Proposta de plano de execução Bim na empresa Júnior de engenharia
civil da Universidade Federal do Paraná: uma alternativa para A
introdução de Bim na formação universitária
Proposal of execution plan Bim in the Junior civil engineering company
of the Federal University of Paraná: an alternative for the introduction
of Bim in the university formation
Recebimento dos originais: 11/12/2018 Aceitação para publicação: 15/01/2019
Pedro Henrique Pinto Bezerra
Mestrando em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná Instituição: Universidade Federal do Paraná
Endereço: Av. Cel. Francisco H. dos Santos, 100 - Jardim das Americas, Curitiba - PR, 81530-000, Brasil
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Drielle Sanchez Leitner
Mestranda em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná Instituição: Universidade Federal do Paraná
Endereço: Av. Cel. Francisco H. dos Santos, 100 - Jardim das Americas, Curitiba - PR, 81530-000, Brasil
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Sergio Scheer
Doutor em Engenharia Civil pela Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio Instituição: Universidade Federal do Paraná
Endereço: Av. Cel. Francisco H. dos Santos, 100 - Jardim das Americas, Curitiba - PR, 81530-000, Brasil
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Adriana de Paula Lacerda Santos
Doutora em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Santa Catarina Instituição: Universidade Federal do Paraná
Endereço: Av. Cel. Francisco H. dos Santos, 100 - Jardim das Americas, Curitiba - PR, 81530-000, Brasil
E-mail: [email protected]
RESUMO
A integração e a comunicação entre os profissionais envolvidos no processo de construção ganha cada vez mais importância no mercado atual. Nesse contexto o Building Information Modelling (BIM), ou Modelagem da Informação da Construção, surge como uma tecnologia capaz de possibilitar a integração entre agentes da construção. Com isso, a demanda de profissionais da construção que possuam habilidades e conhecimentos BIM tende a aumentar. Dessa forma, a tecnologia BIM vem influenciando também no ensino e capacitação dos futuros profissionais da construção civil. O presente artigo aborda as barreiras a serem enfrentadas a fim de incluir o BIM
no ensino, estas tendo sido alvo de estudo de outros autores, e, diante das barreiras encontradas, propõe uma nova alternativa para a introdução de BIM na formação universitária: a implantação da tecnologia nas Empresas Juniores (EJs). O artigo aborda também o conceito de EJs e visa desenvolver um plano executivo BIM para a empresa júnior de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná(UFPR).
Palavras-chave: BIM. Implantação. Empresa júnior. Plano executivo.
ABSTRACT
The importance of integration and communication among professionals involved in the construction process is increasing in today's market. In this context Building Information Modeling (BIM) emerges as a technology capable of integrating construction agents. Thereby, the demand for construction professionals who possess BIM skills as well as BIM knowledge tends to increase. Thus, BIM technology is influencing both teaching and training of future civil construction professionals. This article discusses the barriers to be overcome in order to include BIM in teaching, which were studied by other authors, and proposes a new alternative for the introduction of BIM inuniversity education: the implementation of the technology in Junior Enterprises (EJs). The article also addresses the concept of EJs and aims to develop a BIM execution plan for the junior enterprise of civil engineering of the Federal University of Paraná(UFPR).
Keywords: BIM. Implementation. Junior Enterprise. Execution Plan
1 INTRODUÇÃO
O processo de Building Information Modeling (BIM) ou Modelagem da Informação da Construção tem se destacado como uma nova abordagem de desenvolvimento de projetos e de organização do trabalho no setor de construção. Por meio desta tecnologia, é possível obter uma melhor visualização dos projetos, detectar interferências entre disciplinas, além de estabelecer novas formas de comunicação entre os profissionais envolvidos.
No entanto, a incorporação de BIM no mercado é ainda um desafio, visto a grande resistência das empresas do setor, que insistem em ainda utilizar processos convencionais para elaborar projetos e conduzir a execução dos empreendimentos. Para que os sistemas BIM sejam implantados, é necessário que haja mudanças que vão muito além do domínio sob os softwares, exigindo alterações nas formas de trabalho, nos procedimentos de comunicação e nas formas de entrega de projetos.
