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ENSAIOS DE PUNÇOAMENTO EM CAMADAS DE FORMA

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Academic year: 2021

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ENSAIOS DE PUNÇOAMENTO EM CAMADAS DE FORMA

João Ferreira, Jorge de Brito e Fernando Branco

ICIST / Instituto Superior Técnico / Universidade Técnica de Lisboa Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa

e-mail: {joaof, jb, fbranco}@civil.ist.utl.pt

Resumo

Na presente comunicação, apresenta-se um estudo realizado para avaliação experimental da resistência ao punçoamento, de acordo com a classificação UPEC, de camadas de forma realizadas através de dois diferentes sistemas propostos pela firma maxit. Um dos sistemas consiste numa camada de grânu-los soltos de argila expandida, com 5 cm ou 10 cm de espessura, sobre a qual assenta uma camada de betonilha leve com 4 cm de espessura. O outro sistema é idêntico ao primeiro mas, neste caso, os grânulos de argila expandida são agregados com calda de cimento, em camadas de 10 cm ou 15 cm. O estudo permitiu obter as classes de resistência dos diferentes sistemas ensaiados, tendo-se concluí-do, apesar de alguma variabilidade dos resultados, que todos os revestimentos leves analisados satisfa-zem, pelo menos, as condições relativas à classe de punçoamento UPEC-P4, pelo que são passíveis de

ser utilizados em camadas de forma na maior parte das situações correntes.

Palavras-chave: camadas de forma, argila expandida, betão leve, punçoamento, UPEC.

1 Introdução

As camadas de forma de coberturas em terraço, de modo a garantir a pendente adequada para o esco-amento das águas pluviais, apresentam geralmente espessuras elevadas, da ordem das dezenas de cen-tímetros. Esta camada deve, por um lado, apresentar um reduzido peso específico, minimizando o carregamento sobre a laje de cobertura e, por outro, apresentar características mecânicas compatíveis com as suas funções. A camada de forma recebe geralmente as camadas de impermeabilização, isola-mento térmico e revestiisola-mento final. Além disso, tem de suportar equipaisola-mentos que apresentam fre-quentemente apoios pontuais (ar condicionado, antenas parabólicas e outros equipamentos) e ainda, em terraços acessíveis, a circulação de pessoas.

A necessidade de minimizar a carga sobre a laje de cobertura leva geralmente à adopção de enchimen-tos com materiais leves que, em geral, apresentam resistência ao punçoamento muito inferior à das argamassas e betonilhas tradicionais.

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lado, reduzir o peso específico face às soluções mais correntes e, por outro, garantir a necessária resis-tência ao punçoamento, cujo estudo de avaliação experimental é apresentado.

2 Materiais e sistemas ensaiados

Os nomes comerciais das soluções ensaiadas são sistema LBF e sistema de enchimento leve termo-acústico Leca ® Solta.

O sistema Leca ® Solta é meramente constituído por uma camada inferior de Leca ® 10-20 com es-pessura variável, sobre a qual assenta uma betonilha leve, cuja designação comercial é maxit Floor

Light (maxit Floor 4075) e cuja espessura recomendada é de 4 cm.

O sistema LBF (Light Basement Floor) é constituído por uma camada inferior de uma mistura de Le-ca ® 10-20 com uma Le-calda de cimento, de designação comercial LeLe-ca ® Grout, com espessura variá-vel, sobre a qual assenta uma betonilha leve com as mesmas características do sistema anterior. A Leca ® 10-20 é argila expandida em grânulo que, de acordo com a ficha técnica do fabricante, apre-senta as seguintes propriedades (valor médio / desvio padrão):

• massa volúmica aparente seca: 264 / 15 kg/m3; • humidade: 1 / 1 % base seca;

• resistência ao esmagamento: 0,86 / 0,11 MPa;

• grânulos partidos: 26 / 9 % em peso;

• massa volúmica seca da partícula: 481 kg/m3 (valor médio); • absorção de água às 24 h: 36,3 % (valor médio).

A Leca ® Grout é uma pré-mistura leve e isolante para camadas de enchimento leve que é utilizada na execução do sistema LBF (mistura dos grânulos com a calda à boca da mangueira da máquina de bombagem / misturadora) ou Leca ® Solta (calda depositada por gravidade sobre os grânulos soltos). A calda é obtida em obra por mistura com água do ligante em pó pré-doseado.

