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Plano Director Municipal Monção

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Academic year: 2021

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Plano Director Municipal

Monção

J u n h o 2 0 0 8 | C â m a r a M u n i c i p a l d e M o n ç ã o

A v a l i a ç ã o A m b i e n t a l E s t r a t é g i c a

R e l a t ó r i o A m b i e n t a l

L u g a r d o P l a n o , G e s t ã o d o T e r r i t ó r i o e C u l t u r a R u a d e S . S e b a s t i ã o 1 9 1 , 1 º D t o . 3 8 1 0 - 1 8 7 A v e i r o | t e l . / f a x . 2 3 4 4 2 6 9 8 5 w w w . l u g a r d o p l a n o . p t | l u g a r d o p l a n o @ l u g a r d o p l a n o . p t c â m a r a m u n i c i p a l d e m o n ç ã o | l u g a r d o p l a n o , g e s t ã o d o t e r r i t ó r i o e c u l t u r a 1 de 120

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Índice

1 . I N T R O D U Ç Ã O . . . 6

1.1. Descrição geral do conteúdo ... 6

1.2. Enquadramento da proposta de revisão do PDM de Monção ... 7

1.3. Enquadramento Legal da Avaliação Ambiental Estratégica da proposta de revisão do PDM de Monção ... 8

2 . M E T O D O L O G I A . . . 1 0 2.1. Fundamentos da AAE e do Relatório Ambiental ... 10

2.2. Consultas ... 11

3 . O B J E C T O D E A V A L I A Ç Ã O . . . 1 6 4 . A N Á L I S E E A V A L I A Ç Ã O E S T R A T É G I C A P O R F A C T O R C R Í T I C O P A R A A D E C I S Ã O 2 2 4.1. Quadro de Referência Estratégico ... 22

4.2. Factores Ambientais ... 23

4.3. Factores Críticos para a Decisão ... 23

4.4. FCD: Biodiversidade ... 24

4.4.1. Descrição do FCD e seus objectivos ... 24

4.4.2. Situação existente e análise de tendências ... 25

4.4.3. Efeitos esperados, oportunidades e riscos ... 32

4.4.4. Directrizes para seguimento ... 48

4.5. FCD: Património Cultural ... 48

4.5.1. Descrição do FCD e seus objectivos ... 48

4.5.2. Situação existente e análise de tendências ... 49

4.5.3. Efeitos esperados, oportunidades e riscos ... 53

4.5.4. Directrizes para seguimento ... 54

4.6. FCD: Factores Físicos ... 55

4.6.1. Descrição do FCD e seus objectivos ... 55

4.6.2. Situação existente e análise de tendências ... 57

4.6.3. Efeitos esperados, oportunidades e riscos ... 71

4.6.4. Directrizes para seguimento ... 73

4.7. FCD: Ordenamento do Território, Desenvolvimento Regional e Competitividade ... 75

4.7.1. Descrição do FCD e seus objectivos ... 75

4.7.2. Situação existente e análise de tendências ... 78

4.7.3. Efeitos esperados, oportunidades e riscos ... 86

4.7.4. Directrizes para seguimento ... 87

5 . Q U A D R O D E G O V E R N A N Ç A P A R A A A C Ç Ã O . . . 9 1 6 . O R I E N T A Ç Õ E S P A R A O P L A N O D E C O N T R O L O . . . 9 3 7 . C O N C L U S Õ E S . . . 9 9 8 . R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S . . . 1 0 0 9 . A N E X O S . . . 1 0 1

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Índice de Quadros

Quadro 1 – Entidades Consultadas para parecer do RFC da proposta de revisão do PDM de Monção ... 11

Quadro 2 – Sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres apresentados pelas entidades consultadas. ... 12

Quadro 3 - Relação entre as Opções Estratégicas e os Objectivos Estratégicos do PDM de Monção. ... 19

Quadro 4 - Referência Estratégica para AAE da proposta de revisão do PDM de Monção. ... 22

Quadro 5 – Domínios e Indicadores do Factor Crítico Biodiversidade. ... 24

Quadro 6 – Análise SWOT no âmbito do factor crítico Biodiversidade ... 25

Quadro 7 – Informação relativa ao SIC Rio Minho para o concelho de Monção ... 26

Quadro 8 - Espécies faunísticas presentes no SIC Rio Minho e no município de Monção ... 29

Quadro 9 – Agregação dos mosaicos de habitats em Unidades de Conservação no SIC Rio Minho ... 30

Quadro 10 - Confrontação das orientações de Gestão exigidas no PSRN2000 para a conservação das espécies e habitats e a sua correspondência no articulado da proposta do Regulamento da revisão do PDM de Monção ... 37

Quadro 11 – Correspondência de condições e de critérios de Avaliação de Incidências Ambientais para projectos entre o PSRN2000 e o Regulamento proposto para o plano em revisão ... 42

Quadro 12 – Principais oportunidades e riscos da revisão do PDM ao nível da Biodiversidade ... 44

Quadro 13 – Síntese de comentários ao proposto no parecer do ICNB relativo ao factor crítico Biodiversidade, aquando do Relatório de Factores Críticos ... 45

Quadro 14 - Principais Indicadores do FCD – Património Cultural. ... 49

Quadro 15 – Análise SWOT no âmbito do FCD – Património Cultural ... 50

Quadro 16 – Património Arquitectónico existente no concelho de Monção ... 51

Quadro 17 – Património Arqueológico existente no concelho de Monção) ... 51

Quadro 18 - Oportunidades e ameaças da revisão do PDM ao nível Património Cultural. ... 53

Quadro 19 - Principais Indicadores do FCD – Factores Físicos ... 56

Quadro 20 - Análise SWOT no âmbito dos Factores Físicos ... 57

Quadro 21 - Necessidades anuais de água em Monção, por tipo de utilizador ... 62

Quadro 22 - Caracterização da estação de monitorização da Rede de Medida da Qualidade do Ar da Estação de Lamas d’Olo. ... 65

Quadro 23 – Valores médios anuais (base horária) registados, em 2005. ... 65

Quadro 24 - Dados estatísticos relativos ao Ozono, em 2005 ... 66

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Quadro 26 – Consumo de energia eléctrica, no concelho de Monção, por sector de actividade em 2006 . 67

Quadro 27 - Evolução da potência acumulada (MW) licenciada por distrito ... 68

Quadro 28 – Grandes incêndios (>= 100 ha) ocorridos no concelho de Monção, entre 1 de Janeiro e 15 de Outubro de 2006 ... 69

Quadro 29 - Oportunidades e ameaças da revisão do PDM ao nível dos factores físicos. ... 71

Quadro 30 - Principais indicadores do FCD – Ordenamento do Território, Desenvolvimento Regional e Competitividade

...

