fim de retratar determinados fenômenos ocorridos na escola, tanto em relação às respostas que caminhavam na mesma direção quanto às respostas que se diferenciavam.

No Gráfico 1 apresentamos o resultado geral da dimensão sobre as relações com o ensino e com a aprendizagem. Como já mencionado acima, os questionários nesta dimensão contêm um total de trinta itens aos professores e vinte aos alunos, sendo quatorze deles de relação. Nota-se que em geral há uma avaliação de negativa a intermediária por parte dos alunos, na dimensão ensino-aprendizagem, ao passo que os professores, em sua maioria a avaliam de forma intermediária a positiva. Podemos notar

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que 32,7% dos alunos avaliam negativamente, enquanto que 29,4% dos professores demonstram uma avaliação positiva. Quanto à maioria de ambos os sujeitos, julgam as relações com ensino e com a aprendizagem da escola no nível intermediário.

Gráfico 1- Resultados gerais na Dimensão “As relações com o ensino e com a aprendizagem”

Fonte: elaborado pelas autoras (2016)

Partindo para a análise dos itens, verificamos a importância da questão envolvendo ensino-aprendizagem para a vida dos alunos e professores. O Gráfico 2 mostra que tanto alunos quanto professores concordam que o que aprendem na escola é útil para a vida dos estudantes, havendo uma incidência positiva em 84,2% dos alunos, ao assinalarem concordarem/concordarem muito sobre a questão, enquanto que essa avaliação positiva se dá em 100% dos professores participantes. Por outro lado, chama a atenção o fato de 15,8% dos alunos não concordarem ou concordarem pouco sobre a utilidade do que aprendem na escola.

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% Avaliação negativa Avaliação intermediária Avaliação positiva 32,7% 50,0% 17,3% 11,8% 58,8% 29,4% ALUNO PROFESSOR

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Gráfico 2 - O que eu aprendo (ensino) é importante para a minha vida (vida dos alunos)

Fonte: elaborado pelas autoras (2016)

Pensamos que a expectativa em relação ao ensino e à aprendizagem traduz a questão da qualidade do clima. Como se observa no Gráfico 3, nessa escola é possível verificar que a perspectiva dos alunos em relação ao êxito em faculdades é baixa, pois aponta-se um percentual de 75,3% para respostas não concordo/concordo pouco. Dessa forma, neste item o clima da escola apresenta-se negativo a partir da perspectiva dos alunos. Surpreende que na visão dos professores, essa negatividade supera o percentual dos alunos, já que 83,3% deles acreditam que a maioria dos estudantes não terá êxito no ensino superior.

Gráfico 3 - A maioria dos estudantes da minha escola será capaz de ter êxito realizando faculdades (no ensino superior)

Fonte: elaborado pelas autoras (2016) 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0%

Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo muito 0,4% 15,4% 37,5% 46,7% 55,6% 44,4%

Alunos - questão 1 Professores - questão 1

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0% 80,0%

Não concordo Concordo pouco Concordo Concordo muito 19,6% 55,7% 22,1% 2,6% 11,1% 72,2% 16,7% 0,0%

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De acordo com Díaz-Aguado (2015), estudos têm demonstrado os efeitos que as expectativas dos professores podem gerar em seus alunos, as quais influenciarão a qualidade das relações que os professores irão estabelecer com seus alunos, assim como a atenção dispensada, a dinâmica em sala de aula e as possibilidades de protagonismo dadas aos estudantes. As baixas e altas expectativas dos professores são fatores que poderão intervir, seja negativa ou positivamente, no processo de ensino e aprendizagem, assim como no sentimento de autoeficácia, na autoestima e na motivação do aluno. Os resultados encontrados no presente estudo apontam para as baixas expectativas que os professores participantes apresentam com relação aos seus alunos e, até mesmo, no que se refere ao alcance de seu próprio trabalho, o que é um aspecto que precisa ser olhado considerando, ainda, que em muitos casos os estudantes acabam por se moldar àquilo que é esperado deles, correspondendo a tais expectativas, o que também pudemos observar nas respostas dos alunos, os quais na maioria não esperam ter êxito realizando faculdades.

Há estudos que relatam a importância do compromisso com a prática coerente em passar e corrigir a lição de casa, tal seguimento de atividade escolar retrata um clima escolar positivo (TAYLOR, 2008; ALVES; FRANCO, 2008). Na escola avaliada alunos e professores concordam quase homogeneamente que a lição de casa não está sendo distribuída de maneira adequada entre as matérias, conforme demonstra o Gráfico 4, em que 39,7% dos alunos e 44,4% dos professores não concordam com a boa distribuição da lição de casa, além de 33,8% dos alunos e 33,3% dos professores que concordam pouco. Apenas 21,7% e 22,2% dos alunos e professores respectivamente concordaram, e 4,8% dos alunos concordaram muito, sendo que não houve professores que concordaram muito. Esse resultado pode indicar que nem todos os professores passam a lição de casa ou alguns passam muita lição e outros passam demasiadamente pouco.

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Gráfico 4 - A quantidade de lição de casa é bem distribuída entre as matérias

Fonte: elaborado pelas autoras (2016)

A seguir, ilustra-se no Gráfico 5 o acesso e abertura que os professores proporcionam quando solicitada ajuda pelo aluno. Os dados revelaram que 7% dos alunos mencionam que isso nunca acontece e 39,9% responderam algumas vezes, enquanto que na visão de professores apenas 16,7% tem a opinião de isso ocorrer algumas vezes. Somando os alunos que responderam que quando têm dúvidas podem perguntar muitas vezes ou sempre, observa-se um percentual de 53,2%, porém quanto aos professores chega a 83,3%. Podemos notar que enquanto os professorem acreditam que exista uma abertura para que os alunos se expressem suficientemente até solucionarem suas dúvidas, tal fato não se afirma nas respostas dadas pelos alunos.