A Leca ® Grout apresenta, de acordo com a ficha técnica do fabricante, as seguintes propriedades:

• massa volúmica do material endurecido aos 28 dias: 1700 ± 150 kg/m3; • resistência à compressão aos 28 dias: ≥ 17 MPa;

• resistência à flexão aos 28 dias: ≥ 4,0 MPa; • massa volúmica aparente seca: 950 ± 150 kg/m3; • água de amassadura: 40%.

A maxit Floor Light é uma betonilha leve (1200 kg/m3) para pavimentos de aplicação manual ou com

máquina de bombagem adequada ou misturadora contínua. A betonilha é obtida em obra por mistura do ligante em pó pré-doseado com água e apresenta, de acordo com a ficha técnica do fabricante, as seguintes propriedades:

• massa volúmica do material endurecido aos 28 dias: 1200 ± 150 kg/m3; • resistência à compressão aos 28 dias: ≥ 12,0 MPa;

• resistência à flexão aos 28 dias: ≥ 3,0 MPa; • reacção ao fogo: classe A1.

De acordo com indicações da maxit, e correspondendo às situações mais correntes na prática, foram ensaiadas duas variantes de cada uma das soluções comerciais, em termos da espessura da camada inferior:

• 10 e 15 cm para o sistema LBF;

• 5 e 10 cm para o sistema Leca ® Solta.

Para cada um destes quatro tipos de solução, foram preparados doze provetes, correspondendo a três provetes repetidos para cada nível de carga.

Os provetes / painéis foram executados pela maxit, apresentando as dimensões em planta de 25 cm x 25 cm e, em espessura, os valores acima referidos.

A forma de identificação dos painéis correspondeu a um código Pn1 D-n2-Pn3 em que:

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• n1 - 1 ou 2, sendo que 1 corresponde aos painéis de menor espessura (5 cm para Leca ® Solta e 10 cm para LBF) e 2 aos painéis de maior espessura (10 cm para Leca ® Solta e 15 cm para LBF);

• D - designação do sistema (L, para a Leca ® Solta, ou LBF);

• n2 - 1, 2 ou 3, correspondendo ao número de ordem do painel ensaiado de cada tipo de solução e para cada nível de carga de punçoamento;

• n3 - 2, 3, 4 ou 4s, correspondendo à classe de punçoamento ensaiada, de acordo com a classificação UPEC.

Os moldes dos provetes são constituídos por um painel de contraplacado inferior e paredes do mesmo material. Os provetes foram agrupados quatro a quatro em painéis quadrados em planta, com 50 cm de lado. Verificou-se a necessidade de, antes dos ensaios, reforçar a ligação entre os painéis verticais da cofragem através de parafusos.

De acordo com o Cahiers 3509 do CSTB [1], os pavimentos devem ser classificados, em termos da resistência ao punçoamento, nas classes P2, P3, P4 ou P4S, que correspondem a diferentes tipos de

utili-zação dos locais onde podem ser aplicados.

Na Tabela 1, apresenta-se os valores-limite inferiores das cargas e correspondentes tensões a que os pavimentos devem resistir para serem classificados em cada uma das classes, assim como o diâmetro do círculo correspondente à área carregada (materializada nos ensaios realizados através de pastilhas metálicas cilíndricas).

Tabela 1 - Definição das classes de punçoamento UPEC.

P2 P3 P4 P4S

Carga concentrada por apoio (kgf) 100 200 500 1000

Tensão induzida (MPa) 2 3 4 5

Diâmetro da área carregada (cm) 2,52 2,91 3,99 5,05

3 Procedimentos de ensaio

Os ensaios foram realizados numa prensa Instron de tracção / compressão, com capacidade de 250 kN e curso total de 100 mm. A força aplicada em cada instante foi medida com uma célula de carga da marca TML de 50 kN de capacidade, para obter maior precisão do que a garantida pela célula de carga da própria prensa.

