Imposições dos espaços de isolamento (hospitais colônias) e sua interferência na (re)construção das relações afetivas e na desconstrução da maternidade de mulheres enfermas
Introdução
O desenvolvimento desta pesquisa teve início por meio da iniciação científica, a qual teve a duração de um ano, fator que propiciou um maior contato com a temática em questão, além de abrir os olhos para aqueles que foram deixados por tanto tempo à margem da sociedade. A escolha do objeto de estudo com ênfase nas mulheres e essencialmente na maternidade primordialmente, deu-se por ao tomar contato com a literatura e produções acadêmicas a respeito da hanseníase, notar-se a ausência do aspecto afetivo/sexual e também do cotidiano dos moradores de hospitais-colônia. Pesquisas as quais reforçam demasiadamente o aspecto estrutural/arquitetônico.
Em uma pesquisa a respeito das produções científicas/ou bibliográficas acerca da temática da hanseníase, mais precisamente da construção de leprosários nota-se um foco no aspecto arquitetônico da obra, ou ainda das ações estatais com relação a mesma, priorizando o aspecto conceitual e histórico, não o âmbito social/ou cotidiano. Portanto, esta pesquisa prioriza o estudo da figura feminina dentro do espaço de isolamento, e ainda da dinâmica social entremuros, ou seja, como eram as relações cotidianas entre os hansenianos e a sociedade externa.
O principal problema levantado na pesquisa é: Como se configuravam as relações afetivas dentro de espaços de isolamento, e a concepção de maternidade para as mulheres que perdiam o contato com seus filhos logo ao nascer? Impossível falar da questão da maternidade sem retomar a própria construção das relações afetivas dentro daquele espaço.
O estudo do cotidiano visa a desconstrução da concepção de que neste ambiente os moradores viviam no passado ou ainda que vivenciavam a morte social por completo, não apenas de exclusão da sociedade extramuros, ou seja, aqui quer-se demonstrar que ali dentro ocorriam todo o tipo de situação, desde seus relacionamentos afetivos aos trabalhos manuais e coletivos. A partir dos escritos de Michel de Certeau (1998), o qual trabalha as artes do fazer, por meio da cozinha e da divisão de funções que ocorrem dentro do espaço do lar, por meio da
idade, do sexo e etc. E claro isto não ocorre apenas nestes momentos em que se cozinha ou trabalha.
A pesquisa é qualitativa e desenvolveu-se por meio de uma análise bibliográfica. Foi desenvolvido um estudo a respeito da história do cotidiano por meio da perspectiva proposta por Michel de Certeau, também do estigma e das instituições totais (como o caso dos hospitais colônias) com Erving Goffman (2010) juntamente com a obra de Jacques Le Goff (2003) abordando a História e a memória e sua importância para a construção da identidade do outro e do indivíduo, os quais possuem uma relação indissociável dentro do meio social, a qual foi utilizada em paralelo a leitura de Paul Ricoeur (2007) que tem como enfoque a memória arquivada/documental. Pois ao trabalhar com o espaço de isolamento/leprosários e os seus moradores, tem-se uma alusão a um espaço de memória e construção histórica, elevando este local a um espaço de convivência, aonde diferentes perspectivas e histórias de vida se encontram, além de que neste cenário dividiram suas agruras e rejeições sofridas.
Cotidiano em sua representação em uma comunidade isolada
Da análise destes dois polos (negação e exclusão) se partirá este estudo. Os enfermos eram privados do convívio com suas famílias de outrora e amargavam a falta de perspectiva para a saída daquele ambiente, essa condição os levava a se relacionarem entre si; qual seria a configuração deste novo relacionamento em meio a tantas (im)probabilidades?
Para responder a tais indagações é necessário compreender o próprio ambiente de isolamento, o imaginário dos habitantes dali, a forma de organização e distribuição de funções, etc. É o que se convém chamar de estudo do cotidiano. O estudo do cotidiano leva à compreensão de tempo/processo histórico, remontando a construção da própria sociedade. Mas quando a questão em pauta é a formação de relações pessoais e interpessoais entre indivíduos que vivem em situação de isolamento a tarefa torna-se um pouco mais complicada, pois estes acabam por formar uma nova sociedade, com suas próprias regras e leis, porém diferentes ao mundo exterior.