A incorporação do conceito de BIM na formação de engenheiros civis e arquitetos também encontra barreiras que se relacionam com a ausência de profissionais capacitados para ensinar sobre a utilização desta tecnologia, como também com a falta de recursos e tempo para alterar os currículos vigentes.
Visto que o processo de trabalho em BIM não se resume apenas à utilização de softwares específicos, mas também trata-se da introdução de novas práticas de trabalho no setor de construção, uma abordagem interessante para apresentar esta nova realidade aos discentes seria
passar a utilizar o BIM nas empresas júnior de engenharia civil, que configuram- se como ferramentas de aprendizagem eficazes, dando oportunidade aos alunos de aplicarem os conhecimentos da graduação em projetos de empresas reais.
Assim, o presente artigo visa propor um plano de execução BIM para a empresa júnior de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná, a Alcance Engenharia Júnior. Trata-se de um roteiro para auxiliar na organização da rotina de trabalho da empresa, adaptado aos seus objetivos organizacionais, criando mais uma alternativa de aprendizado sobre o processo de trabalho em BIM no ambienteuniversitário.
1.1. MODELAGEM DA INFORMAÇÃO DA CONSTRUÇÃO OU BUILDING INFORMATION MODELING(BIM)
A integração e a comunicação entre os profissionais envolvidos no processo de construção é um tópico que ganha cada vez mais importância no mercado atual. A necessidade cada vez maior de integração entre os diversos agentes abriu caminho para uma nova abordagem de desenvolvimento de projetos, o Building Information Modelling (BIM), ou Modelagem da Informação da Construção (NÓBREGA JR; MELHADO, 2013).
Building Information Modeling, ou Modelagem de Informações da Construção, é um sistema que visa criar um modelo para a construção de edificações, contendo todas as informações necessárias, desde os materiais utilizados até os processos adotados, além da documentação (PRETTI, 2013). Eastman et al (2014) definem a Modelagem da Informação da Construção como “uma tecnologia de modelagem e um conjunto associado de processos para produzir, comunicar e analisar modelos deconstrução”.
Na prática, o BIM é uma ferramenta de visualização e coordenação do trabalho na indústria da construção. O sistema permite que erros e omissões sejam evitados podendo gerar aumento na produtividade, auxiliar na programação de atividades e na gestão da segurança, dos custos e da qualidade dos projetos. O mecanismo BIM compreende todos os componentes do projeto, incluindo geometria, dimensões, propriedades e quantidades, possibilitando a criação e o armazenamento de informações produzidas durante todo o ciclo de vida de um empreendimento (CHEN; LUO,2014).
O sistema BIM trabalha com objetos paramétricos, associados a bancos de dados, ou seja, objetos cuja representação gráfica está associada a características específicas (parâmetros). Desse modo, durante a concepção do empreendimento, o uso desses objetos permite a extração automática de dados não só referentes ao desenho, como também ao orçamento, quantitativos, entre outros, de
forma que qualquer alteração na concepção reflete em uma mudança geral do projeto (PRETTI,2013).
As informações devem ser acessíveis, em um ambiente digital integrado, oferecendo uma visão clara do projeto que auxilie a tomada de decisões pelos projetistas. O BIM é uma ferramenta inteligente que permite o trabalho em tempo real, com todos os agentes envolvidos trocando informações simultaneamente, facilitando uma percepção mais rápida das interferências a serem corrigidas no projeto (PEDRINI, 2012).
Na Figura 1, é possível observar o funcionamento dos sistemas BIM, possibilitando a avaliação do empreendimento em todas as suas fases, desde o projeto até a operação e manutenção, por meio desimulações.
Figura 1 – Gestão do ciclo de vida de um empreendimento através de BIM. Fonte: Pretti (2013).