77

Quadro 31 - Análise SWOT no âmbito do ordenamento do território, desenvolvimento regional e competitividade. ... 79

Quadro 32 - Evolução da população residente no Concelho de Monção ... 80

Quadro 33 - Evolução do índice de longevidade no Concelho de Monção ... 80

Quadro 34 - Evolução do número de acidentes rodoviários desde 2004 ... 81

Quadro 35 - Planos de Pormenor em vigor ou em curso, no Concelho de Monção. ... 82

Quadro 36 - Número de edifícios licenciados, por tipo de obra (construção nova ou reconstrução) no Concelho de Monção ... 83

Quadro 37 - Áreas propostas para desafectação dos regimes de REN e RAN ... 84

Quadro 38 – Unidades de Turismo Habitação e de Turismo em Espaço Rural no Concelho de Monção ... 85

Quadro 39 - Oportunidades e ameaças identificadas na Proposta de Revisão do PDM de Monção ao nível do FCD Ordenamento do Território, Desenvolvimento Regional e Competitividade. ... 87

Quadro 40 – Quadro de Governança para a Acção ... 92

Quadro 41 - Caracterização Geral do Concelho de Monção ... 93

Quadro 42 – Indicadores de sustentabilidade e posicionamento do Município de Monção face a metas estabelecidas em documentos estratégicos. ... 94

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Índice de Figuras

Figura 1 – Representação esquemática de Venn da determinação dos FCD . ... 23

Figura 2 – Localização do Sítio de Importância Comunitária PTCON0019 - Rio Minho ... 26

Figura 3 – Densidade populacional, entre 2000 e 2005, no concelho de Monção ... 58

Figura 4 – Rede hidrográfica mais significativa existente na BHR Minho ... 60

Figura 5 - Representação das Zonas e Aglomerações da Região Norte e localização das estações de monitorização. ... 64

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1. Introdução

A avaliação ambiental estratégica (AAE) é um procedimento de avaliação de planos e programas, obrigatório em Portugal desde a publicação do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, que assim consagra no ordenamento jurídico nacional os requisitos legais europeus estabelecidos pela Directiva 2001/42/CE, de 25 de Junho.

O principal objectivo da AAE é estabelecer um nível elevado de protecção do ambiente e contribuir para a integração das considerações ambientais nas diversas fases de preparação de determinados planos e programas.

De acordo com o Artigo 5.º da Directiva 2001/42/CE, sempre que seja necessário proceder a uma avaliação ambiental, deve ser elaborado um relatório ambiental no qual serão identificados, descritos e avaliados os eventuais efeitos significativos no ambiente resultantes da aplicação do plano ou programa e as suas alternativas razoáveis que tenham em conta os objectivos e o âmbito de aplicação territorial respectivos.

O relatório ambiental deve incluir as informações que razoavelmente possam ser necessárias, tendo em conta os conhecimentos e métodos de avaliação disponíveis, o conteúdo e o nível de pormenor do plano ou do programa e a sua posição no processo de tomada de decisões.

O presente Relatório Ambiental constitui o principal contributo do processo de AAE para a revisão Plano Director Municipal (PDM) de Monção.

1.1. Descrição geral do conteúdo

O presente relatório acompanha o disposto no Decreto-Lei n.º 232/07, de 15 de Junho, estando metodologicamente adaptado ao grau de maturidade dos trabalhos da proposta de revisão do PDM de Monção que à data de publicação do referido Decreto-Lei estava em fase final de conclusão.

Este relatório inclui um primeiro Capítulo onde se define o enquadramento da proposta de revisão do PDM de Monção e o respectivo enquadramento legal ao nível da AAE.

O Capítulo 2, contempla os aspectos metodológicos da AAE e o resultado dos pareceres emitidos no âmbito da consulta pública, quando da apresentação do Relatório de Factores Críticos (RFC) às entidades com responsabilidade no processo.

No Capítulo 3 é identificado o objecto de avaliação do presente estudo e são definidas as opções estratégicas e as grandes linhas de orientação inerentes à proposta de revisão do PDM de Monção.

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A análise ambiental estratégica, vertida no presente relatório, incide sobre os Factores Críticos de Decisão (FCD) identificados previamente no RFC. A metodologia adoptada para definir os FCD envolveu a integração dos seguintes componentes: o quadro de referência estratégico, as questões estratégicas fundamentais, identificadas na proposta de plano com potenciais implicações ambientais e os factores ambientais, pertinentes para a avaliação. Assim, no Capítulo 4 é desenvolvido, de forma resumida, o procedimento de determinação dos FCD (caracterizando cada uma das componentes referidas anteriormente), e incluída a metodologia de AAE utilizada para a caracterização de cada um dos factores, tendo em consideração a situação existente, a análise das principais tendências, os efeitos esperados, as oportunidades e riscos e as directrizes de seguimento.

No Capítulo 5 apresenta-se o Quadro de Governança para a Acção, com indicação das principais entidades/agentes intervenientes com responsabilidade em todo o processo.

O Capítulo 6 contempla as orientações para a implementação de um Plano de Controlo, a ter em consideração pela autarquia no desenvolvimento do seu PDM, onde se apresenta uma síntese dos aspectos mais importantes identificados no âmbito desta AAE.

1.2. Enquadramento da proposta de revisão do PDM de Monção

As opções estratégicas do PDM de Monção surgem enquadradas por dois tipos de objectivos: a) os objectivos que decorrem da aplicação do regime legal inscrito no Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, para os Planos Municipais de Ordenamento do Território (PMOT), nomeadamente PDM; e b) o conjunto de objectivos estabelecidos para a concretização do PDM de Monção.

Assim, os PMOT estabelecem o regime de uso do solo, definindo modelos de evolução previsível da ocupação humana e da organização de redes e sistemas urbanos, na escala adequada, parâmetros de aproveitamento do solo e de garantia de qualidade.

Os PDM ao estarem incluídos no grupo dos PMOT dão suporte à estratégia territorial, à política municipal de ordenamento do território e de urbanismo e às demais políticas urbanas contribuindo para estabelecer um modelo de organização espacial do território de um concelho. O PDM é neste contexto o instrumento de excelência para estabelecer programas de acção territorial e dar eco ao desenvolvimento de acções territoriais.

Num contexto geral os objectivos estratégicos do PDM de Monção devem dar resposta aos objectivos estabelecidos no artigo 70.º do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, para os PMOT, designadamente:

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a) A tradução, no âmbito local, do quadro de desenvolvimento do território estabelecido nos instrumentos de natureza estratégica de âmbito nacional e regional;

b) A expressão territorial da estratégia de desenvolvimento local; c) A articulação das políticas sectoriais com incidência local; d) A base de uma gestão programada do território municipal; e) A definição da estrutura ecológica municipal;

f) Os princípios e as regras de garantia da qualidade ambiental e da preservação do património cultural; g) Os princípios e os critérios subjacentes a opções de localização de infra-estruturas, equipamentos,

serviços e funções;

h) Os critérios de localização e distribuição das actividades industriais, turísticas, comerciais e de serviços;

i) Os parâmetros de uso do solo;

j) Os parâmetros de uso e fruição do espaço público;

k) Outros indicadores relevantes para a elaboração dos demais instrumentos de gestão territorial.

O plano director municipal estabelece a estratégia de desenvolvimento territorial, a política municipal de ordenamento do território e de urbanismo e as demais políticas urbanas, integra e articula as orientações estabelecidas pelos instrumentos de gestão territorial de âmbito nacional e regional e estabelece o modelo de organização espacial do território municipal.

É um instrumento de referência para a elaboração dos demais planos municipais de ordenamento do território e para o estabelecimento de programas de acção territorial, bem como para o desenvolvimento das intervenções sectoriais da administração do Estado no território do município, em concretização do princípio da coordenação das respectivas estratégias de ordenamento territorial.

Para efeitos de definição do Quadro Estratégico da proposta de revisão do PDM de Monção, foi dado particular relevo à sua componente estratégica específica, num contexto em que este instrumento, de acordo com o estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, expressa territorialmente a estratégia de desenvolvimento local para o concelho de Monção.