A carga pejorativa que a hanseníase carrega está intimamente ligada ao aspecto religioso, que a colocava como uma imposição divina, um castigo devido ao peso do pecado, relacionando-a com a impureza da alma e do corpo, fato que levou a uma diferenciação dos doentes com os demais, ou seja, marcá-los com o estigma. Erving Goffman (2004) descreve
o estigma como algo que estava presente mais no olhar do outro do que na pessoa em si, sendo aquilo que o outro lhe atribui, o que faz com que suas qualidades individuais sejam desprezadas, apenas por não se encaixarem nos padrões impostos pela maioria social que são tidos como normais.
No caso da hanseníase o estigma imposto sobre os doentes está relacionado diretamente ao isolamento, porém diversos fatores levaram a esta opção, principalmente os relacionados ao total desconhecimento a respeito do contágio e do tratamento. Fato que o Estado acompanhou e estimulou, estipulando todas as formas de coerção, era uma das ações que visavam diminuir a propagação da doença, este fato tornou o isolamento compulsório e obrigatório a todos os notificados com a enfermidade, mas também oferecia aos doentes tratamento contínuo evitando, segundo a perspectiva médica estatal, assim o contágio.
Segundo Goffman mesmo que uma pessoa tenha características diferentes dos demais acaba por aderir a comportamentos e expectativas sociais e morais semelhantes aos denominados normais, sendo assim, passa-se a elevar sua condição de diferente a um estado considerado parecido e aceito pelos demais. O autor escreve sobre um tipo de socialização muito importante, a situação apresentada é dada inicialmente com uma primeira socialização que se daria em um local fora da sociedade, ou seja, excluído da realidade social vigente, logo após sair dali e adentrar outra socialização dá-se início a uma nova adaptação àquele contexto, sua estrutura moral. Vindo agora a tornar-se diferente daqueles em que outrora aliara-se. (GOFFMAN, 2004, p. 33).
Isso levaria a pessoa a buscar aceitar-se de maneira mais fácil e docilizada, compreendendo que existem outros como ele, não se sentindo sozinho à mercê da desigualdade social, verá as características boas presentes no outro, estes que se encontram em um mesmo estado de estigma, podendo ver em si o bem a partir da visão dos outros.
Para tanto, é possível ter a percepção de que toda a história de um ser individual, se forma a partir das experiências com o outro. Não sendo considerada apenas sua vida após a entrada ali, mas o que teve de deixar para trás, aquilo que viveu e aprendeu. Configurando-se na construção e reconstrução de múltiplas histórias individuais.
Maria Nazaré de Souza Ribeiro (2011, p. 123) demonstra o exemplo da colônia Antônio Aleixo, da qual traz alguns relatos de ex-pacientes, os quais sempre se
autodenominam doentes, mesmo quando curados da doença, demonstrando que o estigma imposto pela sociedade é impregnado e apreendido por todos, inclusive os portadores da hanseníase. A autora transcreve um relato de um doente, do qual não menciona o sexo, coloca apenas as iniciais e a idade “ARM 80 anos”. No relato é dito que não lhe era mais possível olhar no espelho sua imagem, tanto pelo não reconhecimento da figura refletida como por achar que a doença o marcou para sempre, e portanto, acabara com sua vida.
Amanda Rodrigues Faria (2008), descreve sobre a Colônia Santa Marta, em Goiânia-Goiás, sustenta em seus escritos um posicionamento muito importante que ressalta a concepção de que a colônia era não só um local de tratamento para os pacientes, mas sim um espaço cheio de experiências de vida, de construção histórica e social, como qualquer ambiente em que são fundamentadas as relações humanas. Mesmo que alguns internos ainda guardem muito de suas representações cotidianas externas a instituição.