Em conclusão, o conceito de modelo de informação da construção está revolucionando a maneira de projetar e executar os empreendimentos (NAWARI, 2012). O BIM pode ser considerado uma forma de concretizar os conceitos de engenharia simultânea, pois promove a inserção da qualidade, gestão do ciclo de vida além de promover integração das equipes de projeto e antecipar e testar decisões por meio de simulações. Para que isso seja feito, o funcionamento de um sistema BIM depende de fatores como a integração das equipes, multidisciplinaridade e adiantamento das decisões (PRETTI, 2013).
A tecnologia BIM tem sua importância reconhecida no futuro do setor da construção civil como uma ferramenta capaz de promover a integração e comunicação entre profissionais da área, como foi descrito no item anterior. Fridrich e Kubečka (2014) consideram que no futuro grandes construções não poderão ser gerenciadas sem o uso de BIM.
Dessa forma, a demanda de profissionais da construção que possuam habilidades e conhecimentos BIM tende a aumentar (PIKAS; SACKS; HAZZAN, 2013). Nesse sentido autores discutem sobre a importância do BIM na educação e reconhecem a influência dessa tecnologia da informação tanto na capacitação dos profissionais da indústria da construção quanto nos seus métodos didáticos (FRIDRICH; KUBEČKA, 2014; ABBAS; DIN; FAROOQUI,
2016). Abbas et al. (2016) ressaltam que um dos fundamentos da educação para a construção, como uma educação técnica, é manter-se atualizado e para isso é pertinente para as universidades ensinarem novas tecnologias no currículo de educação para construção.
Embora os benefícios da tecnologia BIM sejam significativos tanto para o mercado quanto para o ensino, ainda existem muitos obstáculos a serem ultrapassados a fim de incluir os conceitos e processos BIM na educação. Segundo Fridrich e Kubečka (2014) a maior barreira do uso da tecnologia BIM na engenharia civil e arquitetura é a falta de profissionais capacitados a trabalhar com a ferramenta BIM de forma compreensiva, e não apenas superficial. No estudo desenvolvido por Becerik-Gerber et al. (2011) a maior parte das instituições que não haviam incorporado o BIM no ensino não o fez por falta de profissionais capacitados para ensinar BIM. Para Barison e Santos (2010b), apesar do BIM estar sendo inserido gradativamente, a maioria das instituições de ensino possuem dificuldade em entender o que ensinar e como.
Já segundo estudo desenvolvido por Panuwatwanich et al. o principal obstáculo na integração do BIM ao currículo é a falta de tempo e recursos para preparar um novo currículo, falta de espaço em currículos já existentes e falta de equipamentos e materiais necessários para a capacitação em questão. Becerik-Gerber et al. (2011) também citam como barreiras ao ensino BIM a falta de recursos e a falta de espaço no currículo. Resumidamente, Kymmel (2008) aglomera os obstáculos envolvidos nesse processo em três grupos: dificuldades na aprendizagem e uso do software BIM, questões relacionadas com as circunstâncias do ambiente acadêmico, e incompreensão do processo BIM, sendo esse último obstáculo o mais crítico para Kymmell (2008) uma vez que o principal conceito BIM a ser ensinado e aprendido é acolaboração.
Para transpassar estas barreiras e conseguir inserir o BIM na educação recomenda-se coordenar professores, currículo acadêmico e local de ensino, além disso, é exigido um tempo de transição (BERWALD, 2008). É necessário ensinar os estudantes a pensar de maneira BIM, potencializando o uso da tecnologia e suas vantagens uma vez que muitos usam apenas fragmentos
dessa tecnologia, principalmente os modelos 3D, ao invés de usá-la como uma tecnologia capaz de integrar processos (FRIDRICH; KUBEČKA, 2014). Isso pode ser explicado pelo fato de que muitas das universidades que já incluíram o BIM em seus ensinos limitam-se ao treinamento do software de apoio (BARISON;SANTOS,2010b;ABBAS;DIN;FAROOQUI,2016). A tecnologia é
entendida então de forma incompleta ao invés de como um processo de compartilhamento e simulação de informações (GHOSH; PARRISH; CHASEY, 2013) .