1.3. Enquadramento Legal da Avaliação Ambiental Estratégica da proposta

de revisão do PDM de Monção

O PDM de Monção está abrangido pelo regime de Avaliação Ambiental Estratégica de acordo com o Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, conjugado com o disposto no Decreto-Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro), sendo que este último diploma indica que o PDM, dada a sua natureza estratégica, encontra-se obrigatoriamente sujeito a AAE.

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Apesar dos trabalhos de apoio à revisão do PDM de Monção estarem profundamente evoluídos à data de publicação do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, o facto de o PDM não estar em fase de discussão pública implicou a obrigatoriedade de execução do Relatório Ambiental.

No que diz respeito ao Envolvimento Público e Institucional e de acordo com o n.º 3 do artigo 77.º do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro), bem como do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, após a elaboração do Relatório Ambiental, e previamente à sua aprovação, a proposta de plano e o respectivo Relatório Ambiental serão sujeitos a Discussão Pública.

Deste modo, o Envolvimento Público e Institucional no âmbito do presente Relatório Ambiental decorrerá contextualizado nas iniciativas já promovidas ao nível da elaboração do plano devidamente integrado com o Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro).

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2. Metodologia

2.1. Fundamentos da AAE e do Relatório Ambiental

O Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, estabelece o regime a que fica sujeita a avaliação dos efeitos de determinados planos e programas no ambiente, transpondo para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 2001/42/CE, de 27 de Junho, do Parlamento Europeu e do Conselho e corporiza num contexto jurídico-administrativo a avaliação ambiental de determinados planos e programas, vulgarmente designada como Avaliação Ambiental Estratégica.

A AAE tem como objectivos globais (Partidário M.R., 2006; Partidário M.R., 2004):

Ì Assegurar uma visão estratégica e uma perspectiva alargada em relação às questões ambientais, num quadro de sustentabilidade;

Ì Assegurar a integração das questões ambientais no processo de decisão, enquanto as opções ainda estão em discussão;

Ì Auxiliar na identificação, selecção e justificação de opções ganhadoras (win-win) face aos objectivos de ambiente e desenvolvimento;

Ì Detectar problemas e oportunidades, sugerir programas de gestão e monitorização estratégica; Ì Assegurar processos participados e transparentes, que envolvam todos os agentes relevantes; Ì Produzir contextos de desenvolvimento mais adequados a futuras propostas de desenvolvimento.

Assim, com a aplicação da AAE pretende-se estabelecer um nível elevado de protecção do ambiente e contribuir para a integração das considerações ambientais nas diversas fases de preparação de determinados planos e programas.

De uma forma geral, a AAE desenvolve-se em diversos momentos: a fase de definição do âmbito da avaliação ambiental; a fase de elaboração do Relatório Ambiental (correspondente à presente análise) que deve integrar as informações ambientais relevantes para que possa ser realizada a análise ambiental do Plano; a realização de consultas a entidades e a ponderação de resultados no “desenho” final do Plano; e um último momento onde se submete à consulta e divulgação pública da informação respeitante à decisão final.

De acordo com o artigo 5.º da Directiva 2001/42/CE, sempre que seja necessário proceder a uma avaliação ambiental, deve ser elaborado um relatório ambiental no qual serão identificados, descritos e avaliados os eventuais efeitos significativos no ambiente resultantes da aplicação do plano ou programa e as suas alternativas razoáveis que tenham em conta os objectivos e o âmbito de aplicação territorial respectivos.

No que respeita ao presente relatório ambiental, a metodologia adoptada para a caracterização de cada um dos FCD definidos envolveu a integração dos seguintes elementos:

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Ì Efeitos esperados e avaliação de oportunidades e riscos;

Ì Proposta de directrizes de seguimento (planeamento, monitorização e gestão); Ì Quadro de governança para a acção.

Na análise da situação de referência e das principais tendências, associada a cada um dos FCD, recorreu-se a uma análise do tipo SWOT1, pretendendo-se efectuar um diagnóstico geral das características ambientais,

patrimoniais e de ordenamento do território existentes no concelho, identificando, para isso, um conjunto de elementos positivos e negativos que ocasionam um conjunto de ameaças e oportunidades.

No caso do PDM de Monção, importa referenciar que o surgimento da obrigatoriedade de aplicação de AAE foi suscitada numa fase em que o próprio PDM estava praticamente concluído, aguardando o parecer das entidades para ser submetido a consulta pública. Desta forma a abordagem metodológica mais estratégica que tem surgido como referência deve ser devidamente integrada com as metodologias alternativas existentes.

2.2. Consultas

De acordo com o Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, a AAE requer que, antes da aprovação do projecto de plano ou programa e do respectivo relatório ambiental, a entidade responsável pela sua elaboração promova a consulta das entidades às quais, em virtude das suas responsabilidades ambientais específicas, seja susceptível de interessar os efeitos ambientais resultantes da sua aplicação. A primeira consulta teve lugar aquando da apresentação do Relatório de Factores Críticos.

As entidades consultadas e que emitiram parecer, no âmbito do RFC, encontram-se listadas no Quadro 1.

Quadro 1 – Entidades Consultadas para parecer do RFC da proposta de revisão do PDM de Monção

Entidade Consultada Resposta

(S/N)

Comentário (S/N)

Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade S S Agência Portuguesa do Ambiente S S Comissão Coordenação e Desenvolvimento Regional - Norte S S Instituto da Água S S Administração Regional de Saúde do Norte S S

No Quadro 2 apresenta-se o sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres efectuados pelas entidades consultadas. Todos estes pareceres mereceram especial atenção e foram tidos em consideração na elaboração do presente relatório (os pareceres podem ser consultados no Anexo I).

1 O termo SWOT é uma sigla oriunda do idioma inglês, e um acrónimo de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses),

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Quadro 2 – Sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres apresentados pelas entidades

consultadas.

Entidade Sugestões, Comentários e/ou Assunto (s) Abordado (s)

Agência Portuguesa do Ambiente

Entende que “a vocação local destes instrumentos de gestão territorial exige uma ponderação dos interesses ambientais, também com incidência muito particular na área de intervenção em causa, pelo que a entidade melhor vocacionada para emitir o parecer solicitado em virtude das suas atribuições regionais é a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional com jurisdição na área” (CCDR Norte).

Instituto da Água

Concorda genericamente com a abordagem definida para a realização da Avaliação Ambiental da revisão do Plano Director Municipal de Monção.

No âmbito da Avaliação Ambiental a desenvolver, deverão ser considerados, os planos e programas em matéria de recursos hídricos abaixo mencionados, que não foram referidos no Relatório de Factores Críticos:

• Plano Nacional da Água

• Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água

• Plano Estratégico de Abastecimento de Água e saneamento de Águas Residuais No que se relaciona com os objectivos de protecção ambiental, deverão ser consideradas as disposições legais em vigor em matéria de recursos hídricos, sendo de destacar: • Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro; • DL nº 77/2006, de 30 de Março; • DL n.º 226-A/2007, de 31 de Maio. Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional – Norte

O Relatório de Factores Críticos (RFC) cumpre o seu propósito, estando devidamente estruturado, de acordo com a metodologia base adoptada, entendendo-se ainda que o entendendo-seu conteúdo está organizado de modo explícito.