Os valores da força e do deslocamento da cabeça (inferior) da prensa foram registados em computador à taxa de 5 leituras por segundo, através de uma unidade de aquisição de dados HBM, modelo Spider8. Os ensaios foram realizados sem desmoldagem dos provetes de modo a que não ocorresse a desagre-gação das camadas de argila expandida da base dos mesmos. Assim, para montagem dos ensaios, a caixa de cofragem (contendo 4 provetes) foi posicionada na máquina de ensaios de modo a centrar o provete a ensaiar com o eixo da prensa. A caixa dos provetes assentou numa chapa metálica apoiada sobre a cabeça inferior da prensa enquanto, sobre a face superior do provete, era posicionada a pastilha metálica de punçoamento, a célula de carga e uma rótula esférica, garantindo que a força se exercia perpendicularmente à face do provete (Figura 1).

Os ensaios foram realizados com controlo de deslocamentos, impondo-se à cabeça inferior móvel da prensa uma velocidade, de baixo para cima, de 0,05 mm/segundo, suficientemente reduzida para ga-rantir que não se faziam sentir quaisquer efeitos de carácter dinâmico no processo.

Considerou-se que a ocorrência da rotura correspondia ao primeiro pico da força visível nos gráficos força - deslocamento, embora os ensaios fossem levados bastante para além deste patamar (tipicamen-te até cerca de 10 mm de deslocamento da cabeça da máquina), de modo a permitir a análise do com-portamento pós-rotura.

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Figura 1 - Montagem dos ensaios.

4 Apresentação e análise de resultados

Verificou-se que existem três tipos fundamentais de modos de rotura dos provetes, sendo no entanto frequente a combinação de mais do que um destes modos no fim do ensaio:

• rotura por esmagamento dos grânulos de argila expandida (Figura 2); em todos os ensaios se mani-festou este modo de rotura, começando a ocorrer desde uma fase relativamente inicial do carrega-mento, correspondendo a dois fenómenos: o rearranjo dos grânulos e o esmagamento propriamente dito de alguns deles;

Figura 2 - Rotura dos grânulos de argila expandida.

• rotura por punçoamento propriamente dito da betonilha (camada superior) (Figura 3); em alguns dos ensaios, sobretudo nos dos painéis de Leca ® Solta, só se tornou visível este modo de rotura

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perto do fim do carregamento, depois da ocorrência da carga nominal de rotura e geralmente para valores da carga superiores a esta última;

Figura 3 - Rotura da argamassa por punçoamento.

• rotura por flexão da betonilha (Figura 4), tendo as linhas de rotura um alinhamento na face superior dos painéis irradiando do ponto de carregamento para os cantos ou para o centro das faces; em al-guns dos ensaios, sobretudo nos dos painéis de LBF, só se tornou evidente este modo de rotura per-to do fim do carregamenper-to, depois da ocorrência da carga nominal de rotura e geralmente para va-lores da carga inferiores a esta última.

Figura 4 - Rotura da argamassa por punçoamento e flexão (direita).

A Tabela 2 e o gráfico da Figura 5 apresentam um resumo dos valores obtidos em termos de carga de rotura.

Os modos de rotura reflectem-se no andamento dos diagramas força - deslocamento. De facto, nos painéis de Leca ® Solta, independentemente da classe de punçoamento ensaiada, verifica-se que, após a primeira queda da força (carga nominal de rotura), com o aumento do deslocamento esta acaba por atingir patamares mais elevados do que a carga nominal (exemplo da Figura 6, referente ao nível de carga P3 no sistema Leca ® Solta com 5 cm de espessura). Este fenómeno pode ser explicado com o

aumento da rigidez do sistema constituído pelos grânulos soltos de argila expandida, à medida que os menos resistentes vão sendo esmagados, preenchendo os interstícios entre os restantes, e se vai dando o rearranjo e compactação do conjunto. As quedas da força correspondem, em princípio, à formação

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de linhas de rotura por flexão ou punçoamento da betonilha. É a rigidez desta que permite mobilizar uma área em planta de argila expandida muito superior à da pastilha metálica.

Tabela 2 - Valores individuais e médios das cargas de rotura ao punçoamento (kgf).