A partir do momento em que é levado a reflexão o fato dos enfermos acometidos pela hanseníase viviam sob regras e imposições sociais diariamente, surge a seguinte indagação: Como os moradores dos leprosários viviam? Será que de fato aquele espaço era o melhor e o mais adequado paras indivíduos naquela situação ou era apenas um “deposito de doentes”, se bem que tal medida parecia adequada para manter as cidades mais limpas e bem vistas.
Na demonstração de uma comunidade que encontra-se isolada tem-se a que será estudada neste trabalho: “O Leprosário de Goiânia é uma verdadeira cidade em movimento – Aí o indivíduo se integra no ritmo de uma nova vida, a ideal para a sua situação de doente segregado da sociedade.” (Revista Oeste. 1944, p. 554)
Ao partir deste ponto “cidade em movimento” supõe-se que mesmo que este grupo seja isolado não deixa de ser uma comunidade por estar entremeado por práticas cotidianas, ou seja, que são comuns a todos, os que estão fora e dentro dali, além de que demonstra que irá sofrer alterações de acordo com a necessidade dos moradores, com um ideal de expansão, crescimento. Naquela sociedade que se forma dentro do hospital colônia (interna), as concepções da sociedade da qual faziam parte (externa) não fazem mais sentido, logo o estigma deixa de existir, neste pressuposto “o indivíduo” se integra no ritmo de uma nova vida”, com diversas imposições, que serão exemplificadas mais adiante.
Nota-se a partir do emprego deste ideal de movimento e ainda do conceito de cidade, uma perspectiva de reconstrução e relocação do indivíduo, pois o local possuía sua própria estrutura de funcionamento e edificações essências que iriam gerar renda e desenvolvimento a instituição. Ainda pode-se observar também que na entrevista da revista Oeste que havia ali escolas, ou seja, neste local era possível aprender e buscar o conhecimento, além de que é mencionado que iria-se criar um jornal ali, demonstrando que os administradores dali possuía uma visão de futuro, não estagnando aquele local inerte no tempo e espaço (Revista Oeste, 1944, p. 555).
Neste ano (1944) segundo a Revista Oeste, o local possuía “quatro dezenas de edificações, contando-se os pavilhões, as casas de aluguel e os prédios destinados à administração, e dista 10 quilômetros de Goiânia.” (Revista Oeste, 1944, p. 557), além disso, é afirmado no texto que o lugar iria ainda crescer em função das necessidades dos moradores e também da inclusão de novos enfermos no ambiente.
Em uma visão mais contemporânea da Colônia Santa Marta, tem-se a dissertação de mestrado de Amanda Rodrigues Faria, que descreve em seu texto as suas impressões iniciais ao longo de sua primeira visita ao local no ano de 2007. O primeiro argumento da autora é a respeito da distância da instituição da cidade de Goiânia, situando-se no meio rural, pois “à medida que se avança nesse trajeto, depara-se com uma transição entre mundos...” (FARIA, 2009, p. 29), naquele momento ela pôde compreender que as pessoas dali eram diferentes daquelas que se encontravam no espaço urbano. Como é descrito pela própria autora:
As pessoas que moram na colônia foram circunscritas; suas possibilidades de associações, seu universo de possibilidades de trocas, de negociações, de estruturação de relações sociais, foi todo reconfigurado, restrito a elementos elencados... (FARIA, 2009, p. 38)
Naquele local sentiu o sofrimento dos enfermos e a abrangência da dor na vida de um indivíduo. Porque aquele ambiente foi construído a partir de incomensuráveis perdas, tanto do convívio como da saúde... Local que por si só já carregava uma conotação estigmatizada, representando apenas sentimentos ruins, muito além de medo e repulsa.