A inclusão da tecnologia BIM na capacitação profissional do setor da construção civil pode ser feita de diferentes formas, respeitando as limitações de cada instituição de ensino. Diversas universidades optaram por disponibilizar cursos específicos sobre BIM, enquanto outras adaptaram os currículos de cursos existentes a fim de incorporar o ensino da tecnologia (DEAMER; BERNSTEIN, 2011; ABBAS; DIN; FAROOQUI, 2016). Além dessas duas maneiras já citadas a incorporação da tecnologia BIM pode ser feita por meio de matérias eletivas ou workshops (BARISON; SANTOS, 2010a; DEAMER; BERNSTEIN,2011).
Ghosh et al. (2013) sugere que a incorporação da tecnologia BIM no ensino seja feita por meio de integração vertical, aquela que o conteúdo é ensinado progressivamente com uma maior exposição do assunto, pois esse método permite uma visão mais holística do assunto. A integração vertical é alcançada quando a capacitação BIM engloba o ensino da ferramenta, do conceito de BIM como um processo e o uso do BIM como tecnologia colaborativa.
Pikas et al. (2013) também sugere que o ensino BIM seja feito de forma contínua, pois em seu estudo de caso os estudantes que tiveram contato ininterrupto com a tecnologia tiveram mais facilidade em manuseá-la. Além disso Pikas et al. (2013) também puderam concluir que a tecnologia BIM auxilia no aprendizado de outros conhecimentos de engenharia; que o ensino de BIM é melhor realizado quando o estudante tem contato com a tecnologia em si; e que o ensino de BIM auxilia na melhora da capacidade de trabalhar emgrupo.
Ademais, a introdução do BIM nos locais de ensino resulta no surgimento de novas possibilidades de pesquisa e auxilia na entrada dos estudantes da área de construção no mercado de trabalho (GHOSH; PARRISH; CHASEY, 2013). Além disso, o ensino do BIM para as futuras gerações de profissionais da construção civil poderia potencializar o uso da tecnologia, auxiliar na quebra de vícios da indústria e no próprio ensino futuro da tecnologia em questão e outras tecnologias colaborativas.
Por fim, apesar das dificuldades envolvidas na mudança, a inserção do BIM na educação já é vista como essencial na capacitação de futuros profissionais da construção civil. Diversos autores concordam com a inserção do BIM na educação e, apesar de não chegarem a um consenso de como
fazê- lo, destacam que a tecnologia deve ser entendida como uma ferramenta e um processo importantes para o gerenciamento e colaboração da informação.
1.3. INFLUÊNCIA DA EMPRESA JÚNIOR NA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA
Com o processo de globalização, o ambiente empresarial tem se tornado cada vez mais dinâmico. A grande competitividade faz com que as organizações sentam-se obrigadas a buscar por diferenciais que gerem resultados. Nesse sentido, observa-se um debate crescente na área organizacional em relação à necessidade de capacitação dos atuais e futuros profissionais, pois acredita-se que esta se inicia durante a formação acadêmica. As Empresas Juniores (EJs), por sua vez, representam uma oportunidade para que estudantes façam da vida universitária um diferencial importante, aliando a teoria à prática. Estas organizações possibilitam ao acadêmico a chance participar de um trabalho em equipe, tendo a oportunidade de exercer liderança, tomar decisões e desenvolver habilidades gerenciais (MORETTO et al.,2004).
Lewinski et al. (2009) conceituam as EJs como organizações vinculadas a uma Instituição de Ensino Superior (IES), que, normalmente, prestam serviços de assessoria e consultoria e são gerenciadas por estudantes de graduação. Os trabalhos feitos por essas organizações são orientados por professores, como práticas dos ensinamentos transmitidos em sala deaula.
As EJs recebem apoio das IES em relação ao espaço físico e infraestrutura necessária para o desenvolvimento de suas atividades, mas apresentam estrutura jurídica própria, com CNPJ e nota fiscal exclusivos, e são geridas por estatutos, regimento interno e leis de associações civis sem fins lucrativos, cabendo a responsabilidade legal aos alunos que compõem a diretoria executiva e/ou presidência da empresa (SOUZA, 2002; MORETTO et al., 2004; SANTOS, 2012).