P1L P2L P1LBF P2LBF P2 1 728 958 805 2517 2 800 402 1638 1272 3 608 756 1363 680 Média 712 705 1269 1490 P3 1 714 928 1397 2825 2 614 427 1092 1090 3 700 786 1686 883 Média 676 714 1392 1599 P4 1 608 924 1298 3380 2 768 678 1894 1092 3 843 973 1331 1051 Média 740 858 1508 1841 P4S 1 941 1109 1282 3920 2 688 525 1691 1436 3 842 911 1562 851 Média 824 848 1512 2069 712 676 740 824 705 714 858 848 1269 1392 1508 1512 1490 1599 1841 2069 0 500 1000 1500 2000 2500 P2 P3 P4 P4S F or ç a ( k gf) P1L P2L P1LBF P2LBF

Figura 5 - Valores médios de resistência ao punçoamento dos tipos de solução ensaiados (kgf).

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0 200 400 600 800 1000 1200 0 2 4 6 8 10 Deslocamento (mm) F or ç a ( k gf) P1L-1-P3 P1L-2-P3 P1L-3-P3

Figura 6 - Diagramas força - deslocamento típico dos ensaios de Leca ® solta.

Nos painéis de LBF, independentemente da classe de punçoamento ensaiada, verifica-se que, após a primeira queda da força (carga nominal de rotura), o aumento do deslocamento não consegue mobili-zar cargas mais elevadas do que a carga nominal (exemplo da Figura 7, referente ao nível de carga P3

no sistema LBF com 10 cm de espessura). No sistema LBF, os grânulos de argila expandida não se encontram soltos, pelo que também não têm a possibilidade de se rearranjar. Logo, quando se dá a primeira queda da força, ela corresponde a uma rotura geralmente por punçoamento e o painel já não recupera a sua rigidez.

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 0 2 4 6 8 10 12 Deslocamento (mm) F or ç a ( k gf) P1LBF-1-P3 P1LBF-2-P3 P1LBF-3-P3

Figura 7 - Diagramas força - deslocamento típico dos ensaios de LBF.

Existem situações isoladas em que ocorreu uma clara perda de rigidez para cargas já muito elevadas e próximas da carga de rotura. Esta perda de rigidez ocorreu nos provetes em que os grânulos de argila expandida se mantiveram aglutinados após o final do ensaio, podendo ser explicada pela rotura destes grânulos que, pela melhor aglutinação, atingem uma força mais elevada.

Os deslocamentos registados nos gráficos correspondem apenas à variação de posição da cabeça infe-rior da máquina de ensaios, não correspondendo apenas à variação de espessura do provete uma vez que existem diversas fontes de flexibilidade como o painel inferior da cofragem, os painéis verticais da

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mesma cofragem (nalguns casos houve mesmo arrancamento dos parafusos adicionais e noutros ape-nas alguma cedência desta ligação) ou as peças constituintes do sistema de ensaio.

Constatou-se, no conjunto dos ensaios, que os respectivos resultados, sendo dependentes do grau de confinamento (sobretudo nos painéis de Leca ® Solta), foram afectados por dois factores:

• as dimensões em planta dos painéis ensaiados (25 cm x 25 cm), que poderão ser insuficientes para simular um meio quase-infinito no plano (os pavimentos reais), passando os resultados a depender do grau de confinamento conferido, em cada caso, pelos painéis laterais de cofragem; por outro la-do, a dimensão da placa de betonilha solicitada pelo carregamento pontual ficou limitada no seu va-lor máximo a estas dimensões, o que permite explicar a pequena variação da carga de rotura medi-da com as dimensões medi-da pastilha metálica;

• a rigidez dos painéis laterais de cofragem, que se revelou insuficiente nos casos referidos acima; com painéis de maiores dimensões, esta questão deixaria de ser relevante na medida em que dimi-nuiriam as pressões laterais sobre estes elementos provocadas pelo carregamento pontual.