Em um trecho de um dos artigos da Revista Veja, a respeito da vila de leprosos de Anápolis, é citado o caso de um enfermeiro de nome João que ainda vivia ali, o qual era casado com Madalena, que conheceu no Hospital Colônia Santa Marta, e ainda possuíam dois filhos
que também tinham a enfermidade, estes que viviam naquele local junto aos pais. (Revista Veja, 1976, p. 67)
A análise pode partir da conjectura do preconceito que de qualquer maneira irá esbarrar em diversos aspectos do cotidiano que são permeados com o próprio estigma. Então a fuga desta condição é a própria reafirmação das práticas cotidianas (cozinhar, lavar, namorar, etc), dentro do espaço de isolamento, ou seja, tornar-se útil.
A MULHER COMO CENTRO DA VIDA COTIDIANA E RECRIAÇÃO DOS LAÇOS AFETIVOS
As mulheres e essencialmente a maternidade como sendo objeto de estudo da pesquisa, trazem à tona uma reflexão a respeito de como era a relação entre a enfermidade e a gravidez, do ponto de vista biológico, para ambas as partes. A gestação em geral era tranquila, não acarretando assim muitas complicações para a criança e a mãe, porém poderia gerar a anemia, que era um fator que poderia prejudicar o desenvolvimento do feto, tanto que o recém-nascido possui pouco peso. Não sendo comprovada a transmissão via cordão umbilical para o bebê, não se pode descartar a possibilidade. (ROCHA col., 2009, p 766).
No contexto histórico aqui tratado, os recém-nascidos eram sumariamente retirados dos pais ao nascer e levadas aos preventórios, mas quando era atestada a doença na criança, esta permanecia na colônia sendo melhor tratada da enfermidade, mas em um local separado, não havendo um desrespeito com relação a idade e sexo dos moradores, apesar do contato entre estes existir.
Hilário de Veiga de Carvalho, Antônio Miguel Leão Bruno e Marco Segre (1965), mencionam que “as medidas de proteção à maternidade e à infância visam o amparo moral e material da gestante e da sua prole...” (CARVALHO; BRUNO; SEGRE, 1965, p.27-8). É possível aqui perceber que o Estado deveria procurar sempre resguardar e proteger a família em primeiro lugar, mantendo assim essa estrutura inabalável e intacta, não podendo então romper seus vínculos de afetividade e aproximação. “O Estado, para tanto, estabelece disposições tendentes não só a estimular e auxiliar socialmente a família como, por igual,
ampará-la após sua constituição.” (CARVALHO; BRUNO; SEGRE, 1965, p. 28). Esses direitos/ou disposições não eram respeitados quando a família incluía um portador do mal de Hansen, sendo assim, o Estado não parecia agir com relação aos doentes como com os cidadãos tidos como normais.
4.2 A mulher como centro da vida cotidiana e avida em isolamento
Antes da obtenção de sua autonomia, a mulher já era a centro da vida cotidiana. Estava sempre na gestão e administração do lar. Se ocupando de atividades domésticas orientadas a partir de suas relações afetivas. Essas ações eram destinadas ao bem-estar do próximo. Essas mulheres aparecem como cuidadoras, as doces e amáveis mães e esposas. Michelle Perrot (2007) tem uma concepção da mulher como figura central das relações sociais, formadora de opinião e com um papel ativo.
A partir dessas observações e pensando as mulheres, em situação de doença, isoladas em instituições médica antilepróticas, consideramos que a sua atuação, restrito aos muros, poderia vir a abandonar sua antiga vida e reconstruí-la. Como as visitas familiares não eram muito frequentes e muito menos afetuosas, o casal era quase que obrigado a separar-se. A impossibilidade de contatos físicos, gerado pelo temor em ser acometido pela enfermidade, afastava mais que os próprios muros.
As regras dentro da instituição não estimulavam a criação de laços afetivos. O medo da proliferação da doença não estava apenas no contágio pelas relações sexuais com os sadios, mas também por meio da hereditariedade, mas quando houve a percepção de que não seria possível barrar esses sentimentos foram estabelecidas novas definições.