Os principais clientes externos de uma empresa júnior são micro, pequenas e médias empresas, empreendedores e organizações do terceiro setor. O desenvolvimento de estudos direcionados ao grupo de clientes supracitados recebe o suporte do corpo docente da universidade e algumas vezes de profissionais especializados, que supervisionam e orientam os acadêmicos, indicando bibliografia adequada, compartilhando experiências e conhecimentos (MORETTO et al., 2004; SANTOS, 2012).
De acordo com Picchiai (2008), a finalidade das empresas juniores é educacional, e, por serem uma associação sem fins lucrativos, e ainda pela sua estrutura de baixos custos fixos, seus preços praticados são consideravelmente inferiores aos preços de mercado. Isto as torna empresas atrativas sob o aspecto econômico.
Os aspectos didáticos e pedagógicos observados na empresa júnior atingem as três principais atividades que compõem a formação universitária: o ensino, uma vez que as atividades são orientadas por docentes, promovendo a discussão e a compreensão prática dos ensinamentos da graduação; a pesquisa, que é realizada a partir da busca por elementos necessários para o desenvolvimento dos projetos, como estudos de mercado e comportamento dos consumidores; e a extensão, realizada por meio do atendimento a pequenas e médias empresas do mercado local, com a prestação de diversos serviços sem fins lucrativos, objetivando apenas o aprendizado (OLIVEIRA, 2003 apud LEWINSKI et al., 2009; SANTOS,2012).
A empresa júnior é um canal com o ambiente externo da universidade, aproximando a academia da empresa. É uma alternativa para o envolvimento do aluno no meio profissional, possibilitando a realização de contatos com organizações e o desenvolvimento de relacionamentos interpessoais. A realização de projetos em organizações reais possibilita ao aluno identificar problemas, propor resoluções e desenvolver pesquisas envolvendo o conhecimento específico (MORETTO et al., 2004; LEWINSKI et al., 2009).
A empresa júnior é, então, uma complementação da sala de aula, possibilitando a vivência em projetos técnicos e o contato com empresas reais que, futuramente, podem vir a empregar os estudantes. Além disso, possibilitam aos discentes um maior contato com empreendedores de sucesso que estimulem a iniciativa e coragem de iniciar novos empreendimentos (LEWINSKI et al.,2009).
Para Souza (2002), quando comparada aos estágios que são oferecidos por empresas e que constituem a principal porta de entrada do universitário no mercado de trabalho, a experiência na empresa júnior exige responsabilidades muito maiores. As atividades exercidas nas EJs estimulam o trabalho em equipe, desenvolvem o espírito empreendedor e capacitam futuras lideranças empresariais de maneira muito mais eficiente do que um estágio convencional.
O cotidiano das empresas juniores faz com que os acadêmicos tenham que estudar continuamente almejando desenvolver novas metodologias e criando soluções inovadoras aplicáveis em diversas situações. Esta necessidade de busca constante pelo conhecimento acaba por desenvolver características como criatividade, iniciativa, determinação, proatividade, liderança, profissionalismo e capacidade de tomada de decisões, que são de extrema importância para a formação superior de todo acadêmico (MORETTO et al., 2004).
Segundo Souza (2002), um fator chave para propiciar o desenvolvimento destas qualidades é o ambiente no qual suas atividades são desenvolvidas. Predominantemente informal, constituído e organizado exclusivamente pelos próprios alunos, com intensa troca de experiências e intercâmbio de atributos pessoais. Parece prevalecer um espírito de amizade entre os membros, o que promove
uma integração afetiva, estimulando o espírito de equipe, o que não é observado na grande maioria das organizações do mercado.
O ambiente de EJ é um forte estimulador de ideias e personalidades empreendedoras. A facilidade existente para a aceitação de um novo projeto, ideia, processo ou estratégia, propicia aos membros da empresa um espaço para desenvolvimento de habilidades e técnicas empreendedoras que muito dificilmente seria dado a eles em uma empresa do mercado de trabalho (PICCHIAI, 2008).