Os aspectos acima referidos permitem antever que os resultados ora obtidos serão, em princípio, con-servativos em relação aos reais, obtidos num pavimento, pelo facto de a dimensão da placa de betoni-lha mobilizada pela carga concentrada dever ser maior e pelo confinamento eventualmente superior ao dos painéis de cofragem que um meio quase-infinito pode conferir. Refira-se que uma hipotética solu-ção de provetes de pequenas dimensões com cofragem quase infinitamente rígida poderá dar origem à situação inversa, ou seja, uma sobreavaliação da capacidade resistente ao punçoamento das soluções. De referir a significativa variabilidade dos resultados obtidos em provetes supostamente idênticos em termos de geometria, materiais e área carregada. Para além dos dois factores acima referidos, pode-se também citar como causa desta situação a falta de homogeneidade na distribuição da calda de cimento no sistema LBF. Finalmente, podendo apresentar uma grande influência nos resultados, deve ser refe-rido o difícil controlo da espessura da betonilha colocada sobre a argila expandida. De facto, não é possível a posteriori medir com rigor essa espessura, dada a sua variabilidade em planta dentro do provete e o facto de a betonilha penetrar nos interstícios dos grânulos superiores de argila expandida, razão porque não foram apresentados no presente relatório os valores correspondentes aos diferentes provetes. Realce-se que, quer no modo de rotura por flexão quer no modo de rotura por punçoamento, a espessura da betonilha pode ser o parâmetro mais influente no valor da carga de rotura.

Passando agora à análise geral dos resultados patentes na Figura 5, uma comparação entre diferentes classes de punçoamento permite detectar alguma insensibilidade do valor da carga de rotura às dimen-sões da pastilha metálica nos painéis com o sistema Leca ® Solta. Constatando-se que, para este sis-tema, a rotura inicial se deve fundamentalmente a um mecanismo de flexão, a área carregada, desde que relativamente pequena face às dimensões em planta do provete, é irrelevante. Já no caso dos pai-néis do sistema LBF, verifica-se que existe uma relação monoticamente crescente entre a carga de rotura e a dimensão da área carregada. Tal deve-se ao facto, já referido atrás, de, para este sistema, a rotura inicial se dever sobretudo ao punçoamento da betonilha que depende, ainda que não proporcio-nalmente, do perímetro da área carregada.

Uma comparação entre diferentes sistemas permite constatar que os painéis com o sistema Leca ® Solta têm cargas de rotura claramente inferiores às dos painéis com o sistema LBF. Esta situação já foi abordada acima e deve-se à aglutinação e alguma compactação que a calda de cimento confere à argila expandida, o que permitiu mobilizar um modo de rotura mais favorável. Esta tendência é particular-mente visível na comparação entre painéis da mesma espessura (10 cm), ou seja, os do tipo P2L e P1LBF.

Comparando os painéis em termos de espessuras, verifica-se que os de Leca ® Solta não são sensíveis a este parâmetro, o que é, até certo ponto, inesperado. De facto, um aumento da espessura da argila expandida deveria corresponder a uma perda de rigidez da camada subjacente à betonilha (que funcio-na em flexão como laje em meio contínuo) e, consequentemente, a uma diminuição da carga de rotura. No que se refere aos painéis com o sistema LBF, verifica-se, na Figura 5, correspondente à média obtida em todos os provetes sem excepção, que existe um acréscimo significativo de capacidade de

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carga com o aumento da espessura da camada inferior de 10 para 15 cm. Esta tendência, como referido acima, contraria o expectável. No entanto, uma análise mais cuidada da Tabela 2 permitiu verificar que os quatro provetes do painel P2LBF-1 apresentam valores muito acima dos obtidos nos outros dois painéis, P2LBF-2 e P2LBF-3, para todos os níveis de carga aplicada. Uma observação mais cui-dada desse painel pós-rotura permitiu constatar duas situações que permitem justificar esta diferença de comportamento: a espessura da betonilha, com as limitações referidas acima em relação ao rigor da sua medida, atinge cerca de 5 cm contra o valor nominal de 4 cm; este painel foi, destes três painéis, o único em que os grânulos de argila expandida se mantiveram agregados pela calda após a rotura, reve-lando uma maior homogeneidade de distribuição da calda e eventualmente uma maior quantidade des-ta. Estes dois aspectos vêm, mais uma vez, chamar a atenção para a extrema variabilidade dos resulta-dos e a sua grande dependência da qualidade de execução do pavimento.