Concorda-se com a proposta apresentada para definição do âmbito da Avaliação Ambiental (AA) a levar a cabo, tendo em consideração o avançado estado de desenvolvimento da proposta de PDM, considerando-se este RFC uma sólida base para a continuação do desenvolvimento da AA da revisão do PDM. Expõe as seguintes sugestões de reforço de algumas temáticas:

• Relativamente ao Quadro de Referência Estratégico (QRE) identificado entende-se que o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT-N), embora ainda em elaboração, deveria ter sido considerado e analisado na construção do referencial de enquadramento;

• No QRE, ao nível dos recursos hídricos, recomenda-se a inclusão do Plano

Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas Residuais (PEAASAR II) e da Directiva Quadro da Água (Directiva n.º 2000/60/CE); • No FCD “Factores Físicos” é importante analisar a situação da rede de drenagem

de águas pluviais e respectivos riscos associados à sua ligação aos cursos de água, tendo em conta o incremento do caudal a drenar por aquelas linhas de água, como factor crítico e consequentemente apontadas medidas minimizadoras

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Quadro 3 – Sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres apresentados pelas entidades

consultadas. (cont.)

Entidade Sugestões, Comentários e/ou Assunto (s) Abordado (s)

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento

Regional – Norte

desses riscos. Nesse FCD, deverá também ser considerada, a previsível instalação de aproveitamentos hidroeléctricos nos cursos de água do concelho;

• Relativamente à análise do QRE, seria vantajoso analisar as interacções entre os objectivos do PDM e os dos documentos preconizados no QRE construído, de modo a perceber as relações de concorrência e/ou complementaridade existentes.

Relativamente ao desenvolvimento dos objectivos de sustentabilidade e

indicadores para os FCD, sugere-se o reforço das seguintes temáticas:

• Inclusão da questão do uso eficiente da água nos objectivos de sustentabilidade dos critérios “Água superficial e subterrânea” e “Água para consumo humano”, definindo objectivos e metas;

• No tratamento do factor Biodiversidade os indicadores de medição deveriam, sempre que possível, traduzir-se em acções e/ou referenciais decorrentes da aplicação do plano (quantificação de áreas afectas à Rede Natura 2000 e à Estrutura Ecológica Municipal), medidas de gestão ou outras acções a integrar o programa de execução do PDM ou outros indicadores sobre o cumprimento das orientações de gestão e conformidade com o Plano Sectorial da Rede Natura 2000;

• Relativamente aos Factores Físicos e Ordenamento do Território,

Desenvolvimento Regional e Competitividade entende-se que os objectivos de sustentabilidade e os indicadores deveriam apresentar uma correspondência mais directa com as propostas do plano;

• Esclarecer o enquadramento do objectivo “diminuir os níveis de ruído e vibração” relativamente aos factores críticos “factores físicos” e “ordenamento do território, desenvolvimento regional e competitividade”;

• Considerar no factor crítico “ordenamento do território, desenvolvimento regional e competitividade” a presença de uma placa logística, para além da rede viária; • Considera fundamental, no Relatório Ambiental, a indicação dos resultados da

discussão pública;

• Atendendo à situação avançada da revisão do PDM faria sentido prever, neste documento, o reforço da fase de “seguimento” dos efeitos ambientais resultantes da implementação do plano no Relatório Ambiental, que contemple a monitorização com base nos indicadores identificados, bem como a adopção de medidas de minimização e/ou prevenção dos efeitos significativos que venham a ser identificados na avaliação.

• Salienta-se que os indicadores a considerar deverão ser facilmente mensuráveis e a sua avaliação/quantificação deverá ser explicitada.

Informa que o presente parecer já contempla a posição da futura Administração da Região Hidrográfica, ainda integrada na estrutura da CCDR-N.

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Quadro 4 – Sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres apresentados pelas entidades

consultadas. (cont.)

Entidade Sugestões, Comentários e/ou Assunto (s) Abordado (s)

Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

Refere que o RFC apresenta algumas fragilidades metodológicas, nomeadamente: • Forma como chega à definição dos referidos Factores Críticos, ao não explanar

os fundamentos para a definição das Opções Estratégicas e Objectivos da Revisão do Plano, suportados numa avaliação do modelo de organização territorial existente/IGT em vigor, versus dinâmicas e ao não fazer uma leitura/análise objectiva e correlacionada, daqueles, com os objectivos do QRE; • Confusão de conceitos e de terminologias entre factores ambientais, de

sustentabilidade, críticos de decisão e critérios etc.

Entende-se que o relatório pode ser melhorado da seguinte forma: • Definindo melhor o objecto da avaliação;

• As opções estratégicas e objectivos da Revisão do PDM, deveriam surgir apoiadas de forma clara e sistemática, pelos dados de reflexão e avaliação feitas sobre o Plano em vigor e/ou sobre o sentido das dinâmicas do território; • A definição do conjunto de Factores Críticos (FC) para a decisão em AAE

deverá resultar de uma análise objectiva, correlacionada entre os objectivos dos Instrumentos do Quadro Estratégico de referência e os objectivos da Revisão do PDM de Monção (utilizando por exemplo tabelas de dupla entrada); • O conjunto de FC a utilizar para a AAE, deverão permitir face à realidade do

território de Monção, avaliar as dimensões de sustentabilidade do modelo de ordenamento de território proposto, pelo que:

i) Os FC definidos confundem-se ainda com os factores ambientais, devem se possível, ter um alcance e nível de pormenorização maiores;

ii) Os indicadores a associar a cada FC deveriam ser mensuráveis, o que não se verifica em todos os casos.

• Relativamente ao conjunto de FC sugerimos que se considere:

1. Um FC “Segurança e Riscos Ambientais”, com indicadores associados a “risco de incêndio”, “risco de cheias”, “instabilidade geomorfológica”; “contaminação de aquíferos”, “poluição atmosférica”, etc.;

2. Para o FC “Biodiversidade” propõe-se o seguinte conjunto de critérios de avaliação e respectivos indicadores (consultar os indicadores propostos no Anexo I), entre outros que se julguem pertinentes (a ser definidos como tal, isto é mensuráveis):

o Conservação e Gestão de Habitats; o Conservação e Gestão da Paisagem; o Conservação e Gestão da Floresta.

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Quadro 5 – Sumário das sugestões, comentários e/ou assuntos abordados nos pareceres apresentados pelas entidades

consultadas. (cont.)

Entidade Sugestões, Comentários e/ou Assunto (s) Abordado (s)

Administração Regional de Saúde do Norte, IP

Da análise do documento apresentado, parecem-nos adequadas a definição dos tipos de factores críticos bem como, as ligações propostas entre os objectivos definidos no PDM de Monção com os diferentes instrumentos de planeamento existentes tanto a nível nacional, regional como local. No entanto, parece-nos também adequado que, no seu enquadramento conste também de igual forma, a análise do Plano Nacional de Acção Ambiente e Saúde 2007-2013 (PNAAS) uma vez que este constitui um pilar fundamental da política nacional de Ambiente e Saúde.

A análise do documento proposto não conduzirá a grandes dificuldades de enquadramento com os objectivos definidos no PDM em causa uma vez que os indicadores do FCD propostos, nomeadamente os respeitantes aos factores críticos e seus critérios de sustentabilidade, são compatíveis e vão de encontro com os objectivos primordiais contemplados no PNAAS.

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3. Objecto de avaliação

Constitui objecto de avaliação do presente relatório a proposta de Revisão do PDM de Monção. Em conformidade com o artigo 69.º do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro (com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro), os planos municipais de ordenamento do território estabelecem o regime de uso do solo, definindo modelos de evolução previsível da ocupação humana e da organização de redes e sistemas urbanos e, na escala adequada, parâmetros de aproveitamento do solo e de garantia da qualidade ambiental.

Relativamente à proposta de revisão do PDM de Monção, quando da elaboração do RFC, identificaram-se as seguintes opções estratégicas:

Ì Opção 1 – Requalificação urbana e rede de equipamentos.