No contexto do curso de engenharia civil, a presença de uma empresa júnior é muito importante no sentido de apresentar aos estudantes as particularidades do mercado de construção civil, que exige dos profissionais tanto o conhecimento teórico adquirido na graduação, quanto as qualidades proporcionadas pela vivência na EJ. Além disso, o desenvolvimento de projetos demanda um domínio nos softwares específicos para tais atividades, o que normalmente não é priorizado nas disciplinas de graduação.
A utilização da tecnologia BIM pelas empresas juniores de engenharia civil tem, portanto, grande potencial tanto para introduzir o conhecimento para a utilização destes softwares na rotina dos discentes, quanto para familiarizá-los com o processo de trabalho que o uso desses sistemas demanda. Além disso, o ambiente de trabalho em grupo inerente às empresas juniores se adéqua bastante às práticas de projeto em BIM, caracterizadas pelo trabalho colaborativo e pela integração entre disciplinas.
2 PLANO DE EXECUÇÃO BIM NA EMPRESA JÚNIOR DE ENGENHARIA CIVIL DAUFPR
O presente artigo objetiva construir um plano de execução de BIM adaptado à Alcance Engenharia Jr., empresa júnior de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná. O principal serviço prestado pela empresa é a realização de projetos arquitetônicos e de engenharia (estrutural, instalações hidráulicas, elétricas, etc), que atualmente são realizados por meio de softwares CAD convencionais, com poucos membros familiarizados com os softwaresBIM.
Motivados pela demanda do mercado por projetos em BIM, a empresa se interessou recentemente por começar a utilizar essa tecnologia em seus projetos. Assim, é necessário adaptar os processos de trabalho atuais, estabelecendo novos padrões de comunicação e colaboração entre o pessoal envolvido.
Segundo Deutsch (2011), o processo de trabalho em BIM é composto por 10% de tecnologia e 90% de sociologia, ou seja, é muito mais importante ter um domínio sobre o processo do que sobre a tecnologia para obter resultados satisfatórios. Os benefícios da tecnologia BIM já são
amplamente divulgados pela mídia, porém existe um foco muito maior nas funcionalidades das ferramentas do que em percepções sobre os fluxos de trabalho e comunicação, que são essenciais para os times deprojeto.
Ainda segundo o autor:
“A implementação é intrinsecamente um ato social, não apenas a compra de licenças de software e sua utilização. A implementação BIM implica necessariamente em trabalhar com os outros para atender aos objetivos dosempreendimentos.”
“ Implementação é sinônimo de compartilhamento e colaboração, de modo que o BIM deve ser implementado em um ambiente colaborativo. Em outras palavras, o processo de projeto integrado não está necessariamente ligado à adoção de BIM – mas a existência de uma cultura de colaboração abre caminho para a adoção eficaz desta tecnologia. A colaboração não é apenas uma habilidade, mas também uma mentalidade, uma atitude. O processo de projeto integrado se tornou um conceito tão familiar quanto o BIM. Os dois conceitos, por sua vez, reforçam e servem um ao outro, numa espécie de relacionamento simbiótico.”
Assim, a fim de implementar um processo de trabalho em BIM na Alcance Engenharia Jr, será proposto um plano de execução adaptado à estrutura da empresa, reforçando o trabalho colaborativo. A referência usada para a elaboração do plano foi BIM Project Execution Planning
Guide da Pennsylvania State University (EUA, 2011).