Cláudia Fonseca (2013) trabalha com depoimentos de ex-pacientes dos hospitais colônias. Aborda a questão da sexualidade e do afeto a partir da visão dos viventes, porém a partir da bibliografia já existente, sem mencionar um local específico. A autora menciona que os moradores de hospitais-colônias eram quase sempre de uma origem modesta o que poderia facilitar o diálogo e aproximação. Era negada a condição de casamento quando um dos doentes estava próximo de morrer e concedida sob pressão, de que aceitassem não gerar filhos. Tanto pelo temor da proliferação da enfermidade, quanto pela impossibilidade de criação de uma criança naquele ambiente.
Mulheres hansenianas: abordagens sobre mães sem filhos...
Em uma reportagem da Revista Oeste de 1944 a respeito do educandário Afrânio de Azevedo, recinto que abrigava as crianças que eram filhas dos moradores da Colônia Santa Marta. O jornalista descreve o local como um antro de amparo e cuidado afetivo, com todas as competências e pessoal responsável e capacitado para atender aos pequenos. (Revista Oeste, 1944, p. 463). Tudo bem, essas intenções e habilidades parecem importantes, porém é preciso ter a seguinte indagação em mente. Mas e essas mães que acabaram de ter seus filhos? E mais preocupante ainda é pensar nessas crianças que nasceram sadias, mas que não serão amamentadas nos seios de sua progenitora, e muito menos no seio de qualquer outra mulher. Se existia uma imposição para que essas mulheres não gerassem filhos, porque cada vez mais enchiam-se os preventórios de crianças sadias recém-nascidas de mulheres enfermas? Para exemplificar esse problema do “inchaço” da instituição de acolhimento as crianças de pais enfermos da Colônia Santa Marta, tem-se um depoimento de um médico, fragmento este retirado da Revista Estudos Vida e Saúde do ano de 1973: “Como médico da Secretária da Saúde [...], lotado na Colônia Santa Marta [...], eu fazia cirurgia e os partos das mulheres: e, como a gente fazia laqueadura em todas elas [...] foi diminuindo a clientela do antigo preventório.” (Revista estudos vida e saúde, 1973, p. 1466)
Esta atitude é justificada em prol de uma não lotação do ambiente em que eram alojados os filhos dos enfermos da Colônia goiana, mas também soava como um certo sanitarismo, para conter a proliferação da doença, como também uma ação que era de agressão ao corpo de uma mulher, pois quando esta saísse do hospital, não mais poderia ter filhos, sendo que esta não foi uma escolha própria da mesma. Como uma total perda de autonomia sobre sua própria vida, como é percebido no livro de Goffman. As pessoas que se encontram em leprosários são tidas como impossibilitadas de cuidar de si mesmas e prejudiciais à saúde da sociedade. O comportamento no espaço de isolamento é repleto de regras e imposições, havendo assim a perda da autonomia sobre suas ações. Então pode-se dizer que um doente não poder responder sobre sua vida, simplesmente porquê pode vir a infectar os sadios?
Interessante salientar “o papel da Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa Contra a Lepra, fundada em 1926... de caráter político-assistencial, resultou em inúmeros benefícios...”, dentre eles a implantação de um dispensário para assistência ambulatorial, além
de ser de fato conta a política de isolamento e ainda do afastamento dos pais de seus filhos sadios, constituindo núcleos familiares em que todos trabalhariam por sua subsistência, não sendo assim alheios ao futuro de suas crianças. (Estudos vida e saúde, 1973, p. 1454)
Pode-se salientar que já nesta época, esta atitude pode ser considerada de preservação do papel de mãe e da própria instituição familiar, não vindo a desintegrar a mesma apenas por ser formada por um ou mais enfermos. Indo assim muito além do conhecimento cientifico da época e apelando para o lado humano da institucionalização da doença, porque de qualquer maneira havia um local especifico em que os doentes e sua descendência ficariam, apenas dando um pouco mais de autonomia a essas pessoas.
O estudo a respeito deste tema se mostra relevante devido à ausência de produções acadêmicas mais fundamentadas a respeito do tema maternidade e enfermidade, além de proporcionar uma desconstrução do preconceito e estereótipo com relação as práticas afetivas dos enfermos que se encontravam em situação de isolamento.
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