A solução P2LBF merece alguns comentários adicionais:

• se se excluir, na média dos valores da carga nominal, o painel de maior resistência, que destoa cla-ramente dos outros dois, os resultados passam para 976, 987, 1072 e 1144 kgf para as classes de punçoamento P2, P3, P4 e P4S, respectivamente; estes valores, inferiores aos obtidos, em cada classe, na solução P1LBF (10 cm de espessura da camada inferior em vez de 15 cm), confirmam a tendência esperada, ou seja, quando maior a espessura da camada com argila expandida menor a sua resistência ao punçoamento;

• se se tiver em conta apenas os valores mínimos da carga nominal dos 3 ensaios (correspondentes todos ao painel P2LBF-3), os resultados passam para 680, 883, 1051 e 851 kgf para as classes de punçoamento P2, P3, P4 e P4S, respectivamente.

Comparando os valores da Figura 5 com os da Tabela 1, e tendo sempre em conta que esta campanha apenas compreende 3 ensaios por tipo de solução e nível de carga, verifica-se que:

• todas as soluções cumprem os mínimos relativos às classes de punçoamento P2, P3 e P4;

• na classe P4S, as duas soluções com o sistema Leca ® Solta não cumprem os requisitos e a solução menos espessa com o sistema LBF (10 cm de argila expandida e calda e 4 cm de betonilha) os cumpre sem reservas;

• a solução de LBF com 15 cm de argila expandida e calda e 4 cm de betonilha cumpriria os míni-mos se se considerasse o valor médio dos provetes, mesmo excluindo o valor anomalamente eleva-do eleva-do painel 1; no entanto, o provete 3, que apresentou o valor mínimo, não cumpre por si só a condição, pelo que este conjunto de ensaios não pode ser considerado como conclusivo.

5 Conclusões

Da campanha experimental efectuada para determinação da capacidade resistente ao punçoamento de um conjunto de soluções de revestimentos leves de pavimento envolvendo argila expandida, consis-tindo numa camada de grânulos de argila expandida (misturada ou não com uma calda de cimento) de espessura variável sob uma camada de betonilha leve de espessura fixa, retiram-se as seguintes con-clusões gerais:

• os resultados apresentam uma variabilidade muito acentuada, pelo que é aconselhável, para se obter resultados fiáveis, a realização de uma campanha de ensaios envolvendo um número de provetes estatisticamente mais representativo por cada tipo de solução e nível de carga ensaiado; assim sen-do, os resultados desta campanha, apesar de bastante úteis para apontar tendências, devem ser con-siderados como preliminares;

• as principais razões desta variabilidade residem nas características dos próprios materiais (grânulos de argila expandida, calda de cimento e betonilha leve) e sobretudo na qualidade da execução que, por isso, requer um controlo muito rigoroso; os parâmetros identificados como mais relevantes são a espessura da betonilha superior e, no sistema LBF, a quantidade de calda de cimento e a homoge-neidade da sua distribuição na argila expandida; devem ser definidas especificações técnicas para a

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execução destes pavimentos e seu controlo de qualidade;

• com base nos resultados obtidos, todas as soluções ensaiadas cumprem os mínimos relativos às classes de punçoamento P2, P3 e P4; a classe P4S só é atingida pela solução com o sistema LBF com 10 cm de argila expandida e calda e 4 cm de betonilha, não o sendo nas soluções com o siste-ma Leca ® Solta (5 ou 10 cm de argila expandida e 4 cm de betonilha) e sendo os resultados incon-clusivos na solução com o sistema LBF com 15 cm de argila expandida e calda e 4 cm de betoni-lha;

• ressalve-se que não foi feita qualquer análise às deformações do pavimento sob a acção das cargas limite, o que pode vir a ser considerado em futuros estudos, mas cujos critérios de conformidade serão sempre muito dependentes do tipo de utilização do espaço construído.

Agradecimentos

Os autores agradecem o apoio da empresa maxit na realização do trabalho.

Agradece-se à FCT o financiamento concedido através do ICIST - Instituto de Engenharia de Estrutu-ras, Território e Construção.

Referências

[1] CSTB - Centre Scientifique et Technique du Bâtiment, Cahiers 3509 - Revêtements de sol - Notice

sur le classement UPEC des locaux, Novembro de 2004.

Referências

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