O guia em questão explica como organizar um BIM Project Execution Plan (PEP), sugerindo quatro passos principais: identificar o valor de BIM utilizado em cada fase do empreendimento; criar mapas de processo para a execução do BIM; definir as entregas de BIM na forma de troca de informações; e desenvolver a infraestrutura na forma de contratos, procedimentos de comunicação, tecnologia e controle de qualidade, para dar suporte à implementação. No final do guia, algumas sugestões são feitas para se obter uma implementação bem sucedida, dentre elas estão: identificar a pessoa mais adequada para fazer o PEP (BIM Champion), envolver a diretoria da empresa, fazer com que a equipe de projeto trabalhe de forma colaborativa, adaptar o PEP para a estrutura de cada empresa, revisá-lo regularmente e disponibilizar os recursos necessários. O PEP deve delinear os objetivos, processo de troca de informações e infra-estrutura de suporte para a implementação. Uma vez que o PEP é criado, a equipe pode acompanhar e monitorar seu progresso em relação a ele, para ganhar o máximo de benefícios da implementação BIM (CHAVES et al.,2014).
2.1. DESCRIÇÃO DO PLANO DE EXECUÇÃO
A fim de implementar um processo de trabalho em BIM na Alcance Engenharia Jr, será proposto um plano de execução adaptado à estrutura da empresa, reforçando o trabalho
colaborativo. A referência usada para a elaboração do plano foi BIM Project Execution Planning
Guide da Pennsylvania.
State University (EUA, 2011). A seguir será descrito o plano de execução proposto sendo
destacadas as alterações e adaptações feitas.
Segundo o documento de referência, a primeira fase em um plano de execução de um projeto BIM é a definição das informações básicas tanto do projeto quando das empresas envolvidas. Dessa forma, essa etapa inclui informações da contratante, como nome da empresa, localização da sede da empresa e contatos de email e telefone. O escopo desta etapa também inclui caracterizar informações iniciais do projeto como o nome do projeto e número do registro, tipo de contrato e breve descrição do empreendimento.
Durante esta fase são tabeladas as informações de contato dos profissionais que atuarão como líderes, seja na empresa contratante ou na própria empresa júnior. As informações devem incluir a função que estes funcionários irão desempenhar (gerente de projetos, gerente BIM, etc), a empresa em que trabalha, seu email e telefone. Por último, também é feito um calendário inicial do projeto, o qual inclui marcos BIM, atividades de pré-design, grandes revisões de design, avaliações de partes interessadas e outros eventos importantes que ocorrem durante o ciclo de vida doprojeto.
Essa primeira fase descrita do plano executivo é considerada como essencial pois auxilia desde a concepção do projeto a firmar uma boa comunicação entre empresas e agentes envolvidos.
Em seguida o foco do plano de execução passa a ser a modelagem BIM. O objetivo dessa fase é compreender quais metas se desejam alcançar com o uso do BIM. Segundo o guia de referência, um dos passos mais importantes na elaboração do plano é a definição do valor potencial do BIM para o projeto e para os agentes nele envolvidos, estabelecendo as metas gerais para a implementação da tecnologia.
Baseado em reuniões feitas com os discentes encarregados da direção da empresa, foram definidos os objetivos imediatos que a equipe espera alcançar com a implementação do processo de projeto em BIM, que se relacionam com o desenvolvimento de projetos mais precisos a partir da melhoria da visualização, detecção de interferências entre disciplinas e extração de quantitativos, de forma que, além de projetos, a empresa também possa oferecer o orçamento como umserviço.
A partir da definição dos objetivos, foi possível identificar os usos específicos do BIM no projeto, ou seja, tarefas ou procedimentos de um projeto que serão beneficiados pela introdução de BIM. O guia de referência lista 25 formas de utilização do BIM que têm sido utilizadas na indústria, dentre as quais foram são destacadas quatro que se adéquam aos objetivos organizacionais da Alcance Engenharia Jr. (Tabela1).
Tabela 1 – Usos de BIM na Alcance Engenharia Jr.
Compatibilização 3D Processo no qual um software de detecção de interferências é usado durante a compatibilização dos projetos para determinar colisões entre as diversas disciplinas, de modo a eliminá-los antes da
fase de execução.
Concepção de Projeto Processo no qual um software de projeto 3D é usado para desenvolver um modelo de informações na construção baseado em critérios importantes para a criação do projeto. Os dois grupos essenciais de aplicações de projetos baseados em BIM são as ferramentasdeconcepção(criaçãodemodelos)de
projeto e as ferramentas de revisão e análise.