Ì Opção 2 – Reorganização da estrutura viária.

Ì Opção 3 – Reforçar a atractividade concelhia, valorizar o património natural e afirmar a memória

histórica.

Ì Opção 4 – Aumentar a competitividade económica e investimento empresarial no concelho.

Opção 1 – Requalificação urbana e rede de equipamentos.

Com a requalificação urbana e rede de equipamentos pretende-se melhorar a imagem e a vivência urbana, e reforçar, qualificar e estruturar as áreas urbanas envolventes ao centro. Esta opção estratégica engloba também a criação de uma rede de equipamentos e infra-estruturas (piscina, hotel, quartel de bombeiros, entre outras) que dignifiquem a qualidade de vida urbana e a atractividade do concelho.

Esta opção permitirá potenciar as funcionalidades de Monção no domínio residencial, da actividade comercial e do lazer e com elas promover uma ocupação urbana multifuncional e ajustada à modernidade dos usos públicos e particulares.

Opção 2 – Reorganização da estrutura viária.

Tal como a designação da opção estratégica refere pretende-se dar uma nova organização e requalificação principalmente em termos de comodidade de deslocação e segurança às diversas vias existentes.

Ao incluir a transformação da actual EN 101 / EN 202 numa “avenida urbana”, esta opção estratégica permitirá maior rapidez e comodidade no acesso, competitividade urbana, uma mobilidade mais segura e uma requalificação da imagem urbana, que se espera mais conducente a uma melhor qualidade de vida, com uma valorização paisagística e maior atractividade urbana.

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Esta opção tem como vantagem diminuir a pressão de viaturas no núcleo central, promover o desvio das viaturas pesadas dos eixos de uso doméstico e melhorar os acessos a áreas fundamentais da vivência urbana.

Opção 3 – Reforçar a atractividade concelhia, valorizando o património natural e afirmando a memória histórica.

Pretende-se com esta opção fazer uma grande afirmação da frente ribeirinha dotando-a de elementos atractivos que apelem ao bem-estar e ao lazer. Pretende-se requalificar diversos espaços naturais inseridos numa rede interna de património natural e a qual dará suporte aos diversos troços da ecopista que apoiará actividades cicláveis e de marcha, aumentando a atractividade concelhia, reforçando relações intermunicipais, e qualificando dinâmicas e vivências.

Esta opção permitirá criar um suporte à realização de actividades turísticas, tendo em consideração as vertentes do turismo da natureza e do agro-turismo.

A requalificação das Caldas de Monção permitirá criar um espaço de elevada potencialidade para o desenvolvimento local, incrementando um espaço que alia a saúde, o ambiente, o lazer e o recreio, aspectos fundamentais para qualquer estratégia de turismo, assim como a criação do Parque de Campismo de Lapela, junto ao meio natural do Rio Minho e resultante da recuperação de uma pedreira, permitirá valorizar e qualificar o património natural e aumentar a atractividade concelhia.

Integrar as áreas do concelho (Rio Minho) nas áreas classificadas no âmbito das listas de sítios de importância comunitária contempladas na Rede Natura 2000 irá valorizar as potencialidades biofísicas, de forma a constituir uma rede que assegure o equilíbrio ecológico do concelho.

Pretende-se também assumir a cultura e a génese histórica de Monção como elementos determinantes para a sustentabilidade do desenvolvimento, criando espaços para reforçar o relacionamento com o território e as gentes da Galiza.

Opção 4 – Aumentar a competitividade económica e investimento empresarial no concelho.

Esta opção estratégica tem como referencial o aumento da atractividade para a instalação de empresas, criando condições de infra-estruturas do território que permitam o desenvolvimento harmonioso de diversas actividades económicas.

As sub-componentes dos Parques Empresariais e Zonas Industriais são expressões concretas e expectáveis das diversas formas de uso do território.

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Merece ainda particular destaque a instalação de uma placa logística de significativa dimensão, o “Porto - Seco de Salvaterra”, que será a maior reserva de solo industrial da euro-região Galiza – Norte de Portugal, sendo que serão criadas infra-estruturas de apoio por parte do governo de Espanha e Regional da Galiza, que serão passíveis de utilização pelo mercado português que procure internacionalizar-se, nomeadamente, a nova auto-estrada, com ligação a Madrid e o melhoramento da linha de caminho de ferro. Esta opção permitirá dinamizar a capacidade logística regional e constituir um espaço ibérico e fortalecimento de relações muito próximas e intensas entre a Região Noroeste de Portugal e a Galiza.

Naturalmente que estas opções não surgem isoladas, até porque o Plano em estudo encontra-se em fase de revisão.

No caso específico do Concelho de Monção e do seu Plano Director Municipal, e tendo em consideração a perspectiva estratégica, a necessidade de revisão deste instrumento de gestão territorial decorre da evolução das perspectivas de desenvolvimentos económico e social e da necessidade de adequação a essa evolução, das condições económicas, sociais, culturais e ambientais; da necessidade de actualização das disposições vinculativas dos particulares; e do estabelecimento de servidões administrativas e restrições de utilidade pública.

Num contexto macro-regional Monção, que já detinha um papel importante enquanto fronteira, neste novo contexto ganhou através do seu posicionamento geo-estratégico de rótula, uma importância acrescida no interrelacionamento entre as duas sub-unidades Região Noroeste de Portugal e a Galiza: intensificaram-se as dinâmicas e as relações comerciais e empresariais entre os dois lados da fronteira, bem como as actividades ligadas ao sector do turismo.

Este novo contexto acarretou novas dinâmicas que, directa ou indirectamente, colocam alguma pressão tanto nas infra-estruturas de suporte, nomeadamente nas infra-estruturas referentes às vias de comunicação, como na organização dos espaços urbanos, industriais, de cultura, recreio e lazer.

Complementarmente, a representação conceptual e a forma como se olha para a cidade e para sua envolvente é diferente da de outrora. Assiste-se a uma diluição das fronteiras urbano/rural e centro/periferia, através de padrões comportamentais diferentes, auxiliados por vários factores, nomeadamente pelo valor atribuído à componente ambiental, pelas novas possibilidades construtivas, pelas novas exigências de mobilidade e por conceitos valorizados de semi-periferia.

O Quadro 3 apresenta a relação entre as grandes intenções do PDM de Monção e as Opções estratégicas definidas.

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Objectivos Estratégicos Opções Estratégicas

Reforçar, qualificar e estruturar a imagem das áreas urbanas envolventes ao centro:

• Plano de Pormenor do Centro Histórico de Monção – pretende melhorar a qualidade do espaço urbano no interior das muralhas, bem como preservar os seus conteúdos culturais.

Requalificação urbana e rede de equipamentos.

Dotar a Vila de uma rede de equipamentos e infra-estruturas que contribuam para a melhoria das condições de vida urbana da população:

• Construção de nova piscina, de novo hotel e de um quartel dos Bombeiros Voluntários de Monção, de um Centro Cultural e de um Centro Escolar. Qualificação do espaço público:

• Zona Ribeirinha de Monção (Valorização e qualificação); • Plano de Pormenor de Lapela;

• Plano de Pormenor de Ponte de Mouro

Melhorar a acessibilidade e mobilidade regional aumentando a competitividade concelhia:

• Possibilidade da transformação da actual EN 101 / EN 202 numa ‘avenida urbana’, possível pela construção de uma via alternativa, com um traçado mais a Sul do actual, permitindo maior rapidez no acesso (a urgência), competitividade urbana, uma mobilidade mais segura e uma requalificação da imagem urbana, que se espera mais conducente a uma maior qualidade de vida, com uma valorização paisagística e maior atractividade

urbana. Reorganização da estrutura

viária.