Gráfico 5 - Quando não entendem alguma coisa, podem perguntar para os professores várias vezes até entenderem

Fonte: elaborado pelas autoras (2016) 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Não concordo Concordo pouco

Concordo Concordo muito 39,7% 33,8% 21,7% 4,8% 44,4% 33,3% 22,2% 0,0%

Alunos - questão 4 Professores - questão 7

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 7,0% 39,9% 24,4% 28,8% 0,0% 16,7% 33,3% 50,0%

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Nos quatro primeiros itens de relação que analisamos tratou-se especialmente as relações com o conhecimento, a motivação, participação, o valor da escolarização e sentido proporcionado às aprendizagens. Agora abordaremos pontos que retratam o bem-estar dos alunos no momento do ensino e da aprendizagem, assim como ações eficazes do corpo docente e alternativas diferenciadas que possibilitam aprendizagens. Para isso selecionamos os itens que revelam a possibilidade em manter a ordem em sala e uma maneira diferenciada de organização de atividades escolares.

O Gráfico 6 revela que a maioria dos alunos, equivalente a 68,6%, respondeu que algumas vezes os professores conseguem manter a ordem durante a aula, ao passo que 50% dos professores responderam que muitas vezes isso ocorre e de forma respeitosa. Somando as respostas muitas vezes e sempre dos professores resulta em 61,1%, enquanto que para os alunos as mesmas respostas somam apenas 19,2% dos dados. Quando agrupamos aquelas respostas que apontam para avaliações negativas, observa-se que 80,8% dos alunos afirmam que os professores nunca/algumas vezes conseguem manter a ordem durante a aula e 38,9% dos professores dizem ocorrer isso em algumas vezes.

Gráfico 6 - Conseguem (consigo) manter (de forma respeitosa) a ordem durante a aula

Fonte: elaborado pelas autoras (2016)

Ao observar estas constatações nota-se a importância em analisar ao menos um item que possa desvelar as estratégias de ensino que estejam sendo utilizadas na escola investigada. No Gráfico 7 é possível verificar se os professores trazem ao cotidiano do aluno uma proposta que não seja predominantemente de estrutura individualista e com práticas expositivas de conteúdos, ou seja, se proporcionam atividades em grupo e de

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% 60,0% 70,0%

Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 12,2% 68,6% 15,1% 4,1% 0,0% 38,9% 50,0% 11,1%

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trocas de ideias e cooperação. A maioria dos professores, correspondente a 83,3%, disseram que a proposta ocorre muitas vezes/sempre, enquanto que para os alunos o percentual para estas respostas seria de 45%. A maioria dos alunos, por sua vez, 55% respondeu que ocorre tal atividade algumas vezes/nunca e 9,6% dos professores responderam que ocorre algumas vezes.

Gráfico 7 - Propõem (eu proponho) atividades em grupos que promovem a troca de ideias e a cooperação

Fonte: elaborado pelas autoras (2016)

A partir dos dados, salientamos a necessidade em se olhar não apenas para os conteúdos a serem tratados nas escolas, também é importante levar em consideração o como trabalhá-los. As atitudes de todos são importantes na promoção de um clima saudável, respeitoso e propício para a aprendizagem.

4. Considerações finais

Os resultados apresentados neste trabalho evidenciaram alguns fatores relacionados ao clima escolar na dimensão ensino e aprendizagem, na perspectiva de professores e alunos.

Os olhares dos alunos revelaram que o clima da escola não se mostrou predominantemente positivo nas questões relacionadas ao ensino e à aprendizagem, pois a maior parte deles avaliou o clima de maneira intermediária, ou seja, não só positivo como também não só negativo. Para este público a avaliação negativa obteve o segundo maior índice de respostas e apenas 17,3% consideraram um clima positivo na escola.

Os professores, não muito diferentemente dos alunos, demonstraram uma percepção também intermediária quanto a aspectos relacionados ao ensino e à

0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Nunca Algumas vezes Muitas vezes Sempre 5,2% 49,8% 35,4% 9,6% 0,0% 9,6% 50,0% 33,3%

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aprendizagem da escola investigada. Por sua vez, a avaliação positiva atingiu 29,4% e a negativa foi a menos escolhida.

Ao levantarmos alguns itens presentes nos questionários, percebemos em alguns casos uma convergência nas respostas de alunos e professores, enquanto em outros, uma disparidade nos dados da avaliação. O primeiro fenômeno sugere que ambos veem determinados aspectos de maneira semelhante, portanto é necessário um olhar de todos sobre aquele assunto. O segundo, revela que determinados atores da comunidade escolar percebem certos fenômenos cuja responsabilidade os outros atores ou não assumem ou não concebem para si. Nota-se que os alunos apresentaram mais criticidade nas relações com o ensino e aprendizagem do que os professores, ou mesmo uma maior insatisfação com relação à forma como o trabalho com o conhecimento tem sido desenvolvido na instituição da qual fazem parte.

Vimos que avaliar o clima da escola desvela muitas percepções antes não clarificada aos atores da escola. Nosso objetivo não se fundamenta no julgamento e apontamento de onde as escolas estão acertando e errando, mas sim proporcionar às instituições um retrato de como seu clima está, mais especificamente de como o clima que se pauta nas relações com o ensino e com a aprendizagem tem se revelado por meio dos alunos e professores.

Mediante estes dados, a escola pode mover ações para que se atente aos assuntos que mais se revelaram, abrindo um espaço de reflexão para que as propostas pedagógicas sejam repensadas, visando proporcionar um ambiente favorável ao ensino e à aprendizagem. A opção e a coragem em ser avaliada já é um passo a ser dado visando as melhorias na escola.

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