Análise de Engenharia Processo pelo qual um software de modelagem inteligente utiliza o modelo BIM para determinar o método executivo mais eficaz, baseado nas
especificações de projeto.
Estimativa de custos Processo no qual o modelo BIM pode ser utilizado para gerar a lista de quantitativos e de custos ao
longo do ciclo de vida de um projeto.
Fonte: os autores (2017).
Em seguida, é necessário avaliar a capacidade da equipe para trabalhar com BIM de acordo com cada uso estabelecido para a tecnologia, definindo os recursos e competências necessárias para a implementação destes usos no processo de projeto (ANEXO II).
Após a definição de seus usos, um procedimento de mapeamento dos processos para a implementação de BIM precisa ser realizado. Primeiramente é construído um mapa geral que deve mostrar o sequenciamento e a interação entre os usos de BIM pré-estabelecidos, de forma que cada time de projeto entenda como o seu trabalho se relaciona com as outras disciplinas envolvidas. Em seguida, é necessário construir mapas de processos específicos para esses usos, mostrando detalhadamente o fluxo de trabalho que os agentes responsáveis por cada um devem seguir.
O próximo passo do plano é identificar os intercâmbios de informações que ocorrem entre os agentes envolvidos, pois é importante que cada participante entenda claramente o conteúdo da
informação passada. Por fim, é preciso definir a infraestrutura necessária no projeto para atender ao processo BIM planejado, incluindo procedimentos de comunicação, infraestrutura tecnológica (hardware e software) e definição de procedimentos de controle de qualidade. Todos estes passos são exemplificados no modelo de plano de execução adaptado, presente no documento anexo deste trabalho.
3 RESULTADOS ECONCLUSÕES
Por meio da revisão da literatura pode-se perceber a importância da tecnologia BIM para a indústria da construção civil. Percebeu-se também a influência que essa tecnologia tem na educação dos futuros profissionais do setor. Porém para incluir o BIM na educação é necessário transpor diversas dificuldades envolvidas na mudança. Nesse sentido, foram identificadas diversas maneiras de implantar a tecnologia BIM no ensino universitário.
Neste contexto, o presente artigo propõe uma outra alternativa para a introdução de BIM na formação universitária: a implantação da tecnologia BIM nas empresas juniores. Para isso foi desenvolvido um plano de execução adaptado do documento BIM Project Execution Planning
Guide da Pennsylvania State University (EUA, 2011). O plano foi desenvolvido para a Alcance
Engenharia Jr, empresa júnior de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná que serviu como estudo de caso do funcionamento de empresas juniores para o presente artigo.
Por meio de entrevistas estruturadas pode-se perceber que a maioria dos estudantes envolvidos no projeto conheciam apenas superficialmente o BIM. Isso mostrou que, independente de qual é a abordagem escolhida pela universidade para capacitar os alunos para o mercado, está encontra-se defasada no aspectoBIM.
Por meio de conversas iniciais foram identificadas quais serviços eram oferecidos pela empresa júnior o que possibilitou desenvolver um plano executivo de projetos BIM para a mesma. O plano de execução mostrou auxiliar no próprio entendimento do que são processos BIM e como iniciar um projetoBIM.
O plano desenvolvido é flexível podendo ser adaptado para outras empresas juniores, ou até mesmo outras empresas do setor da construção. Além disso o plano permite readequações conforme a empresa sinta necessidade. Assim poderia ser interessante avaliar o uso do plano de execução na empresa estudada passado um período inicial de adaptação.
No geral a implantação do BIM por meio de sua inserção em empresa junior de construção civil mostrou-se vantajosa. Os alunos puderam ter contato com uma tecnologia atual e que poderá vir a se tornar essencial para o mercado deconstrução.
A alternativa proposta possibilita a implantação do BIM na educação sem se deparar com as dificuldades enfrentadas por outros autores; além de fortalecer a capacitação dos profissionais da construção. Essa alternativa possibilita a inserção BIM na educação sem perturbar a estrutura existente dos cursos, característica positiva para Ghosh et al. (2013).
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