Reorganizar a estrutura viária concelhia melhorando a acessibilidade e mobilidade concelhias:

• Repensar a estrutura de circulação da vila e concelhia, que passará pela ponderação da definição de traçados variantes para o longo curso, libertando a actual via para o tráfego urbano.

Reforçar a acessibilidade e a mobilidade nos aglomerados garantindo a segurança na circulação viária e peatonal (Mobilidade e Acessibilidade). Aumentar a atractividade concelhia, reforçando relações intermunicipais, qualificando dinâmicas e vivências:

Eco-Pista - Aproveita a desactivação da linha de caminho de ferro para utilização de transportes amigos do ambiente destinada ao cicloturismo e a pista de passeios pedonais, a um uso público como via de comunicação para o ócio, desporto, actividades recreativas, culturais e de protecção do meio ambiente.

Reforçar a atractividade concelhia, valorizar o património natural e afirmar a

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Objectivos Estratégicos Opções Estratégicas

Valorizar e qualificar o património natural:

Parque de Campismo de Lapela - Resultante de uma recuperação de pedreira, procura-se desenvolver o projecto de um parque de campismo, junto ao meio natural do Rio Minho.

Reforçar a atractividade concelhia, valorizar o património natural e afirmar a

memória histórica.

Valorização do território biofísico de suporte e qualificação da paisagem e melhoria da qualidade do meio ambiente:

Área Montanhosa do Interior do Concelho de Monção possui um forte

valor ecológico e apresenta significativas possibilidades de incentivo a visitantes capazes de incrementar a actividade turística.

Valorizar a memória Concelhia, realçar a sua história e assumir a cultura como vector indispensável ao processo de desenvolvimento:

• Centro Histórico.

A diversidade ecológica das freguesias de Monção associado ao valor cultural introduzido pelo homem, função dos seus valores estéticos e simbólicos, dão ao concelho uma forte herança e expressão cultural.

Valorizar as potencialidades biofísicas de forma a constituir uma rede que assegure o equilíbrio ecológico do concelho (Estrutura Ecológica):

• Assegurar a gestão sustentável de áreas com interesse para a conservação da natureza e da biodiversidade;

Requalificação das Caldas de Monção – Espaço de elevada

potencialidade para o desenvolvimento local, as Termas de Monção, conciliam as vertentes ligadas à saúde, ambiente, lazer e recreio, fundamentais para qualquer estratégia de turismo.

Aumentar a competitividade económica do concelho e criar condições atractivas a um maior investimento empresarial nacional e transfronteiriço: • Parque Empresarial da Lagoa.

Aumentar a competitividade económica e investimento

empresarial no concelho.

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Objectivos Estratégicos Opções Estratégicas

Aumentar a competitividade económica do concelho e criar condições atractivas a um maior investimento empresarial nacional e transfronteiriço: • Zona Industrial de Lara – Troporiz (é previsível que a implementação e

total laboração da Zona Industrial de Troporiz / Cortes incremente a procura da, entre outras, função residencial).

Zona Industrial de Barbeita – Messegães (a proposta de definição de

uma Zona Industrial em Barbeita, além de equilibrar o território, a poente e a nascente, da Vila, induzirá um maior atractivo para a função residencial). Zonas Industriais de Inter-Freguesias (pequenos parques empresariais

equipados e qualificados, inter-freguesias, que pretendem intervir no sentido da promoção de uma melhor convivência de usos, para além de

lidar com um aumento de procura devido ao Porto - Seco de Salvaterra). Aumentar a competitividade

económica e investimento empresarial no concelho.

Dinamizar a capacidade logística regional no intercâmbio Norte de Portugal – Galiza:

Porto – Seco de Salvaterra – placa logística de significativa dimensão, será a maior reserva de solo industrial da euro-região Galiza – Norte de Portugal (400 ha), funcionando simultaneamente como retaguarda do Porto de Vigo. Serão ainda criadas infra-estruturas de apoio por parte do governo de Espanha e Regional da Galiza e que serão passíveis de utilização pelo mercado português que procure internacionalizar-se, nomeadamente, a nova auto-estrada, com ligação a Madrid e o melhoramento da linha de caminho de ferro.

• Constituição de um espaço ibérico e fortalecimento de relações muito próximas e intensas entre a Região Noroeste de Portugal e a Galiza.

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4. Análise e Avaliação Estratégica por Factor

Crítico para a Decisão

4.1. Quadro de Referência Estratégico

O Quadro de Referência Estratégico estabelece as orientações de políticas ambientais e de sustentabilidade, definidas ao nível nacional, europeu e internacional, relevantes para a avaliação. Os instrumentos de referência identificados e analisados, como precursores de orientações estratégicas para a revisão do PDM de Monção, definem o Quadro de Referência Estratégico para o plano em análise (Quadro 4) permitindo identificar os objectivos de sustentabilidade a considerar no desenvolvimento das opções do plano.

Quadro 9 - Referência Estratégica para AAE da proposta de revisão do PDM de Monção.

Instrumento Acrónimo

Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território PNPOT Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável ENDS Plano Nacional de Alterações Climáticas PNAC Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade ENCNB Plano Sectorial da Rede Natura 2000 PSRN2000 Plano Estratégico de Desenvolvimento Rural PEN DRural Plano Bacia Hidrográfica do Minho PBH Minho Plano Regional de Ordenamento Florestal do Alto Minho PROF AM Plano Estratégico de Abastecimento de Água e Saneamento de Águas

Residuais 2007-2013 (1) PEAASAR II

Plano Nacional de Acção, Ambiente e Saúde (1) PNAAS Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água (1) PNUEA

(1) Instrumentos sugeridos nos comentários ao RFC adicionados no QRE.

No Anexo II estão definidos os instrumentos de referência utilizados e sintetizados os respectivos objectivos.

Relativamente aos pareceres emitidos no âmbito da apreciação do RFC, de referir que o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte (PROT-N) não foi considerado na presente análise uma vez que ainda está em fase de elaboração e não existe um documento final que possa ser consultado. No entanto, as questões relacionadas com o ordenamento do território encontram-se salvaguardadas com a consideração do PNPOT, na definição do QRE. Em relação à Directiva Quadro da Água, este documento não foi incluído no QRE uma vez que foram definidos os objectivos estratégicos regionais para esse sector, com a consideração do PBHR Minho.

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4.2. Factores Ambientais

Os factores ambientais considerados na presente análise foram orientados por uma exigência legal e enquadram-se no definido pelo Decreto-Lei n.º 232/2007, de 15 de Junho, na alínea e), n.º 1, artigo 6º, no que respeita à “biodiversidade, população, saúde humana, fauna, flora, solo, água, atmosfera, factores climáticos,

bens materiais, património cultural, incluindo o património arquitectónico e arqueológico, paisagem e a

inter-relação entre todos estes factores”. Estes factores definem o âmbito ambiental relevante e contribuem para a

definição dos Factores Críticos de Decisão.

4.3. Factores Críticos para a Decisão

Os FCD constituem os temas mais importantes a serem abordados no âmbito da AAE e identificam os aspectos que deverão ser considerados aquando da tomada de decisão. O objectivo da definição dos FCD é assegurar a focagem da AAE, estabelecendo o alcance da avaliação de forma a perceber o enquadramento em que esta se realiza.

A definição dos FCD resultou, numa primeira fase, da interacção entre os objectivos do Quadro de Referência Estratégico (QRE) preconizado e os Objectivos Estratégicos (QE) inerentes à proposta de revisão do PDM de Monção. Neste contexto, foram desenvolvidas tabelas de dupla entrada, onde se analisam as relações de conflito e/ou complementaridade existentes (Anexo III). Da análise das relações existentes nas tabelas de dupla entrada, e da integração dos factores ambientais (FA) legalmente estabelecidos, resultaram quatro

Factores Críticos de Decisão que reúnem os aspectos de ambiente e sustentabilidade considerados

relevantes, e que servirão de base à identificação de oportunidades e riscos (Figura 1).

Figura 1 –Representação esquemática de Venn da determinação dos FCD (adaptado de Partidário, 2007).

Neste contexto, os FCD identificados, para a proposta de revisão do PDM de Monção, foram a “Biodiversidade”, o “Património Cultural”, os “Factores Físicos” e o “Ordenamento do Território,

Desenvolvimento Regional e Competitividade”.

Da análise de cada um dos FCD, resultou a identificação de diferentes domínios, objectivos de sustentabilidade e indicadores que contribuíram para avaliar a viabilidade e sustentabilidade da estratégia preconizada nas grandes opções da revisão do PDM de Monção, pretendendo facilitar a avaliação e contribuir para uma tomada de decisão consciente e adequada.

QE QRE

FCD

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Conforme referido anteriormente, a metodologia adoptada, para cada FCD, envolveu a integração dos seguintes elementos:

Ì Análise da situação existente e das principais tendências; Ì Efeitos esperados e avaliação de oportunidades e riscos; Ì Directrizes para seguimento;

Ì Quadro de Governança para a acção.

4.4. FCD: Biodiversidade

4.4.1. Descrição do FCD e seus objectivos

No âmbito do presente Factor Crítico de Decisão pretende-se avaliar as principais consequências da Revisão do Plano Director Municipal sobre os valores florísticos, faunísticos e respectivos habitats presentes no município de Monção, determinando as oportunidades e riscos, que correspondem respectivamente aos impactes positivos e negativos de natureza estratégica, usando, sempre que a informação disponível o permitiu, os domínios de avaliação e indicadores apresentados no Quadro 5.

Quadro 10 – Domínios e Indicadores do Factor Crítico Biodiversidade.

FCD Domínios Objectivos de sustentabilidade Indicadores

Biodiv e rs ida de Áreas Classificadas

-Promover a valorização e assegurar a conservação do património natural, cultural, em áreas classificadas;

-Proteger e valorizar a paisagem, principalmente em áreas classificadas

-Evitar prejuízos em áreas classificadas, sítios geológicos e sobre espécies protegidas.

-Áreas protegidas e RN2000;

-Superfície do Município com estatuto de Área Protegida;

-Planos de gestão para Áreas Classificadas;

-Trilhos de interpretação devidamente equipados e sinalizados.

Diversidade de espécies

-Manter a biodiversidade, evitando perdas irreversíveis;

-Reabilitação de habitats e de espécies para níveis viáveis.

-Espécies ameaçadas e protegidas; -Habitats prioritários.

Conservação da Natureza, Biodiversidade e

Paisagem

-Proteger a diversidade biológica e da paisagem;

-Assegurar a gestão sustentável de locais chave para a conservação de determinadas espécies, bem como dos processos ecológicos associados;

-Controlar a proliferação de espécies não indígenas invasoras com risco ecológico conhecido.

-Planos de gestão e acções de conservação de espécies e habitats; -Zonas de elevado valor paisagístico; -Áreas de distribuição das espécies não indígenas invasoras com risco conhecido;

-Acções de controlo de espécies não indígenas com risco ecológico conhecido.

Gestão e Valorização da Conservação da

Floresta

-Promover a gestão sustentável e a conservação da floresta;

-Fomentar oportunidades de fruição sustentável em áreas naturais florestadas.

-Zonas de Intervenção Florestal; -Parques e percursos devidamente equipados e sinalizados, em áreas florestais.

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Na sequência do parecer do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade relativo ao Relatório de Factores Críticos foram adicionados indicadores que serão utilizados na fase de seguimento do plano.

4.4.2. Situação existente e análise de tendências

A análise SWOT, cujo quadro resumo se apresenta, permite efectuar uma análise sintética das Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças associadas ao factor crítico Biodiversidade, no âmbito da presente avaliação ambiental estratégica.

Quadro 11 – Análise SWOT no âmbito do factor crítico Biodiversidade

Forças Fraquezas

- Município com elevado valor ecológico e conservacionista, sobretudo associado ao vale do Rio Minho e à ocorrência de Lobo;

- Presença de um Sítio de Importância Comunitária PTCON0019 – Rio Minho.

- Incapacidade de gestão adequada dos valores ecológicos presentes;

- Pressão urbanística sobre as localizações dos valores ecológicos presentes.

Oportunidades Ameaças

- Sensibilizar os agentes da área do planeamento para a compatibilização de interesses ecológicos e socio-económicos;

- Melhorar e promover uma gestão adequada dos valores ecológicos classificados no âmbito do SIC Rio Minho;

- Definir planos e linhas de acção com vista à conservação dos principais valores ecológicos inseridos na área do SIC correspondente ao município de Monção.

- Possível conflito de interesses no interior da SIC; - Possível falta de recursos humanos e financeiros com vista à correcta gestão da biodiversidade existente na área classificada do município.

Á

REAS

P

ROTEGIDAS E

Á

REAS

C

LASSIFICADAS INTEGRADAS NA

R

EDE

N

ATURA

2000

O concelho de Monção não integra qualquer área natural da Rede Nacional de Áreas Protegidas, contudo o reconhecimento da riqueza ao nível dos valores da biodiversidade existentes no município está patente através da classificação de uma área inserida na Rede Natura 2000:

Ì Sítio Importância Comunitária PTCON0019 – Rio Minho, Decisão da Comissão de 7 de Dezembro de 2004.

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A delimitação territorial do Sítio de Importância Comunitária Rio Minho acompanha o Rio Minho desde o extremo nascente do seu curso ao longo do município de Melgaço até à sua foz. O rio Minho é um dos rios menos intervencionados por grandes infra-estruturas hidráulicas de Portugal, destacando-se ao nível dos valores naturais que detém a existência de interessantes populações de peixes migradores e o desenvolvimento de algumas matas ripícolas de elevado interesse ecológico.

S

UPERFÍCIE DO

M

UNICÍPIO ABRANGIDA POR ÁREA

C

LASSIFICADA

A expressão territorial do Sítio de Importância Comunitária (SIC) PTCON0019 – Rio Minho relativamente à área do município de Monção é apresentada no Quadro 7 bem como a percentagem do SIC que se localiza no município.

Quadro 12 – Informação relativa ao SIC Rio Minho para o concelho de Monção

Área (ha) % de área do

Concelho Classificado

% de área do Sítio integrada no

Concelho

SIC Rio Minho 717 3 16

Figura 2 – Localização do Sítio de Importância Comunitária PTCON0019 - Rio Minho Município

de Monção SIC Rio Minho

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No concelho de Monção a área abrangida pelo SIC Rio Minho representa apenas 3% da área total do concelho, no entanto, a percentagem da área total desta figura legal presente na área do município de Monção corresponde a 16% da área total abrangida pelo SIC.

O município de Monção abrange uma zona central desta área natural de interesse para a conservação da natureza.

P

LANO DE GESTÃO PARA AS ÁREAS CLASSIFICADAS

De acordo com a informação disponível, não se encontra aprovado ou em elaboração qualquer plano de gestão para o SIC Rio Minho, estando no entanto em fase de apreciação pela entidade competente uma candidatura ao Programa Operacional Regional do Norte, na medida Gestão Activa de Espaços Protegidos e Classificados, por iniciativa conjunta dos municípios que integram o SIC Rio Minho, que permitirá a elaboração e implementação de um plano de gestão da área classificada tendo como principal objectivo a conservação da biodiversidade que este SIC detém.

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RILHOS DE INTERPRETAÇÃO DEVIDAMENTE EQUIPADOS E SINALIZADOS

Verificado o reconhecimento do valor ecológico e paisagístico do património natural por parte do município, a projecção de trilhos de interpretação devidamente equipados e sinalizados, para zonas cuja sensibilidade não constitua uma condição crítica ao seu desenvolvimento, constitui um aspecto importante no sentido em que promove a valorização do património natural permitindo o seu usufruto por parte da população e do visitante, sem que seja comprometida a preservação desses valores naturais.

No município de Monção, na sua área total, encontram-se marcados e sinalizados cinco trilhos, de acordo com as Normas da Federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo. Nenhum destes trilhos se encontra projectado na zona ribeirinha do rio Minho, situação que a ser considerada no futuro deverá ponderar a incidência de impactes sobre os valores naturais presentes relativamente aos possíveis benefícios que a sua utilização poderá proporcionar no âmbito da valorização do território.

Os três trilhos actualmente em funcionamento localizam-se em áreas de interior rural do município nas freguesias de Abedim, Cambeses e Merufe, encontrando-se os restantes dois fora de exploração devido à construção de parques eólicos, também na zona interior sul do município.

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IVERSIDADE DE ESPÉCIES

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IVERSIDADE DE ESPÉCIES AMEAÇADAS E PROTEGIDAS

De acordo com o Dossier da Rede Natura 2000 (CIBIO 2007) que acompanha o plano, o Vale do Rio Minho apresenta a ocorrência de uma espécie de flora integrada no Anexo B-II do D.L. 49/2005, de 24 de Fevereiro, a Festuca duriotagana, considerada uma espécie florística de interesse comunitário, cuja conservação exige a designação de zonas especiais de conservação. Apresenta em Portugal o estatuto de Conservação Vulnerável, de acordo com Lopes & Carvalho1990. Esta espécie pode ser detectada na metade nascente da extensão ribeirinha do rio Minho inserida no município de Monção.

No que diz respeito às espécies de fauna, importa realçar a presença de alcateias de Lobo (Canis lupus), sobretudo na área montanhosa ao longo do limite sul do município. Destaca-se a presença de uma alcateia com numerosos efectivos e consideravelmente bem estudada em Portugal, a alcateia de Vez, cujo seu território corresponde, fundamentalmente, à área de convergência dos limites dos concelhos de Monção, Melgaço e Arcos de Valdevez, tendo como importantes zonas de ocorrência Riba Mouro, Tangil e Santo António no limite sudeste do município de Monção (Pimenta et al. 2005 – Censo Nacional do Lobo 2002/2003). É também provável a ocorrência de uma outra alcateia de lobos na área de confluência entre os municípios de Valença, Monção e Paredes de Coura, a alcateia da Boulhosa. Estes dados revelam que as áreas de interesse conservacionista neste município não se resumem apenas à área ribeirinha integrada no SIC. Salienta-se que o Lobo é uma espécie protegida, com carácter prioritário de conservação de acordo com o Anexo B-II do Lei n.140/99, de 24 de Abril, com as alterações e nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, estando já anteriormente consagrada a sua protecção e conservação em Portugal através da Lei nº 90/88, de 13 de Agosto e do Decreto-Lei. nº 139/90, de 27 de Abril, que a regulamenta.

Na área delimitada pelo SIC Rio Minho, não foram registadas observações de Lobo, no entanto a utilização desta área, ainda que possa ser pontual, é provável para esta espécie.

Quanto a outras espécies faunísticas destaca-se a ocorrência de Lontra (Lutra lutra), da Toupeira-d’água (Galemys pyrenaicus), do Tartaranhão-caçador (Circus pygargus), do Tartaranhão-azulado (Circus cyaneus), do Milhafre-preto (Milvus migrans) e de alguns peixes migradores, representando espécies cujo estatuto de conservação é conferido pelo Decreto-Lei n.140/99, de 24 de Abril, com as alterações e nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, e que se encontram referidas no Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal com os estatutos de ameaça apresentados no quadro 8.

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c â m a r a m u n i c i p a l d e m o n ç ã o | l u g a r d o p l a n o , g e s t ã o d o t e r r i t ó r i o e c u l t u r a 29 de 120 Quadro 13 - Espécies faunísticas presentes no SIC Rio Minho e no município de Monção (CIBIO 2007)

Nome vulgar Espécie D. L. nº 140/991

Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal

(Cabral et al. 2005) 2

Euphydrias aurina B-II

Savelha Alosa fallax B-II VU

Sável Alosa alosa B-II EN

Boga-comum Chondrostoma polypepis B-II LC*

Panjorca Rutilus arcasii B-II EN

Lampreia-marinha Petromyzon marinus B-II VU

Salmão-do-atlântico Salmo salar B-II CR

Tartaranhão-caçador Circus pygargus A-I EN

Tartaranhão-azulado Circus cyaneus A-I CR/VU

Milhafre-preto Milvus migrans A-I LC

Cotovia-pequena Lullula arborea A-I LC

Petinha-dos-campos Anthus campestris A-I LC

Noitibó-cinzento Caprimulgus europaeus A-I VU

Picanço-de-dorso-vermelho Lanius collurio A-I NT*

Lontra Lut ra lutra B-II LC

Toupeira-d’água Galemys pyrenaicus B-II VU

Lobo Canis lupus B-II* EN

1 B-II, Espécie de interesse comunitário, cuja conservação exige a designação de zonas especiais de conservação (* Espécie

prioritária), A-I, Espécie de interesse comunitário cuja conservação requer a designação de zonas de protecção especial;

2 Cabral et al. 2005: LC – Pouco Preocupante; VU – Vulnerável; EN – Em Perigo; CR – Criticamente em Perigo; * espécie que na

adaptação à escala regional baixou de categoria por se admitir que a população em Portugal poderá ser alvo de imigração significativa das regiões vizinhas e por não ser de esperar que essa imigração possa vir a diminuir.

Acrescem ainda dois grupos de espécies de avifauna que não foram tratados no Dossier Rede Natura como espécies individualizadas, por uma questão de simplicidade da linguagem e em consonância com a apresentação destas no Plano Sectorial da Rede Natura 2000 (PSRN2000), designadamente, os Passeriformes migradores de caniçais e galerias ripícolas e Passeriformes migradores de matos e bosques.

Contabilizando o referido no parágrafo acima, o Quadro 8 e a informação que consta no Dossier da Rede Natura 2000 que acompanha o plano, ocorrem no município de Monção nove (9) espécies de aves, dez (10) espécies de fauna e uma (1) espécie de flora, protegidas ao abrigo do Decreto-Lei n.140/99, de 24 de Abril, com as alterações e nova redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, sendo uma (1) delas considerada espécie de protecção prioritária, o Lobo (Canis lupus).

Esta caracterização revela uma riqueza e diversidade específica considerável na área do concelho de Monção.

Referências

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